Na Real
32 Capítulo 32 - Camus ou Aquário?
Notas iniciais
Na Real -Capítulo 32
Shura pegou os documentos e olhou Milo nos olhos. — Você tem certeza disso?
A pergunta do policial não era referente a se Milo tinha certeza do envolvimento de seu pai no crime, isso caberia a polícia investigar, mas se o amigo tinha certeza, sobre a ação que estava fazendo, e nas consequências daquilo, uma vez que seu pai seria preso se o crime fosse constatado.
— Eu amo meu pai Shura, mas não o admiro como pessoa, como homem e nem como pai, sei que o Klaus pode ser responsável muita coisa ruim e eu realmente não quero compactuar com isso. — Declarou Milo com certo pesar.
O policial sentiu que poderia confiar no amigo, Milo poderia ser comportar como o garoto mimado as vezes, mas era percebido por todos de seu convívio que ele havia amadurecido muito nos últimos tempos.
— Shura alguma notícia do Camus? Qualquer uma? — Pediu essa migalha de informação.
— Ele está vivo, e nós vamos resgata-lo em breve. — Disse Shura mais por piedade em ver o amigo sofrendo.
— Eu quero ir junto. — Declarou.
— O que?
— Quando vocês forem resgatar o Camus eu quero ir junto.
— Milo estamos falando de uma ação Policial, não de uma excursão de férias. — Reclamou Shura.
— Eu ajudo vocês a investigarem o Klaus Kapino e em troca você me leva junto para resgatar o Camus. — Barganhou Milo.
— Eu vou pensar a respeito e te mantenho informado. — Respondeu Shura com os lábios comprimidos.
Milo concordou com a cabeça, contudo jamais desistiria de estar junto quando Camus fosse resgatado.
*-*-*-*
— Vamos Aquário, hoje você não escapa, o Saga vai te leiloar essa noite. — Avisou Verônica entrando no cômodo, que Camus chamava de cela.
O ruivo já estava pronto, vestia um short látex preto com suspensório em seu dorso nu.
Na cabeça uma boina preta, mesmo contra vontade, Camus estava com lápis perto nos olhos, batom vermelho nos lábios, e unhas vermelhas nas mãos, e nos pés uma bota cano longo preta que passava dos seus joelhos. A Mu e Afrodite também foram dadas o mesmo estilo da roupas, com a diferença que o shorts deles serem vermelhos.
Apesar de parecer indiferente a tudo para quem o observasse, com sua melhor máscara blase, por dentro Camus estava apavorado, não sabia o que esperar daquela noite.
Sua mente não deixou de se lembrar quando foi leiloado por Saga pela primeira vez. Também teve medo naquela ocasião, mas confiava em Saga.
Camus riu pelo nariz, "confiava em Saga", como era burro e ingênuo naquela época. Se soubesse tudo que passaria nas mãos de Saga e na vida que o aliciador lhe daria.... Com os olhos lacrimejando concluiu "Que escolha eu tinha?" .
Sua cabeça começou a doer, na nuca, na testa fortes pontadas, intercalando com um forte enjoo.
"Não, uma crise de pânico, agora não" — Pensou já sentindo as mãos tremerem.
— Camus você está bem? — Ouviu a voz de Mu ao fundo, apesar de o rapaz estar próximo.
O ruivo não conseguiu responder, falar tiraria sua concentração para não surtar de vez, por isso preferiu fechar os olhos e tentar controlar sua respiração e seus tremores involuntários nas mãos.
— Vamos rapazes está na hora. — Aldebaran entrou na cela chamando os três e Mu foi até ele.
— Senhor ele não me parece bem. — Avisou apreensivo, apontando para o amigo encostado na parede, que estava mais branco que o normal.
O gigante se aproximou apreensivo e chamou. — Camus, você está bem? Camus.
Por ser policial e ter algum conhecimento nesta área, já que alguns amigos na polícia apresentavam o mesmo problema, Aldebaran abraçou o amigo e disse. — Tudo bem Camus, respire, inspire, respire.
E assim o ruivo fez.
Quando finalmente abriu os olhos e conseguiu falar. — Eu estou bem.
— Você toma remédio para isso? — Perguntou o policial.
Camus negou com a cabeça antes de dizer. — Não aqui.
— VAMOS, VAMOS QUE DEMORAR! — Verônica entrou e parou de falar quando viu a cena do gigante abraçado ao ruivo. — Aquário, Aquário você é uma bicha ardilosa! Não vai ter privilégios aqui, mesmo se trepar com o novato. Vamos, vamos o trabalho nos espera.
Mu ajudou Camus a se refazer para saírem seguindo Verônica, que não deixou de avisar ao novato. — O Saga não gosta de compartilhar as coisas dele, somente o faz com quem tem grana para pagar por isso. Não fique de graça com o ruivo, isso pode custar caro pra você.
O policial nada respondeu, bater de frente com Verônica não seria inteligente, optou por concordar com a cabeça e deixar o assunto morrer.
....
Camus recebeu um pulseira de identificação preta, notou que Mu e Afrodite também receberam pulseiras de cor igual a sua, mas alguns garotos ali tinham pulseira de outra cor, lembrou de quando ia naquele lugar com Saga, ele utilizava a pulseira de cor verde.
Camus foi levado a uma espécie de gaiola onde entrou silenciosamente.
— Fique aqui e sorria, você sabe como funciona, hoje você vai ser leiloado. — Explicou Verônica por alto sem entrar em detalhes, pois ele já era um "veterano" no trabalho.
A gaiola começou a subir dando a Camus a posição de destaque.
Observando do alto, Camus pôde passar os olhos no local, haviam outras pessoas trabalhando ali. "Seriam todos escravos? ” Percebeu que alguns homens fortes e musculosos estavam dançando em gaiolas também, seu coração se encheu de ódio quando viu Thor, o homem que o estuprou recentemente estava dançando em uma gaiola sorridente, quando seus olhos encontraram os de Camus, Thor apenas fez um gesto obsceno com a boca, deixando o ruivo com muito mais raiva! Desviando o olhar notou que a pulseira dele era da cor verde, similar a de Verônica.
A música alta e as luzes piscando desviaram a atenção de Camus que observava tudo a sua volta, estava numa espécie de clube privativo, apenas clientes selecionados, reconhecida alguns, outros eram completos estranhos para ele. Afrodite e Mu dançavam conforme a ordem de Verônica, mas Camus não queira obedecer, não iria dançar, não para agradar Verônica e Saga.
Por falar em Saga, Camus o viu no mezanino. O moreno o encarava com olhos predadores, o ruivo manteve o contato visual altez e desafiador.
...
Máscara da Morte foi convidado para aquela sessão prive do clube do Saga, o detetive estava conseguindo se tornar um cliente confiável, já havia gasto uma verdadeira fortuna com a boate de Saga, em geral fazia Afrodite cantar para ele, era uma forma de proteger o rapaz e não explorar a vítima sexualmente.
Mas Aldebaran avisou que o ruivo seria leiloado naquela noite, Carlo não poderiam deixar o rapaz correr riscos, faltava muito pouco para conseguirem as provas que precisavam para colocar Saga e todos da quadrilha, todos que faziam aquela rede de tráfico de pessoas e prostituição funcionar, na cadeia.
*-*-*-*-*
Após algum tempo Verônica subiu no palco apresentando as "Mercadorias" da noite.
Todos os trabalhadores do sexo ali presente foram leiloados para uma noite inteira de prazer.
Nos intervalos entre um rapaz e outro, no telão começaram a aparecer cenas de Camus em seus filmes fazendo sexo com homens aleatórios, as vezes, com mais de um ao mesmo tempo, como uma forma de valorizar o preço do rapaz.
Camus que já estava assustado com tudo aquilo, quando viu nas telas imagens suas naquelas situações, ficou envergonhado, constrangido, se sentiu despido como nunca antes em sua vida, sua mente o levou de volta aquele dia na faculdade onde seus vídeos foram expostos para todos que lá estudavam.
A beira de um ataque de nervos Camus gritou se encolhendo em sua gaiola, de olhos cerrados e tapando o rosto.
Carlo e Aldebaran, cada um em sua posição assistiram aquela cena penalizados, Saga por sua vez parecia se divertir com a crise nervosa do jovem amante. Quanto mais humilhado ele fosse, mais cedo ele voltaria a se tornar dócil e submisso.
Saga queria destruir toda a autoestima do ruivo, deixá-lo inseguro e carente ao extremo o colocaria de volta na linha. Então assistia com prazer o ruivo se encolhendo e gritando com as mãos no rosto.
Mas de repente Camus parou de gritar, olhou em volta analisando o local em que estava, a boate, os homens que o olhavam com cobiça, pessoas nas mesas rindo alheias ao que se passava a sua volta, os olhares de algumas pessoas fixos em si, a música alta que o impedia de pensar e quando cravou os olhos no telão se viu “em ação” por alguns instantes e sorriu malicioso e se levantou mudando completamente de postura.
Pôs se a dançar de uma forma extremamente sexy, enquanto imagens suas fazendo sexo apareciam nas telas.
Saga olhou vidrado para o rapaz se enchendo de desejo. Camus o fascinava isso era inegável.
Veronica assistiu a tudo desgostosa, para ela o ruivo não passava de um malandro farsante, obviamente ele encenou tudo para se valorizar no leilão e assim voltar a cair nas graças do Saga novamente.
Carlo e Aldebaran observaram a cena com certa preocupação, "como é capaz uma mudança tão repentina de postura?".
*-*-*-*-*
— Vamos, Camus mexe assim gostoso. — Saga ordenava.
Após um acirrado leilão, onde Saga pensou desistir de leiloar o ruivo para tê-lo aquela noite a sua disposição, e chegou a dar uns lances, mas o plano só não foi colocado em prática porque Kannon assistia tudo pelas câmeras de segurança fez seu gêmeo desistir de participar do leilão.
Kannon ameaçou dizendo que ficaria com todo o lucro da semana só pra ele, se Saga continuasse com aquilo.
E se existe algo que Saga goste mais que o ruivo, essa coisa é dinheiro.
Então liberou o ruivo para o leilão e levou um dos garotos "residentes" para os seus aposentos, tinha ficado muito excitado com Camus e precisava se aliviar.
Escolheu o rapaz Afrodite que era muito bonito.
Porém, quando estava transando com Afrodite, seu pensamento foi para Camus e em sua mente, já nublada pela vodca, era o ruivo quem estava ali com ele.
— Você vai voltar a ser submisso a mim, já acabei com o seu namoro estupido, você é meu Camus, meu!
Afrodite escutava tudo sem dizer uma palavra, apenas gemia, muitas vezes de dor.
— Aquele Milo nunca mais terá você novamente, eu consegui o que eu queria! Você é meu, só meu Camus.
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Máscara da Morte estava no quarto reservado ao ganhador do leilão, aguardava sua comprar ser entregue, tinha um cigarro aceso em sua mão, sua mente enojada com o fato dele ter acabado de participar de um leilão para fazer sexo com um escravo sexual, um rapaz que foi parar naquela vida ainda adolescente e que agora não passava de um escravo vítima do tráfico de pessoas. Máscara da Morte não iria parar até que colocasse todos os responsáveis atrás das grades.
Carlo escutou três batidas na porta.
— Entre. — Pediu educadamente olhando para a porta, viu Camus entrando e olhando para trás como se tivesse ido até ali acompanhando de algum segurança.
Quando o rapaz olhou para frente Carlo notou seu olhar ainda estranho.
— Olá. — Cumprimentou educadamente, contudo o ruivo ainda olhava em volta como que fazendo o reconhecimento do ambiente, somente quando ouviu o cumprimento do outro pela segunda vez foi que subitamente percebeu que não estava só ali.
— Olá, você me assustou. — Disse o ruivo.
— Desculpe por isso você me pareceu distraído mesmo. — Pediu o policial. — Aquário, não é? — Estendeu a mão para cumprimentá-lo.
Aquário encarou a mão do outro antes de aceitar o aperto de mão.
— E então o que vai ser? — Aquário foi direto ao ponto. — Você é ativo, passivo, quer os dois, ou só quer uma boa chupada? — O ruivo perguntou se forma tão direta, seca e fria que Carlo ficou desconcertado por um instante, mas logo se recompôs.
— Eu paguei para ter sua companhia a noite toda, não vamos ter pressa garoto. — Respondeu analisando o rosto do outro, notando que aquele rapaz era muito mais novo do que se fazia passar ter. — Você parece jovem quantia anos você tem?
Desconversando Aquário perguntou de forma sexy. — Vamos ficar conversando vestidos?
— Por enquanto sim, vamos jantar primeiro. — Respondeu Carlo para ganhar tempo, jamais transaria com aquele garoto, por vários motivos.
Primeiro ele era uma vítima dos abusos e crimes do Saga Nikolos, segundo porque Milo o mataria se sonhasse com algo assim, terceiro porque amava Shura e não tinha vontade de estar com outros homens que não o seu espanhol e quarto porque o ruivo não estava bem mentalmente, isso era nítido para o detetive uma vez que o olhar dele estava estranho, diferente por assim dizer.
— Mas vamos trepar depois do almoço? — Aquário perguntou confuso. — Poderemos ter uma indigestão.
— Não se preocupe com isso, te comprei no leilão, você vai ficar comigo por muito tempo. — Respondeu o policial seco para frear as investidas do ruivo.
O ruivo sentou na cama sobre seus joelhos encarando o cliente quando viu o maço de cigarros.
— Ei me dê um cigarro. — Pediu já levantando da Cama altivo e pegando o maço.
— Claro, pode pegar. — Respondeu Carlo acendendo o cigarro do outro com seu isqueiro. — Eu não sabia que você fumava.
— Você não sabe nada sobre mim. — Respondeu o Aquário tragando a nicotina.
— Verdade, você pode me contar algumas coisas sobre você? Exemplo quantos anos você tem?
— Eu tenho a idade que você quiser que eu tenha, posso ser um menino levado, um adolescente rebelde, um jovem adulto nerd, tudo que você quiser. — Respondeu o ruivo de forma tão sexy que deixou o policial sem graça, por sorte bateram na porta.
— Opa deve ser o garçom com nossa comida. — Carlo disse se levantando da cadeira.
O Aquário o observou com olhar blasé.
— Garoto, pedi um delicioso parmegiana para nós. Você vai adorar.
— Não é um pouco pesado para a gente "brincar" depois? — Questionou o garoto de programa analítico.
— Eu quero ver você comendo, não vai realizar meu desejo? — Carlo perguntou sério, como se estivesse falando de algum fetiche maluco. Aquário então baixou os olhos e concordou em sentar a pequena mesa que havia no quarto.
Aí sentir o cheiro da comida foi que se deu conta de que estava faminto e sua barriga roncou.
Os meninos cativos de Saga tinham uma dieta rigorosamente cruel, pela manhã café preto com pão ou torradas, no almoço somente legumes e verduras e o almoço era servido das onze ao meio dia, depois eles somente comiam algo quando voltavam para o quarto, após o trabalho da Boate. Saga dizia que isso servia para deixar os meninos "limpos" para o trabalho.
Quando o jovem ruivo colocou o primeiro pedaço da deliciosa comida em sua boca, seu estômago comemorou, aliás, todas as células do seu corpo comemoraram.
— Realmente isso está muito bom. — Aquário até tentou comer com compostura, mas a fome repentina boicotou sua tentativa.
Carlo observou contente, Aldebaran havia o deixado a par da dieta cruel que os jovens eram submetidos.
— Me fale mais de você, quem é o Aquário?
Terminando de engolir um suculento pedaço de carne o ruivo falou. – Não tem muito o que saber sobre mim, faço programas e filmes adultos gay.
Carlos engasgou com a bebida, não esperava uma resposta tão direta como aquela, mas prosseguiu tentando conversar com o jovem, parecia estranho o garoto não demonstrar nenhum tipo de reação ou sentimentos sobre o momento que estava vivendo.
— Sim, sim disso eu sei, mas o que mais o grande Aquário faz? Qual sua música favorita, seu filme predileto, seu hobby?
Por um momento o jovem a sua frente o olhou confuso e sua cabeça começou a doer.
— Eu não sei, nunca pensei sobre essas coisas. – Disse por fim massageando a fronte.
— Está tudo bem? – Carlo perguntou notando a expressão de dor do outro.
— Uma dor de cabeça repentina, mas logo passa e a gente vai conseguir se divertir não se preocupe. – Disse o ruivo tentando não focar em sua dor.
— Porque não deita um pouco, descanse, você deve estar cansado.
Aquário concordou com a cabeça, mas antes de levantar da mesa para deitar na cama ainda deu umas três garfadas na comida saborosa, mas com sua dor de cabeça aumentando percebeu que estava começando a sentir náuseas, então achou por bem não forçar mais, apesar de ainda sentir fome.
— Sim, sim vou deitar um pouco, eu estive no palco isso me cansou muito. – Falou Aquário já pegando no sono imediatamente.
Carlo achou tudo muito estranho, mas nada disse, apenas sentou na cadeira ficou observando o ruivo dormir.
*-*-*-*-*-*-*
Milo estava em seu escritório despachando alguns papeis, quando sua secretaria entrou em sua sala. – Sr. Milo, tem uma moça aguardando lá fora, ela não está agendada, eu já tentei despacha-la, mas a moça insiste que precisa falar com o senhor um assunto, segundo ela, particular.
Franzindo a testa Milo questionou. — Ela disse o nome?
Neste momento Marin entrou na sala já falando. — Sou eu, Marin, amiga do Camus, nos conhecemos no aniversário do Isaak.
— Eu você não pode entrar assim, desculpe senhor Milo quer que eu chame a segurança? — A secretaria falava enquanto tentava segurar a moça ruiva, que se afastava dela.
— Eu estou muito preocupada, eles sumiram, todos eles!
— Tudo bem Jade, eu conheço a moça, pode sair.
— Ou...ok se precisar de mim estarei lá fora. — Respondeu a secretária antes de sair e lançando um olhar feio para a moça.
— Olha, me desculpa ter vindo aqui desse jeito, mas eu estou muito preocupada o Camus e os meninos sumiram, você tem notícias deles?
Milo suspirou cansado antes de contar tudo que houve para a amiga de seu namorado.
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— E foi isso. — Milo relatou todos os acontecimentos dos últimos tempos, sua viagem, o plano de Saga em separá-los, a doença de Isaak e a confusão que Camus de achando que o irmão estava morto, omitiu que seu amigo foi o responsável pelo juizado ter tirado Hyoga de Camus, e por fim o sequestro do namorado que ainda estava em curso.
— Pelos Deuses! — Disse a DJ chocada. — Então você não sabe dizer se o Camus está vivo ou morto?
— Ele está vivo! — Bradou Milo batendo a mão na mesa. — Ele tem que estar.
— Esse tempo todo desaparecido. — A moça falou entre lágrimas.
— Marin eu sei o quão angustiante essa situação é acredite em mim, mas temos que ter esperança. Eles vão prender o Saga e todo sua quadrilha.
— Eu nunca gostei do Saga, já toquei na boate dele, mas o ambiente lá não é dos melhores, e olha que eu não devo nem ter chegado perto desse lado B nojento dele.
Marin olhou nos olhos de Milo e pediu. — Os meninos, me deixe vê-los, por favor.
— Claro Marin, com certeza, o Isaak ainda está no hospital, mas creio que ele terá alta em breve, ele já deve ir direto pra casa nova.
— Casa nova?
— A sim, eu comprei uma casa para poder acomodar os meninos direito, o meu antigo apartamento não foi feito para crianças.
— Eu entendo, mas uma casa nova?
— Quando o Camus voltar a gente vai se casar, já teremos uma casa. — Falou Milo convicto e Marin o olhou com carinho.
— Que os deuses abençoem suas palavras.
— Milo eu tenho novidades sobre o inventário dos garotos e... — Aioria entrou no escritório falando e parou quando viu que seu amigo não estava só. — Oh perdão, não sabia que estava acompanhando.
— Tudo bem Aioria, essa é a Marin, ela é amiga e vizinha do Camus, Marin esse é o Aioria, meu melhor amigo e o grande advogado aqui da empresa.
Aioria estendeu mão para cumprimentar a moça que o cumprimentou sem muita atenção, uma vez que estava muito preocupada com seu amigo Camus.
— Você é vizinha dele! Conhece eles há muito tempo? — Perguntou o advogado, em parte para puxar assunto com a moça linda que estava a sua frente e também por ser alguém próximo ao ruivo, que poderia ter informação valiosas para a polícia.
— Acho que tem uns três anos que eu conheço ele.
Se ela o conhecia há tanto tempo, com certeza conheceu Camus quando este ainda era menor de idade.
Apesar de estar encantado com a beleza da garota a sua frente, Aioria era um advogado e estava por dentro das investigações sobre Saga. Teria o aliciador outra espiã?
— Você contou a ela sobre a babá? — Aioria perguntou observando as reações da ruiva.
— Babá? O que houve com a dona Zaíra? — Perguntou Marin aflita, pensando ter acontecido algo ruim a senhora.
Milo sem a mesma malícia de seu amigo advogado e respondeu direto e com certa raiva ainda. — Aquela velha safada era espiã do Saga e estava envenenando o Isaak!
— O QUE? COMO ASSIM?
— Longa história. — Começou Milo contando sobre o teste que Shaka havia feito no sangue do menino que deu alteração, a suspeita de Aioria de que o Camus estivesse envenenando o irmão para dar um golpe na Kapino.
Marin protestou nesta parte ralhando com Aioria que Camus jamais faria algo assim.
Por fim Milo contou sobre o filho sequestrado e da chantagem do cafetão.
— Maldito! Malditos seja esse Saga! Como pode uma pessoa acabar com a vida de tanta gente? — Exclamou Marin com indignação e revolta. — Não acredito que a Dona Zaíra estava envenenando o Isaak, pelos Deuses ele é só um menino.
— Sim é revoltante! — Concordou Milo.
— E onde está ela, eu quero dizer umas verdades pra ela?
Milo olhou para Aioria apreensivo, contar os fatos para Marin só faria a moça correr riscos e colocar tudo a perder, se algo cair nos ouvidos de Saga.
Aioria com mais jogo de cintura do que Milo tomou a frente da conversa. — Senhorita Marin, seria de grande ajuda que fosse conversar com os policiais do caso.
— Conversar com a polícia o que?
— Qualquer informação que você tenha ajudaria muito no caso do Camus. — Esclareceu o advogado.
— Se for para ajudar eu vou, mas quero ver os meninos antes.
— Claro, vamos. — Concordou Milo pegando suas coisas para sair com a moça.
— Eu vou com vocês. — Disse Aioria para o estranhamento de Milo, que com mais atenção percebeu o olhar do amigo para a amiga de Camus e estreitou os olhos encarando o amigo.
— Que? — Sussurrou Aioria.
Milo nada respondeu apenas balançou a cabeça e saiu acompanhando Marin que nada percebeu daquele diálogo mudo atrás dela.
*-*-*-*-*-*
Já haviam passado cinco horas e o ruivo ainda dormia pesadamente, Carlo apenas o observava sentado em uma cadeira.
"Tudo aqui está estranho, o rapaz estava claramente alterado, será que estava drogado?" — Divagava o policial. "Preciso verificar com Aldebaran isso".
"Precisamos prender logo o canalha do Saga e toda sua quadrilha!"
Olhou apiedado para o jovem que dormia profundamente, Milo tinha razão, o rapaz realmente era muito bonito, dezenove anos e já tinha passado tantas coisas horríveis na vida e agora era um escravo sexual.
— Caralho! O psicológico dele deve tá todo fodido. — Pensou alto fazendo o ruivo se remexer na cama.
Lutando contra o sono Camus despertou sonolento, coçou os olhos e tentou reconhecer onde estava, tudo voltou a sua mente em segundos.
Escravo, refém de Saga, obrigado a se prostituir, o leilão... Camus sentou na cama e seu olhos encontraram os do homem que estava sentado em uma cadeira o observando com um cigarro nas mãos.
— Onde eu? Quem é você? O que você fez comigo? — Camus perguntou enquanto tentava cobri o seu corpo que estava vestindo apenas um micro shorts azul celeste.
Carlo estranhou a forma como o rapaz falava, nem parecia o mesmo cara que estava consigo antes de adormecer.
— Calma Aquário, você adormeceu. — Começou Carlo receoso. — Nós comemos e você adormeceu.
Camus tateava o corpo, tentando sentir se havia algum sinal de abuso por parte daquele homem desconhecido.
Ainda com receio e com cuidado, Carlo voltou a falar. — Você está bem Aquário?
— Não me chame de Aquário. — Pediu Camus, não queria mais ser aquele personagem nem mesmo para aliviar seu sofrimento.
Carlo estranhou muito a postura do rapaz, realmente parecia outra pessoa.
— Você transou comigo? — Camus perguntou, afinal não se lembrava de como foi parar ali.
— Você não se lembra?
— Não, sei nem como eu vim parar aqui neste quarto.
— Você usou algum tipo de droga? — Questionou o policial.
— Não sei. — Respondeu Camus confuso.
— Não sabe? Se você não tomou nada por vontade, pode ter sido drogado por outra pessoa? — Quis saber o policial.
— Não sei. Pode ser, mas não sei dizer. — Respondeu Camus com o olhar vago e incerto.
O policial ficou em silêncio por alguns instantes, teve pena do rapaz, mas naquele momento nada podia fazer para ajudá-lo. — Bom, se você já descansou, acho melhor irmos embora.
Camus pensou em pedir ajuda para aquele homem, mas temeu, e se tudo não passasse de um truque de Saga para testa sua submissão?
"Ele pode castigar Mu e Afrodite para me punir" — Então Camus achou melhor se calar.
— Você pode ir embora, eu tenho que ficar. — Respondeu o ruivo por fim.
— Tem que ficar? — Perguntou o policial testando.
— Pertenço a casa, assim como qualquer objeto neste quarto. — Respondeu o ruivo melancólico.
— Como você veio parar aqui? — Perguntou Carlo, quem sabe Camus não contasse algo que eles pudessem aproveitar contra o Saga.
— Já disse não me lembro. — Respondeu Camus automático.
— Não belo, não hoje, minha pergunta é como você veio parar aqui nesta vida? Você faz programas por prazer ou por necessidade?
Camus olhou nos olhos do "cliente" antes de responder. — Você acha mesmo que alguém vai viver esse inferno de vida por prazer? Apenas por prazer?
— Desculpe, imagino que não. – Desculpou-se – Então é por necessidade? O que pode ter colocado um rapaz tão bonito e bem educado como você nestas condições?
Olhando em um tanto receoso Camus falou. – Pode dizer ao Saga que eu não vou falar nada para ninguém, ele venceu, eu estou preso aqui pra sempre, já me conformei com isso.
Carlo que não estava preparado para aquela resposta se fez de desentendido. – Do que você está falando? Quem é Saga? E por que você está preso aqui?
Camus o olhou assustado.
“Havia falado demais?”
— O Senhor não estava falando que já estava na hora de ir embora?
— Rapaz você está em perigo? Precisa de ajuda? – Perguntou o Policial tentando criar algum vínculo com o ruivo.
Camus o encarou com olhos suplicos por alguns instantes, mas apenas disse. – Por favor, vá embora.
— Está certo, eu vou embora, mas vou voltar para te ajudar.
Camus nada respondeu, ficou sentado na cama abraçado aos seus joelhos enquanto via o homem a sua frente pegar suas coisas e sair do quarto.
Assim que se viu só no quarto Camus deitou na cama, se sentia cansado, mas alguns minutos depois os capangas de Saga vieram para o levar de volta ao cativeiro.
*-*-*-*-*-*
Camus foi levado de volta aos aposentos que dividia com Mu e Afrodite após se lavar.
O rapaz chegou em silêncio e sentou em seu colchão, quando Mouse trancou a porta ao sair o jovem Mu veio falar consigo.
— Você está bem? — Perguntou receoso sem saber se falava com Camus ou com Aquário, uma vez que o horas agia como um e horas agia como o outro.
— Estou bem Mu. — Respondeu Camus educado. Sabia que o colega de infortúnio estava preocupado com a história do leilão. — Correu tudo bem, ou acho, não me lembro de muita coisa. — Camus olhou em volta e abaixou a voz fazendo os dois rapazes chegarem mais perto para ouvir. — Eu acho que estão me drogando, está tudo tão confuso.
Mu e Afrodite trocaram olhares cúmplices, na realidade achavam que o ruivo estava era surtando, mas preferiram não comentar nada com o ruivo, achavam que Camus já tinha muita coisa na cabeça para se preocupar.
— Como foi com ele? — Perguntou Afrodite que inicialmente sentiu ciúme de seu cliente fixo ter participado do leilão, mas por fim agradeceu mentalmente, pois passou um tempo com Saga e já foi o suficiente para ter medo, imagine ser fixo dele como era o ruivo?
Camus o olhou confuso.
— O Gigio, o cliente, ele sempre foi meu fixo. — Como ele foi com você?
— Eu não sei, eu só me lembro de ter acordado na cama naquele quarto, eu estava usando um short azul, que eu nem me lembro de ter colocado. Ele estava sentado numa cadeira me observando.
— Ele trepou com você? — Quis saber o sueco sem rodeios.
— Não posso ter certeza como eu disse não me lembro, mas no meu corpo não havia sinais de sexo recente. — Explicou Camus sem querer arrumar briga por causa de cliente algum.
— Ele é sempre tão gentil, sabia que ia te tratar bem, ele nunca trepa comigo também, só me faz cantar. — Explicou Afrodite com admiração.
— Não é estranho um cara pagar e não querer fazer sexo? — Questionou Mu participando da conversa.
— Na realidade não, se tem alguma coisa que eu aprendi nesta vida é que já pessoas que pagam para tudo. — Argumentou Camus. — Já atendi homens com os mais diferentes fetiches.
Mu e Afrodite olharem curiosos para Camus esperando os exemplos.
— Ok, eu tinha um cliente que gostava de passar chocolate quente nos meus pés e ele ficava lá só lambendo, era bizarro.
— É bizarro! — Concordou Mu.
Os três riram.
— Camus, quem é Milo? — Perguntou Afrodite curioso sobre as coisas que Saga havia dito durante o sexo.
Camus empalideceu e sua voz saiu trêmula ao perguntar. — Por que você quer saber? Onde ouviu esse nome?
Notando a gravidade na expressão do outro Afrodite logo disse o que ouviu enquanto estava com Saga, abaixando a voz e olhando para a porta para ter certeza que não havia ninguém ouvindo.
— Hoje o Saga me chamou para servi-lo, acho que ele queria você lá, mas como teve o leilão, ele tinha que te ceder. — Começou a contar tudo que percebeu na noite passada. — Ele estava trepando comigo, mas pensando em você.
— Como você pode saber o que ele estava pensando e o que isso tem a ver com Milo? — Perguntou Camus um tanto ríspido.
— Ele chamava o seu nome enquanto me fodia e dizia coisas como "Eu dei um jeito no seu namoro, você é meu", ou "O Milo nunca terá você novamente", essas coisas. Não sei se você namorou algum Milo, só sei que o Saga armou para vocês. — Despejou Afrodite por fim.
— Não, não tem como ter sido o Saga, eu vi e ouvi, foi o Milo! — Respondeu Camus com a voz fraca e trêmula se rendendo às lágrimas, aquela lembrança o feria demais.
— Se o Dite está dizendo que o Saga armou tudo, esse Milo não seria inocente? — Perguntou Mu olhando para Camus.
Com os olhos nublados pelas lágrimas Camus respondeu. — Eu não posso ter esse tipo de esperança, não mais, porque não for verdade eu não sei se consigo suportar.
Mu e Afrodite abraçaram o ruivo que chorava em sofrimento, mesmo sem querer seu coração aqueceu sob a possibilidade de tudo ter sido um plano de Saga.
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