Na mesma casa em que... Natsu Dragneel?
5 Capítulo 5.
Notas iniciais
POV’S LUCY ON
Acordo com feiches de luz invadindo o quarto, abro os olhos lentamente e observo o teto por alguns minutos, à realidade me atinge, dura demais, severa demais:
‘’ Eu realmente estou apaixonada pelo Natsu ‘’
Reviro-me na cama e logo posso sentir o cheiro dele emanando das cobertas, o cheiro está por todos os lados, fecho os olhos novamente na esperança de conseguir memorizar aquela doce flagrância.
Estou quase pegando no sono novamente quando um barulho forte que parecia vim do lado de fora da casa me desperta, sento na cama e olho para o relógio em cima da cabeceira, o qual tinha colocado na noite anterior junto com vários de meus pertences:
– Mas o que...?
Levanto-me irritada e olho para janela, na esperança de encontrar a origem do barulho que me acordara 07:13 da manhã, em um domingo, isso mesmo em um DOMINGO, me pergunto aonde eu deixei minha colher, uma certa cabeça parece está clamando por sua visita. Não consigo ver nada, a única coisa que me resta então, é ir lá fora encontrar os infratores do sossego:
– Merda!
Vou em direção ao guarda-roupa onde havia colocado minhas roupas de qualquer jeito na noite anterior, minha cabeça estava cheia demais para pensar em organizar qualquer coisa que não fosse meus sentimentos. Escolho um shorts qualquer e um moletom para enfrentar o frio matinal, vou em direção a porta, e logo sinto a falta de Natsu e Happy:
– Aonde esses dois se enfiaram Kami-sama?
Saio porta a fora, sem demora, avisto uma cabeleira rósea de longe junto de um exceed azul, e é claro lá estava o tal som que me tirara da cama, sigo em direção da ‘’dupla do barulho’’ a fim de saber o que estavam fazendo e também da-los um ‘’presentinho’’ por ter interrompido o meu tão necessário sono.
Ao me aproximar fico em choque em ve-los, e principalmente em ver o que estavam fazendo, é como se algo se aquecese dentro de mim, um sentimento de saber que tenho para onde voltar, de me sentir amada, tudo isso eu tinha ali, que agora ficara claro com a atitude dos dois, minhas pernas fraquejam, levo as mãos em direção à boca na esperança que isso abafasse o som esganiçado que vinha da tentativa de segurar o choro.
Natsu pregrava novamente a placa que anunciava ‘’ Casa do Natsu e do Happy ‘’, porém com uma pequena modificação, logo abaixo do escrito, podia se notar um garrancho, que, prontamente reconheci como sendo de Natsu, dizendo:
‘’ E da Luce ‘’.
– Ohayo Luce – Cumprimenta-me Natsu com um sorriso – Eu e Happy estávamos arrumando a nossa placa, agora que você mora com a gente, o seu nome também está aqui – Explica, me olhando como se parecesse a pessoa mais feliz do mundo, e eu não duvidava que fosse. em qualquer situação ele sempre estava sorrindo, sempre estava feliz, e naquele sorriso era que não só eu mas todos da guilda, se firmavam.
– Natsu... Você sabe que é só temporário, não sabe?
Me odiei por dizer aquilo, pois, dentro de mim, eu queria ficar ali, não temporáriamente, mas para sempre, poder viver ao lado daqueles bakas, não só como companheiros, mas como uma família, esses sentimentos me assustavam, me apavoravam, era tudo tão novo para mim, e eu realmente não sabia como expressa-los.
Me odiei ainda mais ao ver a expressão de desapontamento na rosto de Natsu, era como se alguém tivesse jogado um balde de água fria nele, mas porque ele se sentiria assim? Num piscar de olhos ele voltou ao espírito alegre de antes:
– É claro, que eu sei Luce! Mas isso não muda o fato de você estar morando com a gente agora, e, por mais que seja por um pequeno período, essa casa também é sua – Dizendo isso ele sorri, mas dessa vez, o sorriso dele tinha algo diferente, não é como se tivesse de todo feliz, havia algo a mais, algo triste.
Para de imaginar coisas Lucy, se controle! Os boatos de que quando se está apaixonado por alguém você perde a razão eram realmente de todo verdadeiros.
– Happy! Me alcançe a tinta e o pincél.
– Aye sir!
Logo abaixo do meu nome, Natsu escreveu cuidadosamente a palavra ‘’temporariamente’’, tive que reprimir tanto uma risada quanto as lágrimas, é possível uma pesssoa estar à beira de um ataque de risos e de choro ao mesmo tempo?
– Prontinho.
– Arigatô minna! Natsu, quantas vezes eu tenho que dizer, é LuCY não LuCE – Digo cruzando os braços fazendo bico.
– Eu gosto mais de Luce, só eu chamo você assim, por isso Luce é especial.
Tinha que lidar com os novos sentimentos que surgiam, como se não bastasse, tinha de lidar com o fato de ficar ruborizada facilmente, e é claro, logo pude sentir minhas orelhas quentes, sinal que provavelmente estava mais vermelha que o cabelo de Erza. Sinto algo pousar sob minha cabeça:
– Luxy, porque está segurando uma colher?- Pergunta-me Happy curioso.
Droga! Tinha me esquecido totalmente da minha revolta e do meu plano de vingança, cá entre nós, depois de tudo eu não tinha condições de fazê-lo, então recorro para a explicação que eu sei que não irá gerar mais perguntas, e que já tinha salvado minha pele antes:
– Eu estava pensando em fazer o café, pensei em vim perguntar se queriam algo em especial.
Bingo!
Os olhos dos dois brilharam, levantaram as mãos para o alto gritando em unissomo:
– COMIDA!
Logo, vieram os inúmeros pedidos:
– Não Happy, não se faz peixada no café da manhã e não Natsu nada de pernil com batatas, pelo amor de Kami, são sete e meia da manhã estou falando de um café não de um banquete de casamento — esses dois são impossíveis.
No final, fiz bolinhos de chuva e fritei ovos com bacon, nem preciso dizer que não sobrou nada. Depois da refeição arrumamos a cozinha, e fomos para a guilda, mesmo domingo, a Fairy Tail funciona normalmente, na verdade, praticamente a cidade inteira de Magnólia funciona.
Quando chegamos à guilda, o salão inteiro mergulhou em murmúrios e risadinhas, eu realmente não teria descanso, quase que imeadiatamente fui cercada por Erza, Mira, Levy, Cana e Wendy. Não tive tempo de dizer: ‘’Ohayo’’ quando me dei conta estava sendo carregada pelo grupo indo em direção ao balcão:
– O-oe calma, mas o que...?
Quando finalmente me vi livre, estava no meio de uma rodinha com vários pares de olhos esperançosos me fitando, aguardando que eu falasse alguma coisa:
– Ohayo...? – falo insegura, já sabendo o que viria em seguida.
– E aí Lu-chan, como foi? – Pergunta Levy animada.
– Ara ara, Lucy, posso ver a felicidade de Natsu, está diferente, é uma felicidade encantadora — Comenta Mira, sempre sonhadora, infelizmente, agora que estava consciente de meus próprios sentimentos, a facilidade com que ficava corada era simplesmente extraordinária.
– Há, olha só! Não é que a mocinha está vermelha? O que aconteceu Lucy? Desibucha mulher!- Fala Cana em meio a risadas envolvendo meu pescoço — Vamos lá não se acanhe!
– Lucy-san o que houve com a sua cabeça – Pergunta-me Wendy curiosa.
– Etto... – começo.
Droga! Alguém me tire daqui!
– L-Lucy, v-v-ocê e o N-Natsu, vocês, vocês... – balbuciava Erza, com o rosto quase camuflado no cabelo de tão ruborizada que estava.
Não, espera, elas acham que eu e o Natsu...?
– O QUÊÊ? V-VOCÊS ACHAM QUE...
Eu realmente não consegui terminar a frase, era demais para mim, logo imagens indesejadas surgiram-me a mente, e meu Kami, eu nunca pensei no Natsu dessa forma e...
AAAARGH
Quando me dei conta estava me descabelando, eu tinha de parar, antes que ficasse com sérias falhas e de quebra tivesse uma hemorragia nasal.
– N-NÃO ACONTECEU NADA DISSO QUE VOCÊS ESTÃO PENSANDO – Grito balançando as mãos descontroladamente – N-Natsu e Happy estão dormindo no sofá e... Caramba, o Natsu só cuidou de mim, quando aconteceu eu fiquei tão nervosa, está tudo tão confuso, e quando ele sorriu meu estômago se revirou e....
Soltei tudo de uma vez, estava à beira de um colapso, eram tantas coisas, tudo tinha vindo tão rápido, foi quando parei para pensar, talvez eu já cultivasse algo a mais por Natsu há algum tempo, só que isso estava tão bem guardado que nem eu me dava conta do que realmente sentia, e ir morar com ele, funcionou como o prelúdio para que toda essa carga que estava escondida viesse a tona, e eu finalmente me desse conta de que:
– Eu amo o Natsu. – Susurro o mais baixo possível, fazendo de tudo para não chorar, estava tão assustada, tinha tanto medo de que se Natsu descubrisse ele me tratasse de um jeito diferente, que ele viesse a me evitar, e eu não suportaria se tal coisa viesse acontecer.
Todas abriram um grande sorriso para mim, um sorriso que parecia dizer ‘’Finalmente você percebeu! ‘’
– Ah Lu-chan! Já estava na hora! Você sabe que pode contar com todas nós no quesito de conselhos e apoio moral, mas você sabe que essa é uma coisa que você tem que fazer sozinha.
– Eu sei Levy-chan, mas eu não quero fazer, eu tenho de medo de que se eu o fizer acabar sendo rejeitada e perdê-lo, eu não consigo imaginar uma vida sem as grandes idiotices do Natsu, sem o seu sorriso, sem a sua presença ao meu lado, sem a sua amizade. Eu não quero imaginar. – não consegui mais aguentar, deixei que as lágrimas viessem sileciosas, mas constantes e acima de tudo doídas.
Foi quando eu senti as mãos de Erza sob meus ombros, me forçando a olha-la fixamente:
– Lucy, não faça isso. Eu sei, o medo é uma coisa terrivél, o medo de perder algo que amamos tanto é devastador. Mas acredite você não irá perdê-lo, você é mais importante para o Natsu do que pode imaginar, mesmo que, se talvez ele não corresponda seus sentimentos da forma que você deseja você ainda é muito especial para ele, da mesma forma que você não consegue se imaginar sem ele, ele também não suportaria uma vida sem você. E acredite se tem algo pior do que ser rejeitada são duas palavras que tem o poder de assombrar uma pessoa pelo resto de sua vida: ‘’ e se ‘’. Então por favor, Lucy, fale, se arrisque, diga-lhe sobre seus sentimentos, se ele não os corresponder, pelo menos você vai ter a paz em saber que tentou. Não deixe passar essa oportunidade, não permita que o medo lhe empeça de fazer qualquer coisa, não permita que o ‘’e se’’lhe persiga assim como ele me persegue.
Quando Erza terminou de falar tanto eu quanto ela estavámos chorando então ela me abraçou, não um abraço bruto ala titânia, mas um abraço terno, ao me largar, susurrou:
– Você consegue, eu acredito em você Lucy!
–----
Estávamos voltando para casa depois de um dia inteiro na guilda. Natsu não quis pegar nenhum trabalho alegando que eu não estava bem por causa de meu ‘’machucado’’, por isso não podia trabalhar, em compensação ficamos arrumando a sala do Mestre.
As palavras de Erza ecoavam em minha cabeça, eu tinha me decidido, iria tentar, não digo que logo, mas com toda certeza eu não iria deixar de falar para Natsu sobre meus sentimentos, não devia isso apenas para mim, devia isso a Erza também.
Lembro então que precisava passar no mercado, já que praticamente todo o estoque de comida havia sido dizimado por aqueles mortos de fome:
– Er, Natsu, eu preciso ir ao mercado, vão indo para casa eu logo chego.
– Tá certo, volte logo Luce, vamos Happy.
– Limpem os pés antes de entrarem! – Grito para os dois que já estavam longe, Natsu faz um sinal com a mão para mostrar que ouviu.
Dou um suspiro, quem diria Lucy Heartfilia que sempre esperara por um príncipe encantado, culto, educado entre vários outros atributos que um legítimo ‘’homem dos sonhos’’ pode possuir, nunca imaginara que poderia amar um idiota, esquentado e infantil quanto só Natsu Dragneel pode ser. Será mesmo que não?
Sigo em direção ao mercado perdida em pensamentos.
Quem diria Lucy, quem diria.
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