Na mira do inimigo

2 Capítulo 2 - Todos por três.


Quando finalmente abriu os olhos novamente, haviam-se passado dias depois do massacre. Simon olhou em volta, e viu que se encontrava em um quarto de hospital. Tubos o auxiliavam a respirar. Na sua frente, dois projetores, que mostravam imagens da coluna e da clavícula do jovem. Ele notou que haviam fraturas na extremidade da clavícula e que uma das costelas estava fraturada também. A TV estava ligada no noticiário. Ele olhou para a mesinha do lado da cama e viu seus óculos. Estavam manchados de sangue e com rachaduras na lente direita. Simon colocou seus óculos e viu a reportagem sobre a noite que havia passado dias atrás.

‘‘ Estimula-se que duzentas mortes ocorreram aqui. Foram inicialmente registrados sete sobreviventes, mas dois não resistiram aos ferimentos e faleceram no hospital. Ainda não se sabe o paradeiro de três deles. Anna Marin, Gael Wright e Simon Stewart continuam desaparecidos. As informações que nossa equipe recebeu foi de que a ambulância que levava os jovens saiu da rota e sumiu. As buscas ainda não foram encerradas. Eu sou Nancy Thomas falando da News.’’

– Está confortável, Simon? – Uma voz desconhecida fez Simon gelar até o último fio de cabelo.

Ele se virou assustado para o lado e se deparou com um homem moreno de uns trinta anos, vestindo roupas pretas e óculos escuros.

– Quem é você?

– Meu nome é Jones. Sou um agente do FBI e estou aqui para te proteger. A você e aos seus amigos.

– Nos proteger do quê? – Simon perguntou, ajeitando o travesseiro atrás de suas costas.

– Por que você acha que atacaram aquela boate?

– Talvez por que eram assassinos cruéis. Não vejo por quê matar duzentos jovens por nossa causa.

– Simon, preste atenção. Você é filho do chefe de...

– Filho? Você está louco? Meu pai morreu há mais de dez anos.

Jones hesitou por um momento. Em seguida, sentou-se ao lado de Simon na cama, pousou a mão sobre seu ombro e deu um longo suspiro.

O nome do seu pai é Henry Stewart. Aquele homem que se dizia seu pai também era um agente da FBI. Ele foi assassinado pelo mesmo grupo que matou aqueles jovens. Eu e seu pai sempre tentamos proteger você, e toda a sua família, assim como seus amigos. Anna é minha única filha. Ela é tudo o que eu tenho, tudo o que este mundo me deixou. E eu não me perdoaria se algo acontecesse á ela. Seu pai sabia que eles estariam lá essa noite, mas não sabia que você também estaria.

– E se eu não houvesse ido? Anna e Gael provavelmente estariam mortos agora. Que tipos de pais são vocês?

– Tudo o que fizemos foi para proteger vocês.

– E todos aqueles adolescentes? Ninguém os protegeu! Eles eram jovens, tinham sonhos assim como eu, queriam crescer, se formar, construir uma família. Você deixou isso acontecer. Você e esse Henry!

– O importante é que vocês estão á salvo.

– E quanto a todos os mortos? Eu ouvi quando o teto os esmagou. Não restou corpo para o enterro. E todos aqueles pais?

– Simon, isso não nos importa.

– Como? Como podem ser tão desumanos? Vocês sabiam que eles estariam lá. Por quê não os mataram antes?

– Não tenho autorização para isso. Além do mais, eu salvei três vidas.

– E deixou duzentas escorrerem pelas mãos. Isso parece certo para você? Belo profissionalismo o seu.

– Simon...

– Saia.

– Simon, procure entender...

– Você não ouviu? Eu disse pra sair!

Jones abaixou a cabeça e se retirou do quarto. Simon desligou a TV e se ajeitou na cama, de forma que pudesse esconder o rosto, por quê naquele momento, não queria que nem os anjos ouvissem seu inconsolável pranto.

Horas depois, Anna apareceu na o quarto. Ela correu até o amigo e o abraçou. Os dois permaneceram assim por um tempo, e choraram juntos. Simon notou que havia um curativo na altura do seu ombro esquerdo, o que significava que ela havia sido atingida.

– O que aconteceu? — Indagou ele, apontando para o curativo.

– Durante a confusão fomos atingidos.

– Fomos?

Anna abaixou a cabeça.

– Anna... cadê o Gael?

– Ele...

Simon pôs-se de pé com alguma dificuldade.

– O que está fazendo? — Anna perguntou, tentando sentar Simon novamente.

– Cadê o Gael, Anna?

– Ele está no quarto. Você não pode se esforçar dessa maneira, Simon, deite-se de novo.

– Vamos lá agora.

– Simon...

– Anna, vamos!

Ela suspirou e assentiu com a cabeça. Em seguida, amparou Simon até o quarto. Gael estava consciente, mas estava deitado recebendo soro.

– Gael! — Simon exclamou, aproximando-se do amigo.

– Hey, Stewart. Acho que tem alguma coisa na sua testa.

Simon deu uma leve risada.

– Você está bem?

– Não vou morrer tão cedo, Simon. Você vai ter que me aguentar por muito tempo ainda.

– Idiota...

– Vem cá, vem.

Gael abraçou Simon fortemente. Anna os abraçou também. Eles sabiam que haviam sido os únicos sobreviventes. E agora, eles se uniriam mais do que nunca.