Na Real
8 Capitulo 8 - Nova Tatica
Notas iniciais
Na Real — Capítulo 8
— Camus, estou esperando, por que Milo Kapino diz que você deve algo a ele? — Saga perguntou se levando e se colocando à frente de Camus com os braços cruzados e olhar sério.
Camus, que estava sentando mexia as mãos uma na outra pensando no que dizer.
— Camus! — Chamou Saga em alerta, um aviso que ele não toleraria ficar sem resposta.
Camus o olhou nos olhos e depois baixou o olhar e começou a falar. — Saga, lembra da viagem que eu fiz a Paris?
O outro estreitou os olhos e confirmou com a cabeça.
— Você disse que queria ver como andavam as coisas por lá queria ir ao túmulo dos seus pais e tudo mais. — Acrescentou Saga.
— Tinha um filme marcado para ser rodado lá, e eu fui convidado. — Camus lembrou os reais motivos que levaram Saga a concordar com a viagem.
— Sim, me lembro, mais do mesmo. — Saga falou a frase que usou para descrever o filme que Camus havia feito nas terras parisienses.
— Eu tinha acabado de rodar aquele filme, você tinha dito essas coisas que não estava bom... Neste meio tempo fui até o túmulo dos meus pais, fui até a antiga casa que morávamos. — Camus começou se lembrando com tristeza das coisas que sentiu naquele momento.
Que foi ali após a explosão que matou seu pai que o seu calvário começou de fato, omitiu o fato de que ele e seus irmãos constavam como desaparecidos na França, mas também não viu real interesse nas autoridades francesas em tentar encontrá-los.
Ao encontrar os lugares que tinha passado sua infância, lembrar-se dos seus sonhos antigos, dos seus anseios sobre como seria sua vida, e ter a certeza daquela realidade, de saber no que se transformou, aquilo tudo mexeu com seu psicológico.
Para suportar aquele momento Camus e Aquário se tornaram um, quando Camus entrou no aeroporto francês estava decidido a não ser mais o fraco Camus, e sim o austero Aquário.
Aquário sabe o que quer.
Aquário não tem medo, nem receio de nada.
Aquário é forte.
Aquário é decidido e não se arrepende de seus atos.
Camus queria ser como ele, Camus seria ele.
E, quando viu o loiro estupendo o observando, sentiu desejo. Pela primeira vez em sua vida estava desejando alguém.
Aquário pensou no Camus que era, sempre usado pelas pessoas, e decidiu que era a hora de trocar os papéis, de desejar e de usar as pessoas, então teve a ideia.
Usaria aquele estranho, como as pessoas sempre o usaram, faria seu filme, deixaria Saga feliz e ganharia um bom dinheiro.
Pensando nisso sorriu flertando para o rapaz e sinalizou para que o loiro estupendo o seguisse.
...
— Você está me dizendo que teve a brilhante ideia de transar com um desconhecido no aeroporto Internacional de Paris, na sala vip da primeira classe, gravar e fazer um filme disso? — Saga perguntou incrédulo.
Camus confirmou com a cabeça, segundos depois, sem esperar aquela reação, levou um tapa tão forte que caiu da cadeira em que estava sentado.
— Você seduziu e filmou o filho do cara mais ricos da Grécia trepando, e fez um filme usando o selo da minha produtora? — Saga perguntou com olhos insanos enquanto caminhava até o ruivo que ainda estava no chão se recuperando do tapa que levara.
— Eu não sabia quem ele era, Saga, não pensei... Nunca achei que ele fosse descobrir. — Camus procurou se justificar enquanto tentava se afastar de Saga, que avança ensandecido.
— Você estava na primeira classe de um vôo internacional, o que achava? Que iria encontrar algum merdinha como você lá? — Saga falava enquanto apertava o pescoço de Camus. — Você tem noção do tamanho da merda que você fez?
— Saga... Você prometeu que não ia mais fazer isso. — Camus falou com dificuldade, já assustado.
Mas Saga estava enlouquecido de raiva e desferiu três socos no estômago de Camus que gemeu de dor. O cafetão sempre tinha o cuidado de não bater no rosto de Camus, deixá-lo marcado só traria prejuízo.
— Se esse filho da puta entrar com um processo contra minha produtora, posso perder tudo, seu imbecil! Se você trouxer a polícia para minha cola, vou matar você. — Saga ameaçou enquanto dava alguns chutes em Camus que continuava caído no chão.
Neste momento Aldebaran abriu a porta trazendo a bandeja com o café e ao ver a cena de agressão a sua frente colocou a bandeja em cima da mesa e tentou segurar Saga.
— Para com isso Saga. — Pediu o grandalhão.
— Me solta que eu não te dei liberdade para me segurar assim. Eu vou dar uma lição neste bostinha! — Cuspiu Saga nervoso.
— Você vai matar o cara, Saga. — Aldebaran tentou argumentar.
— E daí? Esse merda fodeu com a minha produtora! — Dizia Saga irritado enquanto Camus se contorcia no chão respirando com dificuldade. — Me dá um motivo pra não matar esse bosta?
— Ele tem cliente hoje, não tem? — Argumentou Aldebaran.
Saga se soltou dos braços de Aldebaran com brutalidade, se abaixou segurando Camus pelos cabelos e falou junto ao seu ouvido. — Você vai atender esse cara hoje, pouco importa se você está machucado, você vai deixar ele bem feliz enquanto eu penso numa forma de sair desta enrascada que você me colocou. Entendeu? — Saga perguntou ainda com Camus preso pelos cabelos. — Entendeu?
— Sim, eu vou! — Camus conseguiu responder.
Então Saga o soltou com brutalidade e falou para Aldebaran: — Tire ele daqui antes que eu o mate!
O moreno saiu do escritório deixando Camus no chão e um Aldebaran tenso para trás.
— Venha, eu vou te ajudar. — O taurino falou se abaixando para ajudar Camus a se levantar.
*— *— *— *— *
— Tome, Aquário, coloque este gelo, vai evitar que fique muito roxo. — Aconselhou Aldebaran, ele havia levado Camus até seu apartamento, para que pudesse cuidar dos ferimentos do ruivo.
— Camus.
— Oi?
— Pode me chamar de Camus, é o meu nome. — Explicou o ruivo ao ver a confusão nos olhos do outro.
Camus pegou o saquinho de gelo e colocou próximo ao seu lábio, Aldebaran já havia passado uma pomada para estancar o sangue que saía do corte feito no lugar.
— Aí. — Camus soltou ao colocar o gelo no local.
— Não foi a primeira vez que ele fez isso, não é? — O gigante perguntou.
Camus o olhou envergonhado.
— Você não pode permitir esse tipo de coisa Camus. — Aconselhou Aldebaran.
— Dessa vez eu mereci, fiz algo muito errado. — Camus comentou resignado.
— Camus, nada que você tenha feito justifica uma agressão. — Tornou Aldebaran.
Camus não respondeu, preferiu o silêncio enquanto pressionava o gelo em sua boca.
Aldebaran analisou Camus, então perguntou: — Você o ama?
Camus não costumava falar de sua vida íntima daquela forma principalmente para um desconhecido, mas sentiu a necessidade de negar, então com o gesto da cabeça em negação respondeu. — Não.
— Não? — Perguntou Aldebaran em dúvida.
— Não, amor não, talvez gratidão. — Camus respondeu simplesmente.
— Como você pode ser grato a alguém que te agride dessa forma, que te prostitui?
Camus ficou em silêncio por um tempo, depois tirou o gelo do rosto e explicou. — Não é como se ele fizesse isso sempre, fazia muito tempo que ele não agia assim. — Camus começou a tentar explicar as coisas para Aldebaran. — O Saga foi a única pessoa que me ajudou quando eu mais precisei, o único que esteve lá pra mim nos momentos mais difíceis da minha vida.
— Fazendo você se prostituir? Essa foi a ajuda? — Aldebaran questionou invasivo.
“Por que as pessoas precisavam deixar tudo pior?" — pensou Camus antes de responder.
— Me mostrando uma forma de ganhar dinheiro, me ajudando a ganhar dinheiro, me protegendo, ele não é tão mau. — Camus falava tentando acreditar em suas palavras.
— Que seja, mas não deixe que ele faça mais isso com você, se eu não estivesse lá, não sei o que poderia ter acontecido. — Alertou Aldebaran.
Camus olhou para o grandalhão e agradeceu. — Obrigado, estou te devendo uma.
— Você não me deve nada, apenas se cuide. — Respondeu o gigante.
Apesar de defender Saga em sua fala Camus estava cada vez mais certo de que não queria mais passar por aquele tipo de situação.
Ok! Dessa vez Saga até teve motivos para agredi-lo, mas e das outras vezes?
Camus era tão novo quando conheceu o agenciador, e era absurdamente inexperiente, Saga passou a ser a figura referência para Camus.
Apesar do cunho sexual de sua relação com o moreno, Camus via Saga como um protetor, ou algo do tipo.
Era Saga quem dizia a ele o que fazer e como agir na maioria das vezes, foi Saga quem ensinou tudo que Camus sabia sobre o sexo e sobre a vida.
A primeira vez que Saga bateu em Camus, o ruivo ainda era um adolescente, havia se recusado a chupar um velho rico. Saga ficou muito bravo com a reclamação do velho e logo Camus aprendeu que jamais poderia deixar os clientes de Saga insatisfeitos.
Após essa primeira houveram outras tantas agressões, mas Saga havia lhe prometido que não levantaria mais a mão para lhe agredir, essa promessa foi feita quando Camus se desiludiu com seu primeiro amor e Saga mais uma vez o salvou.
O gêmeo de Kanon havia mantido a promessa até aquela manhã, agora Camus não sabia como agir e o que pensar.
— Camus... Camus? — Aldebaran chamou tirando o ruivo dos seus pensamentos.
— Desculpe, me distrai. — Respondeu Camus.
— Tire a camisa para que eu possa colocar esse spray, vai evitar que fiquem hematomas muito grandes.
Com dificuldade Camus tentou levantar a camisa. — Aí. — Gemeu.
— Camus, você pode ter quebrado uma costela, acho melhor a gente ir para o hospital. — Sugeriu o grandalhão.
Quando o celular do ruivo vibrou, Camus viu a mensagem de Saga que dizia:
“Hoje 21h no apartamento dele, você tem o endereço.
O mantenha feliz até que eu arrume um jeito de consertar a merda que você fez”
Camus leu a mensagem suspirou fundo antes de se despedir de Aldebaran.
— Não se preocupe, acho que não quebrei nada, a dor já está passando. — Mentiu. — Preciso ir embora, mas quero agradecer tudo que fez por mim hoje. — Pediu o ruivo segurando as mãos do gigante.
— Não tem que agradecer nada, veja em mim um amigo e venha quando quiser. — Respondeu Aldebaran retribuindo o toque do ruivo com gentileza.
— Mais uma vez obrigado.
*— *— *— *— *
Shura havia pedido comida em um restaurante italiano talharim com almôndegas era o prato predileto de Carlo, pelo menos era na época em que estavam juntos, e Shura quis fazer esse agrado para o ex-amante, pois o italiano ligou dizendo que precisavam conversar, Shura logo sugeriu seu apartamento.
Ok, não era um encontro romântico, mas nada impedia dele querer agradar o outro, não é mesmo?
Não poderiam culpá-lo por tentar.
O apartamento de Shura não era grande nem luxuoso como o de Milo, mas ainda assim era bem confortável.
Sofá preto em contraste com as paredes brancas, alguns quadros na parede, mas nenhuma flor para decorar o ambiente, tudo muito simples e prático.
O porteiro havia avisado que seu convidado estava subindo, por este motivo Shura não estranhou quando a campainha tocou.
— Olá, cariño. — Disse Shura ao ver Carlo parado a sua frente.
Mesmo querendo parecer casual Carlo usava uma camisa nova, que apenas por coincidência comprou naquela tarde, e também por coincidência estava usando o perfume preferido de Shura, ao menos era o que tentava dizer a si mesmo, que aquilo foi por coincidência!
— Oi, Shura. — Cumprimentou entrando quando o espanhol deu passagem.
— Desculpe ter marcado com você aqui, mas em bares nós não temos a privacidade necessária. — Comentou Carlo, e acrescentou ao ver o espanhol erguer uma sobrancelha maliciosamente. — Podem ter espiões de Saga.
Shura sorriu. — Preparei o jantar, ou melhor, pedi o jantar, eles já devem estar chegando com nossa comida.
— Shura, isso não é um encontro, ok? — Máscara alertou.
— Claro que não, mas nada impede que a gente se alimente, não é? — Devolveu Shura sem se abalar, não era um encontro, mas sabia que o outro se vestiu para lhe agradar.
— Você bebe alguma coisa?
— Whisky. — Respondeu seco.
— Carlo, eu vou tomar banho, cheguei há pouco e não tive tempo de me lavar, você me espera aqui? — Shura avisou e encarando o outro de cima a baixo acrescentou. — Ou você pode vir comigo se quiser.
Máscara apenas ergueu uma sobrancelha para o outro negando com a cabeça, mas por dentro sentiu seu coração acelerar e seu membro pulsar.
— Acalme— Só estou brincando! — Shura comentou sorrindo ao perceber que ainda mexia com o ex-amante. — Já volto. — Avisou sumindo pela porta do quarto.
— Droga Shura! — Resmungou Carlos indo para a varanda fumar um cigarro para relaxar, foram anos de sofrimento, após ser rejeitado pelo espanhol.
O medo que Shura tinha que descobrissem sobra sua orientação sexual e principalmente, que descobrissem que ele era o cara que estava transando com Carlo no vestiário da corporação, fez o espanhol romper com outro no pior momento de sua vida.
Carlo seria capaz de perdoar? Nem ele mesmo sabia a resposta, a dor de antes virou uma mágoa, não que ele fosse rancoroso como Milo, mas também não podia esquecer as coisas assim e havia a questão de o detetive particular não saber mais o que sentia pelo policial, “ainda o amava?” Carlo perguntava para si, mas nem ele sabia qual era a resposta.
O italiano sobressaltou-se quando ouviu a campainha tocar o tirando de seus devaneios.
Olhou em direção ao quarto de Shura, como não viu sinal do outro foi atender no segundo toque, era o entregador.
O rapaz lhe entregou a notinha com o valor do jantar.
“Claro, ainda vai sobrar para eu pagar o jantar.” — Pensou, mas antes que pudesse tirar a carteira do bolso, Shura apareceu ao seu lado com uma toalha enrolada na cintura e os cabelos ainda úmidos gotejando pelo seu corpo escultural.
— Olá, pode deixar essa nota comigo. — O policial pegou a nota das mãos de Carlo e abrindo a carteira que trouxera do quarto consigo.
Carlo não pôde deixar de notar que o entregador encarou o corpo malhado do ex-amante com cobiça, Shura ainda mantinha o corpo magro como Carlo lembrava, os músculos muito bem definidos, nada era exagerado, tudo milimetricamente no lugar.
O Italiano ficou um pouco atrás e não pode deixar de reparar da bela bunda do espanhol, emoldurada pela toalha branca.
— Aqui está, pode ficar com o troco. — Shura disse ao rapaz, fechando a porta logo em seguida.
— Isso é jeito de vir atender a porta? Eu já não estava cuidando de tudo? — Perguntou Carlo mordido pelo ciúme.
— Não achei certo deixar você pagar, afinal foi eu quem pediu a comida. — Esclareceu Shura estranhando o jeito do outro.
— Olha, eu tenho dinheiro viu, não sou nenhum desempregado não. — Carlo reclamou.
— Cariño, eu não quis ofender, só não achei justo você pagar. — Devolveu Shura tranquilo.
— E precisava vir assim? — Máscara perguntou sinalizando a forma que o outro estava vestido.
— Eu estava no banho quando ouvi a campainha. — Explicou Shura o óbvio enquanto levava as embalagens para a cozinha.
— Aquele cara ficou te secando. — Resmungou o outro que seguiu o anfitrião.
— O entregador? Que bobagem. — Respondeu Shura sem dar importância àquelas palavras.
— Bobagem nada, você fica se exibindo, aliás, você poderia ir colocar uma roupa? — Pediu Carlo que tentava esconder sua ereção.
— Você também está reparando em mim? — Shura perguntou encarando o ex-amante.
— Shura. — Máscara falou em alerta.
— Vamos, responda! — Shura perguntou próximo a Carlo, insuportavelmente próximo, na opinião do Italiano.
Carlo nada respondeu, ele passou a mão pela barriga definida do seu ex, o virou de costas o agarrando por trás e esfregando sua ereção em Shura. — Aqui está sua resposta, espanhol "maledeto".
Shura fechou os olhos e gemeu sentindo Carlo tão perto, não demorou para sua toalha cair, dando a Carlo a visão de sua ereção. O italiano continuou a sarrar Shura, mas agora segurando seu membro.
— Venha Cariño, vamos para o meu quarto. — Shura convidou sem de fato se mover para sair dos braços do italiano.
Carlo puxou o rosto de Shura para um beijo urgente, urgente como tesão que sentia, urgente como a saudade daqueles lábios firmes.
Os dois foram assim, aos beijos, esbarrando nas paredes, nos móveis a excitação os impedia de pensar, ambos só queriam sentir e agir
Uma vez no belo quarto de Shura, Carlo procurou não pensar a quanto tempo não entrava ali, não queria pensar. Empurrou Shura contra a cama.
O policial o mirou com os olhos cheios de tesão manipulou seu membro enquanto observava o outro.
O italiano, ainda vestido, parou em frente a cama com os olhos cravados no gesto de Shura, começou a se despir, primeiro tirando sua camisa.
Vendo o torso nu do outro, Shura ajoelhou-se na cama e começou a distribuir beijos por ali enquanto ajudava o detetive particular a desabotoar as calças, quando finalmente pegou no membro rijo do outro, Shura soltou um gemido que fez as pernas de Carlo tremerem tamanha a excitação. — Hummmmmm, cariño, que saudade que eu estava dele...
Quando Shura estava abaixando para, enfim, colocar aquele que era seu objeto de desejo no momento em sua boca, Carlo o segurou pelos cabelos o impedindo de continuar. — Não tão rápido, seu espanhol maledeto.
Dizendo isso, Carlo voltou a empurrar o espanhol de costas na cama e o puxou pelas pernas erguendo sua cintura, trazendo o membro do espanhol para perto do seu rosto.
“Esse pau, quantas saudades..." — pensou Carlo antes de abocanhar o membro do espanhol arrancando-lhe um alto gemido! — Puta que pariu, que delícia, cariño.
A melhor sensação quando se faz o sexo oral em alguém é poder ver o que nossas carícias fazem ao outro, e Máscara da Morte estava deliciado com os gemidos que conseguia arrancar do espanhol.
— Hnhg... Cariño, eu quero sentir teu gosto também. — Pediu Shura entre gemidos.
Carlo não se fez de rogado, parou a felação e se livrou das roupas que ainda vestia, subiu na cama ficando por cima no fantástico meia nove, o círculo infinito do prazer.
Há quem reclame da vista em um meia nove, mas Carlo a achava fantástica, molhando um dedo na saliva para lubrificá-lo começou a introduzir devagar, para iniciar a preparação para assim Shura poder recebê-lo.
O italiano já era um mestre na arte da felação, na opinião de Shura, mas acrescentar aquele prazer à massagem aos seus intestinos era covardia, com medo de não aguentar muito mais Shura pediu fraco. — Me fode, seu carcamano de uma figa.
Shura não precisou pedir duas vezes, Carlo o soltou e foi procurar algo em sua carteira.
— Cariño, aqui no criado mudo, camisinha e lubrificante, venha! Eu preciso de você... agora...
Carlo não pôde deixar de sentir uma pontada de ciúme ao ver os itens para uma boa foda segura ali, tão estrategicamente próximos e disponíveis naquele momento, prova incontestável de que Shura mantinha relações sexuais, apesar de esconder sua orientação sexual.
Mas seu pênis latejante não deixou Carlo pensar em parar o ato, pelo contrário, o Italiano estava pronto para dar ao espanhol a melhor transa que ele já teve, porque ele até podia estar transando com outros por aí, mas com certeza ninguém sabia dar prazer a Shura como Carlo faria.
Após colocar o preservativo, Carlo colocou uma alta dose de lubrificante em sua mão, ele massageou o pênis e com dois dedos esfregou na entrada de Shura, que estava de quatro na cama aguardando o próximo passo do amante enquanto estimulava sua ereção.
Carlo então segurou as ancas de Shura e posicionou seu membro na entrada do espanhol, apesar do ciúme que sentiu há pouco, não queria que o outro sentisse dor, aliás, não queria que Shura sentisse nada além de prazer. Então substituiu o espanhol na masturbação enquanto o penetrava.
— "Cazzo di inferno” é tão apertado e quente como eu me lembrava... hung! — Gemeu o italiano.
— Ahhhhggg... Cariño! — Gemeu Shura ao se sentir completamente preenchido pelo seu ex.
Ambos estavam tomados pelo tesão, e a vontade de mostrar ao outro o quanto eles eram bons juntos.
Como triatletas que mudam de circuito com maestria, assim os dois fizeram, abusaram de todas as posições a pequena diferença de tamanho entre eles em nada atrapalhava o desempenho de ambos, já estavam no clássico “papai e papai” quando Shura avisou que seu orgasmo estava chegando.
— Vamos espanhol safado, goza pra eu ver, venha, venha! — Pediu o canceriano estocando cada vez mais fundo massageando a próstata do outro.
— Aí caralho! — Gritou Shura, se derramando em sua barriga.
Carlo não demorou muito e logo tirou a camisinha para poder ejacular na barriga do espanhol unindo sua semente a dele.
Ambos ficaram com a respiração ofegante, o italiano deixou-se cair na cama enquanto curtia a letargia pós-orgasmo que dominou seu corpo naquele instante.
Após toda a excitação inicial ser findada com o forte orgasmo que atingiu a ambos, Carlo pensou no que tinha acabado de acontecer “Porca miséria porque me deixei levar? Tudo bem foi apenas sexo, apenas isso.” — Disse a si mesmo antes de ser cortado dos seus devaneios pela voz de Shura.
— Acho que eu preciso de um novo banho, me acompanha? — O espanhol perguntou sorrindo malicioso para o italiano.
— Não. — Respondeu rápido e direto, mas ao notar o olhar do outro com a sobrancelha erguida acrescentou. — Eu vou arrumando a mesa.
Dito isso o detetive particular caçou suas roupas que estavam espalhadas no chão vestindo a boxer azul em primeiro lugar.
Shura notou a mudança de postura do outro, ele sabia que não seria nada fácil ter seu italiano rabugento de volta, mas estava disposto a lutar e aquela transa foi o primeiro passo.
....
Após o banho Shura foi até a sala já completamente vestido, encontrou o ex-amante na varanda fumando. — Você fuma demais! — Comentou.
— E você demora mais que uma garota no banho. — Máscara respondeu entrando na sala.
O molho já estava quente, Carlo havia cuidado disso, os dois jantaram sem mencionar o acontecido de momentos antes.
— O Aioros conhece o ruivo, parece que o irmão mais novo se trata com ele. — Comentou Carlo já na sala tomando whisky.
— Aioros, irmão do nosso Aioria? Céus, que mundo pequeno. — Comentou Shura.
— Acho que o doutor pode ter muito a nos esclarecer, eu poderia falar com ele, mas acho que se você for usando seu distintivo pode ter mais sucesso. — Sugeriu Carlo.
— O quê? Você sugere que eu conte nossas suspeitas a ele? — Perguntou Shura confuso.
— “Ma che cazzo” — Reclamou o italiano em sua língua natal. — Shura que espécie de detetive é você? Não precisa contar nada a ele, você vai fazer algumas perguntas invente algo, caspita.
— Ele está usando nome falso, Camus le Blant não existe na França, e aqui ele só existe há cinco anos. — Relatou Shura. — Solicitei que alguns amigos de lá investigassem para mim.
— Vou falar com Aioros antes de viajar para França. — Tornou Shura decidido. — Acha que Aioria consegue arrancar alguma coisa do irmão?
— Não, com certeza, não. — Carlo contou para Shura sobre o que se passou no consultório do irmão de Aioria.
— Peraí, então o ruivo tem dois irmãos, um deles é doente e se trata com Aioros?
— Sim, Shura essa parte está bem clara, não é? — Carlo perguntou confuso.
— Carlo, meu caro detetive, se o Aioros é o médico do menino podemos tentar descobrir se o sobrenome do ruivo é realmente Le Blant, ou se de fato esse ruivo se chama Camus. Como policial eu posso ter acesso aos documentos do hospital. — Comentou Shura sorrindo.
Carlo desviou os olhos daquele sorriso, o maldito espanhol ainda mexia consigo.
— E o Milo? — Shura perguntou.
— O que tem ele? — Indagou Máscara da Morte.
— Ele está sob controle? Saga é muito perigoso, não é bom que o Milo fique brincando com o garoto dele. — Declarou Shura sombrio.
*— *— *— *— *
Aioria chegou à casa de seu irmão, tinha as chaves e por este motivo não bateu na porta.
Encontrou Aioria debruçado sobre alguns livros e fichas de pacientes, sempre foi um médico responsável e curioso sobre a saúde de seus assistidos.
— Oi, mano, como vai? — O mais novo perguntou um tanto receoso, pois era o primeiro contato que tinham desde o constrangedor momento em seu consultório.
— Oi, meu irmão, estou aqui estudando alguns casos mais difíceis dos meus pacientes. —Declarou o outro sem demonstrar aborrecimento em sua voz.
Aioria sentou-se próximo ao irmão o observando ler alguns papéis.
O médico já conhecendo o jeito do irmão o encarou e perguntou. — Sobre o que quer conversar, Aioria?
— Precisamos falar sobre o que houve, sobre o ruivo que você conhece. — Aioria falou direto.
— Não tenho nada para falar sobre o Camus, ele é irmão de um paciente meu e é só isso que você vai saber de mim! — Tornou Aioros categórico.
— Esse cara pode ser perigoso, meu irmão, o Milo não mentiu quando te disse aquelas coisas dele, é tudo verdade inclusive o golpe que ele sofreu, cuidado com ele. — Pediu Aioria.
Aioros nada respondeu por ele a conversa estava encerrada.
....
Era noite, Aioros estava só em sua casa, após aquele pequeno embate com o irmão sobre Camus, o médico deu o assunto por encerrado, mas ele não conseguia tirar as palavras de Milo da cabeça.
“— Esse merdinha aí é um garoto de programa, faz filme pornô e michê nas horas vagas, vai dizer que não sabia? É claro que ele está aqui para fazer seu michê, não é Camus? — Milo despejou ainda irritado.”
Aioros se lembrou das palavras duras que o amigo do irmão para se referir a Camus, o filho do seu estimado professor a quem conheceu quando ele não passava de um rapazote.
“— Ele atende pelo nome de Aquário, não acredite em nada do que ele diz, não vá cair no mesmo golpe que eu.”
Batendo os dedos sobre a mesa Aioros pensava em tudo que foi dito, e em como Camus não conseguiu negar nada, ao contrário sua postura apenas confirmou tudo que Milo havia dito.
...
...Camus estava sentando seu rosto coberto com os cabelos e com as mãos...
— Camus. — Aioros chamou incerto.
O ruivo respirou fundo, aprendeu na vida que não adiantava se lamentar pelo que não podia mudar, sua realidade era aquela e Aioros não poderia fazer nada a respeito.
Camus levantou a cabeça já com sua máscara de indiferença em seu rosto, apesar dos olhos vermelhos. Olhou para o médico como se nada tivesse acontecido. — Ainda vai cuidar do meu irmão? — Perguntou sério.
— Que pergunta Camus, claro que vou cuidar do Isaak, mas quero saber o que está acontecendo com você? Quero saber que história é essa que o Milo despejou aqui, Camus. — Aioros perguntou com sincera preocupação.
— Não tenho nada para falar sobre minha vida privada, Dr. Aioros, com licença eu ligo para marcar o retorno. — Sem esperar uma resposta, Camus saiu do consultório deixando um atônito Aioros para trás...
...
Decidido Aioros sentou à frente de seu notebook e entrou num site de busca digitou: Ator pornô Aquário.
O médico respirou fundo antes de dar clicar no botão de buscar.
Foi com assombro que viu a imagem do filho de seu professor e amigo surgir na tela do aparelho, ainda chocado abriu alguns vídeos e lá estava o rapaz ruivo fazendo sexo com outros homens. — Ah, Camus, por quê?
Aioros não saberia explicar se foi por curiosidade, pelo choque ou se pela excitação que sentiu a questão é que o médico assistiu a todos os vídeos disponíveis online do ruivo em ação, quando terminou de ver os vídeos eles estava com a respiração ofegante e uma enorme ereção entre as pernas.
Vidrado com as cenas que se passavam em sua frente Aioros não conseguiu pensar com coerência apenas libertou o membro rijo das calças e começou a se masturbar, com a boca entreaberta o médico estava completamente entregue ao prazer, não foi preciso muitos movimentos para que ele se derramasse por inteiro sujando suas mãos e sua calça.
Após o intenso orgasmo solitário, uma ressaca moral tomou conta de seu ser.
“Pelos deuses, como eu tive coragem de fazer isso?” — pensou horrorizado, filho de seu professor, um rapaz que conheceu era pouco mais que um menino. Não, aquilo era errado, muito errado, levantou-se e foi tomar um banho para esfriar a cabeça e colocar o juízo de volta ao lugar dele.
“Como Camus foi parar aí, como esse menino foi entrar nesta vida?” — Aioros pensou já sentado em sua cama sentiu-se culpado, não havia dúvidas que negligenciou aquelas crianças, em sua mente as lembranças de quando Camus veio procurá-lo pela primeira vez após a morte do pai.
...
— Sonia, você já viu tudo sobre o alojamento em que meu irmão vai ficar na universidade, ele parte esta semana para New York, meu irmão vai ser o mais brilhante advogado deste país! — Aioros dizia animado para sua secretária.
— Nossa, deve ser muito caro manter uma pessoa estudando assim fora do país. — Comentou a secretária. — Mas, o Aioria merece esse investimento, ele sempre foi muito estudioso, não é mesmo?
— Sim, Sonia, não é barato, mas vai valer a pena.
Neste momento um garoto ruivo chegou no consultório trazendo consigo duas crianças, Aioros não os reconheceu fazendo com que sua secretária fosse ter com os recém-chegados, enquanto o médico mexia em seu computador fazendo algumas anotações.
— Dr. Aioros, aquele garoto quer conversar com o senhor, diz ser filho do professor Crystal Versau. — Após a secretaria identificar o rapaz, Aioros tirou os olhos do computador analisando o ruivo, um adolescente. Lembrou-se de que seu professor havia entrado em contato dizendo que se mudaria para a Grécia, tinha planos para tratar do filho doente e dizia que havia feito descobertas incríveis que revolucionaria a medicina como a conheciam até então.
Mas, um fatídico acidente matara seu professor antes que esse lhe revelasse qualquer coisa sobre as tais descobertas, restaram apenas os seus filhos, o garoto doente que precisava dos seus cuidados, e os dois irmãos, o ruivo mais velho e o menino loirinho que era o mais novo.
Aioros estranhou o fato de o adolescente ruivo ficar à frente dos assuntos relacionados a doença do irmão, mas Camus sempre dizia que seu tio era uma pessoa muito ocupada e que não queria dar mais este trabalho a ele.
— Eu quem vou ficar responsável por trazer o Isaak, meu tio vai cobrir as despesas que houver, mas ele não pode ficar vindo, você entende, não é? Já somos um fardo pesado demais pra ele. — O jovem Camus dizia com uma segurança inédita para alguém de tão pouca idade.
— Camus, você ainda é menor de idade, não é? É complicado que assuma essas responsabilidades. — Aioros esclareceu.
— Por favor, Dr. Aioros, é meu irmão, pelo meu pai que confiava tanto no senhor, me deixa cuidar do meu irmão? — Suplicou o rapaz sem responder à pergunta do médico.
Suspirando fundo Aioros concordou. — Ok, Camus você venceu, pelo respeito e consideração que eu sempre tive por seu pai vou permitir que você fique acompanhando seu irmão no tratamento, não vou cobrar minhas consultas, mas não tenho como cobrir os custos com o medicamento e já vou avisando que eles são bem caros.
Aioros poderia sim isentar o rapaz dos custos com os medicamentos, mas isso diminuiria seu lucro, e com o irmão estudando fora do país não seria inteligente assumir despesas que não eram suas.
...
— Ah professor Crystal, me perdoe por ter negligenciado seus filhos. — O médico falou sentindo-se terrivelmente mal com toda aquela descoberta.
*— *— *— *— *
Camus estacionou seu carro próximo ao prédio de Milo, havia tomado três analgésicos antes de sair de casa, não acreditava ter quebrado nenhuma costela como pensou Aldebaran, mas mesmo assim, fortes dores ainda o incomodavam.
O ruivo entrou pela entrada de serviço, não se sentia mal ou diminuído por estar entrando pela entrada dos trabalhadores, afinal, também ele não estava ali para prestar um serviço?
Se o objetivo de Milo era o humilhar, ele havia falhado, pois Camus em nenhum momento se sentiu mal por compartilhar com os outros trabalhadores a entrada ao local.
O ruivo estava com os cabelos presos num rabo de cavalo baixo, usava uma calça preta, com uma camisa social branca e um blazer preto.
Básico, não teve tempo e muito menos ânimo para se arrumar.
Havia pedido ao porteiro que o anunciasse, mas ainda assim teve que tocar a campainha quando o elevador parou no andar do loiro.
Obviamente Milo não estaria esperando por ele na porta.
Quem abriu a porta para a surpresa do ruivo foi o rapaz bonito que lhes atendeu na primeira vez que esteve ali e que estava com Milo no consultório do Dr. Aioros.
— Oh! Olá, Aquário! — Cumprimentou o loiro fingindo surpresa.
— Olá. — O ruivo puxou pela memória. — Aioria, não é?
— Sim, vejo que tem boa memória.
Camus nada respondeu apenas esperou que o rapaz o deixasse entrar, coisa que Aioria não tardou a fazer.
— Venha, por favor, Milo está te esperando.
Os dois seguiram para a sala.
— Bebe alguma coisa? Um whisky, um licor, água? — Ofereceu Aioria.
— Não, obrigado.
— Aquário fique à vontade, eu estou de saída, o Milo já está descendo. — Informou Aioria exatamente como da primeira vez em que se encontraram ali.
Camus apenas sinalizou com a cabeça e aguardou.
Não quis sentar, não queria encostar-se a nada, não estava muito disposto a aguentar os impropérios daquele loiro maldito.
Alguns minutos depois que Aioria saiu, Milo desceu as escadas com seu sorriso cínico nos lábios.
Camus o olhou com cara de poucos amigos, aliás, o ruivo mantinha o semblante fechado e seu olhar fixo no loiro, que teve vontade de sorrir ainda mais vendo a expressão sisuda do outro.
— Boa noite, Camus, que bom que finalmente pôde atender meu chamado. — Milo alfinetou sorrindo chamando o ruivo pelo nome verdadeiro e se dirigindo ao bar para se servir de uma bebida.
Quando o loiro se aproximou do ruivo este começou a falar. — Nós precisamos acertar algumas coisas. — Camus começou a falar sério e Milo apenas ergueu a sobrancelha escutando o que o ruivo tinha a dizer. — Você não tem o direito de fazer o que você fez, não pode me expor ou me humilhar quando por acaso nos encontrarmos fora daqui.
Milo ergueu as mãos em sinal de rendição e falou. — Uou, uou, uou... não foi minha intenção te expor a nada.
— Mas foi o que você fez. — Retrucou Camus.
— Eu sei que te devo um pedido de desculpas pela forma que falei com você no consultório do Dr. Aioros, me desculpe, ok? Mas, eu tinha meus motivos para agir daquela forma, não tinha Camus?
— Cara, eu sou super discreto, nunca cumprimento meus clientes quando os encontro fora do programa, e sinceramente agradeceria se você fizesse o mesmo. Ok? — Camus continuou falando e propositalmente ignorando o fato que o loiro o chamava pelo seu nome verdadeiro.
— Camus me desculpe, ok? — Milo voltou a pedir, dessa vez atraindo a atenção do michê. — Eu sei que me excedi, mas... — O loiro suspirou antes de continuar a falar. — ... Camus o Aioros é irmão do meu melhor amigo, é uma pessoa que considero muito, foi o cara que me ajudou a entender o que se passava comigo na minha adolescência quando me descobri gay. Mas, ele também é um dos caras mais íntegros que conheço, e quando eu vi você lá com ele...
Milo parou de falar, pensou no que sentiu quando viu Camus abraçado a Aioros, a sensação ruim que sentiu, mas atribuiu tal sensação a preocupação com o amigo.
— Eu achei que você estivesse dando um golpe nele, o enganando assim como você fez comigo. — Esclareceu Milo, fazendo Camus abaixar o olhar altivo que o ruivo mantinha desde que entrou na cobertura de Milo.
— Eu achei que você estava enganando ele, jamais me passou pela cabeça que você fosse parente de um dos pacientes do Aioros. Desculpe-me pelo modo que falei com você lá. — Milo voltou a se desculpar.
Observando que o ruivo havia baixado a guarda Milo cerrou os olhos e acrescentou com um veneno proposital. — Mas, só estou me desculpando pelo tom que usei, e não pelo que eu falei.
Camus voltou a encarar o outro com a cara fechada e Milo continuou.
— Eu não disse nenhuma mentira a seu respeito, nem inventei nada, tudo que falei é verdade. — Milo falou calmamente se deliciando com a expressão sisuda do outro.
— Você me humilhou! — Rebateu Camus se segurando para não perder o controle.
— Eu te humilhei? — Milo continuou com seu insuportável cinismo. —Eu contei ao Aioros que você era um garoto de programa e que fazia filmes pornô, você achou que eu o humilhei por causa disso?
— O que você acha? É da minha vida que você estava falando. — Respondeu Camus irritado. — Você não tinha o direito!
— Escuta aqui meu rapaz, se você tem vergonha do que faz para viver a culpa não é minha, o que eu falei para o Aioros é a mais pura verdade! Você é um maldito michê! Você faz filmes pornô sem pudor algum e você é um filho da puta de um golpista, já que me seduziu para gravar imagens íntimas minhas e vender como se eu estivesse de acordo com aquilo. — Milo cuspiu irritado, aquele ruivo o tirava do sério.
Camus calou-se, Milo tinha razão, tudo o que ele falou era verdade e era essa verdade que mais o humilhava. De fato, ele era tudo aquilo que o loiro acabou de dizer, ele não tinha que se envergonhar, e de fato não se envergonhava, mas Aioros era a sua única ligação com o Camus que ele deixou pra trás há muito, e talvez por saber que o médico enfim descobrira a verdade sobre sua nova vida... isso o deixou tão humilhado.
Olhou para Milo que o encarava irritado, o loiro havia ganho o embate apenas dizendo a verdade.
Camus suspirou tentando voltar a sua passividade habitual, sua fleuma característica, era melhor fazer o que tinha que fazer ali e ir embora de uma vez.
Não seria a primeira vez que Camus transaria com alguém que o humilhara, já fez isso inúmeras vezes, fazia parte de sua profissão, não é? Ainda exercitando a respiração, olhou para Milo mudando completamente de tom e de assunto.
— Então onde vai ser? Aqui na sala, no seu quarto? — O ruivo perguntou já descartando o blazer que vestia quanto antes começasse o trabalho, mais cedo sairia da presença do arrogante e venenoso loiro.
Milo piscou algumas vezes ao perceber que o ruivo mudara de assunto, então percebeu que seu plano não estava saindo como ele planejara, aquele ruivo insuportável o tirava do sério.
— Camus, me desculpa, não queria que nosso encontro hoje fosse assim. — Começou Milo com um tom baixo e educado.
— Desculpe, não compreendo. — Falou Camus confuso com a mudança de atitude do loiro.
— Camus, eu não quero transar com você. — Falou Milo olhando nos olhos de um confuso Camus. — Não, quero dizer eu quero sim, mas não assim, não pagando, entende?
— Não se preocupe, senhor Milo, o senhor deixou bem claro que não pagaria o programa de hoje, não é? Não vou cobrar. — Respondeu o ruivo com sua habitual fleuma. — Vamos ficar por aqui mesmo?
— Não, Camus... você não está me entendendo. — Milo continuou olhando nos olhos do ruivo. — Eu quero você Camus, não quero o Aquário.
O jovem michê voltou a olhar o loiro com confusão nos olhos.
— Aquele dia no aeroporto, eu sei que foi você, Camus, foi você quem passou aquela noite no hotel comigo, não foi o Aquário, e eu quero conhecer o Camus. — Milo pediu mais sincero do que imaginava.
— O que quer de mim, senhor Milo? — Camus perguntou cansado e confuso.
— Primeiro, que me chame apenas de Milo. — O herdeiro das indústrias Kapino pediu sorrindo. — Não sou nenhum velho.
— Foi você quem mandou que eu o chamasse assim, lembra? — Respondeu Camus achando muito estranho aquele Milo simpático de uma hora pra outra.
— Eu fui um babaca, Camus, me desculpe. — Milo voltou a falar mansamente tentando tocar no rosto do ruivo. — Vamos colocar uma borracha em cima de tudo que aconteceu no passado, vamos começar de agora em diante, hum?
Se esquivando do toque, Camus voltou a perguntar confuso. — O que quer de mim?
— Eu quero sair com você, Camus, não o Aquário, e eu sei que quem veio aqui hoje é o Aquário, eu quero conhecer o Camus, entende? — Milo pediu novamente explicando o que de fato queria.
— Não há o que conhecer, Milo, o Camus é um perdedor você não ia gostar dele. — O ruivo falou incomodado, em todos esses anos como garoto de programa aquela era a primeira vez que alguém mostrava interesse nele como pessoa, e não como objeto.
— Me deixa descobrir? — Pediu Milo novamente.
— O que você tem em mente? — Camus perguntou tentando entender o que se passava na cabeça do outro.
— Quinta feira, nós vamos nos encontrar novamente, mas dessa vez quero sair com o Camus, ok?
Saga havia ordenado que Camus deixasse Milo feliz e ocupado, então o ruivo decidiu não recusar a proposta maluca do loiro, apesar de estar achando tudo aquilo uma grande bobagem. — Tudo bem, nos encontraremos novamente na quinta, mas e hoje o que faremos?
— Hoje você pode ir embora, apenas me dê o seu contato, não quero conversar com o Camus através de agenciadores. — Pediu Milo fazendo cara de bom moço.
Camus encarou o loiro, não estava gostando nada daquilo, mas achou por bem não discordar ao menos naquele primeiro momento. Foi até um bloco de notas que se encontrava ao lado do aparelho de telefone fixo e lá anotou o número do seu celular, sem muita paciência para os joguinhos de Milo, Camus pegou seu blazer e olhou uma última vez para o loiro. — Então, se não quer fazer nada hoje, até quinta.
— Até nunca mais, Aquário, quinta eu quero o Camus! — Milo retrucou vendo o ruivo fazendo um sinal de ok com as mãos e deixando apartamento do loiro, mas dessa vez pela porta da frente.
— Milo, Milo... você está brincando com fogo. — A voz de Aioria se fez ouvir quando o amigo apareceu ao pé da escada.
— Carlo tinha razão Aioria, tratar esse cara como o lixo que ele é não fará efeito, vou fazer justamente o contrário, vou tratá-lo como se ele fosse a pessoa mais digna do mundo, aí sim poderei colocar em prática minha vingança contra o cretino. — Revelou Milo sorrindo, mas Aioria permaneceu sério, pois o amigo não se dava conta do quão perigoso era aquele plano, pois em matéria de sedução o ruivo estava muito à frente de Milo.
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