Na Real

12 Capítulo 12 - O amor que fere, não é amor.


Notas iniciais
Olá pessoal! Surpresinha da madrugada!!! A Vivi me mandou o capitulo betado agora pouco e eu sei que não terei condições de postar em outro momento até segunda feira, então a solução foi postar já!!! Preciso agradecer a Vivi que betou o capítulo gigante muito rápido, sei que deixando as próprias fics de lado, alias, se alguém aqui curte South Park não tem escritora melhor que a Vivi mega recomendo as fics dela https://www.spiritfanfiction.com/perfil/clotsqueen Tenho que avisar esse capítulo contém cenas de violência sexual, tentei ser o menos detalhista possível, mas ainda assim é sempre bom avisar. Calma não desista da leitura, tudo tem um motivo e uma razão. Boa leitura

Na Real — Capítulo 12

A mulher chegou na bela mansão com a expressão transtornada, havia saído direto do apartamento do jovem Camus, o deixara lá com o irmão doente, com o irmão morrendo.

Não teve condições mentais para continuar ali, vendo a pobre criança convulsionando em sua frente, não teve coragem de ficar. Se o menino morresse?

Ela seria a culpada, como viveria com aquela culpa?

Não, ela não era a culpada, ele sim, Saga era o culpado, era ele quem os deuses deveriam castigar.

Mais decidida do que nunca Zaíra tocou a campainha, o segurança de Saga que a conhecia cumprimentou-a e mandou avisar seu chefe pelo rádio.

— Avise o Saga que a babá está aqui.

Após a autorização para a entrada, Zaíra foi escoltada até o escritório de Saga.

Assim que a porta se abriu Dona Zaíra viu o homem sentado em frente ao notebook com a expressão mais cínica do mundo, a babá se descontrolou.

— Você é um monstro! Como tem coragem, o menino está morrendo, morrendo! Seu canalha!

O homem apenas a observava com o olhar sério, mas nada disse.

— Por sua culpa, como pôde? Como consegue fazer isso com aquela criança e ainda enganar o pobre do Camus?

Neste momento o moreno estreitou os olhos, mas antes que a babá continuasse a falar alguém entrou na sala os interrompendo e a visão do recém-chegado deixou-a completamente apavorada.

A mulher levou as mãos aos lábios.


— Você é o demônio mesmo, o “Sete-Peles” como dizem!

Kanon sorriu para seu irmão que havia acabado de entrar no recinto, ele adorava ver a expressão de medo nas pessoas que descobriram que eles eram dois.

— Kanon, saia! — Saga ordenou sério.

O irmão gêmeo de Saga sorriu e comentou. — Ah! Eu estava me divertindo com sua amiga.

— Saia! — Saga voltou a falar, não deixando margem para ser contrariado.

Kanon levantou as mãos rendido e debochado acenou para a senhora, que os olhava com medo, antes de sair do escritório.

Saga se dirigiu para sua mesa e sentou-se em seu lugar, olhando para a mulher fez sinal para que ela se sentasse.

Zaíra pensou ter perdido um pouco da coragem que chegou àquele lugar, ver dois Sagas não havia a ajudado muito.

— O que aconteceu para você invadir minha casa assim, tão alterada? — O explorador questionou cinicamente.

Ao ouvir Saga falando com a voz mansa sua determinação inicial voltou. — Seu monstro! O menino está morrendo por sua causa. — Acusou a babá.

— Por minha causa? Eu nunca cheguei perto daquela criança. — Saga respondeu cínico.

— Você sabe do que eu estou falando! Me obrigou a dar aquele remédio para o menino, e se ele... Se ele morrer? — Soltou a mulher em desespero.

— Se ele morrer você vai ser uma assassina, o mostro aqui não sou eu. — Saga continuou a falar friamente, como se falasse do tempo. — O jovem Camus confiou a vida dos irmãos a você, não a mim.

— MONSTRO! — Gritou Zaíra!

— No, mas, eu não mandei você matar menino, se você o fez foi porque deu o medicamento errado. Nem pra isso você presta!

— Eu fiz o que você me obrigou a fazer. — A mulher gritou aflita, já sentia a dor da culpa, mas ouvir Saga tirando a responsabilidade de si, e jogando toda nas costas dela era mais do que Zaíra poderia aguentar.

— Eu não mandei que você matasse o menino! — Saga alterou a voz batendo na mesa. — Ele morreu? De fato, o garoto está morto?

— Eu não sei, o menino estava muito mal, eu não consegui ficar lá, saí correndo, deixei Camus sozinho. — Zaíra omitiu o fato de que Camus estava na companhia de um rapaz, não por perspicácia, mas por não se atentar a este detalhe naquele momento.

Saga ficou analisando os fatos, Camus não havia ligado, em geral quando o menino precisava de cuidados médicos o ruivo sempre o procurava, pois tudo que envolvia a doença do irmão era muito caro.

Nos seus planos não estava a morte do menino, não, Saga sabia que sem Isaak ele perderia muito do seu domínio sobre o ruivo.

Saga pegou o celular e passou uma mensagem para Camus.

"Aquário,

Encontro hoje à meia noite no flat Hudson valor do programa 500,00 euros.

Aguardo confirmação"


A mulher apenas chorava em desespero e culpa.

Saga olhava para o celular esperando uma resposta de Camus, e pensando no que faria se o menino de fato estivesse morto. Saga teria que colocar suas energias no outro irmão de Camus, sabia que o ponto fraco do seu preferido eram os irmãos, teria que pensar como faria para manipular Camus usando o outro irmão.

Quando seu celular vibrou, o Aliciador pegou o aparelho e viu a resposta de Camus.

"Saga,

Arrume outra pessoa vou ficar fora de ação por alguns dias, Isaak piorou, está internado eu tenho que cuidar dele."


Aliviado ao ler a resposta do ruivo Saga endureceu a expressão da face e falou ríspido com a mulher que ainda chorava sentada em uma cadeira. — Cale-se! Já me cansei do seu circo!

Zaíra o olhou sofrida.

— O menino está vivo, volte para a casa de Camus e me mantenha informado de tudo. — Ordenou.

— Eu não vou mais servir você, não vou mais cumprir suas ordens. — Cuspiu a mulher resoluta.

Saga sorriu cínico, abriu uma gaveta da mesa de seu escritório e tirou de lá uma pasta com algumas fotos. — Reconhece este jovem?

— Meu filho, Sorento! — Zaíra falou surpresa colocando a mão na boca. — Como? Quando?

— Ele está sobre os meus cuidados, seria uma pena você colocasse tudo a perder agora que ele está tão perto, não acha? — Saga despejou sem emoção esperando a reação da mulher a sua frente.

— Maldito! Maldito seja você, Saga Nikolos! Monstro! Você estava me fazendo acreditar que ia tirar meu filho do inferno da guerra para deixá-lo a salvo comigo, e você o tirou de um inferno para o colocar em outro! Cadê meu filho? O que está fazendo com ele. — A mãe de Sorento questionou enfurecida indo para cima de Saga.

— Ei! Afaste-se! Sua maluca! — O cafetão advertiu, mas em vão, Zaíra enlouquecida esmurrava o homem a sua frente como se sua vida dependesse disso.

De repente Zaíra sentiu uma pancada na cabeça que a fez cair desacordada por alguns instantes.

Kanon segurava o taco de beisebol observando a mulher caída ao seus pés.

— Espero que você não tenha matado a velha. — Saga disse ao se abaixar para verificar a pulsação da babá refugiada.

— Um obrigado cairia bem, sabia? — Kanon reclamou com o irmão o ajudando a colocar a mulher em cima de um pequeno sofá.

— Eu não bati forte, só o suficiente para ela te deixar em paz. — Se defendeu Kanon. — Essa é a mãe do novato?

Saga confirmou com a cabeça.

— Meu irmão, você está fazendo essa mulher envenenar uma criança que já é doente? — Kanon questionou incrédulo.

— Não se meta nos meus negócios, Kanon. — Advertiu Saga.

— Me meto quando os seus negócios nos fazem perder dinheiro, porra! Saga, a gente já poderia ter vendido esses moleques, tenho certeza que até doente valeria alguma coisa, você podia ter o ruivo preso, ele poderia ser nosso escravo! — Ralhou Kanon.

— Não quero o Camus assim. — Saga reclamou.

— Não! Prefere envenenar o irmão dele para poder mantê-lo dependente de você! Gastar horrores pagando espiões, mais a grana para tirar o filho dessa daí do meio daquele inferno, só para manipular esse maldito ruivo! Você é doente por esse cara. — Kanon cuspiu enciumado.

— Eu ganho muito dinheiro com o Aquário, com os filmes dele e os programas, ele se paga, paga todos os custos que tenho com ele, e eu ainda tiro algum dinheiro do lucro dele.

— Você o ama, Saga? — Kanon perguntou temendo a resposta.

Saga sabia que se desse alguma resposta afirmativa seu irmão iria lhe dar muita dor de cabeça naquela noite, então apenas respondeu. — Ele é meu brinquedinho, gosto de me divertir com ele. Só isso.

— Você poderia se divertir comigo. — Kanon deixou escapar.

— Kanon, todas as vezes que nós transamos foi para satisfazer o fetiche de algum cliente rico, hoje não precisamos mais fazer isso. Hoje nós somos ricos, somos os chefes. — Saga explicou.

— Mas eu ainda tenho tesão em você. — Kanon respondeu abraçando o irmão por trás.

— Eu aposto que sim, você sempre foi um pervertido narcisista.

Neste instante a mulher começou a dar sinais de que estava acordando.

— Ora, ora, ora... veja só quem está voltando para o mundo dos vivos! — Saga comentou debochado enquanto Kanon praguejou contra a mulher por ter interrompido o momento deles.

— Monstro! — Zaíra xingou fraca, enquanto massageava a cabeça no lugar da pancada. — Eu quero meu filho! Quero ele comigo agora!

— A grande questão agora é ”como você vai receber seu filho de volta?” Vivo? Morto? Tudo vai depender apenas de você, velha. — Saga ameaçou.

— Você está fazendo com meu filho o mesmo que faz com Camus? Está o forçando a se prostituir? — A refugiada Síria perguntou entre lágrimas.

— Eu não forço meu Camus a nada, e não, seu filho ainda não está trabalhando nesta função, mas tudo vai depender muito de você, minha cara. — Continuou o aliciador a ameaçar.

— Eu já envenenei a criança! O que mais quer que eu faça?

— Eu não quero que o menino morra, nunca foi minha intenção. Você que é burra e errou na dose do remédio. Volte para perto de Camus, ele vai precisar de você neste momento. — Saga explicava seu plano para a mulher. — Com o irmão doente, Camus vai precisar de dinheiro todo o tratamento é muito caro, ele vai vir dócil a mim.

Kanon ouvia as palavras do irmão com certo rancor, todo aquele trabalho para manter Camus por perto, Saga o amava, ainda que não se desse conta deste detalhe.

— Quando vou poder ver meu filho?

— Quando eu achar que deve. — Foi a resposta seca de Saga. — Agora saia da minha casa e volte para junto do Camus.

Zaíra assim o fez, mais arrasada do que quando entrou naquele lugar.

Saga olhou para o celular era questão de horas até Camus ligar dizendo que estava precisando de dinheiro.

Kanon foi encher um copo com whisky se remoendo de ciúmes do ruivo.



*-*-*-*

— Pelos Deuses, meu amigo, me perdoe não estar perto de você num momento como esse. — Marin falava com seu amigo e vizinho pelo celular, a grega havia viajado para se apresentar numa famosa boate na ilha de Creta e só retornaria em dois dias.

— Eu sei, Marin, você não tinha como saber. E também é sua carreira, tocar nessa boate pode abrir muitas portas para você, eu vou dar um jeito. — Respondeu Camus conformado, o ruivo não havia dormido nada naquela noite, só pensava em seu irmão no hospital, queria muito estar com ele lá, mas não podia deixar Hyoga sozinho.

Foi quando recebeu a ligação de Marin, os amigos tinham intimidade para se ligarem durante a madrugada, principalmente porque Camus em geral atendia seus clientes durante o dia e a DJ sabia desse detalhe.

— Quer dizer que a babá sumiu? Mas, como? Que irresponsável! — Reclamou a amiga.

— Ela ficou muito abalada com as crises do Isaak, não a culpo, também fiquei apavorado, também tive vontade de correr, de me esconder, foi horrível. — Camus desabafou.

— Sinto muito, meu amigo, mas que bom que esse rapaz apareceu para te salvar, não é?

— Sim, foi muito bom ele ter aparecido. — Camus pode pôr fim falar em voz alta o quanto gostou de Milo ter aparecido e salvado Isaak.

— Vou fazer o possível para ir logo pra casa. — Avisou Marin.

— Não! Nada disso essa é sua grande chance, e você vai aproveitar! Eu dou um jeito, sempre dei. Agarre essa chance. — Tornou Camus, orientando a amiga quanto as suas prioridades.

Após desligar o celular Camus se levantou, de nada adiantaria ficar deitado, não conseguiria dormir de qualquer forma, sua cabeça estava muito agitada, vários pensamentos o invadiam.

Como Isaak teve essa recaída, ele parecia tão bem? Como vou fazer sem a Zaíra e sem a Marin para ficar com o Hyoga? E se o Isaak piorar? E se ele não... — Camus evitou concluir este último pensamento, nunca estaria pronto para perder seus irmãos.

— Eu não consigo dormir, tô preocupado com o Isaak. — Camus assustou-se quando ouviu a voz do irmão na sala.

— Hyoga, que susto!

— Desculpe, não quis te assustar, mas eu tô triste, meu peito dói e me dá uma vontade de chorar. — Lamentou o menino indo abraçar o irmão, que também se sentia da mesma forma, mas guardou seus medos pra si e tentou tranquilizar o irmão menor.

— Não se preocupe, logo o Isaak vai voltar pra gente, foi só um mal-estar, você vai ver.

— Não foi como das outras vezes, todo mundo achou que ele ia morrer, a dona Zaíra saiu chorando apavorada, eu estava com medo e você também, mano. — Hyoga comentou mostrando ao irmão como era astuto e observador. — Por sorte o Milo apareceu, não é?

— Sim, foi muita sorte. — Comentou Camus, mas logo se lembrou de que Hyoga havia descumprido as regras da casa. — Hyoga, por que você abriu a porta para um estranho e por que o deixou entrar?

— Mano, você estava ocupado com o Isaak, alguém precisaria abrir a porta. — O menino respondeu o óbvio. — E só deixei o Milo entrar porque ele falou que era seu amigo.

— Mas foi errado, você não pode deixar estranhos entrar, ok? — Camus voltou a frisar.

Girando os olhos Hyoga confirmou. — Tá bom. — Mas o menino continuou a achar que havia feito o certo.

Camus verificou no relógio do celular ainda era três da madrugada. — Vamos tentar dormir mais um pouco?

O menino confirmou com a cabeça e os dois seguiram para o quarto de Camus.

Hyoga precisou apenas da segurança de ter o irmão por perto para cair no sono rapidamente, coisa que não aconteceu com Camus, o ruivo ficou em sua cama pensando nos acontecimentos daquela noite e logo seus pensamentos foram para Milo.

"Tão diferente do homem arrogante que conheci, quem era o verdadeiro Milo? O homem doce e prestativo que me ajudou a salvar meu irmão, que cuidou de Hyoga, ou o playboy arrogante e rude que só queria se divertir me humilhando?"
— Estes questionamentos martelavam na mente de Camus, que quando conseguiu pegar no sono teve um sono leve e atribulado.

*-*-*-*

Já era dia, seis da manhã para ser mais preciso, Camus estava trocado e preparando algo para Hyoga se alimentar quando acordasse.

Não teria outro jeito, o irmão teria que ficar sozinho em casa, Camus precisava voltar ao hospital.

Quando ouviu o trinco da porta mexer, o ruivo sabia que não poderia ser Marin, pois a amiga estava em outro lugar.

Camus segurou a faca em suas mãos para utilizar caso fosse necessário, mas abaixou o objeto quando viu D. Zaíra entrando.

A mulher se assustou ao ver o rapaz acordado.

Os dois ficaram se olhando, mas a mulher se aproximou chorosa. — Me perdoe, Camus, me perdoe. Eu tive tanto medo.

Camus a abraçou. E só os deuses sabiam como ele estava precisando daquele abraço também. — Não tem o que perdoar, eu também fiquei com medo.

Ambos se calaram e deixaram a emoção tomar conta do momento.

— Como ele está? — Zaíra perguntou com real interesse.

— Internado, estava inconsciente, estou indo pra lá, graças aos deuses que você voltou, eu preciso ir, Hyoga está dormindo no meu quarto. — Camus foi falando ao se soltar do abraço, o ruivo não era uma pessoa adepta de demonstrações de carinho. — Ele deve ir para a escola normalmente, não caía na lábia dele.

— Certo pode deixar, mas meu querido, você precisa comer algo antes de sair. — Pediu a babá antes de Camus sair.

— Não consigo comer nada agora, não desce, preciso ver o Isaak primeiro. — Respondeu o irmão de Isaak antes de sair.

*-*-*-*

Milo não havia conseguido dormir muito naquela noite, muitas coisas martelavam sua mente, o Camus sarcástico que encontrou no bar, o Camus desesperado que viu na casa dele, o Camus com medo e assustado que esteve no hospital, sem contar o Camus irmão. Milo repassava em sua mente todos os momentos que esteve com todos estes Camus, mas qual seria o real?

O pequeno Hyoga também não lhe saía dos pensamentos, menino astuto, observador e conversador, ganhou o coração de Milo.

Sete da manhã Milo sentou-se na cama pegou seu celular e passou uma mensagem para um dos biomédicos de sua empresa.

"Preciso falar com você sobre o R34 houve um caso de suposta rejeição em uma das crianças dos testes.

Hoje às 8h no laboratório"


Depois ignorando o quão cedo era, passou uma mensagem para Camus.

"Espero que tenha dormido bem. Não se preocupe, tudo vai dar certo."

Após ter enviado a mensagem Milo se achou um tonto. "Onde já se viu, Milo Kapino mandando mensagem para um reles garoto de programa?"

Pouco depois se envergonhou do seu pensamento.

— Droga, por que está tudo tão confuso na minha cabeça? — Milo reclamou sozinho. Então olhou para o folgado do gato Scorpion que o observava esticado em sua cama. — Você gosta do Camus não é?

O gatinho apenas grunhiu manhoso em resposta.

— Você diz isso porque não foi você que foi usado e exposto.

O gato sentou na cama depois de se espreguiçar e miou para o loiro.

— Tá, eu sei! Nada de plano de vingança enquanto o menino estiver doente, você acha que eu sou algum monstro?

O gato nada respondeu apenas o observava com olhos estreitos.

— Ei, para de me olhar assim, eu tô falando sério. — Milo acariciou a cabeça do gatinho que começou a brincar com os dedos de Milo.

— Ah seu safado, ficou contente, né? Mas depois que o garoto melhorar, eu volto com tudo!

O loiro levantou findando a brincadeira e foi tomar banho para se arrumar queria sair cedo, o gato Scorpion foi fazer companhia para Milo no banheiro.

*-*-*-*-*

Milo estava em seu escritório, tomava um café forte que solicitou a sua secretária assim que chegou a empresa.

Pouco tempo depois a secretária avisou que a pessoa que Milo esperava havia acabado de chegar.

Milo o mandou entrar antes mesmo de terminar de tomar o café.

— Shaka, obrigado por atender meu pedido. — Disse Milo ao cumprimentar o recém-chegado.

— Tudo bem, Milo, você é meu chefe lembra? Seu pedido é uma ordem, literalmente. — Respondeu Shaka ácido.

— De mau humor a essa hora? Você precisa de um namorado. — Retrucou o jovem Kapino.

Shaka faz sinal com a mão dizendo que não queria conversar sobre seu mau humor.

— Certo, que seja, Shaka. Sobre o R34, eu sei que estamos em fase de testes finais, você sabe que o Dr. Aioros que está nos auxiliando e testando nosso medicamento com alguns dos seus pacientes? — Perguntou Milo introduzindo o assunto.

— Sim, eu sei estamos na fase final, nesta fase é comum os testes em pacientes, o que tem isso? — Questionou Shaka.

— Tem que um dos pacientes que está testando o medicamento passou muito mal ontem, e está internado. Ele teve convulsões, febre alta, essas coisas. — Relatou Milo. — Quero que venha ao hospital comigo e verifique pessoalmente os exames e tudo mais sobre esse caso. — Pediu Milo chegando no ponto em que queria.

— Hoje?

— Agora. Estou apenas terminando de despachar umas coisas aqui e já estou indo para lá, e sim, quero que venha comigo.

— E por que você vai ao hospital? Posso ir colher o material, acho que não é caso para meter o Vice-Presidente pessoalmente, ou é? — Questionou Shaka estranhando a atitude de Milo.

— Porque o menino é irmão de um amigo meu. — Respondeu Milo sentindo as bochechas corarem.

— Milo, Bom dia, eu queria... — Aioria foi falando ao entrar na sala de Milo, mas parou de repente quando viu o amigo conversando com Shaka. — Atrapalho? — Questionou o leonino ao ver que Milo não estava só.

— Um pouco, estou de saída, é algo urgente? — Perguntou Milo apontando para as pastas que o amigo trazia junto a si.

— Bom dia, Shaka. — Aioria cumprimentou o biomédico.

— Bom dia. — Shaka respondeu sem o olhar e se levantou para pegar um pouco de água, sentiu um calor repentino.

Milo observava o amigo bebendo água com um sorriso malicioso no rosto, enquanto isso Aioria voltava sua atenção para Milo.

— Você desmarcou seus compromissos para hoje, mas esqueceu que temos um encontro com os acionistas para apresentação do R34? — Aioria lembrou o amigo.

Shaka observou Milo, se o medicamento ainda estava em testes e fosse o responsável pela crise da criança, isso seria um ponto negativo para a empresa, e Milo estaria uma sinuca de bico uma vez que ele tinha o dever de falar sobre os prós e os contras da medicação.

— Exatamente por isso eu desmarquei essa reunião, estou indo com Shaka ao hospital ver um paciente do seu irmão que deu entrada ontem no CTI. O menino faz uso do R34 e eu tenho que tirar todas as dúvidas antes de qualquer outra coisa. — Milo informou ao amigo e advogado. Não revelando que o menino era o irmão de Camus e que prometeu ao rapaz que descobriria o que causou o agravamento no estado de saúde do irmão. Milo temia que o remédio de alguma forma tivesse relação com o problema de Isaak, num medo absurdo e interno de que Camus não o perdoaria se esse fato se concretizasse.

— Entendo, mas o Shaka pode verificar isso sozinho, não pode? — Aioria perguntou colocando as mãos nos ombros de Shaka, fazendo com que este ficasse desconcertado, sem entender o motivo de Milo querer verificar aquilo pessoalmente.

— Ah! Mas que merda! Eu vou para lá, Aioria, já desmarquei meus compromissos! Shaka arrume o que for necessário iremos em dez minutos. — Ordenou Milo para o biomédico que assentiu e saiu da sala deixando Milo a sós com Aioria.

— Cara, você tá nervoso? — Aioria perguntou arqueando a sobrancelha.

— Não estou nervoso, mas é que você me irrita com tanta pergunta.

Aioria deu de ombros. — Faça como quiser.

— E outra coisa, pensa que eu não notei você tentando deixar o Shaka sem graça, isso não é certo, o cara gosta de você. — Reclamou Milo, ainda que sorrisse. — Quando eu te contei, não achei que fosse tripudiar com isso.

—Ei! Eu não fiz nada, só estava sendo educado com o cara. — Respondeu Aioria com olhar blasé. — Infelizmente pra ele, eu sou hétero.

— No dia que o Shaka te pegar de jeito eu quero ver o que vai fazer com essa sua heterossexualidade inútil. — Comentou Milo sorrindo e Aioria nada respondeu, apenas seguiu rindo com o amigo.

*-*-*-*

Milo estava no carro com Shaka ao volante em alguns momentos olhava para o hindu de esguelha, mas Shaka permanecia concentrado no volante.

— Ah, qual é Shaka! — O jovem Kapino soltou.

— O que foi, Milo?

— Você ainda fica estranho quando se encontra com o Aioria, meu caro você tem que superar isso. — Milo comentou sorrindo.

— Se eu fico estranho perto dele é porque você é um grande fofoqueiro que foi falar pra ele coisas que não devia, coisas que eu te confidenciei quando estava bêbado. — Rebateu Shaka ressentido.

— Caramba, Shaka ainda isso? — Milo falou batendo a mão na testa.

— Sempre isso, Milo, eu falei que sentia tesão por ele, mas não era pra você ir correndo dizer isso ao Aioria, ele é hétero! — Reclamou Shaka.

— Já pedi desculpa, você é um cara lindo e o Aioria já disse que se fosse gay você seria o primeiro da lista dele. — Milo revelou sorrindo.

— Milo, concentre-se em administrar essa empresa, pois para um casamenteiro gay você está péssimo. — Shaka rebateu arrancando outro sorriso de Milo.

*-*-*-*-*

Assim que chegaram no hospital, Milo ordenou que o diretor lhes entregasse a ficha médica de Isaak para que Shaka analisasse se as condições do menino estavam de acordo para receber o tratamento. Shaka munido de todo o histórico médico de Isaak acompanhou Milo até o CTI onde estava o garoto.

Como Milo previra, Camus estava na sala de espera aguardando para ver e ter notícias do irmão.

— Milo. — Camus soltou surpreso ao ver Milo naquele horário no hospital.

— Oi, Camus. — Milo comprimentos sorrindo e Shaka notou o amigo e chefe ficou mais brando ao ver o ruivo.

Os dois se olharam sem dizer nada, então Shaka soltou um pigarro para lembrar a Milo que estava ali.

Milo saindo do transe inicial olhou para o amigo e se voltou para Camus o apresentando. — Camus, esse aqui é o Shaka, ele é o pesquisador responsável pela medicação do Isaak, o trouxe aqui para que possa ajudar o Dr. Aioros a investigar o que está acontecendo com seu irmão.

— Você acha que pode ser efeito desse medicamento? — Camus perguntou preocupado, mas Shaka respondeu.

— Acho muito difícil que seja o R34, não tivemos nenhuma reação parecida com nenhum dos paciente que testaram o medicamento, mas vou descobrir o que deu errado com o caso do seu irmão.

Shaka entrou no CTI para conversar com Dr. Aioros, que não gostou muito da interferência de Milo nos cuidados com seu paciente, mas aceitou passar a situação de Isaak, afinal, era para fins acadêmicos.

— Venha, vamos tomar café, tenho certeza de que você não se alimentou ainda. — Milo sugeriu.

— Não sinto fome, Milo, só quero meu irmão bem. — Respondeu Camus triste.

— Você precisa estar forte para cuidar dele, vamos. — Insistiu o loiro e Camus acabou cedendo.

Já na cantina do hospital Milo tomava um suco de laranja e comia um misto quente, mesma coisa que Camus, somente o suco que o ruivo preferiu substituir por café.

— Camus, você é tão misterioso pra mim, sabia? — Milo comentou enquanto observava o ruivo tomar seu café.

— Misterioso, eu? — Camus riu triste. — Sou a pessoa mais sem graça do mundo.

— Não, você é uma incógnita, ao mesmo tempo em que tem um trabalho incomum lidando com o sexo e os desejos pervertidos das pessoas você também é capaz de ter uma vida comum, cuidar de duas crianças, e ser dedicado assim a eles. — Milo revelou suas observações.

— O que tem isso demais?

— Por que um cara como você entrou nesta vida de perversões? — Milo quis saber.

Camus estava tão fragilizado pela saúde do irmão que não repeliu os questionamentos de Milo como sempre fazia, então com sinceridade respondeu. — Pela grana, olha minha vida Milo, sozinho no mundo com duas crianças, sendo uma delas doente... Foi o que apareceu, eu apenas peguei a oportunidade.

Milo o olhou triste, mas dentro de sua cabeça de vivencias limitada ainda pairavam dúvidas. — Mas você poderia ter trabalhado com outra coisa, ter um trabalho digno, muita gente tem problemas e nem por isso...

— Na sua empresa você contrataria uma pessoa sem experiência alguma com um salário alto o suficiente para que a pessoa pudesse pagar as despesas desse lugar? Sabe quanto custa cada remédio que eu já comprei pro Isaak? Acha mesmo que com um emprego "digno" eu conseguiria manter meu irmão vivo até hoje? — Camus respondeu sério fazendo Milo pensar em suas palavras, o jovem Kapino sabia que manter um tratamento como o de Isaak era realmente impossível para uma pessoa comum sem condições financeiras.

Sentiu-se envergonhado, pois sabia que a sua empresa era uma das responsáveis por fazer pessoas simples perderem tudo que possuem para arcar com o tratamento das pessoas amadas.

— Tem razão, me perdoe. — Milo pediu segurando as mãos de Camus. — Eu queria muito fazer algo pelas pessoas que sofrem como seu irmão, mas ainda não tenho como.

— Tudo bem, você já está fazendo muita coisa arcando com os custos desse hospital, até a forma que me tratam aqui já é diferente. — Camus revelou com um leve sorriso nos lábios.

— Camus, me conte mais de você, de sua vida, você disse que entrou para uma faculdade, fez que curso? — Milo perguntou mudando o assunto, mas o semblante o ruivo ficou triste e sério antes dele responder.

— Química, eu entrei para o curso de Química. Na Sócrates. — Respondeu por fim.

— Mas isso é incrível, parou em que ano? Por quê? — Milo perguntou com sincera curiosidade.

— Não era lugar para mim. — Camus respondeu triste.

— Como não? Conhecimento é pra todo mundo, por que desistiu do curso? — Milo insistiu em saber.

— Eu desisti do curso na mesma época em que eu deixei de acreditar no amor. — Camus revelou triste.

Milo ficou surpreso ao ouvir aquelas palavras. — Não acredita no amor?

— Não tenho razão para acreditar nisso. — Camus respondeu sombrio.

Milo não sabia a razão, mas aquelas palavras mexeram com ele.

— Você pode me contar o que houve? Quero saber por que largou os estudos, e por que não acredita no amor! — O jovem Kapino questionou com real curiosidade.

Para Camus era muito doloroso lembrar daquela época, um tempo em que sonhou em mudar de vida, em que acreditou que poderia ter um futuro diferente, que acreditou no amor.

Mas o ruivo ponderou, Milo estava custeando o tratamento do irmão sem pedir nada em troca, apenas queria saber de coisas de sua vida. Obviamente Camus jamais poderia revelar a verdade a Milo, mas aquelas perguntas ele poderia responder, mesmo que lhe doesse lembrar.

— Tudo bem, Milo, eu vou te contar. — Respondeu Camus após um triste suspiro.

... Há dois anos...

Camus havia conseguido concluir o ensino médio, fazendo aulas noturnas, e fez a prova de conclusão de curso.

Com o diploma de conclusão do ensino médio, Camus se inscreveu na faculdade de Socrátes para o curso de química, fez as provas preliminares e com grata surpresa recebeu tempos depois a notícia de que havia passado.

Isaak estava melhorando aos poucos, suas crises estavam bem espaçadas. Então, Camus poderia trabalhar menos.

Contou receoso a Saga que havia entrado na faculdade, que tinha planos para mudar de vida no futuro.

Para surpresa de Camus, Saga encarou tudo numa boa, o levou para comemorar a notícia com um jantar num restaurante caro e depois passaram a noite num luxuoso motel.

— Parece um sonho, Saga. — Comentou o rapaz com seus dezoito anos completos. — Eu vou entrar na faculdade e você está me apoiando.

— Não seja injusto comigo, Camus, eu sempre o apoiei em tudo, você sabe disso. — O mais velho respondeu.

— Sim, eu sei, me perdoe. Não digo por mal, mas não achei que você aceitaria, e muito menos que me apoiaria nisso. — Tornou Camus sincero.

— Eu sempre vou te apoiar em tudo, meu anjo. Mas vamos ter que ver como vai ficar seus horários, você vai continuar trabalhando, não é? — Saga perguntou mais uma vez deixando Camus confuso com o fato de o moreno ser capaz de ser romântico e carinhoso com ele, para logo em seguida falar em vender seu corpo com tanta naturalidade.

Mas acostumado com essas nuances do agente, Camus apenas respondeu. — Quero continuar com os programas, mas não queria mais fazer os filmes, pelo menos por enquanto.

— Tudo bem, meu querido, só os programas, mas espero que seus horários de estudo não atrapalhem seu trabalho. — Saga avisou e Camus entendeu que não deveria colocar os estudos na frente dos clientes de Saga.

...

Camus estava na secretaria da faculdade entregando os últimos documentos que faltavam para que ele pudesse, enfim, começar as aulas na próxima semana.

— Obrigado, senhor Le Blant, até próxima segunda às sete horas, seja bem-vindo a faculdade Socrátes. — A moça da secretaria dava as boas-vindas ao novo aluno, quando Camus se levantou para sair acabou por esbarrar em um rapaz e derrubando os livros que o outro carregava.

— Perdão, eu não o vi. — Camus se desculpou ajudando o rapaz com os livros.

— Tudo bem, eu é quem estava distraído. — O rapaz de cabelos ruivos respondeu. — Prazer eu sou o Surtr. — O rapaz de cabelos ruivos se apresentou, os seus cabelos não eram vermelhos como o de Camus, estavam mais para o laranja, o tipo mais comum de ruivos. — Aluno novo?

— Camus. — O michê se apresentou e tentando ser educado respondeu à pergunta do outro. — Sim, sou novato, ou calouro com dizem.

— Legal, qual o seu curso?

— Química.

— Pelos deuses! Eu sou de Química também, se precisar de ajuda com alguma coisa conte comigo.

Camus agradeceu um pouco encabulado pela gentileza do rapaz, assim como forma que este o olhava. — Obrigado, se eu precisar falo com você.

O jovem garoto de programa saiu rapidamente, não sem antes olhar para atrás e constatar que o outro ainda o observava, mas não da forma que seus clientes faziam, no olhar do outro havia interesse, mas não perversidade.

...

Camus estava no Campus às seis horas, se programou para chegar cedo afinal não gostaria de se perder no primeiro dia. Como o esperado o local estava cheio e bem confuso, pessoas andavam por todos os lados muitos, Camus notou, eram calouros como ele.

Após alguns momentos de grande confusão Camus finalmente conseguiu chegar a sua sala.

Não tardou o rapaz que Camus conheceu na secretaria chegou trajando um jaleco branco e óculos de grau.

Surtr passou por Camus sem o cumprimentar, não que o irmão mais velho de Hyoga tenha ficado chateado, fazia parte do seu cotidiano ser ignorado pelos homens que conhecia em locais públicos, mas aquele rapaz que parecia tão simpático há apenas três dias o tratar com indiferença o deixou triste de certa forma.

— Bom dia, senhoras e senhores, meu nome é Surtr e eu serei o professor de lógica de vocês. — Houveram alguns burburinhos na sala, Camus não se lembrava de ter lógica nas disciplinas do curso.

O rapaz escreveu algumas equações no quadro virou-se para a turma e começou a falar novamente. — Essas equações estão na página dois da apostila que eu espero que todos já tenham em mãos.

Uma garota da primeira fila logo levantou a mão e reclamou. — Senhor, não temos essa apostila, nem ao menos sabíamos que teríamos que comprar essa em questão.

— Mas não é possível uma coisa dessas! Bom eu tenho algumas copias na minha sala, serão dez euros por pessoa... você! — O professor apontou para Camus. — Por favor, recolha esse dinheiro agora.

— Professor, e quem não trouxe dinheiro? — Um outro rapaz questionou.

— Ora, francamente meu rapaz, aqui não é o ensino médio, pegue emprestado com um colega e amanhã você o paga, vamos com isso tenho pressa.

Neste momento um senhor entrou na sala e ao ver o professor Surtr se desculpou em sentou em um lugar vago.

Camus recolheu o dinheiro dos colegas de classe e colocou no montante o seu dinheiro e quando foi entregar ao professor teve uma surpresa, o rapaz segurou em suas mãos e falando baixo disse. — Não se preocupe, logo eu venho te resgatar.

Camus ficou sem graça, seu professor o estava assediando no primeiro dia de aula?

Mas assim que voltou ao seu lugar e se sentou viu Surtr ir até a frente e falar para os demais alunos. — Obrigado senhores vocês acabaram de cair no trote da apostila, eu sou Surtr estudante do quinto semestre esse dinheiro vai servir para a bancar a festa de logo mais. — Surtr então se voltou para o homem que havia entrado depois ele e falou. — Professor Nivus essa é sua turma, turma esse é o professor Nivus, e prestem atenção você não tem essa disciplina de lógica, vocês precisam usar a inteligência.

O rapaz piscou para Camus e saiu deixando todos com cara de idiotas.

....

— Ah! Camus não fique bravo comigo, em todas as universidades do mundo os veteranos passam trote nos novatos, e eu ainda consegui te salvar de ter que voltar para casa repleto de tinta. — Surtr se desculpava com Camus que o evitar desde o dia do trote.

— Tudo bem, Surtr, eu entendi... tudo bem, sério. — Camus falou enquanto caminhavam pelo campus.

— Você quer sair comigo? Eu tô muito afim de você desde que te vi aquele dia na biblioteca, me dê uma chance. — Surtr pediu pegando na mão de Camus.

Camus estava inseguro, não sabia lidar com o que estava sentindo, Surtr o tratava com respeito, mostrava interesse no Camus e não no personagem Aquário, aliás, e ninguém havia demonstrado interesse no Camus, somente Saga, mas o aliciador não era digno dos sentimentos do ruivo.

Mas o medo do desconhecido abalava o coração do ruivo, que puxou sua mão. — Surtr, eu vim aqui para estudar e não para ficar de namoro.

— Meu Deus, você é difícil, hein! — Surtr reclamou sorrindo. — Mas eu não vou desistir de você.

....

— Pelos Deuses! Esse cara mexeu mesmo com você, Surtr. — Andreas comentou quando o amigo revelou seu último ato para conquistar o ruivo.

— Surtr mandando flores para um cara em plena universidade é inacreditável! — Frodi concordou com o amigo sorrindo.

— Ah, calem a boca vocês dois, vale a pena pagar qualquer mico por ele. — Surtr comentou apaixonado. — Ele é diferente, faz um jogo duro, é tão puro.

— Está apaixonado mesmo! — Andreas debochou, mas neste momento Camus se aproximou do barzinho que ficava em frente a universidade, então os amigos se calaram.

Surtr se levantou e foi falar com Camus.

— Surtr, eu não quero me envolver com ninguém. — Camus foi logo dizendo, mas o veterano o cortou.

— Me dá uma chance, só uma, eu juro que vou ter toda a paciência do mundo com você. — Surtr pediu, interpretando a recusa do outro como timidez, quem sabe o ruivo não fosse virgem?

Camus estava realmente confuso, já estava há seis meses no curso, não estava mais fazendo os filmes, apenas atendia aos clientes de Saga, Isaak apesar dos pesares estava indo bem.

Saga estava bem, estava carinhoso, havia respeitado sua decisão de estudar, o ajudava a conseguir bons clientes para que pudesse se manter no curso e manter o tratamento de Isaak, mas desde que Camus conheceu Surtr, algo nele mudou.

Camus sabia que estava apaixonado, passava os dia esperando a hora de ver seu amado, mas tinha receio de se entregar a esse amor, Surtr não sabia de sua profissão e atender aos seus clientes amando outro homem estava cada dia mais difícil.

Mas Camus tinha algum dinheiro guardado, se Isaak não tivesse uma recaída, talvez pudesse largar a prostituição de uma vez, arrumar um estágio remunerado, ter uma vida digna e viver ao lado do homem que amava.

Camus cedeu ao amor, sorriu e aceitou o beijo de Surtr com os amigos do outro comemorando logo atrás.

Os dois começaram a namorar, mas nada de sexo, Camus estava curtindo ser respeitado, ter a atenção de uma pessoa por suas ideias, e não pelo seu corpo.

....

— Saga, você entende? Eu me apaixonei, quero ter outra vida. — Camus finalmente tomou a decisão de conversar com seu "chefe" e contar o que se passava consigo, não queria mais ter que transar com Saga, amava outro homem.

— Mas e os programas? Vai deixar de fazer? — O moreno questionou estranhamente calmo na opinião de Camus.

— Eu quero parar com os programas, tenho uma grana guardada, quero tentar mudar de vida, você me entende? — Perguntou Camus temendo uma atitude agressiva de Saga, mas para sua surpresa o moreno lhe sorriu.

— Entendo, meu querido, mas quero que você continue com os programas até o fim do mês, tenho alguns contatos agendado e não gostaria de deixar meus clientes na mão. — Saga explicou e Camus não pode negar aquele pedido, bem ou mal Saga o ajudou desde sempre.

— Tudo bem, Saga, eu faço. — Concordou o ruivo. — Estou muito feliz por você ter entendido minha situação, e ter respeitado meu desejo. — Camus abraçou seu ex-amante.

— Eu sempre vou estar aqui pra você, Camus... sempre não esqueça disso. — Falou Saga ao findar o abraço.

Assim que Camus saiu de sua mansão, Saga foi encher um copo de whisky. — Camus meu querido, acho que já está na hora de acabar com essa sua brincadeira de faculdade e namoradinho.

....

Camus estava feliz como nunca esteve antes em sua vida.

Teria uma chance de mudar de vida, estava apaixonado, era correspondido e Isaak estava bem.

Sua vida estava mudando.

O ruivo havia chegado cedo ao campus, estava trabalhando no laboratório em uma pesquisa, só iria para a sala de aula depois de colher alguns dados sobre a pesquisa.

Quando Camus estava se dirigindo para sala de aula, teve a impressão de que as pessoas estavam o encarando, algumas cochichavam, outras riam.

Ao atravessar o corredor e finalmente chegar na sua sala a estranha sensação continuava a mesma.

Estavam o observando.

— Ei, Camus quer ver um vídeo legal? — Um rapaz da sua turma que sempre invejava a inteligência de Camus perguntou já estendendo o aparelho celular para o outro.

Assim que Camus pegou o aparelho a compreensão tomou conta de si.

Ali no aparelho celular do colega de classe estava Camus, transando com dois rapazes, enquanto era penetrado por um, chupava o membro do outro, eram cenas de um dos seus filmes mais recentes.

Pela primeira vez na vida se sentiu exposto.

Obviamente estava constrangido, tinha vontade de correr fugir, mas correria para onde? Não tinha como fugir.

Camus se deu conta naquele momento que seu passado, que sua vida como ator pornô, jamais seria apagado.

— Olha que delícia a forma que você chupa esse cara, eu quero também. — A voz do colega de classe o trouxe de volta a realidade.

Camus usou de todo seu autocontrole, e sua frieza para responder ao rapaz com o olhar blasé. — Vá sonhando, meu querido. Vá sonhando.

E com incrível frieza voltou seu olhar para frente onde logo o professor chegaria.

Seus pensamentos foram para Surtr, será que o namorado já havia visto aquilo? Suas dúvidas foram sanadas na hora do intervalo quando saiu para procurar o amado e o encontrou rodeado com os amigos.

Surtr o olhou com ódio, tanto ódio que Camus temeu por um instante, mas ainda assim tentou. — Surtr vamos conversar, eu preciso te explicar.

— Explicar o que Camus? Que você é um merda de um puto? Que você ganha a vida dando o rabo em frente às câmeras? — Surtr berrou, e Camus nada pôde dizer em sua defesa, afinal o que diria? Era tudo verdade, de qualquer forma.

De volta a sala o mesmo colega que mostrou o vídeo falou ao seu ouvido. — Você saiu no lucro de o Surtr não ter quebrado sua cara, se fosse comigo, você estaria morto.

— Se fosse você não haveria motivo algum para isso, uma vez que eu jamais teria algo com você. — Camus respondeu seco.

— Puto! — Xingou o rapaz dando as costas para Camus.

....

Após a descoberta de sua profissão, Camus não soube o que era paz, todos os dias ouvia insultos, ninguém se aproximava dele, o fato de ser um ator pornô gay afastava todos como se ele tivesse uma doença contagiosa, até mesmo os professores o tratavam de forma diferente.

Mas Camus não queria desistir, apesar da nova dificuldade queria poder mudar de vida, mas as coisas começaram a desandar.

Isaak, que há muito não ficava doente, começou a passar mal novamente, Camus não teve outra alternativa que não voltar a fazer os filmes e os programas com mais assiduidade e foi num desses programas que tudo aconteceu.

....

Havia recebido a mensagem com as coordenadas do programa daquela noite, cliente novo, encontro num apartamento, um local fora dos padrões de seus clientes, mas como Saga o estava “castigando” o deixando com os programas menos rentáveis, assim Camus não estranhou o local.

Chegou no apartamento indicado e tocou a campainha. — Entre. — Ouviu a ordem e obedeceu.

Um apartamento comum, mas nas paredes haviam cores vivas.

Laranja eram as cores das paredes, um sofá marrom com uma mesa de centro de madeira, um tapete bege, tudo de certa forma ornando entre si.

Camus entrou, e ao passar pela porta ouviu a mesma se fechando, quando olhou para trás seu coração falhou uma batida, Surtr estava lá encostado na porta.

O jovem universitário então, trancou a porta e retirou a chave, se virou para Camus com um olhar repleto de desprezo. — Então... além de filmes pornôs você também é um maldito de um michê? Um puto! Um cara que transa com os outros por dinheiro.

— Surtr, espera, não é assim, eu...

Camus não conseguiu terminar o que queria dizer pois foi golpeado com um soco que o desequilibrou por pouco não foi ao chão.

Massageando o local em que apanhou, Camus olhou triste para o seu, até então, amado.

— Eu não queria esconder isso de você, me perdoa.

— Você fazia jogo duro comigo, enquanto dá para estranhos por dinheiro! Você acha que merece perdão? — Cuspiu Surtr em fúria.

Camus abaixou os olhos, o outro tinha razão, não havia perdão pelo que fez. Assim, Camus se levantou para ir embora, ficar ali só os machucaria mais.

— Onde você pensa que vai, seu puto! Eu paguei por sexo, e eu vou ter sexo. — Surtr tornou a falar com a voz carregada de desprezo.

— Eu não vou transar com você, Surtr. — Camus respondeu dando as costas para o outro indo em direção a porta, mas somente quando girou a maçaneta foi que se lembrou que estava trancado com o ex-colega.

— Surtr, não vamos nos machucar mais, me deixe ir, por favor. — Camus pediu novamente.

— Só uma pessoa vai sair machucada daqui essa noite, e não serei eu. — O ruivo dos cabelos laranja proferiu sóbrio, neste momento Camus viu Andreas e Frodi entrando na sala. — Eu trouxe meus amigos para brincarem com a gente. Você é um putinho vai dar conta de todo mundo.

— Surtr, para com isso me deixa sair daqui. — Camus pediu mais uma vez com um medo real congelando sua alma. — Não vá fazer nenhuma bobagem.

Camus dava passos para trás tentando se esquivar dos ex-colegas de faculdade, mas em vão. Logo Surtr conseguiu pegar pelos braços de Camus que tentou se soltar.

— PARE! Eu já falei. — Camus ordenou sério, mas o que conseguiu foi outro soco, dessa vez mais forte que o primeiro o derrubando.

Camus caiu atônito, mas não teve tempo de se recuperar logo recebeu um chute nas costelas, depois outro e outro.

— É melhor parar de tentar se soltar, contratamos um puto pra dar para nós, e é isso que teremos.

No chão, gemendo de dor, Camus ainda tentou se desvencilhar das investidas, mas o soco que levou o deixou fora do ar, neste momento suas roupas foram rasgadas.

Andreas perguntou ao Surtr. — Você quer vir primeiro? Tem direito já que foi enganado por ele.

— Surtr, por tudo que é mais sagrado, não faça isso! — Camus implorou, estava semi nu com as roupas rasgadas, imobilizado por Andreas e Frodi de quatro a espera do estupro iminente.

— Eu não quero encostar nesse monte de lixo, vocês fazem o trabalho e apenas vou filmar, vamos fazer nosso próprio filme pornô.

— Surtr! Por favor, não! — Camus pediu as lágrimas, mas o ex-colega de faculdade chutou seu rosto o deixando quase inconsciente.

— Tudo bem, eu faço, mas não filme minha cara. — Andreas falou, logo Frodi pegou uma corda e amarraram os braços de Camus para trás.

— Venha amigo, filme aqui, olha o cu que você achava que era virgem, mas que levou muita madeirada, olha que delícia, cospe aqui pra lubrificar.

— Eu quero que ele sinta dor! — Reclamou Surtr.

— Ele vai sentir, mas eu quero meu pau escorregando gostoso lá dentro.

— Porra fode logo! — Frodi reclamou.

Andreas sorriu cuspiu na entrada de Camus se posicionou e foi entrando de uma única vez.

— NÃO, ME SOLTA, POR FAVOR NÃO FAZ ISSO! — Camus gritou deixando o desespero tomar conta de si.

Naquela noite foi humilhado como nunca havia sido em toda sua vida na sarjeta da sociedade.

Andreas o violentou, Frodi o violentou logo em seguida, Surtr filmava e batia.

Em um dos chutes, Camus teve a certeza que havia quebrado o braço, mas não tinha forças para gritar em vão por socorro.

Quando os rapazes se deram por satisfeitos, Surtr levantou a cabeça de Camus pelos cabelos e ameaçou. — Isso foi pra você aprender que não deve se misturar com pessoas de bem, não queremos um puto como você na nossa faculdade.

Os amigos levaram Camus até o carro e o abandonaram quase inconsciente jogando suas coisas ao lado do ruivo na estrada, Camus conseguiu achar o celular e com muita dificuldade e ligou para Saga. — Saga, me ajuda! — O ruivo pediu fraco entre lágrimas quase perdendo os sentidos.

Pouco tempo depois Saga o localizou.

— Camus, meu bem, o que fizeram com você? — Saga perguntou ao pegar Camus e colocar em seu colo. — Eu vou te levar para um hospital e vou cuidar para que os responsáveis por isso sejam castigados. — Saga prometeu.

— Me tira daqui, Saga, eu quero ir embora. — O ruivo pediu chorando como uma criança ao seu aliciador.

Naquela noite Camus finalmente entendeu que não poderia sonhar com uma vida melhor, uma vida longe da prostituição e principalmente, aprendeu que o amor não era para alguém como ele.


.... Dias atuais, de volta ao hospital.



— E foi isso que aconteceu. — Camus terminou seu relato para um Milo perplexo.

— Meu Deus! — Milo comentou ainda tenso com o que o Camus acabara de contar, nem mesmo ele que foi enganado de forma pior pelo ruivo pensou em algo tão baixo como vingança, claro que pensava em destruir Camus, mas jamais pensaria em algo assim. — Que fim eles levaram? — Quis saber por fim.

— Não sei, eu nunca mais voltei para a faculdade, abandonei tudo. — Camus respondeu impassível com o olhar distante.

Milo ficou observando aquele homem sem saber o que pensar, tudo estava muito confuso para Milo, enquanto lidava com o Aquário sabia o que deveria fazer, mas o Camus... O que fazer com o Camus?

Notas finais
Pois é o Camus já passou por poucas e boas, não é? Até o Milo já percebeu isso, a grande questão é SERÁ QUE O MILO AINDA VAI INSISTIR NA SUA VINGANÇA? Eu acho que algo está mudando na cabeça do nosso Milo riquinho, ele está saindo de sua bolha e está descobrindo que o mundo real está longe de ser como ele imagina. Obrigada a todos que leram até aqui, comentários são sempre muito bem vindos!!! Para participar do grupo das fics esse é o link >>> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/