Na Real
26 Capítulo 26 - Desmoronando
Notas iniciais
Na Real — Capítulo 26
— Porque eu sei o que você faz!
O coração de Camus gelou, mas ele manteve a calma para perguntar. – E o que eu faço?
Isaak, que estava deitado na cama, se sentou e despejou. – Eu vi você na Internet! Vi você fazendo aquelas coisas!
Camus ficou pálido, o que mais temia na vida estava acontecendo.
— O que você disse? – Questionou o ruivo, com a voz fraca.
Isaak desviou os olhos do irmão para dizer. — Eu vi você, transando com aqueles caras na Internet! Você deveria ter vergonha.
Camus estava imóvel, abriu a boca duas ou três vezes, mas não conseguiu dizer nada. Isaak evitou olhar em seus olhos, o silêncio se fazia ensurdecedor naquele momento.
— Você não tem vergonha! Era por isso que o Saga te batia? — Voltou a perguntar o adolescente.
Camus finalmente conseguiu falar alguma coisa, mas não o que Isaak perguntou. — Como? Como você descobriu essas coisas? — Perguntou Camus com o tom de voz firme, que disfarçava muito bem o seu estado de espírito. – Vamos, responda, como você descobriu isso?
Talvez pelo tom de voz do irmão ter sido firme o suficiente para intimidá-lo, Isaak respondeu sem reclamar. — Eu vi no Instagram uma entrevista que você deu ao Misty, e depois fui procurar pelo seu apelido, “Aquário”, e achei toda aquela merda suja.
Sem demonstrar mágoa com o modo de falar do irmão, Camus prosseguiu. — Quantas vezes eu pedi, proibi até, que vocês usassem redes sociais? Quantas vezes alertei para o perigo disso, e se os assassinos do papai te virem lá? E se eles nos descobrirem?
— Ah, fala sério, você não está preocupado com os assassinos do papai, você só não queria que a gente descobrisse essas coisas que você faz! — Despejou Isaak. — Era por isso que o Saga te batia, né? Porque ele não gostava que você fizesse essas coisas?
— Isaak, não... — Tentou Camus, mas não sabia o que dizer. Revelar ao irmão que fazia aquilo por dinheiro, principalmente para manter seu tratamento?
Camus jamais poderia fazer isso, não jogaria na cara do irmão aquela verdade, principalmente por causa dos valores que desejava que os irmãos tivessem, vender o corpo por dinheiro, não era algo que se podia explicar para uma criança, não se quisesse preservar algum valor moral a ela.
— Ainda bem que o Milo está longe, ele não merece que você faça isso com ele, que o traia como traía o Saga, não quero que o Milo bata em você. Tem que terminar com ele assim que ele chegar. — Pediu o garoto.
— Não! Para! Que loucura! Você está achando o quê? — Perguntou Camus aflito, tentando entender o que se passava na cabeça do irmão do meio.
— Acho que você foi fazer de novo, por isso voltou para casa com os cabelos molhados e com outra roupa. Você estava traindo o Milo. — Disse Isaak.
O garoto estava se sentindo mal, aquela conversa estava o deixando ainda mais fraco.
— Você acha que eu faço aquilo apenas por perversão? É essa a ideia que tem de mim? — Questionou Camus magoado.
— Você está traindo o Milo! Ele é um cara legal, não merece que você o engane. — Continuou Isaak, sem querer pensar no que seu irmão acabara de lhe perguntar.
— O Milo sabe da minha vida e sabe do meu trabalho. — Informou Camus, decidindo revelar a antiga profissão ao irmão, não poderia deixar Isaak pensar que fazia aquilo por prazer, por ser um maldito de um pervertido.
— Trabalho? Aquilo é o seu trabalho? — Perguntou o garoto, incrédulo.
Camus fechou os olhos e respirou fundo antes de continuar a conversa, coisa que estava muito difícil, o olhar de nojo e horror que Isaak lhe dispensava era difícil de suportar.
— Eu sempre encarei aquilo como trabalho, sei que não é convencional, mas foi o que nos sustentou até hoje. — Camus respondeu com seu tom sério e indiferente, por dentro estava destruído, mas demonstrar isso ao irmão do meio naquele momento só faria com que Isaak o rejeitasse ainda mais.
— Não, não! É errado! É nojento! Todo mundo na escola já ri de mim por eu ser um aleijado, agora vão rir o dobro por eu ser seu irmão! Eu não quero isso! Você deveria ter vergonha! Eu odeio você! Odeio você! — Isaak foi dizendo aquelas duras palavras ao mesmo tempo em que ia sucumbindo à fraqueza do seu corpo; caiu sem sentidos. Por sorte, Camus foi ágil e o pegou nos braços, evitando que o garoto fosse ao chão.
— ISAAK! O que você está sentindo? — Perguntou Camus em meio ao desespero. Verificou que o garoto estava queimando de febre.- Dona Zaíra! Me ajuda!
Assim que a babá entrou no quarto, levou um choque ao ver o menino desacordado nos braços do irmão mais velho. — Camus, o que está havendo?
— Eu não sei, ele desmaiou. Fica com o Hyoga, por favor. Eu vou levar o Isaak ao médico. — Disse Camus, ao medir a temperatura do irmão.
— Mano, o que aconteceu? — Hyoga perguntou, entrando no quarto ao ouvir a agitação que vinha de lá.
Ao ver seu irmão desacordado, o loirinho olhou aflito para Camus que não estava em condições de consolar o irmão menor. O mais velho apenas pegou Isaak nos braços e saiu com ele, deixando para trás o pequeno irmão apreensivo.
*-*-*-*-*
Milo estava no hotel, havia trabalhado a semana inteira, havia muitos pontos e detalhes que deveria cuidar para a implantação das fábricas no novo país. O local era lindo, sem dúvidas, pensava em um dia voltar ali com Camus e os meninos.
Milo riu desse pensamento, pois já imaginava seus programas como uma família, passeando os quatro.
Ainda com sorriso no rosto, Milo acessou a Internet, verificou seus e-mails e, por fim, foi navegar um pouco nos sites de notícias gregos, precisava se atualizar sobre as coisas que estavam acontecendo em seu país.
Política, imigrantes clandestinos, guerras contra o terror em países próximos, notícias policiais... Foi nesta sessão que Milo leu a manchete que gelou seu coração.
"POLICIAL ASSASSINADO EM EMBOSCADA"
Quando leu o nome do seu amigo na notícia, Milo ficou pálido. — Pelos Deuses, Shura!
Precisava ligar para alguém, verificar o que estava acontecendo, se aquela notícia era verdadeira, uma vez que não foi avisado da morte do amigo, "Com certeza há algo errado aí, se fosse verdade eles me avisaram" .
Milo foi tirado de seus devaneios pelo toque do seu celular, quando viu no visor que era o número de Isaak sorriu, falar com os meninos agora o ajudaria a se acalmar e pensar no que fazer.
— Oi, Isaak, boa tarde! O que está fazendo de bom?
— Não é o Isaak, Milo. — O escorpiano ouviu a voz do irmão mais novo de Camus dizer. — Sou eu, o Hyoga.
Milo notou que o menino estava com a voz chorosa; preocupado, perguntou. – Hyoga, o que houve? Por que está chorando?
— Eu tô triste, o Isaak passou mal e o mano correu com ele para o hospital. — Relatou o garoto.
— Você está sozinho em casa? — Preocupou-se Milo.
— Não, a dona Zaíra tá aqui comigo, mas eu queria você, quando você volta, Milo? O Camus hoje estava bem triste, acho que ele tá sentindo muito sua falta também, e... sabe, acho que o Saga machucou ele de novo.
Milo já estava pensando em voltar há dias, mas com a notícia da morte de Shura, saber que Saga pode ter voltado a agredir Camus, sem contar a doença de Isaak se agravando, já era hora de voltar.
— Fica calmo, Hyoga, em breve estarei aí, OK? — Disse Milo, que conversou mais alguns minutos com o menino no intuito de acalmá-lo.
Assim que terminou a conversa com o pequeno Hyoga, Milo ligou para Aioria.
— Me diz que é mentira, me diz que o Shura não morreu, porque eu jamais entenderia como um dos meus melhores amigos morre de uma forma tão trágica e eu tenho que descobrir isso pela Internet, pois ninguém teve a decência de me ligar para avisar! — Despejou todo o seu ressentimento com aquele ocorrido em cima do amigo
— Milo, desculpe. Eu sinto muito. — Aioria tentou ponderar. — Aconteceu tudo muito de repente, ficamos todos atordoados, e que bem faria eu te ligar para dar uma notícia dessas?
— Que caralho, Aioria! Eu tinha o direito de saber, decidir se iria ou não ao enterro do meu amigo! Que inferno, você está agindo como meu pai, tentando decidir o que é melhor para mim, sem sequer consultar minha opinião. — Bronqueou Milo ainda irritado.
— Você tem razão Milo, me perdoe. — Aioria sabia que se ficasse tentando se justificar acabaria por irritar mais o amigo e não chegariam a lugar algum, e realmente após o pedido de desculpas, Milo abrandou o tom.
— Como está o Carlo com tudo isso? — Quis saber o herdeiro dos Kapino.
— Arrasado, mesmo com o fim do namoro deles há alguns anos, o Carlo ainda o amava. ele passou o velório inteiro quieto, sem dizer uma só palavra e sem derramar uma única lágrima. — Respondeu Aioria.
— Coitado do meu amigo... Aioria, estou voltando para a Grécia, no próximo voo. — Avisou Milo.
— Milo, tenha calma, você tem aquela reunião super importante na sexta, seu pai te mata se você voltar antes da reunião, por favor, são só alguns dias. — Ponderou Aioria, preocupado com os negócios da empresa.
— Inferno! — Praguejou Milo ao se lembrar do compromisso. – Certo. Aioria, o irmão do Camus, o menino Isaak, teve uma recaída, por favor, dê todo suporte que ele precisar, OK?
— Já estou sabendo disso, o Aioros foi chamado, não se preocupe, estou levando o Shaka comigo. – Respondeu Aioria sério.
— Aioria. – Chamou Milo. – Não economize em nada que o menino precisar, acabando essa maldita reunião eu estarei de volta.
— Não se preocupe, o menino terá o melhor para ele. – Respondeu Aioria, longe de saber sobre o romance de Milo e Camus.
Assim que Aioria desligou o telefone que estava no viva voz do carro olhou para Shaka que estava no banco do carona e disse. – Você vai refazer os exames que faltaram da outra vez, vamos ter certeza de que esse menino está sendo envenenado por esse irmão maldito.
Shaka assentiu em silêncio, após alguns minutos perguntou. – Esse amigo de vocês que faleceu, por que não avisou Milo?
— Como eu disse, que bem essa informação traria para ele, principalmente com o Milo a milhas de distância?
Shaka ponderou a informação e concordou com o colega de trabalho em tese, não faria bem algum para Milo saber da morte de um amigo, mas faria toda a diferença ele ficar sabendo dessa notícia através de um amigo do que ao ler uma matéria de jornal, estando sozinho em um país distante.
*-*-*-*-*-*
Camus estava na já tão conhecida sala de espera, Isaak havia sumido nos corredores do hospital em cima de uma maca levada por Dr. Aioros. Diferentemente das outras vezes em que segurava suas lágrimas, não deixando transparecer o que sentia, dessa vez Camus chorava copiosamente. Chorava pela saúde do irmão, chorava pelo medo de perdê-lo, chorava por saber que, se o irmão não resistisse, partiria decepcionado consigo, chorava pela humilhação do estupro sofrido pouco antes naquele mesmo dia, chorava por se sentir sozinho como há muito não se sentia.
Seu celular vibrou, Camus verificou no visor que se tratava de uma ligação de vídeo de Milo, mas como poderia atender seu namorado naquele estado? Não saberia o que lhe dizer e não poderia preocupá-lo daquela forma, estando o amado tão longe naquele momento.
Rejeitou a ligação e desligou o celular.
E voltou a suas lágrimas, encolhido em uma cadeira na sala de espera do hospital. Foi quando ouviu uma voz conhecida que o fez olhar confuso ao seu dono.
— Camus, que bom que te encontrei aqui. – Disse Saga ao se aproximar do ruivo, se abaixando à sua frente e secando suas lágrimas.
— Saga! – Exclamou Camus antes de abraçar o homem à sua frente, estava se sentindo destruído, mas a presença de Saga confortou seu já tão machucado espírito.
Saga acolheu o jovem em seu peito com o ar de protetor do qual sabia que Camus precisava no momento.
— Como soube que eu estava aqui? – Perguntou Camus.
— Eu fui à sua casa, a mulher me contou o que houve, então eu vim. Viu só, aquele dinheiro que você recusou mais cedo vai ser de grande ajuda agora, não é?
Camus soltou do abraço e se afastou.
— Camus, qual é? Eu não queria falar agora do que houve, me perdoe. Eu só queria te lembrar que orgulho não nos leva a nada. Só isso. – O aliciador falou manso.
Camus olhou para o homem que considerou seu “protetor” e negando com a cabeça disse. – Eu não quero mais, Saga, me perdoe, mas eu não quero mais isso pra mim.
— Claro, você está confiando que o Kapino Junior vai te bancar de agora em diante, mas vou te avisando, ele não vai. – Teatralmente Saga andou pela sala, olhando para Camus. – Esse cara vai te chutar na primeira oportunidade, assim que enjoar de você, e aí? Como vai fazer com seu irmão quando isso acontecer? Você está sendo irresponsável!
Ainda secando as lágrimas do seu rosto, Camus falou decidido. – Mesmo que o Milo me largue, mesmo que eu passe dificuldades financeiras, eu não quero mais essa vida pra mim, Saga, por favor entenda.
Saga ficou sem ação por alguns instantes, pois sempre que apelava para sua responsabilidade o ruivo sempre cedia. – Olha, tudo bem, não vamos falar sobre isso agora, você está com a cabeça cheia, eu não deveria ter tocado neste assunto.
— Está decidido, Saga. Eu te agradeço muito por tudo que fez por mim durante esses anos, mas eu não posso continuar com isso, está decidido. – Tornou Camus, seguro.
— É por causa do Kapino? Vai me abandonar para ficar com ele, como fez da outra vez? – Questionou Saga. Sentindo que Camus realmente estava mudado e decidido, então tentou apelar para seu sentimentalismo, para as lembranças do passado.
— Eu o amo, Saga, amo Milo como eu nunca pensei que seria capaz de amar alguém, mesmo que ele me abandone, eu o amo suficiente para desejar que ele seja feliz, mesmo longe de mim. – Respondeu Camus, seguro do que estava dizendo.
— E quanto a mim? Não me ama mais? Você simplesmente me joga essas coisas na cara como se eu não tivesse sentimentos? E quanto a mim? – Perguntou Saga, sem saber se o que sentia naquele momento era raiva por estar sendo abandonado ou se era medo de perder Camus, SEU Camus.
O ex-michê olhou-o, confuso, e respondeu. – Nosso “lance” nunca teve nada a ver com amor, você mesmo me disse isso, por várias vezes me disse isso, a gente só trepava, como você cansou de me dizer. Não entendo por que está me perguntando essas coisas agora.
— Oras, por quê? – Saga irritou-se respirando apressado. – Porque eu amo você, Camus, pensei que soubesse, nosso trabalho não permite exclusividade, mas ainda assim é amor, pensei que me amava também.
— Eu te amei Saga, durante muito tempo eu te amei, ou ao menos pensei que amei, mas eu amava a segurança que você me transmitia, mesmo com as agressões que... mesmo assim, eu me sentia seguro ao seu lado, mas hoje eu sei que não era amor de fato, era apenas uma carência, tanto da minha parte quanto da sua. – Explicou Camus refletivo.
— Como ousa me dizer o que eu sinto? – Questionou Saga ofendido. – Como ousa desfazer dos meus sentimentos por duas vezes?
— Suas ações Saga, suas ações comigo me mostram que você nunca sentiu amor de fato por mim. E eu nem mesmo estou falando do que houve hoje, mas sobre tudo que houve durante todos esses anos. – Tornou Camus, sem levantar a voz.
— Você sempre foi o meu preferido, sempre deixei isso claro, todos sabiam disso! – Replicou Saga em sua defesa.
— Eu sempre fui o seu preferido? O seu michê preferido, o seu brinquedo preferido, o seu objeto preferido, mas nunca fui o homem, o namorado. Eu sempre fui um objeto para você. – Despejou Camus entre dentes, enfim liberando a mágoa que tinha do seu agente por todos os anos que passaram juntos.
A vontade se Saga era esbofetear Camus ali mesmo, levá-lo embora arrastado pelos cabelos, mas aprendeu com a vida a recuar para quando avançar esse avanço ser para a vitória. – Tudo bem, Camus, eu vou sair da sua vida, mas quando você quebrar a cara com esse seu namoradinho filhinho de papai mimado, eu vou estar aqui pra você, como eu sempre estive.
Dizendo isso Saga deu de ombros e saiu.
— Saga! – Chamou Camus num sussurro, um misto de alívio e medo em seu coração. Olhou para o corredor onde o médico desaparecera com seu irmão. Voltou a sentar-se no sofá, mas agora sem lágrimas nos olhos.
*-*-*-*-*-*
— Então é isso, Aioros, existe essa possibilidade do menino estar sendo envenenado pelo irmão, por isso o Shaka aqui vai colher o material para fazer os exames necessários, com prova e contraprova desta vez. — Aioria explicava ao irmão tudo sobre a descoberta de Shaka e a desconfiança que tinham desde então.
— Oras! Mas isso não faz sentido, por que Camus faria uma coisa dessas? — Questionou o médico.
— Para dar um golpe na Kapino Corporate. O menino, teoricamente, estava fazendo uso do nosso medicamento, nós pensando que o remédio era ineficaz e na realidade tudo está sendo sabotado por esse mau-caráter. — Explicou Aioria.
— Não creio que o Camus fosse capaz de fazer uma coisa dessas. — Declarou o médico, descrente das acusações que seu irmão fazia ao filho de seu professor.
— Mano, daria pra gente escrever um livro das coisas que você não achava que esse ruivo fosse capaz de fazer. — Tornou Aioria convicto, deixando seu irmão reflexivo.
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Após algum tempo, Aioros foi falar com Camus e encontrou o irmão de Isaak de cabeça baixa, extremamente abatido, sentado sozinho na sala de espera. O médico sentiu pena do rapaz: Camus sempre lhe pareceu tão dedicado aos irmãos, seria tudo mentira? Não saberia dizer, afinal, Camus já havia escondido tanta coisa dele!
O namorado de Milo percebeu a presença do médico e se levantou indo ao seu encontro. — Como ele está, Dr. Aioros?
Foi neste momento que o médico percebeu os machucados no rosto de Camus.
Roxo no canto da boca, um corte na testa, roxo no canto do olho esquerdo, sem contar com o fato do ruivo mancar ao se dirigir ao encontro do médico.
— Camus, o que houve com você? — Aioros perguntou com real preocupação.
— Eu? — Falou Camus, mal se lembrando de seu estado, sua preocupação com Isaak era maior que isso — Não importa, quero saber do meu irmão.
— Ele está muito fraco, com febre, me parece que ele não tem se alimentado muito bem ultimamente. — O médico começou a falar, ainda analisando as reações do ruivo. — Ele está no soro, tomando a medicação,vou deixá-lo internado por enquanto.
— Mas ele está bem?
— Como eu disse, ele está fraco, com febre e deve estar assim há alguns dias, você não reparou nada de errado com ele? — Questionou o médico, ainda analisando o rapaz a sua frente.
— O Isaak estava distante esses últimos dias, meio arisco até, no começo eu achei que essa distância era por causa da idade, pelo fato de ele estar interessado numa menina da escola. — Começou Camus, lembrando de que seu irmão de fato estivera distante, e que ele havia negligenciado o irmão nos últimos tempos. — Eu estou trabalhando em uma fábrica agora. — Revelou Camus sem olhar nos olhos do médico, que sentiu certo alívio com aquela novidade. — Meus dias têm sido muito corridos, eu quase não fico com meus irmãos durante o dia, não percebi que Isaak estava ficando doente.
— Ele vai ficar internado, como eu falei. Quero fazer uns exames, e ele está fraco, precisa do soro.
— Eu posso vê-lo?
— Camus, o Isaak acordou e disse que não quer te ver, e eu realmente quero entender, o que aconteceu? — Perguntou Aioros, direto.
Neste momento, novas lágrimas escorreram pelo rosto de Camus, que sequer havia se dado conta desse fato.
Aioros estranhou, alguma coisa estava acontecendo.
— Camus, você chega aqui com o Isaak desacordado, fraco, com febre, você está todo machucado, o menino acorda e diz que não quer te ver e agora você fica neste estado, o que está acontecendo? — Insistiu o médico.
Camus sentou na cadeira da sala de espera, cobriu o rosto com as mãos, seu corpo tremia em um claro sinal de que não estava bem.
— Camus, o que houve? — Perguntou novamente o médico preocupado, primeiro com as insinuações do seu irmão, e agora com o estado desequilibrado do filho de seu professor. — Camus?
— Ele descobriu sobre mim, quer dizer, ele viu algumas coisas na Internet e entendeu tudo errado, tá pensando coisas absurdas a meu respeito. — Revelou Camus, que aprendeu a não esconder do pediatra nada relacionado ao irmão.
Aioros olhou para o ruivo sentindo pena, apesar de reprovar as atividades "profissionais" do jovem.
— Sinto muito, Camus, sinto por você e por ele, mas isso era uma questão de tempo, não acha? Você realmente pensou que com a Internet aí ao alcance de todos, principalmente dos mais jovens, você achou que seus irmãos nunca iriam descobrir essas coisas?
Camus não respondeu, estava extremamente abalado, havia passado por muitas coisas naquele dia. Estava exausto, machucado, ferido por dentro, as palavras de Isaak o feriram mais que as agressões feitas por Thor naquela tarde.
— Olha, você está cansado, o Isaak também, amanhã você volta. Nada como uma boa noite de sono para nos ajudar a colocar a cabeça no lugar, hum? — Sugeriu o médico, percebendo o estado do ruivo.
Secando as lágrimas com a manga de sua camisa, Camus negou com a cabeça. — Não, não, eu tenho que ficar aqui com o Isaak, ele precisa de mim.
— Justamente por isso você deve ir pra casa descansar, Isaak precisa de você, o Hyoga precisa de você e até eu preciso que fique bem. — Falou Aioros gentil, que lembrava muito como o médico era antes de saber a verdade sobre Camus. – Vamos, levante, eu achava melhor que você fosse pra casa de Uber, ou de táxi, não acho que esteja em condições de dirigir.
— Eu estou bem, consigo dirigir e preciso do meu carro para voltar amanhã. — Respondeu Camus abatido, com a voz anasalada.
O rapaz saiu em direção ao seu carro, deixando o médico o observando na recepção do hospital. — Pelos Deuses, Camus, no que você se meteu?
*-*-*-*-*-*
Quando Camus chegou em casa já passava da meia noite, Marin estava dormindo no sofá, Camus estranhou a presença da amiga ali, mas lembrou que era folga de Dona Zaíra, não poderia obrigar a babá a ficar trabalhando em sua folga.
Apesar de exausto, Camus sentou na mesa de centro e chamou baixinho. — Marin, acorde! Eu já cheguei, pode ir descansar na sua casa.
A ruiva abriu os olhos sobressaltada. — Camus? Eu acho que acabei pegando no sono.
— Sim, eu estou vendo, onde está Dona Zaíra e Hyoga? — Perguntou já prevendo a resposta.
— Eu cheguei pouco depois que você saiu, a velha estava surtada, chorando e assustando o Hyoga, então eu falei pra ela ir pra casa que eu ficaria aqui com seu irmão. Ele estava muito assustado e chorando, foi bem difícil fazê-lo dormir. — Então a moça procurou em volta e perguntou. — Cadê o Isaak? Como ele está?
— Calma, Marin, ele está bem, mas precisou ficar no soro e, você sabe, ele já é um adolescente, então disse que poderia ficar sozinho. — Mentiu Camus, com a voz neutra.
Marin analisou o rosto do amigo e então notou as marcas da agressão que Camus havia sofrido. — Pelos Deuses, meu amigo o que aconteceu com você? Quem fez isso com você? O Milo? O Saga?
— Calma, Marin, calma! O Milo está fora em outro país, esqueceu? — Camus se apressou para defender seu namorado. — Não foi nada, OK? O Saga também não tem nada a ver com isso.
Quando a moça ia retrucar ouviram a voz de Hyoga. — Mano! — O menino correu para o irmão e o abraçou forte.
Aquele abraço aqueceu o coração de Camus, que abraçou o irmão de volta e teve que fazer muita força para segurar a emoção.
Percebendo que o amigo não ia falar nada, principalmente agora que Hyoga estava acordado, Marin achou melhor ir embora, depois conversaria com Camus. — Eu vou indo, vou deixar você descansar, mas depois vamos conversar, OK?
Camus assentiu.
— Quer que eu prepare algo para você comer? — Perguntou a moça ao se levantar.
— Não, pode deixar, eu me viro aqui. — Respondeu Camus, ainda com o caçula nos braços.
— Pode deixar, Marin, eu cuido dele. — Disse Hyoga para a amiga do irmão.
— É claro que cuida, então vou deixar o Camus em excelentes mãos. — Respondeu a DJ, dando um beijo estalado nas bochechas do menino antes de sair.
Assim que Marin fechou a porta, Hyoga olhou para o irmão, não tinha como não perceber o semblante abatido do mais velho.
— Mano, quer que eu faça um chocolate quente pra você? — O menino ofereceu ao irmão.
Camus deu um meio sorriso para o irmão antes de negar. — Não precisa, não quero você mexendo com fogo.
— Ei, eu já tenho nove anos! Eu já sei fazer chocolate quente! — Retrucou o menino. — Aliás, você deveria ir tomar banho para descansar e eu faço seu chocolate quente.
Camus ergueu a sobrancelha. — Mas nove anos é muito novo.
— Camus, eu sei fazer, juro! Deixa eu cuidar de você? — Pediu o menino.
O ruivo suspirou vencido, tinha realmente que deixar seus irmãos se virarem sozinhos e, na idade de Hyoga, Camus já cuidava de Isaak. — Tudo bem. — Ao colocar as mãos no bolso lembrou do celular que não estava ali. — Merda! Acho que deixei o celular no hospital. — Falou tentando puxar pela memória onde foi que usou seu celular pela última vez.
— Você deixou o celular aqui em casa. — Avisou Hyoga, já dentro da pequena cozinha americana.
Ao olhar para o rack, viu o aparelho próximo à TV; quando o pegou, notou que estava descarregado. Com certeza, Hyoga ficou jogando até que a bateria acabasse.
Lembrou que o carregador estava no quarto, foi tomar seu banho para, depois, levar o aparelho até o quarto.
*-*-*-*-*
— Hummm, esse é o melhor chocolate quente que eu já tomei na minha vida! — Elogiou Camus o chocolate feito pelo seu irmão.
Hyoga sorriu satisfeito.
— Eu já disse que sei fazer tudo. — Respondeu o menino orgulhoso. — Agora deita que eu vou te cobrir.
Camus olhou terno para o irmão caçula, o correto seria ele estar colocando o mais novo na cama, mas o mais velho sabia também que tudo no fundo não passava de uma artimanha para o menino dormir em seu quarto.
— O correto não seria eu te colocar para dormir? — Perguntou Camus com a sobrancelha esquerda arqueada.
— Vamos fazer assim, eu fico aqui até você dormir, depois eu vou. — Sugeriu o esperto Hyoga.
Camus concordou e seu irmão se apressou em subir na cama, com medo do mais velho mudar de idéia.
Mal sabia Hyoga que naquela noite tudo que Camus precisava era dormir abraçado a ele.
Hyoga deitou e abraçou o irmão, era sempre assim quando Isaak ficava internado, Hyoga dormia agarrado com a Camus, nem que fosse somente segurando sua mão, seu braço ou até mesmo seus cabelos, o importante para Hyoga era sentir que o irmão estava ali.
Mas naquela noite, o pequeno não precisava se preocupar, pois tudo que Camus queria era abraçar seu irmão caçula e tentar esquecer o que havia acontecido naquele nefasto dia.
Havia sido abusado, estuprado, agredido. Sem contar que fora exposto e confrontado pelo seu irmão, julgado e condenado por este.
Apesar de sentir em seu âmago todo o desespero e sofrimento das coisas que haviam passado durante aquele dia, Camus mantinha-se quieto e em silêncio, guardando tudo dentro de si.
Somente a presença do irmão caçula dormindo tranquilo ao seu lado o impedia de desabar naquele momento.
Ouviu o celular vibrar em cima da mesa de cabeceira. Olhou no visor e viu o nome de Milo; não atendeu, não podia ouvir a voz reconfortante de Milo naquele momento, só o faria desabar, então rejeitou a ligação e continuou sentado na cama abraçado aos seus joelhos.
*-*-*-*-*-*-*
— Como assim, eu não posso ver meu irmão? Que merda está acontecendo aqui? – Camus discutia com a recepcionista do hospital.
— Senhor, por favor, acalme-se. – Pediu a moça. – Eu tenho aqui uma ordem de não deixar que o senhor suba.
— Eu quero falar com o Doutor Aioros agora! – Pediu Camus, que percebeu que não adiantaria conversar com recepcionista, pois já estavam naquele impasse há algum tempo.
Após quase intermináveis trinta minutos, o Dr. Aioros apareceu na recepção. Assim que Camus o viu chegando, foi depressa em sua direção.
— O que está acontecendo? Por que não posso ir ver meu irmão? E não me venha dizer que é porque ele não quer falar comigo, que eu não vou aceitar isso. – Despejou Camus sério.
Aioros, que já esperava uma reação semelhante do jovem, ficou em silêncio num primeiro momento. Por mais que as provas dissessem que Camus era culpado, em seu interior não podia acreditar que aquele jovem à sua frente, que sempre se dedicara ao irmão durante todos aqueles anos, pudesse estar o envenenando agora.
“Por que Camus faria isso? Por dinheiro? ” Mas, ao mesmo tempo em que Aioros pensava na inocência do ruivo, à sua mente vinham as cenas dos filmes pornôs estrelados pelo jovem e a revelação de que, além de fazer os filmes, Camus ainda vendia seu corpo por dinheiro. “A questão é que eu não conheço o Camus de fato“.
— Camus, não deixe tudo mais difícil, OK? – Pediu Aioros.
— Em que momento isso foi fácil? Meu irmão está lá dentro, sozinho, e vocês não me deixam chegar perto dele. O que está havendo, Aioros? – Pediu Camus, com a voz tremendo de nervoso, tentando se segurar para não ter um ataque de fúria a qualquer momento.
— Vá para casa, o Hyoga precisa de você.
Camus olhou para o médico com os olhos arregalados e levou a mão à boca para abafar seu grito. – Ele morreu! Meu irmão está morto. A culpa é minha, minha!
Dizendo isso, Camus correu desesperado para fora do hospital, Aioros ainda tentou chamá-lo de volta, mas o jovem não o escutou.
*-*-*-*-*
— Ele admitiu a culpa! – Falou Aioria, batendo a mão na mesa. — Aquele bastardo estava envenenando o irmão!
— Aioria, esses exames provam que o garoto estava tomando uma medicação contrária aos efeitos do nosso remédio, mas ainda assim não consigo acreditar. – Respondeu Aioros, sentado em sua cadeira com aspecto cansado no rosto. – Não faz sentido, o Camus que eu conheço jamais envenenaria o próprio irmão.
— O Camus que você conhece? Irmão, esse cara é um dos michês mais caros da Grécia, um famoso ator pornô e você só ficou sabendo disso meses atrás, apesar de conhecê-lo durante anos. Acorda! Enquanto você achava que ele era só um garoto inocente, esse cara já estava chupando muitos paus por aí.
— Aioria, não há necessidade de falar dessa forma tão rude, eu entendi. – Ralhou o médico.
Neste instante a secretária do médico bateu à porta.
— Entre.
— Doutor Aioros, eles chegaram.
O médico suspirou cansado e olhou para o irmão, que o incentivou com a cabeça.
— Tudo bem, faça-os entrar.
Aioria sorriu internamente, Milo teria sua vingança e, se tudo desse certo, a morte de Shura seria vingada.
*-*-*-*-*-*
Quando finalmente Camus conseguiu voltar para casa, estava mais calmo. Seus olhos, contudo, estavam inchados e vermelhos.
Assim que abriu a porta, seu irmão caçula foi ao seu encontro o abraçando na cintura, sem perceber o semblante do irmão. Zaíra, porém, olhou em seus olhos.
Quando seus olhares se cruzaram, Camus confirmou a triste notícia balançando sua cabeça.
— Como está o Isaak? – Perguntou o menino, enfim percebendo que algo estava errado.
— Hyoga, a gente vai precisar ser forte. – Começou Camus, mas não teve coragem de dizer em voz alta.
— O que aconteceu com meu irmão? Quando ele volta? – Tornou o menino a perguntar.
— Vai demorar um pouco para ele voltar. – Respondeu Camus, acariciando o rosto do irmão.
Zaíra, que se sentia sufocada pela culpa, saiu correndo deixando os irmãos para trás, os dois olharam para a porta, mas a babá já tinha saído.
— Tudo bem, ela gosta muito da gente, ele é como um filho para ela. — Disse Camus abraçando o irmão, segurando o desespero que sentia.
*-*-*-*-*-*-*
— Caralho, por que não me disse ontem que chegaria hoje? – Perguntou Aioria ao encontrar Milo no aeroporto.
— Antecipei a porra da reunião e voltei, falei que precisava voltar. – Respondeu Milo cumprimentando o amigo e seguindo para fora do aeroporto. – Tenho muitas coisas para resolver aqui. – Na realidade, Milo estava preocupado com Camus, que não atendia suas ligações. Não tinha notícia de nada e quando falou com o hospital, recebeu a informação de que não poderiam passar nenhuma informação sobre o menino.
Entraram no carro de Aioria e este deu a partida.
— Olha, eu sei que ficou puto com o que houve com o Shura e o fato de que eu não te liguei e nem te falei nada, mas, cara, me entenda, o que você poderia fazer de lá?
— Porra, Aioria, era o Shura caralho, nosso amigo, nosso irmão. – Reclamou Milo. – Eu queria estar lá para o Carlo, entende?
Aioria ficou em silencio, compreendia Milo e na verdade não havia mencionado a morte do amigo com medo de que o herdeiro Kapino voltasse a ficar ao alcance de Saga, se metendo com o maldito ruivo somente por um capricho de vingança e com isso arriscando sua vida.
Sem que Milo pedisse ou até mesmo notasse a coincidência, Aioria estava pegando o caminho para a casa de Camus.
*-*-*-*-*-*
Camus estava na sala de sua casa, estava no celular tentando que alguém do hospital lhe desse alguma notícia sobre seu irmão. Mesmo que Isaak estivesse morto, precisaria ser enterrado com a família, eles tinham o direito de se despedir, afinal.
Hyoga estava sentado no sofá, na TV ligada passando um desenho qualquer que o menino olhava fixo, sem se concentrar em nada de fato, ele apenas olhava para frente para que seu irmão não percebesse que estava prestando atenção na conversa.
Foi quando a campainha tocou: Camus foi atender ainda com o celular na mão.
— Bom dia, eu sou Arthur, do Juizado de Menores, o menor Hyoga Versau precisa vir comigo. – Começou o homem sério, mostrando alguns papéis, fazendo com que Camus desligasse o celular.
— O quê? Como assim? – Camus perguntou sem entender. Seu irmão correu e ficou atrás dele. – Que história é essa?
....
— O Carlo está abalado, claro! Mas sabe como ele é fechado. – Respondeu Aioria, enquanto virava à direita.
Foi quando Milo finalmente reconheceu o caminho e olhou para Aioria confuso. – O que estamos... – Começou, mas foi interrompido pelo amigo.
— Shhhh, tenho uma surpresa para você, finalmente vai poder pôr um ponto final nessa sua vingança e poder olhar para frente. – Disse o amigo, enquanto estacionava o carro num ponto distante, mas de onde poderiam ver uma cena que começava a se desenrolar à frente deles.
— Que merda é aquela? – Perguntou Milo ao ver um homem com Hyoga nos braços, o menino gritava e se debatia enquanto Camus vinha logo atrás, desesperado.
...
— VOCÊS NÃO PODEM FAZER ISSO! ELE É MEU IRMÃO, VOCÊS NÃO TÊM ESSE DIREITO! – Gritava Camus, enquanto era impedido de chegar perto do irmão por dois homens do Juizado de Menores.
— MANO, NÃO DEIXA ELES ME LEVAREM, SOCORRO! CAMUS! – Gritava o menino, se debatendo desesperado nos braços do oficial que estava o levando para dentro de um carro.
De longe Milo observou aquela cena atordoado. – Que diabos está acontecendo ali?
— Sua vingança. – Respondeu Aioria um tanto satisfeito, pois acreditava que apesar dos gritos do menino, estava o livrando de um mal maior. – Você disse que queria tirar os irmãos dele e eu consegui isso.
Milo olhou chocado para o amigo e voltou a olhar para a cena à sua frente, bem no instante em que um dos oficiais deu uma chave de braço em Camus, o derrubando no chão.
— Senhor, estamos seguindo a determinação do juiz, não nos atrapalhe mais ou acabará atrás das grades, sua atitude só está servindo para assustar o menino. – Disse o homem ao se afastar de Camus, que ainda estava no chão.
Milo viu aquela cena, Camus chorando como uma criança no chão e Hyoga gritando, se debatendo no carro. Voltou os olhos para o seu amigo e disse. – Eu não quero isso, nunca quis de fato.
Então saiu do carro e correu em direção a Camus, que estava em desespero sentado no chão.
Camus sentiu alguém se aproximar, olhou na direção da pessoa: o sol cegou momentaneamente seus olhos, mas, aos poucos, a figura de Milo foi se fazendo presente. – Milo. – Chamou Camus acreditando estar vendo uma ilusão.
— Camus. – Disse Milo, se ajoelhando em frente ao namorado. – Eu estou aqui meu amor.
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