Na Real
29 Capítulo 29 - A Ira
Notas iniciais
Na Real — Capítulo 29
Camus sentado no chão onde estava tentava assimilar as coisas que Afrodite havia dito.
"Saga um traficante de pessoas?" — pensou — "Não, com certeza há algo errado nessa história, afinal eu e meus irmãos sempre fomos alvos fáceis, Saga poderia ter feito o que quisesse comigo que ninguém nunca iria ficar sabendo" — Analisou por fim ainda lutando contra aquela ideia estúpida.
— Não, você deve estar enganado, o Saga, não... — Camus não concluiu seu raciocínio pois ouviram barulho da porta sendo destrancada e todos se calaram e olharam para aquela direção.
Logo a figura de Verônica se fez presente com dois capangas ao seu lado. A Drag olhou para Camus com um olhar debochado e falou cheia de ironia. — Ora, ora, ora Aquário finalmente terei a honra de te hospedar em nossos humildes aposentos.
— Verônica. — Camus rangeu pelos dentes. — Que palhaçada é essa que está acontecendo aqui?
Verônica sorriu cínica olhando para Camus como quem vence uma guerra.
— Essa é a realidade, meu querido! Aliás, essa será sua realidade daqui pra frente. — Verônica despejou com prazer. — O Saga finalmente cansou de brincar com você, confesso que fiquei surpresa, mas esse dia finalmente chegou.
Camus ouvia tudo como quem vive um pesadelo e tenta acordar.
— Eu fico me perguntando o que será que houve para que ele fizesse isso agora? O que você aprontou Aquário?
Camus sentiu uma forte tontura, era muita coisa para digerir, tudo muito surreal, mas analisando com calma, alguns garotos da Santuary sempre evitavam conversar com ele, não sabia nada deles e nem os via indo embora, a realidade é que nunca observou esses rapazes e moças que trabalham para o Saga naquela boate, a bem dizer Camus sempre notou os olhares hostis para si, mas julgava ser apenas porque ele era o "garoto do Saga" jamais poderia imaginar que algo tão monstruoso acontecesse bem debaixo do seu nariz.
— Aquário você está bem? — Perguntou Mu notando que o rapaz ao seu lado estava prestes a perder os sentidos novamente.
Verônica girou os olhos impaciente enquanto Camus perdia os sentidos. — Se ele está achando que vai ter folga ou que vai ter tratamento especial, está muito enganado, vocês dois. — Disse apontando para Afrodite e Mu. — Expliquem para esse imprestável como é o nosso trabalho, em breve vão receber as roupas de hoje.
— Vai colocá-lo para trabalhar hoje? Mas ele acabou de chegar! — Estranhou Mu, os novatos demoravam um tempo até que fossem levados a prostituição de fato.
— O Aquário só precisa que vocês expliquem o visual dele, o resto ele tira de letra. — Verônica informou trancando a porta ao sair do recinto com seus seguranças deixando os três rapazes trocando olhares preocupados.
*-*-*-*
Verônica saiu do recinto no porão onde ficam os jovens e foi conversar com Kanon no escritório dele.
— Kanon, você tem certeza que o Saga está sabendo que o Aquário está aqui?
O gêmeo de Sago olhou para Drag com o olhar cansado. – Foi ordem dele. – Disse simplesmente.
Veronica não acreditou muito nas palavras de Kanon, mas preferiu não se meter nos assuntos dos gêmeos. — Acho que vamos ter problemas com o ruivo, ele desmaiou quando soube da verdade sobre. – Ela fez o sinal com a mão indicando o todo.
Kanon riu debochado. – Tadinho. – Falou por fim. – Coloque-o para trabalhar essa noite, vamos observar como ele vai se sair.
Assim que verônica deixou o irmão de Saga só, Kanon acendeu seu cigarro e deu a primeira tragada, sorriu cínico. – Aquário, Aquário, está na hora de deixar você submisso e calminho como sempre deveria ter sido.
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No porão onde Camus e os outros estavam Mu tentava deixa o novo morador mais confortável colocando um travesseiro embaixo de sua cabeça.
— A gente só tem três colchões aqui, onde esse ai vai dormir? – Resmungou Afrodite ainda com implicância.
— Afrodite, por favor! Não seja mal. – Mu alertou. – O coitado foi enganado, não percebeu isso? Não sabemos nada da história dele, como podemos simplesmente julgar assim.
Afrodite ponderou sentando em seu colchão.
Ali eles não tinham mesas, cadeiras e nada do tipo, eram apenas três colchões no chão, travesseiros e algumas mantas.
— O que será que ele vai achar quando descobrir o que temos que fazer aqui? – Perguntou Mime se aproximando dos outros dois.
Todos trocaram olhares cúmplices e depois voltaram a olhar para Camus que continuava desacordado.
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— Caspita! Eu não acho boa ideia vocês irem comigo nessa diligência. – Reclamou Carlo com Milo e Aioria em seu carro, o namorado de Camus no banco do carona e o advogado no banco de trás.
— Sem essa Mask, eu não vou deixar você ir sozinho, quero estar por dentro de toda essa investigação, ou eu investigo sozinho por conta própria, você me conhece e sabe que eu farei isso. – Desafiou Milo para o desgosto do amigo.
— Tá certo, melhor você debaixo das minhas vistas do que fazendo merda sozinho por ai. – Resmungou praguejando.
Carlo seguia para a delegacia oficial da Interpol, daquela cidade, poucas pessoas sabiam sobre sua localização e o que de fato funcionava naquele local.
Ficariam aguardando ali, a equipe de rua traria Zaíra, a babá de Camus para interrogatório e se tudo saísse como o planejado em breve teriam mais uma testemunha contra Saga Nikolos.
— Você acha que a velha está mancomunada com Saga? – Perguntou Aioria do banco de trás.
Carlo nem pensou muito antes de responder apenas fez contato visual com Aioria através do retrovisor e expos enfático. – A mulher começou a trabalhar como babá cuidando de duas crianças pequenas e um adolescente, então eram praticamente três crianças. Será que ela nunca achou estranho um menino de quinze anos ser o chefe da casa? Será que ela nunca viu o Saga naquele apartamento? Será que ela não sabia o que o Camus fazia para viver e pagar as contas?
Milo escutou o raciocínio do amigo, seu coração se encheu de raiva, sim a velha era cúmplice de Saga em toda aquela sujeira e sem dúvidas era ela quem estava aos poucos envenenando o pobre Isaak.
— Escutem vocês dois, não quero que se metam, não quero que se coloquem em risco, ouviram?
Milo e Aioria apenas concordaram com o cabeça.
— Não quero vocês conversando sobre essa investigação com ninguém tudo que ouvirem é sigiloso, estamos tentando pegar essa Saga e as pessoas que estão com ele há tempos, muitas pessoas morrem diariamente vitima desses traficantes canalhas, um ato falho de vocês e tudo pode ir por agua abaixo. – Carlo explicava em tom sério e os dois ouvintes escutavam atentos. – Durante esse processo de investigação vocês podem vir a descobrir que pessoas conhecidas ou próximas estão de alguma forma ligadas a essa sujeirada toda, e vocês não poderão avisar, alertar ou qualquer coisa do gênero, ainda hoje vocês assinarão papeis onde estará escrito que se por ventura cometerem algum deslize quanto a isso, serão processados e presos.
Aioria encarava os amigos pelo retrovisor atento, mas não surpreso, conhecia as leis e sabia onde estava se metendo.
Milo, no entanto, não via sentido naqueles avisos, onde já se viu? Ele jamais compactuaria com ninguém que tivesse ligação com tal nojeira.
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— Vamos meu filho, coloque essas coisas na mala, precisamos sair daqui o mais rápido possível. — Zaíra ordenou ao filho, ela sabia que Saga jamais deixaria uma testemunha dos seus crimes viva.
Era questão de tempo até que aparecesse alguém para fazer o trabalho sujo por ele.
Seu objetivo era sair tão logo chegasse em casa, mas seu filho ainda muito abalado precisava de seus cuidados, o menino também sofrerá nas mãos de Saga e antes disso sofreu na guerra.
Zaíra não tinha muitas posses, vivia com o básico, seu principal objetivo era trazer seu filho para junto de si.
— Mama por que temos que fugir assim? — Questionou o rapaz observando o nervosismo de sua mãe.
Sem para de colocar roupas e alguns objetos na mala e ex. Babá explicou. — Filho, eu tive que fazer coisas que não me orgulho para te tirar da guerra e te trazer de volta para mim, sei demais e quando lidamos com pessoas como esse Saga, saber demais é uma sentença de morte.
O Rapaz não respondeu, apenas assentiu com a cabeça.
Quando estavam prontos para sair, Sorento com uma mochila nas costas e uma mala na mão esquerda e Zaíra com outra grande mala e sua bolsa pendurada no ombro direito, o rapaz estava levando sua mão para abrir a maçaneta quando a porta se abriu com violência, resultado de um forte chute dados por Dohko que com sua arma em punho gritou para mãe e filho. — Pro chão agora, vamos para o chão!
Apavorados os dois gritaram e a mulher se colocou na frente do filho. — Por favor, não nos mate, não nos mate! Tenha piedade, diga a Saga que tenha piedade.
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Camus despertou, abriu os olhos, mas permaneceu em silencio, ainda estava absorvendo tudo que aconteceu nas últimas horas.
Saga era um traficante de pessoas e as explorava sexualmente, Milo o enganara, nunca o amou, tudo não passou de uma maldita vingança, Isaak, se de fato estiver vivo, o desprezava após descobrir a verdade, Hyoga estava perdido pelas ruas da Grécia, ou teria ido para o abrigo?
Abrigo, será que deveria ter ido para um abrigo quando seu pai morreu?
Sua teimosia em tentar manter todos juntos de que serviu?
Isaak o desprezava e Hyoga quando descobrisse tudo também o desprezaria.
Sua vida foi construída num castelo de areia, e agora tudo estava ruindo.
O mais absurdo para Camus era o fato de que o que mais doía em seu peito não era o fato de que Saga mentiu pra ele durante anos e sim saber que Milo mentiu.
Pensar nisso fazia Camus perder as forças e a vontade de continuar.
Naquele momento Camus queria apenas ficar ali imóvel, nada mais importava, se Isaak estivesse de fato vivo ainda, este o desprezaria para sempre, talvez Hyoga tivesse alguma chance na vida se de fato fosse para um abrigo, Camus sentia que não tinha mais forças para lutar nem por ele, nem por seus irmãos.
— Aquário? – Mu se aproximou notando o ruivo de olhos abertos. – Precisamos nos arrumar, hoje tem trabalho.
Camus continuou imóvel.
Mu olhou para Afrodite e para Mime e falou com seu jeito calmo. – Sei que é difícil toda essa situação, mas acredite em mim bater de frente com eles é sempre pior, eles podem fazer coisas horríveis com você.
Mime se aproximou e estendeu algumas peças de roupas, micro peças a bem dizer, um micro shorts de látex preta e uma baby look preta transparente, uma bota com salto completaria o look.
Um tanto sem saber por onde começar Mu continuou sem graça. – Nós temos que nos maquiar. – Neste momento Camus se sentou encarando Mu confuso. – Existe uma ala ou segmento, não sei com eles chamam, de pessoas “andrógenos” no caso pessoas como nós.
— Na realidade não querem “andrógenos” querem homens delicados, mas que não cheguem a ser uma travesti. — Afrodite se juntou a Mu e a Mime na explicação. – Se bem que se eles mandarem a gente tem que se vestir de mulher.
— Aquário. – Mu tentou constrangido.
— Eles querem que você pinte as unhas de vermelho, é uma exigência, se você se recusar todos nós seremos punidos. – Escancarou Afrodite de uma vez por todas.
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Após toda a burocracia que tiveram que passar assim que chegaram ao QG da Interpol, assinando toda papelada que Carlo havia avisado que teria que assinar e de o amigo convencer seus superiores de que Milo e Aioria seriam além de uma excelente ajuda na investigação, também seriam testemunhas contra Saga, por isso seria uma boa ideia deixar os dois por perto participando de algumas coisas da investigação.
Milo queria ficar responsável por Hyoga e Isaak e as duas crianças eram testemunhas oculares de que Saga abusava de Camus desde que este era apenas um adolescente, esse foi um bom motivo para que Shion os deixassem participar daquele momento, mas o essencial foi quando Carlo avisou que se o velho Kapino tivesse envolvido em as sujeiras de Saga, Milo os ajudariam a desmascarar o magnata das indústrias farmacêuticas.
— Sr. Milo, nós vamos conseguir a papelada que te garanta a guarda provisória dos menores, mas é imprescindível que você saiba que eles devem ser mantidos em segurança, eles serão testemunhas chave para a prisão de Saga. – Shion explicava em tom sóbrio.
— Não será traumático para eles essa questão de depoimentos? – Milo questionou protetor.
— Sr. Milo esses meninos viram o irmão mais velho ser abusado, e pelo que sabemos, espancado pelo Saga, você realmente acha que o depoimento é que seria traumático?
Milo se calou, Shion tinha razão a prioridade era colocar o Saga na cadeia.
Quando finalmente Milo e Aioria se livraram das papeladas Carlo os levou a uma sala onde esperariam por novidades sobre o depoimento de Zaíra.
Carlo seguiu para o anexo a sala de interrogatório onde acompanharia o depoimento
Na sala interrogando a babá estava Dohko, conhecido por sua paciência e sua astúcia na interrogação.
— Então a senhora está dizendo que nunca achou estranho o fato de trabalhar cuidando de três crianças? — Perguntou Dohko novamente após a primeira negativa da velha senhora. — Sim, porque temos duas crianças pequenas e um adolescente, não é mesmo?
— Que escolha eu tinha? — Começou Zaíra. — Eu estava fugindo da guerra, Saga me deu um trabalho e ainda prometeu encontrar meu filho que tinha ficado lá na Síria.
Dohko sentia-se mal por ter que pressionar e amedrontar aquela tão sofrida mulher, que ao que tudo indicava não passava se mais uma vítima de Saga. Mas ele não tinha muita escolha, Zaíra era a melhor chance de colocar Saga atrás das grades, e de qualquer forma as acusações contra ela eram graves, além de convivência com a exploração infantil a mulher ainda envenenava a outra criança.
— Dona Zaíra, não vou mentir para você, seu caso é grave, corrupção de menores é um crime grave em qualquer país e essa é uma das acusações que pesa sobre você, a menos que... — Dohko fez certo mistério.
— A menos que o que senhor? — Perguntou a babá angustiada.
— A menos que testemunhe contra Saga e me conte tudo, exatamente tudo que ele fez e te obrigou a fazer enquanto trabalhou para ele. — Tornou Dohko firme. — Não acho que seja má, sei que você não... — Dohko não terminou de dizer o que sabia, pois Shion interrompeu chamando o policial para conversar.
— O que está havendo? — Questionou Carlo que acompanhava o depoimento de Zaíra pela ante sala.
Milo estava impaciente no local onde Carlo o deixou, Aioria tentava mantê-lo na razão.
— Milo o Carlo está colocando o trabalho dele em risco nos trazendo aqui, temos que manter a calma e não atrapalhar em nada, nos mantendo invisíveis vamos conseguir estar por dentro de tudo.
Milo ficou em silêncio analisando as palavras do amigo e Aioria continuou. — Quem poderia imaginar tudo isso? Que loucura!
— Ele está achando que eu tenho alguma coisa a ver com isso. — Disse Milo sofrido.
Aioria o olhou confuso. — Quem? O Carlo?
— Não seu animal, o Camus! Ele deve estar achando que eu armei pra ele.
— Cara não viaja, claro que não. — Aioria tentou consolar o amigo.
— O desgraçado do Saga armou tudo, esperou eu me afastar, fez o Camus passar por aquilo, filmou e mandou o vídeo para minha casa como se eu tivesse encomendado aquilo. Despejava Milo angustiado — Eu não consegui me explicar, não consegui proteger ele.
— Milo você não tem culpa de nada, certo? Eu sou culpado, eu que descobri a questão do garoto com o medicamento trocado e não falei nada com você, agi pelas suas costas.
— Você agiu pela minhas costas porque eu fui um covarde e não consegui admitir que estava apaixonado por um ator pornô. — Milo rio pelo nariz. — Sabe a questão dos programas é claro que são pesados, mas eu até levaria de boas, mas os filmes... Aioria eu mostrei os filmes para vocês, na minha arrogância de querer me vingar eu expus meu amor e depois senti vergonha disso. Por isso não falei nada, porque eu tive vergonha e ciúmes por vocês já terem visto meu Camus...
Milo começou a chorar em meio a vergonha e ao desespero
Aioria sem saber como agir com o amigo se apressou em dizer. — Cara esquece isso. Toda nossa percepção sobre esse rapaz mudou depois de tudo que descobrimos e a sua sobre ele mudou quando o conheceu melhor, nós somos um bando de preconceituosos que nos disfarçamos de desconstruídos.
Aioria parou para analisar os fatos antes de continuar. — Antes de toda essa situação eu nunca havia parado para pensar na vida dessas pessoas, desses atores, sabe? Nunca me perguntei "eles tem família? O que os levou a fazer isso?" Hoje não conseguiria ver um filme desses sem que essas perguntas me venham a mente.
— Milo você sabe que não vai ser fácil assumir um romance com esse rapaz, não vai ser fácil com seu pai nem com o resto do mundo. — Alertou Aioria.
Milo nem pestanejou ao responder. — Eu amo o Camus, amo como eu nunca pensei que fosse capaz de amar alguém, e agora sabendo de toda essa sujeira eu o amo ainda mais, porque ele foi uma vítima, esse canalha do Saga o aliciou e abusou dele durante todos esses anos.
Milo sorriu pelo nariz antes de continuar. — Vinte anos, ele é só um garoto.
— Quando você o conheceu ele estava com dezenove, bem que eu achei que ele era muito novo. — Comentou Aioria.
Não tardou Carlo entrou na sala onde os dois amigos estavam. — Milo isso aqui vai demorar muito, eu aconselho a vocês a irem pra casa. Milo tem que providenciar as coisas para a guarda das crianças e tudo mais.
— Carlo quando vamos resgatar o Camus? — Perguntou Milo infantilmente.
Carlo trocou olhares com Aioria antes de responder. — Milo, não vai ser tão fácil assim.
— Como assim? Vamos na casa do Saga e pegamos o Camus de volta, o que tem de difícil? Vocês não são da polícia?
— Meu amigo, estamos investigando o esquema de Saga há anos, não podemos colocar tudo a perder entrando numa ação desastrosa, o Camus não está na casa do Saga, temos informantes lá. Temos que saber para onde ele foi levado.
— Mas quanto tempo isso pode levar? Ele vai estar correndo risco até lá.
— Milo não faça nenhuma besteira, porque se o Saga sonhar que estamos o investigando, aí sim seus namorado vai está correndo risco. — Tornou Carlo firme.
— Carlo quanto tempo isso vai demorar?
— Milo pode demorar dias, meses não sei, estamos investigando, mas estamos mais perto do que longe, a casa do Saga vai cair, nós vamos perder ele e resgatar o seu ruivo. — Prometeu Carlo olhando nos olhos do amigo.
A Milo não havia outro opção que não aceitar.
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Quando os rapazes acabaram de se arrumar e ajudar Camus a se arrumar, o ruivo finalmente viu sua imagem refletida no espelho.
Olhos marcados com um forte delineado preto, um batom vermelho em sua boca se destacava sobre sua pele branca, vestia um micro shorts látex preto e uma blusa baby look de tule transparente, nas mãos as unhas pintadas de vermelho e nos pés uma bota preta finalizava o seu look.
Camus só não se sentiu mais humilhado porque seus companheiros de cativeiros também usavam roupas parecidas.
O ruivo não sabia dizer como ainda estava se mantendo de pé após tudo que passou nos últimos dias. O estupro sofrido, a morte de Isaak, sim preferia acreditar na versão da morte do irmão, ter Hyoga arrancado de seus braços e a traição de Milo e Saga.
Sim, Milo e Saga, sabia que seu aliciador o havia vendido a Milo, que o estupro foi cometido com o consentimento de Saga. Por um bom dinheiro Saga venderia até a mãe, se é que já não a vendeu de fato.
E agora além de seus irmãos, da sua dignidade, do seu amor próprio, havia também perdido sua liberdade, seria um escravo sexual, um maldito escravo sexual de Saga e Kanon.
Absorto em seus pensamentos não percebeu quando a porta do quarto foi aberta e por ela entrava Verônica acompanhada de dois seguranças parrudos e mal-encarados.
— Acabou a folga seus preguiçosos, vamos ao trabalho. – Medindo Camus e com ar de deboche falou. – Aquário você nasceu para ter as unhas vermelhas.
Camus não saberia dizer o momento certo que tomou aquela atitude, mas quando deu por si já voava para cima de Verônica com uma fúria incontrolável. Os seguranças cientes de que aquele era o “Garoto do Saga” ficaram parados por um momento sem saber como reagir, fato que deu a Camus a vantagem de derrubar Verônica ao chão e continuar socando cada parte do rosto da Drag, que como foi pega de surpresa e não esperava aquele tipo de atitude do sempre passivo Aquário, apenas de debatia no chão.
— Me ajudem seus idiotas! — Pediu a Drag aos seguranças que tiveram muita dificuldade em conter o ruivo enfurecido que estava completamente fora de si.
Afrodite, Mu e Mime estavam imóveis, perturbados com a cena que tinha acabado se ver. Por muito menos pessoas morriam ali, temeram pela vida do recém-chegado e pela vida deles próprios, pois sabiam que uma atitude daquelas não ficaria sem represália.
— MALDITO AQUÁRIO! MIL VEZES MALDITO! ACHA QUE AINDA TEM AS COSTAS QUENTES? MAS NÃO TEM O SAGA SE CANSOU DE VOCÊ!
— EU QUERO QUE O SAGA MORRA! QUERO QUE VOCÊ MORRA! NÃO VOU MAIS ME SUBMETER AOS CAPRICHOS DE VOCÊS! — Berrou Camus de volta, afinal ele já havia perdido tudo na vida, qual o sentido de continuar obedecendo aquelas ordens? – ME SOLTEM CANALHAS, ME SOLTEM EU VOU ACABAR COM VOCÊS.
— Você não tem mais medo de nós? — Perguntou Verônica limpando a boca de sangue.
— NÃO! EU NÃO TENHO MEDO DE VOCÊ E NEM DA SUA CORJA! — Continuou a berrar e se debater nos braços dos seguranças.
— EU POSSO MANDAR MATAR UM DOS SEUS IRMÃOS! — Ameaçou a Drag.
— MEUS IRMÃOS ESTÃO PERDIDOS PRA MIM, ISAAK ESTÁ MORTO E HYOGA ESTÁ PERDIDO! EU NÃO TENHO MEDO DAS SUAS AMEAÇAS. – Despejou Camus em fúria.
Verônica pegou um punhal que trazia preso em sua bota e colocou no pescoço de Camus. — Eu posso matar você aqui e agora seu desgraçado.
— ME MATA! ME MATA SEU INFELIZ, VAMOS ME MATA AGORA, ME MATA. – Gritou Camus enfim se dando conta do que queria de fato, não percebeu quando começou a chorar, apenas continuou seu pedido. – Me mata Verônica, acabe logo com isso.
Verônica teve que usar de todo seu alto controle para não dar cabo do ruivo maldito aquele momento. – Levem ele para a sala escura, uns dias de castigo são ótimos para acalmar os ânimos.
Mas antes dos seguranças saírem com Camus, Verônica o puxou pelos cabelos e disse rente ao seu ouvido. – Isso vai ter troco, vai ter volta pode esperar. — A Drag conseguiu se afastar a tempo de se esquivar de levar uma mordida de Camus que voltou a se exaltar e se debater.
— Vocês três fiquem aqui, depois mando alguém os buscar. – Foi a última coisa que Verônica disse ao trio antes de trancar a porta atrás de si.
— Por Buda eles vão matar o Aquário! – Disse Mu aflito.
— Não, não vão. – Respondeu Afrodite analítico. – Se fosse um de nós que tivesse tal atitude, com certeza já estaríamos mortos, ela nos faria sangrar aqui na frente de todos para impor respeito e medo, mas com o Aquário ela não pode fazer isso.
— Obviamente o tal Saga ainda gosta dele, não é? — Sugeriu Mime.
— Talvez a estadia desse ruivo aqui não passe de um castigo desse Saga. — Chutou Afrodite.
— Ou talvez o tal Saga não tenha mais poder sobre o Aquário, vocês ouviram ele dizer que não tem mais nada a perder. – Tornou Mu analítico.
— Ele teve um surto. — Disse Mime.
— Ele queria morrer. — Declarou Mu triste, sabia que a vida daquele rapaz não deveria ter sido fácil.
Os três se calaram e ficaram atentos aos gritos e barulhos que vinham de fora.
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— ME SOLTEM DESGRAÇADOS! ME SOLTEM! – Camus se debatia nos braços dos seguranças até que levou um soco de um deles ficando desorientado.
Chegaram em um quarto escuro e jogaram Camus lá dentro, o ruivo ainda zonzo se levantou e começou a bater na porta aos berros. – ME TIRA DAQUI! ME TIRA DAQUI!
— Uns dias sozinho aí neste quarto escuro e você coloca a cabeça no lugar Aquário. — Disse Verônica do lado de fora. – Não quero ninguém alimentando esse bostinha até segunda ordem entenderam? — Os seguranças confirmaram com a cabeça e os três saíram do local deixando Camus gritando, sozinho na sala escura.
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— Eu não matei aquele bostinha do Aquário por pouco! – Reclamou Verônica chegando ao escritório onde estava Kanon, que ao olhar para o estado da Drag começou a rir.
— Aquele merda fez isso em você?
— Ele teve um surto, sei lá! Eu nunca o vi daquele jeito.
Saga que estava fora do alcance da visão de Verônica acendeu um cigarro e colocou uma dose de whisky em seu copo tomou um trago pensativo.
— Eu mandei colocar ele no quarto escuro, uns dias lá devem acalmar os ânimos daquele bosta mimado. — Relatou Verônica omitindo a parte em que havia dado a ordem para que o ruivo ficasse sem comida.
— Será que foi demais trazer ele para cá? — Questionou Saga para si próprio em voz alta alertando a Drag de sua presença.
— Saga eu tinha que tomar uma atitude, por isso o coloquei na sala escura, ele me atacou na frente dos outros. – Começou a se explicar.
Saga a ignorou absorto em seus pensamentos.
— Agora não tem mais jeito Saga, está feito! Agora é só você tomar as rédeas da situação e voltar a colocar cabresto nele. A Verônica está certa uns dias na sala escura e ele vai se acalmar, e se não se acalmar a gente tem outros métodos para educar uma pessoa. — Respondeu Kanon sabendo o que se passava na cabeça do irmão.
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Após algum tempo se batendo e gritando contra a porta, Camus se sentou no chão, seu rosto estava molhado, ainda rolavam lagrimas de seus olhos e ele não conseguia fazer elas irem embora.
Ficou olhando em volta, mas nada enxergava o quarto era um verdadeiro breu, uma escuridão total.
Aquela escuridão de certa forma refletia o que Camus estava sentindo por dentro. Não havia nada naquele local, nem um mísero colchonete no chão, o ruivo não se importava com isso deitou no chão abraçando seu corpo, chorar era a única coisa que lhe restava e faria isso até que suas lágrima secasse, então estaria vazio por dentro de fato.
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Três dias depois...
Isaak já estava consciente no hospital, ainda estava no CTI, mas já consciente. Apesar de se sentir franco sua mente trabalhava muito. Seus pensamentos estavam todos em seu irmão mais velho e nas coisas horríveis que havia dito a ele.
Amava Camus, disso não tinha dúvidas, mas ver o irmão fazendo aquelas coisas o deixou com um misto de sensações uma delas era o medo. Sim, medo Isaak tinha medo de descobrir que o irmão fez tudo aquilo por dinheiro, para poder sustenta-los, principalmente para poder bancar seu tratamento.
E descobrir isso o encheu de raiva no primeiro momento, raiva por ser um fraco doente, por fazer com que seu irmão passasse por tudo aquilo.
Tinha vergonha, não do irmão como dissera a ele, mas vergonha de si mesmo, que era o culpado de tudo aquilo.
De seus olhos rolavam algumas lágrima. “Será que algum dia vou conseguir olhar meu irmão nos olhos novamente? ” Lembrou que estava no hospital há alguns dias, no começo não quis ver seu irmão, mas Dr. Aioros nunca mais voltou a falar que Camus estava lá e desejava vê-lo. “Será que o mano desistiu de mim? “
Neste momento notou que alguém se aproximava, era o médico.
— Olá Isaak como está se sentindo?
— Bem. – Respondeu o menino como o de costume, Isaak dificilmente reclamava de alguma coisa, o que Aioros achava um grande problema visto que se não examinasse o menino com atenção poderia deixar passar alguma coisa.
— Se sente fraco? – Perguntou o médico olhando o garoto nos olhos. – Sua voz está fraca, ela te entregou. – Acrescentou após o olhar de culpa de Isaak.
— Tem uma pessoa ai fora querendo ver você, mas eu preciso saber se você quer vê-lo também.
O coração de Isaak aqueceu, seu irmão estava lá.
— É o Camus? – Perguntou, sem saber se voltaria a fazer birra ou se deixaria o irmão entrar.
— Não, é o Milo, segundo ele, é “NAMORADO” do seu irmão. – Aioros falou a palavra revirando os olhos. – Posso deixar ele entrar?
Isaak confirmou com a cabeça, sem saber ao certo o que conversar com Milo, será que ele sabia sobre seu irmão e se não soubesse, teria coragem de contar para ele?
Enquanto o garoto estava com esses pensamentos conflitantes em sua mente Milo entrou e se aproximou de sua cama com com sorriso montado no rosto. — E aí garoto, como está se sentindo?
— Eu tô bem. — Respondeu com a voz fraca, Isaak não saberia dizer se por falta de uso ou se pelo seu estado clínico em si.
— A gente ficou muito preocupado com você, mas tenho certeza de que agora em diante você vai melhorar cada vez mais. — Disse Milo se sentando em uma cadeira que ele aproximou da cama. — Aioros falou que você está se recuperando e que em alguns dias vai ter alta, isso é bom não é?
Isaak confirmou com a cabeça, não sabia o que dizer a Milo.
O namorado de Camus percebeu que o menino não o olhava nos olhos, sabia que ele já havia descoberto a verdade sobre o antigo trabalho de seu irmão. Infelizmente teria que ter aquela conversa com Isaak, seria bom que fosse no hospital, pois se o menino passasse mal já estariam ali. Milo já havia conversado com Aioros sobre o assunto e o médico o aconselhou a conversar com o menino, até como uma forma de ajudá-lo a tirar o peso que ele deveria estar sentindo naquele momento.
— Isaak a gente tem que conversar sobre o Camus. — Começou Milo.
Isaak virou o rosto numa mistura de envergonhado, constrangido e birra.
— Ele me contou que você... viu ou descobriu algumas coisas... — Milo não terminou de falar pois o menino virou o rosto em sua direção e perguntou surpreso. — Você sabia? Você sabia sobre ele e aquelas coisas?
— Primeiro você não pode se exaltar, ok? — Alertou Milo ao perceber que o garoto mudou a expressão.
— Milo aquilo é nojento! Era por isso que o Saga batia nele, eu tenho certeza.
— Já chega! Não quero nem pensar em ouvir você ofender seu irmão, ok? — Cortou Milo um pouco mais enérgico.
Neste momento os olhos do menino se encheram de lágrimas. — Ele fez aquilo por minha causa, não foi?
— Isaak, por favor, eu preciso que você fique calmo, eu vou explicar tudo para você. Tá certo?
O garoto concordou com a cabeça.
— Pelo que eu sei quando seu pai morreu o Camus era pouco mais velho do que você é hoje, não é verdade? — Começou Milo.
— Papai morreu dois mês antes do Natal o mano faz aniversário em fevereiro, então ele nem tinha quinze anos ainda. — Revelou Isaak e Milo sentiu como se tivesse levado um soco no estômago com aquela informação.
Tentando não deixar a voz falhar Milo continuou. — Pois então ele era muito novo e muito inocente e infelizmente pessoas ruins entraram no caminho dele. O Saga que batia nele. — Milo falou essa parte rangendo os dentes. — É um bandido, um aliciador, uma pessoa da pior espécie. Esse crápula fez o Camus acreditar por anos que o que ele fazia era para o bem dele. Que esses filmes eram bons pra ele porque o ajudavam a pagar as contas e enfim o Camus é uma vítima desse Saga, nós vamos colocar ele na cadeia por tudo que ele fez com seu irmão.
Isaak abraçou Milo emocionado e aliviado por não ter que julgar o irmão.
— Eu fui mal com o mano, Milo. Quero pedir desculpas pra ele, pede pra ele entrar. — O garoto pediu achando que Camus estava na sala de espera aguardando o resultado de sua conversa com Milo.
Esperando por isso Milo começou com cuidado. — Isaak o Camus não pôde vir, ele... — Milo não chegou a dizer o que houve com Camus quando o jovem cunhado o interrompeu.
— Ele está bravo comigo? Por isso eu preciso falar com ele, para me desculpar. — Insistiu.
— Isaak muita coisa aconteceu depois que você veio pra cá, o Saga sequestrou o
Camus, mas a polícia já está atrás deles. — Revelou toda verdade ao cunhado.
— Meu Deus! — Falou Isaak ofegante por causa daquela notícia.
Aioros que ouvia a tudo que os dois conversavam resolveu voltar ao leito do garoto para examiná-lo.
— E agora Milo? — Isaak perguntou tentando segurar o choro.
— E agora você vai ter que melhorar para ajudar o Milo a cuidar do Hyoga, para que estejam bem quando o Camus voltar, ok? — Quem falou foi o Dr. Aioros.
Isaak olhou para Milo concordando com a cabeça e abraçando o cunhado.
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