Na Real
10 Capítulo 10 - O Anjo Caido
Notas iniciais
Na Real — Capítulo 10
Saga se remexeu na cama procurando Camus, quando não o encontrou abriu os olhos despertando do sono.
— Camus? — Chamou baixo, não obtendo resposta, então levantou colocando sua boxer saindo do quarto para procurar Camus.
O encontrou dormindo no sofá, Saga vendo isso, sentou na mesa de centro próximo ao sofá e ficou contemplando o ruivo que dormia profundamente.
Camus era especial, não havia dúvidas, soube disso assim que viu o garoto pela primeira vez.
Foi quando Saga se recordou de seu primeiro encontro com Camus.
Cinco anos atrás...
Saga estava aguardando o pagamento de um serviço de primeira que realizara a pedido do dono da imobiliária Sócrates, uma imobiliária pequena, mas que dava muito lucro visto que seu dono não era tão exigente as normas legais.
O velho havia contratado cinco Stripes para sua festa de aniversário, Saga havia organizado tudo e agora estava ali para receber por seus préstimos quando distraído começou a ouvir a conversa de um garoto com a funcionária da imobiliária.
— Eu preciso de um apartamento, pode ser uma quitinete qualquer coisa. — Um jovem rapaz pedia com certa urgência.
— Garoto eu até tenho isso que me pede, mas sem um adulto eu não vou poder fazer nada por você. — Explicava a moça já sem paciência.
— Mas o meu pai pediu para eu ir acertando tudo, eu tenho o dinheiro, só preciso do lugar. — O garoto tornava a pedir.
— Mande seu pai vir, sem ele nada feito. — Cortou a moça mais uma vez.
Passando as mãos pelos cabelos vermelhos e controlando a respiração para poder se acalmar o garoto soltou o ar dos seus pulmões, olhou para a moça a sua frente com a expressão fechada e saiu.
— Cada uma que me aparece, onde já se viu querer alugar um apartamento sem um adulto responsável, só se eu fosse louca. — Reclamou a moça, mas Saga não deu atenção, pegou seu casaco e saiu atrás o rapaz.
Saga seguiu o garoto pelas ruas de Atenas e viu quando este entrou em um hotel, sem se deixar notar que estava o seguindo Saga entrou na recepção do hotel e presenciou a conversa entre o garoto e a recepcionista.
— Então, garoto onde está seu pai?
— Ele disse que chega entre amanhã ou depois. — O garoto respondeu.
— Não faça eu me arrepender de ter deixado vocês ficarem. — A moça pediu.
— Senhora, meu pai depositou o dinheiro das diárias antecipadamente, não foi? Qual o problema? — O rapaz perguntou se fazendo de desentendido.
— O problema é que ele não está aqui, só apareceram três crianças. — A moça devolveu ríspida.
— A senhora acha que eu viria para cá com meus irmãos sem a supervisão de um adulto responsável? Que imaginação! — Camus tornou indo em direção ao quarto onde estavam seus irmãos deixando a moça reclamando sozinha.
Saga se aproximou da moça que resmungava alguma coisa quando notou sua presença. — Bom dia, em que posso ajudá-lo?
O moreno puxou alguns euros do bolso e pediu. — Mocinha quero saber tudo sobre aquele garoto.
....
Camus saiu do hotel na parte da tarde, Saga o observava em seu carro fumando um cigarro, o garoto parecia preocupado, estava com um jornal nas mãos, o moreno o viu entrando em outra imobiliária.
Saga era paciente sabia esperar o momento certo antes de dar o bote em suas presas.
Quando viu o garoto saindo meia hora depois, com a mesma expressão preocupada que fez pela manhã, Saga deduziu que novamente não havia conseguido o que queria.
Buzinou chamando a atenção de Camus, quando este o olhou Saga o fez sinal com as mãos para que o rapaz se aproximasse.
— Olá, boa tarde, estou sabendo que está procurando um lugar pra morar, talvez eu possa te ajudar.
Camus o olhou desconfiado. — Como sabe disso?
— O pessoal da imobiliária me ligou, eles não podem fazer negócios com menores de idade, sabe como funcionam as coisas, não é?
Camus ficou parado olhando para o desconhecido até que Saga falou fingindo impaciência. — Então garoto, vai querer ou não?
Sem muitas alternativas Camus concordou.
— Vamos entre. — Saga falou abrindo a porta do carro do lado do carona.
....
— Então, o lugar é este, não é grande coisa, mas acho que pra sua situação é ótimo. — Saga comentou, ainda estavam na sala do pequeno apartamento.
— Não, ele é ótimo, quero ficar com ele. — Camus se apressou em dizer.
— E como pretende pagar?
— Eu tenho dinheiro, posso pagar alguns meses adiantado se o senhor quiser.
— Primeiro, senhor está no céu, não sou tão velho assim, sou? — Saga sorriu e Camus sorriu também, sem graça, pois tinha a sensação de que aquele homem estava flertando com ele. — Em segundo lugar como pretende pagar depois? Você ainda não trabalha, não é?
— Não, mas ...
— Mas, eu estou me arriscando em alugar um apartamento para um garoto menor de idade e nós dois sabemos que seu pai não virá, não é mesmo? — Saga deu a cartada final para descobrir se o garoto realmente estava sozinho no mundo.
— Eu vou dar um jeito. — Camus apressou em dizer.
Saga sorriu internamente, o garoto realmente não tinha pai. — Que jeito?
— Não sei, eu vou arrumar um trabalho ou alguma forma de ganhar dinheiro.
Os olhos de Saga brilharam e como um felino preste a dar o bote na vítima continuou. — Eu posso te ajudar a conseguir um trabalho que te faça ganhar muito bem.
....
— Mas eu não posso fazer isso, é errado! — Camus dizia chocado com a proposta feita por Saga.
— O que é errado? Quem disse que é errado? — Saga falava como se tivesse proposto ao rapaz que fosse trabalhar de entregador de jornal e não com o mundo erótico.
— Todo mundo!
— Camus, o mundo é feito de pessoas hipócritas, os mais moralistas são os que pagam mais por este tipo de trabalho. — Dizia Saga defendendo sua proposta. — Garoto, existem trabalhos que ninguém quer fazer, mas ele tem que ser feito!
Camus o olhava desconfiado.
— Ninguém sonha em ser faxineiro de hospital e ficar limpando vômitos e todo tipo de nojeira o dia todo, mas alguém tem que fazer. Ninguém sonha em ser coveiro e ficar trabalhando com mortos, ninguém sonha com nada disso, mas a coisa tem que ser feita! O nosso trabalho também é assim, com a única diferença é que ganhamos muito mais que qualquer um desses outros trabalhos.
— Você quer que eu faça um filme erótico?
— Não, quero transformar você em uma estrela! — Respondeu Saga.
— Desculpe, mas não posso fazer isso. — Camus respondeu tenso e amedrontado.
— Então não poderei te alugar o apartamento, sabe como é, não sem uma certeza de que você vai conseguir pagar os aluguéis. Mas, fique com meu cartão, se mudar de ideia me ligue. -Camus pegou o cartão e o colocou no bolso logo em seguida saiu correndo do apartamento.
Saga sorriu imaginando que seria apenas uma questão de tempo.
....
O moreno estava em seu escritório na mansão quando recebeu a ligação de Camus, deu o endereço ao rapaz e ficou esperando.
Ouviu quando a campainha tocou e fez questão que um de seus secretários abrissem a porta e acompanhassem Camus até sua sala.
O garoto estava mais assustado do que quando estavam no pequeno apartamento, ver a ostentação da mansão de Saga o intimidou ainda mais.
— Olá Camus, muito bom ter você em minha casa, o que te traz por aqui? — Saga o cumprimentou com um beijo no rosto, prática comum entre os homens na Grécia.
— Eu faço. — O rapaz respondeu tímido, com a voz quase sumindo.
Os olhos de Saga brilharam, mas ele manteve a calma e o olhar de predador. — Posso saber o que te fez mudar de ideia?
— Meu irmão, ele está doente e o tratamento vai ser caro, preciso de dinheiro e preciso de um lugar para morar, vão nos expulsar do hotel a qualquer momento. — Camus respondeu com a voz trêmula.
Saga guardou aquela informação, então os irmãos eram o ponto fraco de Camus. — Você está nervoso, vamos beba um pouco disso. — Saga então pegou um copo e colocou uma dose de Whisky e deu para Camus.
— Desculpe, mas eu não bebo, nunca bebi nada com álcool. — Camus tentou recusar, mas Saga o impediu.
— Camus, muita coisa que você não fazia antes agora ficou pra trás, vamos, beba tudo em um único gole, vai te ajudar a relaxar. — Orientou o aliciador.
O jovem estava tremendo de nervoso, olhou para Saga e voltou os olhos para o copo em sua mão, respirou fundo e bebeu todo o conteúdo como o mais velho havia orientado, quando terminou começou a tossir e colocou as mãos em sua garganta, Saga sorriu. — É forte, eu sei, mas vai te ajudar a relaxar, confie em mim.
Saga encheu outro copo deixando próximo a Camus e foi até onde estava o tripé com sua câmera, ajustou o ângulo, o foco e avisou ao rapaz. — Garoto, vou ligar a câmera e nós vamos conversar, vou fazer algumas perguntas e você vai me respondendo, assim vamos quebrar um pouco este gelo antes de qualquer outra coisa, ok? Você fica ali, sentado no sofá.
Camus concordou com a cabeça, estava um pouco tonto por causa da bebida, mas ainda assim consciente de tudo, se sentou sentindo sua cabeça girar um pouco.
Saga ligou sua câmera focando em Camus que estava olhando timidamente para ele. — Muito bem, me fale seu nome.
— Camus, Camus du Versau. — O jovem respondeu com um tom baixo, e Saga não poderia negar que o jeito tímido do garoto o excitava ainda mais.
— Quantos anos você tem Camus?
— Quinze. — Camus respondeu inocentemente.
—Opa! Vou ter que cortar essa parte, meu anjo! Sempre que alguém perguntar sua idade de hoje em diante você vai responder dezenove, ok? — O ruivo concordou com a cabeça e Saga perguntou novamente. — Quantos anos você tem?
Camus olhou para a câmera e respondeu ainda tímido. — Dezenove.
Saga Sorriu.
O jovem pegou o copo e tomou outro generoso gole, realmente aquela bebida parecia anestesiar seu nervosismo.
— Você gosta de meninas ou de meninos, Camus? — Saga perguntou já sabendo a resposta, pois seu instinto nunca havia falhado.
O rosto do jovem Camus ficou tão vermelho quanto seus cabelos e ele olhou para baixo sem nada dizer, Saga então se aproximou e falou com a voz mansa. — Não tenha medo de dizer a verdade, lembra do que eu falei? Que muita coisa havia ficado pra trás? — O ruivo concordou e voltou a olhar para seus pés. — Então, esse medo da verdade também ficou pra trás, sei que você gosta de meninos e não há mal nenhum isso. — Acrescentou ao ver que Camus iria negar. — Também prefiro os garotos.
Camus o olhou surpreso.
— Sim, meu querido, eu prefiro os garotos, e muitos dos moralistas, que você ainda vai conhecer, também. — Saga continuou acariciando o rosto do jovem. — Você já beijou algum menino ou menina.
Novamente Camus corou e abaixou a cabeça.
“Pelos Deuses, ele é virgem e nem ao menos beijou na vida!” — Saga pensou ainda mais excitado e maravilhado com o seu precioso achado, um garoto sem família, com dois irmãos menores para cuidar e que ainda tinha toda aquela inocência que exalava de seus poros.
Saga tocou no queixo de Camus o fazendo olhar em seus olhos. — Eu vou fazer de você um homem rico, eu vou te ensinar tudo sobre a arte de seduzir, a arte de amar, Camus, você vai ter todos os homens aos seus pés, se me deixar cuidar de você.
Camus olhava nos olhos de Saga completamente hipnotizado como uma presa preste a ser atacado pela serpente.
Saga continuou a acariciar o rosto de Camus, gentilmente, e seus olhos foram desviados para a boca do garoto e lentamente encostou sua boca a dele, sua língua pediu passagem. O beijo começou lento e Saga trouxe Camus para seus braços aprofundando o beijo.
O aliciador podia sentir o coração do ruivo que batia acelerado, sabia que o garoto estava tenso e faria de tudo para deixá-lo à vontade.
Camus era um achado, e era primordial para os planos de Saga que o ruivo tivesse uma boa experiencia com sexo, uma experiencia de prazer, afinal para saber dar prazer a alguém a pessoa tem que aprender a receber prazer.
Saga sabia que poderia ganhar muito dinheiro se leiloasse a virgindade de Camus, mas com certeza ganharia muito mais transformando aquele tesouro em um profissional do sexo.
Camus se sentia um tanto ébrio, talvez por isso suas reações estavam mais lentas e não estava com tanta vergonha de Saga, o homem que acabara de beijar.
Quando Saga findou o beijo viu os olhos surpresos de Camus o interrogando. O mais velho apenas sorriu e voltou para trás das câmeras. — Tome mais um gole Camus, quero você bem solto, e vejo que ainda está tenso.
— Já estou ficando tonto. — Avisou Camus.
"Essa é a intenção tolinho" — Penou Saga sorrindo maldosamente.
O moreno se afastou ficando novamente atrás das câmeras e pediu. — Camus, deixe eu ver você, tire sua camisa.
O jovem rapaz corou novamente o efeito do álcool o estava deixando com os sentidos embaralhados. — Eu sou muito magro, meu corpo é feio.
— Eu aposto com você que não é, vamos tire a camisa pra eu te ver. — Saga pediu novamente e dessa vez Camus obedeceu.
Saga analisou a imagem do ruivo pelo vídeo, o rapaz simplesmente era perfeito, seu corpo delgado seria um chamariz de clientes, o moreno não conseguia acreditar na sorte que teve em encontrar esse tesouro.
— Você já se tocou Camus? — Saga perguntou em tom brando.
Camus ficou novamente envergonhado, como se tivesse sido flagrado por ter feito algo errado.
— Já te disse que você não precisa se envergonhar, o tempo disso ficou pra trás.
Saga percebeu o desconforto latente do jovem, então decidiu dar a cartada final, se o garoto precisava de dinheiro, ele teria o seu dinheiro.
— Camus, olhe para mim. — O jovem obedeceu e o encarou com seus olhos multicoloridos. — Aqui está... mil euros, você vai receber hoje, lembre-se que hoje você ainda está em treinamento, ou seja, logo estará ganhando muito mais, e como eu gostei de você, se fizer tudo certo em alguns dias vai levar a chave daquele apartamento que visitamos, acho que é um bom negócio, não é?
Camus viu Saga pegar o dinheiro e colocar em cima de uma mesa.
"O dinheiro e o apartamento" — Pensou o ruivo, sabia que não tinha escolha, era isso ou ver sua família separada, ver seu irmão morrer em alguma instituição, isso se os bandidos que mataram seu pai não os encontrassem antes.
Não podia mudar de ideia, não naquele momento, não mais.
Pegou o copo com a bebida e virou na boca novamente cambaleando ao terminar.
Saga sorriu e alertou. — Cuidado, não queremos que passe mal, ok?
Camus nada respondeu, apenas encarou o rosto de Saga enquanto abria o zíper de sua calça jeans.
Instantes depois a peça jazia no chão da sala.
Camus usava uma cueca simples de algodão azul, para Saga o ruivo não poderia estar mais perfeito, ornava completamente com a imagem de menor carente que o ruivo exalava.
Estava quase na hora do bote final, a ereção de Saga já estava o incomodando sob a calça apertada, o mais velho pôde notar o volume que teimava em aparecer sob a roupa íntima de Camus.
— Se toca pra mim, Camus. — Saga pediu rouco, mas o ruivo negou.
— Não, eu tenho vergonha.
Saga com toda a paciência do mundo foi até o ruivo acariciou seu belo rosto e rente ao seu pescoço falou. — Vou te ajudar a fazer.
Saga ajoelhou em frente a Camus e lentamente puxou a peça que faltava para deixar o ruivo nu.
Camus fechou os olhos envergonhado, mas, para Saga esse gesto só tornava a coisa mais sexy. — Você é perfeito, Camus.
O ruivo então abriu os olhos e Saga segurou em sua mão levando Camus a segurar seu próprio membro.
— Se toque assim pra eu ver, venha... sente aqui. — Acomodando o rapaz no sofá, Saga o incentivou a continuar se tocando sozinho.
Camus, então fechou os olhos novamente e continuou com o toque, seu corpo estava quente, não sabia se pela bebida ou pela situação tão diferente.
— Seu pau é lindo, Camus... lindo. — Saga falou novamente observando por de trás da câmera.
A voz de Saga tirou Camus o transe inicial e o levou a encarar Saga enquanto se tocava, para o moreno aquele foi o limite da sua sanidade.
Encarando o ruivo de volta Saga começou a despir-se, Camus parou de se tocar ao perceber que o outro estava ficando nu também, temeu pelo que iria acontecer naquele momento.
— Não tenha medo Camus, eu vou transformar você em um mestre na arte de amar.
Saga então se aproximou e beijou novamente o ruivo que sabia que a partir daquele momento sua vida iria mudar para sempre.
*-*-*-* dias atuais *-*-*-*
Saga contemplava o ruivo que ainda dormia sorrindo, com certeza havia cumprido o prometido, Camus hoje era um dos melhores profissionais do sexo que a Grécia já vira, e juntos já haviam ganhado muito dinheiro.
Camus despertou assustando se, havia sentido que estava sendo observado. — Saga! Que susto!
— Você me deixou sozinho no seu quarto, minha presença te incomoda tanto assim? — Saga perguntou se fazendo de vítima como gostava de fazer, o fato dele ter agredido Camus apenas alguns dias atrás não era em nada relevante pra ele.
— Desculpe, vim ver se meus irmãos estavam bem e acabei adormecendo aqui.
— Eu te desculpo se você voltar comigo para aquele quarto e me fazer cair exausto de tanto gozar. — Saga respondeu já atacando a boca do ruivo. Aquelas lembranças fizeram sua libido despertar novamente.
.....
Na manhã seguinte Camus chacoalhou Saga logo cedo.
— Saga, Saga você precisa ir embora, já é dia e eu preciso dar o café para meus irmãos e levá-los para a escola. — O jovem michê pediu. — Não quero que eles o vejam aqui.
— Camus, eles já são bem crescidos para entenderem algumas coisas. — Resmungou Saga se levantando.
A única coisa que Camus pediu durante todos esses anos é que seus irmãos fossem poupados do tipo de vida que levava, e Saga respeitava isso. Ele só quebrava essa regra quando queria punir Camus de algum malfeito, mas, ainda assim nunca tinha feito questão de ser visto pelos garotos de manhã, sabia que teria problemas com Camus se fizesse isso.
Saga vestiu suas roupas, Camus já estava vestido quando os dois saíram do quarto, o ruivo estava apreensivo, em breve Zaíra chegaria e ele não queria que ninguém testemunhasse que o moreno havia passado a noite ali.
— Você tem cliente hoje, vou repassar para outra pessoa aqueles da lista que te entreguei ontem, mas ainda assim vai ter que atender o Sr. Wilkins hoje. — Saga avisou ainda na sala.
— Ah, não Saga, esse velho é tão escroto. — Resmungou Camus cruzando os braços.
— Camus, Camus... ele é um dos meus melhores clientes e paga uma fortuna por você, e não me olhe assim ou eu vou desistir de ir embora e vou voltar praquele quarto. — Saga comentou sem dar importância a reclamação de Camus, coincidentemente o Sr. Wilkins foi o responsável pela primeira agressão de Saga contra Camus.
Camus nada falou apenas concordou com a cabeça um tanto contrafeito, quando o ruivo abriu a porta deu de cara com Zaíra, que estava chegando.
A velha senhora sorriu para Camus, mas seu sorriso morreu nos lábios ao ver Saga ali com o ruivo.
O moreno fez questão de lançar seu olhar intimidador para a senhora, Camus não percebeu a hostilidade de Saga com a babá uma vez que estava visivelmente constrangido em ter sido pego em flagrante.
— Olá Camus, bom dia. — A senhora cumprimentou fingindo não perceber nada.
— Bom dia, Zaíra. — Camus a cumprimentou sem graça.
Saga passou pela mulher sem nada dizer do corredor virou para Camus dizendo. — Eu mando uma mensagem com as instruções.
O ruivo assentiu e foi surpreendido com o beijo de Saga, Camus o empurrou por reflexo fazendo Saga sorrir. — Aguarde minha mensagem.
Mais uma vez Saga olhou para Zaíra por de trás de Camus e saiu.
Camus envergonhado entrou em seu apartamento fechando a porta atrás de si, Zaíra o olhou bondosamente percebendo que o rapaz quase não havia dormido naquela noite e procurou não pensar muito no porquê. — Camus, meu querido vá descansar.
O ruivo a encarou ainda constrangido.
— Não, os meninos... tenho que vê-los. — Camus falou indo até o quarto dos irmãos e abrindo a porta, Hyoga ainda dormia profundamente, mas Isaak estava acordado, seus olhos encontraram com os do irmão mais velho.
— Você tá bem Isaak? Tá acordado, tá sentindo alguma coisa? — Camus perguntou preocupado ao entrar no quarto.
— Não, mano, eu tô bem, só não dormi direito essa noite. — Isaak falou olhando nos olhos do irmão que entendeu o que o irmão estava dizendo, Isaak havia escutado tudo que se passara naquela noite. — Aliás, Hyoga também custou a dormir.
Se Isaak tivesse esbofeteado Camus, com certeza o choque do ruivo seria menor.
Sabia que seu irmão pré adolescente estava dizendo que escutou, com certeza escutou os gemidos de Saga, que não estava fazendo o menor esforço para ser discreto.
— Está na hora de tomar banho para ir para a escola. — Camus falou como se o irmão não tivesse dito nada, então, o ruivo foi até o irmão menor o acordando, com carícias nos cabelos. — Hyoga, vamos... acorde, hoje é dia de escola.
— Não, mano... deixa eu dormir só mais um pouquinho. — O menino resmungou sonolento sem abrir os olhos.
— Vamos, Hyoga, acorde! — Insistiu o mais velho usando um tom sério.
Hyoga abriu os belos olhos azuis e encarou Camus, como se ainda tivesse tomando ciência de onde estava.
— Mano! — O menino pulou para um abraço apertado, — Eu sonhei que ele estava te machucando.
Camus, que no primeiro momento ficou sem ação, abraçou o irmão o percebendo tenso. — Ninguém fez nada comigo.
— Camus, quem é aquele homem? — Isaak perguntou direto. — Sabemos que vocês são amigos, mas...
— Ele é seu namorado? — Hyoga perguntou direto olhando para o irmão.
Cama não poderia estar mais constrangido. — Não! Não é. — Apressou em negar.
— Então, quem é ele? — Quis saber Isaak.
— Alguém que vocês devem manter distância sempre, agora vão se arrumar! — Camus respondeu encerrando o assunto.
— Vamos, vamos, vamos seus preguiçosos! — Ouviram a voz de Zaíra que entrou no quarto, Camus saiu agradecendo mentalmente a babá, e a deixando cuidar dos irmãos.
O ruivo foi para o banho, precisava tirar o cheiro de Saga, depois colocou um moletom e foi tomar café, fingiu não perceber os olhares que seus irmãos trocavam e mantinha sua expressão séria para que não houvesse novas contestações.
Depois do café Camus os deixou na escola e voltou pra casa, Zaíra já havia ido embora, só voltaria na parte da tarde quando os meninos voltassem da escola.
O jovem seguiu para o seu quarto, estava exausto, precisava descansar antes de ir atender ao Sr. Wilkins, Camus recordou da primeira vez que atendeu ao homem, era tão jovem e apesar de Saga já tê-lo iniciado, ainda era demasiadamente inexperiente, um filme começou a passar em sua cabeça.
Cinco anos atrás...
Faziam duas semanas que Camus estava se relacionando com Saga, após a primeira experiência sexual que teve com o moreno, Saga o levou para transar com Kanon, segundo o aliciador, aquilo era apenas para que Camus treinasse na arte do sexo.
Kanon não era nem de longe gentil e carinhoso como Saga, Camus havia sentido pela primeira vez na vida como era ser tratado como um objeto, Kanon o machucou fisicamente e emocionalmente, Saga assistiu tudo e ainda filmou dizendo que aquilo era mais um teste e ele precisava ver os melhores ângulos de Camus.
...
Isaak havia começado o tratamento com Dr. Aioros, que não cobrava as consultas como havia prometido, mas cobrava por todo medicamento que Isaak utilizava tanto no hospital, quanto os que dele deveria tomar em casa.
Saga cumpriu o que prometeu, deixou Camus morar no pequeno apartamento com seus irmãos, em troca Camus faria programas e vídeos eróticos. Mas antes de lançarem os vídeos Saga, que não era bobo, teve a ideia de leiloar Camus, como um garoto virgem.
— Você está ficando cada vez melhor Camus, está aprendendo direito como tem que fazer, você foi um achado. — Saga dizia deitado ao lado de Camus, eles haviam acabado de fazer sexo, o que Saga chamava de treinamento.
Camus corou, ainda não havia conseguido receber elogios sobre sua performance sexual sem se envergonhar.
O leilão estava marcado para o final da semana e Saga não teria mais relações com Camus até a data, justamente para que o ruivo não tivesses marcas nem vestígios de sexo, uma vez que o que estava a venda era sua virgindade.
— Preste atenção, na hora que você for trepar com o comprador, haja como se nunca tivesse feito isso na vida, ok? — Saga aconselhou olhando para o garoto.
Camus concordou com a cabeça, completamente assustado com o que estava por vir. — Eu tô com medo. — Acabou por revelar.
— Não precisa ter medo Camus, ninguém vai fazer mal a você, lembre-se: Você é meu protegido. — Disse Saga beijando a boca de Camus novamente.
O jovem estava muito confuso sobre que tipo de relação era essa que tinha com Saga, quando eles transaram a primeira vez, apesar da apreensão, Camus poderia dizer que foi bom e que Saga havia sido maravilhoso consigo.
Camus começou até a nutrir sentimentos para com o mais velho, mas, no dia seguinte tudo se transformou, Saga apresentou Kanon, disse que ele deveria transar com Kanon para treinar, para aprender, e assim Camus o fez. Mas o ruivo se lembra de ter chegado ao hotel completamente destruído, tanto que passou a noite toda chorando, se sentia humilhado como jamais havia se sentido até então.
Na manhã seguindo Isaak e Hyoga o abraçaram e ficaram os três irmãos assim abraçados por um bom tempo.
— Isaak, Hyoga... eu vou precisar sair e muito provavelmente vou passar a noite fora, eu preciso que vocês se comportem, que fiquem aqui. Nosso apartamento vai depender dessa noite. — Camus explicou para os irmãos que prestavam atenção atentos as palavras do irmão mais velho.
— A gente vai ficar quieto, prometo! — Isaak foi quem respondeu.
— Se eu não voltar quero que liguem para o Dr. Aioros e peçam ajuda. — Pediu Camus, o médico não parecia disposto a se envolver com eles, mas em caso extremo não teriam outra pessoa a quem procurar.
Camus despediu-se dos irmãos, mandou Isaak trancar a porta, e seguiu para o seu calvário.
....
O leilão foi realizado na Santuary, Camus ficou com os olhos vendados, trajando apenas um short que delineava seu corpo, Camus ficava deitado, ou por vezes de quatro sempre seguindo a ordem de Saga.
Um dos velhos presentes arrematou o direito de ser “o primeiro” na vida de Camus.
Seguiram para um dos quartos disponíveis no local.
Lá o homem não chegava aos pés de Saga no sentido dar prazer, mas também não foi escroto como Kanon, o velhote tratou Camus como um mero objeto, não chegou a machucá-lo, mas o descartou após lambuzar o ruivo com sua sujeira.
....
— Camus, como se sente? — Perguntou Saga entrando no quarto logo após o velho sair. — Hoje você foi oficialmente inaugurado, agora chegou a parte que começaremos a ganhar dinheiro. — O mais velho falava com Camus que havia acabado de sair do banho.
Camus nada respondeu ficou olhado para o chefe que observando a expressão tão indecifrável no rosto do ruivo continuou. — Você se muda amanhã, e amanhã também sairemos para comprar os móveis.
Com aquela informação Camus finalmente esboçou um sorriso.
....
Já havia se passado cinco meses desde que Camus começou a trabalhar como garoto de programa, aprendeu muito neste tempo, Saga além de um excelente amante era um ótimo professor.
Camus já podia se considerar quase um profissional, o ruivo havia feito dois filmes, além dos programas, mas naquele momento tinha preferência pelos filmes, uma vez que com os programas eram quase sempre surpresas desagradáveis, homens que pagavam muito caro para poder ficar com um garoto menor de idade.
Camus temia por seus irmãos, o mundo era um lugar muito feio e ele faria o possível para poupar os irmãos desse mundo assustador nem que pra isso ele, Camus, tivesse que de sacrificar no lugar deles.
O amor e dedicação que o jovem Camus nutria pelos irmãos não era recente, quando Isaak nasceu o mundo de Camus ganhou mais cor, ele ajudava sua mãe a cuidar do irmão caçula. Quando a doença de Isaak foi detectada todos na casa sofreram muito e o ruivo prometeu a si que sempre estaria ali para o irmão.
Quando sua mãe engravidou de Hyoga todos ficaram tensos com medo do caçula nascer com o mesmo problema do irmão, seu pai chegou a sugerir que a gestação fosse interrompida, mas sua mãe jamais aceitou tal ideia.
Natassia morreu no parto deixando o filho doente e o pequeno recém-nascido aos cuidados de Camus, uma vez que seu pai ficou completamente devastado com a perda da esposa.
Quando Crystal conseguiu sair da depressão continuou seus estudos e pesquisas para a doença autoimune de Isaak e Camus continuou a cuidar dos irmãos.
....
— Vai, Camus mexe... assim, vamos.. hungg! Caralho! — Urrou Saga ao explodir em um forte orgasmo, os dois estavam na casa de Saga, local que Camus passou a frequentar quase que diariamente e Saga sempre que tinha a oportunidade transava com seu garoto favorito.
"Quando será que eu vou enjoar de você garoto?" — Saga se perguntava quando seu corpo mantinha o torpor pós-orgasmo. Nunca havia ficado tanto tempo com um parceiro fixo, um dos seus garotos, se tinha o ruivo disponível, por que trepar com outro?
Camus havia chegado ao orgasmo pouco antes de Saga, o mais velho sempre fazia questão de ver o seu ruivo se derramar sob seus toques, primeiro que para a profissão de Camus era primordial que ele gostasse de sexo, e Saga sabia fazê-lo chegar ao orgasmo como nenhum outro, e segundo, porque Saga adorava ouvir o tão contido Camus, ou Aquário, como o chamava desde o dia do Leilão, perdendo a compostura ao chegar lá.
Camus gozando parecia uma pintura dos Deuses e Saga adorava observar essa pintura.
Estavam juntos na cama quando Saga começou a falar. — Amanhã tenho um cliente bom pra você, ele tem certos fetiches e você vai cair como uma luva para as fantasias dele.
Camus não sabia o que sentir, não era a primeira vez que Saga falava de programas logo após terem acabado de transar. Nos primeiros dias de Camus, quando Saga o ainda estava “treinando” o jovem por um momento acho que estava gostando do aliciador, mas quando percebeu que Saga não hesitaria em vender seu corpo, suas emoções foram ficando cada vez mais confusas até ele preferiu guardar os sentimentos em um lugar em seu peito.
— Tudo bem, só me diz o que eu devo fazer. — O jovem respondeu timidamente e um tanto inseguro.
Saga sorriu pra ele e começou a explicar.
...
— O Sr. Wilkins me ligou reclamando de você, Camus. — Saga falou assim que Camus entrou em seu escritório na manhã do dia seguinte de seu encontro com o velho tarado.
O jovem olhou apreensivo para seu chefe e revelou. — Aquele homem é um nojento, ele queria ficar passando o... o negócio dele no meu rosto e ficava falando coisas esquisitas, eu não gostei dele.
— Aquele homem pagou, e pagou caro pra ter você lá, Camus! E se ele está pagando, ele pode fazer o que quiser. — Saga falou ainda em tom brando.
— Eu não quero! — Camus desafiou. — Não quero ter que ficar com um nojento como aquele.
Os olhos de Saga chisparam de irritação.
— Você acha que é brincadeira o que fazemos aqui? — Saga perguntou sério já mudando o tom de voz.
— Eu não quero ter que ficar com aquele homem. — Camus respondeu também sério.
Saga trancou a porta do escritório onde estavam conversando e se voltou para Camus. — Hoje você vai ter mais uma aula, a aula da obediência, vai aprender que eu tenho um nome a zelar e que meus clientes sempre têm que ficar satisfeitos. — Dito isso Saga puxou o cinto das calças para espanto de Camus.
— O quê... O que você vai fazer, Saga? — O garoto perguntou dando alguns passos para trás tentando se afastar de Saga.
— Eu vou te dar uma lição, que você nunca mais vai esquecer. — Dito isso Saga alcançou Camus e deu a primeira cintada em suas costas. — Minhas ordens são leis pra você entendeu.
— Não...Pare! — Camus gritou logo na primeira cintada, mas logo vieram outras e mais outras, Camus nunca havia apanhando de seu pai na vida e agora estava ali apanhando de um quase desconhecido por não ter aceitado fazer algumas perversões de outro desconhecido.
Quando Saga finalmente parou de bater, Camus ficou encolhido no canto do escritório totalmente assustado, apesar de não querer chorar na frente do seu agressor as lágrimas teimavam em cair, sentia seu corpo todo dolorido, em algumas partes estava sangrando.
— Eu vou deixar você aqui pensando no que fez, depois volto pra gente terminar essa conversa. — Saga falou saindo e trancando a porta, deixando Camus lá dentro sozinho com seus pensamentos.
E Camus pensava, mais que qualquer outra coisa ele pensava “como eu vim parar aqui?” “Por que isso tinha que acontecer comigo?” “O que vai ser dos meus irmãos sem mim?”
Sozinho naquele lugar sua mente fervilhava e Camus chorava, ele começou a chorar por tudo, pela morte do pai, por seu destino, pelo medo de perder os irmãos.
Algumas horas haviam se passado quando Camus ouviu o barulho da fechadura e Saga entrou voltou a trancar a porta.
Quando Saga olhou na direção de Camus este se encolheu no canto com medo de um novo ataque de fúria do moreno. — Você viu o que me fez fazer com sua teimosia e desobediência? — Saga falou mansamente olhando nos olhos de Camus.
Saga se sentou em um pequeno sofá.
— Eu só tenho te ajudado desde você chegou aqui, eu consegui documentos falsos pra você, consegui que você e seus irmãos ficassem juntos, dei um apartamento para morarem, te ensinei a ganhar dinheiro! Dinheiro suficiente para que você possa pagar o tratamento do seu irmão doente, e a troco de quê? Qual o reconhecimento que eu tenho? Nenhum, não é, Camus? Você simplesmente destrata meus clientes, é rude comigo... — Saga começou teatralmente. — Talvez a gente deva parar por aqui e você vai seguir sua vida, em outro lugar.
Camus sentiu um medo grande se apossar dele, bem ou mal Saga o protegia e o que iria fazer sem o moreno? Para onde levaria seus irmãos? Como pagaria o tratamento de Isaak? Ficaria sozinho com as responsabilidades novamente? Assim, novas lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto. — Me perdoa Saga, não vou fazer mais, eu juro.
Camus se aproximou de joelhos e pegou nas mãos de Saga que estava sentado. — Me Perdoa, por favor.
Saga segurou o sorriso e continuou sua manipulação. — Não sei Camus, talvez seja melhor você ir embora com seus irmãos, olha só o que você me obrigou a fazer! Eu não gosto de ser rude com você Camus.
— Eu sei Saga, eu sei, me desculpe, por favor. — Pediu Camus novamente e Saga fez sinal para que o rapaz sentasse em seu colo, Camus prontamente obedeceu e Saga o abraçou como se consolasse o garoto ruivo.
Por mais confuso que fosse aquela situação, a realidade era Camus estava se sentindo protegido ali nos braços de Saga, seu agressor.
Saga era seu protetor, não podia negar.
*-*-*-*-*
.... Tempos atuais....
Camus estava deitado em sua cama, recordar daqueles momentos fizeram algumas lágrimas caírem, o medo que sentiu naquele dia ainda era palpável em seu coração.
Mas, depois daquela houveram tantas outras agressões que Camus já tinha até perdido a conta.
Logo seu celular vibrou, era a mensagem de Saga passando, não só o local do encontro com o Sr. Wilkins, como também o horário e a perversão da tarde, Camus respirou fundo levantou se olhando no espelho e falou sério mudando de postura. — Vamos lá, Aquário, vamos arrancar alguns euros do babaca do Sr. Wilkins.
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