Na mesma casa em que... Natsu Dragneel?
6 Capítulo 6 - Especial GaLe.
Notas iniciais
Levy se encontrava pensativa no balcão da guilda, estava com um livro aberto, mas não dava a mínima atenção a ele, seus pensamentos estavam voltados a tantas coisas que era impossível ler, situação inédita e irônica essa em que Levy a devoradora de livros não conseguia concentrar-se na história que há tempos anseava ler. Riu-se de si mesma, era incrível como nos livros as coisas pareciam tão fáceis, o mocinho e a mocinha sempre ficavam juntos, um admitia seus sentimentos ao outro que logo eram recebidos e correspondidos com o mesmo fervor.
‘’Quem dera fosse assim tão fácil’’
Um final feliz era o que estampava o fim de todas as histórias que já lera todas as dificuldades, todos os medos vencidos em prol do amor. Tudo parecia tão bom, tão mágico, tão fácil, era por isso que optava por passar a maioria de seu tempo mergulhada nesse doce universo, já que a realidade em sua maioria se apresentava dura e difícil de encarar.
Levy estava feliz por sua amiga, finalmente a cabeça dura da Lucy entendera seus sentimentos por Natsu, coisa que só ela mesma (e o tapado o qual os sentimentos eram dirigidos) não havia notado. Queria ter a mesma coragem e garra da amiga, queria saber se expressar, ser alguém extrovertida sem nenhum problema em expressar o que está sentindo, mas nem sempre se tem o que desejamos, e no caso de Levy isso era mais do que presente.
Via a si mesma apenas como alguém difícil de ser notada, pequena e frágil.
Com um suspiro a azulada fecha o livro, não adiantava em nada ficar olhando para um amontoado de letras quando sua mente insistia em vagar para longe impedindo a absorção de qualquer informação que o livro tinha a oferecer:
– Está distraída hoje Levy-san – Comenta Mirajane que há um tempo vinha observando a azulada – Parece que algo a está incomodando.
– Talvez seja isso, para dizer a verdade nem eu sei direito, deve ser mais um daqueles dias em que a mente da gente insiste em vagar sem um rumo certo, acho que vou para casa, de nada adianta ficar aqui quando não consigo me concentrar.
– Talvez os pensamentos não estejam totalmente sem rumo, talvez esse ‘’rumo’’ seja uma pessoa em especial, talvez se refiram a uma pessoa que acabou de chegar- Insinua a albina com um sorriso.
Levy levanta os olhos e se depara com a figura de um certo Dragon Slayer seguido de um Exceed negro adentrando a guilda:
– Hunf, não faço ideia do que está falando Mira-san- responde a azulada com um bico, logo em seguida levantando-se.
Mas ela sabia, e como sabia.
Gajeel Redfox.
Esse nome há um tempo vinha ocupando uma boa parcela dos pensamentos da maga, e ela era bastante esperta para perceber que seu sentimento por ele era o mesmo que lera tantas vezes em livros, descrito como doce, sutil e arrebatador, o tão belo sentimento chamado amor.
‘’ Hunf, os livros esqueceram-se de mencionar as caracteríscas essenciais dele: como doloroso, sufocante e ladrão de noites de sono’’
Fora uma hipocrisia muito grande de sua parte aconselhar Lucy a falar sem medo de seus sentimentos, quando ela mesma lutava por um mínimo de coragem para conseguir falar os seus.
Ia caminhando em direção à saída com o livro aberto encobrindo-lhe o rosto, na esperança de que assim não fosse notada pelo Dragon Slayer, ideia no mínimo estúpida, afinal quem mais andaria pelo guilda com um livro na cara?
– Se não olhar por onde anda vai acabar tropeçando em algo, ou fazendo alguém tropeçar baixinha — Fala Gajeel pegando o livro.
– Ei, me devolve.
– Gihi, se não o que? – Pergunta o mago com um ar superior.
Nesse momento, Levy lança um olhar mortal, que fez os pêlos do Dragon Slayer se eriçarem, afinal, era seu livro, se quer ver Levy McGarden com uma aura assassina é só tomar um de seus livros, mas já lhe deixamos avisados jovens aventureiros, não nos responsabilizamos pelos prejuízos que podem incluir: ossos quebrados, dores musculares, hematomas e perda exessiva de sangue.
– A-ah, certo, aqui está.
‘’ Cara, essa baixinha sabe ser assustadora quando quer ‘‘.
Pegando o livro Levy já se virava para ir embora, quando sentiu alguém segurando sua roupa impedindo-a de prosseguir, não precisava ser nenhum gênio para deduzir quem a segurava:
– Oe, espera um pouco baixinha, eu achei uma missão e você vai comigo.
– Como assim eu vou com você? Você me perguntou se eu quero ir? E, Gajeel será que é tão difícil você me chamar pelo nome? É Levy, L-e-v-y.
A maga tentava esconder, mas por dentro estava saltitando de alegria, Gajeel a convidara para uma missão, ele precisava dela, ele a escolhera dentre tanta gente que poderia levar. Ele a reconhecera e precisava das suas habilidades. Isso a enchia de felicidade, no final das contas, talvez não fosse totalmente invísivel como pensava que era. Porém uma coisa a entristecia, nenhuma vez, Gajeel lhe chamara pelo nome, nenhuma única vez pode ouvir o som de seu nome na voz da pessoa que tanto amava. Isso a frustava de uma maneira que só ela compreendia.
Virou-se para encara-lo, então desmoronou ao ver a cara que o Dragon Slayer fazia, ele á olhava com expectativa, seus olhos brilhavam como se dissessem:
‘’ Vamos lá baixinha! Eu preciso de você nessa!’’.
Levy podia ser durona, mas diante daquele olhar é como se toda e qualquer coragem que teve na vida simplesmente evaporassem. Mas de qualquer forma, sejamos sinceros, ela não pretendia recusar o convite.
– Tudo bem Gajeel, sobre o que se trata e quando partimos? – falou a pequena fingindo um pesar na voz, coisa extremamente difícil quando seus sentimentos representavam totalmente o contrário.
–Gihi! Sabia que não me deixaria na mão! Etto...
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Partiram no final da tarde, no fim a missão se tratava de uma espécie de procura de herança, o prefeito de uma pequena cidade ao norte de Mágnolia, muito conhecida pela fabricação de vinhos nobres, contratara o serviço, pois achara um documento antigo em seu escritório que se referia á uma herança deixada pelo fundador há muito tempo perdida, junto do documento havia vários códigos e ciptografias que quando resolvidos apontariam o local do tal tesouro, serviço esse a ser realizado por Levy:
– Essa baixinha é a pessoa mais inteligênte que conheço senhor, tenho certeza não será nenhum esforço para ela resolve-los – Falava Gajeel esfregando a cabeça da pequena azulada, que corava com a recomendação, nunca imaginara que Gajeel reconhecia com tanto orgulho suas habilidades.
Logo em seguida o prefeito os precavira que eles não seriam os únicos atrás da tal herança, já que os documentos oficiais foram roubados mais pessoas tinham informação sobre o tal tesouro perdido, estavam encarregados não só de encontrar a herança, como também de impedir da mesma cair em mãos erradas, e é claro capturar as demais pessoas que estariam atrás dela para que tivessem as devidas punições, já que roubaram informações confidenciais e estavam à procura de um dinheiro público para benifício próprio.
No fim deu tudo certo, apesar de demorada, a missão fora completada com êxito e a equipe recebera uma quantia generosa, como era tarde, aceitaram passar a noite na hospedaria mais luxuosa da cidade onde o prefeito insistira em pagar tudo.
– Devo reservar dois quartos? Um para o senhor gato e o outro para o casal? – perguntou o senhor da recepção.
Ambos ficaram totalmente vermelhos e nenhum dos dois ousava se encarar, um silêncio extremamente desconfortável se instalara, pois nem a pequena nem o dragão conseguiam falar:
– O senhor entendeu errado, na verdade são três quartos, por favor- falou Lily salvando os dois da situação constrangedora.
– A sim, mil perdões pela minha dedução, aqui estão às chaves, espero que tenham uma ótima estadia, nosso bar e restaurante é aberto 24h, fomos informados os senhores não terão despesas, já que está tudo quitado. Desejo-lhes uma boa noite.
– Eu, er, vou dormir, boa noite – Disse Gajeel sem nem olhar para a cara da azulada.
– Eu também vou indo Levy-san, tenha uma boa noite. – Falou Lily, seguindo o companheiro.
– Boa noite – susurrou a maga em resposta – Com licença senhor – disse ao recepcionista – Em que direção fica o bar?
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–Gajeel baka! – Falava a azulada em alto e bom tom após virar a quinta taça de vinho – Será que é tão difícil ele falar a merda do meu nome? Será que é tão difícil ele olhar para mim e me desejar boa noite direito?! Será que ele é tão burro a ponto de não perceber o quanto eu gosto dele?! Baka, Baka, Baka! – Dizia socando o balcão – Me diga Fred, meus sentimentos não estão claros, é isso?
– Eu acho que eles estão bem claros minha senhora – Respondeu o garçon, temendo a próxima atitude da pequena.
– Então porque ele não os notou ainda? *hic*
– Talvez ele precise que você os diga com todas as palavras, talvez a percepção não seja um de seus atributos, e ele só ficará ciente sobre seu amor depois que a senhora lhe falar com todas as letras.
– Sabe o que, você tem razão Fred! *hic*Eu vou falar para ele, e vai ser agora!
– Boa sorte – Desejou o garçon com toda sinceridade do mundo.
Dizendo isso a pequena levantou-se e foi em direção ao quarto do Dragon Slayer, sem nem pestanejar ela abriu a porta quase a quebrando em dois, fazendo um quase adormecido Gajeel cair da cama:
– MAS QUEM É O FILHO DA PUTA...? – foi quando ele viu o rosto do invasor – BAIXINHA? MAS O QUE VOCÊ...
Gajeel não teve a chance de terminar sua indagação, pois logo se encontrava novamente no chão com uma azulada em cima dele desverindo-lhe socos raivosos em seu peito nu:
– GAJEEL! VOCÊ É A PESSOA MAIS IMBECIL E LERDA QUE EU JÁ CONHECI EM TODA MINHA VIDA!
–O-oe, calma do que você está falando baixinha? Pera aí, você bebeu?
–É LEVY, SERÁ QUE É TÃO DIFÍCIL VOCÊ FALAR A PORRA DO MEU NOME? E SIM EU BEBI, BEBI MESMO, TALVEZ ASSIM EU CONSIGA FALAR que...
Sua voz foi morrendo, e os socos contínuos cessaram, foi quando Gajeel conseguiu sentar, e também foi quando a olhou diretamente nos olhos e viu que lágrimas escorriam pelo rosto da maga.
–O-o que aconteceu?
– Gajeel, sabe nos livros as coisas parecem tão facéis de ser resolvidas, tudo parece caminhar para que as coisas deêm sempre certo no final, mas para mim isso parece ser algo tão impossível, afinal, esse é o mundo real, coisas ruins acontecem, nem tudo o que desejamos se realiza, nem todos os sentimentos são correspondidos. Nem sempre quem nós amamos, irá nos amar também. Aqui o amor machuca, aqui o amor nos faz sofrer, aqui ele nos sufoca e nos deixa encurralados, onde a única coisa que predomina é o grito silencioso de um coração que não consegue se expressar. Por tanto tempo eu venho procurando coragem para lhe falar, mesmo sabendo que você não irá me corresponder, mesmo sabendo que talvez, daqui para frente você venha querer me evitar, mas eu simplesmente não consigo mais guardar isso.
Gajeel, eu te amo.
– Levy, eu não...
– Eu sei Gajeel – disse a maga com um sorriso – Não se preocupe você não precisa me dizer nada, eu apenas precisava falar. Eu sei que você não compartilha dos mesmos senti...
Levy foi impedida de continuar pelos lábios cálidos de Gajeel, um beijo incrivelmente doce, mas ainda sim urgente, onde nele se encontravam as várias palavras que há muito tempo precisavam ser ditas. Logo o ar se fez necessário, e relutantemente os dois se afastaram.
– Baka, quem disse que eu não compartilho dos mesmos sentimentos que você? Há muito tempo que eu descubri que estava totalmente caídinho por você minha pequena – dizia ele com as mãos sob as bochechas da maga fazendo-a olhar fixamente em seus olhos – Mas eu não podia fazer isso, não depois de machuca-la tanto quanto eu fiz, eu não tenho o direito de amar você, você é tão pequena e frágil, e eu sou um brutamontes desajeitado, que com certeza de alguma forma iria lhe ferir novamente, eu não conseguiria me perdoar se isso acontecesse mais uma vez, você merece alguém melhor.
– Gajeel Redfox, quem você pensa que é para decidir o que é ou não melhor para minha vida? A única coisa que eu quero é poder estar ao seu lado, nada nem ninguém poderia mudar minha opinião sobre isso, nem mesmo você.
– Gihi, você é mesmo teimosa não é baixinha? – disse o mago pegando a azulada no colo, para em seguida caírem juntos na cama.
– Que droga Gajeel, será que é tão difícil falar meu nome? – perguntou-lhe fingindo um aborrecimento.
– Tudo bem, L-e-v-y — susurrou lenta e sedutoramente o nome da maga em seu ouvido, arrancando-lhe um grande sorriso de satisfação – Tsc, ainda prefiro baixinha, ou melhor – disse puxando-a para mais perto selando seus lábios – minha baixinha.
Passaram a noite toda conversando e rindo de qualquer bobagem, até que por fim a bebida começou a fazer efeito e pesar a cabeça da pequena maga, até que a mesma caiu num sono profundo, Gajeel ficou a observando. Logo a abraçou forte tinha o dever de protegê-la, faria de tudo para protegê-la.
– Você é tão pequena, e fácil de perder. Por isso nunca saia do meu lado.
Com essa afirmação um sorriso se formou nos lábios de Levy, não se sabe se a mesma escutara, ou estava sonhando. Só se tinha certeza de uma coisa: ela estava feliz.
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