Na Real

16 Capítulo 16 - Gêmeos


Notas iniciais
Ola amigxs Pois é fim de ano chegando e aqui está uma atualização quentinha pra vocês, eu peço mil perdões pela demora em atualizar essa fic, na realidade demorei para terminar o capitulo de E Agora? e acabei me perdendo toda, mas o que importa é que saiu e aqui esta!!! o/ Meus agradecimentos a Vivi que betou a fic mesmo escrevendo as zilhares de fics que ela escreve. Mana como tu consegue??? Esse atualização é um singelo presente de Natal atrasado meu para vocês que estão aqui me acompanhando, me apoiando sempre me dando forças para continuar. Valeu galera. ops chega de papo e vamos a fic.

Na Real — Capítulo 16

Camus despertou de madrugada sentindo uma fisgada no lábio superior, sonolento colocou a mão sobre o local se arrependeu de imediato.

— Ai. — Gemeu, lembrando que estava machucado, aliás, seu corpo todo doía, ao tentar se mexer na cama lembrou que não estava sozinho, Milo estava ali, haviam dormido de conchinha abraçados.

Camus se afastou com cuidado para não acordar o outro, virou de frente para Milo e se pôs a observar o loiro dormir.

“É tão bonito” — Pensou enquanto olhava para o loiro, “bonito demais para que se interessasse por um misero michê como eu. ”

Camus não acreditava no interesse do loiro nele, não o interesse de um homem jovem, rico, absurdamente bonito, bom de cama e bom de coração como Milo. algo estava errado, o destino não costumava ser tão bom consigo.

O jovem michê sabia que algo não se encaixava, sabia que Milo não era para ele, não poderia se permitir enganar.

“Você está apaixonado por ele? ” — A voz de Saga lhe fazendo essa pergunta algumas horas antes ecoava em sua mente.

Com sua cabeça começando a latejar Camus decidiu se levantar, precisava ver seus irmãos e aproveitaria para tomar algum comprimido para dor.

Percebeu que seu corpo todo doeu com o movimento que fez para se levantar, claro que sentiria dor, sua adrenalina havia baixado.

Mesmo mancando Camus saiu do quarto, talvez pelo barulho que inconsciente o ruivo fez ao andar, Milo despertou.

O herdeiro dos Kapino olhou em volta se localizando onde estava e olhou para o lado procurando Camus na cama.

...

O irmão mais velho de Isaak e Hyoga abriu a porta do quarto dos irmãos com cuidado para não os acordar, percebeu triste que Hyoga havia dormido na cama com o irmão, decerto o caçula havia ficado abalado com o que viu.

“Saga não tinha o direito de fazer isso na frente dele” — Pensou o ruivo, ao arrumar a cama do menino e depois com cuidado, e não sem dor, o pegar no colo e o colocar em sua cama, Isaak havia acabado de ter alta, não era bom que ele dormisse de mal jeito em sua primeira noite e casa.

Aqueles dois eram a razão de sua vida, queria poder fazer o possível para protege-los do mundo em que vivia, Camus se demorou observando seus irmãos, quando viu Milo parado a porta sobressaltou.

— Tá tudo bem, Camus? — Sussurrou o loiro preocupado.

Fazendo sinal de silêncio, Camus puxou Milo para fora do quarto dos irmãos fechando a porta atrás de si.

— Tá tudo bem sim, eu acordei e vim ver como eles estavam depois de... depois de tudo. — Explicou o ruivo sem mencionar a “queda” e muito menos a surra de Saga.

Milo percebeu o ruivo mancando, então perguntou preocupado: — Você está bem? Tá sentindo alguma coisa?

— Não, digo só um pouco de dor de cabeça, mas já vou tomar um remédio.

— Me diz onde está que eu pego. — Pediu Milo prestativo.

— No banheiro, mas eu pego, preciso ir lá de qualquer forma. — Explicou Camus que seguiu para o sanitário.

Os remédios ficavam no armário atrás do espelho do banheiro, mas antes de abrir a porta do armário Camus pode ver sua imagem refletida e ter uma visão do estrago que Saga tinha feito em seu rosto e em seu corpo, pois como era muito branco as manchas roxas já estavam em destaque em seus braços e rosto.

Camus pensou em como encararia seus irmãos no dia seguinte?

Eles sabiam o que tinha acontecido infelizmente teria que encarar a verdade, e Milo?

Milo sabe o que aconteceu?

Ele acreditou na história da queda?

Uma queda faria tanto estrago?

Com sua dor de cabeça aumentando Camus pegou o frasco com os comprimidos e saiu do banheiro, na sala Milo o aguardava com um copo de água entre as mãos.

Sem encarar Milo, Camus pegou o copo de água e tomou o comprimido.

Milo percebeu o jeito acanhando do ruivo e imaginou o motivo, estendendo a mão para Camus falou: — Venha, vamos voltar para o quarto você precisa descansar.

Camus segurou em sua mão e Milo o puxou para um abraço protetor. — Tá tudo bem, Camus, tá tudo bem.

Camus seguiu com Milo para o seu quarto, o ruivo sabia que não devia baixar a guarda daquela forma, mas no estado em que estava não podia evitar.

*-*-*-*

Saga irritado saiu do apartamento de Camus, praguejando por ter perdido o controle daquela forma, mas quando estava abrindo a porta do seu carro viu o jovem Kapino estacionando o carro e correndo apressado para o prédio onde o seu jovem michê morava.

Seu corpo tremeu de ódio, pensou em voltar e dar aos dois o que eles mereciam, mas analisando friamente, decidiu esperar.

Entrou no carro e acendeu um cigarro observando a entrada do prédio.

Duas horas depois percebendo que o loiro não sairia tão cedo e que seu maço de cigarro havia acabado, o aliciador decidiu ir embora, precisava pensar com calma nos seus próximos passos, Milo era uma pessoa importante, filho de um homem poderoso, bater de frente com ele não seria inteligente.

— Você pode ser rico e ter as costas quente moleque, mas ninguém fica com o que é meu, ninguém!

Saga arrancou com o carro cantando pneu.

...

Nervoso, Saga entrou em sua casa chutando a porta e quebrando um vaso.

Ouviu passo vindos da cozinha estava pronto para xingar, pensando ser seu irmão ou quem sabe Aldebaran fazendo uma boquinha noturna, uma vez que o câmera era também o editor dos vídeos, e muitas vezes trabalhava até tarde na mansão, chegando a dormir lá algumas noites.

Mas quem apareceu foi Radamanthys, o juiz amante de seu irmão, decerto haviam trepado uma vez que o juiz estava somente de cuecas.

— Minha casa virou um bordel? Isso é jeito de andar por aí? — Perguntou Saga mal humorado.

Saga sabia que a relação do irmão com o juiz era boa para os negócios, por este motivo permitia que situações como aquela ocorressem em sua casa.

— É madrugada você não queria que eu colocasse uma roupa pra ir caçar alguma coisa pra comer, não é? — Comentou o juiz. — A propósito, sua dispensa tá vazia! E sim de certa forma sua casa É um bordel.

Saga foi até o local que guardava as bebidas e colocou uma dose de whisky virando seu conteúdo de um só vez.

Radamanthys observando a cena perguntou. — Problemas? Algo que caia na minha alçada?

— Não. — Respondeu Saga seco.

Radamanthys estudou a expressão do outro, "se gêmeos são iguais fisicamente, será que são iguais em temperamento?" — Pensou, então resolveu arriscar. — Problemas com o Aquário?

Saga desviou os olhos do copo e encarou seu "cunhado".

Radamanthys sorriu, sim de certa forma os irmãos tinham as peculiaridades do temperamento iguais.

— Não é da sua conta Radamanthys, Kanon deve estar lá a sua espera. — Resmungou Saga irritado.

— Você gosta do cara e o oferece a quem puder pagar mais, um dia vai acabar ficando sem ele. — Comentou Radamanthys se virando para voltar ao quarto.

— Ele é meu! MEU! Quem ousar a se meter em meu caminho vai se arrepender. — Esbravejou Saga.

— Saga, o Aquário exala carência, como um cachorrinho de rua perdido pedindo para ser adotado, eu lembro quando você o pegou, ele ainda era um menino e era apaixonado por você, e infelizmente você foi burro, se tivesse suprido essa carência dele...

— Eu dei tudo pra ele, você sabe que eu poderia ser bem pior, você sabe a sorte que ele teve. — Replicou Saga.

Indo se servir de uma bebida Radamanthys. — Sim, eu sei e é justamente por isso que sei que você gosta dele.

— Aquele filho da puta ingrato, eu faço tudo por ele e o desgraçado não sabe reconhecer. — Reclamou Saga.

— Se você gosta dele assuma o que sente, tire ele dessa vida, tire ele dos programas, nem falo dos filmes que você tem total controle, mas nos programas você pode se dar mal. — Aconselhou Radamanthys. — Eu jamais deixaria o Kanon fazer programa.

Saga sorriu sarcástico. — Meu caro, meu irmão não precisa mais fazer programas, nós hoje ganhamos dinheiro de outra forma.

— Eu sei, não se esqueça que tenho participação em muitos dos seus negócios. — Lembrou Radamanthys.

— Em troca de eu manter o meu pau longe do meu irmão. — Acrescentou Saga. — É por isso que está me aconselhando a "assumir" o Camus, por ciúmes do Kanon? — Saga sorriu cínico. — Não se preocupe, não preciso mais fazer isso com ele.

— Não é só por isso que estou te aconselhando ficar com o Aquário, Saga ele cresceu, está se transformando num homem bonito, inteligente e elegante, logo ele voa por si só.

— Eu JAMAIS permitirei que isso aconteça, o Camus só voa até onde eu permita que ele chegue. Ele é meu.

— Você quem sabe. — Tornou Radamanthys bebendo todo o conteúdo do seu copo de whisky. — Quer dar uma boa foda pra relaxar? Venha, comigo junto eu deixo você tocar no Kanon.

Saga virou o novo conteúdo de seu copo, limpou a boca com as mãos encarando Radamanthys analisando sua proposta.

— Foda-se!

Saga precisava de uma boa foda pra relaxar foi até Radamanthys acariciando seu peitoral e beijando seu pescoço.

Radamanthys tirou a camisa de Saga, deixando à mostra o corpo definido do outro.

— Vamos para o quarto, Kanon vai curtir a surpresa.

E assim os dois seguiram para o quarto onde acordaram Kanon com beijos triplos e carícias ousadas.

Saga sabia que precisava de uma noite de muito sexo para acalmar seus nervos.

*-*-*-*-*

Milo despertou cedo, mais por costume que por outro motivo, estava habituado à rotina de chegar cedo na empresa, e dar exemplo aos demais funcionários.

Ouviu o ressonar de Camus ao seu lado, olhou para o rapaz que estava com o rosto machucado.

"Eu quis tanto fazer isso com você, e agora que eu te vejo assim... não sei o que pensar".

Milo estava confuso com seus sentimentos em relação a Camus, sempre ouviu dizer que o amor e o ódio são separados por uma linha tênue, odiou tanto aquele rapaz, mas hoje o via extremamente frágil, não só pelos machucados visíveis em seu corpo, mas por saber que por dentro Camus era tão ou mais frágil ainda.

"Ele se faz de forte e durão, mas eu sei que não é".

Milo se levantou colocando suas roupas e logo que se viu pronto chamou Camus acariciando seu rosto. — Camus, acorde.

Com o sono leve o ruivo despertou. — O que foi?

— Calma, tá tudo bem, só que eu tenho que ir embora. Tenho uma reunião logo cedo e preciso passar em casa para me trocar, tudo bem você ficar sozinho com seus irmãos? — Perguntou Milo, se Camus desse algum sinal de que estava com medo ou algo assim ele o levaria para sua casa e ponto!

— Claro Milo, eu já te dei muito trabalho, tá tudo bem. — Disse Camus se levantando.

— Espera o que está fazendo? — Perguntou Milo ao ver o ruivo se levantando. — Você tem que descansar mais um pouco.

— Eu vou te acompanhar até a porta. — Respondeu Camus.

— Não precisa, Camus, eu sei onde é a saída, você pode descansar.

Um tanto sem graça, Camus respondeu: — Eu preciso trancar a porta, esse é um bairro perigoso.

Milo compreendeu e sorriu sem graça. — Claro, então vamos.

Já parado em frente à porta, Milo acariciou o rosto de Camus com delicadeza, uma vez que o ruivo estava machucado, se despediu com um selinho simples, apenas por receio de machucar ainda mais o outro.

Milo saiu andando sem tanta pressa, estava pensando em tudo que havia acontecido nos últimos dias e em como sua vida de certa forma havia mudado depois de conhecer aquelas pessoas, Camus e seus irmãos... Milo sentia-se tão envolvido com todos, era como se sempre pertencesse àquele lugar, àquela família.

Foi quando viu a babá de Hyoga discutindo com um homem na rua.

Milo não conseguia ouvir o que diziam, mas ainda assim resolveu não se deixar ser visto pelos dois.

— Você vai se arrepender, acha que pode me enganar dessa forma, sua vadia velha? — Saga perguntava irritado sacudindo o baço da mulher.

— Eu não sei do que você está falando? Ficou louco de vez, quer que Camus nos veja juntos? — Questionava a babá.

Saga sabia que Camus não deveria sair de casa naquele horário, ainda era muito cedo, ele estava machucado e Milo estava com ele, uma vez que o carro do herdeiro dos Kapino estava no mesmo lugar que o aliciador o viu estacionar na noite passada.

— Você sabia que o Camus está tendo um caso e não me falou nada, eu te pago para ter informações! Seu filho vai pagar por esse seu deslize.

— Não ameace meu filho! Não faço a menor ideia do que você está falando, eu estava de folga ontem o que aconteceu? — A mulher perguntava firme, mas suspeitando do que Saga falava. — Eu tenho feito tudo que me pede há anos, o que está acontecendo?

Saga a encarou e apertou seu braço com mais força. — Se você estiver mentindo eu vou saber, eu quero que me mantenha informado ou seu filho é quem vai pagar sua velha vadia.

Saga soltou a mulher com rispidez a fazendo se desequilibrar e cair, o aliciador saiu em direção ao seu carro e Zaíra ficou no chão sentindo a queda, que para uma mulher em sua idade era algo preocupante.

Neste momento, Milo decidiu sair de onde estava e correu até a mulher a ajudando a levantar. — Ei, a senhora está bem?

Gemendo a mulher se assustou quando viu Milo e a compreensão tomou conta de seu semblante.

— Eu estou bem, estou bem. Obrigada. — Respondeu de cara fechada.

— Quem é aquele cara? — Perguntou Milo interessado.

— Alguém que você deve manter distância, aliás meu rapaz, este não é um bairro seguro, o que faz aqui tão cedo? Isaak? — Perguntou a babá temendo que o menino pudesse ter tido alguma recaída.

— O Isaak está bem. — Respondeu Milo sério com o semblante fechado, não gostou do jeito da mulher nem do que ouviu. — Se a senhora está bem eu já vou indo.

— Você dormiu aqui? — Perguntou Zaíra também com o semblante fechado.

Milo ergueu a sobrancelha antes de responder. — Acho que isso não é da sua conta, ou é?

A babá de Isaak e Hyoga encarou Milo o medindo de cima a baixo. — Camus já tem problemas demais, meu rapaz, não seja mais um na vida dele.

Dizendo isso a mulher entrou mancando no prédio em que Camus morava deixando um Milo irritado e desconfiado para trás.

...

Assim que Milo saiu Camus voltou para o seu quarto a realidade de sua vida martelando em sua mente, como se a presença de Milo tivesse o protegido de seus pensamentos, que com a ausência do loiro maltratavam em sua mente cruelmente.

"Não posso mais deixar Saga fazer isso comigo, ele passou de todos os limites"

"Mas como vou fazer sem o Saga na minha vida, como vou conseguir manter o tratamento de Isaak?"

"Dr. Aioros falou que me ajudaria, mas a que preço?"

"Milo está custeando o tratamento, mas até quando?"

"Se Milo desistir de ajudar o Isaak? Se o Dr. Aioros quiser tomar meus irmãos de mim?"

"Se o Saga resolver me abandonar pra sempre, como eu vou fazer?”

A mente ansiosa de Camus não dava paz, sentindo seu estômago embrulhar debruçou sobre a pequena lixeira de seu quarto despejando ali todo o conteúdo do seu estômago.

Camus sentia o suor frio escorrendo por sua testa, suas mãos estavam tremendo, seu coração batia acelerado.

Estava tendo uma crise de ansiedade.

A sensação de que poderia morrer a qualquer momento, ou que entrariam em seu apartamento e tirariam seus irmãos o deixando sozinho amedrontava sua alma.

De repente Camus percebeu que respirar estava ficando difícil.

Neste momento Zaíra entrava em seu quarto e o vendo em crise o abraçou. — Camus meu menino respire, respire vamos, respire.

Aquela não era a primeira crise de ansiedade de Camus, houveram outras, muitas outras, mas com o passar do tempo Camus achou que já sabia controlar seus sentimentos, seus pensamentos e sua ansiedade.

Ledo engano.

Não deixando transparecer o choque de ver Camus com o rosto machucado e em nova crise de ansiedade, Zaíra perguntou bondosa. — Onde está seu remédio? Você ainda tem o remédio em casa, não tem?

Camus tentado controlar sua respiração apontou para o guarda roupas. — Na primeira gaveta.

A babá foi até o local pegou o remédio e pegou um copo de água de uma garrafinha que Camus deixava ao lado de sua cama.

Voltou com um comprimido e a água e deu ao jovem rapaz. — Tome, meu querido.

Camus prontamente pegou o remédio, colocou na boca e o engoliu com a ajuda da água que estava no copo.

O jovem irmão de Isaak mantinha os olhos fechados e controlava sua respiração, estava se xingando mentalmente por ter sido flagrado em um momento de fraqueza.

— Estou bem, os meninos precisam tomar café, Hyoga precisa ir para a escola, o Isaak ainda fica em casa por mais alguns dias. Prepare o café que eu já vou. — Pediu Camus aparentando mais calma, mesmo que fosse só por fora, pois, seu íntimo ainda borbulhava.

Zaíra conhecendo o jeito reservado de Camus acenou com a cabeça e foi fazer o que o ser jovem patrão pediu, daria ao jovem este tempo para que ele se recompor.

*-*-*-*

Milo havia acabado de sair da reunião, seu pai havia o intimado para que ele fosse vistoriar pessoalmente a implantação das novas fábricas que seriam instaladas no Brasil e o laboratório de Manaus que seria dedicado a pesquisa das plantas da região.

— Por mim você viajaria essa semana mesmo. — Dizia Klaus Kapino que caminhava ao lado do filho nos corredores da empresa.

— Pai, não posso viajar assim, tenho que me preparar. — Avisou Milo.

— Se preparar como? O que você tem que fazer? Não tem mulher nem filhos, não tem o que te impede de ir hoje mesmo se for o caso. — Respondeu o pai autoritário.

— Eu tenho que me preparar, ler os relatórios, me inteirar sobre o funcionamento da implantação para saber o que diabos eu vou estar fazendo quando eu chegar lá, que inferno! — Respondeu Milo petulante. — E pode tirar dos seus planos essa ideia de eu ter filhos e uma esposa, posso até ter filhos, mas será com um marido, ok?

Com os olhos faiscando Klaus olhou para o filho com desgosto. — Não ouse profanar minha família se casando com um homem, ou eu não respondo por mim.

Milo encarou o pai com o mesmo olhar de desgosto e desafio e respondeu. — Procure uma terapia para te ajudar a lidar com isso Klaus, pois um dia vai acontecer, mas cedo ou mais tarde, vai acontecer.

Os dois se encaravam com hostilidade quando Aioria se aproximou com alguns papéis nas mãos. — Milo consegui a reserva do hotel para próximo mês, até lá todos os relatórios estarão em suas mãos. — O leonino parou de falar ao enfim notar o clima tenso entre pai e filho.

Milo olhou para o pai com um sorriso debochado e falando com Aioria. — Obrigado Aioria, foi quando eu pensei em ir.

Milo pegou a passagem das mãos do amigo. — Com licença Klaus, tenho muito trabalho pra fazer.

Milo saiu acompanhado do amigo deixando seu pai irritado pra trás.

— O que eu perdi? — Aioria perguntou ao chegarem na sala de Milo.

— O de sempre homofobia e babaquice do velho Kapino. — Respondeu Milo com desgosto. — Esse babaca nunca vai me aceitar.

— Ah cara! Não liga pra ele, teu pai é um babaca, você já deveria estar acostumado. — Consolou Aioria.

Milo nada respondeu, estava visivelmente chateado com a atitude do pai.

— Ok, vamos mudar de assunto e o ruivo? E sua vingança como anda? Está saindo conforme o planejado? — Perguntou Aioria para mudar o assunto e fazer com que o amigo esquecesse o desentendimento com o pai.

— O quê? — Milo perguntou, mesmo tendo entendido a pergunta, mas sem saber de fato o que responder.

— Sua vingança, à quantas anda?

— Ah... — Começou Milo a contragosto. — Sei lá cara, eu não sou um monstro o irmão do cara acabou de sair do hospital, deixa o garoto se recuperar. — Respondeu Milo fingindo ler um e-mail, Aioria estudou o amigo por alguns instantes antes de perguntar.

— Está acontecendo alguma coisa que eu não saiba? — Perguntou o amigo e advogado de Milo.

— Não, não está acontecendo nada, só que eu estou cheio de coisas para fazer, depois nós falamos disso, eu realmente não estou num clima bom agora. — Despistou Milo.

O advogado não contestou, pois realmente havia presenciado o clima pesado entre o amigo e o pai. — Tudo bem cara, só tente não ficar pensando nas bostas que seu pai fala, não vale a pena.

Milo sorriu sem graça para o amigo que voltou para sua sala.

Assim que Aioria saiu Milo suspirou cansado, odiava a forma como o pai o via e o tratava.

"Mas por que diabos eu aceito isso? Por que eu simplesmente não vou viver minha vida em paz longe desse preconceituoso?" — Pensava Milo.

Sabia que era um hipócrita aguentava os desmandos do pai, pois tinha toda a grana e os privilégios de ser filho do presidente da empresa.

Era rico e tinha poder, e gostava disso, sempre gostou, por isso sempre "permitiu" que sua vida pessoal fosse mantida em sigilo, mas agora alguma coisa estava diferente, Milo estava se cansando.

Os pensamentos de Milo foram para Camus, e sua "vingança", riu de si mesmo ao constatar que neste momento nada tinha menos sentindo em sua vida do que a tal "vingança" que tinha em mente.

"Como fazer mal ao Camus? Um cara fantástico que já passou por tantas coisas na vida?"

Milo tinha apenas a certeza de que não queria se afastar do ruivo e dos seus irmãos.

Pensar neles o acalmou.

— Preciso dar um rumo na minha vida. — Falou por fim digitando algo em seu computador e sorrindo com as opções da pesquisa que apareceram na tela.

*-*-*-*

Quando Camus finalmente saiu do quarto, os meninos já haviam tomado banho, Zaíra faz Isaak se banhar também como incentivo ao irmão menor que teria que ir para a escola.

Camus estava com uma calça preta, uma blusa branca de malha com desenhos abstratos e manga cumprida apesar do calor, usava óculos escuros, por motivos óbvios e deixou seus cabelos soltos, que também ajudavam a esconder seu rosto.

Os meninos estavam em silêncio o clima no ambiente estava pesado, Camus não sabia como agir com os irmãos, e os meninos, por sua vez, não sabiam como agir com o irmão mais velho.

— Hyoga eu vou te deixar na escola, depois vou até o mecânico pegar meu carro, que já deve estar pronto, Zaíra eu tenho algumas coisas para fazer devo chegar em casa no fim da tarde. — Camus foi falando ignorando o fato de estar mancando e com o rosto machucado, e principalmente ignorando o fato de que os irmãos sabiam o que de fato havia acontecido para o deixar daquele jeito, o ruivo pensava que não tocando no assunto este seria esquecido.

Mas Hyoga era um menino astuto e como qualquer criança, não sabia bem identificar essas sutilezas de comportamento, então tão logo se viu sozinho com o irmão quando entraram no carro do Uber perguntou. — Você não vai ver o Saga, não é? Eu não gosto dele.

— Hyoga isso é um assunto de adulto, um assunto meu, não quero que se meta, por favor. — Pediu Camus verificando se o motorista do aplicativo estava prestando atenção na conversa.

— Mano, ele te bateu! — Lembrou Hyoga e Camus notou que o motorista os olhou pelo retrovisor.

— Hyoga esse não é um assunto seu, mas de qualquer forma depois em casa conversaremos sobre isso, não aqui, ok? — Respondeu Camus sério deixando claro para o irmão caçula que não queria ser questionado.

O menino fechou o semblante e Camus continuou serio em silêncio até chegarem na escola, onde Hyoga desceu do carro e se despediu do irmão de má vontade.

Após deixar o irmão caçula na escola Camus foi pegar seu carro na oficina, com Isaak internado não teve tempo nem cabeça para pensar no carro.

Camus havia pensado muito em qual atitude tomar, mas ele não podia colocar em risco seu trabalho, bem ou mal era de onde tirava sua renda, mesmo Milo e Aioros dizendo que custeariam o tratamento do irmão, quem poderia garantir que eles não mudariam de ideia mais pra frente.

Que responsabilidade Milo tinha com Isaak? E Aioros? Nunca fez questão de assumir responsabilidades referente aos irmãos antes, como confiar que ele o faria a partir de agora?

Camus aprendeu que na vida ele só podia contar consigo mesmo, bem ou mal aquela era a vida que conhecia e que já estava acostumado, criar novas expectativas envolvendo seus irmãos não estava em jogo.

O jovem michê estacionou seu carro e respirou fundo, verificou suas mãos, não estavam tremendo, desligou o motor, tirou o cinto de segurança, saiu do carro e seguiu para entrada da mansão de Saga Nikolos.

O aliciador não acreditou quando o segurança interfonou dizendo que o Aquário estava ali ao abrir a porta seu olhar cravou no do jovem aliciado, ambos estavam com a expressão séria Saga se afastou dando espaço para que Camus passasse, o moreno sorriu ao fechar a porta atrás de si.

— Não te esperava aqui hoje. — Comentou Saga tentando quebrar o gelo e a tensão que se instalou no local.

Camus com a expressão séria falou. — Você me agrediu, na minha casa e na frente do meu irmão caçula.

Saga silenciou, sabia que estava errado e que seria bom deixar Camus desabafar sua raiva e depois contornaria todo como sempre fez.

— Como você pôde? Minha única regra, meu único pedido durante todos esses anos foi que você nunca envolvesse meus irmãos nessa história e agora você faz isso! Por quê? — Continuou Camus, sem alterar o tom de sua voz, pois sabia que gritar ou avançar contra Saga só faria com que o seu aliciador o agredisse novamente, o ruivo sabia que não era páreo para Saga em uma luta corporal.

O jeito sério e impassível de Camus desarmou Saga que estava pronto para uma discussão acalorada e não uma conversa civilizada.

— Eu não sei o que me deu, Camus. — Saga começou a falar finalmente repensando seus atos e seus sentimentos na noite passada. — Eu me senti traído.

— Traído? Com meu irmão no CTI você acha mesmo que eu estava pensando em um golpe ou algo assim? Acha mesmo que eu estaria armando um plano para tirar dinheiro de alguém num momento como esse, me conhecendo como conhece, você realmente acha isso? — Continuou Camus pronunciando cada palavra com uma calma desconcertante na opinião de Saga.

O moreno ficou em silêncio por algum tempo, pensando nas palavras de Camus antes de tentar explicar seus motivos, pensou em pegar uma bebida, mas queria ter essa conversa sóbrio, então falou. — Na realidade eu me senti traído de outra forma.

— Que forma? — Indagou Camus ainda sem se alterar.

Saga segurou nas mãos de Camus e falou olhando em seus olhos. — Ciúmes.

Pela primeira vez Camus franziu o cenho esperando Saga concluir.

— Senti ciúmes! Droga eu estava lá, comprei uma caixa de bombons para o seu irmão, queria fazer uma surpresa para você, te dar apoio. — Começou Saga, mentindo, ou se dando conta do que pretendia na realidade. — Quando vi você saindo do carro daquele cara, com seus irmãos, o levando para sua casa, ele fazendo parte da sua vida como se fosse da família eu fiquei com ciúmes, me senti traído. Você nunca me deixou fazer parte da sua vida, da sua intimidade com seus irmãos, nunca! Até quando eu vou pra sua casa, você os tranca no quarto, eu nunca tive contato com nenhum deles. — Despejou Saga se dando conta do que realmente sentiu ao ver Camus chegando com Milo no dia anterior.

Sem acreditar do que estava ouvindo Camus rebateu, ainda mantendo sua postura impassível. — Saga você NUNCA demonstrou qualquer interesse em fazer parte da minha vida fora daqui, você nunca demonstrou qualquer interesse em manter um relacionamento deste tipo, ou desse nível, nunca!

— Talvez nem eu mesmo soubesse disso antes, mas caramba Camus eu gosto de você, sempre gostei você sabe disso, sabe que sempre foi o meu favorito. — Tornou Saga explanando seus sentimentos.

— Seu favorito, o cara que tem os melhores contatos, os melhores acordos, o cara que você trepa sempre que está com vontade. — Despejou Camus sem emoção.

— Eu poderia ter quem eu quisesse, Camus. Antes de você, eu nunca havia ficado tanto tempo com alguém, não é possível que você não tenha notado o quanto você é especial pra mim. — Começou Saga aveludando sua voz.

— Você me agride, Saga, me espanca sempre que acha que eu mereço ser castigado, me vende para qualquer um que pague bem. Como você pode dizer que sente alguma coisa por mim? — Continuou questionando Camus sem alterar a voz.

— Eu sei que passei dos limites com você, Camus, sei que não deveria ter te agredido, estou muito arrependido por isso. — Rebateu. — Mas, você está reclamando sobre os negócios, sobre os clientes que eu arrumo para você? É isso mesmo? Quanta ingratidão da sua parte. — Reclamou Saga.

— Você sempre está arrependido, mas continua fazendo, continua sempre me agredindo, sempre! — Tornou Camus ainda sem emoção na voz. — E eu não estou reclamando dos clientes que você me arruma, mas...

— Mas?

— Você me vende Saga, sempre! E isso me confunde. A gente transa e no minuto seguinte você me fala de programas e clientes, é estranho. — Completou Camus triste, enfim desabafando algo que sempre o incomodou.

Foi a vez de Saga ficar sério e encarar Camus.

— É isso que acha, que o fato de eu arranjar clientes para você é por que não sinto nada? Você acha sua vida difícil, Camus? Eu comecei nesta vida muito jovem também, com um agravante que você não precisou passar, eu tive que transar com o meu irmão. — Revelou Saga para o choque de Camus.

— Você já se imaginou transando com um dos seus irmãos? — Perguntou Saga já sabendo a resposta.

Indignado Camus respondeu fazendo cara de nojo. — Não, nunca!

— Pois eu tive que fazer isso, pois eu não tive a sua sorte de encontrar alguém como eu que me protegesse, tive que atender os desejos dos pervertidos, dos escrotos, da escória que tinham a porra do fetiche de ver dois irmãos gêmeos fodendo! Então, Camus não me venha reclamar da sua vida, não me venha reclamar do fato de eu te “vender”, pois eu aprendi assim, negócios são negócios e ponto! — Despejou Saga, para um Camus completamente atônito, como se não tivesse passado a noite em uma orgia com o irmão por livre e espontânea vontade.

— Saga, eu...

— Eu gosto de você, Camus, e você não faz ideia das coisas que faço por você, ou acha mesmo que você morar num bairro como aquele e nunca ter sido incomodado por nenhum bandido da área é apenas sorte? Ou que seus clientes sempre tenham te tratado bem é apenas sorte?

— Eu já apanhei de alguns clientes, já fui muito maltratado. — Defendeu-se Camus.

— MAS ELES PAGARAM POR ISSO! Seu cache sempre teve um extra nestas ocasiões! — Respondeu Saga como este fato apagasse todo o resto.

Camus suspirou cansado, não valeria à pena discutir com Saga, ele jamais entenderia, então preferiu também revelar o que tinha guardado durante muito tempo. — Quantas vezes você fez amor como comigo, Saga?

— Sei lá, Camus a gente já transou várias vezes, um milhão de vezes. — Saga respondeu.

— Pois é Saga, você nunca fez amor comigo, você apenas transou comigo, mas eu já fiz amor com você várias vezes, você é que não tem ideia de como eu me sentia. — Revelou Camus triste.

— Sentia? Você não sente mais? Não sente mais nada por mim, Camus. — Perguntou Saga se aproximando de Camus e o puxando para um beijo.

Camus sentiu uma fisgada na boca que estava ferida, o que o fez se afastar.

— Eu estou machucado e não é só por fora, eu preciso de um tempo, Saga, preciso me recuperar, ok? — Pediu Camus sem responder à pergunta feita por seu amante, na realidade Camus não saberia dizer ao certo o que sentia por Saga, mas tinha uma certeza, não era amor. Não mais.

Saga observou Camus se afastar e questionou. — O jovem Kapino tem alguma coisa a ver com isso?

Camus franziu o cenho. — Com isso o quê? Com o fato de eu me afastar do seu beijo?

— Sim. — Respondeu Saga.

— Tirando o fato de que você me agrediu por causa do seu ciúme, ou da sua desconfiança referente ao meu contato com ele. Não, ele não tem nada a ver com isso. — Mentiu Camus sem ter se fato consciência dos motivos que o estavam levando a mentir para Saga naquele momento.

— Me fale mais sobre essa relação de vocês, ele contínua sem querer transar? — Perguntou Saga sondando.

Camus achou melhor negar, inventar uma história, Saga jamais entenderia como alguém poderia fazer alguma coisa por outra pessoa sem visar algum ganho e por mais que Camus desconfiasse das intenções de Milo, algo em seu íntimo dizia que o loiro não era mau.

Então, Camus mentiu, criando uma história. — Obviamente que não, acha mesmo que ele bancaria o tratamento de Isaak sem levar nada em troca?

Saga arqueou a sobrancelha encarando Camus. — Conte-me mais sobre isso.

— Ele é um babaca, eu já tinha dito isso, não é? Então, nada de novo sob o sol, ele deixou claro que eu teria que pagar o tratamento de Isaak de alguma forma. — Respondeu Camus dissimulado sem emoção não voz.

— Engraçado, eu sei que ele dormiu com você está noite, eu o vi entrando e o vi saindo agora pela manhã. — Tornou a sondar Saga.

Sem demonstrar surpresa ao saber que estava sendo espionado Camus continuou com sua farsa. — Como vê nem minha cara assim toda arrebentada foi suficiente para impedir aquele pervertido.

— Pensei que somente eu poderia trepar com você na sua casa. — Cobrou Saga realmente chateado com aquele fato.

— Estamos falando do cara que pagou o tratamento do meu irmão que pela primeira vez na vida ficou num quarto bom, e teve toda a atenção da equipe médica do hospital. — Respondeu Camus como se aqueles fatos encerrassem a discursão. — Acho que dava pra abrir uma exceção pra ele.

— E os meninos? Onde estavam este tempo todo? — Continuou Saga sondando.

Camus olhou para Saga com seu melhor olhar blasé antes de responder. — Durante o dia na sala conversando, e Milo observando Isaak, ele estava verificando se estava tudo bem com meu irmão e à noite depois que eu consegui acalmar meus irmãos, eles foram dormir.

— Então, você está trepando com esse cara pelo tratamento do seu irmão? E como eu fico nesta história? E minha parte, quem vai pagar? — Questionou Saga, afinal ele era o "agente" de Camus, tinha direito a uma porcentagem em todos os programas do ruivo.

Pela primeira vez desde que entrou na casa de Saga o jovem michê fez uma expressão de incredulidade ao encarar seu chefe e amante.

— Você acaba de dizer que tem sentimentos por mim e agora está aí cobrando sua porcentagem nos programas com o cara que está custeando o tratamento do meu irmão?

Saga se viu pego em suas próprias palavras, sorriu para Camus fazendo seu papel de bom homem e protetor. — Tudo bem, Camus, eu vou deixar isso pra lá, pra você ver que eu realmente gosto de você, mas vamos ter que ver sua agenda, os dias que você vai estar livre.

— Saga sobre isso, esse cara, ele me pediu exclusividade. — Começou Camus como um teste, mas logo viu Saga estourar, afinal o moreno não era conhecido pelo se temperamento calmo.

— Quem esse cara pensa que é? Você não pode ser exclusivo dele, isso só por causa do tratamento que ele pagou uma única vez? E você vai viver do que? E eu vou ficar como sem um dos meus melhores garotos? — Esbravejou Saga.

Camus quando pensou na história da exclusividade, não analisou todo o contexto, Saga tinha “razão” suas despesas não se limitavam apenas ao tratamento de seu irmão Isaak, havia escola, alimentação, roupas e tudo mais, triste Camus ponderou com Saga. — Me deixe apenas algum tempo, até que eu me cure. — Pediu apontando para seu rosto.

— Camus, não posso te deixar exclusivo desse cara, ele nem ao menos falou comigo, o que ele está pensando? Eu não posso aceitar os desmandos de um filhinho de papai mimado do caralho, meus negócios são sérios e ele tem que saber disso.

— Saga, por favor, logo ele enjoa de mim e vai deixar a gente em paz, você sabe como são esses caras ricos, principalmente os jovens ricos. Não quero que se indisponha com ele por minha causa, não vale a pena. — Pediu Camus mudando sua postura desde que entrou na casa de Saga, atitude que não passou despercebida pelo moreno.

— Está preocupado comigo, Camus? — Perguntou Saga sorrindo malicioso. — ... Ou está preocupado com ele?

Camus se xingou mentalmente sua mudança de postura deu margem para que Saga voltasse a ficar em vantagem, mas não podia colocar Milo em risco por causa de uma mentira sua.

— Sabe que me preocupo com você, eu sei como você fica de cabeça quente, só não quero que faça bobagem. — Disse Camus novamente mostrando seu estado para que Saga percebesse que realmente não tinha controle sobre seus atos quando estava de cabeça quente.

Saga suspirou cansado antes de concordar. — Ok. Eu vou dar um tempo pra ele, mas não esquece uma coisa, você pode ser exclusivo dele a nível de cliente, mas que fique claro que eu não vou abrir mão de você. — Explicou Saga tentando beijar Camus novamente.

O ruivo mais uma vez se afastou. — Eu estou ferido e ainda muito chateado com você, Saga.

— Caralho. — Resmungou Saga, mas se afastando. Pois tinha ciência de que não havia agido bem com Camus.

— Eu vou dar o tempo que você precisa, mas se eu sonhar que você está pensando em me passar a perna...

— Não se preocupe. — Disse Camus antes de sair deixando um pensativa Saga para trás.

...

— Ei, Camus!

O ruivo parou ao ouvir seu nome avistando Aldebaran a poucos metros de distância.

— Aldebaran, como vai? — Cumprimentou Camus colocando seus óculos escuros para esconder o roxo do seu olho, mas a marca próxima a boca ficou evidente.

Marca essa que não passou despercebido pelo grandalhão, que preferiu por hora nada comentar. — Eu estou bem, estou precisando de uma carona, passei a noite editando alguns vídeos e controlando as redes sociais da produtora.

— Redes sociais? — Perguntou Camus que não sabia que a produtora de Saga estava neste nível.

— Meu amigo quem quer fazer sucesso ou ser alguém hoje em dia precisa bombar nas redes sociais.

Os dois entraram no carro de Camus que levou o funcionário de Saga em casa, e foram conversando no caminho.

— O Misty está com um canal bombando, você precisa ver. — Comentou o gigante. — Você quer criar seu perfil no Instagram ou no YouTube? Eu posso te ajudar.

Camus arregalou os olhos.

— Você diz redes sociais comuns? Aquelas que todo mundo tem acesso?

— Claro, procure o Misty vai ver o canal dele é bem bacana, ele fala dos bastidores da indústria pornô e em geral chama algum ator para uma entrevista ou bate papo. — Explicou Aldebaran.

— Eu não tenho redes sociais. — Comentou Camus para surpresa do amigo.

— Mas como um astro do cinema não tem redes sociais? — Perguntou Aldebaran.

— Astro do cinema pornô gay, já tenho pervertidos demais na minha vida. — Explicou Camus, que na realidade tinha medo que uma exposição dessas em ambientes neutros pudesse atrair a atenção de seus irmãos.

Nenhum dos três tinha rede social, mas isso seria uma questão de tempo, com os meninos entrando na adolescência seria mais difícil controlar esse tipo de acesso.

— Você quem sabe, acho que seria interessante pra você se tornar mais conhecido. — Replicou Aldebaran, sem imaginar que Camus não queria se tornar mais conhecido do que já era.

— Ei, Camus vamos parar ali, quero comer alguma coisa. — Disse Aldebaran apontando para uma padaria.

Camus que estava com a agenda livre naquele dia estacionou e acompanhou o outro até a padaria.

— Você fala em pervertidos deveria falar sobre eles em seu canal. — Comentou Aldebaran como se Camus já não tivesse deixado claro que não faria canal algum nas redes sociais.

Camus apenas riu antes de responder. — Todo mundo tem suas perversões, seus fetiches, uns apenas são mais bizarros que outros.

— Fetiches, perversões você fala com propriedade já que conhece isso a fundo. Eu fico me perguntando... o Saga, que tipo de fetiche tem o Rei do Sexo? Deve ser algo bem sujo e pesado. — Perguntou Aldebaran casualmente com real interesse.

— Saga tem um fetiche comum e muito básico, a propósito. — Falou Camus.

— Comum e básico? Que fetiche? Ah não vai me matar de curiosidade, vai? — Perguntou o outro ansioso.

— Ele é voyeur. — Revelou Camus. — Ele gosta de observar, assistir a coisa se desenrolando na frente dele.

— Uau! Dessa eu não sabia, talvez por isso ele tenha montado essa produtora, assim ele trabalha com o que mais gosta, esse Saga é demais. — Soltou Aldebaran sorrindo.

— Pode ser, ele faz "teste" com todo mundo que vai trabalhar pra ele pela primeira vez, ele filma todo mundo e depois assiste. — Continuou Camus revelando os fetiches do seu amante.

— Mentira!!! Como você sabe disso? — Questionou o taurino.

— Eu já assisti alguns com ele, inclusive o meu. — Revelou Camus novamente.

— Caraca! O Saga tem seu vídeo teste? Isso é incrível! — Comentou o taurino sorrindo.

— Não é tão incrível assim, eu não tinha experiência alguma... — Começou Camus pensativo. — Na realidade eu acho até bem constrangedor assistir aquilo.

Aldebaran ciente de que esses testes são sempre humilhantes e abusivos olhou bondoso para Camus dizendo. — Você havia dito que ele não fazia isso com frequência. Tire os óculos Camus.

O ruivo que estava com os óculos escuros desde que saiu da casa de Saga os tirou deixando seu olho roxa a vista.

— Caramba, Camus, por que permite isso? — Ralhou Aldebaran.

— Não é como se ele me pedisse autorização antes de fazer isso. — Respondeu Camus ríspido ao colocar os óculos escuros novamente.

Aldebaran o olhou consternado e sugeriu. – Você deveria fazer aulas de defesa pessoal, assim conseguiria se defender.

— Eu reagir aos ataques de Saga? Ele me mataria se eu ousasse a atacá-lo.

— Eu não estou falando em atacá-lo e sim em você se defender, um dia ele pode perder o controle e não parar, você tem que saber se defender. – Aconselhou Aldebaran.

— Mas eu não sou páreo para o Saga, jamais conseguiria lutar com ele em pé de igualdade. — Argumentou o ruivo.

— Você precisa saber se defender, nem que seja para que possa correr até um lugar seguro. Se quiser eu mesmo posso te dar umas aulas, já fui lutador de MMA. – Propôs o amigo.

— Bom eu estou temporariamente de férias. — Disse Camus. — Quem sabe?

— Isso é bom. — Disse Aldebaran bondoso. — Nossas aulas começam na depois de amanhã.

Camus analisou a proposta do outro e concordou com a cabeça. — Aldebaran eu preciso ir embora, vamos? — Chamou Camus que estava dando carona ao amigo.

— Eu vou ficar, tenho que resolver algumas coisas na rua, o café da manhã me animou para isso. — Avisou o amigo. — E Camus, me chame de Debas, é o meu apelido.

Camus assentiu se levantando fez menção de tirar o dinheiro de seu lanche, mas Debas o impediu.

Assim que se viu sozinho no local Aldebaran pegou seu celular e ligou para alguém. — Você não vai acreditar no que eu descobri.



Notas finais
É eitas atras de vixis hahauhuahauhua Bom sabemos que o Saga é um FDP, mas também teve uma vida fudida. Sabemos que o Velho da Kapino é um tremendo otário e o Milo joga duro com ele. Sabemos que tanto o Milo quanto o Camus estão bem confusos em relação ao que estão sentindo um pelo outro. Sabemos que a vingança do Milo tá cada vez mais lá em cima do telhado. Mas o que não sabemos é pra quem o Aldebaran ligou hauhauhaha. Galera FELIZ ANO NOVO que 2020 seja repleto de fics CdZ pra gente pirar o cabeção, e que tenhamos saúde e dinheiro sempre. Comentários são sempre muito bem vindos, deixem de preguiça! Grupo das fics no facebook >>> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/ Grupo das fics no whatsapp>>> https://chat.whatsapp.com/G4vT1IWNZeR2ZLE1DDVtw0