Na Real
17 Capítulo 17 - Um bem querer mais que um não querer
Notas iniciais
Na Real – Capítulo 17
Milo chegou em casa naquela sexta feira logo após o expediente cansado e ansioso.
Cansado porque a semana na empresa não foi fácil, bater de frente com seu pai nunca era fácil, e ansioso porque não havia visto Camus durante aquela semana, não por vontade, mas por cautela.
O jovem Kapino achou por bem se afastar de Camus por um tempo, sua mente estava confusa o contato com Camus e seus irmãos bagunçaram a mente de Milo, seus sentimentos em relação ao ruivo estavam diferentes, não podia mais negar por mais que quisesse, Milo sabia que estava apaixonado.
Milo não pensava mais em seu plano de vingança.
Como pensar nisso depois de ter conhecido Hyoga e Isaak e o verdadeiro Camus por trás da máscara de Aquário? Não, o que impediu Milo de ir até a casa de Camus foi seu medo de lidar com a realidade.
A realidade de que estava apaixonado por um ator pornô, que também era garoto de programa, por mais por mais que quisesse esquecer esses detalhes sua mente não deixava. Milo era extremamente ciumento, em todos seus relacionamentos anteriores houve ciúmes, houve termino por ciúmes, isso namorando pessoas normais, “descentes”, como assumir esse sentimento?
Milo teria que passar por cima de muita coisa para levar essa história adiante. Seu pai por exemplo, sempre enfrentou o pai para poder se assumir homossexual, mas como o pai lidaria se o Milo de repente aparecesse namorando um garoto de programa?
O que as pessoas diriam?
Como encarar seus amigos, sendo que os mais próximos já haviam visto os filmes de Camus, ou seja já haviam visto Camus em ação, como lidar com isso?
Se afastar de Camus era a decisão certa a tomar, assim Milo não teria problemas com a opinião alheia, mas Milo Kapino nunca se importou com a opinião alheia.
Faria isso agora?
Seria justo não viver esse amor somente por medo da opinião dos outros? Por medo da reação do seu pai, ou seja, lá o de quem for?
— Que inferno! – Soltou Milo puxando seus cabelos para afastar aqueles pensamentos, quando Scorpion ouviu sua voz foi correndo ao seu encontro miando.
— Ah! Você está aí não é seu gato safado preguiçoso. – Milo falou pegando o gato no colo e acariciando sua cabeça.
Milo cumpriu sua rotina, alimentou o gato, trocou sua agua e limpou a caixa de areia, depois foi para o seu quarto tomar um bom banho, logo desceria para preparar alguma coisa para jantar, não que estivesse com fome, ao contrário não sentia fome alguma, o fazia apenas para seguir a rotina.
Milo havia saído do banho e colocado apenas o short do pijama, estava quente e ele preferia ficar sem a camisa, não demorou Scorpion foi até ele em busca de companhia.
Meow
— O que foi? Ainda está com fome? Não? – O gato acariciou sua mão de deitou de barriga para cima em busca de carinho. – Mas que belo gato safado você está saindo! – Comentou Milo sorrindo.
O gato se levantou e ficou dando pequenas cabeçadas em Milo.
— O que foi? Você quer que eu fale com o Camus, não é?
Meow
— Mas você não entende nada da vida dos humanos, tá legal. – Milo dialogava com o gato como se o mesmo fosse lhe responder a qualquer momento.
— O Camus é um garoto de programa, e pior que isso! Ele faz filme pornô! Ele transa por dinheiro e transa por dinheiro na frente das câmeras, com pessoas assistindo, isso é muito pra minha cabeça.
Meow
— Tá eu sei que ele fez essas coisas por causa dos irmãos, eu entendi isso, mas...
Milo olhou em volta como se certificando de que estava realmente só em seu apartamento e revelou ao seu gato.
— Eu estou apaixonado por ele! Na realidade eu acho que eu estou amando aquele filho da puta! Sabe o que eu sinto é tão forte, tão bom, tão..., mas eu não sei o que fazer.
Meow
Scorpion sentou e estreitou os olhos para o seu humano.
— Eu sinto que meu peito vai explodir de tanta saudade, sabe esses dias que eu passei como ele, nada me importou, em nenhum momento me lembrei o que ele fazia essas coisas, eram só nós e os meninos.
O gato deitou a cabeço sobre suas patas observando Milo.
— O que? Você quer que eu fale com ele? Depois de resistir bravamente durante essa semana você quer que eu fale com ele? Tudo bem, eu vou fazer isso, só porque você está insistindo muito.
*.*.*.*
Camus estava em seu quarto, teve um dia tranquilo, levou Hyoga para a escola, levou Isaak para a fisioterapia.
Quando chegaram no final da manhã o almoço já estava pronto, D. Zaíra havia cuidado de tudo, após o almoço ajudou Hyoga com o dever de casa e fez uma revisão das aulas com Isaak.
Camus tentava de todas as maneiras manter sua mente ocupada, sem brechas para pensar em Milo.
Uma semana havia se passado desde o dia da agressão de Saga, desde que se despediu de Milo com um beijo na porta de seu apartamento, e desde então... silêncio.
Milo não havia mais entrado em contato, nem uma mensagem, nem uma ligação, nada.
No primeiro dia Camus achou normal, afinal Milo passou a semana anterior dando assistência a ele no hospital com Isaak, natural que tivesse trabalho acumulado.
Obviamente Camus pensou que receberia alguma ligação ou mensagem durante a noite, mas nada.
No dia seguinte, Camus manteve sua rotina, apesar das dores do corpo levou Hyoga para a escola, passou na casa de Aldebaran para pegar com o amigo algumas pomadas para o ajudar com as marcas roxas, principalmente no rosto, combinou com o amigo que começaria as aulas de defesa pessoal na semana seguinte.
Com a tarde livre Camus passou a pensar em Milo, nos momentos que passaram juntos, nos seus sentimentos para com o loiro. Olhava o celular de dez em dez minutos em busca de alguma notícia de Milo, mas novamente nada.
Saga também havia respeitado seu espaço e não o procurou naqueles dias.
O jovem michê se perguntava se tinha feito a coisa certa ao enganar Saga sobre a “exclusividade” solicitada por Milo. Camus achou que o jovem Kapino ficaria mais próximo e que talvez pudessem viver um romance, ou apenas deixar queimar essa paixão que já ardia em seu peito, mas novamente se enganou.
Obviamente um homem como Milo Kapino jamais se envolveria romanticamente com um ator pornô, com um garoto de programa, não, Milo tinha acesso aos mais belos e ricos homens, podia ter quem quisesse, para que se envolveria com alguém cheio de problemas como Camus?
Um puto que apanha do cafetão!
Um ator pornô que tem a responsabilidade de criar duas crianças!
Um homem sem futuro.
— O que eu estava pensando? – Disse Camus para si mesmo sozinho em seu quarto, sua mente não o deixava em paz.
Para quem sofre de ansiedade ficar num impasse amoroso como este era terrivelmente sofrido. Camus só conseguia dormir mediante a ajuda de comprimidos, mas só fazia uso desde recurso durante o dia enquanto a babá estava em casa, pois temia que Isaak tivesse algum problema e precisasse ir com urgência para o hospital, ou seja, em geral suas noites era em claro.
Com sua mente sempre trabalhando, sempre pensando em sua vida e em como Milo era “bom demais” para ficar consigo, Camus chegava a concordar com a distância imposta pelo loiro, “se não é pra ser, é melhor que não seja nada”— este pensamento sempre rondava sua mente.
Ao mesmo tempo em que Camus se frustrava com a falta de notícias de Milo, também se sentia aliviado com ela.
Se envolver com alguém era assustador para Camus, não saberia como agir, como se portar ou falar.
Sem contar com o fato de que sua única experiência de se relacionar com alguém fora o Saga acabou de forma assustadoramente traumática.
Por pensar nessas coisas Camus jamais tomaria a iniciativa de ligar ou mandar alguma mensagem para Milo.
“Pessoas como você não deve se apaixonar nem se envolver com ninguém e ponto! ”— Pensava o ruivo, enquanto deitou sua cabeça no travesseiro, foi quando sentiu o celular vibrar.
Camus não pode evitar, sentiu seu coração acelerar.
— Ridículo. — Ralhou consigo antes de pegar o aparelho, durante aquela semana, estava assim a cada novo vibrar do celular seu coração sobressaltava em expectativa, mas sempre eram mensagens de outras pessoas, por sorte nenhum cliente tinha seu número pessoal, Saga nunca permitiu essa aproximação com os clientes, tudo sempre passava pela supervisão do seu agente.
Durante a semana somente Saga mandou mensagens perguntando se estava bem, se precisava de alguma coisa e que respeitaria este "tempo" por enquanto.
Quando Camus desbloqueou seu celular viu a mensagem de Milo.
Seu primeiro impacto foi jogar o aparelho de volta na cama.
Ao mesmo tempo em que se sentia feliz, também estava bravo.
Como se Milo pudesse ver sua melhor cara de indiferença Camus pegou novamente o celular para ler a mensagem.
“Oi”
Camus nada respondeu, estava chateado.
“Camus, me desculpe ter sumido essa semana”
Milo resolveu se desculpar quando viu que seu “oi” foi ignorado.
“Não tem que se desculpar, você já fez demais esses dias”
Milo leu a mensagem coçou a cabeça, sentiu a frieza nas palavras de Camus, ou era apenas sua consciência dizendo o quanto foi errado sumir. Resolveu então ser franco com Camus como nunca havia sido até então.
“Camus eu estou confuso”
“Confuso? ”
Indagou Camus realmente curioso.
Milo suspirou pensando no que fazer até que decidiu revelar a verdade.
“Camus não vou mais mentir para você, quando eu me aproximei de você eu tinha em mente me vingar de alguma forma pelo que você fez comigo, sabe? ”
Camus leu aquela mensagem com um frio no coração, mas sem surpresa, sabia que um homem como Milo Kapino jamais teria interesse em uma pessoa como ele.
“Eu sempre soube disso”
Milo estava digitando, mas apagou o seu texto.
“Sempre soube? ”
“Milo uma pessoa como você jamais se interessaria por uma pessoa como eu, isto sempre foi claro obvio mim”
Milo sentiu o peito doer lendo aquelas palavras, por sabe-las verdadeiras, Camus era uma pessoa incrível, mas com certeza jamais se aproximaria do ruivo não fosse seu plano de vingança.
Obviamente sentiu uma forte atração pelo ruivo quando o viu pela primeira vez na sala VIP do aeroporto de Paris, mas será que teria coragem de engatar um romance com Camus se soubesse de tudo de outra maneira?
Se o ruivo contasse qual era sua profissão desde o primeiro momento?
Camus por sua vez ficou olhando para a tela do seu celular a espera de alguma resposta de Milo, mas esta demorou de vir, então jogou o aparelho na cama e suspirou triste.
Após alguns minutos seu celular voltou a vibrar.
“Não sei se eu me envolveria com pessoas que fazem o que você faz para viver, mas eu não estou falando de outras pessoas Camus, eu estou falando de você, o que eu sinto, eu sinto por você! ”
Atendo Camus questionou.
“E o que você sente por mim Milo? ”
Milo pensou um pouco antes de responder.
“Me ajuda a descobrir Camus? ”
O coração de Camus aqueceu e ele deixou escapar um sorriso tímido, mas logo fechou seu semblante e digitou.
“Eu tenho medo. ”
“Tem medo de mim? “
“Não Milo, tenho medo do que eu sinto e do que eu posso a vir sentir por você. “
Foi a vez de Milo suspirar triste, sabia das coisas que Camus passou quando tentou mudar de vida. Obviamente aquele tipo de agressão jamais esteve nos planos de Milo, mas ainda assim no início seus planos para o ruivo não eram nada bons.
“Eu também tenho medo Camus. “
“Você tem medo? Do que? “
“Eu tenho medo de não saber como agir, de não ter coragem e de te perder por isso. ”
Como se tivessem combinado a ação Camus e Milo abraçaram o travesseiro pensativos, foi Camus quem perguntou primeiro.
“O que faremos Milo? “
“Vamos descobrir juntos? ”
“Como? “
“Você pode vir para minha casa, hoje? Agora! “
Com o coração aos pulos Camus digitou.
“Te respondo em um minuto”
Camus foi até a sala com Zaíra se aprontava para ir embora e pediu a babá. — Dona Zaíra, por favor, preciso que durma aqui hoje, pode ser?
— Mas Camus assim de repente? Você vai sair, esteve tão abatido durante a semana toda. – Começou a Babá cautelosa.
— Por favor, é importante. – Pediu Camus.
Hyoga e Isaak nada disseram, não costumavam se intrometer dos assuntos do irmão, mas estavam atentos na conversa dos adultos.
— Tudo bem, se é importante eu fico, você volta que horas? – Perguntou a babá segurando as mãos.
— Não sei. – Respondeu sincero.
— Tudo bem, eu fico. — Não era a primeira vez que a babá dormiria ali, visto os horários poucos convencionais de Camus.
Camus voltou para o quarto e digitou.
“Estarei ai em uma hora”
O ruivo então foi tomar banho e se arrumar, sentia em seu coração uma excitação diferente de quando se arrumava para encontrar Saga ou algum cliente.
Ao mesmo tempo em que tinha medo, também sentia a necessidade de ver Milo e estar com ele.
Após dar as últimas recomendações para Zaíra, Camus se despediu dos irmãos e saiu.
Ao se ver sozinha na sala, uma vez que os meninos já estavam na cama, Zaíra enviou uma mensagem para Saga.
"Camus saiu, ao que parece vai passar a noite fora"
Leu a mensagem e com um aperto no coração enviou.
— Me perdoe Camus, mas preciso pensar no meu filho.
*-*-*-*
Saga estava no apartamento de Misty e Argol quando recebeu a mensagem, fechou a cara.
— Bad News Saga? — Perguntou Misty ao notar a mudança no semblante do outro.
— Nada de relevante neste momento meu querido, vamos me conte mais sobre seus planos cibernéticos. – Pediu Saga tirando o foco de sua mensagem.
Misty então obedeceu e continuou falando sobre sua experiência como influenciador digital e sobre seu canal de conteúdo adulto. – Estou dizendo Saga você tem que se modernizar, tem que ter um canal oficial nas redes sociais da sua produtora e investir nos seus atores, seu retorno vai ser imenso. – Terminou de falar fazendo o gesto de dinheiro com as mãos.
— E você seria o meu garoto propaganda oficial? – Perguntou Saga, pergunta essa que Misty e Argol estranharam.
— Você vai querer o Misty? Pensei que fosse investir no Aquário. – Comentou Argol surpreso.
— Acho que o Misty tem mais desenvoltura para este tipo de conteúdo, o Aquário é um fenômeno da indústria pornô, seus filmes e vídeos são um sucesso, mas eu realmente não o vejo como um influenciador, obviamente podemos marcar entrevistas com ele neste canal, mas prefiro deixar o Aquário com este perfil misterioso que ele tem. – Decidiu Saga.
Misty estreitou os olhos, mas sorriu para Saga, contudo Argol percebeu o semblante do marido.
— Eu já tenho o meu canal Saga, e estou indo muito bem sozinho. – Comentou Misty valorizando seu passe.
— Eu sei meu príncipe, seu canal é um sucesso, mas no canal da Sanctuary eu quero vocês dois, o casal Misty e Argol e obviamente vocês vão receber muito bem.
Misty e Argol se entre olharam cumplices.
Após decidirem valores, conteúdo e quando iniciariam as atividades dos perfis da produtora Saga foi embora satisfeito.
— Misty, o que á? Eu te conheço você está tramando alguma coisa. – Questionou Argol.
— Eu? – Misty se fez de desentendido.
— Quando o Saga falava do Aquário, eu vi tua cara, me diz o que tá pegando?
— Ele quer que o Aquário continue com “ar misterioso”, francamente Argol eu sou a estrela e aquele sem graça do Aquário vai ganhar “ar misterioso”? Não aceito!
— Misty se o Saga pediu é porque ele quer assim, o que vai fazer desobedecer às ordens dele? Temos um contrato agora. – Explicou o marido paciente.
— Não, eu apenas vou deixar o nosso rei do mistério mais famoso, talvez espalhar alguns gifs dele fodendo por aí, ou em alguma cena constrangedora, posso fazer isso anonimamente, não é? – Disse Misty sorrindo maldoso enquanto o marido o olhava com reprovação.
*-*-*-*
Milo havia tomado banho e se arrumou para esperar Camus, pensou em pedir algo para jantarem, mas foi verificar sua dispensa e viu que tinha ingredientes para fazer algo, esperaria Camus chegar para verificar as preferencias do ruivo.
O jovem Kapino estava com sua cabeça a mil, havia acabado de levantar bandeira branca pra um inimigo, como escorpiano Milo sabia que era rancoroso, mas seus sentimentos por Camus estavam acima de qualquer rancor, ou ao menos assim imaginava. Não tinha noção de onde essa história com Camus o levaria, mas pelo bem de seu coração e sanidade mental faria questão de descobrir.
Quando o interfone tocou anunciando o visitante pela entrada de serviço, Milo sentiu como se tivesse levado um chute no estomago.
A humilhação que fez Camus passar não havia sido esquecida.
Soltando o ar dos pulmões Milo foi abrir a porta.
Ao abri a porta viu Camus parado em sua frente, os cabelos vermelhos soltos uma blusa branca com estampa do Jonny Quest e uma calça jeans preta, um sapatênis preto, no pulso algumas pulseiras de coro. No rosto poucas marcas da agressão que sofreu nas mãos de Saga.
Milo o olhou encantado, o loiro também se vestia de maneira causal calça jeans com uma blusa gola polo preta, e seus cabelos estavam presos para trás.
— Por que você entrou pelos fundos? — Questionou Milo ao dar espaço para seu visitante entrar sabendo que aquela havia sido uma ordem sua, mesmo que em outro momento, foi uma ordem sua.
Camus o olhou com fuso. — Foi você quem mandou que eu utilizasse sempre a entrada de serviço.
— Você está aqui a trabalho?
Camus negou com a cabeça e abaixou os olhos.
Milo segurou o queixo de Camus delicadamente o fazendo erguer a cabeça. — Camus me perdoe pela forma que eu te tratei, principalmente naquela noite.
— A culpa de tudo foi minha Milo, se eu não tivesse feito o que eu fiz, nada disso teria acontecido. — Disse Camus assumindo toda responsabilidade dos problemas pra si.
— Por que você fez aquilo Camus? Por que me enganou daquele jeito? — Perguntou Milo com real interesse e desta vez livre do ódio que o acompanhava sempre desde que descobriu toda a verdade.
Camus balançou a cabeço como se afastasse seus pensamentos. – Eu sempre fui tratado como um objeto, como um nada, não quis fazer o mesmo com você eu apenas pensei que eu poderia fazer aquilo sem te expor, nunca foi minha intenção te magoar Milo. Nunca pensei que nos veríamos novamente.
Os dois caminharam até a sala.
— Eu sou francês e não tinha ido para o meu país desde a morte do meu pai, então eu fui, visitei seu tumulo, muitas coisas me vieram a mente, o quanto ele dizia ter orgulho de mim e no que eu me tornei, por fim. – Camus revelou sincero sem medo de se expor, e nem ao menos percebendo que estava falando de sua vida. – Eu estava fora de mim, Milo. Sei que não adianta eu te falar essas coisas, pois você não vai acreditar em mim, mas eu não sou esse cara. Eu não sou o tipo de pessoa que flerta e transa por aí, eu não sou o tipo que filma as pessoas escondido, mas eu estava fora de mim, me sentia revoltado com raiva do mundo por causa do que eu me tornei e quis me vingar do mundo usando você. Me perdoa. – Pediu por fim emocionado.
Milo que achou que nunca seria capaz de perdoar o ruivo o encarou e para sua surpresa sem sentir ódio algum em seu coração. – Eu não posso mentir, dizer que não fiquei bem bravo com você Camus, pois eu fiquei, me senti decepcionado, humilhado, usado, exposto...
— Me perdoa Milo, me perdoa.
— Eu não consigo mais sentir raiva de você Camus, não como eu sentia antes. – Milo ainda sentia seu orgulho latente em sua alma, dizer em voz alta que perdoava Camus ainda não era possível, mesmo que seu coração dissesse que isso já tinha acontecido.
O jovem Kapino se aproximou de Camus secando as lagrimas que rolaram pelo rosto alvo do ruivo, seus olhos se encontraram, Milo encarou a boca de Camus e vencendo a distância entre eles, encostou em seus lábios e o beijou.
Como se os dois tivessem vivido suas vidas apenas para chegar naquele momento se entregaram ao beijo, cada um com a certeza de ter encontrado algo preciso.
Milo sabia que jamais conseguiria viver sem sentir o gosto da boca de Camus novamente.
O coração de Camus batia acelerado em seu peito, o gosto, o cheiro e os toques de Milo provocavam sensações inéditas em seu corpo e em sua alma. O jovem michê sabia que depois dessa noite ele não seria mais o mesmo.
Milo separou o beijo e olhou para Camus que abria seus olhos calmamente como quem acorda de um sonho bom, vendo que o loiro o encarava, perguntou com um gesto.
O que foi?
Sorrindo Milo segurou a mão de Camus e o guiou até o quarto.
Lá o ruivo pôs se a olhar em volta, quando tinha ido atender Milo mal prestou atenção nos detalhes do quarto, a gigantesca cama king size no centro com lençóis cinzas de seda e o pequeno Scorpion deitado faceiro que abriu os olhos com dificuldade para encarar os recém chegados.
Milo temeu que Camus o julgasse mal, uma vez que o levou direto para seu quarto sem um convite formal antes, então pegou nas mãos de Camus e olhando em seus olhos falou. — Camus, eu te respeito muito. Só vai acontecer alguma coisa se você quiser, ok? Você não precisa...
Milo não terminou de dizer o que Camus não precisava fazer, pois o ruivo pulou em seus braços beijando sua boca com mais afinco que há alguns minutos.
Milo abraçou Camus o suspendendo e o levando até a cama, lá o depositou com carinho acariciando seu rosto, neste momento o gato Scorpion já havia pulado da cama, pois percebeu que ali não seria o melhor local para uma soneca, não naquele momento.
Milo se pois de pé e pegou o gato e o levou pra fora. — Desculpe amigão, mas agora preciso de privacidade.
Camus sentou na cama e sorriu ao ver Milo interagir com o gato, algo inusitado pra ele há algum tempo, Milo o estava surpreendendo sempre.
Milo fechou a porta e voltou sua atenção para Camus, os dois se olharam, o desejo queimando ambos por dentro.
O jovem Kapino foi na direção de Camus e retirou a camisa que vestia deixando seu dorso definido a amostra.
Camus já sentia sua ereção latejar em sua roupa íntima, estranhamente, o ruivo não sabia como agir, ele que já teve tantos homens estava agora sem ação.
Milo engatinhou na cama até Camus encontrando novamente sua boca.
Suas ereções se chocaram quando Milo ficou por cima, ambos gemeram.
Milo ajudou Camus a tirar sua camisa e o contato de pele com pele os excitou ainda mais, o loiro beijou o dorso de Camus lambendo seu mamilo, gesto que fez o ruivo gemer de prazer.
Querendo retribuir todo o prazer que estava sentindo Camus empurrou Milo e ficou em pé, olhando para o loiro começou a desabotoar o botão de sua calça de forma sensual.
Milo engoliu seco ao ver o ruivo nu, mas não se fez de rogado, retirou sua calça e se ajoelhou na cama estendendo a mão para Camus voltar para junto de si.
Camus segurou a mão de Milo que o olhava com veneração, voltou ao leito encontrando os lábios do jovem Kapino novamente, querendo dar todo o prazer que pudesse ao loiro, Camus fez Milo deitar de costa e ficou entre suas pernas, a ereção de Milo batia em sua barriga.
Camus acariciou as coxas grossas e másculas de Milo beijando cada uma, passou a língua pela virilha, gesto que fez a respiração do jovem Kapino parar ante a expectativa. O jovem michê era experiente sabia como enlouquecer um parceiro de tesão, sem pressa beijava as coxas, lambia a virilha, até que ouviu uma súplica.
— Camus, por favor!
O ruivo ergueu a cabeça soprando toda a extensão do membro de Milo para pegá-lo pela base e colocá-lo em sua boca.
— Ohhhh hungg. — Gemeu Milo alto completamente descontrolado.
Camus sorriu internamente com o efeito de seus atos, então se sentiu poderoso ao perceber que Milo estava gemendo de prazer e ele, Camus, era o responsável por aquilo.
Não que Camus não tivesse noção do prazer que dava aos seus clientes, mas naquele momento tudo era diferente, ele queria que Milo sentisse prazer, e ver Milo sentindo prazer o excitava.
— Puta que pariu Camus, que boca é essa? — Disse Milo se contorcendo ante a felação do ruivo.
Milo sabia que não iria muito longe se Camus continuasse a chupá-lo daquela forma, então com muito custo tentou afastar Camus.
— Meu bem quero te dar prazer essa noite.
— Eu estou me derretendo de prazer Milo, quero sentir o seu gosto na minha boca. — Respondeu Camus com a voz mais sexy que Milo já ouviu na vida.
Milo então se entregou de vez ao prazer. Segurou a cabeça de Camus e começou a estocar seu membro ali fodendo a boca linda de Camus.
Após alguns movimentos de sucção de Camus Milo avisou com urgência. — Camus eu vou gozar. Para!
Mas o ruivo não se afastou tampouco parou a felação, não dando a Milo outra escolha que não se derramar naquela boca.
Após o orgasmo, Milo sentiu a gostosa letargia invadir seu corpo, mas enquanto ainda estava com o coração acelerado visualizou o ruivo sentado sobre os joelhos observando os efeitos de seu trabalho.
Camus havia engolido grande parte do esperma, ainda limpava o canto da boca quando sentiu Milo o puxando para cima e invadindo sua boca em um beijo quente.
Milo sentia o gosto de e seu gozo na boca de Camus e isso o excitava ainda mais.
— Camus hoje eu quero te dar prazer, quero ver você gozar pra mim. — Declarou Milo olhando nos olhos do ruivo.
Camus que já estava duro sentiu seu membro pulsar ante aquele convite, logo sentiu a mão de Milo se fechando sobre seu membro e fechou os olhos para apreciar aquele sensação.
Milo falou rouco próximo ao seu ouvido. — Eu vou te mostrar que também sei brincar com a minha boca. — Dito isso Milo se ajoelhou na frente de Camisa ainda manipulando o seu pênis, o ruivo sentia o coração bater acelerado em seu peito, Milo roçou o rosto na virilha do ruivo, beijando as laterais da coxas.
Camus gemeu baixo.
— Milo! — Implorou.
Sorrindo o loiro segurou a base do pênis do ruivo e de uma só vez o colocou por inteiro na boca, para delírio de Camus que gemeu fechando os olhos.
"Pelos deuses ele também é muito bom nisso"— pensou Camus que olhava para Milo com os olhos nublados enquanto acariciava seu rosto.
Milo por sua vez dava a Camus o seu melhor, queria mostrar ao ruivo lhe também era bom no sexo, não de forma depreciativa, mais como uma disputa interna mesmo.
Camus era só sensação, já havia transado com muitos homens em sua vida, mas em nenhuma vez seu coração batia tão descompensado, nem se sentia tão excitado.
Milo sugava o membro de Camus enquanto manipulava o seu próprio membro, que já estava rígido novamente.
— Hnng Milo. — Sussurrava Camus sem ter noção do quanto aquilo era exatamente sexy aos olhos de Milo.
Milo salivou em seus dedos e enquanto sugava o falo rijo de Camus começou a acariciar a entrada rosada do ruivo.
Camus por sua vez sentia se derreter. — Ahhhh Milo, isso é bom.
Milo introduziu um dedo, Camus gemeu.
Outro dedo e Camus jogou a cabeça para trás novamente, então encarou Milo. — Eu quero você Milo, quero você em mim.
Milo que já estava em seu limite ficou em pé e tomou a boca de Camus num beijo apaixonado, o pegou nós braços apertando sua bunda e levou até a cama.
Soltou Camus com delicadeza já sob o leito, o ruivo ficou de joelhos e estendeu a mão para Milo.
O loiro também subiu na cama de joelhos, novamente se beijaram, Milo tinha a certeza de que jamais enjoaria dos beijos de Camus.
Milo virou Camus de costas o fazendo encostar na cabeceira da cama, abriu a gaveta de seu criado mudo e retirou o pote com o lubrificante.
Beijando as costas de Camus Milo voltou a acariciar a entrada do ruivo, primeiro com movimentos circulares, depois introduzindo os dedos, um de cada vez, Camus manipulava seu sexo que pulsava em sua mão ante a expectativa de sentir Milo o invadindo.
Camus nunca havia se sentido daquela forma em toda sua vida, nunca tinha sentido o desejo que estava sentindo naquele momento, nunca sentiu tamanha atração por nenhum dos seus parceiros, nem mesmo por Saga, nem mesmo na época que se julgava apaixonado por seu agente e aliciador, nada se comparava ao desejo que invadia sua alma naquele momento.
— Milo, por favor. — Pediu por fim quase explodindo de tanto desejo.
Milo que também estava chegando aí seu limite pegou o preservativo e colocou em seu falo duro como uma pedra.
Após colocar a camisinha Milo pegou mais lubrificante e passou em seu membro e com todo cuidado de mundo se posicionou atrás do ruivo e começou a invadir aquele corpo quente.
Camus o ajudou fazendo pequenos movimentos circulares enquanto Milo o invadia.
"Esse gostoso filho da puta é bom nisso" — Pensou Milo gemendo diante dos movimentos de Camus.
— Você é terrível Sr. Camus! — Disse Milo no ouvido do ruivo enquanto beijava seu pescoço e investia de encontro se corpo.
— Milo isso é muito bom! Hnng — Gemeu Camus em resposta.
O jovem Kapino segurou as ancas de Camus enquanto arremetia, Milo era muito visual e ter a visão de seu falo rijo entrar e sair daquele botão rosado era hipnotizante.
Milo não queria ser apenas mais uma transa para Camus, queria ficar marcado, queria que fosse especial.
Então saiu de dentro de Camus sob protestos deste, o beijou apaixonado e o colocou deitado de frente, se posicionando entre suas pernas.
Mais uma vez invadiu o corpo de Camus fazendo este arquear o corpo para trás, uma pose extremamente sexy na opinião de Milo.
Foi a vez de Milo arquear o corpo, mas para encontrar a boca de Camus.
"Então essa é a sensação fazer amor?"— Pensou Camus enquanto era beijando por Milo que arremetia contra seu traseiro, e acertando o ponto mágico que fez o ruivo urrar de prazer.
Camus estava ali completamente entregue as sensações, sentia a mão de Milo manipular seu membro, tinha seus beijos roubados e Milo a acertar sua próstata com precisão, o levando a loucura.
— Milo! Hung. Caralho eu vou gozar.
Milo acelerou os movimentos. — Vamos gozar juntos meu amor.
Dito isso Milo acelerou os movimentos com os olhos fixos nos de Camus, naquele momento só existiam os dois no mundo, nada mais existia, nada mais importava, somente eles, somente aquele sentimento forte que já existia em seus corações.
Camus gemeu quando se viu explodir em um forte orgasmo se derramando entre os dois corpos, Milo veio logo em seguida urrando e segurando o rosto de Camus o puxando para um beijo apaixonado.
Seus corpos tremiam, os corações batiam acelerado e o que permanecia era a vontade de ficarem ali, isolados, somente os dois.
Quando separaram os lábios Milo colou a testa na de Camus e ainda se recuperando do forte orgasmo falou. — Caramba o que foi isso.
Camus apenas sorriu puxando Milo para outro beijo cruzando as pernas sob Milo o prendendo ao seu corpo.
"Puta que pariu que delícia"— Pensou Milo abraçando Camus e aprofundando o beijo.
Quando o ar se fez necessário separaram o beijo e Milo alertou. — Não faça mais isso ou eu não respondo por mim.
Camus sorriu novamente.
Milo se levantou retirando a camisinha e a jogando no cesto de lixo do seu quarto, foi até o banheiro e voltou com um toalha nas mãos.
Camus ainda estava imóvel na cama, Milo o limpou com a toalha a jogando no chão do quarto.
Voltou ao leito puxou Camus para os seu braços. — No que está pesando?
Camus apenas disse. — Obrigado Milo.
Estranhando a resposta Milo questionou. — Por que está me agradecendo?
— Por me mostra que o sexo nem sempre é sujo e que ele pode ser assim, lindo! — Respondeu Camus emocionado.
Milo apenas o abraçou protetoramente.
— Por que Camus? Por que entrou nesta vida? Por que se deixa filmar fazendo sexo? Por que se prostitui? Eu quero saber mais da sua história, quero tentar te entender. — Quis saber Milo, com a real necessidade de conhecer mais do homem que definitivamente havia roubado seu coração.
Camus fez menção de se levantar, mas Milo o impediu. – Eu não estou querendo te humilhar ou algo assim, Camus eu realmente sinto algo diferente por você e eu preciso saber da sua vida, eu quero me inteirar da sua vida, por favor me conta, não vamos ter barreiras entre nós.
— O que você quer de mim Milo?
— Quero apenas que converse comigo, me conte da sua vida como foi parar nesse mundo? – Pediu Milo.
— A gente ainda tá pelado. – Observou Camus.
— Mais íntimo impossível, confia em mim. – Pediu novamente Milo.
Sentado nu na cama de Milo com apenas o lençol de seda cobrindo suas partes íntimas, Camus começou a falar. – Eu já disse, eu era muito novo. – Suspirando Camus decidiu se abrir, ao menos com o que pudesse revelar. – Meu pai tinha acabado de morrer, ele foi assassinado e eu vi tudo, mas não quero falar sobre isso. Enfim eu estava sozinho no mundo com duas crianças sob minha responsabilidade, uma dela doente, a gente não tinha onde morar, o meu dinheiro estava acabando, eu estava desesperado, eu tinha tanto medo deles irem para num abrigo, de tirarem eles de mim.
Milo sentado na cama frente a frente com Camus escutava tudo com atenção.
— Foi quando eu conheci o Saga. – Camus narrava olhando para Milo. – Inicialmente ele me chamou para fazer alguns vídeos, depois foram os filmes e por fim os programas, o dinheiro era bom e eu consegui um lugar para morar com meus irmãos e a grana para o tratamento do Isaak.
— Canalha! Ele se aproveitou da sua fragilidade e das suas necessidades! – Comentou Milo irritado.
— Não Milo, não. – Defendeu Camus. – O Saga me ajudou, não fosse por ele eu nem sei o que teria acontecido comigo, ele me ajuda, o Saga cuida de mim.
Incrédulo Milo olhou para Camus tentando o chamar a realidade. – Camus esse cara te agride.
Camus desviou os olhos de Milo e abaixou a cabeça, ficando em silencio. Constrangido por Milo saber deste “detalhe”.
— Você nunca pensou em sair, em largar? – Perguntou Milo procurando os olhos de Camus novamente.
— Sim, várias vezes, muitas vezes mesmo, mas como eu te falei no hospital, é muito difícil sair dessa vida, é difícil ter uma “vida normal” depois dos filmes, sempre vai ter alguém que viu, ou algo assim e depois tenho muitos gastos com meus irmãos, além de escola, roupas, comida tem o Isaak, a saúde dele é frágil, sempre que eu penso em parar ou até mesmo diminuir o ritmo, ele tem uma recaída, agora mesmo não fosse você ter me ajudado... eu nem sei como faria para pagar o hospital e os medicamentos. Eu não tenho como sair Milo. – Declarou Camus deitando na cama de costas para Milo, que o abraçou digerindo tudo que foi dito.
E assim ficaram em silencio cada um com o seu pensamento, viver essa história, viver esse amor não seria fácil, não seria nada fácil.
Mas quem disse que a vida é fácil?
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