Na Real

30 Capítulo 30 - A Cura


Notas iniciais
Hellou pessoal! Eu nem vou mais me desculpar pela demora monstro postar um novo capítulo. Em minha defesa só posso dizer que estou trabalhando muito, do tipo que trabalha até na hora do almoço, então meu tempo ta bem escasso, mas prometo tentar não demorar tanto assim nos próximos capítulos. Tenho alguns avisos para fazer. 1º O capítulo não está betado, então me perdoem os erros grosseiros. 2º Esse capítulo está bem pesado, angustiosamente falando, então cuidado. No mas, vamos que vamos!

Na Real — Capítulo 30

Milo chegou em seu apartamento no começo da tarde, ainda estava a se habituando a vida com uma criança aos seus cuidados, as coisas na empresa estavam complicadas, por sorte seu pai estava viajando e a ausência do velho Kapino lhe dava um fôlego a mais para lidar com todas as suas questões particulares. Aioria era o seu braço direito e esquerdo na empresa, o amigo estava tocando as coisas praticamente sozinhos nesses últimos dias.

Milo havia deixado sua secretária encarregada de cuidar do pequeno cunhado, mas a secretária muito competente se recusou a prestar tal tarefa, mas selecionou algumas babás com experiência comprovada e com muito boas referências, mas Milo não gostou de nenhuma, depois do acontecido com Zaíra, tinha medo de confiar a segurança dos meninos a qualquer pessoa. Foi então que teve a ideia de chamar a mulher que foi sua babá, tudo bem que ela já era uma senhora, mas não era muito mais velha que a tal Zaíra.

— Milo! — Gritou Hyoga quando vou o cunhado chegando e correu para o abraçar, assim como fazia com seu irmão Camus.

— Eu aí garotão! — Falou Milo correspondendo ao abraço do garoto. — Como foi seu dia, deu muito trabalho para a Buba?

— Não, eu e o Scorpion nos comportamos. — Respondeu o menino ainda agarrado ao pescoço de Milo.

Milo olhou para a mulher que o criou com carinho e deu um beijo estalado em sua bochecha. -Como foi o dia Buba?

— Foi Tranquilo Milo, Hyoga é um anjinho se comparado a você nesta idade. — Os dois sorriram com aquele comentário.

— Milo você já achou o Camus? Quando ele volta? — Perguntou menino triste.

Milo suspirou cansado e triste, não havia pistas de Camus, ao menos era isso que Carlo dizia sempre que o escorpiano ligava cobrando posição.

— Ainda não Hyoga, mas estamos procurando por ele. — Respondeu Milo triste.

— Milo, meu coração tá doendo. — Disse o menino e o cunhado o olhou preocupado. — Dói aqui e dá um negócio na garganta e me dá vontade de chorar.

— Ah pequeno. — Disse Milo abraçando forte o garoto que ainda não conhecia a palavra angústia, mas era o que estava sentindo. — A gente vai trazer o Camus de volta, eu prometo!

A babá ciente de parte da situação olhou com carinho para a cena a sua frente.

— Mas não vamos chorar porque eu tenho boas notícias! Em breve o Isaak vai ter alta e vai vir para casa! — Disse Milo tentando animar menino.

— Jura!

— Sim! Eu estive com ele hoje, e em pouco tempo ele vai estar bom. — Falou com entusiasmo.

Hyoga sorriu, mas olhou em volta um tanto quando preocupado. — Milo onde o Isaak vai dormir?

Milo estranhou a pergunta, afinal os dois irmãos sempre dormiam juntos no mesmo quarto. — Com você no quarto Hyoga, porquê?

— Como o Isaak vai fazer com as escadas? Como ele vai descansar? — Tornou Hyoga a perguntar preocupado.

Milo não havia pensado sobre aquilo ainda, mas a verdade é que seu apartamento não foi planejado para crianças e muito menos com crianças com necessidade especiais, pois acessibilidade não era um forte do local.

— Eu não tinha pensando nisso ainda Hyoga, vou ver o que fazer.

— Há muito o que se pensar Milo, esse apartamento não foi projetado para crianças. — Começou Buba que tinha uma autoridade de mãe para com Milo. — As janelas não tem telas, os móveis tão rebuscados que dá medo até de tocar. E se vamos receber um hóspede com necessidades especiais deveríamos….

Milo cortou ao corrigi-la. — Hóspede não, morador! O Isaak vai morar aqui assim como eu, o Hyoga e o Camus quando a polícia o achar.

— Entendo então talvez seja hora de procurar um outro lugar para morar. O que acha?

— Não tinha pensado sobre isso, mas creio que você esteja certa, esse lugar é muito cheio de frescura. — Concordou Milo pensativo. — Bom, mas isso é coisa para que a gente pense com calma, eu vou subir para tomar um banho e já desço para que a gente possa providenciar o jantar.

Quando Milo desceu Hyoga também já estava de banho tomado e a Buba já estava de saída.

— Fiquem com Deus meus queridos, amanhã pela manhã estarei de volta. — Disse a senhora se despedindo dos dois.

— Buba pense na minha proposta de você dormir aqui, como fazia quando cuidava de mim. — Pediu Milo.

— Meu querido, eu era bem mais jovem e não tinha minha própria família na época, hoje em dia não tenho nem idade para um turno tão grande.

Milo simplesmente assentiu com a cabeça e deu o assunto por encerrado.

Hyoga abraçou a babá que saiu logo após se despedir.

Milo preparou o jantar, ele e Hyoga se comeram, o jovem Kapino achou curioso o fato do menino gostar de comer verduras e legumes, pensou na boa educação que Camus dava aos irmãos apesar da pouca idade. Aquele ruivo era de fato um homem especial.

Após o jantar eles foram assistir um filme na tv, Milo tentou não por nada violento ou com faixa etária muito diferente da do cunhadinho.

Hyoga adormeceu com a cabeça encostada no ombro de Milo, que sorriu ao pegar o garoto nos braços e levá-lo para o quarto que agora era dele.

Milo ainda estava se adaptando a tudo, não tinha pensado nas telas das janelas, mas providenciaria isso no dia seguinte, assim como tinha que se preocupar com a acessibilidade do local para Isaak assim que o garoto tivesse alta.

Pensativo Milo entrou em seu quarto, as coisas de Camus ainda estavam lá do jeito que o ruivo deixou.

Sem sono Milo pegou a pasta com as pesquisas do pai de seu namorado e começou a ler, talvez ajudasse a entender o motivo daquelas páginas terem causado a morte daquele homem.

Com certo espanto Milo reconheceu o Slogan da Kapino em algumas páginas isso despertou ainda mais sua curiosidade.

— Não, isso não pode estar correto. — Comentou Milo incrédulo.

Pegou o celular e ligou para Shaka.

— Milo o que houve? Me ligando a essa hora?

— Quem é Shaka? — A voz de Ikki sonolento foi ouvida por Milo ao fundo.

— Shaka desculpa o horário, mas preciso que você vá ao hospital do Aioros amanhã as oito horas.

— Mas o que houve o menino teve uma recaída! — Questionou Shaka preocupado.

— Não, pelo contrário eu acho que encontrei a cura!

— Como assim Milo, me explica isso!

— Amanhã a gente conversa Shaka, agora volte a transar com o seu estagiário. — Alfinetou Milo sorrindo.

— Assistente Milo, o Ikki é meu assistente! — Devolveu Shaka corando um pouco e se xingando mentalmente por ter confirmado a suspeita de seu chefe.

Ao desligar a ligação com Shaka Milo enviou uma mensagem para Aioros avisando que iria com Shaka ao hospital pela manhã e que teriam uma reunião para falar sobre o tratamento de Isaak.

— Caramba se isso aqui estiver certo, vai mudar o mundo! — Disse Milo foleando as folhas das pesquisas de seu sogro.

*-*-*-*-*

— Isso não pode estar certo é loucura. — Disse Shaka lendo os relatórios das pesquisas.

— Lembro-me que o Professor Crystal me ligou dizendo que havia feito uma descoberta revolucionária que mudaria a história da indústria farmacêutica como a conhecemos. — Comentou Aioros menos cético que o biomédico.

— Milo isso levaria muita empresa a falência, inclusive vocês. — Argumentou Shaka.

— Shaka, não pense assim. Essa pode ser a cura para muitas doenças, mas não todas do mundo. — Milo respondeu tentando fazer graça, mas com real preocupação em seu coração. Não com a falência da empresa caso descobrissem a cura para todas as doenças autoimunes do mundo, mas por saber que seu pai sim poderia matar para impedir a divulgação dessa informação.

E juntando as peças dos quebra cabeças a morte por atentado do pai do Camus, os papéis timbrados da Kapino no relatório e o império ameaçado. — "Pelos Deuses seria meu pai o responsável pela desgraça do Camus?"

Aquele pensamento ficou martelando na cabeça de Milo desde aquela descoberta.

Tentando mudar o foco dos seus pensamentos Milo perguntou. — Podemos iniciar o tratamento hoje?

Aioros e Shaka se olharam tensos.

— Milo você não está pensando em fazer o Isaak de cobaia de uma coisa dessas? Está? — Perguntou Aioros sério.

— É justamente o que eu estou pensando! — Afirmou Milo e explicou seu ponto de vista. — Essa é a lacuna que faltava para a história do Camus fazer sentido.

— Como assim Milo? — Quis saber o médico.

— O Isaak já deveria estar fazendo esse tratamento com o pai, por isso não estava tão frágil quando ficaram órfãos, e Camus conseguiu cuidar dele naquele período turbulento. — Milo concluiu o raciocínio.

Shaka e Aioros ficaram pensativo e chegaram a conclusão de que Milo tinha razão.

Iniciariam o tratamento de Isaak com Shaka acompanhando a evolução da doença e dos anticorpos no organismo do garoto e Aioros acompanharia a parte clínica.

*-*-*-*-*

Três dias haviam se passado Camus estava ali naquele quarto escuro, sem comida e sem água, sem noção do tempo, uma vez tudo estava escuro desde que fora jogado naquele lugar.

No início Camus só conseguia chorar em total desespero, mas depois nem isso, as lagrimas secaram e seu desespero virou um vazio na alma.

Saga estava no escritório da Sanctuary mesmo que não comentasse nada com ninguém, todos sabiam que o gêmeo de

Kanon estava plantonando no trabalho da casa noturna com a intenção de acompanhar o seu “Favorito” queria ver Camus suplicando por agua ou comida, coisa que não aconteceu.

Verônica que sabia que se algo acontecesse ao ruivo, mesmo que por culpa de Saga, quem pagaria por sua ira seriam os empregados resolveu falar com o chefe. – Saga já fazem três dias que o Aquário está no quarto escuro. – A Drag observou a reação do outro antes de continuar. – Sem agua e sem comida.

Sem olhar para Verônica Saga perguntou. – Ele chegou a pedir ajuda?

— Não. – Respondeu a Drag. – Mas... Sei lá Saga, não vem barulho nenhum de lá, ele pode ter passado mal e está sem sentidos, não sei.

— Está certo, tire-o de lá. Dê um banho nele e sirva algo para que ele coma. – Com os olhos nublados Saga continuou. – Talvez eu faça uma visita se ele não melhorar o gênio dele.

Verônica saiu e com dois seguranças foi até o quarto escuro, Aquário não fazia barulho algum há muito tempo, se o rapaz estiver morto a ira de Saga cairia sobre ela, pois foi por causa dela que o Favorito de Saga foi parar no castigo, enfim todo cuidado é pouco, os gêmeos costumavam ser inconstantes.

......

Quando abriram a porta do quarto encontraram o jovem ruivo deitado no chão, imóvel. Verônica sentiu um frio na espinha antes de fazer sinal com a cabeça para que o segurança fosse até o rapaz.

— Vamos seu imprestável acorde. — Disse Hércules rude chutando o rapaz.

Camus realmente dormira, aliás, era o que ele fazia desde que suas lágrimas secaram. O ruivo acordou desnorteado no susto sem lembra ao certo de onde estava, que dia era aquele e principalmente que lugar era aquele? Seus olhos arderam quando a luz de uma lanterna foi ligada em direção a eles.

— Aí! — Reclamou rouco com a voz fraca cobrindo as vistas com as mãos, completamente desnorteado.

— Vamos, deixa de moleza! — Reclamou Verônica já mais tranquila por ver que o rapaz estava vivo, não na mesma proporção mais arrogante que antes. — Vamos peguem esse infeliz. Argh! Que cheiro horrível. Você está fedendo Aquário.

A Drag implicou, mas Camus se mantinha aéreo.

— Peguem esse infeliz e deem um banho nele.

Camus sentiu mãos fortes o levantando pelos braços e o arrastando para fora do quarto.

— É Aquário dessa vez você realmente deixou o Saga muito puto com você, pra ele te dar esse castigo alguma coisa grave você aprontou. — Verônica comentou entre debochada e penalizada.

Camus ouviu aquelas palavras com atenção, Saga o prendeu e estava com raiva dele.

Em sua mente Camus começou a se lembrar de todas as vezes que o seu aliciador foi tóxico consigo, obviamente tudo estava confuso em sua mente, mas as imagens das surras, agressões e assédio moral que passou nas mãos de Saga vieram a sua mente.

Camus só despertou de seus devaneios quando sentiu a água gelada tocar o seu corpo.

— É meu querido, banho frio! É bom ajuda a colocar a cabeça no lugar e a sua me parece em órbita.

Apesar do frio Camus se sentiu bem na água gelada, como Verônica tinha acabado de dizer "ajuda a colocar a cabeça no lugar". Camus abriu a boca para beber a água do banho, pois não teve acesso a água e nem a comida desde que foi colocado naquele quarto.

O Sabão em seu corpo e em seus cabelos quem passava eram os seguranças e sem a menor delicadeza.

Uma vez limpo roupas limpas foram disponibilizadas, limpas, mas não novas. Eram roupas maltrapilhas, gastas similares as que são doadas para a caridade.

Após colocar a roupa, calça de moletom e uma blusa regata, estilo nadador Camus foi levado de volta para o porão onde dividiria o espaço com Mu, Afrodite e Mime. Após abrir a porta Camus foi jogado lá dentro sem aviso algum, os seguranças saíram e trancaram a porta.

Os três esperaram as portas serem trancadas para chegar junto de Camus, que estava caído no chão.

— Aquário você está bem? – Mu questionou.

— O que fizeram com você? – Foi a vez de Mime perguntar

— Calma rapazes deixem ele se situar um pouco. – Pediu Afrodite, que já tinha passado um dia no quarto escuro como castigo ao chegar ao cativeiro tentar se rebelar e sabia como era difícil essa “descompressão”.

— Aquário você está com fome? — O rapaz perguntou se abaixando ficando à altura dos olhos do ruivo.

Somente naquele momento Camus percebeu que estava faminto, não se alimentava há dias. Então confirmou com a cabeça, tanto tempo sem falar com ninguém que o ruivo se sentia incapaz de pronunciar alguma coisa.

— Olha tenho alguns biscoitos aqui que escondi. — Disse Afrodite oferecendo ao rapaz.

Camus pegou os biscoitos e os colocou na boca de uma vez, sentiu seu estômago doer pela fome e seus olhos lacrimejarem por sua situação.

— Obrigado. — Agradeceu num sussurro.

— Você estava no castigo até agora? — Perguntou Mime.

Camus o olhou com ternura, o rapaz lembrava muito seu irmão caçula, com a diferença de que o rapaz ali tinha os cabelos ruivos alaranjado e seu irmão tinha os cabelos loiros como os de Milo.

A imagem do namorado veio a sua mente.

" — É Aquário dessa vez você realmente deixou o Saga muito puto com você, pra ele te dar esse castigo alguma coisa grave você aprontou." — Será que Milo é inocente? Saga é o bandido afinal. Saga é quem mantém pessoas presa, é ele quem abusa e engana pessoas inocentes.

— Eu você está me ouvindo? — Questionou Mime ao notar que o ruivo o encarava, mas ainda está a aéreo e não respondeu a sua primeira pergunta.

— Desculpa, eu... — Camus começou ainda tentando se situar. — Sim, sim eu estava preso num lugar escuro, sem comida e sem água.

— Você estava sem comer e sem beber até agora? — Perguntou Mu surpreso.

Camus apenas confirmou com a cabeça.

— Mas você foi levado há três dias! — Exclamou Mu surpreso.

— Mas você queria o que? Ele sentou o braço na Verônica. — Respondeu Mime dando risadinhas.

Mu e Afrodite também riram contidos, Camus não sorriu, apenas observou os três.

— Você me lembra meu irmão caçula. – Comentou Camus com Mime.

— Nos fale mais de você Aquário, o que houve com você, por que veio parar aqui? – Questionou Mime com real interesse, uma vez que todos ali sabiam que o jovem era o amante favorito de Saga, saber como ele caiu em desgraça aguçava a curiosidade de todos.

— Eu nunca soube disto. – Camus se justificou, mesmo que ninguém estivesse cobrando uma justificativa. – Nunca soube que Saga aprisionava pessoas, para mim ele era apenas um agenciador ou cafetão, mas traficante de pessoas?

Mu e Afrodite trocaram olhares e o ariano foi quem falou. — Eu imaginei isso desde que nós conhecemos naquele lugar. — Mu se referia ao fatídico dia do aniversário de Radamanthys. — Você não agia como se soubesse e tentou nos proteger, pelo menos o quanto pode.

Afrodite que conhecia bem os efeitos da fome e do castigo de ficar preso no quarto escuro se aproximou do jovem pedindo para que ele contasse sua história, afim de distrai-lo da fome. — Por que veio parar aqui Aquário?

Mas Camus não teve tempo de responder, pois ouviram o barulho da porta sendo destrancada, os três rapazes como o de costume se colocaram de pé no canto oposto a porta, Camus por sua vez ficou sentado no chão onde estava.

O jovem percebeu que não tinha forças para se pôr de pé, por alguns instantes temeu por sua integridade física, pois se Verônica quisesse se vingar da surra aquele seria o momento perfeito.

Para a surpresa de Camus seu "amigo" Aldebaran entrou no quarto acompanhando dos dois capangas que o tiraram do castigo há pouco.

— Esse é o quarto dos viados afeminados. — Explicou Mousse. — Sabe rapazes delicados que se bem arrumados ficam parecendo garotas. — O capanga comentou debochado sorrindo.

— Não fala assim Mousse, vai magoar os meninos. — Pediu Sirius já gargalhando.

Aldebaran estava com o semblante fechado, olhou os três rapazes no canto os examinando com os olhos, depois seu olhar se encontrou com o de Camus, que desviou os seus para o chão e não o encarou de volta.

Camus se sentia traído por seu amigo, ou melhor, por alguém que julgava ser seu amigo, mas que era apenas um capacho de Saga.

Aldebaran queria ter podido dizer alguma coisa, mas Camus não se mostrava receptivo a ouvir e de qualquer forma não teriam privacidade para conversarem.

— Meninas o rango chegou. — Anunciou Mousse pegando as sacolas com as quatro Marmitex e deixando próximo a porta.

O estômago de Camus doeu ao sentir o cheiro da comida, estava praticamente há quarto ou cinco dias sem comer, visto que ficou três dias no castigo, mas antes de ir parar no cativeiro, também não estava se alimentando bem, por tudo que aconteceu consigo, o estupro e a morte de Isaak.

Mu foi até as sacolas pegando as marmitas e distribuindo para os outros.

Camus pegou a dele e sem percebe sua atitude avançou na comida, comendo com as mãos mesmo. Quando seu corpo sentiu o gosto da comida, seu estômago vibrou regozijado e seus olhos encheram de lágrimas.

Aldebaran sentiu o coração doer por não poder nem ao menos confortar o rapaz que estava bem fragilizado.

Os três rapazes, companheiros de Camus no cativeiro, também se apiedaram do jovem ruivo.

— Precisamos de outro colchão, ele não tem onde dormir. — Falou Afrodite chamando a atenção de todos para si.

Foi então que Camus percebeu que estava pateticamente comendo e chorando ao mesmo tempo, mas o jovem estava tão destruído por dentro que não teve forças para parar.

— Não tive ordens de trazer outro colchão, então ou ele dorme no chão ou alguém divide a cama com ele. — Mousse respondeu ríspido saindo do quarto os outros dois o seguiram.

— O que vai acontecer com o ruivo? — Questionou Aldebaran com interesse e preocupação. — O pobre vai dormir no chão? Ele me pareceu bem debilitado, acho que ele precisa de cuidados.

Mousse e Sirius pararam encarando o novato. — Escute Touro, o ruivo é assunto do Saga! Ele manda, nós obedecemos, ele não manda nós nos mantemos distantes.

Sirius completou. — O Saga tem verdadeira obsessão por esse garoto, me lembro que ele começou a transar com ele o ruivo era pouco mais que um menino. Eu pensei que em pouco tempo esse rapaz estaria aqui, mas o Saga o deixava livre, sempre tratou ele diferente, não sei o motivo de o Saga ter trazido o ruivo para cá somente agora, anos depois de conhecê-lo, deve estar querendo disciplinar o cara, para o seu bem, não se mete com ele.

Aldebaran assentiu e os três prosseguiram seus para dos demais afazeres.

.......

No quarto Mu se apiedando de Camus sentou próximo ao ruivo e falou. — Não se preocupe Aquário, você pode dormir comigo no meu colchão.

— Camus. — Começou o jovem de cabelos rubros, que notando o olhar confuso de Mu continuou. — Meu nome é Camus, Aquário foi apena um pseudônimo criado por Saga, para esconder minha identidade real.

— E por que Saga quis esconder sua identidade real? — Mime questionou entrando na conversa, os outros dois olharam para Camus aguardando a resposta.

Camus os olhou sem expressão alguma e respondeu. — Porque eu era um menino, menor de idade que tinha fugido.... É complicado.

Olhando para Mu o jovem respondeu a oferta. — Não se preocupe comigo, posso dormir no chão sem problemas.

Camus sentia-se morto por dentro, realmente não se preocupava com sua sorte naquele cativeiro.

Dito isso Camus deitou no chão onde estava, apesar de ter comido, sentia-se fraco e sem ânimo.

— Aceite ao menos esse edredom. — Ofereceu Mu.

— Podemos juntar os colchões, assim ninguém passa frio.

Mu e Afrodite concordaram com a ideia de Mime e arrumaram os colchões juntos. Quando estava tudo arrumado Mu chamou Camus para que o jovem se deitasse nós colchões.

— Venha Camus, vamos deitar ali arrumamos os colchões. — Mu chamou notando o rapaz febril. — Você está quente, acho que está com febre.

Camus nada disse, não tinha vontade de conversar, queria apenas ficar quieto no seu canto, mas acompanhou Mu e deitou o local indicado na ponta da cama improvisada, Mu e Mimi ficaram no meio e Afrodite ficou na outra ponta. Os três rapazes não forçaram conversa, pois já haviam sentido na pele como era a sensação de se ver naquele lugar inicialmente, não que nos dias atuais fosse melhor, mas já não havia o desespero dos primeiros dias.

Mime que estava ao lado de Camus falou para o ruivo que estava de costas para ele. — Hoje deve ser segunda, e raramente trabalhamos nas noites de segunda.

Camus virou o corpo ficando de frente para o jovem, e Mime continuo. — Nas segundas trabalhamos na limpeza da boate.

— Vocês ainda têm que limpar aquele lugar? — Perguntou Camus.

— Não é tão ruim, segundas são os melhores dias, não temos que aguentar bêbados. — Tornou Mime.

Camus olhou para Mime, alguma coisa naquele rapaz o fazia lembrar de seu irmão Hyoga, não teve como não sentir um carinho muito grande para com o rapazote a sua frente.

*-*-*-*-*-*

— Já tiramos o Aquário do castigo. Verônica reportou a Saga sim que voltou ao escritório depois de fazer sua ronda pelos quartos dos trabalhadores não remunerados da boate.

— Como ele está? — Quis saber o aliciador.

— Mais calmo, o quarto escuro sempre ajuda a colocar as ideias no lugar, não é mesmo?

Saga ficou pensativo, era melhor atacar agora que o ruivo estava com as emoções abaladas do que esperar ele se reerguer.

— Leve-o para minha suíte, eu vou esperar ele lá. — Ordenou Saga.

Verônica o olhou incerto. — Mas ele acabou de sair do castigo, será que é uma boa ideia? E se ele voltar a ficar histérico?

— Leve o Aldebaran com você, acho que ele é capaz de segurar o rapaz em fúria. — Continuou Saga sem mudar de ideia.

*-*-*-*-*

Já em sua suite na boate Saga se serviu de uma bebida, seu tradicional whisky cowboy, deixou a garrafa visível uma vez que Camus poderia querer tomar uma dose.

Sabia que antes de acalmar seu ruivo, ele teria que ter uma conversa séria, teria que explicar para Camus o quanto ele é sim especial, pois agora vendo o destino que teria se Saga não o escolhesse como favorito. Agora Camus saberia reconhecer o quanto foi privilegiado.

Ao ouvir três batidas na porta Saga analisou sua aparência mais um vez pelo espelho e ordenou. — Entre.

Esperando ver Camus passar pela fechou o semblante quando Verônica entrou no recinto. Olhou inquisitor para a Drag que suspirou fundo antes de responder.

— Ele se recusou a vir, se recusa a obedecer. — Contou receosa. — Eu vim aqui para que vc possa me dizer o que devo fazer? Volto com ele para o castigo? Mando darem um corretivo nele?

— O que ele disse? — Quis saber Saga.

— Disse que não tem mais nada a perder, que a gente pode tirar a vida dele, que ele não se importa e que não vai mais te obedecer. — Revelou Verônica esperando a resposta do chefe.

Saga ficou em silêncio por alguns instantes pensando no que fazer.

— Ele vai voltar a me obedecer! — Disse por fim saindo da suite e indo até seu escritório, uma vez lá pegou seu revólver colocando na cintura e indo em direção a ala dos "internos" sendo seguido pela Drag.

Saga desceu com a arma na cintura seguido por Verônica que estava entra uma mistura de satisfeita e apreensiva, na porta da cena ou quarto, como costumavam chamar, estavam Aldebaran e Mouse que esperaram a ordem do chefe para dizer o que deveriam fazer.

— Abram a porta e fiquei ao meu lado, quero conversar com o meu garoto.

E assim fizeram.

Quando a porta se abriu a imagem que tiveram foi de Camus sentado no chão abraçado em suas pernas e os outros três rapazes assustados sentados no colchão.

Os olhos de Camus e saga se cruzaram.

Camus o olhou com o misto de raiva e decepção.

Saga que esperava uma reação mais enérgica de Camus apenas falou olhando para o rapaz. – Você venha comigo. – E se virou para deixar o local quando ouviu a replica.

— Não. – Respondeu Camus desafiador.

— Não? – Perguntou Saga encarando o ruivo.

— Eu não vou mais obedecer suas ordens Saga. – Respondeu Camus novamente ficando de pé.

Saga sorriu cínico antes de começar a falar. – Vamos Aquário não tenho tempo para brincadeiras.

— Camus! Meu nome é Camus e eu já disse que não vou te obedecer.

Os olhos de Saga chisparam diante da afronta do ruivo.

— Você perdeu a noção C A M U S. – Perguntou Saga silabando o nome do ruivo. — Quer apanhar aqui na frente de todos?

Aldebaran acompanhava o embate apreensivo, mas sabia que não poderia se envolver dessa vez.

— Você pode me bater, você pode me matar, eu não ligo, não ligo mais. – Tornou Camus com a voz tremida por ele tentar segurar sua emoção. – Eu não ligo mais Saga! Acaba com tudo me mata.

Saga tirou a arma da cintura assustando os presentes, principalmente os três rapazes cativos, ele apontou a arma para a Camus, que não temeu, apenas abriu os braços.

— VAI SAGA ACABA LOGO COM ISSO! ACABA COM MEU SOFRIMENTO, EU NÃO AGUENTO MAIS! – Gritou Camus se ajoelhando na frente de seu algoz com os braços abertos. – EU NÃO TENHO MAIS NADA A PERDER, PERDI MEUS IRMÃOS, MINHA VIDA. – “Perdi o Milo”, mas essa frase não conseguiu dizer.

Saga olhava para Camus com raiva, mas analisando a situação, poderia matar Camus ali? Sim poderia, mas não o faria.

Mime se aproximou de Camus implorando assustado. – Camus, por favor, não faz isso. Ele vai te matar.

Camus olhou para o rapaz tão parecido com seu irmão Hyoga e o tranquilizou. – Tudo bem, eu estou preparado para isso.

Neste momento ouviram o forte barulho do disparo da arma de fogo e em seguida o barulho do corpo caindo no chão sem vida.

Ao ouvir Mu e Afrodite se abraçaram e se encolheram assustados, quando abriram os olhos viram o corpo inerte do jovem Mime já sem vida com um buraco em sua testa.

Camus ainda ajoelhado no chão olhava para o corpo do rapaz sem acreditar no que via, tão em choque que nem se deu conta que seu rosto estava sujo de sangue de Mime que espirrou quando o rapaz levou o tiro.

Completamente confuso e incrédulo olhou para Saga. – Por quê?

— Você vai me obedecer agora ou vou ter que dar fim em outro coleguinha seu? – Perguntou Saga apontando a arma para Mu que chorava junto a Afrodite.

Camus olhou para o rosto de Mime e foi como se tivesse vendo o rosto de Hyoga, e pensou no risco que seus irmãos sempre estiveram enquanto ele convivia com Saga. Camus no anseio de manter seus irmãos juntos de si, não se deu conta do risco eminente que colocou todos. Saga nunca o deixaria sair, nunca o deixaria livre.

— Vai continuar sem me responder, ótimo diga adeus para mais um coleguinha, eu mato um por um aqui até você mudar de ideia e todas essas mortes serão culpa sua! – Cuspiu Saga destravando o gatilho e encostando a arma na cabeça do Ariano.

— Eu vou com você. – Camus falou se levantando e estendendo a mão para Saga. – Eu vou com você Saga.

Saga olhou para Camus que mantinha em seu rosto uma expressão vazia, de indiferença, e Camus não sabia, mas era justamente esse charme indiferente que incendiava e viciava Saga em seu ruivo.

O moreno colocou a arma na cintura agarrou Camus pelo braço e saiu segurando o garoto, olhando para os seus capangas disse. – Limpem essa bagunça.

E deixou o recinto levando Camus e novamente evitou olhar para Aldebaran e seguiu rendido com seu algoz.

— Que merda! – Reclamou Veronica. – Tá vendo? Olha o que se consegue com teimosia aqui, vocês dois. – Disse apontando para os dois cativos. — Aconselhem ao Aquário para que ele seja bonzinho com o Saga de agora em diante, caso contrário quem vai pagar a conta são vocês.

— Pelo menos acabou a confusão por causa dos colchões. – Disse Mouse.

Notas finais
Não preciso dizer que a historia ta ficando pesada, né? O Milo finalmente conseguiu ler a pesquisa do Crystal e vai testar o metodo no Isaak. Mas o Camus por sua vez ta bem perto de perder a sanidade devido ao sofrimento que tem vivido. Vamos torcer para que a policia consiga prender todos o quanto antes. obrigada a todos que comentaram e os que vão comentar agora! beijinhos