Na Real
36 Capítulo 36 - O Resgate
Notas iniciais
Na Real – Capitulo 36
Aioros estava em seu quarto dormindo, num sono profundo, mas despertou quando ouviu a voz de seu irmão o chamando.
— Aioria?
Aioria tinha as chaves e livre acesso a residência do irmão mais velho, por este motivo entrou sem se anunciar e foi direto para o quarto onde o médico repousava.
— Aioros, desculpe vir assim sem avisar.
— O que houve irmão? — Perguntou o médico se sentando na cama.
— O Shura me ligou.
— O seu amigo que morreu? Ele te ligou? — Aioros perguntou analisando o rosto do irmão para ver se notava algum resquício de álcool.
— Sim mano ele mesmo, mas ele não morreu, aquilo foi uma armação para despistar os caras que ele estava investigando. — Respondeu Aioria tentando explicar sem perder a calma.
— Quem ele estava investigando?
— O Saga.
Aioros sentiu o coração gelar.
— Aconteceu alguma coisa com o Camus? Acharam ele? Pelo amor de Deus, Aioria, me fala.
— Parece que sim, acharam o Camus.
— E por que você está com essa cara? Ele está morto? — Questionou o médico assustado.
— Eu não sei ao certo o que aconteceu com o Camus, mas, o Milo levou um tiro. – Revelou o jovem advogado tentando não se render ao medo de que pudesse perder o amigo.
Aioros ficou alguns segundos assimilando aquela notícia e se levantou, procurando uma roupa para vestir. – O Shura disse em que hospital ele está?
— Sim, ele está no Hospital geral de Athenas. – Respondeu Aioria que estava mentalmente grato por ver que seu irmão iria tentar ajudar o amigo.
— O Camus também está neste hospital? – Aioros ia questionando enquanto se vestia. – E por que diabos o Milo levou um tiro? O que ele estava fazendo lá? Ele foi resgatar o Camus sozinho? O Camus também está ferido? Me explica isso Aioria. – O médico questionou já pegando as chaves do carro e abrindo a porta.
— Eu não sei, confesso que parei de ouvir o que o Shura estava dizendo quando ouvi que o Milo havia levado um tiro. – Disse o advogado seguindo o irmão. – O Shura está no hospital, a gente pergunta pra ele quando chegarmos lá.
*-*-*-*-*-*-*
— TIREM ME DAQUI! TIREM ME DAQUI* — Bradava Kanon na cela que estava dividindo com alguns dos seus capangas.
— Calma, Saga não adianta ficar assim. — Pediu Sirius sem saber que falava com o irmão gêmeo de Saga.
— Aconteceu alguma coisa com meu irmão, eu posso sentir. — Tornou Kanon preocupado. — Maldito sejam todos vocês!
Sion ouvia as reclamações do gêmeo de Saga, logo o levaria para interrogatório. Seguiu para a sala em que Aldebaran e Dohko assistiam os vídeos encontrados no quarto de Saga.
Aldebaran se concentrou nos vídeos de Camus e Dohko dos outros, haviam muitos vídeos de vários rapazes, mas em geral esses rapazes apareciam uma ou no máximo em duas gravações. Já com Camus haviam muitas outras além da gravação da primeira vez, o que mostrava a obsessão que Saga tinha pelo rapaz.
Foi com lágrimas nos olhos e com muita raiva que o gigante terminou de assistir ao vídeo em que Saga alicia Camus pela primeira vez.
— CANALHA! CANALHA!
— O que foi cara? – Perguntou Dohko se aproximando do colega.
— Olha isso! Ele era só um garoto, um garoto!
— Eu sei como isso deve ser difícil pra você, se preferir eu faço isso e você analisa os outros vídeos, você teve contato pessoal com o rapaz e isso pode prejudicar as investigações. – Dohko sugeriu sincero.
— Não, eu preciso fazer isso, eu devo isso ao Camus. O tempo que ele passou preso, tudo que ele sofreu ali, foi com a nossa permissão e nada do que eu fizer vai ser o suficiente para que ele me perdoe. – Respondeu o policial confessando um grande remorso que carregaria para o resto de sua vida.
— Você não deve falar assim, nós só conseguimos prender toda a gangue do Saga, e finalmente ter provas concretas que o leve à prisão para sempre, por termos mantido a investigação até agora. — Dohko tentou chamar o amigo a razão.
— Diz isso porque não o viu perder a sanidade aos poucos, sendo submetido a tanto abusos, físicos e mentais e agora vendo isso! Olha essa merda. — Disse apontando para a tela. — O Saga embebedou um garoto de quatorze anos, virgem, e pelo dialogo o garoto nunca havia sido beijado na vida! – Aldebaran falava tentando não se deixar ser sucumbido pela fúria. – Veja esse outro vídeo, filmado pela câmera de segurança que fica no escritório do Saga, aqui tem ele batendo no Camus com um cinto, e pela aparência do garoto ali, esse vídeo não é muito distante dessa primeira vez. Eu olhei os outros vídeos, tem um vídeo dos dois canalhas, Saga e Kanon mantendo relações com o garoto, e em todos esses vídeos ele chora! — Aldebaran relatava, pois precisava extravasar a angústia que está sentindo. — E toda essa merda foi gravada na mesma época, e hoje a gente sabe que esse garoto se sujeitou a isso por causa dos irmãos, para os manter juntos, após testemunhar a morte do pai. — Aldebaran olhou para Dohko revoltado. — E foram esses filhos da puta que mataram o pai dele!
O gigante soltou o ar dos pulmões cansado colocando as mãos na cabeça fechando os olhos.
Shion que ouvia tudo parado na porta se aproximou do agente e perguntou sereno. – Você quer ir ao hospital ficar com ele?
— Não, ele está sedado só vai acordar amanhã de tarde, o ferimento físico foi superficial é o psicológico que me preocupa. — Respondeu triste.
—Tudo bem. — Disse Shion se sentando ao lado do gigante. — Vamos fazer isso juntos, ok? Todos nós devemos isso pra ele.
Dohko colocou a mão no ombro esquerdo do amigo e concordou com a cabeça.
Os gêmeos Nikolos tinham várias vítimas, mas sem dúvida alguma Camus era uma das maiores.
E assim eles Shion e Aldebaran começaram a catalogar os vídeos, e fazer as transcrições, não tardou Carlo foi se juntar a eles. O Italiano pensou em ir ao hospital ficar com Shura, mas ele sabia que teriam muito trabalho no QG onde ele seria mais útil que no hospital.
Pegou o celular e mandou uma mensagem para o namorado. “- Como estão as coisas por aí, me dê notícias! Vou ficar no QG ajudando os rapazes”.
.....
Shura estava na sala de espera do hospital aguardando alguma notícia de Milo, observava o velho Kapino, que andava de um lado para o outro falando ao telefone.
Sabia que o pai de seu amigo era o responsável pela morte de Crystal Versau, mas ainda não tinha como provar, o correto era prender aquele homem preventivamente, mas para prender um homem rico como o Klaus Kapino era necessário que se tivesse o caso bem fechado sem nenhuma brecha ou perderiam o caso.
— Eu vou lá fora fumar um cigarro, se o médico vier me avise. – Pediu o pai de Milo e Shura concordou com a cabeça, mas não respondeu, poucas vezes havia estado na companhia daquele homem, o achava intragável.
Após algum tempo Shura viu Aioria e seu irmão Aioros entrando pela porta da emergência.
— O Shura está ali. – Apesar de Aiora ter informado a Aioros que o policial estava vivo, Aioros ainda assim teve um pequeno choque ao ver o amigo de seu irmão.
Os amigos se abraçaram e findando o abraço Aioria perguntou. – Como está o Milo?
Após cumprimentar o irmão de Aioria, Shura respondeu. – Eu não sei, não tenho informação alguma, fazem quase quatro horas que chegamos e ninguém me diz nada, o Kapino pai estava aqui agora mesmo, saiu pra fumar pouco antes de vocês chegarem.
— Acho que nós nos desencontramos, não o vimos, pois não o vimos lá fora. – Respondeu Aioria.
— Eu sou médico, não desse hospital é claro, mas vou ver se consigo alguma informação, ou ao menos ter acesso ao prontuário dele. Só venho aqui atender algum caso de emergência, com algum paciente meu.
— Eu agradeço. – Disse Shura.
Mas antes de sair em busca de notícias, Aioros perguntou. – Como isso aconteceu? – Estava preocupado com Milo, mas também se preocupava muito com Camus.
Shura então contou que havia prometido a Milo que o levaria na operação que resgataria Camus, que tentou o proteger colocando colete a prova de balas e prendendo Milo em uma sala assim que entraram, mas que a tal sala tinha um acesso para a área privativa de Saga, onde Milo encontrou o namorado, que foram surpreendidos por Saga e o amigo havia sido atingido por um tiro no ombro.
— E o Camus? Onde ele está? – Quis Saber Aioros preocupado.
— O tiro que Milo levou atingiu o rapaz de raspão, nada grave, ele está lá embaixo.
— Na enfermaria? – Quis saber o médico.
— Ele está sedado na ala psiquiátrica. – Revelou Shura.
— O que? – Perguntaram os irmãos juntos.
— Longa história, muito longa mesmo. – Shura falou cansado.
— Você disse sedado? – Perguntou o Médico.
— Sim, não vai acordar até amanhã à tarde. – Respondeu o policial.
— Certo, eu vou ver se consigo notícias de Milo e depois você vai me contar tudo sobre o Camus.
Shura concordou e o médico saiu entrando pelos corredores do hospital.
*-*-*-*-*-*-*-*
— O senhor tem certeza que quer fazer isso? Ele acabou de passar por uma cirurgia.
Doutor Durval andava apressado ao lado de Klaus a caminho do heliporto do hospital, Klaus havia fretado um helicóptero medico para que Milo fosse transferido de hospital, aliás, de hospital só não, de país.
— Ele aguenta a viagem?
— Eu já disse que sim, mas estamos falando de riscos desnecessários, seu filho acabou de sair de uma cirurgia.
— Durval já conversamos sobre isso, você e toda sua equipe serão muito bem remunerados, agora vamos, não temos tempo a perder.
O Médico seguiu com seu "cliente" para o terraço do hospital onde pegariam o helicóptero.
"Cliente" era engraçado pensar assim, desde que começou a tratar de gente rica, poucas vezes tratava seus pacientes, como pacientes e sim como cliente e como tal tinha que atender todas as suas vontades.
Como dessa vez em que teria que acompanhar o filho do magnata da indústria farmacêutica, que por puro capricho do pai seria levado para outro país num voo totalmente desnecessário, já que poderiam esperar o rapaz ao menos acordar da cirurgia.
....
— Como ele estava quando você o trouxe? – Aioria perguntou um tanto aflito ao amigo policial. – Você acha que ele vai sobreviver?
Muito paciente Shura respondeu. – Aioria, ele estava com colete a prova de balas, o tiro foi no ombro, ele perdeu muito sangue, mas vai ficar bem.
— Cara que ideia foi essa de levar o Milo numa batida policial?
— O Milo estava me ajudando numa investigação e a única exigência que ele fez foi estar lá quando a gente fosse resgatar o ruivo, eu fiz o que podia para proteger ele, mas estamos falando do Milo.
Aioria suspirou compreensivo, conhecia o amigo e sabia que o teimoso quando coloca uma coisa na cabeça, ninguém consegue persuadi-lo.
Os rapazes viram Aioros voltando com uma expressão confusa no rosto.
— O que aconteceu Aioros? O Milo? – Aioria questionou apreensivo.
— O Klaus levou o Milo. – Respondeu o médico.
— O que? – Shura e Aioria perguntaram juntos.
— O médico plantonista me disse que o Klaus chamou seu médico particular para cuidar do Milo, o Dr. Durval Torvald, que é o cirurgião chefe desse hospital, enfim assim que o Milo saiu da cirurgia eles mandaram preparar o helicóptero ambulância. – Relatou Aioros confuso. – Uma enfermeira me disse que eles falaram em deixar o país.
— De helicóptero? – Perguntou Aioria, também confuso.
— Não, parece que eles estão indo para o aeroporto, o Klaus já fretou um avião lá. – Respondeu o pediatra.
— O Milo está consciente? – Perguntou Shura.
— Se ele acabou de sair da cirurgia, acho muito difícil. – Respondeu
Após ouvir aquela resposta Shura pegou o celular e ligou para Carlo. “– Carlo o Milo está sendo sequestrado”.
“- O que?”
“- O Klaus está fugindo com ele, fretou um helicóptero até o aeroporto e de lá vai pegar um avião não sei pra onde”. – Shura ia falando já se dirigindo ao estacionamento onde estava o seu carro e foi seguido pelos irmãos.
“– Shura o Klaus é o pai dele, e a gente ainda não tem provas contratas para prendê-lo aqui.” – Ponderou Carlo.
“- Carlo, o Milo está desacordado, ele acabou se sair da cirurgia, não estamos falando de uma criança e sim de um homem maior de idade que não está em condições de decidir se quer sair do país.”
Após alguns instantes de silencio Carlo responde. “- Ok! Vamos resgatar o Milo.
....
— Sion eu preciso que acione seus contatos no aeroporto, Klaus Kapino está fugindo. — Pediu Carlo enquanto pegava sua arma e distintivo que estavam em sua gaveta.
— Merda! Não temos o necessário para prendê-lo ainda. — Reclamou o chefe do departamento.
— Não importa, ele está levando o Milo, que ainda está inconsciente da cirurgia.
— O quê? — Shion franziu o cenho analisando aquela informação. — Ele é o pai.
— É, mas nós sabemos que o Milo jamais deixaria o Camus sozinho neste momento. — Foi Aldebaran quem respondeu, também já levantando em pegando suas coisas.
— Ok! Eu vou fazer as ligações, vão e não façam besteiras, o Kapino é rico, qualquer bola fora pode tirar ele da cadeia. — Avisou o chefe e os rapazes saíram.
.....
— Mas que merda! Eu falei que queria este avião pronto quando chegássemos aqui. — Resmungou o pai de Milo.
— Sr. Kapino não estamos falando de um voo simples, existem os equipamentos médicos e tudo mais. — Explicou Durval pela enésima vez. — O seu filho precisa de cuidados, por mais que a cirurgia tenha sido simples é sempre bom que o paciente acorde antes da viagem.
— Mas a gente não tem tempo pra tudo isso. – Resmungou o pai de Milo.
— Klaus se o seu filho tiver uma complicação lá em cima e eu não tiver como resolver? Quando a gente pousar você vai me deixar seguir minha vida em paz ou vai me processar? – Durval perguntou sério, pois sabia com quem estava lidando. – Acaso você está fugindo do país?
— Não seja ridículo, eu sou Klaus Kapino, não preciso fugir de ninguém nunca!
Neste momento Milo resmungou algo inauditivo e os dois homens olharam para o rapaz que estava na maca.
— Eu quero estar em Londres quando ele acordar. – Disse Kapino olhando para o médico antes de sair para fumar um cigarro.
.....
Shura dirigia em alta velocidade colocou a sirene para tocar em seu carro e assim facilitar as ultrapassagens, Aioria ia ao seu lado no banco do carona segurando firme no cinto de segurança e Aioros no banco de trás se perguntando o motivo de não ter esperado o retorno deles no hospital.
.....
Klaus já estava no jatinho quando ouviu o barulho das sirenes ao longe.
“malditos” – Pensou indo falar com os pilotos. – Se preparem para a decolar.
Pegou o celular e ligou para Durval que ainda aguardava hangar a equipe que colocaria Milo a bordo.
“Durval, peça para trazer o Milo a bordo imediatamente”
“Sim já estamos indo, o Milo está acordando”
“Venha agora!” – Exigiu Klaus antes de desligar o celular.
Após desligar o aparelho o médico olhou para Milo que começava a se mexer inquieto na maca. – Acalme-se meu caro em breve estaremos voando.
— Camus. – Milo repetia tentando abrir os olhos. – Onde está o Camus?
Durval não prestou atenção aos resmungos do paciente, deu sinal para dois enfermeiros que foram guiando a maca enquanto ele ia a frente.
....
— Você já falou com a torre para não liberar esse voo? – Carlo perguntava a Shion pelo rádio do carro.
— O Kapino está no hangar 110, é um local particular, siga para lá, estou tentando atrasar o voo. – Respondeu Shion.
Carlos acelerou mais seu carro, Dohko estava no carona sorria internamente pela adrenalina da ação, Aldebaran vinha em outro carro logo atras.
As sirenes se aproximavam cada hora mais forte, Durval sentiu que alguma coisa estava errada então procurou caminhar o mais devagar possível, se Klaus Kapino estava metido em alguma encrenca, sabia que fosse o que fosse o bilionário sairia ileso, enquanto ele, Durval, pagaria o pato.
Os enfermeiros também foram diminuindo os passos quando viram os carros da polícia se aproximar.
Carlo saiu do carro com a arma em punho. – Parados todos agora! Mão na cabeça!
Os três homens se assustaram e seguram as ordens do policial.
Klaus Kapino saiu na porta do avião gritando. – Quem vocês pensam que são? Eu vou acabar com vocês! Todos vocês.
— Desculpe Sr. Kapino, mas temos uma denúncia de sequestro em andamento, nosso dever é averiguar. – Carlos explicou mostrando seu distintivo para o pai do seu amigo.
— Que absurdo é esse? Eu sou Klaus Kapino qual meu interesse em sequestrar alguém?
Carlo não respondeu ao homem, foi até seu amigo e chamou. – Milo, você está bem? Está me ouvindo?
— Carlo, o Camus, o que está acontecendo? – Sussurrou Milo confuso e tentando colocar sua mente no lugar.
— O que está havendo aqui? O Milo é meu filho e eu sou responsável por ele e posso o levar para onde eu quiser. – Respondeu Klaus ríspido. – Vocês dois coloquem o Milo no avião agora.
— Não tão rápido Sr. Kapino o Milo não vai a lugar nenhum até ele acordar e confirmar que deseja ir com o senhor. – Aioria que havia acabado de chegar com Shura e seu irmão informou ao patrão.
— Aioria não seja ridículo eu sou o pai dele e decido por ele quando ele estiver em situações de vulnerabilidade como esta. – Respondeu Klaus olhando feio para o seu funcionário, aquela afronta não sairia barato. – Com licença.
— Eu sou o contato de emergência de Milo e tenho uma procuração assinada por ele, onde eu fico responsável por ele em casos como esse. – Blefou Aioria. – O Milo só entra neste avião quando estiver desperto.
Em meio ao debate entre todos os envolvidos naquela situação, Milo que já estava desperto, mas ainda grogue, tentava colocar seus pensamentos em ordem, olhou em volta viu que estava numa pista de decolagem, o avião de seu pai ali próximo a eles.
Sentou-se na maca, não sem dor e de quase cair devido a forte tontura que o acometeu.
— Milo. – Aioros e Durval ampararam o paciente.
— O que está acontecendo aqui? – Quis saber o jovem Kapino.
— Milo você levou um tiro, se lembra? – Aioros foi conversando com o paciente, dentre todos é o que tinha mais jeito.
— Seu pai está tentando te levar para outro país, você concorda com isso? – Foi Aioros quem perguntou próximo ao rapaz.
— Que maluquice! Não, eu não vou a lugar nenhum! – Olhando para Aioros perguntou – Onde está o Camus? O que houve com ele?
— Eu sei que ele está no hospital, mas ainda não o vi, viemos tentar impedir seu pai de te levar daqui contra sua vontade. – O amigo e medico voltou a dizer.
— Eu preciso vê-lo. – Milo disse tentando se levantar, mas desfalecendo nos braços de Aioros e assustando os demais amigos.
— Vamos o levar de volta ao hospital, ele precisa de repouso. – O irmão de Aioria ordenou olhando feio para o pai de Milo que praguejava.
— Sr. Kapino existe alguma razão para que deseje sair do país assim de forma tão tempestuosa? – Shura questionou fazendo o outro ficar vermelho de raiva.
— Eu sou um empresário de uma multinacional, tenho negócios no mundo todo, viajar é minha rotina, por isso quis levar o meu filho, rotina. – Respondeu Klaus, que preferiu não descer do avião e levantar voo de qualquer maneira.
— Estou solicitando uma ambulância para que possamos levar o Milo de volta ao hospital, apesar de simples é uma cirurgia e demanda cuidado. – Disse Aioros e Durval o médico de Milo apenas concordou, sabendo que não deveria se meter nos embrolhos de Klaus Kapino que tinha dinheiro de sobra para se manter longe da prisão, quanto ele pagaria o pato se ficasse reclamando.
*-*-*-*-*-*
Após ter deixado Milo se recuperando no hospital Saint Louis em segurança, e após Shura colocar dois policiais de guarda na porta pra proteger o amigo, Aioros finalmente pode voltar ao hospital para ver Camus.
Foi difícil segurar o Milo, esse queria ir se encontrar com Camus de qualquer jeito, mas Aioros aplicou um sedativo para o amigo se recuperar melhor, foram muitas emoções em um curto espaço de tempo.
Pensando em toda a situação que passaram naquela madrugada, Aioros chegou no quarto em que Camus estava, se acomodou próximo a cabeceira da cama e ficou a velar o sono do rapaz.
Não tinha como não se sentir culpado por tudo que aconteceu e estava acontecendo com o filho de seu antigo mestre, quando entrou na medicina, só pensava em salvar vidas, quando trabalhou nas pesquisas do mestre Cristal tudo que tinham em mente era salvar vidas ou melhorar as condições de vida dos pacientes. Como médico faz o que pôde, mas como amigo realmente deixou a desejar, por muito pouco, uma tragédia ainda maior poderia ter acontecido, Saga poderia ter vendido os três como escravos, tanta coisa horrível poderia ter sido evitada se ele, Aioros, não tivesse sido tão egoísta e negligente com aqueles garotos.
Camus se remexeu na cama e abriu os olhos tentando identificar onde estava, Aioros sorriu para o jovem e se aproximou, falando com calma. — Camus que bom que você acordou, — Acrescentou ao ver a expressão assustada do rapaz. – Está tudo bem, você está a salvo, no hospital.
Camus nada respondeu apenas olhou em volta como se tentasse se lembrar de onde estava.
— Você está bem, seu ferimento foi leve, o tiro passou se raspão. — Aioros falava e percebia que o ruivo apesar e imprimir alguma reação ao acordar, agora estava ficando cada vez mais apático, não reagia as informações, não respondia ficando apenas em silêncio.
— O Milo está bem também, ele gostaria de estar aqui, mas ele teve que passar por uma cirurgia e está se recuperando. — Comentou Aioros observando a atitude apática mediante aquelas informações, e nada, nenhuma reação.
Aioros sentou próximo a cabeceira da cama, pegou a mão de Camus. — Camus eu preciso te pedir perdão. – O médico começou a falar com sinceridade. – Perdão por tudo que eu deixei de fazer por vocês, perdão pelo que eu fiz com você.
Era difícil para Aioros reconhecer seus erros, mas jamais conseguiria se olhar no espelho novamente, se não o fizesse para a maior vítima dos seus atos – Eu fui extremamente irresponsável em não observar os sinais, você tão jovem sendo a pessoa responsável pelo Isaak, até mesmo quando ele ficava internado, meu Deus!
Aioros observou o jovem ruivo a sua frente que mantinha se apático a tudo, deitado de lado virado para o médico, mas olhar vazio apesar de seus olhos estarem marejados.
O irmão de Aioria respirou fundo e continuou a falar, agora tocando num assunto muito delicado. – Eu quero que saiba que quando eu te beijei, em nenhum momento pensei em você como profissional do ... Eu o vi como um homem, um homem bonito e atraente. — Continuou a falar o médico. — Mas confesso que não pensei em nada do que você poderia ter passado, somente depois da sua reação, foi que eu parei para pensar e foi que percebi o quão errado eu agi como você. Fiz as contas e percebi que você tinha alguém por trás, foi quando eu procurei o policial Shura e pedi a ele para investigar quem havia te aliciado.
Algumas lágrimas começaram a rolar pelo rosto do ruivo, que continuava em silêncio.
— Me perdoa Camus, me perdoa por tudo, que por minha irresponsabilidade, eu fiz você passar.
Com a expressão mais sofrida que Aioros já viu na vida, Camus finalmente falou. — Eu passei cinco anos transando com o assassino do meu pai. – o ruivo disse por fim. — Como continuar a gente faz pra continuar vivendo depois de descobrir uma coisa dessas?
Aioros o abraçou.
— Você foi uma vítima, mas agora vai ficar tudo bem. Aquele canalha nunca mais vai fazer mal a você. — Aioros falou tentando consolar o jovem. — Você está seguro agora e vai poder levar uma vida tranquila com seus irmãos que, aliás, estão loucos de vontade de te ver e... — Aioros não terminou o que estava dizendo pois Camus o cortou agitado.
— Não, eu não quero ver eles, eu não posso ficar com eles. — Camus começou a falar em meio as lágrimas e desespero.
— O que você está dizendo, Camus? – Estranhou o médico, se assustando com a reação rapaz. — Acalme se, os meninos querem você.
— Você não entende! Eu coloquei a vida deles em risco, durante esses anos os dois estavam correndo perigo! Não, eu posso mais ficar com eles. — Camus falava em meio ao desespero e as lágrimas com os olhos perturbados. — Cuida deles pra mim! Dr. Aioros cuida deles, por favor, eu não posso, não posso, não sou digno! Cuida deles! Por favor, por favor.
— Camus calma, você precisa se acalmar. Você não teve culpa, não fale assim. — Tentou acalmar o médico, mas Camus estava tendo outro episódio de surto e começou a gritar.
— Eu não posso! Você não entende, eles não estão seguros comigo. Eu os coloquei em risco!!! Me promete que vai cuidar deles? Você pediu pra eu te perdoar, fica com eles, cuida deles que eu te perdoo, cuida deles! Por favor! Por favor — Pediu Camus se rendendo as lágrimas em desespero.
Ouvindo a agitação de Camus, uma enfermeira entrou e aplicou um remédio no soro, fazendo o ruivo ficar sonolento, antes que ele se exaltasse mais.
— Por favor... Por favor... – Foi o que Camus conseguiu dizer antes de adormecer novamente.
— Dei um tranquilizante, pois o rapaz estava muito agitado amanhã você conversa com o médico. — Avisou a enfermeira.
Aioros ficou parado atônito com tudo que havia se passado ali, olhou para o lado e se assustou ao ver o homenzarrão ao lado da porta observando o ruivo e decerto tudo que havia acabado de acontecer.
Aldebaran encarou o médico, que o encarou de volta, antes de perguntar. — Quem é você e o que faz aqui?
— Desculpe, eu sou Aldebaran, sou policial e sou amigo do Camus, ao menos eu o considero assim.
— Policial? – Perguntou o médico desconfiado, aquele bruta montes poderia ser algum capanga de Saga, julgando o grandalhão pela aparecia, afinal Aldebaran realmente tinha um porte intimidador.
O gigante tirou seu distintivo do bolso e mostrou ao médico. — Eu trabalho com Shura e com o Carlo. — Esclareceu, pois já havia sido avisado pelos colegas de profissão de que o médico estaria com Camus no hospital.
— Certo. — Disse Aioros que novamente olhou para Camus preocupado. — Eu nunca o vi assim.
— Eu me sinto muito culpado ao vê-lo desse jeito. — Aldebaran soltou triste.
— Por qual motivo você teria culpa?
—Por tudo que houve nestes últimos tempos.
O médico olhou para o policial e o convidou para tomar um café, assim ele poderia tentar descobrir o que tinha acontecido ao rapaz.
Na cafeteria do hospital sentados em uma mesa, o médico e o policial conversavam sobre o jovem Camus.
— Esse garoto passou por tanta coisa na vida, coisas que uma pessoa adulta não suportaria. — Disse Aioros supondo os abusos que o rapaz havia sofrido. — Mas eu nunca o vi dessa forma.
— Dr. Aioros você não tem noção das coisas que aquele rapaz passou, e eu nem estou falando da vida dele como um todo, mas nestes últimos tempos, como você disse, muito adulto não aguentaria. — Aldebaran comentou triste. — Me sinto muito culpado.
— E por que você teria culpa? — Perguntou novamente, mas dessa vez esperando ter uma resposta mais acertiva.
— Eu o vi perder a razão, ele foi se perdendo da realidade. — Tentou explicar. — Talvez uma forma que a mente dele encontrou para se proteger, mas eu vi acontecer diante dos meus olhos. – Lamentou o policial.
Sem saber do que de fato o policial estava falando, Aioros questionou. – Ele obviamente sofre de ansiedade e depressão, o que não me choca visto tudo que esse rapaz tem passado.
— Não Dr. Aioros, você não está me entendendo. – O policial tinha urgência em se fazer entender. – Ele se transforma em outra pessoa, tudo nele muda, é assustador.
— Eu não entendo, ele fica mais arredio? É isso?
O gigante nega com a cabeça. – Parece aquela coisa de filmes sobre dupla personalidade, sabe como é? Nem sei se isso existe na vida real de fato.
— Sim, existe! Mas não usamos o termo dupla personalidade, chamamos de transtorno dissociativo de identidade, mas o Camus não tem isso. — Afirmou o medico descrente nas palavras do policial. – Aliás, esse é um tema muito discutível entre os profissionais, eu não sou especialista na área, mas a opinião geral é que é bem difícil comprovar tal transtorno.
— Quem acordou hoje foi o Camus, o rapaz que passou por todas as mazelas que sabemos, ou melhor, passou por coisas que não temos nem noção ainda. – Aldebaran abaixou a voz olhando para os lados como se alguém que ouvisse pudesse identificar sobre o que conversavam. – Mas existe o Aquário, esse me dá calafrios.
Aioros ouvia tudo atento, mas descrente daquele prognóstico.
Conversar com Aldebaran foi bom para o médico que de certa forma tinha alguém para o ajudar e lidar com a culpa pela situação de Camus.
Devido a forte dose do calmante dado a Camus, Aioros achou por bem voltar para casa naquele dia e voltar apenas no dia seguinte.
*.*.*.*.*.*.*.*
Aioria estava no quarto ao lado de Milo que dormia profundamente após toda a agitação da madrugada, obviamente Aioros teve que dar um forte calmante ao amigo do irmão para evitar que ele se agitasse demais.
Aioria sabia que assim que o amigo despertasse seria difícil o manter quieto no hospital, sem ver o namorado.
O advogado sorriu pela ironia da vida, Milo namorando o ruivo a quem ele jurou odiar pra sempre e mais incrível, estava completamente apaixonado pelo rapaz.
Aioria esperava que o tal Camus fosse realmente uma boa pessoa, certamente o rapaz viria com um combo de problemas emocionais e etc, mas ele, Aioria, nunca havia visto seu amigo Milo tão apaixonado assim, aliás, Milo raramente abria a guarda para os casos que tinha.
Com Klaus de um lado reprovando a sexualidade de Milo, o loiro nunca havia tido um relacionamento sério com nenhum rapaz antes.
— Oi Aioria, como o Milo está? — Shura perguntou falando quase como um sussurro ao abrir a porta do quarto.
Aioria se levantou da cadeira onde estava sentado e foi conversar com o amigo próximo a porta para evitar fazer barulho e acabar acordando o amigo ferido.
— Dormindo desde a confusão no aeroporto. — Respondeu o amigo ao se aproximar de Shura. — Aliás, o que foi esse surto do velho Kapino? Levar o Milo daquela forma.
— O Klaus tem muita culpa no cartório. — Respondeu Shura.
— Você achou que foi ele quem mandou matar o pai do garoto?
— Tenho quase certeza, mas o Klaus não fugiu por causa disso, aliás, o Klaus nem imagina que estamos investigando isso. -
Aioria olhou para o amigo pedindo mais informações, — Ele tem algumas ligações com Saga Nikolos, ele fugiu por causa disso.
— Por que não o prenderam no aeroporto? — Perguntou o advogado.
— O Klaus é bilionário, para prender gente assim, temos que estar com todas as provas disponíveis ou caso perdido. E nós temos pouquíssimas coisas contra ele de fato.
Aioria como advogado sabia que o que tinha ainda era pouco para deixar o Kapino preso, ainda mais pra Klaus que contrataria um time dos melhores advogados do país para o defender.
— Camus. — Milo chamou ainda sonolento, mas lutando contra o sono.
Os amigos trocaram olhares cúmplices antes de se aproximarem do leito.
— Oi, Milo, você está seguro agora. — Aioria falou próximo ao amigo.
Milo abriu os seus olhos azuis intensos e ficou olhando para cima em silêncio.
Silêncio este que foi quebrado por Aioria. — Milo não se preocupa com nada, está tudo sob controle.
— Onde está o Camus? – O herdeiro dos Kapino perguntou tentando se mover.
— Milo quieto! Você está no hospital, levou um tiro não se lembra? – Foi Shura quem falou de forma firme para que o amigo ficasse quieto. – Tentar levantar assim só vai fazer você ficar mais tempo no hospital.
Já um pouco mais desperto Milo olhou para os amigos com a cara fechada e pediu. – Me ajudem a pelo menos me sentar.
Aioria pegou uns travesseiros e colocou atras do amigo, enquanto Shura ajeitava a cama. Milo sentiu um pouco de tontura, mas não reclamou, não queria preocupar os amigos e queria notícias de Camus.
— Tá bom assim? – Aioria perguntou cuidadoso.
Milo confirmou com a cabeça mantendo os olhos fechados por causa da vertigem.
Shura e Aioria perceberam que o amigo não estava bem, mas era natural depois de tudo que passou.
— Onde está o Camus? – Questionou por fim o escorpiano.
— Ele está bem, está seguro. – Shura respondeu.
— Onde ele está?
— No hospital se recuperando. – Aioria respondeu sabendo a impulsividade do amigo. – Calma cabeção, ele está bem. – Apressou em dizer quando viu o amigo arregalando os olhos.
— O tiro que você tomou entrou pelas suas costas e saiu pelo seu ombro acertando o Camus de raspão.
— Meu Deus eu preciso sair daqui preciso ver o Camus. – Disse Milo aflito. — E os meninos? A quanto tempo eu estou aqui?
— Milo, Milo, calma! Tá tudo bem, os meninos estão com Aioros, quer dizer o Aioros está com os meninos na sua casa. – Informou Aioria para tranquilizar o amigo e acrescentou quando viu o olhar de interrogação que Milo lhe lançou. – O Aioros achou melhor não alterar novamente a rotina dos meninos os mudando de ambiente, por isso ele foi pra sua casa a Babá está lá e a Marin também vai ajudar, assim que eu contar a ela tudo que se passou. – Concluiu o leonino pensativo uma vez que não falou nada com a moça sobre todos os acontecimentos recentes.
— Mas que merda. – Reclamou Milo e fazendo uma careta de dor, afinal havia se movimentado algumas vezes desde que acordou.
— Eu preciso ver o Camus, falar com ele. – Tentou mais uma vez. – Eu preciso saber o que aconteceu depois que aquele viado maldito me acertou.
— Milo depois que você foi atingido o Saga levou um tiro e neste momento está na UTI do hospital. – Shura quem respondeu.
— Aqui? Aquele demônio está aqui?
— Não, Milo, ele está no Hospital Geral de Athenas.
— E o Camus? Em que hospital ele está?
Shura não respondeu apenas ficou olhando para o amigo.
— Ah! PUTA QUE ME PARIU! O CAMUS ESTÁ NO MESMO HOSPITAL QUE AQUELE FILHO DA PUTA?
— Você sabe que a policia não tem grana para bancar um hospital como esse. Não é?
— Shura pelos Deuses! Eu bancaria o custo do Camus, ou então vocês poderiam ter me levado para lá. – Questionou Milo.
— Cara você estava lá, mas seu pai te sequestrou lembra? Quis te levar para fora do país, nós conseguimos evitar, mas o Durval fez questão de trazer você pra cá ou ele não se responsabilizaria pelo seu estado. – Explicou Aioria. – E ele ajudou seu pai a te levar era importante que legalmente falando que ele te desse o melhor atendimento e se responsabilizar por qualquer sequela que você pudesse ter.
— As favas com as sequelas! Eu quero é ficar perto do Camus!
— É na hora do problema ninguém pensa em nada, mas se você quiser abrir um processo contra eles, esse detalhe vai contar e muito, além do mais o Camus tá sedado ainda. – Aioria falou e acrescentou quando o amigo o encarou novamente. – O Aioros está com ele no hospital.
Milo sentiu uma pontada de ciúmes, mas de certa forma ficou mais tranquilo ao saber que o irmão do melhor amigo está com Camus.
— Além disso têm um policial 24h lá com Camus. – Acrescentou Shura.
— Liga para o médico eu estou ótimo, já posso ter alta.
Shura e Aioria se olharam cansados, cuidar de Milo era bem pior que cuidar de criança e aquela noite seria longa, muito longa.
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No dia seguinte Aioros passou cedo no hospital para ver Camus, antes de ir para o seu trabalho. O médico atendia alguns pacientes no Hospital Geral de Athenas, mas só casos de emergências, uma vez que pediatria de lá era só para casos de emergências de trauma.
Sorriu ao ver a porta do quarto de Camus aberta e a luz acesa, ainda eram seis da manhã, rezou para que o rapaz estivesse em melhor estado naquele dia.
— Bom dia Camus.
Quando entrou no quarto viu o rapaz sentado na cama, mas alguma coisa estava estranha, Camus o olhou de uma forma que nunca havia feito antes.
Olhou de forma provocativa, dos pés a cabeça, passou a língua entra os lábios e sorriu sedutor. – Bom dia pra você.
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