Na Real

22 Capítulo 22 - A Chance


Notas iniciais
Olá Pessoas lindas, hoje é meu aniversario então corri bastante para postar esse capitulo, é um jeito de comemorar com vocês. O capítulo não está betado, terminei ele há pouco e queria poder atualizar ainda hoje, então relevem os erros. Minha eterna gratidão a todos que comentam, vocês são a razão de eu estar aqui algo atualizando essa historia e continuar escrevendo. Chega de papo Boa leitura

Na Real — Capítulo 22

— Eu não vou mudar de ideia, não vou me vender! Eu não quero os seus milhões pela minha pesquisa. — Um homem falava ao telefone e era observado a distância pelo filho adolescente. — Você está me ameaçando?

Ao ouvir o teor da conversa o garoto se aproximou do pai.

— Lamento Kapino, mas essa é minha resposta final. — Crystal desligou o telefone e olhou para o filho o chamando.

O homem foi a sua mesa e pegou uma pasta grossa.

— Camus guarde esses documentos, não os entregue a ninguém são minhas pesquisas, tenho fé que com isso poderemos curar seu irmão. — Crystal falava ao filho adolescente, estavam em sua casa na França.

— Pai o que tem aqui? Por que está me entregando isso? — Camus perguntou um tanto aflito vendo seu pai se arrumando.

Sem responder as perguntas do filho Crystal se arrumava e pegava outras coisas em uma gaveta. — Camus aqui estão as passagens para a Grécia, eu consegui falar com um ex-aluno meu Aioros. — O homem explicava as coisas ao filho um tanto aflito. — Aqui nesta pasta estão os nossos passaportes e o endereço do hotel que ficaremos por hora lá.

— Pai estamos fugindo? — Camus perguntou inseguro.

O homem olhou para o filho e o abraçou. — Filho o que tem nesta pesquisa é muito importante e pode acabar com a milionária indústria farmacêutica, eu temo sim pela minha segurança, estou indo tentar ver se há alguma dignidade em nossos governantes, mas se alguma coisa acontecer comigo fuja Camus, proteja seus irmãos e proteja essa pasta, isso pode salvar milhões de vidas.

Assim que o homem terminou de se arrumar foi até o quarto das duas crianças pequenas as olhou com ternura ao sair para o corredor olhou para o adolescente e pediu. — Proteja seus irmãos, se algo acontecer comigo vá para Grécia, procure meu ex-aluno que vai ajudar no tratamento do Isaak e Camus, não confie essa pasta a ninguém. Não é seguro, estude você, aprenda você a entender o que contém aqui.

Com um mal pressentimento Camus abraçou o pai e implorando pediu. — Não saia pai, não vá, não hoje, por favor!

— Eu preciso ir Camus, eu conto com você não me decepcione. — Falou o pai antes de sair e pegar o carro numa chuvosa noite.

Camus ficou observando pela janela da sala seu pai entrar no carro e dar a partida... Foi então que o inesperado aconteceu.

O carro explodiu.

...

— PAI! — Camus gritou.

— Camus o que houve? — Perguntou Milo que acordou com o grito de seu namorado, e logo viu que Camus estava pálido e tremendo. — Calma eu estou aqui, foi só um pesadelo, calma. — Em um gesto protetor abraçou Camus, que ainda tremia, e Milo notou, tentava segurar as lágrimas.

Milo pegou um copo de água e deu a Camus. — Vamos beba um pouco, para acalmar, você está tremendo.

Camus aceitou a água e bebeu um gole, olhou para Milo envergonhado. — Me desculpe, te acordei. Estavam no quarto de Camus haviam adormecido após se amarem.

Não tardou ouviram batidas na porta do quarto. – Mano você tá bem? – Era a voz de Hyoga.

Os dois se olharam preocupados estavam apenas de boxe, Milo que se lembrava onde Camus guardava seus pijamas, abriu a gaveta e pegou um short de malha fria vestiu e foi abrir a porta.

— Oi Hyoga, tá tudo bem o seu irmão teve um sonho ruim. – Milo segurou na mão do menino e seguiu com ele para o quarto das crianças. – Não se preocupe eu vou cuidar dele.

Chegando no quarto Milo percebeu que Isaak também havia acordado. – Olha está tudo bem, o eu irmão só teve um sonho ruim, eu vou cuidar dele.

— Ele teve o pesadelo, não é? – Perguntou Isaak.

— É comum ele ter pesadelos? – Milo perguntou com real preocupação.

— Ele viu o papai morrer, então ele sonha com isso as vezes. – Foi Hyoga quem revelou.

— Hyoga! – Ralhou Isaak, pois sabia que seu irmão não iria gostar de saber que estavam revelando seus segredos.

— Tudo bem Isaak, pode confiar em mim. – Pediu Milo.

— O Mano as vezes tem esses pesadelos, quando isso acontece a gente vai para o quarto dele e fica lá até de manhã. – Explicou Hyoga, e Milo entendeu o motivo de o menor ir até o quarto.

— Hyoga o Milo vai ficar com o Camus e vai cuidar dele agora. – Isaak falou e Milo concordou absorvendo aquelas palavras.

— Sim eu vou cuidar dele e vocês dois podem voltar a dormir, vai ficar tudo bem, ok? Eu prometo. – Milo disse cobrindo os meninos e apagando a luz.

Era Impressionante, em tão pouco tempo Milo sentia como se sempre tivesse pertencido aquela família, aquele lar.

Com este sentimento de familiaridade voltou ao quarto e percebeu que Camus ainda estava abalado, pois o ruivo ainda tremia e algumas teimosas lagrimas teimavam em rolar em seu rosto, mas assim que entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, notou que Camus tentava disfarçar seu estado, então sentou na beira da cama. — Tudo bem? Você teve um pesadelo, quer me contar com o que sonhou? Às vezes é bom dividir com alguém algo que nos aflige.

— Não foi nada, não se preocupe. — Respondeu Camus tentando encerrar o assunto.

— Nada? – Perguntou Milo sem alterar a voz. — Nada não deixaria você neste estado, veja está tremendo e caso não tenha reparado. — Milo secou algumas lágrimas que rolavam no rosto do ruivo com o dedo. — Isso não pode ser nada. Você sonhou com o seu pai? Me conta o que houve.

Envergonhado Camus secou o rosto com as costas das mãos e olhou para Milo com a expressão mais desprotegida que Milo já vira na vida. — Eu sonhei com a morte do meu pai, quando ele foi assassinado, eu estava lá e vi tudo.

Mesmo o pequeno Hyoga tento o preparado para aquele assunto, foi inevitável o choque com aquelas palavras saindo da boca de Camus naquele momento. — Sinto muito Camus, lamento que tenha passado por algo assim.

Fazendo sinal com as mãos como se dissesse “tudo bem” Camus acrescentou. — Sim, passei, mas já faz muito tempo, não tem sentido ficar sonhando em essas coisas! — Reclamou abraçando seus joelhos, Camus estava tenso, no sonho teve a impressão que seu pai estava falando com um Kapino, não sabia explicar se era uma impressão ou uma lembrança.

— Ei me conta como foi esse sonho? – Milo perguntou acariciando o rosto do namorado.

A cabeça de Camus doía com a lembrança daquele sonho, daquela cena, do carro explodindo. – Não quero falar Milo, esse assunto me machuca muito ainda, por favor.

— Tudo bem, vamos ficar aqui assim juntos. Tá bom? – Milo disse aconchegando Camus em seu abraço.

Não pode evitar,agora estava com real curiosidade sobre o assunto.

....

Na manhã seguinte Camus acordou cedo, bem verdade que mal conseguiu dormir direito depois do pesadelo, lembrou da pasta com os papeis e pesquisas que seu pai lhe entregou, desde o acidente Camus não tinha mais mexido naquilo, sabia que não entenderia, e a magoa de seu pai que foi para morte o deixando sozinho com os irmão para criar o impedira de se importar com aqueles papeis, Camus teve ganas de destruí-los durante esses anos, mas por algum motivo, que não saberia explicar, resolveu deixar tudo guardado.

Ao olhar para o lado viu Milo dormindo ao seu lado, algo totalmente surreal algum tempo atrás. Sabia que estava completamente apaixonado pelo loiro, mas não tinha coragem de declarar isso para ele quando estivesse acordado, então se aproximou e sussurrou. – Eu te amo, Milo.

Neste momento o loiro abriu os olhos e os azuis de Milo encontraram os castanhos avermelhados de Camus, que ficou sem ação como uma criança que é pega roubando doces na casa da avó.

— Repete. – Pediu Milo.

— Repete o que? Não falei nada. – Respondeu Camus se virando para levantar da cama, mas Milo o puxou, o deitando na cama e se colocou por cima de Camus.
— Falou sim, repete. – Pediu Milo encarando Camus. – Por favor repete o que disse e faz de mim o homem mais feliz deste mundo.

Com a respiração ofegante Camus declarou. – Eu te amo Milo Kapino, eu estou completamente apaixonado por você e eu tenho muito medo por isso.

Milo abriu seu sorriso mais brilhante antes dizer. – Eu te amo Camus Le Blant, eu estou perdidamente apaixonado por você, e eu não tenho medo de enfrentar tudo e todos para viver esse amor.

Os dois então se beijaram entregues um ao outro, sim eles se amavam, se pertenciam e tiveram a certeza de que juntos venceriam a tudo e a todos.

*-*-*-*

Não eram nem oito horas da manhã quando Aioria saiu de casa, entrou em seu carro e saiu, seu irmão Aioros estava dormindo, pois havia trabalhado até tarde no hospital.

Pegou selecionou um número no celular e ligou com o aparelho acoplado ao sistema de som do carro.

O som da chamada se fez presente.

Até que uma voz masculina atendeu. — O que é Aioria?

— Está de mal humor?— O leonino perguntou.

— Cara hoje é domingo, não são nem oito horas da manhã e você me acordou, sim eu estou de mal humor!

— Vai colocando uma roupa e preparando um café que eu estou indo pra aí agora.

— Mas que diabos você vem fazer aqui cedo assim?

— Quando eu chegar conversamos.— Dizendo isso Aioria desligou a ligação.

Quando o carro parou o sinal, Aioria pegou o celular em enviou uma mensagem.

"Já estou chegando, não se atrase é importante".

Em dez minutos Aioria parou seu carro em frente ao prédio em que amigo morava, após obter a autorização do porteiro entrou, se dirigiu para os elevadores, subiu, quando chegou no andar não precisou tocar a campainha, pois Shura já o aguardava na porta.

— Sábado, oito da manhã, espero que seja sério. — Shura reclamou com cara de poucos amigos, bem verdade que o capricorniano estava ainda irritado com o falto de que seu namorado, ficante, amante, não saberia dizer qual o papel que Carlo ocupava em sua vida, o fato é que Carlo havia escondido coisas, mentido até e Shura estava muito bravo com isso.

— Meu caro, você é um policial adulto não deveria dormir até tarde. Olha trouxe pães frescos. – Respondeu Aioria ao entrar no apartamento logo atrás do amigo.

— O que está acontecendo Aioria? – Indagou Shura, não era do feitio do leonino fazer visitas matinais.

— Estou esperando o Carlo, assim conversamos de uma vez. – Avisou, e quando Shura iria reclamar o interfone tocou.

— Ah! Ele chegou. – Disse Aioria indo atender o aparelho.

— Você é muito abusado Aioria. – Reclamou Shura, que apesar de chateado com o amante achou por bem se olhar no espelho e verificar se estava apresentável para ele, e prosseguiu com a reclamação. – Não é educado atender o interfone da casa dos outros.

Sem responder a reclamação do amigo, o advogado de Milo perguntou, após ter dado autorização para o italiano subir. – Porra cadê a manteiga, o requeijão cremoso essas coisas?

Fazendo a sua melhor cara de desprezo Shura foi pegar os itens solicitados na geladeira e colocou na mesa, o café já estava pronto, pois assim que recebeu a ligação de Aioria, Shura levantou e colocou a cafeteira para funcionar.

Quando a campainha tocou Shura foi atender, estava chateado com Carlo, então continuou com sua cara de desprezo no rosto.

— Oi. – Cumprimentou Carlo e Shura apenas deu passagem ao outro, sabendo que teria que conversar a sós com o amante, Carlo suspirou cansado entrou e vendo que Aioria já estava se servindo a mesa perguntou. – Ei seu grego exibido qual é a emergência?

— Senta aí, Shura você também o assunto é sério, ontem o velho Kapino veio falar comigo. – Começou Aioria e foi cortado por Carlo que já estava se servindo do café.

— Sim, ele é teu chefe, nada mais normal que ele falar com você.

Olhando blasé para o italiano, Aioria continuou. – Ele me ordenou a separar o Milo do ruivo, porque o tal Saga havia ameaçado fazer alguma coisa com nosso amigo se ele não deixar o garoto dele em paz.

Shura e Carlos trocaram olhares preocupados e Aioria continuou. – Vocês não disseram que ficariam de olho naquele idiota?

— Mas não era você quem negociava os programas com o Saga? – Perguntou Shura ao leonino.

— É eu fazia isso, mas acho que o Milo começou a acertar direto com o ruivo, cara ele tá estranho esses dias, agindo como se tivesse escondendo alguma coisa, com certeza ele já deve estar perto de concluir a vingança dele. – Deduziu Aioria.

— Você sabe o que ele tem em mente com essa história de vingança? O que ele pretende? – Carlo perguntou tentando pensar em algum plano.

— Vai saber o que se passa na cabeça daquele idiota? Ele vivia dizendo que queria acabar com o cara, humilhar, tirar tudo dele... essas coisas. – Aioria pensou um pouco e resolveu se abrir com os amigos. – Sabe quando o irmão dele ficou internado, o Shaka, um cara lá da empresa, fez uns exames no menino e encontrou uma alteração, como se o menino tivesse tomando uma medicação inversa ao que ele precisava, mas houve um problema com as amostras e Shaka não pôde confirmar esse resultado.

— Você quer dizer que o garoto estava tomando a medicação errada? – Shura perguntou.

— Sim, eu tenho quase certeza o “Putinho” do Saga é mais perigoso do que pensamos, ele pode estar envenenando o próprio irmão para tentar arrancar grana dos Kapinos. – Tornou o advogado revelando suas suspeitas.

— Mas isso é muito sério! – Shura disse incrédulo.

— Sim, é sério, mas eu não tenho como provar por enquanto, eu estava pensando aqui. – Aioria olhou para os amigos. – O Milo vai fazer uma viagem e eu vou precisar da ajuda de vocês para que essa vingança esteja concluída quando ele voltar.

Carlo e Shura trocaram olhares preocupados e continuaram a ouvir os planos de Aioria.

*-*-*-*-*

“E aí já entrou?”— Milo perguntou a Camus via Whatsapp, o namorado estava aguardado para fazer a entrevista, era uma grande fábrica de insumos de produtos farmacêuticos, Camus até o momento estava às cegas, pois não sabia para o que seria a vaga? E se era para trabalhar na fábrica ou no escritório?

“Não, ainda estou aguardando”— Respondeu Camus olhando para a moça da recepção que fazia seu trabalho e não dava muita atenção a ele.

“Eu estou torcendo por você!”— Respondeu Milo.

“Obrigado Milo, seu apoio está sendo muito importante pra mim”— Camus respondeu e logo foi chamado para entrar, então desligou o aparelho.

....

“Camus? Já terminou?”— Milo perguntava pela decima vez, que tanto Orfeu tinha pra fala com Camus?

Batendo com os dedos na mesa pensando Milo não tirava os olhos da tela do computador, focado do Whatsapp Web, quando viu que Camus finalmente visualizou suas mensagens se segurou para não ligar para o namorado.

“Oi, estou saindo agora”

“E aí como foi?”

“Sinceramente eu fui péssimo, não tenho experiencia com nada, não sei o significa a metade das coisas que o Sr. Orfeu me perguntava”

“Ei não fique assim, tenho certeza que você foi ótimo”

Camus apenas colocou um emoticon de uma cara triste e guardou o celular.

Milo percebendo que o namorado não estava respondendo mais, suspirou cansado, não estava com o fato de o namorado não ter passado na entrevista Orfeu lhe devia favores tinha certeza que o amigo se lembraria disso.

Mal acabou de pensar no rapaz seu celular tocou e para surpresa de Milo era o Orfeu. – Fala mestre, como foi?

— Porra Milo você manda pra cá um cara que nunca trabalhou em lugar nenhum? – O Diretor da fábrica de insumos farmacêuticos Medusa começou reclamando.

— Ah Não fode Orfeu, o Camus começou a faculdade de Química, só não pode concluir, ele não é tão despreparado assim. – Retrucou Milo, sabendo que não falava a verdade.

— O cara não concluiu a faculdade, não tem experiencia alguma na área, aliás, segundo ele a única experiencia que tem é de bartender.— Continuou Orfeu desdenhando das experiencias profissionais de Camus.

Milo teve vontade de rir, pois sabia que nem essa informação de ser bartender era real, mas como homem de negócios continuou a defesa de Camus. — Ele aprende rápido, só precisa de uma chance, se não der certo você o dispensa.

— Fala a verdade, você tá saindo com esse cara, não é?— Orfeu perguntou pegando Milo no pulo.

— Eu vou considerar isso um favor pessoal pra mim e vou ficar te devendo uma. – Milo falou sem responder a pergunta do outro.

— É, bonito ele é, se o lance de vocês não for sério quem sabe eu possa?...— Orfeu jogou a isca.

— Você pode e levar uma mãozada nesta sua cara o filho da puta! – Bradou Milo nervoso, e o rapaz do outro lado da linha gargalhou, pois havia jogado verde e Milo havia caído como um pato.

— Relaxa o mané, eu vou conseguir alguma coisa aqui pro seu ruivo, mas você fica me devendo essa.

— Valeu, mas é bom eu te avisar ele é MEU NAMORADO, se você ficar de gracinha com ele eu te parto em dois. – Reclamou Milo.

— Cabeção eu estou noivo da Eurídice esqueceu? Eu sou hetero!— Declarou Orfeu.

“Hetero é meus ovos” Orfeu, você no mínimo é bissexual ,a gente fez faculdade junto esqueceu? Eu te peguei ô viado. – Milo debochou rindo.

— Afff você é inconveniente Milo Kapino, a faculdade foi há anos luz, não acho que eu seja Bi eu FUI, no máximo, um hetero curioso.— Rebateu Orfeu com a voz cortante.

— Meu querido hetero curiosos é o que todos nós somos na primeira vez. – Foi a vez de Milo debochar.

— Tá fica aí falando merda que eu resolvo mudar de lado, largo a Eurídice e pego o teu ruivo sem experiência.

Foi a vez de Milo parar de sorrir.

— Milo no currículo dele diz que ele tem vinte e cinco anos, o que já é bem menos que nós, mas a aparecia dele é de mais jovem ainda, seu papa anjo.

— Cinco anos não é uma diferença enorme, quando eu o conheci achei que ele era mais novo, mas sei lá, tem pessoas que aparentam menos, eu por exemplos não tenho cara de trinta anos.

— Mas me tira uma dúvida Milo, você disse que está namorando esse cara?

— Sim, estou qual o problema?

— Bom ele não é do mesmo nível social que você e até bem pouco tempo atrás você era bem chato com esse detalhe.— Observou o amigo.

— Ele é diferente dos caras com quem eu já sai e você conhece meu pai, eu posso me casar com o rei da Inglaterra que ele vai achar ruim porque eu sou gay, então eu resolvi ligar o foda-se e ser feliz.

— Verdade, seu pai é bem difícil, você está certo quem tem que lutar por sua felicidade é você. Bom no amanhã eu ligo para ele dizendo que ganhou o emprego, pode ir preparando o local da comemoração.— Informou Orfeu antes de desligar o celular.

Milo suspirou aliviado, mandou uma mensagem para o amigo.

“Orfeu não vá pagar salário de fome para o Camus, quero ele bem remunerado”

“Vai tomar no cú Milo”— Foi a resposta que veio em seguida, Milo sorriu.

*-*-*-*-*

— Shura a gente precisa conversar. – Disse Carlo assim que o moreno abriu a porta do apartamento.

— Entra. – Disse Shura com seu tom gélido ao dar passagem para o outro

— Carinõ não faz assim. – Pediu Carlos usando a forma como o amante o chamava.

— Você não confiou em mim Carlo, poxa Interpol?

— Shura, eu tinha sido expulso da corporação, você não quis mais se envolver comigo. Lembra? Você lembra que foi você quem terminou comigo? – Carlo jogou na cara do espanhol. – Você não pode cobrar nada sobre minha vida durante o tempo em que ficamos separados.

Shura que ouvia tudo com os braços cruzados tornou. – Você disse bem, no tempo em que estávamos separados, mas nós nos acertamos, nós estamos juntos agora e você não me disse nada.

— Você é policial como eu, você sabe que não podemos colocar em risco nada sobre nossas investigações independente da nossa vida privada, ainda assim nós trabalhamos junto e eu pedi aos meus superiores para te colocar no caso, mesmo antes de saber que você estava correndo risco.

Shura nada respondeu, sabia que Carlo tinha razão, ele mesmo não faria diferente se tivesse no lugar do outro, analisando tudo com calma, Shura chegou a pensar se não estava tão chateado por puro despeito em saber que seu amante estava trabalhando para a polícia internacional enquanto ele continuava no mesmo departamento de polícia.

— Shura, você disse que estamos juntos agora, não é? – Perguntou Carlo alisando o braço do amante que confirmou com a cabeça. – Demoramos tanto pra voltar, para termos isso novamente, não vamos nos perder novamente. Hun?

— Sua sorte é que eu não resisto a essa sua cara de cachorro sem dono. – Disse Shura em meio a um tímido sorriso.

— Grrr Au Au. – Brincou Carlo sorrindo e fazendo o outro sorrir também.

Os dois se beijaram em reconciliação.

— Eu faria o mesmo que você. – Disse Shura ao findar o beijo.

— Eu sei. – Respondeu Carlo o beijando novamente.

*-*-*-*-*

Camus estava em casa com seus irmãos todos sentados à mesa, os meninos faziam o dever e o mais velho estava ali para auxiliar caso precisassem.

Não tirava os olhos do celular, o entrevistador ficou de dar o retorno no dia seguinte e mesmo sabendo que não tinha ido bem na entrevista ainda tinha um fio de esperança de que pudessem ligar.

Havia falado com Milo pela manhã, o namorado disse que gostaria de leva-lo para jantar independente do resultado da entrevista, por este motivo Camus pediu que Zaíra viesse só no fim da tarde e que dormisse com os irmãos naquela noite.

O celular tocou sobressaltando os três que estavam distraídos, Camus não reconheceu o número que estava ligando e com o coração a mil, mas sem deixar transparecer para os irmãos sua ansiedade atendeu. – Alô.

— Sr. Camus Le Blant?

— Sim

— Olá aqui é o Orfeu, a gente conversou ontem.

— Sim, claro.

— Camus você foi aprovado para a vaga, vou passar para o seu e-mail a lista de documentos que vamos precisar e você começa semana que vem. Ok? – Perguntou o rapaz ao notar o silencio do outro lado da linha. — Camus? Está me ouvindo?

— Perdão, sim estou ouvindo, claro eu fico no aguardo do seu e-mail, Sr. Orfeu muito obrigada.

— Ok até segunda então.

Assim que o rapaz desligou o celular, Camus olhou para os irmãos e sorriu. – Eu consegui um emprego.

Os meninos deram vivas, mas depois Hyoga perguntou para o irmão confuso. – Mano eu nem sabia que você não tinha mais trabalho.

— Eu trabalhava, mas não era emprego de verdade sabe carteira assinada, benefícios essas coisas.

— Você era vendedor no outro trabalho, não é? E neste você vai ser o que? – Isaak perguntou curioso.

— Não sei bem o que eu vou fazer neste trabalho novo, mas tenho certeza que será bom.

“Preciso avisar o Milo”— Pensou Camus se levantando da mesa. – Continuem com o dever de casa, já volto.

Assim que Camus desapareceu na entrada de seu quarto Hyoga comentou. – Aposto que ele foi ligar para o Milo.

— Nem precisa ser gênio para saber disso. — Isaak respondeu, e os dois ficaram dando risadinhas.

...

Chegando no quarto Camus ligou para o namorado.

— Hum que surpresa maravilhosa você me ligando no meio do expediente.— Disse Milo assim que atendeu a ligação do ruivo, sabia que Orfeu ligaria por este horário e realmente estava esperando o contato do namorado.

— Você está podendo falar? – Perguntou receoso, aprendeu com Saga que não devia atrapalhar quando o outro estivesse trabalhando.

— Claro que eu posso falar e mesmo se eu tivesse em reunião eu mandaria todo mundo sair só para ficar ouvindo sua voz.— Declarou Milo romântico.

Camus sorriu antes de contar a novidade. – Milo, eu passei! Não sei como, mas eu consegui o emprego é meu!

— Eu tinha certeza que você iria conseguir Camus só um maluco não te contrataria, você é ótimo. – Elogiou Milo, não se sentia mal por estar mentindo, ou melhor omitindo, Camus queria mudar de vida e ele poderia ajudar, já que o ruivo era orgulhoso para aceitar sua ajuda financeira, nada mais normal do que conseguir uma forma de seu namorado conseguir uma renda de maneira digna, Camus merecia isso.

— Sou um ótimo sem experiencia alguma dos trabalhos convencionais. – Comentou Camus.

— Mas foi ótimo em conseguir o trabalho e é isso que importa, ninguém nasce sabendo nada, a gente aprende tudo, você também vai aprender, tenho certeza. – Continuou Milo com otimismo. – Mas então hoje nós vamos comemorar! Você começa quando?

— Semana que vem, tenho esse resto de semana para me preparar, arrumar a documentação e ver como vai ser minha logística, os meninos, a escola, Zaíra e tudo mais. – Respondeu Camus ansioso e de repente começou a sentir medo, e o medo estava começando a virar pânico. – Milo... E se eu não consegui? Os meninos, a escola?

Milo notou que o timbre de voz no namorado havia mudado, podia identificar que Camus estava tremendo. – Meu amor, calma. Vamos tentar, hun? Não adianta ficar preocupado dessa forma, vai dar tudo certo e de qualquer forma você tem a mim agora, você sabe disso, não é?

Controlando a respiração Camus sentiu seu coração aquecer com as palavras de Milo. – Tudo bem Milo, você tem razão.

— Então hoje vamos comemorar! A noite é nossa! - Disse Milo já contando os minutos para poder encontrar seu namorado.

— Tudo bem, eu já falei com o Dona Zaíra, ela vai dormir aqui com os meninos, vamos nos encontrar onde? – Perguntou Camus, torcendo para que o namorado dissesse que gostaria de ficar em seu apartamento.

— Vamos jantar no Saveur Française, gosto muito da comida de lá e assim você mata a saudade da culinária francesa.— Respondeu Milo e com a voz rouca completou – Depois vamos para minha casa, tenho muitos planos para essa noite.

— Milo esse é um dos restaurantes mais caros da Grécia, e olha que aqui neste país todo lugar é muito caro, não é necessário a gente ir num desses, poderíamos ir para o seu apartamento e pedir algo para comer lá. – Sugeriu Camus, por dois motivos, o primeiro é porque o local era realmente muito caro, um jantar ali custava mais que a mensalidade da escola dos irmãos juntas, e o outro motivo é porque Camus sabia que o lugar era frequentado por alguns ex-clientes que tinham vida dupla, era casados com filhos e saiam com um garoto de programa as escondidas, Camus não queria rever nenhum deles, principalmente no ambiente deles.

— Tentadora a sua oferta meu caro, mas vamos jantar lá Saveur Française sim! Disso eu não abro mão, já fiz as reservas.

Camus suspirou fundo, não achava uma boa ideia, mas não faria uma desfeita para Milo afinal o namorado estava apenas querendo agradá-lo. – Ok que seja no Saveur Française!

Assim que Milo desligou o celular Camus olhou para sua imagem refletida no espelho, com nuvens nos olhos. — Que seja no Saveur Française então.

Notas finais
*Saveur Française quer dizer Sabor Francês(segundo o google tradutor). Eita nós alguém pare o Aioria, por favor! Estámos no meio da fic e essa é a maior fic que eu já escrevi, pois ainda tem MUITA coisa pra acontecer, eu quero agradecer a todos que estão comigo e estão comigo durante essa caminhada. Amo vocês!!! Link do grupo das fics >>> https://web.facebook.com/groups/1099706026776907