Na Real
7 Capitulo 7 - Minha Tortura Tem Preço?
Notas iniciais

Na Real — Capítulo 7
— Como assim “ele não pode me atender esse fim de semana”? Quem esse rameiro pensa que é para recusar meu chamado? — Milo esbravejou enquanto Aioria tentava explicar algo.
— Milo, quer parar de chilique! — Resmungou o amigo. — Ele não pode vir, está com outro cliente.
— O final de semana inteiro?
— Sim, Milo, ele está com o final de semana cheio, saiu em viagem. — Aioria explicou sem saber que Milo se irritava ainda mais por causa do ciúme, que nem ele sabia que sentia, o advogado havia entrado em contato com Saga a pedido de Milo para contratar os serviços do ruivo para aquele final de semana.
Carlo estava quieto atento aos movimentos dos amigos, Milo havia marcado uma reunião com ele, mas antes de começarem a conversar, Milo resolveu jogar sua frustração em cima do amigo. — E você, Carlo, eu te pago para me informar tudo sobre o verme, e como eu não sabia que ele tem contato com Aioros?
— Ei! Não vem não, eu te falei sim que ele tem dois irmãos, e um dos meninos é doente! Em nossa primeira conversa sobre o cara eu disse que ele tinha dois irmãos menores um de onze e outro de nove anos, e que o mais velho era doente! Se você não prestou atenção, é problema seu. — Defendeu-se o detetive.
Milo calou-se pensativo, pouco depois olhou para seu advogado com olhos frios e ordenou. — Aioria, veja o que pode ser feito para tirar essas crianças dele!
— O quê? — Perguntaram Aioria e Carlo juntos tamanha a surpresa com aquela ordem. — Milo, você não está falando sério, está?
— Qual é? Estamos falando de duas crianças, e uma ainda é doente! Elas moram com um cara imoral, que, além de prostituto, é um ator pornô, que tipo de vide ele pode oferecer a essas crianças? A gente tem que pensar no bem-estar delas. — Milo argumentou tentando acreditar em suas palavras, tentando convencer-se que sua preocupação com a segurança daquelas crianças era legítima.
— Milo, não tem como. Você quer a guarda dessas crianças, é isso? — Perguntou Aioria ainda confuso com a ordem de Milo.
— Não, Aioria, claro que eu não tenho pretensões de adotar essas crianças, vamos mandá-las para um abrigo, com certeza os abrigos devem ser melhores do que morar com um vagabundo daqueles. — Respondeu Milo firmemente, com a certeza de sua ordem.
— Mas, Milo... e o menino doente? — Perguntou Aioria incrédulo encarando Milo.
Milo sustentou o olhar do amigo, depois abaixou os olhos e disse. — Não se preocupe vou custear o tratamento desse menino, inclusive pode dizer isso ao Aioros, a partir de agora estou custeando o tratamento do garoto, mas você vai achar uma forma de tirar eles da guarda desse irmão imoral que eles têm.
Aioria suspirou cansado, mas concordou com a cabeça. — Ok, verei o que posso fazer neste caso.
— Aioria! Diga a esse Saga que quero o ruivo aqui assim que ele chegar dessa viagem, diga a ele que eu não vou pagar pelo programa, pois o ruivo me deve isso! — Pediu Milo antes de colocar whisky em seu copo e beber em um único gole.
Aioria não gostava de ser tratado como um secretário, mas ainda assim preferia ele mesmo manter contato com Saga a deixar o cabeça mole do Milo se envolver com aquele tipo de gente.
*-*-*-*-*-*
Camus, Pandora, Mu e Afrodite entraram no luxuoso iate, nem os convidados e nem o aniversariante haviam chegado ainda.
— A festa vai ser toda neste iate? — Questionou Camus estudando o local.
— Não, ao que parece vamos para uma ilha, o iate é para alguns poucos convidados. — Explicou Pandora também estudando o local.
— Aí estão vocês, bando de imprestáveis, achei que eu fosse fazer tudo sozinha! — A voz grossa de Verônica se fez ouvir e todos de viraram para a drag.
Verônica estava vestida com uma roupa de marinheiro versão feminina, carregada no glitter, a maquiagem estava mais leve que o normal, mas Camus sabia que ela não estava arrumada para a festa ainda.
A drag e Camus não se davam, Verônica tinha ciúmes e inveja da proximidade de Camus com Saga, inicialmente achava que o ruivo era só um passatempo para o chefe, mas com o passar dos anos viu Saga comumente tratando Camus como favorito. E assim, a inveja sempre lhe consumia, tentava provocar o ruivo de todas as maneiras, mas Camus raramente se alterava com ela.
— Como vai Aquário querido? — Verônica cumprimentou falsamente fingindo amabilidade ao abraçar o ruivo.
— Estou bem. — Camus respondeu sem lhe devolver o abraço, então sua atenção foi para Mu e Afrodite que pareciam tensos com a chegada da drag.
— Muito bem, vocês dois, já sabem o que tem que fazer, espero que façam sem frescura e sem me dar trabalho desnecessário. — Verônica falou rispidamente para os novatos, que estavam cada vez mais pálidos e tensos.
— Verônica, Saga pediu que eu os orientasse, então pode deixar que eles estão sob minha responsabilidade. — Camus cortou a drag que o olhou com cara de quem toma um remédio muito amargo.
— Certo, Aquário, como quiser, meu querido. — A drag falou sorrindo amarelo e olhando para os novatos, disparou. — O Aquário aqui é amante do todo-poderoso Saga, é melhor que vocês não esqueçam disso.
Camus odiava essa coisa de “preferido”, “amante”, “garoto do Saga”, mas sabia que Verônica estava apenas querendo irritá-lo, então preferiu mais uma vez ignorar a drag, assim que ela se afastou, Camus chamou os novatos.
— Afrodite, Mu eu sou o Aquário, vou tentar orientar vocês durante esses dias aqui, tudo bem? — Perguntou o ruivo percebendo os rostos preocupados dos novatos.
Cismado olhou nos olhos dos dois rapazes a sua frente e questionou. — Vocês são maiores de idade?
Mu e Afrodite trocaram olhares confusos antes de Afrodite responder: — Sim, somos maiores de idade, acaso eles trazem menores para cá?
Camus analisou o loiro depois fez um gesto de tanto faz com as mãos. — Preciso confiar em vocês e quero que confiem em mim.
— Eu não confio em você "garoto do Saga" — Afrodite respondeu petulante encarando Camus, que ficou alguns instantes sem ação.
— Afrodite, por favor, não. — Pediu Mu olhando para o amigo apreensivo.
— Não estou pedindo para sermos amigos, vocês são novatos e vão ter que ficar sob a supervisão de alguém, ou ficam comigo, ou ficam com a Verônica, a escolha é de vocês. — Esclareceu Camus olhando sério para Afrodite.
— A gente trabalha com a Verônica na boate, ela é o pior tipo de pessoa, desculpe meu amigo, Aquário, ele está tenso com as coisas que escutamos a respeito desta festa. — Mu pediu a Camus, explicando os motivos de Afrodite.
— Exatamente, pelas coisas que podem acontecer aqui é que estou falando que precisamos estar unidos, não confio na Verônica e nem na Pandora, gostaria de poder contar com vocês. — Tornou Camus.
Mu e Afrodite voltaram a trocar olhares e o loiro perguntou. — O que tem em mente Aquário?
Camus sorriu e explicou algumas coisas aos dois rapazes a sua frente.
— É imprescindível que nós nos mantenhamos sóbrios, contudo precisamos manter os convidados bêbados. — Começou Camus, Mu e Afrodite estavam atentos.
— Eu trouxe essas caixas de chá, venham me ajudem. — Camus pediu pegando algumas garrafas de whisky e virando seu conteúdo na pia.
Mu e Afrodite não puderam esconder o sorriso nos lábios ao verem a cena.
— Somente nós três sabemos disso. — O ruivo pegou uma caneta vermelha e fez uma marca nos rótulos de seus whisky falsos. — Vamos nos comprometer a ficar atentos um na bebida do outro, eu já fui drogado nestas festas e acreditem em mim ficar inconsciente nesse lugar não é um bom negócio.
Mu e Afrodite que inicialmente estavam com o pé atrás com o Aquário, “o preferido de Saga”, agora já estavam mais relaxados.
Camus analisou os dois rapazes, Mu sempre calmo e servil, era um prato cheio para os depravados amigos de Radamanthys.
Afrodite tinha uma altivez petulante, talvez ela se desse por sua excessiva beleza, mas diferentemente de Mu, Afrodite tinha um olhar desafiador se bem agenciado o rapaz iria muito longe.
— Mu, eu não sei quanto tempo você tem nesta vida, mas você precisa mudar algumas coisas em você. — Disse Camus fazendo o tibetano o olhar apreensivo.
— O que quer dizer? — Perguntou o outro.
— Não seja tão educado, digo não seja tão servil. — Aconselhou o ruivo.
— Está me dizendo para ser rude com os clientes? — Questionou Mu confuso.
— Não é necessário que seja rude, mas você deve mostrar a eles que quem é que manda é você. Mu, lidamos com tarados e pervertidos megalomaníacos que acham que porque têm dinheiro e estão pagando pelo sexo, eles podem tudo. Você tem que pôr limites, falar sério e se impor, caso contrário vai sofrer muito mais que o normal. — Aconselhou o ruivo.
Eles já estavam no luxuoso iate, em um dos quartos, haviam deixado as duas garrafas escondidas próximo ao bar. Camus gostou dos dois rapazes, apesar deles serem arredios e deixarem sempre a impressão que estavam escondendo algo, Camus confiou neles, muito mais por não ter outra escolha, diga-se de passagem.
...
— Vamos Camus temos que nos arrumar, já orientou seus meninos, o Saga ficará orgulhoso de você. — Falou Pandora com uma pitada de sarcasmo.
Camus olhou para os novatos que retribuíram o olhar. — Façamos como o combinado.
Os dois concordaram, Pandora estreitou os olhos sem saber do que se tratava a conversa, logo Camus seguiu com ela, em pouco tempo os convidados começariam a chegar, assim como o aniversariante.
....
Todos estavam apostos quando os convidados começaram a chegar Afrodite e Mu usavam micro shorts de látex as mulheres estavam com microssaias e tops que mostravam mais do que escondiam.
Todos ostentavam um sorriso no rosto recebendo os convidados, homens asquerosos que os olhavam sem disfarçar a cobiça, como os cães famintos olham para os frangos assados girando nas máquinas nas portas das padarias. Alguns mais abusados apalpavam as bundas dos rapazes, ou os seios das moças.
Camus e Pandora estavam em uma bancada que se sobressaía ao chão. Um local de destaque, ele com uma calça bordô transparente, peito nu e uma coleira no pescoço que era segurada por Pandora. Ela com um vestido preto frente única super decotado e uma peruca com os cabelos pretos curtos estilo Chanel.
O lugar de destaque onde todos que entravam podiam ver os dois, quando o convidado se aproximava lia a placa com os seguintes dizeres: Para uso exclusivo do aniversariante.
Obviamente a imagem de destaque dos dois mais cobiçados da festa chamava a atenção dos visitantes, Pandora assim como Camus, atuava em filmes adultos era uma das estrelas mais conhecidas do cinema adulto, por serem “famosos” os cachês dos dois eram bem superiores aos demais profissionais do sexo presente ali.
Naquela festa compareceram somente a nata da sociedade grega: Empresários, políticos, juízes... Em suma, todos os mais importantes homens de “bem” estavam presentes.
Camus pensou ver o homem que estava almoçando com Milo no restaurante que fora com Saga, percebeu o olhar do homem sobre si, mas não o encarou de volta preferiu ficar atento a possível chegada de Milo, coisa que não aconteceu.
O ruivo mantinha aceso seu senso de sobrevivência, mesmo ali fazendo olhar blasé para os convidados, que pelas graças dos Deuses não estavam autorizados a tocarem nele, pelo menos naquele momento, Camus estava sempre atento, pois achava muito difícil que Radamanthys o mantivesse exclusivo durante todos os dias.
“Decerto Radamanthys só está fazendo isso para nos valorizar para depois nos ceder para os amigos mais importantes” — Pensava Camus.
Inferno foi o nome que caiu bem àquela festa, pois as drogas e a libertinagem corriam solta, os convidados bebiam e conversavam entre si apalpando as garotas, apertando seus seios e por vezes até os lambendo ali na presença de todos sem o menor pudor.
As meninas, coitadas sorriam sem graça como se ser tratada daquela forma fosse normal e comum.
O velho que Camus pensava ter visto com Milo no restaurante estava abraçado a duas garotas e ficava enfiando sua mão nas partes íntimas delas, depois lambia a mão e ria com os outros velhos.
Repugnante!
O jovem michê sabia que a grande maioria das pessoas os viam apenas como um objeto, ali eles tinham menos importância do que um quadro da parede ou uma peça do barco, estava acostumado com isso, mas havia uma grande diferença entre ser tratado dessa forma por uma pessoa de cada vez, em um local privado; e ser tratado como objeto por toda aquela gente e em público. Aquilo exigia um autocontrole muito grande por parte dos profissionais do sexo.
Muitos bebiam como uma forma de amenizar o sofrimento, anestesiar os pensamentos, Camus, contudo preferia estar sóbrio e lúcido, pois sabia até onde a falta de humanidade daquela gente rica podia chegar.
O ruivo ficou observando Mu e Afrodite, o loiro se saía muito bem com os clientes, os embebedando enquanto era assediado, aliás, o loiro estava sendo muito assediado, o que não surpreendeu Camus, uma vez que a beleza dele era impactante.
Já Mu era calmo, pacato e tímido, e por ser baixinho o jovem exótico de cabelos liláses aparentava ter no máximo seus dezesseis ou dezessete anos, uma presa fácil para os fetiches dos pedófilos de plantão.
Verônica era quem comandava a coisa na festa, não era uma festa com muitas pessoas, tinham no máximo vinte ou trinta convidados ali, alguns casais ou pequenos grupos se dirigiam para os quartos, sempre com a supervisão dos olhos atentos da drag, um grupo de cinco homens queriam levar Afrodite para o quarto, mas nem o loiro aceitou, nem a drag cafetina concordou, pelo menos não no início do final de semana, mas Camus não apostaria que Verônica mantivesse essa postura por muito tempo.
Afrodite subiu com dois homens apenas, os homens já estavam altos pela bebida, mas graças ao estratagema de Camus o loiro estava sóbrio, assim poderia ter o controle da situação, se ele fosse esperto como Camus imaginava que era, faria os dois transarem entre eles ficando apenas de espectador.
Momentos depois, uma lancha emparelhou com o iate e ouviram muitos vivas vindo do lado de fora, Camus não teve dúvidas: O aniversariante havia chegado.
O frio na barriga era inevitável, não como era quando ia atender algum desconhecido, mas justamente por conhecer, e bem, o aniversariante.
Assim que Radamanthys cruzou a entrada do local, mais vivas foram ouvidos dessa vez pelos presentes no local.
Pandora e Camus, teatralmente ante a expectativa do loiro ir buscar seu “presente,” também deram vivas e aplaudiram como os demais ali presentes.
Radamanthys andava na direção dos dois e no trajeto ia recebendo os cumprimentos e felicitações de seus convidados, mas sempre mantendo o olhar fixo nos dois.
Pandora dançava enquanto segurava Camus por uma coleira que estava presa ao pescoço do ruivo, ele encenava uma cena erótica beijando as pernas da moça, quando Radamanthys chegou onde os dois estavam, pegou uma coleira que estava próximo a Pandora e prendeu no pescoço da moça, pegou a alça da coleira de Camus com a mão esquerda e a alça da coleira de Pandora com a mão direita puxando os dois para si.
Ainda mantendo os personagens, Camus e Pandora dançavam enquanto acariciavam o corpo do aniversariante se insinuando, Radamanthys sorriu e falou para seus convidados, numa cena que parecia ensaiada. — Meus amigos, é um prazer ter todos vocês aqui, essa festa é um presente meu para vocês libertem seus fetiches e suas fantasias, pois eu vou libertar os meus. — Dizendo isso ele começou a sorrir e a lamber o pescoço de Pandora e o de Camus que devolviam o gesto como se estivessem apreciando cada toque do loiro.
Só Camus sabia o quanto ele precisava apelar para a frieza do seu ser, frieza que aprendeu ao longo da vida, seus sentimentos ficavam guardados em seu peito em segurança, Camus não existia agora, somente o Aquário estava ali naquele momento.
Radamanthys olhou nos olhos de Camus e sorriu. — Aquário, é sempre um prazer ter você comigo, não imagina o quanto.
Aquário deu apenas um meio sorriso, preferiu não se aprofundar nas razões que o loiro tinha para sentir tal prazer.
— Meu querido Radamanthys, olha só, trouxe um presente pra você! — A voz de Verônica se fez ouvir chamando a atenção dos três, parado ao lado da drag estava Mu com seus grandes olhos verdes assustados.
Camus olhava sério para o rapaz tentando sinalizar que ele ao menos disfarçasse a apreensão que estava sentindo, aquele não era o lugar para se mostrar fragilidade.
— Ora ora... que garotinho bonitinho. — Radamanthys falou debochado. — O que será que ele sabe fazer?
— Eu sei fazer massagem, senhor. — Mu respondeu de cabeça baixa.
Radamanthys riu e agradeceu a Verônica pelo “presente”. — Obrigado Verônica, acho que no final desse fim de semana realmente vou precisar de uma massagem, mas hoje quero diversão. — Completou Radamanthys sarrando em Pandora.
— Mu, por favor, pegue uma bebida pra mim. — Pediu Camus, no intuito de desviar a atenção de Radamanthys do jovem e iniciante michê.
Verônica percebeu a intenção do ruivo e avisou falando em seu ouvido. — Não atrapalhe meus negócios, nem o protegido do Saga tem esse direito.
Camus apenas a encarou com seu olhar blasé não dando importância àquela ameaça velada, Verônica encarou o ruivo por mais algum tempo antes de sair.
Logo Mu trouxe a bebida de Camus, assim que o ruivo pegou em seu braço, o alertou. — Mu melhore sua postura, lembre-se do que eu falei sobre ser subserviente, esses homens vão te massacrar, coloque desafio em seu olhar, quando for tratar com qualquer um deles o faça com altivez, não com subserviência.
Mal Camus acabara de alertar e um homem já bêbado abraçou Mu por trás fazendo o rapaz sobressaltar com o susto.
Camus não interviu, ficou esperando a reação de Mu que acenou para Camus compreendendo onde o ruivo queria chegar.
— Ow, ow, meu querido, vamos com calma. — Começou Mu para o bêbado com voz gentil, mas com altivez em seu olhar. — Vamos nos divertir, mas vamos fazer isso com calma, vai ser muito mais prazeroso pra você.
A firmeza do gesto surtiu efeito, pois o homem esperou Mu o levar para o quarto, Camus sorriu aliviado.
A festa rolava solta, não era um lugar para pessoas sensíveis, pois a orgia acontecia sem que as pessoas tivessem o mínimo de pudor, poucos eram os que preferiam a intimidade de um quarto.
Em geral os que tinham relações homossexuais preferiam manter a intimidade reservada, reservada somente para os adeptos do sexo entre pessoas do mesmo sexo, pois assim como acontecia com os heterossexuais a orgia corria solta, grande parte dos convidados eram formados por pessoas de bem aos olhos da sociedade, em geral homens casados e eles não se sentiam à vontade sendo penetrados por outros homens, vestindo uma lingerie fio dental enfiada na bunda na frente de outras pessoas.
Já os heterossexuais não tinham pudores, faziam e recebiam sexo oral na sala, na frente de todos, como se a sua heterossexualidade fosse um troféu, não raro era possível ver casais trepando pelos cantos.
O iate virou uma grande danceteria flutuante, a pouca luz presente ajudava os mais tímidos a soltar o libido.
Camus e Pandora dançavam no espaço reservado, ambos podiam sentir o olhar de cobiça dos convidados sobre eles.
Camus sempre que podia observava Mu e Afrodite, o loiro era muito assediado, sua beleza chegava a ser sufocante, Camus não teve dúvidas que isso aconteceria logo que colocou os olhos no rapaz, e ele era também muito mais safo do que o tímido Mu.
Eles estavam seguindo os conselhos de Camus e mantinham-se sóbrios tomando o chá ao invés de whisky.
— Às vezes eu me pergunto qual a vantagem de me manter sóbrio, é tanta coisa acontecendo que me dá asco. — Afrodite reclamou com Mu.
— Eu sei, meu amigo, mas ao menos estamos conscientes, quem sabe se um de nós bêbado não estaria transando com varias pessoas ao mesmo tempo iguais aqueles caras que a Verônica trouxe? — Ponderou Mu.
Afrodite suspirou desanimado.
Não tardou Verônica foi até eles. — Vamos, vamos! Quero vocês dois circulando tá cheio de clientes aqui vamos, vamos. — A drag batia palmas fazendo os amigos voltarem para a pista de dança cada um com seu copo de chá gelado.
Camus observou que Pandora já estava bêbada, a moça ria alto e se insinuava para o aniversariante.
"Com sorte eu me livro hoje" — pensou Camus cedo demais, pois Radamanthys o abraçou por trás falando em seu ouvido.
— Acho que quero meu presente agora.
— A Pandora está mais soltinha, não acha? — Camus comentou sorrindo, talvez Radamanthys resolvesse ficar com a moça antes.
— Soltinha demais pro meu gosto, e eu tenho planos pra ela. — Comentou Radamanthys que falou algo no ouvido da moça e logo depois ela saiu de onde estava e foi ao encontro do velho, que Camus jurava ser o mesmo que estava almoçando com Milo naquele dia do restaurante.
Camus observou a mulher se ajoelhando em frete ao homem que estava sentado e a olhava com olhos de cobiça, Pandora esfregou as mãos nas pernas do velho, tateou pelo volume da calça e sorriu ao constatar a grande ereção que estava ali, então livrou o membro o segurando firme na base. Sorrindo maliciosamente Pandora passou a língua pelos lábios e em seguida colocou o órgão na boca para delírio do velho escroto.
— Vamos meu caro, orgias são boas para assistir, mas eu realmente não me vejo fodendo você aqui na frente de todos. — Falou Radamanthys ao ouvido de Camus e, ao notar o olhar de Camus para o agora cliente de Pandora, avisou. — Aquele é Klaus Kapino um dos homens mais ricos da Grécia, mas pode tirar seu cavalinho da chuva, ele é hétero e homofóbico, você não teria chances com ele. — Avisou antes de deixar o local e ser seguido por Camus que olhou para o velho escroto por uma última vez.
Depois Camus olhou para Mu e Afrodite que estavam sendo assediados na pista de dança antes de deixar o local, infelizmente nas festas de Radamanthys ninguém saía imune, lamentou pelos rapazes.
....
— Por que viemos para cá? — Perguntou Camus no quarto da mansão que ficava no meio de uma pequena ilha, tirando os empregados, os dois estavam a sós e Camus não gostava disso.
— Porque essa ilha é minha, e amanhã a festa vai continuar aqui, e porque eu quero privacidade para nós essa noite, meu caro. — Respondeu Radamanthys enquanto cheirava uma carreira de cocaína que havia colocado nas costas de um Camus nu.
O ruivo estava de bruços, havia tirado toda sua roupa por ordem de Radamanthys assim que chegaram ao quarto.
— Quer cheirar para dar mais energia? — Perguntou Radamanthys.
— Não, obrigado. — Respondeu Camus como se estivesse recusando uma bebida e não uma droga ilícita.
— Você quem sabe, acho que nós nos divertiríamos mais estando os dois na mesma vibe. — Lamentou o loiro que estava trajando apena uma boxer preta.
— A gente vai conseguir se divertir, não se preocupe. — Respondeu Camus ainda de bruços enquanto Radamanthys lambia o local onde estava a droga minutos antes.
— Ahhh... Aquário quero foder com você até amanhecer o dia. — Falou Radamanthys lambendo e massageando as costas do ruivo.
Camus achava sinceramente que deveria concorrer ao Oscar toda vez que tinha que mostrar empolgação ou excitação aos seus clientes.
Representar para Radamanthys então era custoso demais, fingir que estava ansioso pelo sexo, quando na verdade queria ficar o mais longe possível era difícil, mas ainda assim Camus conseguia se sair bem, claro que o seu jeito indiferente ajudava muito.
Radamanthys por sua vez era bruto e selvagem, transava com Camus como se estivesse com raiva ou se vingando de alguém.
Era sempre muito dolorido, e rendia a Camus alguns dias sem trabalhar para que seu “corpo” se recuperasse.
— Se é o que quer, é o que faremos. — Disse Camus virando-se de frente e ficando cara a cara com seu cliente.
Como bom ator que era, Camus sorriu e fez um olhar malicioso, empurrando Radamanthys contra o colchão subiu em seu torso colocando uma perna de cada lado pressionou seu corpo contra a ereção do outro o fazendo gemer.
Sorrindo Camus puxou a peça íntima que o seu cliente usava expondo uma fabulosa ereção.
Radamanthys era alto, forte e sua genitália seguia o padrão de seu corpo, era grande e grosso.
Sempre que Camus transava com Radamanthys tomava o cuidado de tomar três analgésicos antes, e usava lubrificantes com ação analgésica também, e mesmo assim ainda saia dolorido na maioria das vezes, então sempre que possível gostava de fazer o outro gozar no sexo oral.
Principalmente nas vezes que Radamanthys consumia cocaína, essa droga e conhecida por retardar o orgasmo.
Segurando a base do pênis Camus passou a língua pela extensão arrancando suspiros do loiro.
— Ahhhhhhhhhhh... Aquário... nunca é ruim o investimento que eu faço em você, sempre me custa uma fortuna, mas sempre vale a pena. — Comentou Radamanthys entre gemidos.
— Eu nunca entendi isso, você se relaciona com o Kanon e me contrata, sabendo que ele tem ciúmes de você, e sempre vai saber que está me contratando. — Falou Camus parando a felação por alguns instantes, mas segurando firme a base do pênis de seu cliente.
— Ele não tem ciúmes de mim. — Respondeu o loiro erguendo a cabeça e olhando para Camus, que retribuiu o olhar com descrença.
— Claro que tem, hoje mesmo ele quase retalhou meu rosto, se Saga não chegasse a tempo, não sei o que seria de mim uma hora dessas. — Insistiu Camus.
— Sabe o que eu mais gosto em você, Aquário? — Perguntou Radamanthys ao jovem ruivo acariciando seu belo rosto, então com um gesto rápido e inesperado o virou o deixando de bruços novamente.
Esticou o braço para pegar o lubrificante despejou uma grande quantidade no ruivo e em seu pênis. — Mesmo com todos esses anos de profissão você ainda exala inocência, acha mesmo que é de mim que Kanon tem ciúmes?
Camus não entendeu onde Radamanthys estava querendo chegar.
— Saga nunca ficou com alguém durante muito tempo. — Radamanthys continuou a falar enquanto colocava seu membro na entrada de Camus, não, ele não havia feito nenhum tipo de preparação antes da penetração.
— Mas o que o Saga tem a ver? Ahhhhggg. — Camus gemeu de dor quando Radamanthys começou a entrar.
— Não é de mim que o Kanon tem ciúmes, não é por minha causa que ele quer te machucar. — Continuou o cliente segurando na cintura de Camus prosseguindo com a lenta penetração.
Naquele momento Camus nada disse apenas se concentrava para não sentir tanta dor.
— Eu pago uma fortuna para foder com você, assim eu me vingo. Se ele tem o amor do homem que eu amo, eu vou foder com o homem que ele ama. — Confessou Radamanthys agora estocando com força.
Os olhos de Camus se encheram de lágrimas pela dor que estava sentindo. Radamanthys o estocava com fúria.
— Pare, você está me machucando. — Pediu Camus tentando sair dos braços do loiro.
— Eu paguei por isso! — Respondeu o aniversariante sem afrouxar o aperto e muito menos diminuir a intensidade das estocadas.
— O Saga não gosta de mim, ele não gosta de ninguém, só dele mesmo. — Tornou Camus ainda lutando para sair dos braços do outro, até que conseguiu se soltar, Camus então se afastou encolhendo-se num canto da cama. — Acha que se ele gostasse de mim como diz, ele me venderia? Acha que ele me deixaria vir ficar com você, mesmo sabendo tudo que você já fez comigo? Você está enganado ele não ama ninguém.
Apesar de tentar parecer forte e seguro, Camus estava com medo. Estava numa ilha com um maluco drogado, sua cabeça estava confusa, teimando em não pensar no absurdo que Radamanthys acreditava ser verdade. Dois irmãos? Não aquilo era doente demais até pra Kanon e Saga.
— Aquário, venha aqui, prometo não ser tão rude. Venha vou fazer amorzinho gostoso, assim quando Saga te perguntar você vai dizer que eu fui carinhoso e te fiz gozar muito, vamos... venha.
Camus não tinha muita escolha, não havia como fugir daquele lugar, não adiantaria pedir socorro, pois só tinham empregados de Radamanthys ali, e todos com certeza eram coniventes com o chefe, então Camus se levantou e pegou a garrafa de whisky que Radamanthys levou para o quarto, colocou o conteúdo no copo e bebeu num gole, voltou a encher o copo de beber novamente. Se tinha que passar por aquilo, o faria bêbado, assim o álcool o ajudaria a aliviar a dor que sua alma sentia todas as vezes que era humilhado daquela forma.
Já alto pela bebida pegou a mão que o loiro havia esticado em sua direção, seu martírio estava só começando.
*-*-*-*-
— E então me conte como anda tudo? Ele recebeu alguém aqui? — Saga questionou a mulher que havia entrado em seu carro.
— Senhor Saga, o senhor sabe que o Camus não recebe ninguém em casa, não é mesmo? — Zaíra respondeu.
Saga encarou a mulher analisando sua resposta.
— Mas no início da semana ele chegou em com uma expressão triste no rosto, não sei se aconteceu alguma coisa. — Revelou a mulher.
— Certo e quanto ao menino ouvi dizer que o tratamento está funcionando, é verdade isso? — Saga continuou o interrogatório, a mulher se mexeu desconfortável no banco. — É verdade? — Insistiu Saga.
— As dores dele têm diminuído e ele tem estado mais forte. — Zaíra contou. — Mas não podemos ter tantas esperanças, não é? Ele já teve melhoras antes e...
Ela não concluiu o que dizia sobre Isaak, pois Saga a cortou. — Eu não quero que esse menino se cure, você sabe disso, não sabe?
— Mas senhor, a doença dele não tem cura, esses medicamentos são paliativos e... — Novamente ela foi cortada.
— Localizei seu filho, sei que ele está no campo de refugiados, assim como estou ajudando a você e seu filho, eu posso prejudicar. — Saga começou a falar e olhando para expressão assustada da mulher prosseguiu. — Não estou ameaçando, somente dando um aviso, se o garoto melhorar, Camus talvez queira parar de trabalhar pra mim e nós não queremos isso, não é mesmo?
— Não, claro que não. — Respondeu Zaíra deixando escapar algumas lágrimas.
— Ótimo, estamos conversados então, aqui está seu dinheiro. — Saga concluiu a conversa entregando um envelope para a mulher que saiu do carro apressada.
Saga observou a mulher andando em direção a sua casa. — Camus, meu querido Camus, infelizmente os remédios do seu irmão não vão mais fazer efeito, quem sabe não apareça um tratamento mais caro? — Sorrindo Saga deixou o local.
*-*-*-*-*-*
O martírio daquela festa finalmente havia terminado e nada saiu como o planejado inicialmente por Camus, ele Mu e Afrodite até conseguiram manter-se sóbrios durante um tempo, mas a saúde mental de uma pessoa fica abalada com as coisas que acontecem nas festas de Radamanthys.
Camus desistiu da sobriedade assim que se viu só numa ilha com Radamanthys querendo vingar-se do amor que Kanon sentia por Saga, ao que Camus pode perceber pelas palavras do outro, não era nenhum tipo de amor fraterno.
Sem poder fugir ou pedir ajuda, Camus se entregou para as loucuras de Radamanthys, pois sabia bem que tentar fugir ou lutar naquele momento só serviria para deixá-lo ainda mais ferido.
Afrodite preferiu beber para poder encarar aquelas nefastas orgias, por ser extremamente belo, o loiro foi muito disputado fazendo a cafetina, drag Verônica, ir à loucura e explorar Afrodite até seu limite.
O pobre Mu, que agora chorava silenciosamente observando a paisagem, sem Afrodite e Camus para vigiar seu copo acabou sendo drogado por Verônica e abusado por alguns velhos com inclinações pedófilas, já que o rapaz aparentava ter muito menos idade do que tinha realmente, tanto pelo seu corpo magro como por sua altura, não tinha mais que um metro e sessenta e cinco, Mu acordou dolorido apenas no outro dia.
Pandora, Lilá, entre outras garotas não estavam em situações diferentes apesar de ostentarem expressões de blasé, todos os que foram a festa para vender seus corpos voltaram sentindo-se uma mercadoria, apenas um pedaço de carne.
Apenas Verônica tinha um sorriso no rosto, afinal ela havia feito ótimos contatos e negócios durante aqueles dias, como o braço direito de Saga na boate e em outros negócios escusos, a drag não perdeu a oportunidade de fazer negócios naquele lugar cheio de milionários pervertidos.
Ao desembarcarem no porto, Camus aguentou a ironia de Verônica ao constatar que Saga não havia vindo buscá-lo, mal sabia a drag que Camus agradecia mentalmente por isso.
...
Como Camus sabia que seus irmãos estavam sozinhos desde a manhã preferiu pegar um táxi e ir direto para casa, geralmente o ruivo gostava de ir a sua praça favorita caminhar, observar os pássaros para espairecer, contudo desta vez isso não foi possível, Zaíra iria sair cedo e Marin não poderia estar lá para os meninos, muito provavelmente, Camus olhou no relógio, duas horas da tarde, muito provavelmente seus irmãos estavam sem almoçar até aquela hora.
Camus não queria pegar seu carro que estava estacionado na casa de Saga, não queria correr o risco de encontrar Kanon e não queria ver Saga tampouco, foi de táxi até uma farmácia onde comprou analgésicos e uma pomada cicatrizante e depois parou num restaurante onde comprou comida, seu fim de semana havia sido um pesadelo, porém Camus já havia aprendido a deixar as coisas ruins que lhe aconteciam guardadas numa caixa de sentimentos dentro de sua mente, aquela altura da sua vida sabia que a caixa já estava transbordando, mas Camus forçava para mantê-la fechada.
— Camus! — Gritaram Isaak e Hyoga juntos, os meninos estavam trancados em casa, não haviam ido para a escola uma vez que não tinha quem os levasse.
O ruivo abraçou fortemente seus irmãos.
Aquele abraço serviu para recarregar as energias de Camus, mas também paradoxalmente serviu para desmontá-lo, pois seus olhos encheram de lágrimas que o ruivo não conseguiu segurar.
— Por que você está chorando, Camus? — Perguntou Hyoga secando as lágrimas do irmão.
— Porque eu estava com saudade de vocês, muitas saudades.
— Mas, Camus... você só passou o fim de semana fora, nem faz tanto tempo assim que a gente se viu. — Falou Issak sorrindo.
— Verdade, não é? Eu sou um bobo mesmo. — Disse Camus secando as lágrimas e indo em direção a cozinha para servir o almoço.
*-*-*-*-*
Após se passarem dois dias desde que chegou de viagem, Camus recebeu uma mensagem de Saga pedindo que ele fosse até sua casa, o jovem michê estranhou, pois Saga sabia que ele não teria condições de trabalhar por uma semana pelo menos. Mas ainda assim preferiu obedecer, não queria Saga batendo em sua porta a qualquer momento.
Ao chegar ao local, Camus tocou a campainha e Aldebaran foi quem abriu a porta. — Olá, Aquário, como vai? — O grandalhão cumprimentou simpático.
— Vou indo. — Respondeu Camus. — Saga está?
— Sim, no escritório estamos trabalhando a edição de um vídeo, sabe como ele é bipolar, não é? Uma hora gosta e na outra quer refazer tudo. — Reclamou o assistente de Saga. — Vou fazer um café, você quer?
— Sim, por favor. — Respondeu Camus indo em direção do escritório de Saga, deu três batidas na porta e entrou.
— Camus, meu querido, como foi a viagem? — Saga perguntou tirando os olhos da tela do seu notebook e encarando Camus, mas já sabendo a resposta.
— Um pesadelo como sempre. — Respondeu Camus sem muita ênfase.
— Nem todos os pesadelos te deixam com a conta gorda assim. — Disse Saga entregando a Camus um extrato bancário de sua conta.
Camus olhou para o papel, não sabia o que sentir, sua tortura tinha preço?
— Mas na realidade te chamei aqui por outro motivo. — Começou Saga fechando o note e encarando Camus que sustentou seu olhar. — Um cliente me ligou insistentemente durante todo o final de semana exigindo sua presença.
— Saga você não sabe o que eu passei naquele inferno, não tenho condições de atender ninguém... — Começou Camus, mas o ruivo foi cortado por Saga.
— O mais curioso é que esse cliente exigiu que você fosse o atender assim que você chegasse. — Saga riu sarcástico e continuou. — E ele falou que não pagaria pelo programa, pois você devia a ele.
Camus o olhou confuso.
— Camus, eu quero que você me diga por que Milo Kapino disse que você deve algo a ele? — Saga questionou já com cara de poucos amigos.
Camus gelou.
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