Na Real

15 Capítulo 15 - Intimidade


Notas iniciais
Olá olha a surpresinha da madrugada XD!!! Eu não iria postar o capítulo novo até que eu terminasse de responder os comentários do capítulo anterior, mas eu não resisto então... AQUI ESTÁ ELE!!! Essa atualização é o meu presente de aniversario para vocês, sim dia 29/07 estarei ficando mais velha T_T e quero dar esse capítulo de presente. Tenho que agradecer a Vivi que com tantos problemas pessoais nunca me deixa na mão, Vivi eu te amo demais!!!! Amelinda minha linda, bora relaxar um pouco depois de tanto tempo estudando! Chega de papo e vamos lá

Na Real — Capítulo 15

— Então quer dizer que o Aioros, irmão do nosso amigo Aioria não só conhecia o tal ruivo como também conhecia sua família? Caralho que mundo pequeno. — Comentou Carlo bebendo um gole de vinho.

— Cariño tudo que ele contou aqui bate com o que descobri lá na França, o garoto fugiu com os irmãos quando era apenas um adolescente. — Shura esclareceu.

— Caspita! Mas, por que ele fugiu? Ele tem alguma coisa a ver com a morte do pai, por acaso? — Carlo arriscou.

Shura, que tinha sua mente de policial trabalhando a mil, contou os detalhes do caso. — Não creio que o garoto tenha algo a ver com isso. O pai dele morreu em um atentado, o carro explodiu, uma bomba foi encontrada no veículo. Contudo, o mais curioso é que o caso foi abafado. Veja que o ruivo veio em fuga para a Grécia, tendo pouco mais que catorze anos e ainda carregando duas crianças menores, e ninguém investigou isso.

Shura levantou do sofá, gostava de se movimentar enquanto sua mente trabalhava. — Carlo, não vi esforço nenhum das autoridades francesas para encontrar o paradeiro dessas crianças, é como se quisessem que tudo ficasse escondido. Mas o que me chamou mesmo a atenção foi algo que o Aioros falou hoje.

— O quê? — Quis saber Carlo.

— Ele me revelou que o ruivo do Milo contou a ele que seu pai foi assassinado, e que antes de morrer seu pai havia lhe dado às coordenadas para vir para a Grécia caso algo acontecesse com ele. Carlo, o homem estava sendo ameaçado.

— Ameaçado por quem? Shura, vamos perder o foco que é o Saga.

— Cariño, Crystal du Versau estava trabalhando em algo novo que visava a cura para muitas doenças autoimune, e ele trabalhava para Klaus Kapino! — Shura olhou para o detetive com olhos sombrios.

Carlo levantou e foi até as garrafas de bebidas que o espanhol tinha num pequeno bar, pegou a garrafa de whisky, precisava de algo mais forte que vinho, e se servindo de uma dose, virou o conteúdo de uma vez. — Dio Santo! Shura, você acho que o velho Kapino pode ter alguma coisa com isso?

— Pesquisei sobre a morte do Crystal, mas quando filtrei as informações na internet por “cientista da Kapino morto em acidente”, me vieram quatro pessoas diferentes e com o mesmo tipo de morte.

Carlo encheu outro copo e deu para Shura. — Realmente precisamos de uma bebida mais forte. — Carlo bebeu o conteúdo de seu copo, olhou para o seu grande amor e falou. — É, parece que temos outro caso complicado em mãos.

Shura assentiu.

Ficaram em silêncio por alguns instantes, mas Shura que sentiu sua barriga roncar sugeriu. — Cariño, vamos sair para jantar?

Carlo o olhou cheio de saudade, não teria como resistir àquele homem, amava Shura, não queria se envolver com ele novamente, mas não o tinha tirado da cabeça desde a última noite que tiveram juntos.

Por este motivo entrou acelerado em seu apartamento o beijando daquela forma impetuosa, só não contava com a presença de Aioros, mas agora Shura estava ali. Só pra ele.

Shura, percebendo os olhares do italiano sobre si, estreitou o olhar sorrindo malicioso. — Cariño, você chegou aqui me dizendo algo na hora que abri a porta, você quer voltar ao assunto? — O espanhol falou sedutor.

Carlo sorriu safado e se aproximou do outro. — Eu estava querendo dizer que quase morri de saudades, e que não consegui tirar você da minha cabeça nesses dias, maletedo! Ainda amo você!

Shura sorriu e sem precisar ouvir mais nada, beijou seu italiano cabeça dura, amava aquele homem, o tinha feito sofrer no passado, mas se ele estava lhe dando uma nova chance, então a pegaria com unhas e dentes nem que pra isso tivesse que tornar seu relacionamento público.

Shura percebeu que não se importava mais com a opinião alheia quando Carlo o beijou na frente de Aioros, e ele não ficou constrangido pelo fato de estar sendo beijando por um homem, e sim só por estar sendo beijado.

— Vem, Cariño... vamos para o meu quarto. — Shura o puxou pelas mãos.

O jantar ficaria para mais tarde.

*-*-*-*

Camus chegou cedo ao hospital, levou Hyoga consigo, Aioros havia dito que seu irmão teria alta naquele dia, e como era final de semana, Marin saíra para resolver alguns assuntos de trabalho, a DJ estava fechando acordo com uma casa noturna muito badalada na noite grega e Camus havia dado folga a Zaíra naquela dia.

Ao chegar Camus encontrou com Dr. Aioros que estava examinando Isaak, o médico sorriu ao vê-los entrar no quarto.

Isaak estava num quarto apartamento sozinho com todos os luxos que os irmãos não estavam acostumados, obviamente o tratamento diferenciado se dava pelo fato de Milo está custeando as despesas médicas do menino e de a empresa do loiro ser uma das principais investidoras do hospital.

— Camus, que bom que chegou. — Dr. Aioros falou cumprimentando os recém-chegados.

— Bom dia, Doutor Aioros. — Camus cumprimentou frio, desde a visita do médico a sua casa não se sentia mais à vontade na presença do profissional.

— Vou assinar a alta do Isaak hoje, conforme te expliquei, devido a baixa imunidade, o quanto menos Isaak permanecer no hospital, melhor! — Virando-se para o menino completou. — Nada de escola por enquanto, ok?

Hyoga suspirou triste, queria ele poder ficar em casa.

Aioros notou a reação do menor e apenas sorriu.

— Camus, quero falar com você na minha sala um minuto, você poderia me acompanhar? — Pediu o médico.

Camus o encarou por alguns segundos e concordou, afinal, o médico poderia estar querendo dar alguma recomendação para o tratamento do irmão.

— Claro, Hyoga e Isaak comportem-se, eu já volto.

O ruivo seguiu o médico em silêncio quando entraram na sala, o médico fechou a porta para não serem incomodados.

— Camus, preciso me desculpar com você. — Começou Aioros enquanto Camus se moveu incomodado na cadeira. — Errei com vocês no passado, e errei com você agora no presente, sei disso, eu não tinha o direito de ir a sua casa, falar daquela forma com você.

Camus mantinha os olhos baixos, sem encara o ex-aluno do seu pai.

— Tudo bem, tá tudo bem doutor Aioros. — Camus falou sem emoção.

— Camus, me deixe te ajudar, quero colocar o tal Saga na cadeia por tudo o que ele fez com você. — Pediu Aioros fazendo Camus se levantar rápido e indignado.

— Como sabe do Saga?

— Não importa como eu sei, o que importa é que quero te libertar desse canalha. — Disse Aioros.

— O Saga me ajudou e vem me ajudando durante todos esses anos nos momentos em que eu mais precisei, deixe-o em paz! — Camus devolveu firme e cortante, se levantou e falou. — Isaak está de alta, vou levá-lo para casa, com licença.

O garoto de programa saiu deixando o médico em silêncio o encarando.

Não era só por gratidão que Camus pediu para Aioros deixar Saga em paz, o ruivo sabia do gênio difícil de seu agente, temia que o moreno tivesse alguma reação violenta se soubesse sobre o médico estar querendo o investigar e colocá-lo na cadeia.

Saga jamais deixaria isso barato.

....

Quando Camus chegou no quarto Isaak e Hyoga estavam cochichando e dando risadinhas.

— Posso saber o que os dois estão tramando? — Perguntou Camus parecendo sério, mas com sorriso no canto nos lábios, ver Isaak bem era um alívio para o seu coração.

— Nada não... — Hyoga começou a dizer quando olhou para a porta e abriu um sorriso. — Milo!

O garoto foi correndo abraçar o mais velho, pegou em suas mãos o levando para perto de Isaak. — Isaak esse é o Milo.

Milo sorria com a atitude do menino, olhou para Camus sorrindo em cumprimento e esticou a mão para cumprimentar Isaak. — Olá, famoso Isaak, muito prazer.

— Oi. — Isaak respondeu ao cumprimento dando as mãos ao rapaz.

Hyoga foi até o ouvido do irmão cochichando alguma coisa e os dois soltaram risadinhas, para a vergonha de Camus que já estava imaginando o teor da "fofoca" de Hyoga.

Tentando disfarçar, para que Milo não percebesse a traquinagem dos irmãos, Camus chamou a atenção do loiro. — Milo, que surpresa.

— Oi, Camus, soube que o Isaak teria alta hoje e vim para levá-los para casa.

— Não era necessário você ter todo esse trabalho Milo, eu poderia pegar um táxi, acho que na próxima semana meu carro já vai estar pronto, na realidade nem tive tempo de ir ao mecânico com tudo isso que aconteceu nesses últimos dias.

— Eu sei, imaginei. Mas não é trabalho algum eu vim por vontade e vai ser um prazer levar vocês pra casa. — Tornou Milo sincero.

— Isaak, o Milo faz um macarrão com um molho verde. — Hyoga comentou fazendo careta que foi seguido pelo irmão. — Mas é bem gostoso! É o macarrão do incrível Hulk!

Milo gargalhou ao escutar o novo apelido do seu molho pesto.

— Se vocês quiserem, posso fazer o macarrão do Incrível Hulk pra vocês hoje! — Sugeriu o herdeiro dos Kapino enquanto os meninos comemoravam.

— Imagine! Não Milo, já estamos te dando tanto trabalho ficar fazendo você cozinhar pra gente seria um absurdo! — Camus começou negando a ideia.

— Camus, por favor, não me impeça de usar os meus dotes culinários! — Pediu Milo, fazendo bico. — Eu quase nunca tenho fãs da minha culinária para degustar minha comida.

Camus girou os olhos e concordou enquanto os meninos comemoravam.

Em parte Camus concordou por saber que sempre que o irmão chega do hospital fica enjoado para comida e algo diferente o faria bem.

Camus havia levado a cadeira de rodas de Isaak, o irmão estava fraco para ficar andando, apesar das malcriações Isaak, acabou aceitando ir até o carro de Milo na cadeira de rodas.

Isaak a usava em algumas ocasiões, em geral preferia usar as muletas ou nem isso quando estava em casa, mas o garoto sabia que o caminho do quarto até onde ficavam os carros era demasiadamente longo para ele percorrer andando naquele momento, então resignado sentou na cadeira.

Milo notou a tristeza do menino ao sentar na cadeira de rodas, aquele tipo de situação não era fácil pra um adulto, para uma criança era muito pior, ou melhor, um pré adolescente. Afinal o menino tinha apenas onze anos.

Camus pegou as coisas do irmão. — Vamos indo então.

— Isaak, deixa eu ir aí com você! — Pediu Hyoga.

— Claro que não, Hyoga você vai andando. — Ralhou Camus, mas Milo sentiu que aquela era uma boa oportunidade para animar Isaak.

— Deixa o Hyoga ir no colo do irmão a gente vai correr até o carro. — Falou o loiro piscando para os meninos.

Camus terminou de assinar os papéis da alta médica, enquanto Milo foi na frente com os meninos.

Um vez no estacionamento Milo corria com a cadeira de rodas girando de um lado para o outro, os meninos riam e gritavam divertidos na algazarra preparada por Milo.

— Ei! O que pensa que está fazendo? Quer matar os dois? — Chegou Camus bronqueando com Milo, e virou para os irmãos. — E vocês dois, que bagunça é essa? Isaak você acabou de sair do hospital, já quer voltar?

Os três pararam a bagunça e ficaram olhando para baixo enquanto Camus reclamava.

— Milo, você parece mais criança que eles. — Continuou reclamando Camus.

— Desculpe, Camus. Juro que não faço mais. — Milo respondeu traquina piscando para os dois garotos.

— Isaak, tá tudo bem, você não está enjoado ou algo assim? — Perguntou o irmão mais velho com real preocupação analisando o rosto do irmão.

— Eu tô bem mano, sério! Queria ir ao parque ver gente, tomar um pouco de sol. — Pediu o garoto.

— Não sei Isaak, o doutor Aioros pediu para que você não ficasse em lugares com muita gente. Acho que não é uma boa ideia. — Respondeu Camus.

— A gente pode fazer assim, vamos passar no parque central, lá é bem grande a gente dá uma volta, não demoramos muito, mas o Isaak vai poder ver um pouco do mundo externo, porque ficar do hospital pra casa é muito ruim. — Milo opinou e os irmãos menores encararam Camus, esperançosos.

— Tá bom, vai ser uma coisa rápida de no máximo meia hora, ok? — O irmão concordou arrancando vivas dos menores.

Milo sorriu para o ruivo antes de ir ajudar a acomodar Isaak no carro e guardar a cadeia de rodas no porta malas.

...

Chegando no parque central Camus olhou inseguro para o lugar, não podia negar que passear por entre as árvores tomando um pouco de ar fresco faria bem ao seu irmão, aliás, faria bem aos dois, pois Hyoga também havia passados esses dias todos praticamente dentro de casa, mas ainda assim seu coração apertava de preocupação.

— Vamos, só alguns minutos vai fazer bem aos meninos. — Milo incentivou e Camus acabou concordando para alegria dos meninos.

Camus insistiu para que tanto Isaak quanto Hyoga colocassem bonés, Isaak foi na cadeira de rodas, mas ainda assim sua expressão era de alegria.

Milo se sentia muito bem com Camus e seus irmãos, uma sensação de pertencimento a um lugar, sensação de família, de lar. Há tempos não tinha momentos tão leves em sua vida.

Camus estava confuso, feliz por seus irmãos estarem se divertindo, observando os pássaros e as capivaras que estavam no lago, mas apreensivo com a aproximação de Milo com sua família.

Sua preocupação maior era justamente por estar feliz, e era isso que o assustava.

*-*-*-*-*-*

— Então o moleque teve alta hoje? Já não era sem tempo! — Comentou Saga ao receber a ligação de dona Zaíra. — Fez bem em me avisar.

— Eu te avisei porque quero meu filho de volta! Quando vai deixar eu ver meu filho? Quero meu filho, por Alá — Implorou Zaíra.

— Você vai ter seu filho em breve, apenas continue sendo boazinha que sua recompensa vai chegar. — Falou Saga antes de desligar o celular.

— Acho que essa noite é uma ótima noite para uma visita. — Saga soltou sozinho em seu escritório.

Alguém bateu na porta.

— Entre.

Aldebaran entrou com alguns equipamentos em mãos. — Saga, terminei a tomada três, fiz do jeito que você gosta, mas queria sua aprovação antes de mandar os atores pro chuveiro. — Pediu o cinegrafista.

— Aldebaran, apesar do pouco tempo que trabalha pra mim, você se mostrou muito competente, tenho certeza que fez do jeito que eu gosto. — Respondeu Saga, o brasileiro havia se tornado uma espécie de braço direito de Saga nas questões dos filmes, ainda servia como segurança intimidador. Um verdadeiro achado.

Obviamente ainda era muito cedo para confiar a Aldebaran alguns trabalhos ilícitos, tudo a seu tempo, pensava Saga.

— Obrigado, Chefe. Mas ainda assim quero que veja as imagens. — Pediu o grandalhão e Saga concordou em ir.

....

Saga viu a gravação feita por Aldebaran, gostou das cenas, aconselhou uns cortes aqui outro ali e deixou o gigante editando o filme.

Saga pegou o seu carro e seguiu para a casa de Camus, iria fazer uma visita, não podia negar que ficar tanto tempo longe de Camus o estava deixando louco de saudades de dar um boa trepada com o seu favorito.

Saga sabia que não deu suporte a Camus durante a internação do irmão, mas sinceramente não tinha saco algum para as ladainhas de Camus quando seu irmão adoecia.

O moreno decidiu passar numa loja de conveniência e comprar uma caixa de bombom para o garoto era mais que o necessário para se desculpar e agradar ao ruivo.

Mas quando Saga chegou na rua de Camus, viu o seu ruivo saindo de um carro de luxo acompanhado de um homem loiro alto e viu o fedelho loirinho sair e dar a mão ao loiro enquanto Camus ajudava o garoto doente a sair do carro.

Saga sentiu seu corpo ferver de ódio, aquele homem era Milo Kapino e o idiota do Camus estava se envolvendo com ele.

Sentindo-se traído Saga estreitou os olhos, iria esperar até que o jovem Kapino saísse, para depois agir.

Acendeu um cigarro imaginando formas diferentes de punir Camus por aquela traição.

....

Chegando no pequeno apartamento, Milo insistiu para que Camus o deixasse fazer o macarrão que Hyoga tanto falava, e os meninos fizeram coro a Milo, deixando Camus sem saída.

Enquanto Milo cozinhava, Camus foi ajudar os irmãos no banho, Isaak porque precisava de alguns cuidados, e Hyoga porque fazia muita bagunça e não se lavava direito.

Quando Milo terminou de cozinhar os meninos já estavam prontos, de banho tomado e trocados.

Camus foi se lavar porque acabou se molhando demais, enquanto isso Hyoga e Isaak ajudaram Milo a colocar a mesa.

Milo percebeu que, apesar dos movimentos mais lentos das pernas, Isaak conseguia se sair bem dentro de casa, e entendeu que a cadeira de rodas era apenas uma forma de auxiliar o garoto. Já tinha visto alguns "andadores de quatro rodas" que no caso de Isaak fariam toda a diferença na mobilidade do menino, falaria com Camus sobre isso em outro momento.

— Mano venha logo ou vai esfriar! — Chamou Hyoga ansioso, pois estava faminto.

Camus apareceu na sala vestindo uma calça jeans preta e uma camisa azul com uma imagem do Mr. Freeze, um super vilão do Batman.

Milo por alguns segundos ficou hipnotizado com a presença de Camus, o ruivo por sua vez também encarou aqueles olhos azuis sobre si e sorriu tímido, uma vez que seus irmãos pareciam atentos a ele e Milo.

— Bom vamos comer que eu tô com fome! — Hyoga reclamou tirando os dois adultos daquele momento de reconhecimento.

— Ok! Vamos ao macarrão verde do Milo! — Camus comentou imitando o jeito que Hyoga se referia ao prato preparado pelo loiro.

Todos sentaram à mesa e Milo fez questão de servi-los.

....

— Hyoga tinha razão, seu macarrão verde é uma delícia. — Comentou Isaak que havia comido razoavelmente bem para os seus padrões, analisou Camus.

— Milo, vamos jogar um pouco tenho uma jogos muito legais Fortnite, Call of Duty...

— Preciso ajudar o Camus a lavar a louça, não é justo deixar todo o trabalho pra ele. — Milo negou apesar de gostar muito daqueles jogos.

— Bom, você fez o almoço sozinho, pode deixar que eu lavo tudo. — Liberou Camus, e Hyoga então perguntou:

— Mano você quer que eu te ajude?

— Não Hyoga, eu dou conta de tudo aqui por hoje.

E assim eles fizeram, jogaram enquanto Camus arrumava a cozinha, depois o ruivo se juntou ao trio na sala.

Camus observava inseguro a aproximação de Milo com seus irmãos, Isaak e Hyoga sempre estiveram longe do universo do “Aquário” até mesmo quando Saga aparecia de surpresa em sua casa, o irmão mais velho sempre mantinha os meninos trancados no quarto para evitar qualquer contato.

E agora Milo estava ali, tão próximo e evolvido com seus irmãos. Hyoga, que em geral era mais reservado se encantou por Milo à primeira vista, e agora Isaak também estava se rendendo aos encanto daquele loiro sedutor.

O olhar de Camus cruzou com o de Milo, que sorriu, e Camus sentiu o coração palpitar.

Isaak já havia ganhado de Milo três vezes e pela expressão do loiro foi tudo por mérito do garoto.

A tarde Camus trouxe pipoca para eles lancharem.

Milo prestou atenção nos dois garotos, no cuidado que Camus tinha com eles, em como aquela família funcionava, e em como eles se amavam e se respeitavam.

Por um momento se sentiu triste, apesar de todo o dinheiro que tinha, Milo nunca soube o que era ter uma família feliz.

Seu pai era um escroto que sempre que podia o humilhava e o colocava pra baixo, principalmente por causa sua orientação sexual. Sua mãe era ainda pior, fútil, nunca se preocupou com Milo de fato, sempre com compras, plásticas, entre outras coisas superficiais.

Era até irônico pensar que ali na casa de um ator pornô, garoto de programa havia muito mais noções de família, amor e respeito do que na casa da tradicional Família Kapino.

No começo da noite Milo se manifestou para ir embora, decisão que foi protestada pelos meninos.

— Fica mais, Milo! — Pediu Hyoga e Isaak fez coro. — Eu deixo você ganhar na próxima.

Milo jogou a almofada no garoto que riu.

— Eu realmente tenho que ir, meu gato está sozinho e você, meu jovem, tem que descansar, ok?

Camus deixou os irmãos jogando e foi com Milo até o corredor.

— Milo, não tenho como agradecer por tudo que fez, inclusive pelo dia de hoje, acho que os meninos nunca tiveram um dia assim.

— Camus, sou eu quem devo agradecer pelo dia de hoje, você não imagina como me fez bem, eu invejo você sabia?

O irmão mais velho de Isaak franziu a testa e respondeu incrédulo. — Ah, tá bom, Milo Kapino, com inveja de uma pessoa como eu? Que loucura!

— Sim, parece mentira, mas sentia falta dessa essência de família que vocês têm aqui. — Comentou Milo com sinceridade.

— Eles são minha vida, Milo, eu os amo mais que tudo no mundo, é por eles que eu encontro forças todos os dias para levantar de manhã e seguir em frente. – “nesta merda de vida” – Camus pensou, mas guardou só para ele este pensamento.

Camus saiu do seu devaneio quando sentiu a mão macia de Milo acariciar o seu rosto, o ruivo retribuiu a carícia e quando deu por si, Milo o estava beijando intensamente, beijo este que estava sendo retribuído pelo ruivo.

Era inegável a atração que sentiam um pelo outro, mas havia tantos “poréns” entre eles que findaram o beijo com mais dúvidas do que quando começaram.

Camus sabia que com a recuperação de Isaak teria que voltar ao seu trabalho.

Milo tinha dúvidas sobre seus sentimentos, a dúvida vinha por sabê-los reais.

— Eu... Eu já vou indo. – Falou Milo sem saber como agir, parecia um adolescente quando beijava aqueles lábios rubros.

Camus apenas o observou partir, sentindo seu coração bater acelerado como nunca havia sentido antes em sua vida.

Girou sob seus calcanhares e seguiu em direção ao seu apartamento lá chegando viu seus irmãos dando risadinhas no sofá, decerto eles viram o beijo – pensou Camus e mantendo a expressão séria falou. – Isaak chega de jogos pra você, está tarde e precisa descansar.

— Ahhh sobrou pra mim? Eu não tava espiando você e o Milo, e se você quer saber a gente acha ele legal. — Isaak comentou deixando Camus mais desconcertado que antes.

— Isso não é assunto pra vocês! – Ralhou Camus.

— Mano, tudo bem você ser gay, a gente não liga, nunca ligamos pra isso. – Isaak continuou e Camus se aproximou dos dois que estavam sentados no sofá.

— Vocês não se importam mesmo?

— Mano a gente te ama, mais que tudo. – Foi Hyoga quem respondeu abraçando o irmão, gesto que foi acompanhado por Isaak.

Camus sentiu o peito aquecer, mas assim que o momento passou, voltou a falar. – Mas você ainda precisa descansar, senhor Isaak.

Camus desligou o jogo da TV e deixou o canal passando uma série qualquer enquanto acompanhava Isaak até o quarto, deixando Hyoga jogando Destroyer com seu celular, quando terminou de arrumar a cama para seu irmão Isaak perguntou. — Você vai namorar o Milo?

Camus às vezes se assustava com a naturalidade que os irmãos tratavam sua orientação sexual, desconcertado perguntou. — De onde tirou isso?

— Do jeito que vocês se olham. — Isaak respondeu na lata, deixando Camus mais sem graça ainda.

— Eu não olho pra ele de jeito nenhum e além do mais existem vários fatores que dizem que é melhor eu me manter afastado dele. — Respondeu Camus ajudando o irmão a vestir o pijama.

— Que fatores? — Questionou o irmão do meio.

— Ele é rico, e nós pobres. E tenho outras preocupações. E esse assunto não lhe diz respeito! — Finalizou Camus fazendo o irmão revirar os olhos.

— Eu vou trazer um chocolate quente pra você. — Avisou Camus antes de sair do quarto.

Ao chegar na sala viu Hyoga deitado no sofá ainda jogando no seu celular.

— Hyoga chega de jogos por hoje. — Pediu Camus vendo o irmão mais novo fazer uma careta e seguiu em direção a cozinha para preparar o chocolate quente, quando ouviu o toque da campainha.

"Será o Milo que esqueceu alguma coisa?" — Pensou Camus achando que o loiro poderia ter esquecido algo, e com este pensamento em mente Camus abriu a porta sem checar antes quem estaria do outro lado.

Assim que abriu a porta Camus foi surpreendido com um soco que o fez cair no chão.

Hyoga gritou!

Camus viu Saga vindo em sua direção então virou para Hyoga e ordenou. — Para o quarto agora!

O menino assustado obedeceu, correu para o quarto com o celular na mão, trancou a porta e abraçou Isaak que estava confuso. — Isaak o aquele homem, o Saga tá batendo no Camus.

— A gente precisa fazer alguma coisa, mas o quê? — Isaak perguntou tão assustado quanto o menor.

...

Na sala Saga continuou a agredir Camus batendo sua cabeça contra o chão, por ter sido pego totalmente desprevenido Camus estava tonto pelos golpes que recebia e não conseguia se defender corretamente.

— Seu merdinha você acha que pode me passar a perna e ficar por isso mesmo? Achou que eu não descobriria? Você vai aprender que ninguém passa a perna em Saga Nikolos. — Cuspia Saga transtornado.

— Do que é que você está falando? — Perguntou tentando se afastar dar agressões.

— Do que eu estou falando! Você quer dar o golpe no pato do Kapino sozinho! Eu mandei que você se aproximasse dele, mas não para dar o bote sozinho! Seu filho da puta! — Tornou Saga ainda golpeando o seu favorito.

...

Milo já estava quase chegando em casa quando seu telefone tocou, olhou no visor e identificou que era o número de Camus, sorrindo de lado atendeu a ligação no viva voz do carro. — Oi não vai me dizer que já está com saudades?

Mas ao contrário do que esperava não foi a voz de Camus que ouviu e sim de Hyoga que estava chorando. — Milo socorro você precisa ajudar a gente!

— Hyoga o que houve? — O loiro perguntou temendo que Isaak tivesse tido uma recaída ou algo do tipo.

— Milo, o Saga entrou aqui, ele está batendo no Camus, vem logo, ele vai matar meu irmão! — Hyoga pediu entre lágrimas e Isaak pegou o aparelho de suas mãos. — Milo, é o Isaak, por favor, venha!

— Isaak onde vocês estão? Vocês estão seguros? — Milo questionou para saber de deveria acionar ajuda ou não.

— Estamos trancados no quarto, mas o Camus tá lá na sala e aquele homem tá maltratando meu irmão. — Reafirmou Isaak.

Milo deu a meia volta no carro e pediu. — Certo, eu estou indo, não abram a porta até eu chegar, ok?

— Ok. — Concordou Isaak e Milo saiu em disparada.

....

— Você está louco? Eu não estou dando golpe em ninguém! — Se defendeu Camus finalmente conseguindo falar.

— Então o que o Milo Kapino estava fazendo aqui?

— Ele... Ele me ajudou, ele tem contatos no hospital, a empresa dele fabrica o medicamento que o Isaak está tomando, eles custearam as despesas de Isaak. — Começou Camus tentando se afastar do alcance de Saga, que parou as agressões ao ouvir as explicações.

— Mas o que tínhamos combinado... – Saga começou e Camus o cortou.

— Foda-se o que a gente tinha combinado! Você sabe que meu único interesse é a saúde do meu irmão, você sabe que tudo que eu faço é por eles e pra eles. — Despejou Camus falando baixo para que seus irmãos não ouvissem aquilo.

Saga que tinha o raciocínio rápido mudou sua expressão, sabia que poderiam achar rastros dos seus remédios no organismo do menino. E também sabia que Camus seria irredutível quanto à saúde dos irmãos, uma vez que ele sempre deixou isso claro. Irritado consigo por ter agido impulsivamente tentou então reverter a situação como sempre fazia.

— Camus, sei que me excedi, sei que não deveria agir assim, mas fui tomado pelo ciúme... você está tão ausente esses dias e sempre faço tudo por você. Me perdoe... — Saga pediu se ajoelhando próximo ao local que Camus estava caído tentando se levantar.

Ainda zonzo Camus conseguiu se colocar em pé usando a parede atrás de si como apoio. — Você não tinha o direito de entrar aqui dessa forma, Saga! Fazer isso na frente dos meus irmãos... — Começou Camus silabando em cada palavra que saía de sua boca de forma calma, equilibrada e fria. — Eu passei essa última semana indo para o hospital quase todos os dias, Isaak chegou a ficar no CTI e você está reclamando que não te dei atenção?

— Camus, eu estava cuidando dos seus interesses, arrumei alguns clientes ricos para que você pudesse ter grana pra pagar o hospital. — Continuou Saga dissimulado. — Eu estava distante justamente por estar correndo atrás disso, tenho orçamento para dois novos filmes, tudo isso só pra te ajudar a conseguir grana pro teu irmão, e você me trata dessa forma.

— Outro dia nós conversaremos sobre filmes e trabalhos, não acho que eu vá conseguir atender ninguém todo arrebentado desse jeito.

Saga notou que realmente havia passado dos limites uma vez que esqueceu de sua própria regra que era não bater o rosto e Camus realmente estava todo marcado.

— Olha vamos fazer assim, eu fico aqui e cuido de você, hum? Eu me comporto e você me conta como foram os seus dias. — Tentou Saga fazer como das outras vezes, mas dessa vez algo estava diferente em Camus, e ele não aceitaria aquelas desculpas assim tão facilmente.

— Você vai para sua casa Saga, meu irmão acabou de receber alta e deve estar assustado ali naquele quarto, você vai embora agora que eu vou cuidar deles. — Saga não sabia se foi pela forma seca que Camus havia falado consigo naquele momento ou se por saber que realmente se exaltou, a questão e que ficou sem alternativa que não ir embora.

— Me desculpe, Camus... vou aguardar o seu tempo pra você ir me procurar, só não demore muito. — Saga pediu sério, e Camus o encarando da mesma forma apenas concordou com a cabeça, mas antes de sair Saga olhou para Camus e perguntou. – Você não se apaixonou por esse cara, não é?

Camus que estava encarando Saga até aquele momento, nada respondeu, apenas abaixou os olhos.

Saga então constatou o que não queria, mas não falou nada, pensaria com calma no que fazer a esse respeito.

Assim que o moreno passou pela porta, Camus se deixou cair no chão, sentia se tonto e fraco, tinha ciência de que seu rosto estava sangrando e precisava se recompor antes de ir ter com seus irmãos, mas precisava se acalmar para conseguir se pôr de pé.

Camus se sentia humilhado, Saga nunca o havia agredido na frente de seus irmãos antes, como explicar aquela relação doentia para eles? Como fazer isso neste momento?

Às vezes que Saga levantou a mão para Camus, sempre foi em sua casa, sempre sem testemunhas, a não ser no dia em que Aldebaran impediu Saga de lhe bater mais e agora, duas vezes em tão pouco tempo.

A mente de Camus trabalhava, não sabia o que fazer primeiro, se levantava do chão, se limpava o sangue que saía de sua boca, do corte em sua testa, ou se iria ver seus irmãos e enquanto estava pensando sem sair do lugar viu a porta de seu apartamento ser aberta e Milo Kapino entrar por ela.

Milo entrou no apartamento de forma silenciosa, sua intenção era pegar Saga desprevenido, estranhou quando ouviu o silêncio, pensou que algo pior pudesse ter acontecido, mas ao abrir a porta e dar de cara com Camus sentado no chão, com o rosto machucado e aquele olhar triste e perdido, pensou em seu plano de vingança e em como uma cena como aquela poderia o ter agradado há pouco tempo atrás, mas e agora o que sentia?

Os dois se encararam em silêncio por alguns instantes até Camus falar infantilmente fraco a primeira desculpa que passou por sua cabeça. — Eu caí, Milo.

E dito isso o ruivo se pôs a chorar copiosamente, sentindo-se mais humilhado que antes.

Neste momento Milo se compadeceu de Camus de uma forma única, uma vontade de proteger aquele homem que estava em frangalhos em sua frente.

Milo se ajoelhou no chão e com carinho falou. — Eu imaginei que tivesse acontecido isso. Tá tudo bem? Você se machucou muito?

Camus chorava e cobria seu rosto com as mãos, sentia vergonha, humilhação se pudesse escolher, escolheria morrer naquele momento.

— Tá tudo bem agora Camus, eu tô aqui e não vou deixar que nada aconteça com você. — Falou Milo, abraçando Camus que sem dizer uma palavra correspondeu ao abraço.

Nos braços de Milo, Camus aos poucos começou a se acalmar e Milo perguntou. — Onde estão os meninos?

— No quarto deles. — Camus respondeu antes de aceitar um lenço que Milo lhe deu e começou a limpar seus ferimentos.

Milo foi até o quarto e bateu na porta. — Meninos é o Milo, abram a porta.

Ao ouvir a voz de Milo Hyoga abriu a porta e abraçou o amigo assustado. — Calma tá tudo bem, o Camus vai ficar bem, ok?

Hyoga se soltou de Milo e foi correndo até o irmão que já estava sentado no sofá, os dois se abraçaram Isaak veio logo atrás auxiliado por duas muletas e por Milo, uma vez que suas pernas estavam trêmulas.

O irmão do meio abraçou os dois irmãos, Milo achou que aquela cena não dizia respeito a ele, era algo muito íntimo dos irmãos, então foi para a cozinha colocar água para ferver para fazer um chá.

— Me perdoem por fazer vocês passarem por isso. — Pediu Camus sentido abraçado aos irmãos.

— A gente te ama, Camus, pra sempre. — Hyoga respondeu beijando o irmão.

— Bom, meninos acho que tá na hora de vocês irem dormir, vou cuidar do Camus, prometo. — Sugeriu Milo.

— Você vai embora? – Perguntou Hyoga inseguro.

— Prometo que não vou a lugar algum, ok?

— Eu vou colocar vocês pra dormir. – Falou Camus aéreo se levantando, mas Isaak o interrompeu.

— Mano pode deixar que eu cuido do Hyoga, você é quem precisa descansar. – E olhando para Milo o menino completou. – Cuida dele, por favor.

O herdeiro das indústrias Kapino sorriu para o menino e colocando a mão em seu ombro prometeu. – Não se preocupe, vou cuidar dele, agora vão descansar.

Os meninos abraçaram Camus e Milo, depois seguiram para o quarto.

— Eu ia fazer um chocolate quente pra eles antes de... – Camus parou de falar e Milo completou.

— Eu faço, você poderia tomar um banho há sangue no seu cabelo, sua queda foi feia.

— Obrigado. – Camus agradeceu, não entendia o motivo de Milo o estar ajudando, mas caberia a ele agradecer toda essa ajuda.

...

Enquanto Camus foi tomar banho, Milo preparou o chocolate quente para os meninos e levou para eles no quarto Hyoga estava deitado na cama de Isaak, o caçula estava ainda amedrontado com o que presenciou.

— Hyoga não precisa ter medo, aquele cara não vai voltar hoje e eu, de qualquer forma vou estar aqui, tudo bem? – O menino confirmou com a cabeça, mas não fez menção em ir para sua cama.

— Tudo bem, Milo, pode deixá-lo aqui, já to acostumado e qualquer coisa eu vou para a cama dele depois. – Esclareceu Isaak e Milo percebeu que este era muito maduro para sua idade.

— Ok. Eu vou cuidar do Camus, mas qualquer coisa pode chamar a gente ok? E menino, o Camus não precisa saber que eu sei sobre o Saga, ele disse que caiu e eu fingi que acreditei, ele iria ficar constrangido se soubesse que eu sei a verdade, ok? Vai ser um segredo nosso.

Os meninos concordaram. – Obrigado Milo. – Foi Isaak quem agradeceu, Milo sorriu e saiu do quarto fechando a porta.

...

Camus saiu do banho mais dolorido do que entrou, Milo tinha razão havia sangue em seus cabelos, decerto feriu a cabeça durante as agressões de Saga.

Saga era uma incógnita para Camus neste momento, agora mais do que nunca não saberia dizer o que sentia pelo seu agente. Havia sido agredido e humilhado na frente de seu irmão caçula, em sua casa. Saga havia desrespeitado todo acordo que já fizeram, e Camus ainda teria que pensar muito sobre o que fazer sobre isso.

— Ai! Sua mão é pesada. – Reclamou Camus sentindo uma fisgada próximo ao seu lábio onde Milo estava passando uma pomada.

— Minha mão não é pesada, você é quem está com essa região sensível. – Respondeu Milo tomando cuidado para não mencionar a surra que o ruivo levou, quando Camus estivesse pronto e quisesse falar sobre isso, Milo o escutaria.

Camus fitou os olhos azuis de Milo antes de agradecer.

— Obrigado, Milo.

— Por este curativo meia-boca? – Perguntou Milo sorrindo.

— Não, por ter sido essa pessoa incrível nestes últimos dias.

Milo encarou Camus por alguns segundos, depois perguntou. – Você deve ter batido a cabeça com força, isso sim.

Ambos riram.

— Milo, eu agradeço muito por tudo que fez, mas acho que já está na hora de você ir pra casa, afinal você precisa descansar. – Sugeriu Camus.

— Eu prometi aos seus irmãos que não te deixaria sozinho hoje, você é um tonto e pode cair por aí a qualquer momento, então vou ter que dormir aqui com você. – Avisou Camus como se falasse do tempo.

— Aqui? – Perguntou Camus que estava em seu quarto, local que guardava os materiais de primeiros socorros.

— Bom, posso dormir no sofá, mas essa sua cama é grande e dá pra nós dois, seria muita maldade sua me deixar lá longe.

— Mas, Milo não precisa... – Tentou Camus, mas foi cortado por Milo.

— Claro que precisa, você bateu a cabeça, tem que ficar em observação e não pode dormir por um tempo. Deixa de ser ingrato. – Devolveu Milo. – Aliás, preciso de uma roupa sua emprestada, quero tomar um banho.

Camus o olhou incrédulo, — Você vai dormir aqui? Vai tomar banho na minha casa?

— Qual o problema? – Quis saber Milo.

— É surreal, Milo Kapino. – Camus se levantou ficando tonto e sendo seguro por Milo que estava atento.

— Eu to falando, seu teimoso! Vamos, fique na cama. – Pediu Milo.

— Mas eu preciso pegar uma roupa pra você. – Explicou Camus.

— Me diz onde está que eu pego. – Pediu Milo.

— Na primeira gaveta, tem umas calças de moletom, acho que vai ser a única coisa que vai servir em você. – Milo foi no local indicado pegou a calça que achou maior e pegou também uma camisa. Camus havia indicado o local onde estavam as toalhas, e Milo pegou uma limpa e foi para o banheiro que já sabia onde estava ficava.

Tomou um banho rápido, realmente não queria deixar Camus muito tempo sozinho. Milo sabia as complicações que uma pancada na cabeça poderia trazer.

Milo vestiu a calça que ficou um pouco apertada na cintura e desistiu de colocar a camisa, pois dificultava os movimentos dos seus braços, antes de seguir para o quarto de Camus abriu a porta do quarto dos meninos, viu Hyoga dormindo junto com Isaak, decerto o menino tinha ficado demasiadamente assustado com o que presenciou.

Milo fechou a porta e seguiu para o quarto de Camus que estava com os olhos fechados.

— Ei mocinho! Acorde! – Camus despertou cheio de preguiça. – Eu não consegui colocar essa sua camisa, você é um anão.

— Não, você que é gordo Milo. — Camus respondeu sonolento.

— Eu já disse que você não pode dormir, bateu forte com a cabeça tem que aguardar algumas horas antes de dormir.

— Mas eu tô com sono, tem alguma ideia para me manter acordado?

Milo olhou malicioso para Camus que estreitou os olhos.

...

— Hunnng... Camus você é realmente bom nisso, caramba que delícia!

— Milo francamente, fazer massagens nos seus pés foi a última coisa que eu imaginei fazer para ficar acordado.

Milo estava deitado na cama de Camus e o ruivo estava sentado sobre seus joelhos massageando os pés do loiro. — Foi a única coisa casta que eu pensei em fazer com você uma hora dessas.

Camus parou de massagear os pés de Milo e engatinhou por cima do corpo do outro ficando na altura dos olhos azuis do outro. — Quem disse que eu quero que você seja casto comigo?

Ao ouvir tais palavras saindo daquela boca tão desejada, Milo sentiu seu membro pulsar, mas ao ver as marcas roxas no rosto do ruivo, Milo deteve seus impulsos, mesmo que sua vontade fosse jogar aquele homem na cama e amá-lo até o amanhecer.

— Você caiu e bateu a cabeça, num estado normal você não estaria me dizendo isso. — Esclareceu Milo se segurando.

— Eu tenho atração por você, Milo, muita mesmo, antes eu só o achava bonito, mas depois de tudo que você fez pelo meu irmão, por mim, eu te acho ainda mais atraente. — Disse Camus sentando na cintura de Milo.

— Você sente gratidão por mim, é diferente! Eu também tenho atração por você, isso é óbvio, mas eu não poderia me aproveitar de você neste momento. — Milo respondeu rezando para que o ruivo parasse com as investidas, pois sabia que sua carne era fraquíssima, ainda mais se tratando desse ruivo.

Camus saiu de cima do Milo e deitou ao seu lado colocando sua cabeça sobre o peito do outro, quando Milo percebeu que Camus tremia e então notou que o ruivo estava chorando. — O que foi Camus? Eu te ofendi? — Milo perguntou temendo que o outro não tivesse interpretado bem sua "rejeição".

— Não, ao contrário você me respeita, e eu não sei o que é isso há anos, obrigado Milo. — Camus agradeceu olhando nos olhos de Milo que retribuiu o olhar.

Eles ficaram se olhando por alguns instantes, se reconhecendo até que Camus quebrou a distância entre os dois e o beijou.

Foi um beijo calmo, mas cheio de sentimentos ainda não ditos, ainda não descobertos.

Milo correspondeu ao beijo com vontade, sabia que já era dependente dos beijos de Camus, nunca sentira nada igual em sua vida ao beijar alguém.

Os dois ficaram ali trocando beijos como dois adolescentes enamorados, nos intervalos entre um beijo e outro conversavam amenidades como as notas dos meninos na escola, comidas favoritas entre outras coisas, já era madrugada quando enfim dormiram abraçados, Camus com a cabeça no peito que Milo que o abraçava protetoramente.


Notas finais
Eu não sei vocês, mas eu acho que a vingança do Milo subiu no telhado, vocês acham o quê? Cara o Saga não vai deixar isso quieto, não mesmo, temo por todos ali. eu amo essa fic, mas prometo que a próxima atualização será de E Agora? que estamos nos capítulos finais (acho que será o final). Temos um grupo no facebook sobre as fics quem quiser entrar fique a vontade. >>> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/ E tem também o grupo do whatsapp >>> https://chat.whatsapp.com/G4vT1IWNZeR2ZLE1DDVtw0