Na Real

21 Capítulo 21 - Verdades Secretas


Notas iniciais
Olá pipous! Pois é demorei um pouco para atualizar a fic, eu comecei num trabalho novo. Tive que pedir as contas do trampo antigo por causa do covid19, queriam que eu voltasse ao trabalho sendo que tinham vários funcionários infectados. Enfim, por sorte eu já estava com um outro na mira e deu super certo, está dando aliás, e bom o começo foi como todo começo, vários treinamentos online e muita coisa pra estudar, mas deu tudo certo e eu logo voltei a escrita. Quero agradecer a amiga diva Amelinda Aura que betou esse capítulo pra mim, a Vivi tá aproveitando as férias. =) Bom chega de papo e vamos ao capítulo que tem um pouco de tudo.

Na Real — Capítulo 21

Shura estava em sua mesa, no departamento de polícia grego. Analisava alguns papéis de casos em andamento, algumas sentenças proferidas pelo juiz Radamanthys Wyvern, coincidentemente o juiz que sempre livrava Saga das acusações. Shura estava pesquisando os padrões dos casos que passavam pelas mãos do juiz, quando seu celular vibrou na mesa, Shura pegou o aparelho e viu que era uma chamada privada, mas seu faro de detetive o impedia de rejeitar tais tipos de ligações.

— Alô.

— Shura Gonzalez, se você quiser realmente colocar o Saga Nikolos atrás das grades, você tem meia hora para chegar à casa de Carlo Venturelli. — A voz do outro lado da linha falou e desligou o telefone.

— Alô, quem fala? Quem... — Tentou Shura em vão, já haviam desligado.

Shura tentou ligar para Carlo, mas o italiano não estava atendendo.

— Atende, cabron! Merda! – Praguejou, pegando as chaves do seu carro e saindo apressado. Avisou ao policial da mesa ao lado que iria resolver alguns assuntos pessoais.

— Merda, Carlo, atende, atende! — O policial dizia enquanto se encaminhava para a casa do amado, estava preocupado.

"Se aquele telefonema tiver sido uma ameaça? E se Carlo estiver...?"

Não, Shura não queria nem imaginar.

*-*-*-*

Era fim de expediente. Milo precisava pensar no presente que daria a Isaak, mas o que se dá de presente a uma criança? Aliás, a duas crianças, afinal, Camus havia dito que o aniversário de Hyoga passara há pouco, não podia chegar de mãos abanando.

A secretária entrou em sua sala levando alguns papéis para que Milo assinasse.

— Jade, que presente eu dou para um garoto que está fazendo doze anos?

— Depende, Sr.Kapino. — Respondeu a secretaria.

— Depende do quê?

— Depende do seu grau de amizade com a família e com menino. — Respondeu a moça. — Se for filho de amigos com quem o senhor não tem muito contato, convém um livro, ou um relógio.

— Jade, estamos falando de um garoto! Acha que ele vai curtir livros e relógios?

— Sr. Kapino, — a secretária chamava Milo daquela forma por ordem do Kapino pai, que não queria que seu filho desse intimidade aos funcionários. — conhece o garoto?

— Sim, conheço. Eu sei que ele gostaria de livros, mas eu estava pensando em algo mais interativo, sabe? Ele tem dificuldades de locomoção e a saúde debilitada, eu estava pensando em um dar um celular, pra ele fazer as coisas dele. Acha exagerado?

Ao ouvir sobre os problemas de saúde do garoto, Jade se compadeceu e perguntou. — O senhor tem intimidade com a família do garoto?

Milo sorriu de lado e respondeu. — Sim, eu tenho alguma, frequento a casa.

— Ah, então está ótimo, boa escolha. — A secretária iria acrescentar que se o menino era do ciclo de amizade dos Kapinos um celular não poderia ser considerado um presente "excessivo" e sim algo normal. Não seria de bom-tom dar um presente mais caro que o que os pais do menino pudessem esperar. Mas Jade não expôs essa observação, uma vez que gostava de ser discreta.

Milo havia decidido o presente, compraria na hora do almoço, o aniversário seria no dia seguinte, e Milo já havia deixado para última hora, coisa que não era do seu feitio.

Queria ver Camus naquela noite, mas seu namorado não iria poder ir vê lo, a babá não poderia passar a noite.

Milo sabia que acabaria indo para a casa do namorado de qualquer forma, nem que fosse para ficar assistindo TV no sofá do ruivo com as crianças ao seu lado.

Eles ainda não haviam dormido juntos na casa de Camus, Milo já estava subindo pelas paredes. Queria ter o ruivo pra si, passar a noite o amando, e muito mais que o sexo, queria poder dormir abraçado, sentindo o cheiro delicioso daqueles cabelos e daquela pele.

Milo riu pensando na ironia da vida, seu namoro mais casto, estava sendo justamente com um ex-garoto de programa e ator pornô.

O jovem Kapino parou de andar, analisando as pessoas como se alguém pudesse ler seus pensamentos.

Às vezes, grande parte das vezes, Milo conseguia evitar de pensar nesse detalhe sobre a vida de Camus, mas outras vezes essa realidade vinha com força e batia direto em Milo.

— Eu tenho que esquecer isso, se eu quiser ser feliz com ele, eu tenho que esquecer esse passado. — Milo falou sozinho, enquanto caminhava pelos corredores do shopping.

*-*-*-*-*-*

— Acho que não vem ninguém. — Comentou Isaak triste, olhando para a porta, ele já estava arrumado à espera de seus colegas.

— Não seja bobo, Isaak, é claro que eles vêm. — Disse Camus preocupado, ainda estava cedo, mas o medo de ver seu irmão triste abalava seu coração.

Hyoga vinha do quarto com os cabelos ainda bagunçados, havia os lavado no banho, mas era sempre preciso que Camus o auxiliasse para pentear, ou o penteado sairia irregular.

O menino foi com o pente para o irmão mais velho, que entendeu o gesto: pegou o pente da mão do menor e começou a pentear.

— Além do mais, são apenas três horas, está cedo ainda, mal terminamos de almoçar. — Concluiu Camus, entregando o pente para que Hyoga o guardasse.

— Mano, a gente pode ir jogando até seus amigos chegarem. — Sugeriu Hyoga, e Camus incentivou os dois a jogarem.

Meia hora depois, Marin apareceu sorridente. – Olá, pessoal de casa, cadê meu aniversariante mais lindo?!

Isaak sorriu e pausou o jogo para receber o beijo de Marin e o presente, um novo jogo de carros que os meninos fizeram questão de começar a jogar.

Marin deixou os meninos jogando e foi ter com Camus. — Você me parece preocupado, o que houve?

— Isaak está achando que não virá ninguém. — Respondeu Camus, apreensivo. — Eu fico pensando, e se pessoas lá da escola descobrirem o que eu faço? Se os pais dos coleguinhas descobrem alguma coisa?

— Ei, Camus, acalme-se! Não vai acontecer nada disso, é só um atraso normal, ninguém nunca quer ser o primeiro a chegar numa festa, meu Deus!

A campainha tocou e Isaak olhou esperançoso para a porta, Camus foi ver quem era. Ao olhar pelo olho mágico, corou e sorriu com os olhos brilhantes.

Abriu a porta e lá estava Milo, lindamente vestido com um casaco marrom, calça brim preta e uma blusa polo também preta.

— Oi. — Disse a Camus quando este abriu a porta.

— Oi. — Respondeu o ruivo.

A vontade que tinham era de se beijarem, se jogarem um nos braços do outro, mas sabiam que não seria adequado fazerem isso naquele momento, podia chegar algum colega de Isaak, e Camus também não se sentia à vontade de fazer aquilo na frente dos irmãos.

— Milo! — Comemorou Hyoga e foi seguido por Isaak. — Que bom que você veio, Milo!

Milo entrou no pequeno apartamento e Camus fechou a porta. – Olá, meninos, Isaak, feliz aniversário! — Cumprimentou o loiro, se sentando no sofá ao lado dos garotos.

— Obrigado, Milo. — Isaak agradeceu as felicitações do outro, mas não deixou de olhar para a sacola que Milo tinha em mãos, mas sobre a qual o loiro não fazia qualquer menção.

— Quantos anos você está fazendo mesmo? — Perguntou Milo, ciente de que os meninos estavam olhando com curiosidade para sua sacola, ainda que fazendo de conta que não estava notando nada.

— Doze. — Respondeu Isaak, sem demonstrar interesse.

— E você, Hyoga?, o Camus disse que você fez aniversário no mês passado, é verdade?

— Sim, sim, eu fiz nove anos! — Disse Hyoga, sem a mesma sutileza que o irmão do meio ainda sustentava.

Camus acompanhava a cena à distância, não sabia se bronqueava com Milo por fazer aquilo com os meninos, ou se ralhava com os meninos por se comportarem daquela maneira.

Marin, que estava na cozinha preparando um suco, encarou Milo de forma analítica assim que o loiro entrou, mas ele ainda não havia notado a presença da moça.

— Milo, o que tem nesta sacola? — Hyoga perguntou, disfarçando a ansiedade.

— Hyoga! — Ralhou Camus, olhando para o irmão.

— Ahhhhh sim, nesta sacola tem um presente para o aniversariante de hoje. — Milo tirou uma caixa e entregou para Isaak. — Opa! Parece que tem mais alguma coisa aqui, olha só um presente para o aniversariante do mês passado! — Pegou outra caixa e deu ao Hyoga.

Os meninos vibraram de alegria.

Camus os olhou com preocupação, ainda temia ter seus irmãos se envolvendo com Milo, se o loiro decidisse partir como os meninos ficariam, e como ele Camus ficaria?

Marin se aproximou e colocou as mãos no ombro do amigo, prevendo seus pensamentos inseguros.

Milo se levantou e foi cumprimentar Marin, enquanto esperavam a reação dos meninos ante os presentes.

— Olá, prazer, eu sou o Milo. — O loiro se apresentou e Camus desviou os olhos dos irmãos; se dirigiu a Milo e Marin.

— Pelos Deuses, me desculpem, Milo, essa é a Marin, minha grande amiga e também minha vizinha da frente. — E se virando para a moça. – Marin, esse é o Milo, meu... — Camus olhou para Milo, inseguro.

Milo esticou a mão e completou. — Namorado.

— Namorado. — Disse Camus, corado e escondendo um delicioso sorriso tímido, que Milo achou extremamente sexy.

— Milo, finalmente! Muito prazer. — A DJ cumprimentou de volta.

Os três viraram quando os meninos começaram a gritar.

— Oh, meu Deus! Olha isso! — Quem pulou primeiro foi Hyoga, exultante. — Mano, mano!! Olha! Eu ganhei um Joystick da Xbox One sem fio! Meu Deus, eu vou desmaiar!!! — O menino festejava e Milo sorriu com a reação dele.

— Milo, pra que esse presente para o Hyoga? — Questionou Camus sério.

— Ele fez aniversário mês passado, eu não dei nada, não acho justo que o menino não ganhe nada.

Camus nada respondeu, apenas olhou com preocupação para os irmãos. Temia, nem sabia dizer por que temia, mas temia ver seus irmãos encantados com Milo.

Entretanto, seu coração serenou ao ver os olhos de alegria com que Milo fitava seus irmãos, era algo legítimo, não conseguia ver ali os mesmos olhares dos homens que tentavam comprá-lo com presentes caros.

— Uau, Milo!!! Um celular!!! Camus, olhe! Um Moto Z3 Play! Caraca, tem display Super AMOLED de 6 polegadas! Milo, é incrível! — O garoto vibrou, estendendo os braços para abraçar o loiro e foi sorrindo ao seu encontro.

— Milo, ele não pode aceitar isso, é muito caro, ele é só um menino. — Camus falou, se aproximando.

— Não, Camus, esse é o celular para jogos mais em conta do mercado, pode ter certeza. — Milo rebateu, já prevendo a resistência de Camus.

Isaak olhou para o irmão com olhos apreensivos, achando que o irmão iria lhe tomar o presente, e Camus se desarmou.

— Venha, deixe eles curtirem os presentes. — Pediu Milo, se afastando com Camus.

— Milo, eu não tenho o mesmo padrão de vida que você, e tudo ainda vai ficar pior porque eu vou receber menos, não é certo...

— O que não é certo, Camus? Você fala como se eu chegasse todos os dias com algo caro. Hoje é festa, é um dia especial. Hum, melhora essa cara. — Pediu Milo e Camus abriu um meio sorriso para ele.

— Eu estou um pouco preocupado, já são quase cinco horas e ainda não chegou nenhum dos amiguinhos do Isaak. — Comentou Camus ao ouvido de Milo.

Marin, que estava vendo a apreensão do amigo, tentou tranquilizá-lo. — Camus, ainda é cedo, já disse.

Milo olhou para os meninos: Isaak mexia em seu celular, mas de quando em quando olhava para a porta.
— Calma, logo chega alguém. — Milo falou, mas já pensando num plano B.

Não tardou a campainha tocou. Os meninos, que estavam entretidos no jogo, sorriram e Camus foi abrir a porta.

— Oi, eu sou o Shun, amigo do Hyoga. — O pequeno menino de olhos verdes falou, estava acompanhado de sua mãe.

— Shun! Você veio! — Hyoga largou o jogo e foi recepcionar seu amigo.

— Olá, sou Tomiko, mãe do Shun, acho que ele chegou cedo. — Comentou a mulher ao ver que não tinha crianças além do aniversariante e seu irmão.

— Sim, o pessoal deve estar chegando, a senhora quer entrar, tomar um suco? — Ofereceu Camus.

— Não, obrigada, eu venho buscá-lo às sete.

— As oito! — Disse Hyoga. A mulher sorriu, mas não pareceu a Camus que ela acataria o pedido de Hyoga.

Assim que Camus fechou a porta e seus olhos encontraram os do irmão, Isaak sorriu para o mais velho, mas Camus notou uma nuvem de tristeza no menino.

— Rá! Enquanto o Hyoga conversa com o amigo dele, eu vou detonar você, Isaak! — Milo declarou desafiador, e assim conseguiu a atenção do pequeno.

— Ah, vai sonhando, Milo! Vai passar vergonha, isso sim. — Respondeu o aniversariante sorrindo e os dois começaram a jogar. Camus não aprovava jogos de luta, mas não reclamou: Milo havia conseguido distrair seu irmão.

— Ele é lindo! — Marin cochichou ao ouvido de Camus, que sorriu sem graça, observando seu namorado.

— Sim, ele é.

Camus ficou conversando com a amiga e prestando atenção no jogo, era impressionante a facilidade que Milo tinha com as crianças, não demorou muito estavam os três garotos em volta do loiro.

Quando a campainha tocou Isaak olhou para a porta esperançoso.

Marin foi abrir a porta enquanto Camus preparava alguns petiscos.

— Oi. — Marin cumprimentou.

— Oi, é aqui o apartamento do Isaak? — Uma menina absurdamente linda perguntou incerta.

— Oh, claro, claro, entre, você veio para o aniversário dele, não é?

— Sim, estudo com ele. — Disse a menina timidamente.

Quando Marin fez a menina entrar, notou que Isaak sorriu um pouco corado. – Oi, Thetis.

— Oi, Isaak. — Respondeu a menina, indo até o colega para lhe dar um abraço. — Feliz Aniversário. — A menina cumprimentou e entregou um presente ao garoto.

— Ah! Cansei de apanhar do Isaak. Olá, Thetis, muito prazer, eu sou o Milo e estava aqui apanhando do Isaak, mas acho que é hora de deixar você dar uma surra nele, não é? — O loiro levantou do sofá, dando lugar à menina, e foi para junto de Camus na cozinha.

— Acho que já chegaram todos os convidados do Isaak. — Comentou o loiro, abraçando Camus pelas costas.

O ruivo franziu a testa, confuso. — Achei que só tivesse chegado uma pessoa.

— Aí que você se engana, meu caro, não chegou uma pessoa, chegou A pessoa.

Camus se afastou de Milo e foi até o balcão da cozinha americana: viu uma menina muito linda conversando com Isaak.

— Uma garota? Ela deve estudar na sala do Isaak. — Comentou Camus, observando-a de longe.

— Camus, vai dizer que não está reparando o jeito que seu irmão olha pra essa menina? — Milo cochichou no ouvido de Camus.

— Milo, francamente, o Isaak é só uma criança!

— Ele está fazendo doze anos, ele é um adolescente! — Lembrou Milo — Ele está na idade de se apaixonar.

Os dois olharam para os dois adolescentes sentados no sofá, enquanto Hyoga e Shun conversavam com Marin no outro canto da sala.

— O Isaak é muito novo pra pensar nisso. — Reforçou Camus, sem muita convicção.

...

— Toma, Isaak, meu presente. — Disse Thetis, estendendo a mão com um pequeno embrulho.

Isaak pegou o embrulho, um tanto corado. Abriu-o. Era um cordão com um pingente que Isaak ficou analisando.

— Olha, você aperta aqui e ele abre. — Disse a menina, e quando Isaak abriu havia uma foto dela. — É pra quando você precisar ir para o hospital, pra que você possa se lembrar de mim. — Thetis declarou um tanto corada.

— Eu sempre lembro de você. — Respondeu Isaak baixo, mas não o suficiente para que a menina não ouvisse.

Envergonhado, ele tentou mudar de assunto. — Veja o celular que o namorado do meu irmão me deu.

— Nossa! Uau, finalmente você vai poder entrar nas redes sociais. Todo mundo tem Instagram e Facebook hoje em dia, Isaak, só você não tem. — Comentou a garota.

— Ele não precisa de redes sociais. — Interrompeu Camus, levando alguns sanduíches e colocando-os na mesa de centro.

— Não entendo por que o Isaak não pode ter acesso a redes sociais, todo mundo tem. — Continuou Thetis.

— O Isaak não é todo mundo. — Disse Camus, olhando para o irmão. Camus temia que Isaak pudesse descobrir sobre seu trabalho, esse era o seu maior medo, mas também temia que a polícia francesa os rastreasse, mal sabendo que a polícia francesa não tinha o menor interesse nele e em seus irmãos.

A campainha tocou e Camus foi atender, eram mais três amigos de Isaak.

Camus sorriu, dando licença para que os meninos entrassem.

— Bian, Crysaor, lo! Que bom que vieram! — Isaak os cumprimentou.

Os meninos foram se juntar a Isaak e Thetis, foi toda aquela bagunça que sempre tem quando há muitas crianças reunidas, aliás, não eram crianças, eram adolescentes, como bem lembrara Milo.

Hyoga e Shun ficaram brincando no quarto dos meninos, irmãos mais velhos nunca tinham paciência com os menores, não que Isaak fosse destratar Hyoga, mas o pequeno queria deixar seu irmão à vontade em seu aniversário.

Milo sorriu para Camus ao ver que tudo estava bem e não tardou para ir se juntar aos meninos nos jogos, realmente o jovem Kapino tinha jeito não apenas com crianças, mas também com os adolescentes.

*-*-*-*-*

Shura chegou à casa de Carlo dirigindo a toda velocidade. Depois que estacionou, desceu do carro apressado e foi para a entrada da residência. Tocou a campainha e bateu à porta. – Carlo, abra, sou eu, Shura! Cariño, você está aí?

Shura já se preparava para arrombar a porta quando Carlo finalmente a abriu.

Cariño, está tudo bem? — Perguntou Shura, ao perceber a postura rígida do amado.

— Shura, entre, precisamos conversar. — Disse Carlo, dando passagem ao espanhol.

Shura concordou em entrar, estava armado e tinha uma faca presa ao seu tornozelo.

Conforme previra, Carlo não estava sozinho, havia um homem chinês de meia idade em pé e outros dois rapazes sentados.

Shura voltou seu olhar a Carlo e perguntou. — Está tudo bem? Quem são esses homens?

— Shura, esse é o tenente Dohko, da Interpol. Ele está aqui fazendo uma mega investigação e operação para desmantelar uma das maiores quadrilhas de tráfico de pessoas. — Disse Carlo, apresentando o tenente, que estendeu a mão para cumprimentar Shura.

Mas o espanhol era desconfiado; olhou para o amante incrédulo. — Tráfico de pessoas? Quadrilha? Interpol? Como assim? Carlo, onde conheceu esses homens e como sabe que isso é verdade?

— Carlo o que disse a eles? — Perguntou Shura, segurando o braço do namorado um tanto zangado, aquilo parecia uma armadilha e Carlo tinha caído como um pato.

— Senhor Shura, acalme-se, estamos falando a verdade. — Disse Dohko, com a voz calma.

— Quem me garante? Se fosse verdade, vocês não estariam agindo assim, teriam ido à delegacia, estaríamos fazendo os trâmites legais e...

Shura foi cortado por Dohko. — Trâmites legais em um caso extremamente sigiloso, acho difícil, essa quadrilha age aqui na Grécia por muitos anos, certamente pessoas muito poderosas estão por trás disso, não temos como confiar em ninguém.

— Exatamente, não podemos confiar em ninguém, como quer que eu acredite em você, um completo desconhecido que diz trabalhar na Interpol, sendo que eu não tenho como comprovar a veracidade das suas informações? Como descobriram o Carlo?

— Shura, eu sei que é verdade, eu não sou um detetive particular, cariño, eu sou agente da Interpol. — Revelou Carlo, mostrando a Shura suas credenciais.

Shura ficou boquiaberto. — Você...? Eu achei que tivesse sido expulso da polícia... mas como?

— Shura, eu fui expulso, mas... — Carlo começou a falar; foi, porém, cortado por Dohko:

— O Carlo sempre foi um excelente detetive. Quando soubemos da expulsão dele, logo agimos e o levamos para trabalhar conosco.

— Então ele é expulso e é promovido? — Shura perguntou, irritado.

— Sr. Gonzalez, nós contratamos sempre os melhores para trabalhar conosco, e o Carlo ainda tinha um ponto a favor, foi expulso da corporação, a pessoa perfeita para investigar os tipos de pessoas que investigamos. — Esclareceu o tenente.

Shura olhou para o amante e olhou para os outros homens na sala, e com a sobrancelha esquerda levantada, questionou. — Por que me chamaram aqui? Por que estão revelando tudo isso pra mim?

— O senhor vai sofrer um atentado, Sr. Gonzalez. — Dohko avisou, direto.

— O quê? — Exclamou Shura, atônito.

*-*-*-*-*

— Viu, correu tudo bem. — Milo comentou, enquanto ajudava Camus a arrumar a casa.

— Milo, não precisa varrer o chão, eu cuido disso. — Reclamou Camus quando viu que o loiro estava com a vassoura nas mãos.

— Nada disso, você deu duro hoje o dia todo, não me custa ajudar.

Os dois então terminaram de arrumar a bagunça das crianças. Camus colocou os meninos para tomarem banho e se trocarem, Hyoga reclamou que estava com dor de barriga, e Camus bronqueou porque sabia que o menino havia comido demais, mas prevendo isso, havia comprado um bom chá digestivo e amargo para aliviar qualquer mal estar que pudesse acometer a alguém na casa.

— Pronto, quero os dois dormindo porque já está muito tarde. — Disse Camus no quarto dos irmãos, enquanto pegava a xícara do chá que Hyoga tinha bebido.

— Está tarde ou você quer ficar namorando? — Hyoga soltou dando risadinhas.

— Hyoga! — Camus chamou, bravo e sem graça.

— Pode ir ficar com o Milo mano, eu sei que vocês mal ficaram juntos hoje. — Foi Isaak quem sugeriu. — Eu prometo que não apareceremos na sala e nem no seu quarto.

— Isaak!

— O que é que tem, Camus, tá super tarde para o Milo ir embora, nós não ligamos que ele durma aqui. — Respondeu o irmão do meio, dando uma piscadela.

Camus olhou para os irmãos e nada respondeu, obviamente seus irmãos sabiam que ele transava, aliás, com certeza, afinal, já haviam escutado Saga; o moreno nunca fizera esforço algum para ser discreto ali, ao contrário, quando transava com Camus lá, fazia questão de ser o mais sonoro possível.

Camus saiu do quarto e viu Milo cochilando no sofá, estava com o ar cansado, realmente.

"Estamos namorando, não estamos? Qual é o problema em ele dormir aqui?"

Camus se aproximou e sentou na mesa de centro ficou admirando a beleza do loiro e chamou com cuidado. — Milo, acorde.

Milo logo abriu os olhos.

— Venha Milo, vamos pra cama. — Chamou Camus, ficando de pé e esticando a mão para o outro.

Milo franziu o cenho antes de perguntar. — Você tem certeza?

— Sim, somos namorados, não vejo mal nenhum nisso, nem eu nem os dois traquinas lá do quarto. — Camus disse apontando para o quarto dos irmãos. — Vão me colocar de castigo se eu fizer você voltar para casa a essa hora e cansado, além do mais, eles notaram que nós não tivemos tempo de namorar hoje.

Milo nada falou, apenas levantou do sofá tomando os lábios de Camus num beijo apaixonado que foi prontamente correspondido pelo ruivo.

— Céus, que beijo reconfortante! Eu seria capaz de ficar te beijando por toda a eternidade. — Disse Milo, colando a testa na de Camus assim que o beijo findou.

Camus sorriu para o namorado. – Venha, vamos tomar um banho, eu preciso, depois de uma dia como o de hoje.

— Hum, está me chamando para tomar banho com você? Que proposta indecente. — Brincou Milo, arqueando a sobrancelha.

— É um banho casto, seu indecente! — Disse Camus sorrindo, guiando Milo até o banheiro. — Eu vou pegar as toalhas, vá tomando banho na frente.

Quando Camus foi sair, Milo o abraçou pela cintura e perguntou ao seu ouvido. — Está me dizendo que teremos uma noite casta?

Camus sorriu sensualmente e respondeu. — Não, estou dizendo que apenas o banho vai ser casto.

O banho não foi exatamente casto, como o ruivo imaginou que seria, ele e Milo trocaram muitas carícias e beijos, e quando o experiente Camus se ajoelhou na frente do jovem Kapino e colocou seu sexo na boca dando início a um maravilhoso sexo oral, Milo achou que perderia os sentidos de tanto prazer.

Milo se derramou na boca de Camus fazendo todo o possível para não gemer alto ou gritar, atitude que foi muito apreciada por Camus.

A discrição de Milo era vista por Camus como uma prova de carinho e consideração para com seus irmãos.

Camus saiu do banheiro primeiro, enrolado na toalha, verificou se o caminho estava livre, se os irmãos estavam no quarto, quando viu que estava tudo bem fez sinal para que Milo saísse do banheiro e o seguisse até o quarto.

Milo sorriu ante aquela pequena travessura e assim que chegaram ao quarto de Camus, Milo se livrou das toalhas, pegando seu ruivo nos braços e o levando até a cama.

— Milo, a porta, por favor, tranque-a. — Pediu Camus, ordem que foi prontamente atendida.

Após trancar a porta, Milo virou-se com um sorriso malicioso nos lábios e com os olhos famintos. — Eu sei que você deve estar cansado, mas por mim eu faria amor com você até o amanhecer.

"Fazer amor comigo? Amor?" — Pensou Camus sentindo seu coração bater acelerado, Milo deixou a toalha que estava amarrada em sua cintura cair ao chão e caminhou lentamente até Camus.

O ruivo estava de joelhos em cima da cama e olhava para Milo completamente apaixonado, esticou a mão para seu amante, como um pedido mudo de urgência.

— Por tudo os Deuses, Camus, eu estou completamente apaixonado por você. — Declarou Milo, tomando a boca do seu namorado num beijo ardente.

Camus sentia-se derreter ante os toques de Milo, nunca imaginou que um dia se sentiria pleno e feliz como estava se sentindo naquele momento.

— Obrigado, Milo.

Milo o olhou confuso e Camus esclareceu. — Obrigado por fazer eu me sentir assim, feliz, absurdamente feliz. Ter você aqui nos meus braços, tocar sua pele, beijar sua boca ainda é tão surreal pra mim, que eu me pego pensando se eu estou sonhando ou se isso realmente está acontecendo?

Milo pegou a mão de Camus e a levou ao seu coração. — Sinta isso, é real, ele bate por você.

Um novo beijo apaixonado aconteceu, e quando este findou, Milo pegou a mão de Camus e levou até o seu membro rijo e disse em seu ouvido. — Sinta isso, ele pulsa por você.

Camus sorriu malicioso e começou a manipular aquele que era o pênis mais bonito que já tinha visto na vida, mas Milo o impediu de continuar.

— Quem vai dar prazer pra você agora sou eu. — O jovem Kapino falou com a voz rouca, olhando nos olhos de Camus de forma profunda.

— Milo... — Sussurrou Camus antes de seu namorado tomar novamente seus lábios, Milo o fez deitar na cama e se posicionou entre as pernas do ruivo massageando sua virilha.

Milo soprou a genitália de Camus que gemeu em expectativa do contato.

Milo sorriu por dentro vitorioso. — Eu também sei brincar de dar prazer. – Comentou, antes de abocanhar o membro rijo à sua frente.

— Ohhg, Milo! — Camus gemeu com o braço na boca para abafar o som de sua voz.

Milo percebeu o gesto do namorado e sorriu "Pelos Deuses, vai ser como na adolescência, quando eu tinha que transar escondido dos adultos, mas agora é escondido das crianças..." — Pensou.

E começando um jogo de provocações Milo continuou investindo na felação, sempre observando as reações de seu ruivo.

Camus estava completamente entregue, segurava a cabeça de Milo e administrava o vai e vem de seu falo na boca do loiro.

Milo então colocou dois dedos na boca de Camus que os sugou com vontade simulando uma felação, tudo era feito contrastando os gemidos e o barulho do ranger da cama.

Camus sempre apertava os parafusos para que ela não fizesse tanto barulho, para as eventuais visitas de Saga, mas ainda assim ela fazia barulho.

— Vamos ver o quanto você consegue controlar seus gemidos, meu amor. — Dizendo isso Milo começou a introduzir os dois dedos em Camus ao mesmo tempo em que sugava seu membro.

Camus se remexeu em um prazeroso desespero, mordendo seu braço para evitar gemidos.

A sensação de entrar e sair de Camus com os dedos estava fazendo o falo de Milo latejar de tanto desejo, Milo retirou os dedos de Camus e começou a massagear seu membro.

Camus que estava de olhos fechados concentrado no prazer, os abriu assim que sentiu a falta de Milo ali naquela região, seus olhos castanhos avermelhados encontraram os azuis celeste de Milo que estava ajoelhado na cama manipulando seu membro entre as pernas de Camus.

— Vem, entra em mim. — Pediu Camus, que não precisou repetir o pedido, pois Milo prontamente o atendeu, abrindo a gaveta da mesinha de cabeceira e encontrando ali alguns pacotes de camisinha.

Milo brevemente pensou que aquelas camisinhas foram colocadas ali para que Camus transasse com Saga, mas esse breve lampejo de ciúmes logo foi substituído pela altivez da vitória, em saber que em estava ali com Camus era ele, Milo, e não o calhorda do Saga.

Milo se posicionou na entrada do ruivo, pressionando com seu membro rijo o botão rosado de Camus, o Kapino então arqueou o corpo encontrando os lábios do ruivo e tomando sua boca.

O ato foi feito pensando em evitar o som dos gemidos que fatalmente os dois soltariam, mas o gesto apenas aumentou o prazer que ambos estavam sentindo naquele momento.

Milo entrou lentamente, mas logo começou a se mover com vigor, Camus que manipulava seu falo e estava próximo ao orgasmo, num impulso mordeu o ombro de Milo assim que sua semente jorrou, para evitar gemidos altos.

O jovem Kapino, por sua vez, achou aquele gesto mais sensual do que podia imaginar, segurou Camus com vigor e estocando o mais firme que pôde, tomou a boca do ruivo para evitar gritar de prazer, quando se derramou dentro do ruivo.

Milo deixou seu corpo cair sobre o de Camus, que o abraçou forte.

— Pelos Deuses, Camus, é sempre tão magnífico quando estou com você!

Acariciando o rosto de Milo, Camus teve ganas de dizer que o amava, mas como expressar tal sentimento dessa forma, quando ele se sentia completamente de alma despida quando estava com Milo?

Milo notou o olhar penetrante de Camus sobre si e o encarou com a mesma intensidade, não podia negar, estava apaixonado... não, aquele sentimento era muito melhor que paixão, visto que tinha sempre um misto de sentimentos quando estava com o ruivo, paz, alegria, familiaridade, sentia-se completo, totalmente completo.

Queria dizer que amava Camus, mas como dizer isso, quando ele próprio não havia tido coragem de assumir seu romance com o ruivo perante seus amigos?

Milo quebrou o contato, saindo lentamente de dentro de Camus e dizendo. – Precisamos nos limpar.

— Sim, precisamos. – Respondeu Camus se levantando para pegar uma toalha.

*-*-*-*-*

Aioria estava sentado próximo ao balcão de um refinado bar de grã-finos, não gostava muito daquele ambiente de soberbos, mas seu chefe Klaus Kapino havia marcado um encontro ali, muito possivelmente seria para novamente falar sobre Milo.

Como estava frio no inverno europeu, Aioria decidiu beber um conhaque para esquentar enquanto esperava seu chefe dar as caras.

— Aioria. – Escutou a voz de Klaus.

— Sr. Kapino, como vai? — Cumprimentou de forma educada.

— Eu vou direto ao assunto, quero que você dê um fim neste relacionamento do Milo com aquele puto ruivo. – Despejou o velho, sem nenhum cuidado ou pudor.

— Sr. Kapino, eu sei que pode parecer que o Milo está... – Começou o advogado, mas o pai de seu amigo o cortou.

— O Saga ameaçou acabar com esta festa do Milo se eu não o fizer primeiro, aquele cara não é de brincadeira, a vida do Milo está em risco, por mais que ele me envergonhe, aquele idiota ainda é meu único herdeiro. Livre-se do ruivo.

Aioria escutou tudo com atenção, sabia que o Saga era perigoso e Milo estava demorando demais para concluir sua vingança, teria que dar uma força para isso. – Não se preocupe Sr. Kapino, o Milo vai deixar de ver esse cara, eu prometo.

Notas finais
Essa fic é Eitas atrás de vixes! Carlo (MDM) na realidade é um agente secreto da Interpol e já estava investigando o Sagalicius, mas será que o Shura vai levar isso numa boa? E eu não sei vocês, mas eu ache que o fato do Milo não revelar a verdade sobre seu relacionamento com o Camus vai dar ruim!!! E o Aioria, o que será que ele vai fazer? Enfim obrigada por estarem aqui comigo, me apoiando sempre! Comentem que é de graça e faz bem pra o coração... No caso o meu! Hehehe Beijos até o próximo.