Na Real

11 Capítulo 11 - Voltas e reviravoltas


Notas iniciais
Olá você tudo bem? Pois é este capitulo veio rápido, não é? Se formos contar desde a publicação de Além do Tempo ele não demorou muito. Essa historia está muito bem estruturada em minha mente e eu tento ter calam para não atropelar as coisas. Quero agradecer muito a todos que leram e deixaram algum comentário, nós que escrevemos somos movidos a isso, portanto não se acanhe em comentar. Agradeço aos que leram, mas não comentaram... Mas vamos mudar isso ae talkei? XD Agradeço a Vivi que priorizou a betagem deste capítulo fazendo com que isso atrasasse o avanço da sua própria fic. Amiga te amo! Esse capitulo vai de presente para a amiga Quézia que aniversariou esses dias. (Miga presente atrasado, mas com amor! Chega de papo boa leitura!

Na Real — Capítulo 11

— Vamos ter que ficar com ele pra revisão Camus. — Falou Fred, o Mecânico de uma oficina autorizada da Renault, marca do carro que Camus possuía, Renault 206. O jovem michê havia levado seu carro para a revisão naquela manhã, pois o mesmo estava com problema no motor.

— Mas, eu vou ficar sem carro por quanto tempo? — Camus perguntou preocupado, já que mantinha o veículo para alguma eventual emergência com seu irmão Isaak.

O mecânico pensou um pouco antes de responder. — Tenho que fazer alguns testes para ver ao certo qual o problema do motor, mas se for mesmo o que estou pensando, terei de aguardar a peça chegar.

— E essa peça vai demorar a chegar?

— Uma semana, no máximo. — Respondeu Fred de dentro do capô.

Sem muita alternativa Camus concordou e foi atender seu cliente de Uber.

Quando estava no veículo recebeu uma mensagem de Milo. — "Queria te ver hoje, Camus, vamos no encontrar à noite?"

"No seu apartamento?" — Perguntou Camus já pensando que o loiro não ficaria muito tempo naquele papel de amigo, interessado no Camus sem querer o sexo do Aquário.

"Não, eu estava pensando num barzinho no final da tarde, você pode?"

— Pelos deuses, como ele está mudado! — Camus falou alto surpreso com mudança de comportamento do outro.

— Pois não? — Perguntou o motorista do Uber pensando que Camus falava com ele.

— Desculpe, falei sozinho. — Respondeu Camus antes de confirmar o encontro com Milo, Saga dizia que ele deveria manter Milo feliz e seduzir o loiro, mas Camus não queria, o plano do ruivo era fazer com que o loiro perdesse completamente o interesse nele.

"Ok, nos vemos à noite, me passe o endereço que te encontro lá."

*-*-*-*

Milo sorriu vitorioso quando viu a resposta de Camus na tela do celular.

O loiro ainda não tinha bem formulado como faria isso, mas queria sua vingança e ele a teria, Milo sempre teve tudo que quis e se vingar de Camus não seria diferente.

Milo saiu dos seus devaneios quando seu pai entrou furioso em sua sala.

— Você pode me explicar que porra é essa? — Klaus Kapino perguntou sacudindo alguns papéis em sua frente.

— Bom dia pra você também, pai. — Respondeu Milo tentando manter a calma enquanto pegava os papéis nas mãos do pai para verificar do que se tratava.

— Não me venha com suas gracinhas, moleque! — Respondeu o pai ainda furioso, e Milo não era conhecido por manter sua calma por muito tempo.

— Epa! Moleque não! Eu sou o Vice-Presidente dessa empresa. — Respondeu.

— Claro que é, só porque é meu filho e eu não queria estranhos neste seu lugar! — Rebateu o pai sem paciência e com o objetivo de humilhar o filho.

— O caralho! Eu sou Vice-Presidente dessa empresa porque tenho qualificação pra tal, estudei muito para estar aqui, e ser seu filho não tem nada a ver com isso! — Respondeu Milo já nervoso.

— Oh! Então me responda Senhor Qualificação, que merda é essa com os valores deste relatório? — Voltou a perguntar Klaus Kapino.

Milo então começou a ler o relatório e entendeu a raiva do pai, apesar de achar sinceramente que o outro estava exagerando.

— Klaus, — Milo chamou o pai pelo nome para tentar manter o profissionalismo — o gasto com a fabricação deste medicamento é de cem euros, não há razão para continuarmos o vendendo por cinco mil euros.

— Você está dizendo que reduziu o valor de venda para quinhentos euros de propósito?

— É um medicamento essencial para quem tem esclerose, ajuda as pessoas a terem uma vida quase normal, se podemos vender ele mais em conta, por que deixá-lo tão inacessível?

— Por quê? Para termos lucros, seu cabeça de vento! — Cuspiu Klaus ainda muito irritado batendo na mesa de Milo

— Estamos lucrando quatro vezes mais que o custo do medicamento! — Respondeu Milo também batendo na mesa.

— Não estamos aqui para fazer caridade! Conserte essa merda, volte ao valor antigo ou vá trabalhar em alguma ONG hippie filantrópica! — O pai começou. — Eu já aceito muito coisa de você, Milo, só os deuses sabem o sacrifício que faço todo dia para fazer vistas grossas para os seus gostos estranhos! Não vou admitir prejuízos na minha empresa, conserte isso já! — Cuspiu Klaus Kapino saindo da sala e deixando um furioso Milo para trás.



*-*-*-*

Máscara da Morte estava em sua casa que também funcionava como seu escritório.

O detetive analisava alguns papéis e algumas anotações, quando sentiu seu celular vibrando pegou o aparelho viu quem era no identificador e atendeu. — Oi.

"Como andam as coisas?"

— Acho que estamos avançando, Shura disse que descobriu algumas coisas na França.

"Você contou a ele sobre nós?"

— Não, claro que não, apesar de achar que Shura é de confiança, não abri nada pra ele.

"Então o que ele tem a ver com isso?"

— Como eu havia dito antes, estamos indo por outra vertente, como quando prenderam Al Capone por causa do imposto de renda e não pelos seus crimes com a máfia, acho que poderemos pegar o Saga da mesma forma. — Explicou Máscara.

"Quer prender o Saga por causa do imposto de renda?"

Girando os olhos Carlo respondeu impaciente. — Ma é claro que não! Disse que estou procurando outros lados, algo que possa incriminá-lo.

"Ah sim, lembrei da história do garoto do Saga"

— Sim, ele mesmo acho que vamos conseguir alguma coisa por aí.

"Seria interessante que você tentasse sondar a Santuary, muito dos podres do Saga vem de lá."

— Você sabe que eu frequento o lugar, mas ali ninguém fala uma coisa sequer sobre o Saga, mas vou continuar tentando. — O detetive concordou.

"Certo, estou com outra equipe em campo, mas não posso juntá-los por enquanto, para o sucesso da investigação e para a segurança de todos vocês".

— Acho isso uma burrice, toda a equipe deveria trabalhar junta, assim poderíamos trocar informações e chegar mais rápido ao ponto. — Reclamou Carlo.

"Tenha calma, em breve unirei todos, mas por enquanto é melhor assim".

— Ok, chefe! Você quem manda. — Assim que Carlo, vulgo Máscara da Morte desligou o celular, pegou seu maço de cigarros que estava em cima da mesa, acendeu um e foi para a janela do apartamento enquanto tragava.

— Saga, Saga... todo mundo comete erros, inclusive você. — Soltando a fumaça dos pulmões concluiu. — Nós vamos pegar você e toda a sua corja suja.

*-*-*-*

Milo estava no local que havia marcado com Camus pela manhã, chegou mais cedo, não por ansiedade, mas por estar precisando relaxar, esfriar a cabeça. Tivera um dia cheio, onde teve que engolir seu orgulho e ir de encontro a todas as ordens que havia dado anteriormente, passar uma circular para todo o grupo sinalizando o recuo em manter os preços menores, e assim ouviu comentários maldosos de alguns executivos que sempre duvidaram da capacidade de dele em ocupar o cargo que ocupa na empresa.

Se havia algo que Milo não suportava era ficar com o orgulho ferido, ter seu pai sempre duvidando de sua capacidade, sempre o inferiorizando por causa da sua sexualidade o feria muito, e ter que recuar em suas ordens perante a todos na empresa era humilhante, na visão de Milo era imperdoável.

Milo foi para o barzinho assim que saiu da empresa e o fez uma hora antes do seu horário normal, sentia-se preso e sufocado no seu local de trabalho.

Enviou uma mensagem a Camus avisando que já estava no barzinho, seria bom que o ruivo chegasse antes que ele bebesse demais.

Cinquenta minutos depois o ruivo entrou no local, Milo estava sentado nos fundos, mas com a visão da porta, então viu Camus chegando e sinalizou com o braço para que o ruivo o visse.

O preferido de Saga estava com os cabelos molhados e trajava uma roupa esporte, calça jeans com alguns rasgos estratégicos que a fazia parecer envelhecida, apesar de ser nova, e uma camisa branca da Arkona, banda folk metal, nos pés Camus usava All Star azul, trazia nas costas uma mochila preta.

Milo analisou cada detalhe da vestimenta do ruivo e comentou. — Você está parecendo um adolescente. — O herdeiro dos Kapino não poderia estar destoando mais de Camus, o loiro estava trajando terno cinza e gravata, o terno na cor graffite e a gravata azul marinho com alguns detalhes em dourado, Milo estava muito elegante, Camus não poderia negar.

— Boa noite para você também, Milo. — Camus cumprimentou sem emoção e acrescentou. — Eu não pareço um adolescente, você é que se veste como um velho, quantos anos tem? Quarenta? Cinquenta? — Provocou.

Milo o olhou com desdém antes de responder. — Trinta, mas e você? Quantos anos tem, afinal?

Camus continuou com seu olhar blasè e desconversou. — Trinta anos e se veste como um velho, por que ainda está com essa gravata? Estamos fazendo uma happy hour e você está todo sério vestido desse jeito.

— Eu vim direto do trabalho, é assim que funciona um happy hour. — Respondeu Milo.
— Não tive tempo de passar em casa para tomar banho antes de sair como você.


— Também vim direto do trabalho. — Camus comentou com a voz monocórdia, informação que Milo não gostou nada de ouvir, o loiro sentiu sua irritação aumentar.

Neste momento o garçom se aproximou para anotar o pedido de Camus, o ruivo viu que Milo tomava whisky com gelo e resolveu pedir o mesmo, quando voltou sua atenção para o loiro notou que este o observava com a cara fechada. — Que foi?

— Sua naturalidade me choca! — Confessou Milo emburrado.

— Como assim? — Quis saber o michê.

— Você fala do seu “trabalho” como se fosse algo normal. Você está de cabelo molhado, estava trepando com outro antes de vir se encontrar comigo? — Milo finalmente perguntou o que o estava incomodando.

Sem se alterar Camus respondeu. — Você sugeriu que nós nos conhecêssemos melhor e a primeira coisa que você deveria saber a meu respeito é que eu faço programas, além, é claro, dos filmes pornôs. Pensei que soubesse disso.

— Não seja ridículo! É logico que eu sei disso... dessa sua profissão, mas eu...

Milo começou a falar, mas Camus o cortou. — Você está agindo como os velhos hipócritas que pagam para sair comigo e depois aparecem na tv defendendo a família tradicional, é minha profissão, Milo. Lide com isso ou paramos essa “amizade” por aqui, ok?

Milo respirou fundo apertando os punhos e falou tentando parecer mais calmo. — Tudo bem, é que acho estranho alguém trabalhar cobrando por sexo.

— E eu acho estranho alguém pagar para ter sexo com um estranho, mas aprendi a lidar com isso. — Comentou Camus, claramente fazendo uma referência ao fato de Milo ter contratado seus serviços sexuais.

Mais uma vez, Milo se calou emburrado.

O garçom voltou trazendo a bebida de Camus que agradeceu e deu um gole em seu whisky, depois olhou para Milo analítico. — Dia ruim?

Milo também voltou a beber seu drink antes de responder. — Dia péssimo.

— Quer conversar sobre isso? — Perguntou Camus observando o outro, tinha certa experiência em lidar com homens de negócios com crises no trabalho.

— O que você pode entender dos meus problemas?

— Se você não me contar, nada.

Milo voltou a respirar fundo e depois sem saber ao certo o motivo, começou a falar.

— Eu sempre estudei muito, sempre fui o melhor aluno desde sempre, passei com as melhores notas no colégio, na faculdade, na pós-graduação, mestrado e NBI. Tudo isso para o que meu pai tivesse orgulho de mim. Droga, Camus, aquele filho da puta só consegue me enxergar como “o viado que é a vergonha dele”. Eu me mato naquela empresa tentando sempre fazer o melhor, mas ninguém vê minha capacidade, todo mundo acha que eu estou onde estou porque sou filho do dono. — Despejou, depois sem maldade, perguntou: — Seu pai também se importa de você ser gay? Claro que você fazendo o que você faz, ser gay é o de menos e...

— Meu pai morreu antes que eu tivesse consciência de fato sobre minha orientação sexual. — Camus respondeu sobriamente e continuou. — Qual o cargo que você ocupa na empresa?

— Sou Vice-Presidente. — Milo respondeu orgulhoso.

— Vice-Presidente de uma Multinacional, uma gigante da indústria farmacêutica aos trinta anos? E você tem dúvidas que só atingiu esse posto por ser filho do dono? — Camus questionou com uma ponta de sarcasmo.

— Eu trabalhei muito, estudei muito minha vida toda! Se eu tenho esse cargo é porque eu MERECI! — Tornou o loiro entredentes.*

Camus riu com sarcasmo antes de perguntar. — Você não tem noção dos seus privilégios, não é?

— Eu não tenho privilégios, acabei de falar que sofro perseguição do meu pai por ser gay. Gay, meu caro, faço parte da minoria. — Milo tentou rebater convicto de suas palavras.

— Milo, você está longe se ser minoria, você é branco, loiro dos olhos azuis, rico! Só isso já te colocaria há anos luz de vantagem, mas você muito provavelmente sempre estudou nas melhores escolas, sempre pôde se dedicar aos seus estudos sem maiores preocupações. — Camus explicava para Milo os motivos dele ser um privilegiado.

— Oras, mas isso não tem nada a ver. — Milo tentou desconversar sem graça, mas Camus continuou a falar.

— Isso tem tudo a ver Milo, você já chegou na empresa do seu pai com extrema vantagem sob os outros executivos, muito provavelmente vocês têm funcionários de carreira, funcionários esses que não devem nem ao menos ser chefe de alguma coisa.

— Se meu pai me deu este cargo, é porque ele confiou em mim, ele sabe da minha capacidade, não tenho culpa de ser filho do dono. — Milo tentou se defender.

— Milo, se você não fosse filho do dono, se você começasse a trabalhar em outra empresa, como uma pessoa comum, acha que já estaria na Vice-Presidência? — Camus questionou direto, não pretendia levar a diante os planos de Saga para seduzir o loiro, quem sabe Milo não o deixasse em paz após esse choque de realidade?

Milo nada respondeu, ficou alguns instantes pensando nas palavras de Camus, em como este estava correto em todas as suas colocações certeiras — Tem razão, mas não faz sentido que eu, sendo herdeiro das indústrias Kapino, começasse a trabalhar em outro lugar.

Camus sacudiu a mão como se dissesse "tanto faz". — Não tem que fazer sentido

— Verdade, você querendo me ensinar a ser um empresário respeitado, é um exemplo claro de algo sem sentido. — Respondeu Milo ríspido.

Camus o olhou com seu melhor olhar blasè antes de responder. — Você gosta muito de julgar os outros, para alguém que reclama do julgamento dos outros sobre si.

Milo novamente se calou, mas dessa vez envergonhado, depois de uma pausa silenciosa, acrescentou. — Me desculpe, eu tive um dia ruim e estou descontando meu descontentamento em você.

Camus que se manteve sério, nada respondeu.

Milo assim, resolveu mudar de assunto antes que colocasse tudo a perder. — Chega de falar de mim, vamos falar de você, Camus.

— Não há o que falar de mim, prefiro ficar falando mal de você. — Tornou o ruivo fazendo o loiro sorrir.

— Fico me perguntando o que faz um homem bonito e interessante como você virar um garoto de programa, ganhar a vida com o sexo? — Milo deixou escapar, dessa vez não por maldade, mas por mero interesse.

— Você não sabe nada sobre mim ou minha vida, nem todo mundo tem a sua grana, Milo. — Camus respondeu sem muita paciência.

— Não perguntei por mal, só curiosidade, você não pretende sair dessa vida? Estudar, ter uma outra carreira. — Insistiu Milo. — Digo, a juventude vai passar e como será quando isso acontecer, você não tem projetos de vida?

Camus sorriu triste antes de responder. — Eu já tentei sair, terminei meus estudos e entrei na faculdade.

Com real espanto, Milo perguntou. — Uau! E se formou em quê?

— Em nada, não conclui a faculdade. — Respondeu Camus tomando um gole de sua bebida.

— Ora essa, por que não? — Questionou o loiro realmente interessado.

— Pessoas como eu não podem se dar ao luxo de pensar em ter uma vida normal. — Comentou Camus com uma nota de tristeza que não passou despercebida por Milo.

— Não faça drama, Camus, não combina com você, aliás, não é você quem vive dizendo que não tem vergonha do que faz? — Cutucou Milo.

— Não tenho vergonha, é que... — Camus hesitou um pouco, soltou o ar dos pulmões antes de continuar. — Veja essas pessoas aqui, ninguém aqui sabe o que eu faço para ganhar a vida, o que você faz, o que ninguém aqui faz e isso não importa, não é? Mas lembra naquele dia em que nós nos encontramos no restaurante por acaso?

Milo confirmou com a cabeça.

— Algumas pessoas ali sabiam quem eu era e o que eu fazia, assim como você sabia, e isso foi o suficiente para que me olhassem com reprovação, como se eu não tivesse o direito de estar ali entre eles. Assim funcionam as pessoas, meu caro. — Concluiu Camus.

Milo se sentiu incomodado, na ocasião ficou irritado em ver Camus no restaurante ao lado de “pessoas de bem”, assim como se irritou no consultório de Aioros, o herdeiro dos Kapino não saberia dizer se sua irritação tinha algo a ver com preconceitos ou... Era melhor nem pensar em outro motivo.

— Não precisa ficar constrangido, Milo, já estou acostumado com este tipo de tratamento quando vou a lugares que não deveria. — Disse Camus ao notar a expressão do outro.

— Não deveria se acostumar com algo assim. — Respondeu Milo sem pensar em nada melhor para dizer.

Camus sorriu numa tentativa de dizer que não se importava. — Aqui neste lugar, Milo, não sabemos a profissão de ninguém, mas qualquer um que soubesse a minha me trataria de forma diferente.

— Eu não te trato de forma diferente, não mais. — Tornou Milo sério, mesmo sabendo que era mentira e no fundo ainda agia de forma bruta com o ruivo.

— Você... — Camus ficou encarando Milo analítico antes de continuar. — Você tem alguma coisa em mente, ainda não sei o que é, uma vingança, alguma forma de me humilhar quando eu baixar a guarda, ou só uma brincadeira, um passatempo, ainda não sei o que você quer de mim de fato.

— O quê? — Milo perguntou surpreso pela astucia do ruivo. — Que maluquice é essa? É isso que pensa de mim, Camus?

— Tudo bem, Milo, isso já aconteceu antes, só quero pedir para que não tenha violência, não dessa vez... — Camus parou de falar quando notou o celular vibrando em seu bolso, pegou o aparelho e viu quem chamava, era Zaíra, e a babá só ligaria se tivesse acontecido algo, por isso Camus não pensou duas vezes para atender. — Oi, o que houve?

Do outro lado da linha a mulher falava nervosa e com a voz chorosa.

Foi o Isaak, Camus, a febre veio de repente, subiu e subiu já está com quase quarenta, venha logo para casa, por favor.”

— Meu Deus! Eu estou indo pra casa agora. — Camus falou e desligou o celular olhou para Milo se levantando. — Eu preciso ir embora Milo, com licença.

— Ei, Calma o que houve? — Milo perguntou preocupado ao ver a expressão tensa no rosto do ruivo. — Aconteceu alguma coisa com seu irmão?

Camus o olhou confuso e depois se lembrou que Milo sabia de Isaak, uma vez que conhecia o Dr. Aioros, e depois daquela cena no consultório, não seria difícil que o médico tenha comentado algo sobre o irmão. — Sim, ele não está bem, com licença, preciso pegar um táxi.

O ruivo avisou e já foi saindo, Milo pegou seu casaco e retirou a carteira do bolso jogando algumas notas em cima da mesa e saiu em disparada atrás de Camus.

Camus estava preocupado tentando parar algum táxi, mas todos que passaram por ele estavam ocupados, foi quando Milo parou o carro na sua frente. — Ei, Camus entra, eu te levo pra casa. — Vendo que o michê hesitou, Milo fico insistiu. — Você não está encontrando nenhum táxi, não é hora pra marra.

Camus entrou no carro e avisou. — Eu moro longe.

— É só me dizer o caminho.

...

— É aqui neste prédio. — Camus falou e Milo logo estacionou. — Obrigado, Milo.

O irmão de Isaak agradeceu e saiu apressado sem dar chance de Milo falar qualquer coisa.

— Camus, espera! — Milo viu o ruivo entrar no prédio, mas não tinha como segui-lo, pois não sabia qual era o andar e muito menos o apartamento em que Camus morava. Mas Milo não era homem de desistir fácil pegou seu celular e ligou. — Carlo sou eu, preciso saber qual é o apartamento de Camus.

...

Quando Camus abriu a porta de seu apartamento o clima estava tenso, Hyoga estava sentado no sofá abraçado aos joelhos, com o angelical rosto tenso. — Mano, que bom que chegou.

— Zaíra, ao ouvir Hyoga, foi para sala e pediu aos prantos. — Camus, venha depressa ele teve uma convulsão.

Os dois entraram correndo no quarto deixando Hyoga na sala, o loirinho sentia seu coração apertado, mas sabia que a melhor forma de ajudar a todos naquele momento era não atrapalhar.

A campainha tocou, Hyoga sabia que ele não podia atender a porta, mas Camus e Zaíra estavam ocupados, então decidido ao longo dos seus nove anos a criança abriu a porta e deu de cara com um homem loiro parado em sua frente.

— Oi, o Camus mora aqui? — Milo perguntou ao ver a criança, lembrou do relatório de Máscara da Morte dizendo que o ruivo tinha dois irmãos, um de nove e o outro, que era doente, de onze.

— Eu não posso falar com estranhos. — Hyoga respondeu na lógica das crianças, uma vez que abrir a porta para estranhos era uma falta muito mais grave

— Não sou estranho, sou amigo do seu irmão, Camus, ele está? — Milo respondeu entrando no apartamento e achando um pouco de graça no menino.

— Hyoga quem... Milo! — Camus falou surpreso, mas Milo conseguiu identificar a tensão na voz e no rosto de Camus.

— Eu vim ajudar, Camus. — Milo falou se aproximando do ruivo.

— Ele teve uma convulsão, a febre está alta... — Camus começou a falar mais foi interrompido pelo grito de Zaíra.

— Ele está tendo outra convulsão!

Camus correu para o quarto e Milo foi atrás.

Milo pegou o menino no colo e perguntou. — Onde é o banheiro?

Camus o olhou confuso. — Precisamos levar ele ao hospital!

— Precisamos parar com a convulsão primeiro! — Respondeu Milo. — Onde é o banheiro?

— Aqui, venha.

Milo seguiu Camus e ao entrarem no recinto o loiro pediu. — Coloque o chuveiro no frio.

Camus obedeceu e Milo enfiou Isaak na água fria de roupa e tudo. — A água fria ajuda a parar a convulsão causada peça febre. — Explicou Milo.

Assim que a convulsão passou, Milo pediu a Camus que pegasse uma coberta para que eles fossem para o hospital, e assim o ruivo o fez.

— Hyoga, cadê a Zaíra? — Camus perguntou notando a ausência da babá.

— Foi embora chorando. — Hyoga respondeu tentando segurar o choro, ele também estava preocupado com o irmão e vendo os adultos se desesperando daquela forma não ajudava muito.

— Como é que ela foi embora? Eu preciso levar o Isaak ao hospital. — Falou Camus que estava à beira de um colapso.

— Calma, a gente leva o menino junto. — Milo sugeriu.

— Mas ele não pode entrar. — Camus falou nervoso. — Eles não deixam crianças entrar, Milo!

— Ele pode ficar na recepção, vamos Camus, estamos perdendo tempo. — Camus concordou, Milo saiu com Isaak no colo e Hyoga foi segurando a mão de Camus.

O herdeiro dos Kapinos ligou para o hospital no caminho avisando que chegaria com Isaak e contando a situação do garoto, ordenou que chamassem Aioros, já que este era o pediatra do menino.

Camus que ia no banco de trás segurando Isaak desacordado no colo e Hyoga ao seu lado prestava atenção em tudo que o loiro falava. O ruivo não estava conseguindo se manter no controle da situação ao ver seu irmão naquele estado, por mais que tivesse se segurando algumas lágrimas teimavam em rolar pelo seu rosto.

Assim que Milo parou na entrada do hospital uma equipe médica já estava lá para recepcioná-los.

Os médicos logo pegaram Isaak dos braços de Camus e o colocaram na maca, checando seus dados vitais, em seguida entraram em disparada no hospital, Camus, Milo e Hyoga acompanharam os médicos, mas em determinado ponto um dos enfermeiros falou.

— A criança não pode passar dessa porta.

Houve um momento de hesitação Camus ficou dividido entre seguir com Isaak ou ficar com Hyoga, Milo percebendo o dilema do outro falou. — Vá Camus, eu espero aqui com ele.

Camus concordou com a cabeça e olhando para Hyoga pediu. — Hyoga não saia daqui, em hipótese alguma, não saia daqui, ok?

O menino concordou com a cabeça e Camus seguiu com a equipe, não antes de olhar para Milo uma última vez.

Assim que Camus saiu da vista de Milo o rapaz olhou para o menino que olhava amedrontado para onde os irmãos haviam desaparecido.

— Então, seu nome é Hyoga? — Milo perguntou tentando puxar assunto.

O menino o encarou com os olhos cor de céu por alguns segundos e depois respondeu. — Sim, eu sou o Hyoga e você quem é?

— Eu sou o Milo. — O Herdeiro dos Kapino se apresentou.

— Eu sei seu nome, ouvi o mano te chamando, mas quem é você? É namorado do Camus? — Hyoga perguntou direto sem dar tempo de Milo pensar.

— Ora, por que está me perguntando isso, seu irmão leva muitos namorados para casa? — Perguntou Milo desconfiado que suas suspeitas ao saber que Camus criava os irmãos fossem verdadeiras, e que o ruivo realmente fizesse da sua casa um antro.

Os dois foram caminhando até a lanchonete do hospital.

— Por favor, dois salgados desses e dois sucos de laranja. — Milo pediu ao atendente antes de sentar com Hyoga a mesa da lanchonete do hospital.

Hyoga então respondeu a pergunta do loiro. — Não, pelo contrário o mano não leva ninguém pra casa, bom só o... — O menino abaixou a você como se fosse contar um segredo. — Só o Saga, mas não é o Camus que leva, é ele que aparece do nada.

Milo não gostou de ouvir no Saga, "mas claro que ele deveria frequentar a casa de Camus, eles eram namorados, afinal" — pensou Milo antes de perguntar. — O Saga vai muito na sua casa?

— Ainda bem que não. — Hyoga respondeu mordendo o salgado que Milo havia comprado.

— Por quê? Não gosta dele? — Milo tornou a perguntar curioso.

O olhou para baixo pensando se deveria contar isso a Milo, mas estranhamente se sentia seguro perto do loiro então revelou. — Ele não é bom pro Camus.

— Como assim, Hyoga? — Milo perguntou ansioso.

— Ele machuca meu irmão, o Camus sempre chora escondido depois que aquele cara aparece. Ele pensa que eu e o Isaak não vemos, mas a gente sabe. — Hyoga revelou triste.

— Mas o Saga é ruim com vocês, digo com você e seu irmão? — Questionou o rapaz realmente pensando na segurança das crianças.

Hyoga negou com a cabeça antes de revelar. — Sempre que o Saga aparece lá em casa o mano tranca a gente no quarto, quase sempre antes de abrir a porta, a gente nunca falou com ele.

Milo não soube o que pensar sobre aquela informação, estaria o ruivo preocupado com a segurança dos irmãos, ou só se certificando que o pequeno tagarela do Hyoga não falasse demais?

— Acho que meu irmão gosta de você. — Voltou a falar Hyoga.

Sentindo o coração aquecer Milo perguntou. — Por que diz isso?

— Ele me deixou sozinho com você, e o Mano só confia na dona Zaíra e na Marin. Se ele deixou você cuidando de mim é porque ele gosta de você. — Concluiu o menino. — Você é namorado dele?

— Por que você acha que seu irmão tem um namorado e não uma namorada? Que seria mais comum. — Questionou Milo curioso.

Depois de beber o suco Hyoga respondeu. — Ouvimos ele conversando com a Marin, ele não gosta das meninas.

— E tá tudo bem pra você ele namorar rapazes? — Milo tornou a perguntar, estava impressionado com a astúcia e a desenvoltura do menino.

— Por que não estaria? — Hyoga perguntou estranhando o questionamento de Milo.

Milo apenas sorriu, definitivamente aquele garoto conquistara seu coração. — Verdade, por que não estaria, não é?

....

Os médicos levaram Isaak para a emergência, a enfermeira disse a Camus que ele não poderia entrar, mas quando ele iria reclamar Dr. Aioros chegou. — Camus o que houve?

Camus ainda trêmulo pela tensão começou a contar o que tinha acontecido. — Ele estava bem pela manhã, a febre começou durante a tarde e ela foi aumentando, aumentando, mesmo com o medicamento. Ele teve duas convulsões, está desacordado.

— Você deu o medicamento? — Aioros perguntou.

— Não, foi a babá, eu estava trabalhando. — Neste momento eles trocaram olhares brevemente e Camus desviou o seu continuando com o relato. — Depois eu fui encontrar um amigo quando a Zaíra me ligou dizendo que ele estava com febre, o resto você já sabe.

— Certo, vou entrar agora logo volto para te dar alguma informação. — Dr. Aioros avisou antes de entrar.

Se vendo sozinho, Camus sentou em uma cadeira e deixou que algumas lágrimas caíssem dos seus olhos, ainda estava tremendo, o medo que sentiu ao ver seu irmão sofrendo as convulsões gelava sua alma.

— Por favor, não tira ele de mim, não tira ele de mim. — Pediu o ruivo em prece.

...

Após se recompor, Camus foi procurar Hyoga, afinal havia deixado o irmão menor com Milo que era praticamente um desconhecido, quando chegou na sala de espera que pediu para o irmão não sair, não os viu de imediato, quando ia sair para procurar os dois, o viu Hyoga entrando na sala com Milo ao seu lado.

— Hyoga, eu falei pra você não sair daqui. — Camus começou a bronquear, mas foi cortado por Milo.

— Nós estávamos lanchando, é bom para acalmar. — O loiro falou fazendo um sinal para o ruivo de que havia levado o menino para que o mesmo se distraísse, e Camus entendeu.

— Você estava sem comer, não é? — Camus perguntou ao menino que confirmou com a cabeça.

— Obrigado, Milo. — O jovem agradeceu ao loiro.

— Trouxemos este aqui para você. — Disse Hyoga mostrando o saquinho de papel que Milo levava nas mãos.

— Sim, você também está sem comer. — Acrescentou Milo.

— Obrigado, mas não estou com fome. — Camus recusou, seu estômago estava embrulhado, não conseguiria comer nada naquele momento.

— Mas precisa comer alguma coisa, venha, vamos sentar ali. — Milo falou apontando o sofá e os três se dirigiram para lá.

— Milo, não sei como agradecer tudo que você fez hoje. — Camus começou a falar tomando todo o cuidado para sua voz não falhar e acabar assustando mais ainda o irmão caçula.

— Não tem que agradecer nada, eu disse que queria ser seu amigo e, bom, isso é o que os amigos fazem. — Respondeu Milo, se sentindo mal por dentro ao dizer aquelas palavras, ver Camus tão fragilizado mexeu com o escorpiano, que finalmente pode enxergar o homem por trás do personagem Aquário, Milo podia ver que Camus havia chorado, apesar do ruivo ter tentado esconder esse fato.

Não demorou muito Hyoga dormiu no sofá da sala de espera e Milo o cobriu com seu blazer.

— Você não precisa ficar aqui comigo, pode ir embora, Milo, sei que amanhã você trabalha.

— Eu não vou te deixar aqui sozinho, e também estou preocupado com o Isaak. — Respondeu Milo, segurando a mão de Camus. — Você não vai passar por isso sozinho, Camus.

Camus sentiu seu peito aquecer com aquele toque, então olhou para os olhos de azuis como o oceano de Milo e o loiro correspondeu o olhar, perdia-se nos olhos de fogo de Camus, quando ouviram a voz conhecida do Dr. Aioros os despertando do transe.

— Atrapalho? — Perguntou o médico com a cara de poucos amigos.

— Dr. Aioros como está o Isaak? Me dê alguma notícia, pelos deuses! — Pediu Camus tenso se levantando sem perceber a troca de olhares pouco amistosos entre o médico e Milo que se levantou também.

— Ele está estável, mas ainda na emergência, está no oxigênio, sua respiração estava falhando um pouco, controlamos a febre, e amanhã faremos alguns exames, ele vai ficar internado. — Camus tentava manter-se calmo, mas não conseguiu evitar que algumas lágrimas rolassem sob seu belo rosto.

— Aioros, me responsabilizarei pelas despesas do menino, ok? — Milo avisou fazendo o médico o olhar com olhos estreitos e Camus um tanto surpreso. — Ele está testando nosso medicamento, nada mais justo que arquemos com os custos das despesas médicas.

— Certo. — Respondeu o médico seco. — Vocês podem ir embora, o Isaak está sedado e não tem previsão de alta.

— Me deixe vê-lo, por favor! — Pediu Camus segurando as mãos do médico.

— Camus, vá pra casa descansar, veja, o Hyoga já dormiu. — Voltou a aconselhar o médico, mas dessa vez mais brando.

Camus pegou as mãos do médico e implorou. — Eu não vou conseguir ficar em paz sem ver meu irmão, por favor, me deixa ver ele.

Milo estava confuso, aquele era o Camus de verdade, e ele, Milo, não sabia como agir e muito menos o que pensar dele.

Aioros suspirou derrotado. — Tudo bem Camus venha comigo.

Camus olhou para Milo num pedido mudo que o outro respondeu sem pestanejar. — Vá Camus, eu fico com o Hyoga aqui.

Camus e Aioros caminharam em silêncio até a entrada da emergência infantil, então Aioros avisou. — Apesar do estado que você vai encontrá-lo quero que saiba que ele está bem, clinicamente tudo sob controle, ok?

Camus concordou com a cabeça então entraram.

Isaak estava desacordado, com o oxigênio no nariz, um dos braços no soro e alguma aparelhos ligados ao menino.

— O que são essas coisas? você disse que ele estava bem! — Camus perguntou temeroso.

— O oxigênio é para que ele consiga respirar melhor, esses equipamentos são para que possamos ter o controle da pressão, batimentos cardíacos etc, tudo somente para o nosso controle, quando ele acordar veremos se a respiração dele vai estar normalizada, se sim suspendo o oxigênio. — Explicou o médico pacientemente.

Camus foi até o irmão e beijou sua cabeça. — Isaak, nem pense em desistir, se você fizer isso eu... Eu não sei viver sem você e sem o Hyoga... — Camus falou emocionado. — Eu vou pra casa, preciso deixar o Hyoga com a Marin ou a Zaíra, mas logo vou estar de volta, ok? Quero você bom quando eu voltar.

Camus saiu da sala da emergência acompanhado do médico.

— Dr. Aioros cuide dele, por favor! — O ruivo pediu e o médico concordou e vendo a fragilidade do mais novo Aioros o abraçou.

— Vai ficar tudo bem, você vai ver.— Aioros sentia o cheiro daqueles cabelos rubros invadindo suas narinas, o médico se sentiu inebriado. Mas foi tirado de seu transe por Camus que se afastou sem notar o quanto perturbou o médico.

— Obrigado. — Despediu-se o ruivo que seguiu para onde estava Milo e Hyoga, deixando o médico confuso para trás.

— Vamos? Eu levo vocês pra casa. — Ofereceu Milo, mas Camus tentou recusar.

— Milo, não tenho como te agradecer por tudo que fez por mim hoje, não posso mais abusar da sua boa vontade.

— Nem vem com desculpas, Camus, eu vou levar vocês pra casa. — Dito isso o escorpiano pegou Hyoga no colo. — Vamos?

— Deixa que eu o levo. — Pediu Camus, mas Milo recusou.

— Você está cansado Camus, vamos indo, deixa que eu levo seu irmão, aliás, eu o adorei, ele é muito mais legal que você. — O loiro falou sorrindo e conseguindo arrancar um sorriso de Camus.

— Ele é incrível, os dois são. — Disse Camus amoroso.

Assim que chegaram no apartamento de Camus o ruivo foi colocar Hyoga na cama, ajudou o irmão sonolento a trocar de roupas, quando voltou para a sala deu de cara com a cena mais surreal da sua vida, Milo Kapino estava lavando sua louça.

— Milo o que está fazendo? — Perguntou tolamente.

— Acho que é meio óbvio, não? Estou lavando louça. — Milo respondeu sem olhar para o seu interlocutor. — Na realidade não havia muito o que lavar, apenas alguns copos.

Camus observou Milo por algum tempo pensando nos motivos que estavam fazendo o loiro o ajudar daquela maneira. Vingança, sexo, brincadeira, passatempo? O que faz um homem jovem, e milionário, perder seu tempo com um garoto de programa?

Quando Milo voltou a sala secando as mãos viu Camus em pé com o olhar vago para a janela, era impossível negar, Camus era muito belo.

— Camus? — Milo chamou fazendo com o que ruivo cravasse aqueles olhos multicoloridos nele.

“Sexo, ele deve estar querendo sexo, é o que todos querem de mim” — pensou o ruivo triste, e mesmo cansado fisicamente e abalado emocionalmente Camus estendeu a mão para Milo com a intenção de levar o loiro para seu quarto.

Milo deu a mão ao ruivo e seguiram para o quarto, quando Camus fez menção em tirar a camisa de Milo este o questionou. — O que está fazendo, Camus?

— Não é isso que você quer? Você me ajudou, o que quer em troca? — Camus perguntou confuso.

— Eu... eu, cara... eu não quero nada, sei lá. — Milo falou perturbado, não esperava aquele tipo de atitude, “O que fizeram com você Camus? Com que tipo de gente está acostumado a lidar?” — Se questionava.

Milo ainda estava perdido em seus pensamentos quando ouviu Camus questionar.

— No hospital você disse ao Dr. Aioros que... — Camus começou, Milo completou a frase por ele.

— Que pagaria pelo tratamento do seu irmão? Sim pretendo fazer isso. — Confirmou Milo.

— Por quê?

Milo ficou em silêncio por um instante pensando na resposta para aquela pergunta, ele já havia prometido a Aioria que pagaria o tratamento do menino, quando Camus perdesse a guarda dele, mas Milo não podia mentir para si, nem ao menos pensou nessa promessa quando avisou que pagaria os custos das despesas de Isaak, aliás, Milo não havia pensado em seu plano de vingança em nenhum momento naquela noite. Encarando o olhar questionador de Camus Milo disse em fim.

— O menino está tomando nossa medicação, nada mais justo que eu queira saber quais os motivos que o levaram a esse quadro.

— Você acha que pode ser alguma reação a medicação? — Questionou Camus acreditando nas palavras de Milo.

O loiro coçou a nuca antes de responder. — Não aconteceu nada semelhante com nenhum outro paciente.

Camus ficou pensativo.

— O que vai querer em troca de sua ajuda? — Perguntou o ruivo por fim.

— O quê? — Milo perguntou confuso.

— Ninguém ajuda ninguém de graça, ainda mais você ajudando a mim. — Expôs Camus sua dúvida angustiante.

Milo calou-se sem argumentos.

— Milo, a única coisa que eu vou te pedir é que não envolva meus irmãos no que seja lá que você esteja tramando, não faça nada com eles, por favor.

— Cara, relaxe! Você é um neurótico, descanse, eu vou pra casa, vou deixar você dormir um pouco, amanhã a gente se fala. — Milo falou saindo do quarto de Camus, que o acompanhou.

Quando estavam próximo da porta, Milo virou-se ficando bem próximo a Camus, o ruivo chegou a pensar que o jovem Kapino iria beijá-lo, mas Milo apenas falou próximo ao seu rosto. — Um dia quero sentir o gosto dos seus beijos novamente, mas vai ser apenas se você quiser também, sem negócios, sem tramas, sem jogos apenas nós dois.

Milo piscou para Camus e saiu deixando o ruivo mais confuso que antes para trás.

Notas finais
* Gente Não resisti ao meme do "EU MERECI" Perdão Miluxo XD Então agora o Milo finalmente conheceu o verdadeiro Camus, será que isso vai mudar alguma coisa para o Milo? E que segredos o Máscara da Morte esconde? Será que vão pegar o Saga? Não perca os próximos capítulos hehehe Obrigado a você que leu até aqui, comentários são sempre bem vindos! Grupo da fic no Face >>> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/?ref=bookmarks