Na Real

31 Capítulo 31 - Ele está Chegando


Notas iniciais
Olá pessoal!!!! Muito bom poder atualizar a história novamente, a vida de adulto está cada vez mais complicada, o tempo é bem escasso, mas sempre que tenho um tempo livre escrevo. Quero muito agradecer a todes que leram e deixaram um comentário aos que leram, que não abandonaram a história que seguem aqui comigo firmes... Galera isso não tem preço. Amo vcs. Sobre a fic.... Lá embaixo a gente conversa!

Na Real — Capítulo 31

Após levarem o corpo do jovem Mime enrolado em um lençol Aldebaran questionou os outros dois. — E agora onde vamos enterrar o garoto?

Sírius um tanto irritado, porquê o surto de Saga iria colocar por água a baixo seus planos com uma garota que havia conhecido num bar há uma semana, respondeu ríspido. — A gente não enterra ninguém, corpos deixam rastros.

Aldebaran o olhou confuso. — E fazemos o que então? Colocamos num freezer?

— Não seu animal, a gente leva pra fábrica a dois quarteirões daqui, lá a gente incinera o corpo. É mais limpo. — Replicou Mouse.

— Me chama de animal mais uma vez e você vai ficar sem os dentes. — Alertou Aldebaran com cara de bravo, mas para impor respeito do que por qualquer outro motivo.

— Relaxa Touro! Eu tô brincando. — Mouse disse rindo sem graça, uma vez que analisou o tamanho do outro e percebeu que sair no braço com o gigante ali só serviria para deixá-lo com algum osso quebrado.

— Porra justo hoje que eu ia sair cedo! — Resmungou Sírius enquanto colocava o corpo de Mime em seus ombros.

— Uai, por que não sai? — Perguntou Aldebaran.

— Porque o Saga fez essa sujeira e nós temos que limpar, o Mouse tem que ficar de guarda e eu vou ter que jogar o lixo fora, já que você é novato.

— Por isso não, eu posso "jogar o lixo fora" pra você, basta me dizer como fazer? — Tornou o gigante taurino.

— O Touro está certo, o Saga vai ficar fodendo com o ruivo até amanhecer o dia. — Lembrou Mouse.

— Será? O Aquário não estava com cara de quem ia ser uma boa companhia pra fodas hoje. — Lembrou Sirius.

— Que escolha ele tem? — Disse Aldebaran tentando conter o asco em suas palavras.

— Verdade! — Concordaram os dois sorrindo.

Sirius então passou as coordenadas para Aldebaran, de onde ir, como entrar e a pessoa que precisaria procurar para se livrar do "problema", então colocaram o corpo do rapaz no porta malas do carro de Aldebaran.

— É melhor você ir num dos carros da empresa. — Sugeriu Sirius como se estivessem decidindo algo casual e não sobre se desfazer do cadáver de um garoto que foi traficado e sexualmente escravizado.

— É a primeira vez que eu faço esse trabalho de limpeza prefiro ir no meu carro, pois se a polícia aparecer eu já tenho as manhas com meu carro para fugir sem dar uma merda maior. — Respondeu o Touro pensando rápido, os carros de Saga deveriam ter rastreadores, e Aldebaran não queria ser rastreado.

— Você quem sabe. — Disse Sirius com pressa de se livrar do serviço. — Basta dizer na portaria que você está lá para "incinera o lixo" essa é a senha. Ok?

Aldebaran assentiu.

Os três homens colocaram o corpo do garoto no porta malas do carro e Mouse alertou o gigante. — Touro seja breve, apesar de hoje a Santuary não abrir, e os internos estarem de folga, o Saga pode precisar da gente.

— Pode deixar, serei rápido.

— Eu acho que o Saga não sai tão cedo do quarto. — Repetiu Sirius sobre o que já havia sido conversado. — Ele vai trepar com o ruivo a noite toda, o ruivo querendo ou não.

Mouse riu pelo nariz concordando.

Aldebaran sentiu-se mal por não poder ajudar o rapaz, mas nada poderia colocar a investigação em risco. Eles iriam colocar o Saga atrás das grades e desmantelar aquela organização criminosa, devia isso ao garoto Mime, a quem assistiu a sua morte impotente .

—*-*-*-*-*-*

Camus seguiu com Saga até o quarto em silêncio, não temia por sua vida, ao contrário, ao enfrentar Saga estava tentando acabar com ela, mas o que conseguiu foi provocar a morte de um garoto Inocente.

Sentia a culpa corroer sua alma.

A culpa pela morte de Mime, culpa por ter deixado Saga de certa forma chegar perto dos irmãos, além da culpa que já carregava pela morte de Isaak e pelo pobre do Hyoga ter sido deixado a própria sorte, culpa por ter acreditado em no amor de Milo.

Camus gostaria de poder se esconder num buraco para sempre.

Chegando no quarto que Saga possuía no local, o moreno foi providenciar uma bebida forte.

Pegou a garrafa de Whisky e colocou seu conteúdo em um copo e antes de beber colocou outro copo na frente do rapaz. — Vamos Camus beba comigo, isso vai te ajudar a relaxar.

Camus não pode deixar de lembrar de sua primeira vez com Saga.

O aliciador oferecendo bebida para calmar o menino assustado que não tinha noção de onde estava se metendo.

Saga observou o ruivo inerte encarando o copo sem esboçar qualquer reação.

— Vamos Camus, beba! — Ordenou mais firme.

Levando um sobressalto com a ordem de Saga, Camus pegou o copo e virou de uma só vez, engoliu o conteúdo sem expressar qualquer reação.

— Vê agora Camus? Consegue enxergar o quanto você é importante para mim? — Questionou Saga fazendo Camus o olhar incrédulo. — Sim Camus, eu poderia te prendido você aqui, vendido seus irmãos e não ter nenhuma dor de cabeça, mas não! Eu não fiz nada disso porque você é especial pra mim. — Disse Saga acariciando o rosto de Camus que se esquivou involuntariamente.

Tentando manter o raciocínio rápido, rezando para não ter uma de suas crises de pânico e ansiedade e com isso surtar e colocar mais pessoas em perigo, Camus encarnou a situação com uma frieza extrema.

— Sim Saga, agora eu sei que você sempre me priorizou, não tenho, como te agradecer. — Disse monocórdico.

— Você não tem ideia das coisas que eu fiz por você, — Começou fechando os olhos como se recordasse de algo. — Me encantei por você desde quando eu te vi voltando da escola, com uma bolsa pesada cheia de cadernos, camisa branca e uniforme a azul. — Relatou Saga com os olhos fechados, recordando daquela imagem sem se atentar para o seu ato falho.

Camus o olhou confuso pra Saga, que estava descrevendo uma rotina que tinha quando ainda morava na França com seu pai.

— Como sabe que eu usava um uniforme desta cor? Você me viu na França? — Questionou Camus confuso.

Saga abriu os olhos e encarou o jovem a sua frente. — Eu sempre imaginei você assim. — Respondeu pensando rápido. — Eu sempre fiz tudo para que você ficasse junto de mim. — Acrescentou mudando o tom de sua voz deixando-a mais ríspida.

Camus o manteve seus olhos fixo no do seu aliciador, sem pensar muito sobre a fala de Saga sobre sua rotina em Paris e intrigado com a última fala de seu aliciador, perguntou direto. — Foi você quem divulgou meu o vídeo na faculdade, não foi?

Saga o encarou desafiador antes de responder. — Eu só mostrei a você que o "amor" que aquele moleque dizia ter por você era fraco, que ele não seria capaz que suportar nada por você.

Camus teve que usar todo seu auto controle para não dizer a Saga tudo que estava sentindo.

Com o coração batendo acelerado afirmou. — Foi você! O Thor, na sua casa, foi você? — Questionou se referindo ao estupro recente sofrido dias antes de ir parar naquele lugar.

Olhando sério para Camus mentiu com facilidade sobre o fato — O Kapino Júnior disse que queria que você fosse humilhado e exposto, assim como você fez com ele. Eu só cumpri ordens, era o único jeito dele te deixar em paz.

Camus que estava conseguindo se manter firme durante as revelações de Saga até aquele momento, mas aquele último golpe de Saga o destruiu, então gritou desabando num choro sofrido caindo sobre seus joelhos e colocando as mãos nos ouvidos.

Milo teria armado tudo aquilo? Estava naquele inferno por ordem dele? — pensamentos que invadiram a cabeça de Camus. — Tudo que vivemos foi uma mentira?

Ao ver a reação do ruivo Saga fechou o semblante. — Você está chorando por ele? — Questionou enciumado. — Me responde você está chorando por ele?

Com os olhos vermelhos Camus olhou para Saga. — Eu...eu... — Não conseguiu dizer o que sentia, seu peito doía muito, tanto que faltava o ar.

— Você vai aprender a não fazer Saga Nikolos de idiota, nunca mais. — Cuspiu Saga raivoso tirando suas roupas.- Eu te dei tudo e você desprezou, agora você vai ter uma ideia de como seria sua vida se eu não tivesse gostado de você.

O Aliciador partiu para cima de Camus o levantando do chão pelo braço e o jogando na cama.

— Saga, por favor, hoje não, hoje não. — Implorou, mas Saga não lhe deu ouvido, se aproximou apenas para tirar as roupas que Camus vestia.

— Eu já te ensinei que se tentar lutar é pior pra você. — Avisou o olhando nos olhos.

Sim, Camus sabia e não tentou lutar, de nada adiantaria, e só serviria para deixar Saga mais violento.

— Eu quero trepar com vontade hoje, eu quero o Aquário! — Ordenou Saga se encaixando entre as pernas de Camus. — Vamos seu merdinha, eu quero o puto que eu criei.

Em desespero Camus tentava se controlar, a esconder seu sofrimento, sua dor, quando Saga deitado sobre seu corpo, mordia seu pescoço enquanto seu membro rígido pedia passagem.

Camus em desespero gritou e então tudo ficou escuro de repente...

*-*-*-*-*

Aldebaran ligou para Dohko avisando que teria que passar no QG com urgência explicando por alto a situação.

Chegando ao local Aldebaran entrou com seu carro pelos fundos encontrando Dohko e Shura que o aguardavam.

— Conseguiu o corpo? — O policial disfarçado questionou ao seu chefe enquanto descia do carro e abria o porta malas mostrando o corpo de Mime que estava envolto em grossos sacos pretos.

— Quem é esse? — Questionou Shura ajudando o grandalhão a retirar o corpo do carro e colocá-lo em uma maca.

Shura temeu que pudesse ser o ruivo de Milo ao abrir o saco e ver cabelos ruivos, mas tranquilizou se ao notar que não se tratava do namorado de seu amigo, contudo ainda assim não deixou de sentir pena do jovem sem vida a sua frente. — É só um garoto!

— Sim, acho que esse não tem mais que dezessete anos de idade. — Respondeu o Touro.

— Chefe eu preciso fazer a troca. — Cobrou o gigante.

— Aldebaran acalme se, não é fácil encontrar um corpo assim com essa urgência. — Tornou Dohko com seu jeito sereno.

— Eu sei, mas se não acharem ninguém, eu terei que levar o garoto. — Concluiu o Touro.

— Como isso aconteceu? — Questionou Shura avido pelos detalhes.

— O Saga fez isso, o Camus não queria obedecer, discutiu com ele, — Começou a contar o que havia acontecido. — O garoto estava surtando, passou três dias de castigo num quarto todo preto no escuro, sem água e sem comida, numa verdadeira tortura psicológica, e ainda assim teve forças para peitar as ordens do Saga, que para disciplinar Camus matou esse rapaz na frente de todos. — Contou Aldebaran tentando não se emocionar, mas socando uma parede a sua frente. — Eu não pude fazer porra nenhuma, ninguém estava esperando aquilo e mesmo que eu estivesse esperando, como eu poderia impedir?

— Touro se acalme, eu sei o quanto deve ser difícil para você presenciar os crimes de Saga, mas precisamos nos manter fortes para que possamos colocar esse canalha na cadeia o quanto antes. — Dohko explicou novamente. — Mas você precisa saber o que descobrimos.

Aldebaran olhou para o seu superior atento.

— Eles são dois!

O gigante franziu a testa sem ter ideia do que seu chefe dizia. — Eles quem?

— O Saga, ele tem um irmão gêmeo e ao que parece esse irmão é seu cúmplice nos crimes, por isso o Saga sempre tinha um álibi nas ocasiões quando era preso.

— Caralho! — Soltou o touro. — Isso explica muita coisa, as mudanças de humor e até de personalidade e sem contar com o fato dele sempre parecer que está em dois lugares ao mesmo tempo.

— Exato! Por isso cuidado redobrado. — Avisou Shura, que parou de falar quando viu Carlo chegando ao local em uma ambulância.

— Consegui o corpo, um sem teto que está há mais de quinze dias aguardando alguém reclamar por ele, iria ser enterrado como indigente no final do mês.- Explicou Carlo ajudando a Aldebaran a colocar o cadáver no carro.

— Amigão não sei quem você foi em vida, mas agora você está ajudando em uma investigação policial. — Disse o Touro colocando a mão sobre o peito do morto.

Ao terminarem a troca dos corpos.

— O Camus me disse certa vez que o Saga tem um fetiche, ele grava todos os testes dos atores de seus filmes. — Contou Aldebaran aos três homens parados a sua frente. — Ele me falou que esses vídeos ficam guardados no quarto de Saga e inclusive lá tem o vídeo teste de Camus, que Saga gosta de assistir com ele.

— O Saga Nikolos jamais cometeria um erro amador como este de manter provas dos seus crimes guardado. — Tornou Shura com seu raciocínio lógico.

— O Saga é um voyeur, isso já ficou bem óbvio no perfil dele. — Comentou Carlo lembrando do perfil psicológico do aliciador. — Assistir a si fazendo os testes que ele aplica nos atores, muitas vezes inexperientes, faz muito sentido.

— Aldebaran, mantenha seu disfarce, nós vamos dar um jeito de pegar esses vídeos. — Pediu Dohko que tinha mais experiência e inteligência emocional para lidar com as situações do Saga.

O Touro assentiu já dentro do carro dando a partida.

*-*-*-*-*-*

Aldebaran chegou no portão dos fundos da fábrica indicada por Mousse, até aquele momento não havia indicação de que fábrica era, mas havia dado o endereço para os outros investigadores que com certeza iriam descobrir tudo a respeito dos donos do local.

O Touro buzinou duas vezes, conforme foi instruído a fazer, logo veio um vigilante.

— Pois não. — Começou o homem.

— Eu vim "incinerar o lixo" de Saga. — Respondeu como foi orientado.

O vigia não questionou mais nada, se afastou e indicou. — Siga reto e vire a segunda a direita, próximo a caldeira, lá pergunte por Tony, ele vai te dizer o que fazer.

E assim Aldebaran fez, chegando aí local localizou o tal Tony, conversaram brevemente até que o homem foi até o policial com um carrinho de lixo.

— Grandão você tira o lixo daí, ok? Não quero me meter com a sujeira de ninguém. — Avisou Tony.

Aldebaran obedeceu pegou o corpo do porta malas e colocou no carrinho.

— Você sabe que tipo de lixo é esse? — O policial perguntou a Tony, sondando.

— Não sei, e não faço perguntas. — Cortou Tony. — Você é novato, vou dar um conselho, não faça perguntas, quanto menos conversa melhor.

Aldebaran assentiu, fechou a cara e cruzou os braços e assistiu em silêncio, Tony atirar o corpo envolvido no saco preto dentro da fornalha da fábrica.

Finalizando o trabalho Tony olhou para Aldebaran e perguntou ríspido. — Você está esperando o que? Um recibo? Um brinde ou um cartão fidelidade?

Aldebaran manteve o olhar firme encarando o homem a sua frente com cara de poucos amigos, e Tony o encarou de volta, como o policial disfarçado não poderia arrumar confusão, se retirou batendo com o corpo no ombro de Tony.

*-*-*-*-*

Camus despertou abrindo os olhos fracamente, tentando se situar de onde estava, logo lembrou de Saga, estavam discutindo quando tudo apagou.

O ruivo percebeu que estava nu ao lado de uma Saga que dormia pesadamente e também estava nu. Fez um movimento para se levantar, foi então que sentiu seu corpo doer, pontada na barriga, uma forte dor em seu ânus e se viu todo melado de esperma e lubrificante.

— Pelos Deuses! — Exclamou se levantando num impulso e logo se dobrando de dor.

— Já acordou? — Perguntou Saga sonolento coçando os olhos.

— O que você fez comigo? — Perguntou Camus se sentindo usado e humilhado.

Saga sorriu maliciosos antes de responder. — Essa noite eu fiz várias coisas com você.

— Como pôde? Canalha!

— O que foi Camus? Acordou de mau humor? — Questionou Saga franzindo a testa. — Essa noite você estava tão fogoso, me fez gozar várias vezes, por que está agindo assim agora?

— Canalha! — Repetiu Camus atordoado, sem conseguir lembrar nada da noite passada.

Estranhando o jeito de Camus e sem paciência para lamentos Saga, pegou o celular e ligou. — Mande alguém aqui para levar o Aquário lá pra baixo.

Por algum motivo que não soube explicar Camus sentiu uma tontura quando ouvi Saga falar, “Aquário”.

Após deligar o telefone Saga olhou para Camus e falou sério. — Seu problema é que você é burro, se fosse bonzinho comigo como foi está noite, eu poderia pensar em te deixar por aqui desfrutando de conforto, mas não, você quer tudo do jeito difícil.

— Eu estava desacordado! E você me estuprou! Como pôde? — Cuspiu Camus com um misto de sentimento entre raiva e humilhação. — Apesar de tudo eu ainda achava que você não era o monstro que todos pintavam, mas você é pior!

— Você está louco? — Perguntou Saga com real preocupação. — Você trepou comigo a noite toda, gozou pra mim, e você estava gritando alucinado para que eu acabasse com você, metesse fundo. E agora você acorda assim?

— Mentira! Mentira! Canalha mentiroso! — Xingou o jovem descrente procurando por suas roupas pelo Chão.

Escutaram a batida na porta, Saga que estava nu mandou que entrassem, sem se preocupar cobrir sua nudez.

Aldebaran entrou viu o "chefe" nu olhou para baixo e se desculpou. — Senhor Saga me perdoe eu não sabia que estava...

Sem dar atenção as palavras do gigante, Saga ordenou — Leve ele daqui, minha noite foi muito boa para que eu me estresse agora.

Aldebaran procurou Camus com os olhos e viu o jovem colocando sua calça de moletom e procurava sua camisa regata. Manchas roxas estavam visíveis em seu dorso e braços, em alguns locais dava para identificar as marcas de mordidas.

Camus achou sua camisa e a vestiu, ficou incomodado com a presença de Aldebaran, mas com muito mais raiva de Saga foi ao encontro do capanga.

Sentia vergonha por se encontra naquela situação, raiva por descobrir que a pessoa que considerava um amigo era apenas um capacho de Saga, um sentimento angustiante por supor que Aldebaran estava na mansão de Saga quando foi estuprado e não fez nada para ajudá-lo e novamente o deixou a própria sorte nas mãos do aliciador.

— Camus. — Chamou Saga fazendo o ruivo e o gigante pararem e olharem para o cafetão. — Não sou nenhum monstro, vou deixar você repousando esses dias, até que seu “corpo” se recupere.

O jovem o encarou e no seu rosto tinha sua melhor cara de indiferença e desgosto e nada respondeu, apenas saiu sendo seguido pelo policial disfarçado.

..........

— Você está bem Camus? — Questionou o gigante se mostrando atencioso.

— Não. — Foi a resposta seca de Camus, que andava com certa dificuldade.

— Camus, a gente precisa conversar, eu sou seu amigo. – Tentou iniciar uma conversa, obviamente não poderia revelar que era um policial, mas queria de alguma forma poder acalentar aquele jovem tão castigado pela vida.

— Eu preciso de um banho. – Pediu Camus olhando para baixo tinha vergonha de olhar para Aldebaran, tinha vergonha de olhar para qualquer pessoa, precisava tirar o cheiro de Saga que estava impregnado em seu corpo.

— Certo, venha comigo, eu vou cuidar disso. – Aldebaran levou o rapaz para o banheiro e diferente da vez que foi levado pelos outros capangas de Saga, o grandalhão o tratou com respeito, dando privacidade ao ruivo.

Claro que não poderia se ausentar e deixar o garoto sozinho, mas ficou esperando do lado de fora.

Aquele banheiro não tinha trancas por dentro, havia um grande espelho, onde Camus pôde ver as marcas da noite anterior, haviam mordidas, manchas roxas e ele não queria nem olhar para certas partes do seu corpo.

Fechou os olhos e tirou as roupas ligou o chuveiro sentiu a água inicialmente gelada cair em seu rosto, depois amornando em seu corpo.

Estava com tanta raiva que quando suas lagrimas rolavam ele se praguejava ainda mais.

— Malditos, malditos sejam todos eles! – Praguejou.

Mas respirou fundo e se limpou da melhor forma que pôde, sabia como fazer, sua profissão o ensinou como fazer aquele tipo de higiene.

Ouviu batidas na porta e Aldebaran entrou evitando olhar para sua nudez. – Camus aqui uma toalha e roupas limpas, precisamos ir.

Sem dizer uma única palavra Camus obedeceu, fechou o chuveiro e foi se trocar.

Após colocar a roupa limpa que Aldebaran lhe deu saiu do banheiro e encontrou o grandalhão o esperando, os dois se encararam e Camus quebrou o silêncio.

— Você diz que é meu amigo? Então faz um favor pra mim.

— Camus, eu sou seu amigo.

— Ótimo, então procure Milo Kapino e diga a ele o plano dele deu certo, diga que eu estou humilhado e destruído como ele queria. — Camus não notou quando as lágrimas começaram a rolar por seu belo rosto . — Dê os parabéns a ele, diga que eu estou tão destruido que nunca mais vou conseguir me reerguer novamente.

O Policial olhou para o jovem a sua frente penalizado. — Não diga isso, enquanto há vida há esperança.

— No meu caso, enquanto há vida, há dor e desilusão. — Retrucou o ruivo, secando seus olhos com as mãos se recompondo.

Consternado Aldebaran tentou dizer algo para ajudar o amigo, mas nada que dissesse seria relevante, então preferiu se calar.

Os dois seguiram em silêncio até a entrada do cativeiro que Camus dividia com os outros rapazes.

Somente naquele momento o ruivo se lembrou do que ocorreu não noite passada, então parou enfrente a porta e colocou as mãos na cabeça.

— Ah não! O Mime! O Saga matou o Mime por minha culpa. — Desesperou-se.

O Policial o abraçou para acalma-lo, visto que o rapaz estava ao ponto de uma crise nervosa.

— Calma, calma, não foi culpa sua, nunca mais diga isso.

Começou o policial tentando fazer Camus enxergar quem era o verdadeiros vilão naquela história. — O Saga é um louco, ninguém tinha como prever aquela atitude.

Aldebaran suspirou cansado, se odiava por ter que dizer aquelas coisas,as ainda assim continuou. — Lembre-se para o seu bem, e o bem dos outros rapazes você deve ficar calmo e obedecer as ordens dele. — O Policial se odiava por dizer aquilo, mas seria perigoso abrir o jogo para Camus por vários fatores, alguém poderia estar os observando e Camus estava muito instável e poderia colocar tudo a perder em uma de suas crises de nervos.

Ao ouvir o conselho do outro Camus se soltou do abraço do ex amigo, secou suas lágrimas e se posicionou em frente a porta.

Aldebaran suspirou cansado e a destrancou dando passagem ao ruivo.

De cabeça baixa Camus entrou no cativeiro, a culpa lhe corroendo por dentro.

Mu e Afrodite se levantaram do chão onde estavam sentados e vieram o receber.

— Camus! Você está bem? — Os dois puderam ver pelo rosto molhado e abatido e pelas marcas roxas no braço do ruivo que ele não estava nada bem.

Camus levantou a cabeça e olhou para os dois rapazes a sua frente. — Me perdoem, eu não sabia que o Saga iria fazer aquilo.

Mu e Afrodite o abraçaram emocionados.

— Você não teve culpa, o bandido aqui é o Saga. — Declarou Afrodite. — O Mime não foi o primeiro a perder a vida neste inferno, todos nós corremos riscos aqui.

— O Saga já matou outras pessoas? — Questionou Camus chocado.

Mu e Afrodite confirmaram com a cabeça.

Deixando Camus completamente chocado.

— Você se alimentou hoje? — Perguntou Mu tentando mudar o rumo da conversa, reviver os crimes de Saga não faria bem para ninguém naquele momento.

— Não tenho fome. — Respondeu Camus abaixando os olhos, na verdade o ruivo queria descansar, seu corpo estava dolorido e apesar de não se recordar de nada da noite que passou com Saga, se sentia verdadeiramente exausto como se realmente tivesse passado a noite em claro.

— O Saga te machucou muito? — Questionou Afrodite olhando as marcas roxas nos braços de Camus.

O ruivo olhou para os seus braços antes de responder. — Eu sou muito branco, fico roxo por qualquer coisa.

— Camus. — sussurrou Mu penalizado.

— Eu não me lembro de nada, acho que Saga me violentou enquanto eu estava desmaiado, pois a última coisa que eu me lembro é de estar tentando evitar...

"O estupro" pensou Camus sem verbalizar a última palavra.

O ruivo sentiu uma forte vertigem sendo amparado pelos colegas de confinamento.

— Venha Camus descanse um pouco. — Disse Mu levando o ruivo para se deitar no colchão que pertencia a Mime. Os capangas de Saga haviam levado lençóis limpos.

O ruivo deitou, se sentindo mal por estar no lugar que pertencia ao garoto Mime, mas estava tão cansado e ferido emocionante e fisicamente que adormeceu em questão de minutos.

Aldebaran observava a cena do lado de fora do quarto ou melhor, da cela. Sentia muito pelo jovem michê, mas o melhor jeito de ajudá-lo era levar o investigação até o fim e acabar com aquela quadrilha de traficantes de pessoas.

*-*-*-*-*

Tres semanas haviam se passado desde que Camus fora levado por Saga e seus capangas.

Milo estava cuidando dos irmãos de Camus com todo carinho que de fato sentia pelos meninos.

Estava procurando uma casa para comprar, com mais acessibilidade que seu atual apartamento. Isaak estava tendo evoluções tremendas em seu tratamento.

O garoto já estava no quarto, não fazia isso de nenhum aparelho que auxiliasse em sua respiração, ou locomoção.

Sim o menino sentia firmeza nas pernas, como nunca havia sentido antes, seu apetite também eu estava melhor e Aioros avisou a Milo que daria alta ao garoto em alguns dias.

Milo, Shaka e Aioros estavam pasmos com o resultado do tratamento alternativo sugerido pelo pai do garoto.

Tudo estava indo muito bem, menos a questão do sequestro de Camus e a falta de notícias da polícia, que sempre diziam que não poderiam colocar a investigação em risco, mas a vida de Camus poderia ser colocada em risco?

Sua vontade era invadir a casa se Saga e exigir que este lhe entregasse Camus a qualquer custo, mas seus amigos e a polícia como um todo não permitiram tal ação. Dizendo que isso só provocaria a irá de Saga contra seu namorado.

Mas além de todos esses problemas, Milo tinha um pior que estava martelando sua cabeça há dias, depois de pensar muito a respeito decidiu procurar Shura naquela delegacia especial onde anteriormente havia ido prestar depoimento sobre Camus.

Chegando no local se identificou. — Olá meu nome é Milo Kapino e eu procuro o Caprica. — Milo chamou pelo apelido que haviam dado a Shura para identifica-lo já que o nome Shura atualmente pertencia a um defunto.

Após alguns minutos um homem de terno cinza veio ter com Milo. — Olá eu sou o Caius me acompanhe, por favor.

Milo seguiu o rapaz até uma sala de depoimento e pediu que o herdeiro da Kapino esperasse lá dentro. E assim o loiro o fez, no começo achando ruim, mas depois lembrou que o amigo havia sofrido um atentado e entendeu que todo cuidado era pouco naqueles dias.

Após se passarem alguns minutos Shura entrou na sala cumprimentando o amigo, — Milo nós ainda não temos notícias do seu ruivo. — Mentiu o policial

— Eu sei Shura, mas eu tenho uma denuncia ou suspeita para falar. — Começou o namorado de Camus.

— O que houve?- Perguntou o policial tenso.

— Essas são as pesquisas do pai do Camus, veja aqui tem o selo da Kapino. — Começou Milo rezando para estar errado.

— E?

— E que se essa pesquisa tiver certa como eu tenho certeza que está, meu pai pode estar por trás da morte desse homem e consequentemente por trás de toda a tragédia na vida do Camus. — Despejou Milo se sentindo mais leve em compartilhar aquela suspeita com outra pessoa, olhou nos olhos de Shura e resumiu.

— Acho que meu pai é o responsável pela morte de Crystal Versau, pai do meu namorado Camus.

Notas finais
Milo vc é meu orgulho!!! Acho que agora o Shura e o Mais vão poder confiar mais no Milo, não que não confiassem antes, mas não tinham certeza de como ele se comportaria se soubesse que seu pai tinha culpa no cartório. Mas neste capítulo começou a ser introduzido um novo problema que o Camus vai passar. Ao longo da história vimos que o Camus criou o personagem Aquário para se dissociar da sua realidade, mas com os tudo quem vem acontecendo com ele nos últimos tempos o Camus vai começar a apresentar o transtorno dissociativo de identidade ou como conhecido popularmente transtorno de dupla personalidade. Vou tentar trabalhar com esse tema da forma mais seria e próximo a realidade que eu conseguir. Valeu pessoal Comentem!!!