Na Real
14 Capítulo 14 - Verdades
Notas iniciais
Na Real — Capítulo 14
— Pelos Deuses! — Exclamou Shaka ao analisar a amostra do sangue de Isaak. — Isso é muito grave, eu preciso de uma contraprova.
O biomédico foi até o refrigerador onde estavam as outras amostras do sangue do garoto, porém não as achou.
— Que merda é essa? Petros, onde estão as amostras IB34? — Shaka perguntou a um assistente do laboratório.
— Sr. Shaka tivemos um problema, o estagiário antigo derrubou as amostras que estavam neste refrigerador, infelizmente foram todas inutilizadas. — O rapaz respondeu receoso esperando a bronca que não tardou a vir.
— Por que diabos um estagiário estava mexendo neste refrigerador? As pesquisas aqui eram minhas!!! Onde está esse idiota, eu mesmo quero matá-lo! — Vociferou o loiro de descendência hindu.
— Eu o demiti pela manhã quando vi o estrago que ele fez, e tomei a liberdade de solicitar ao RH outra pessoa para o lugar do asno incompetente.
— Merda! Merda! Merda! Descobri algo gravíssimo e não tenho como provar, não tenho outras amostras para fazer a contra prova, e esse foi um caso passado diretamente por Milo Kapino, que merda! — Continuou praguejando o loiro.
— Senhor, não tem como colher outro material?
— Vou tentar, mas não será a mesma coisa, o menino já recebeu vários medicamentos no hospital, os resultados não serão os mesmos. — Revelou Shaka derrotado, teria que se explicar a Milo no dia seguinte.
Olhou no relógio da parede e suspirou cansado, já era muito tarde e perder os dados havia tirado suas energias. — Vamos pra casa, Petros. Já é tarde amanhã converso com Milo.
*-*-*-*-*
Camus deu uns passos para trás ao abrir a porta e dar de cara com o amigo de seu pai e médico de Isaak. — Doutor Aioros! O que faz aqui? Isaak?
— Se acalme Camus, Isaak está bem. Amanhã vou transferir ele para o quarto, acho que até o final de semana eu devo dar alta.
Camus ficou aliviado com aquela informação e olhou interrogativo para o médico.
Um silêncio constrangedor se fez presente até que Camus fez sinal para o médico entrar.
O médico entrou com olhos analíticos prestando atenção em cada detalhe do pequeno apartamento. — Você deixou o endereço errado nas fichas do hospital, eu fui até o endereço que estava lá e ninguém te conhecia. — Começou Aioros, Camus nada respondeu, apenas observou o médico que continuou a falar. — Sabe como consegui o seu endereço verdadeiro? Liguei para o meu irmão e ele por sorte sabia seu endereço verdadeiro, é certo isso Camus?
Sem pensar nos motivos que levaram o irmão de Aioros ter ciência do seu endereço, Camus finalmente falou acusatório. — Você demorou cinco anos pra descobrir que o endereço estava errado, três crianças sozinhas num país estanho, com um tutor desconhecido e você nunca pensou em checar as informações, é certo isso?
Aioros se calou e os dois se encararam.
— Por que mentiu, Camus? Por que não confiou em mim? — Perguntou Aioros novamente tocando neste assunto.
Camus andou pela sala falando exasperado. — Porque tive medo! Você não se mostrou nem um pouco aberto para uma aproximação, deixou claro que cuidaria do Isaak, mas não teria como arcar com nenhum custo dos medicamentos, tive medo ir parar num abrigo com meus irmãos e que Isaak não recebesse o tratamento necessário.
— Mas você nem ao menos me deu a escolha de decidir sobre o que fazer! — Voltou a questionar o médico.
— Você demorou cinco anos para vir verificar minha casa, para ver as condições em que nós moramos, acha mesmo que teria feito alguma coisa diferente? — Questionou Camus.
Aioros sentia sua consciência doer sempre que Camus jogava essa verdade em sua cara.
O médico então abriu sua pasta e tirou de lá uma foto mostrando a imagem a Camus.
Ali se via um grupo de jovens em um laboratório de pesquisa, o professor Crystal e um menino ruivo sentado em uma bancada, todos sorriam para a câmera.
— Essa foto foi tirada há onze anos, você se lembra? Foi pouco antes da conclusão da minha pós, eu me lembro que seu pai o levou naquele dia pra o trabalho, Isaak tinha nascido há pouco tempo e o professor Crystal o levou para as aulas por alguns dias, você se lembra?
Camus com a foto na mão olhou para o menino ruivo que encarava a câmera, o menino cheio de sonhos, o menino que queria ser um cientistas como seu pai, que se encantou pelo dia a dia no laboratório.
Sim, Camus lembrou desses dias, de como se sentia protegido, de como era viver sem medos.
— Lembro que você tinha apenas nove anos nesta época, me lembro disso, porque eu fiquei realmente impressionado com sua facilidade para lidar com algumas coisas do laboratório... O que aconteceu com este menino, Camus? Como pôde fazer isso com a sua vida? — Questionou o médico.
A essa altura lágrimas rolavam no rosto de Camus, que se sentia desarmado, sozinho, fragilizado.
— Eu não tive escolha. — Disse Camus entre soluços.
— Você poderia ter tentado confiar em mim! — Retrucou Aioros.
— Eu era um menino, e estava com medo! Estava sozinho com duas crianças menores pra cuidar, uma dela doente, meu pai havia acabado de ser assassinado na minha frente! EU ESTAVA COM MEDO! — Bradou Camus — Estava desesperado. — Concluiu o ruivo se entregando novamente as lágrimas ao sentar no sofá.
Aioros parou ao ouvir tal informação, Crystal assassinado?
Observando o ruivo que chorava cobrindo o rosto entre as mãos Aioros perguntou. — Que história é essa de que seu pai foi assassinado? Foi um acidente de carro que o vitimou, eu li a respeito.
Se dando conta do que revelara, Camus olhou para o médico e cansado de guardar esse segredo com ele contou o que houve com o pai. — Ele foi assassinado, eu o vi morrer.
— Não, Camus, não! Chega de mentiras, não vou acreditar em histórias fantasiosas! Seu pai morreu num acidente de carro! — Ralhou Aioros por não acreditar nas palavras do ruivo.
— Ele não sofreu um acidente de carro, o carro explodiu assim que ele girou a chave! Meu pai estava discutindo com alguém ao telefone, dizendo que o mundo iria ter acesso a cura de muitas doenças, antes de sair meu pai me orientou a pegar as passagens e fugir para Grécia se algo acontecesse com ele, e pediu para que procurasse você. — Começou Camus explicando os detalhes para que Aioros acreditasse nele. — Pedi para que ele não saísse, eu pedi para ele ficar, mas ele não me ouviu... Quando ele ligou o carro tudo explodiu, vi tudo da janela, eu vi tudo.
— Mas, Camus quem teria o interesse de mata o seu pai? Por quê? — Aioros questionou, mas não tão incrédulo dessa vez.
Lembrou que Crystal havia entrado em contato consigo dizendo que havia feito uma grande descoberta e o convidando para trabalharem juntos naquela pesquisa. Mas o amigo não entrou em detalhe, apenas disse que seria a cura para várias doenças e que aquela descoberta acabaria com a milionária indústria farmacêutica.
— Camus, isso é muito sério! Mais um motivo pelo qual você deveria ter confiado em mim! — Exclamou Aioros voltando ao assunto que o levou até ali. — Quando achei essa foto, fiz as contas e cheguei à conclusão de que você não tinha mais que quatorze ou quinze anos quando começou a se prostituir, não é mesmo, Camus?
O ruivo o encarou com seus olhos úmidos sem responder aquela pergunta.
— Quero saber quem foi que te levou para essa vida, você não pensaria em fazer isso do nada, quem foi, Camus? Quem fez isso com você? — Aioros perguntou sério, sabia que Camus fora vítima de exploração sexual infantil, entre outros abusos, o mínimo que poderia fazer agora era colocar o criminoso que o levou a este caminho atrás das grades.
Camus, contudo, não enxergava Saga como o vilão, afinal devia muito a ele, bem ou mal o moreno o ajudou a ganhar dinheiro, a sustentar seus irmãos e a manter sua família unida. Para Camus, Saga era a pessoa que o havia ajudado.
Mesmo com as agressões físicas que o moreno lhe infligia em algumas ocasiões, Camus se achava merecedor delas no final das contas, pois sempre que Saga o agredia era por que ele, Camus, havia feito algo que o desagradava.
Saga não era um vilão, era a pessoa que havia lhe estendido a mão.
Este era o pensamento do ruivo.
Então, disposto a defender Saga, Camus se pôs na defensiva. — Por que isso agora? Por que você não me deixa em paz? Ninguém me obrigou a nada! Tudo que fiz foi por minha vontade, você não sabe nada a meu respeito!
— Eu quero saber, Camus! Vamos, me diga! Quem o aliciou? — Aioros continuou a questionar sem se abalar com as palavras de Camus.
— Me deixa em paz! Não vê que estou cansado? Tenha piedade de mim! — Pediu Camus a beira de um ataque de nervos.
Neste momento Marin chegou, e como era de costume a moça abriu a porta sem se fazer avisar, principalmente por ter ouvidos os gritos do lado de fora.
A cena que a moça viu foi Camus sentado, com os olhos vermelhos e inchados, abatido e um homem desconhecido o encarando de forma séria.
— Quem é você? E o que está fazendo com o Camus? — Questionou a moça indo abraçar o amigo que correspondeu seu abraço e afundou a cabeça em seu pescoço.
— Ele é o Doutor Aioros, médico do Isaak. — Camus revelou.
— E por que ele está aqui? É o Isaak? — Marin questionou preocupada, mas Camus logo a tranquilizou.
— Não, ele está bem. Vai ficar tudo bem. — O amigo respondeu, ainda entre soluços.
Marin, então, olhou para Aioros e soltou o que estava entalado em sua garganta há tempos. — Você é o amigo do pai dele?
— Sim, sou eu. — O médico respondeu sério. — E você, quem é?
— O que você está fazendo aqui? — Marin perguntou sisuda.
— Acho que não é da sua conta, esse é um assunto entre ele e eu.
— Ele é meu amigo, e eu vou te dizer que nunca engoli o fato de que o amigo do pai dele, a única pessoa que o Camus tinha aqui neste país, nunca ter aparecido aqui, nunca ter se importado com o bem-estar dos três filhos de seu amigo falecido. — Marin falou acusatória.
— Você é amiga dele? Sabe o que ele faz pra viver? — Perguntou Aioros mudando o foco da conversa.
Camus o olhou indignado, não que Marin não soubesse da sua profissão, mas pelo fato de o médico o expor daquela forma. — Chega doutor, Aioros! Você está passando dos limites!
Mas Marin tomou a defesa do amigo e rebateu o médico. — Eu sei sim, o que o Camus faz pra viver, e te digo que tenho muito orgulho dele, mas muito orgulho mesmo!
— Ah! Tem orgulho? E você é a cafetina dele, por acaso? — Perguntou Aioros acusador. — Você compactua com a prostituição de um menino de quatorze ou quinze anos? — Ao ver a expressão se surpresa na face da moça, Aioros continuou. — Sim, moça, essa era a idade que ele tinha quando começou a “trabalhar” nisto que você diz se orgulhar.
— Já chega! Sai daqui agora! — Camus mandou, a amiga não sabia desse detalhe de sua vida, e Aioros estava passando dos limites. — É tarde para suas preocupações doutor Aioros, eu precisava delas há cinco anos , hoje realmente não preciso nem da sua pena, e nem da sua ajuda, hoje você não passa de médico do Isaak e não te dou o direito de falar da minha vida e nem do que faço para viver. Por favor, vá embora agora! — Camus se levantou e abriu a porta para que o médico saísse.
Aioros o encarou, olhou para Marin e antes de sair pediu. — Moça, se você souber quem foi o aliciador dele, me avise. Esse homem precisa ir para a cadeia.
Assim que o médico saiu, Marin olhou para Camus consternada. — Camus.
— Não tive escolha, Marin, ou eu fazia, ou iríamos parar todos num abrigo. — Disse Camus antes que a amiga o envolvesse em seus braços novamente.
— Sinto muito meu amigo, muito mesmo. — Marin sabia que aquele não era o melhor momento para que eles conversassem sobre aqueles fatos, mas, ela voltaria a eles. A moça podia não gostar do médico pela ausência dele na vida de Camus, mas precisava concordar que Saga merecia ir pra cadeia.
*-*-*-*
Carlo foi levado até um quarto no interior da Santuary, ou melhor... da Inferno de Hades. O detetive não saberia dizer no que estava pensando quando pediu para ir ao quarto com o belo rapaz que estava cantando no palco. Nunca gostou de afeminados andrógenos, não, seu gosto sempre foi por homens másculos como o seu Shura.
Então, por que diabos havia pedido esse rapaz? Claro deve ser justamente para que eu não me envolva. Pensava o italiano com a cabeça a mil quando ouviu um barulho na porta, institivamente colocou a mão sobre sua arma que estava dentro da calça. Porém, quando viu o rapaz entrando, relaxou.
— Ah! Você? — Exclamou Afrodite quando viu quem seria seu cliente.
— Olá, Belo, você canta divinamente. — Carlo elogiou, estava nervoso como um adolescente.
— Você estava prestando atenção? Achei que estava só animado por causa da chupada que estava recebendo. — Comentou o michê indiferente, Afrodite não era conhecido por perdoar ofensas facilmente.
— Não, o garoto estava fazendo um bom trabalho, mas quando te vi no palco... Não sei explicar. — Continuou Máscara da Morte.
Sem acreditar naquele homem, e sem muita paciência para ser gentil tampouco, Afrodite perguntou direto: — E então, vai querer fazer o quê?
— Só quero te ouvir cantar, faria isso pra mim? — Perguntou Carlo pegando Afrodite completamente de surpresa, o loiro não estava acostumado a não despertar o tesão nos homens que, em geral, só queriam sexo e mais nada.
Olhando desconfiado para seu cliente voltou a perguntar: — Está me dizendo que você só quer me ouvir cantar?
Sorrindo Máscara confirmou.
Sorrindo, pois assim conseguiria manter seu disfarce e não precisaria usar o pobre rapaz, que com certeza já sofria muito ali naquele lugar.
Carlo então se sentou na cama, se acomodando confortavelmente e Afrodite um pouco sem graça, procurou um lugar no quarto e começou a cantar.
Havia tanto tempo que não era tratado como pessoa, que o loiro por vezes corou, enquanto o outro o olhava admirado.
*-*-*-*
Apesar de estar cansada da viagem Marin fez um chá de camomila para Camus e o fez se deitar na cama, o amigo estava completamente fragilizado ainda tinha nas mãos a fotografia que o médico havia lhe entregue.
Marin olhou para a foto e puxou assunto. — É você aí?
Camus confirmou com a cabeça sem nada dizer.
— Quem são essas pessoas? — A amiga perguntou mesmo identificando o médico entre os rapazes.
— Esse aqui é o meu pai, foi logo que Isaak nasceu, ele me levou pro trabalho dele. — Respondeu Camus.
Marin analisou a foto, a expressão do menino que sorria, tendo o pai ao seu lado. Ficou consternada, Camus decididamente não teve uma vida fácil.
— Camus, meu amigo, quantos anos você tem hoje? — Ela precisava saber afinal.
Camus a olhou nos olhos e respondeu falando enfim a sua verdadeira idade. — Fiz dezenove agora em fevereiro.
— Oh! Meu bem, eu sinto tanto... — Marin falou abraçando o amigo, eles se conheciam há três anos, isso quer dizer que Camus ainda era menor de idade quando eles se conheceram e quer dizer também que o médico estava certo, Camus já trabalhava para Saga e tinha um envolvimento amoroso com o aliciador.
Mas o que ela poderia fazer? Sabia que Saga era perigoso e poderoso.
— Não tive muita escolha, Marin. Era isso ou ir parar num abrigo, você acha que Isaak teria sobrevivido em um abrigo? — Camus perguntou e Marin apenas o aconchegou nos braços.
Não poderia julgar as atitudes de Camus, que mesmo sem perceber era a vítima naquela história, mas não adiantaria discutir aquilo naquele momento.
*-*-*-*
Milo chegou a seu apartamento e logo foi recebido pelo gato Scorpion, que foi miando ao encontro do seu humano. O loiro instintivamente pegou o felino no colo e foi para a cozinha o alimentar.
Não tardou para que o herdeiro da Kapino entrasse em seu quarto e se jogasse em cima de sua aconchegante cama.
Milo tinha na boca o gosto dos lábios de Camus, gosto esse que não saía de sua mente.
Queria Camus, queria o beijar, queria amar... sim esse era o termo correto... amar, e não apenas transar sem compromisso, pagando pelo sexo.
Não queria o Aquário, queria o Camus.
Mas e sua vingança? Onde ficaria? Seria capaz de esquecer as ofensas do ruivo sedutor?
Mas, ao mesmo tempo o ruivo era uma pessoa com a vida tão fodida, como prejudicar ainda mais uma pessoa dessas?
A cabeça de Milo martelava sobre todas as coisas e fatos. Logo o gato foi ao seu encontro em cima da cama.
— Já comeu? Seu gato guloso!
O gato deitou e começou a se lavar.
— Eu fui lá no hospital, fui ver se o Camus precisava de alguma coisa, não me olhe assim, estou falando a verdade.
O pequeno Scorpion o encarava de quando em quando.
— O Hyoga apareceu por lá, vou trazer ele aqui algum dia, você vai adorar ele, é um menino especial, sabe?
Milo continuava seu monólogo com o gato.
— Depois eu os levei pra casa, cozinhei para eles... Eu o beijei!
Meow
Milo ouviu o miado.
— Eu sei, eu sei... Que dizer, eu não sei... Não sei mais o que estou fazendo sabe, seria muito mais fácil se o Camus fosse um canalha de fato. Mas ele é uma pessoa incrível, faz de tudo pelos irmãos, eu vejo como ele se preocupa com o Isaak e como cuida do Hyoga. Não sei o que eu tô fazendo, nem o que eu tô sentindo. — Comentou Milo cobrindo os olhos com o braço.
O gato se aproximou pedindo carinho.
— Você quer carinho, né seu descarado? Quem não quer um carinho?
Milo ficou lembrando os momentos em que passou com Camus e seu irmão, e em como estar aqui junto deles lhe transmitia uma sensação de lar há muito tempo esquecido.
Ele seria capaz de esquecer o que Camus fizera?
*-*-*-*-*-*
Saga estava no seu quarto em sua mansão, olhava fixamente para a tela de sua tv no aparelho estava a imagem de Camus, ainda garoto, na sua primeira vez.
Saga não teve coragem de se desfazer das imagens, aliás, o moreno tinha esse fetiche de guardar as filmagens dos seus atores quando faziam o primeiro teste em sua produtora.
Mas as imagens de Camus tinham um valor diferenciado para ele. Saga não sabia explicar, mas a inocência que Camus tinha quando chegou ali pela primeira vez o encantou para sempre.
Saga manipulava o pênis olhando para sua imagem deflorando o adolescente.
Corpo tão perfeito, botão rosado e apertado. Mal sabia beijar naquela ocasião.
Se hoje Camus é um excelente amante deve agradecer a mim. — Pensou.
No vídeo, Camus deixava escapar algumas lágrimas, enquanto Saga arremetia de encontro ao seu corpo. O moreno sabia que as lágrimas não eram só por causa da dor, havia ali medo, fragilidade e insegurança, três sentimentos que sempre garantiram a Saga o domínio sobre o ruivo.
— Hnnng! — O aliciador gemeu enquanto se derramava em suas mãos.
— Eu, Saga Nikolos que, posso ter o homem que eu quiser pra me satisfazer, fico aqui batendo punheta pra você Camus, seu feiticeiro. — Declarou Saga sorrindo.
*-*-*-*-*
Shaka foi cedo para o laboratório, infelizmente teria que informar a Milo sobre a perda das amostras e verificar com o RH o novo candidato a assistente. Sim, o loiro deixou bem claro que não trabalharia mais com estagiários.
Logo que chegou a empresa se dirigiu para a sala de Milo, o chefe ainda não estava na empresa, encontrou Aioria que também estava esperando para conversar com Milo.
— Bom dia, Shaka. — O advogado cumprimentou sorridente. Gostava de saber que despertava desejos no loiro, mesmo sabendo que não o corresponderia.
— Bom dia, Dr. Aioria. — Respondeu o loiro cortês.
— O que te trás aqui logo cedo? — Quis saber o advogado.
Shaka suspirou, odiava erros e odiava admitir seus erros e pior, odiava ter a admitir erro dos outros.
— Preciso avisar ao Milo sobre a perda do material recolhido daquele paciente, o garoto que está em tratamento com o Dr. Aioros. — Revelou sério.
— Perderam o material? Como? — Quis saber o advogado que também estava interessado nos resultados.
— O idiota do estagiário desligou o refrigerador, perdemos o sangue, e o pior não é isso, eu encontrei na amostra que estava analisando, uma substância suspeita. — Revelou Shaka sua descoberta.
— Como assim, suspeita? — Questionou o leonino com genuíno interesse.
— Havia no sangue do menino uma substância que anula o agente principal do nosso medicamento, mas precisaria tirar a contra prova nas outras amostras para ter cem por cento de certeza. A análise só em uma amostra nada vale judicialmente e nem cientificamente. — Tornou Shaka.
— Você está me dizendo que o ruivo está sabotando o tratamento do irmão? Com que intenção? — Começou a conjecturar os motivos. — Ou esse ruivo é um psicopata, ou ele é mais esperto do que pensávamos.
— Como assim? — Questionou Shaka.
— Ele pode estar colocando a vida do garoto em risco para processar nosso laboratório. — Deduziu Aioria. — Shaka, vamos pra minha sala, quero saber detalhes disso e não quero que fale nada para o Milo por enquanto. Eu quero tomar algumas providências antes.
*-*-*-*-*
Shaka estava em seu laboratório quando Milo chegou.
— Shaka, disseram que você estava a minha procura, o que houve?
Como Aioria pediu para o que biomédico não comentasse nada com Milo sobre os resultados dos exames de Isaak, Shaka apenas respondeu: — Eu dispensei o estagiário e contratei um novo assistente. Não vou mais trabalhar com estagiários!
— E você precisava vir a minha sala dizer isso pra mim, por quê? — Perguntou Milo confuso.
— Porque o seu RH não estava querendo liberar meu pedido, mas acho que já foi tudo resolvido. — Shaka respondeu, neste momento entrou a moça dos recursos humanos com um rapaz oriental, bonito, másculo apesar de aparentar pouca idade.
— Senhor Shaka, esse é o Ikki o rapaz que veio fazer os testes para ser seu novo assistente.
Shaka por um momento ficou parado em silêncio observando o rapaz que lhe estendeu a mão. — Muito prazer, senhor Shaka, já li muito a seu respeito e espero estar à altura do seu laboratório.
Milo sorriu malicioso observando o embaraço do amigo e o cutucou.
Como saído de um transe, Shaka estendeu a mão e falou de forma arrogante. — Espero que esteja à altura também, Ikki, seu currículo é invejável, quero adverti-lo que não tolero erros, descuidos e desatenção. Não costumo dar uma segunda chance, você será avaliado sempre enquanto estiver por aqui, mesmo que seja efetivado, sua avaliação será constante.
Ikki escutou tudo com atenção, e logo Shaka chamou o Petros para mostrar o laboratório para o novato.
Milo que estava observando o tempo todo depois que o rapaz saiu falou. — Não pode fazer teste do sofá aqui, senhor Shaka.
— O quê? Oras que bobagem, Milo! — O biomédico e corado.
— Acho que o Aioria vai perder o posto de favorito. — Milo continuou a perturbar o amigo.
— Milo, vá à merda, e sai daqui! Eu preciso trabalhar. — Mandou Shaka fazendo o amigo sorrir antes de sair.
*-*-*-*-*-*
Shura chegara de viagem, realmente a viagem que fez para a França ajudou em alguns pontos, mas também abriu novos questionamentos.
Pegou o celular e enviou uma mensagem para Carlo.
"Cariño, cheguei de viagem tenho algumas informações para passar.
Venha o quanto antes.
Ps. Estou com saudades."
Pegou seu caderno de anotações e algumas matérias dos jornais sobre o acidente de Crystal Versau. Shura sabia que aquele acidente nada tinha a ver com Saga, contudo, havia algo de muito errado naquela história e ele tentaria descobrir o que era.
Quando a campainha tocou, Shura sobressaltou por estar distraído, achando que se tratava de Carlo, o espanhol tirou a camisa, como se estivesse à vontade em sua casa. Sabia que o ex namorado não resistia à exposição do seu corpo definido.
Mas, ao abrir a porta a surpresa do policial foi que ao invés de encontrar Carlo, quem estava parado a sua frente era Aioros, irmão de seu amigo Aioria.
— Aioros? O que faz aqui? — Perguntou Shura surpreso.
— Olá, Shura, eu peguei seu endereço para o meu irmão, será que posso entrar? — Aioros perguntou tentando não olhar para o dorso definido do outro.
— Claro, claro desculpe entre. — O espanhol deu passagem o médico que adentrou no local.
— Aconteceu alguma coisa? Digo nós quase nunca nós falamos e de repente você está na minha porta, você está com algum problema? — Perguntou Shura, imaginando que o irmão de seu amigo tivesse se metido em alguma encrenca e talvez estivesse ali para pedir favores.
Shura era ético estava receoso que o irmão do amigo lhe pedisse pra infringir a lei.
— Bom você deve estar se perguntando por que vim até aqui e não o procurei na delegacia? Bom o assunto é delicado, não queria tratar desse assunto lá. — Começou Aioros, que sem querer acabara analisando o dorso nu do espanhol.
Sem perceber os olhares de Aioros, Shura continuou. — Sim, de fato estou curioso, não costumo atender nenhuma ocorrência na minha casa. — Soltou para que o outro pensasse no que iria pedir. — O espanhol respondeu pedindo licença e pegou a camisa abandonada em uma cadeira e vestiu a peça.
— Shura, posso te chamar assim? — Perguntou o médico recebendo uma confirmação com a cabeça, então continuou. — Shura, descobri que o filho de um ex-professor e amigo, foi levado à prostituição com quatorze ou quinze anos, quero muito que o aliciador seja preso! Eu devo isso ao pai dele.
— Calma, você está falando que sabe onde estão os responsáveis pela prostituição infantil? — Shura perguntou com real interesse.
Suspirando triste, Aioros respondeu. — Não, infelizmente não. O crime aconteceu e acontece, porque o rapaz continua a se prostituir, há cinco anos. Veja, esse aqui é o Camus, ele se prostitui e faz filmes pornôs com o nome de Aquário. — O médico mostrou uma foto de Camus criança, tirada no mesmo dia em que a outra foto que entregou ao filho de seu amigo.
Shura pegou a foto olhando surpreso, não estava acreditando na coincidência, ficou em silencio pensando no que dizer então olhou para Aioros e disse. — Você fez bem em me procurar aqui, esse assunto é muito sério e perigoso. Acho que sei quem fez isso com esse garoto, mas antes quero que me conte tudo que sabe e também quero te pedir para que não comente isso com mais ninguém. Aioros, estamos falando de gente muito perigosa que pode colocar nossa vida em risco se souberem que estamos investigando.
O médico olhou assustado para o policial ao concordar com o sigilo.
— Sou o culpado por ele ter entrado nesta vida, eu deveria ter dado maior suporte e ele e aos irmãos... e agora o Camus está envolvido com pessoas perigosas, meu Deus! — Se lamentou Aioros.
— Sim, ele está envolvido com pessoas muito perigosas, este garoto se tornou amante de Saga Nikolos, um dos homens mais perigosos da Grécia, se esse homem sonhar que estamos investigando alguma coisa, a vida desse rapaz vai correr riscos, por isso eu estou avisando o quão importante é o sigilo neste caso, ok? — Shura tornou a frisar o perigo. — Agora, preciso que me conte tudo que sabe sobre esse conte tudo que sabe sobre esse rapaz.
....
— Isso é tudo que eu sei, eu tentei falar com o Camus sobre quem o aliciou, mas ele se recusou a falar e ainda inventou uma história fantasiosa sobre o pai ter sido assassinado. – Falou Aioros findando sua narrativa. – Eu descobri há pouco essa vida dupla do Camus, na realidade descobri a verdade por acidente, o desmiolado do Milo me viu consolando o rapaz, entendeu errado e acabou fazendo um escândalo. — Aioros parou de falar por um minuto lembrando-se de algo, — Shura! O Milo está se envolvido com o Camus! Não sei que tipo de relacionamento eles têm, se é comercial ou se é afetivo, mas se o Camus é amante desse tal Saga, o Milo corre perigo se envolvendo com ele, não corre?
Shura fitou o médico com a expressão preocupada. — Que nível de envolvimento você acha que o Milo tem com esse rapaz?
— O irmão do Camus, Isaak, está internado há quatro dias e o Milo está pagando as despesas médicas do menino, vai todos os dias ao hospital fazer companhia ao Camus, sem contar que ontem quando fui à casa do Camus, vi o Milo saindo de lá e já era tarde da noite. — Revelou Aioros, observando a expressão preocupada do amigo de Milo, o policial Shura.
— Vou tentar manter o cabeça oca do Milo afastado desse rapaz, como estamos falando do herdeiro dos Kapinos, não acho que ele corra risco eminente, mas vou conversar com ele. — Avisou Shura.
Saga não iria fazer nada contra Milo por impulso, mas poderia forjar um acidente. — Pensou Shura.
Quando a campainha tocou, Shura se levantou para atender, já imaginando quem seria.
— Desculpe, está esperando alguém? — Aioros perguntou.
— Sim, mas fique à vontade. — Respondeu o espanhol indo até a porta.
Assim que o espanhol abriu a porta foi agarrado por um Carlo cheio de tesão que beijou sua boca, sem dar tempo de Shura protestar.
Aioros baixou os olhos quando viu a cena.
Shura finalmente conseguiu afastar o italiano que o olhou interrogativo quando Shura fez um sinal com a cabeça, Carlo finalmente viu que o espanhol estava com visita.
Os três trocaram olhares constrangidos, e Shura falou. — Aioros, você se lembra do Carlo, não é mesmo?
— Claro, sim... vocês moraram todos juntos, me lembro de você. — O médico se referiu aos tempos de faculdade de Aioria, ele estendeu a mão para cumprimentar o italiano.
— Carlo, você se lembra do Aioros, irmão do Aioria? — Shura perguntou quebrando a tensão.
— Como vai? — Perguntou o italiano tentando não parecer sisudo, mas falhando consideravelmente.
Aioros não sabia que Shura era homossexual e muito menos que tinha um romance com Carlo, claro que seu gaydar já havia apitado para eles, mas os dois sempre pareceram tão discretos, enfim, o médico se perguntou mentalmente como o irmão conseguiu se manter hétero morando com aqueles três homens lindos? — Bom, eu já estou de saída, obrigado por me receber.
O médico disse se despedindo.
Assim que Aioros deixou o apartamento de Shura, Carlo logo questionou. — O que ele queria aqui?
Pegando duas taças e a garrafa de vinho Shura respondeu. — Carinõ é melhor você sentar, pois não vai acreditar no que eu vou te contar.
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