Na Real

13 Capítulo 13 - Incógnitas


Notas iniciais
Olá Pessoal! Atualizando essa fic, eu sei que prometi capitulos novos de Além do Tempo, mas eu estava com este capítulo pronto, só não atualizei antes por falta de Notebook... o meu está no conserto... Ainda. Mas em fim, aqui está a atualização!! Agradecendo a Vivi como sempre que deixou as fics dela de lado para se dedicar a betagem desse capítulo... Amiga eu te amiga! Esse capítulo será dedicado a amiga Amelinda que tá dodói e está com aniversario perto, como não sei se consigo atualizar Além até lá... Fica aqui meu presente. Chega de papo. Boa Leitura

Na Real — Capítulo 13

Carlo chegou a Sanctuary trajando calça jeans, blusa preta e jaqueta de couro também preta, seus cabelos grisalhos bagunçados lhe conferia um ar misterioso.

No local havia pessoas dançando, garotas e rapazes se movendo de forma sexy em gaiolas dispostas em pontos estratégicos, todos jovens e muito bonitos. O ambiente tinha atmosfera sensual, mas longe do inferninho que Carlo sabia existir.

Aquela primeira imagem era somente para o grande público, turistas em geral, quem estivesse interessado em algo mais picante teria outro caminho a percorrer.

Carlo se aproximou do barman, pediu um whisky e observando em volta perguntou: — Onde eu acho emoção de verdade por aqui?

— Que tipo de “emoção”procura? — O barman perguntou.

— Garotos ou garotas, quero uma boa foda de verdade, ver essas pessoas na gaiola só servem para punheta, e eu não saí de casa pra isso. — Pediu Carlo colocando uma nota de cem euros no balcão para pagar por uma boa informação.

O barman sorriu malicioso, recolheu a nota, indicou o lugar que Carlo deveria entrar e informou a senha que deveria dizer.

Carlo seguiu pelo caminho indicado, viu uma porta preta e havia um segurança parado, Carlo olhou para ele e falou: — Quero ver a luz no fim do túnel. — A senha que o barman havia lhe dito.

— Acho que pode encontrar ela lá dentro senhor. — O segurança respondeu abrindo a porta e dando passagem ao cliente.

Carlo andou pelo corredor preto como um túnel, apesar do barulho da música, a sensação era bem estranha, caminhar em total escuridão, mas ao virar a direita o detetive particular pode enxergar uma "luz do fim do túnel" e se encaminhou para o lugar.

Carlo sabia que naquele túnel deveria existir algumas passagens secretas, como um labirinto, quando a polícia invadisse, uma porta se fecharia ocultando o lugar que estava anteriormente e muito provavelmente outra se abriria mostrando algo puro e inocente.

Ao chegar Carlo sorriu malicioso, agora sim estava no lugar certo, logo uma simpática moça com um vestido látex veio perguntar. — Olá senhor bem-vindo a Inferno de Hades, o senhor tem preferência por garotas ou garotos?

— Garotos! — Carlo respondeu num reflexo olhando em volta, se tivesse pensado melhor teria dito garotas, assim não correria o risco de se envolver com ninguém.

A moça sorriu e o encaminhou para outra porta onde se viam alguns rapazes servindo as mesas com shorts de látex, outros deixavam o bumbum desnudo.

— Uau! — Exclamou olhando para os rapazes.

Eram todos muito bonitos, não havia como negar, mas Carlo gostava de homens com cara de homem, como seu Shura, que exalava aquela masculinidade viril. Aqueles rapazes eram pouco mais que garotos, twinks como eram chamados.

O detetive sentou em uma das mesas próximo ao palco, pediu outra bebida.

— Senhor, aqui você vai ter toda a vivência de prazer, caso queria que um dos garotos o chupe, sinalize e o garoto vira e fará a felação aqui mesmo, caso queria um programa completo sinalize e será encaminhado para o local apropriado. Mas, se quiser participar de uma orgia, sinalize e veremos se está havendo alguma em andamento para que o senhor passa entrar. Ok? — A moça explicou como se tivesse falando de um cardápio de restaurante.

Máscara olhou para os botões de sinalização e concordou. — Se eu quiser apenas uma bebida, sinalizo onde?

A moça o olhou com a sobrancelha erguida e mostrou o cardápio. — Da forma normal, chamando o garçom.

Carlo percebeu que não seria sábio ficar ali só observando sem "utilizar" os serviços oferecidos. Fosse apenas para observar que ficasse na Santuary.

Tomou sua bebida observando em volta, viu que no lugar que possuía iluminação fraca não era difícil ver alguns homens recebendo uma bela chupada ali, diante de todos.

Notando que estava sendo observado, como era de praxe para um cliente novo, Carlo acendeu um cigarro, continuou bebendo e apertou o botão sinalizando o boquete.

Claro que o detetive estava tenso, mas eram ossos do ofício, teria que utilizar os serviços disponíveis, não poderia levantar suspeitas.

Logo um rapaz de cabelos curtos e escuros chegou até ele e sorriu sem nada dizer, se abaixou entrando embaixo da mesa, abriu as calças do cliente retirando o pênis pra fora, o manipulou com as mãos antes de começar a chupar, primeiro lentamente passando a língua, em seguida abocanhando por completo.

O Detetive fechou os olhos se entregando ao momento, sabia que não deveria contribuir para a exploração sexual daquele lugar, mas tinha que manter seu disfarce, enquanto o rapaz trabalhava lá embaixo, Carlo pôde observar em volta, viu Saga conversando com um homem loiro forte, em um local reservado da boate, notou que alguns homens estavam naquele lugar, luzes mais baixas ali, talvez para manter a privacidade deles.

Seu corpo convulsionou involuntariamente quando o rapaz sugou seu pênis de uma maneira mais forte, foi quando a luz de palco se acendeu e um anjo começou a dançar.

Um rapaz loiro, lindo como Carlo jamais lembrava de ter visto na sua vida.

O jovem trajava espartilho, com meias três quartos pretas e uma calcinha fio dental, pétalas de flores caíam sobre ele quando pegou o microfone e começou a cantar, sua voz forte contrastava com suas feições delicadas.

Carlo se viu hipnotizado encarando o jovem fixamente, a melodia triste que saía de sua bela boca o faziam parecer um anjo apesar se seus trajes pretos sensuais.

O jovem olhou em volta a procura de alguém que estivesse prestando atenção em sua música, então, seus olhos encontraram os de Carlo, Afrodite então passou a cantar para ele.

Uma Drag Queen se aproximou do palco, sinalizando alguma coisa para o jovem que parou de cantar e voltou a dançar de forma sexy se insinuando para o público.

Com a performance do loiro no palco, Carlo se sentia cada vez mais excitado e não tardou a se aliviar na boca do rapaz que o chupava.

— Rapaz, você é realmente bom no que faz. — Elogiou Máscara da Morte, ao ver o rapaz se levantando com o rosto sujo.

O rapaz poderia ter se limpado antes de encarar seu cliente, mas a regra da casa era que eles deixassem os clientes verem seu gozo na face dos profissionais do sexo, Saga dizia que uma grande parte do prazer de alguém que paga por sexo é poder humilhar de alguma forma o profissional.

— Er... Como eu faço? Pago pra você agora? — Perguntou Carlo entregando lenços de papel para o rapaz.

— Não senhor, está tudo anotado em sua comanda, o senhor paga ao sair, deseja mais alguma coisa de mim, podemos fazer a brincadeira completa se o senhor quiser. — O rapaz sugeriu.

Carlo olhou para o rapaz, depois para o loiro dançarino que já não o encarava mais e agradeceu. — Não, mio carissimo... ainda quero me divertir mais um pouco aqui, pode ir.

O jovem saiu e Carlo percebeu que a Drag Queen o puxou para conversar enquanto dava olhares furtivos na direção do detetive.

Quando o show acabou Carlo ficou de pé aplaudindo o jovem loiro, que não sorriu de volta, pois se sentiu um idiota cantando para um pervertido desconhecido que recebia uma chupada enquanto o olhava fascinado.

Obviamente seu fascínio não era por sua música e sim pelo boquete que estava recebendo.

Assim, o jovem deixou o palco, outra atração apareceu, Carlo então pediu outra bebida, não tardou a Drag Queen veio até sua mesa.

— Olá visitante, sua primeira vez aqui? — Perguntou simpática.

— Olá, bela, sim é a minha primeira vez neste paraíso sobre a terra. — Carlo respondeu carregando no seu sotaque italiano.

— Não gostou do jovem Shido? Acaso ele fez algo que o desagradou?

Máscara percebeu que o fato de ter dispensado o programa do rapaz chamou a atenção, ou por suspeitarem que ele talvez não tivesse grana para bancar, ou que não estivesse ali pelo sexo, todo cuidado era pouco naquele lugar, Máscara queria passar despercebido, mas como isso não foi possível, então falou: — O jovem Shido é realmente muito bom no que faz, mas confesso que meu coração bateu mais forte por aquele anjo que estava no palco há pouco, quero ele!

*-*-*-*-*

Milo chegou ao hospital às sete horas da noite. Havia passado a manhã com Camus, mas precisou voltar para a empresa antes do almoço, ligou para Camus às seis horas e o ruivo disse que ainda estava no hospital, desta forma, Milo passou em casa, tomou um banho e se dirigiu para o hospital.

Chegando lá ouviu Camus falando ao telefone.

— Sim, por favor, D. Zaíra fica com o Hyoga essa noite, eu te agradeço muito por isso... A Marin disse que volta essa semana, mas não posso ter certeza, ela tem que cuidar da carreira dela... Mais uma vez, muito obrigado.

Assim que Camus desligou o telefone, Milo perguntou. — Você não está pensando em dormir aqui, está?

— Claro que sim, Milo, o Isaak é uma criança, não pode ficar sozinho. — Camus respondeu ao perceber a presença de Milo olhando para trás.

— Camus, seu irmão está no CTI! Não há o que você possa fazer ficando aqui. — Justificou Milo.

— Eu sei, mas ainda assim quero ficar. — Camus respondeu se sentando no sofá da sala de espera.

Milo sentou pensativo, ao lado do ruivo, “Seria mais fácil odiar o Camus se ele fosse um babaca filho da puta” — olhou para o para o ruivo de esguelha antes de reclamar. — Aposto que você nem se alimentou corretamente.

— Eu comi um lanche na cantina, e realmente não sinto fome. — Camus respondeu triste, nem implicar com Milo o animava como antes.

— Camus... — Milo começou, mas o ruivo continuou a falar.

— Eles são a minha vida, Milo, tudo que faço e fiz até hoje... foi por eles. Se um dos dois me faltar, eu... — Camus parou de falar, pois, seus olhos encheram de lágrimas.

Milo apenas o abraçou, fazendo com que Camus descansasse a cabeça em seu peito.

Os dois ficaram naquela posição até que escutaram alguém pigarreando quando olharam para o local do barulho viram Dr. Aioros parado em sua frente.

— Dr. Aioros, alguma novidade? — Camus perguntou sem notar a hostilidade da troca de olhar entre o médico e Milo.

— Ele acordou, Camus, venha vou te levar até ele. — O médico informou, e Camus, que há pouco estava chorando, começou a sorrir, olhou para Milo e o abraçou em comemoração.

— Sim, vamos, quero vê-lo. — Camus concordou e Milo se movimentou para acompanhá-los, contudo o irmão de seu melhor amigo o barrou.

— Lamento, mas só a família pode entrar. — Milo não gostou de ser barrado e lançou ao médico um olhar de raiva, mas Dr. Aioros respondeu tranquilamente. — Aguarde aqui que logo eu virei conversar com você.

— Desculpa Milo, mas é melhor que eu vá sozinho, de qualquer forma. — Camus falou, não podia ser insensível a todo o cuidado que o loiro estava tendo consigo e com seu irmão.

— Tudo bem, Camus. Aguardo aqui, quem sabe você estando mais tranquilo não decide enfim ir para casa descansar um pouco?

Camus assentiu com um meio sorriso nos lábios antes de seguir o médico, que colocou a mão em seu ombro.

Milo ficou só na sala de espera, nem mesmo ele saberia o motivo de estar ali, de estar com real preocupação com o bem-estar da criança que mal conhecia, e principalmente o motivo de estar de fato preocupado com o bem-estar de Camus.

O loiro foi até a lanchonete tomar um café enquanto pensava em tudo que viveu nestes últimos dias.

*-*-*-*

Camus fez a higienização de suas mãos com álcool 70° antes de entrar no CTI.

Seu coração apertou quando viu seu irmão com os olhos abertos olhando para cima em silêncio. Isaak era uma criança especial, por ter passado grande parte de sua vida indo e vindo de hospitais não se alarmou em acordar sozinho em um quarto esterilizado, e aquela força e segurança que o menino tinha é que sensibilizava ainda mais o coração de Camus.

— Isaak. — O irmão mais velho o chamou.

— Mano! — O menino respondeu aliviado ao ver seu irmão ali. — Desculpa, Camus, eu não queria passar mal.

— Que bobagem é essa, ninguém fica doente porque quer. Não diga bobagens. — Falou Camus acariciando os cabelos do irmão. — O importante é que você está melhorando, logo vamos pra casa, o Hyoga e a dona Zaíra estão morrendo de saudades.

— A Marin não está com saudades de mim? — Perguntou o estranhando.

Camus sorriu antes de responder. — Ela está fora, está trabalhando em Creta, mas aposto que ela também está morrendo de saudades. Mas, meu querido não fale muito, você acabou de acordar e precisa descansar.

*-*-*-*-*

Milo havia terminado de tomar seu café e voltou para a sala de espera, queria conversar com Camus mais uma vez antes de ir embora e quem sabe convencer o ruivo a ir descansar em casa. Quando escutou a voz conhecida de Aioros.

— Milo, ainda aqui?

— Vou esperar o Camus. — Milo respondeu em desafio.

Aioros permanecia com o semblante fechado e convidou: — Quero conversar com , Milo, por favor, vamos até meu consultório.

Milo pensou em mil e uma maneiras mal-educadas de negar o convite, mas não podia fazer isso, Aioros era uma pessoa especial para ele. O irmão mais velho de seu melhor amigo, foi quem o ajudou quando ainda estava confuso sobre sua sexualidade, era com eles, Aioria e Aioros, que Milo costumava passar das datas especiais ou fazer comemorações especiais, não podia simplesmente esquecer-se de tudo que viveram, ainda mais sem motivo aparente.

Milo nem mesmo poderia dizer os motivos que os levaram a se estranharem naqueles últimos dias, aliás, sabia sim!

Sua mente trouxe à tona a imagem do médico abraçado a Camus no consultório e dos impropérios que falou para os dois naquela ocasião, realmente havia perdido a cabeça. — "Que merda eu estava pensando?"

— Ok! Vamos acho que a gente realmente precisa conversar. — Milo seguiu o médico.

Ao chegarem ao consultório do médico, Aioros indicou o lugar para Milo sentar e sentou em seu lugar em sua mesa.

— Olha, Aioros, devo desculpas para você por tudo que aconteceu naquele dia, eu vi uma coisa e entendi tudo errado. — Começou Milo.

— O que você tem com o Camus? — O médico perguntou direto.

Milo parou por alguns instantes em choque com a pergunta direto do irmão de seu amigo.

— Não acho que seja de sua conta o que tenho com o Camus. — Finalmente respondeu e o fez de forma grosseira.

— Como não é da minha conta? Você esqueceu o escândalo que fez aqui no meu consultório, expondo o Camus e me acusando de coisas que eu nunca fiz? — Devolveu o médico.

— Acabei de me desculpar com você por isso, não foi? Já disse não deveria ter acusado você da forma que eu fiz, e só fiz aquilo porque pensei que o Camus estivesse te dando algum golpe como ele fez comigo. — Milo tornou irritado.

— Que golpe? O que o Camus fez com você, afinal? — Aioros questionou.

Milo não estava a fim de se expor para Aioros e não queria relembrar daquelas coisas naquele momento, então desconversou. — Esquece! Já passou, meu assunto agora é com você, já me desculpei.

O irmão de Aioria ficou analisando Milo antes de voltar a falar. — Milo seja o que for que você esteja tramando, quero que pare. O Camus e os meninos são muito especiais pra mim. Sinto-me responsável por eles, ok?

— Um tanto tarde pra você se sentir assim, não acha? — Milo devolveu ácido.

Aioros sentiu as palavras do outro, sabia que Milo tinha razão, fora completamente relapso com os filhos de seu professor e amigo, Crystal confiou nele e ele não fez por merecer essa confiança, em nenhum momento Aioros quis participar da vida dos meninos, não pediu para conhecer o responsável por eles, nunca pensou em ir visitá-los em casa.

Mas o que mais doía em seu coração e em sua consciência era saber que Camus era apenas um menino, um adolescente quando o pai morreu e ele entrou em seu consultório com seus irmãos à tiracolo, pedindo o tratamento para Isaak.

Essa falta de cuidado e atenção foi o que levou Camus àquela vida, se prostituir, se deixar filmar fazendo sexo, tudo isso para poder arcar com o tratamento do irmão doente e sustentar seus dois irmãos sozinho.

"Se há algum culpado por esta vida horrível que o Camus está levando, esse culpado sou eu" — Pensou triste.

Mas ao observar o olhar acusatório de Milo, o médico assumiu a defensiva.

— Não acho tarde, Milo! Sei que cometi muitos erros com esses meninos, mas na época eu estava com muita coisa na cabeça, sobre o tratamento do Isaak você mais que ninguém sabe o quanto é caro, existem medicamentos que custam mais de vinte ou cinquenta mil! Eu estava cuidando dele como podia na época, nunca cobrei as consultas, mas não tinha como cobrir o custo dos medicamentos, somente quando o menino servia de cobaia como agora, mas ainda assim é um risco muito grande. Você sabe disso!

— Sabe onde eles moram? Já chegou a ir visitá-los? — Milo começou.

— Não, mas...

— Não teve a curiosidade de ir visitá-los mesmo depois de descobrir tudo sobre o Camus? Como pode dizer que se sente responsável por eles? — Despejou Milo.

— Oras, seu...! Quem você pensa que é pra me julgar dessa forma? Você chegou aqui naquele dia dizendo um monte de impropérios para o Camus, usando palavras de baixo calão para com ele, o humilhando de todas as formas e agora você me aparece de anjo protetor e dono da verdade? O que você está fazendo? Vai pagar o tratamento do Isaak? A que preço, Milo? O que você está obrigando o Camus a fazer? O que você pretende fazer com ele quando enjoar dele, como você enjoou de todos os seus ficantes? Vai suspender o tratamento da criança? — Aioros perguntou levantando de sua cadeira e encarando Milo.

— Quem VOCÊ pensa que é para vir me dizer essas coisas? — Dessa vez foi Milo quem falou indignado, também se levantando. — Eu jamais usaria a doença de uma criança para conseguir alguma coisa! Vou custear o tratamento do menino até que encontremos a cura! E não estou fazendo isso para comprar sexo com o Camus, estou fazendo pelo garoto. E fique sabendo que eu não conhecia o Camus como pessoa, somente como profissional, mas hoje eu sei o quanto ele é um cara especial e o quanto ele merece ser feliz, e no que depender de mim ele será muito feliz! — Milo despejou o que vinha em seu coração sem pensar ao certo o que aquelas palavras significavam para ele até aquele momento.

Depois, confuso com seus próprios sentimentos em relação ao ruivo e ao que acabara de dizer, Milo saiu da sala de Aioros sem se despedir do médico que ficou pensativo sobre tudo que ouviu de Milo.

Voltando para a sala de espera do hospital, Milo pensava nas palavras que acabara de dizer a Aioros "mas hoje eu sei o quanto ele é um cara especial e o quanto ele merece ser feliz e no que depender de mim ele será muito feliz!" — por que diabos disse aquilo? — pensava o jovem Kapino quando uma voz conhecida chamou sua atenção.

— Milo! Você tá aqui! — Hyoga falou com a espontaneidade própria das crianças, indo correndo até onde Milo estava e o abraçou como se já fossem amigos, e para o garoto era o que realmente eram.

— Hyoga! Mas o que você tá fazendo aqui, seu traquina? — Milo perguntou correspondendo ao abraço suspendendo o menino do chão e o pegando no colo. — Como chegou até aqui?

— Hyoga, comporte-se! — Milo escutou a voz de uma mulher chegando ao recinto logo atrás do menino. A mulher, uma senhora dos seus cinquenta ou sessenta, se aproximou olhando brava para o menino e também para Milo que estava com a criança no colo.

Milo colocou o menino no chão, mas continuou com os braços nos ombros do garoto encarando a mulher, esperando que ela se identificasse.

— Desculpe, senhor. Esse menino está impossível hoje. — A mulher se desculpou com Milo ainda olhando feio para Hyoga.

Mas o menino não parecia se importar muito com a cara feia de sua babá e tratou logo de apresentá-la para Milo. — Milo, esse é a Sra. Zaíra, ela cuida da gente, de mim, do Isaak e do Camus.

Milo estranhou aquela informação, a tal Zaíra não tinha cara de cafetina, como ela poderia cuidar do Camus?

— Olha, eu sou a Babá deles. Obviamente dos dois menores, só às vezes eu cuido do Camus, mas só quando ele deixa. — Esclareceu a babá.

— Eu não preciso de babá! — Hyoga falou na defensiva.

— Mas é claro que não precisa, você já é um homenzinho! — Milo foi quem falou sorrindo.

— Zaíra, esse é o Milo, ele é amigo do Camus. — Milo deu a mão para a babá que correspondeu ao gesto apertando sua mão.

— Zaíra, Hyoga? O que fazem aqui? — Ouviram a voz de Camus que chegava à sala naquele momento.

Ao ver a expressão preocupada de Camus, a babá foi logo explicando o que a levara ao hospital. — Meu querido, eu vim para te render, vou ficar aqui e você vai pra casa com o Hyoga para que possa descansar um pouco.

Milo sorriu enquanto Camus negava com a cabeça. — Não! Imagine não há necessidade de você ficar, não é certo.

— Não é certo você ficar sem dormir e sem comer direito, não esqueça, Camus: Você tem duas crianças sobre sua responsabilidade, não pode brincar com sua saúde desse jeito. — Zaíra falou firme e Camus se calou.

As palavras de Zaíra agiram como uma bofetada na face de Camus que nem por um minuto desde que ficou responsável pelos irmãos esqueceu-se de sua responsabilidade para com eles, mas ela tinha razão em falar que ele precisava se preocupar com sua saúde, afinal não se alimentava direito desde que Isaak adoeceu.

— Tudo bem, eu vou, mas tome aqui o dinheiro para o táxi, não há necessidade de você ficar a noite toda, eu preciso de você lá em casa amanhã para ficar com o Hyoga depois da escola, ok? — Camus falou tirando o dinheiro da carteira e entregando a babá.

Milo percebeu a mudança do semblante do ruivo com as palavras da senhora que cuidava de seus irmãos.

— Eu levo vocês. — Milo ofereceu.

— Milo, não é necessário, você trabalhou o dia todo deve estar cansado também. — Camus recusou.

— Eu estou bem, e vou levar vocês, faço questão!

— Tá bom! — Camus aceitou a carona, estava cansado física e emocionalmente para discutir, o ruivo esticou a mão para seu irmão caçula que prontamente a pegou e foram caminhando para saída após se despedirem de Zaíra.

Zaíra prestou atenção nos dois rapazes, aquele era o tipo de informação que Saga gostaria de ter sobre Camus, que ele está se encontrando com outra pessoa, a babá estava decidida a não mais cumprir as ordens de Saga, mas tinha que pensar no bem-estar de seu filho, com aquele dilema martelando sua cabeça se despediu dos rapazes e fazendo recomendações a Hyoga para que ele não desse trabalho a seu irmão naquela noite.

...

No carro Hyoga foi conversando com Milo durante quase todo o percurso, o menino falava sobre a escola, os jogos de videogame, futebol entre outras coisas que Camus nem ao menos conhecia, como nome dos jogadores do momento, os melhores pilotos essas coisas.

Camus estava quieto sentia o peso da responsabilidade em seus ombros.

Milo parou o carro em um mercado. — Camus, preciso comprar algumas coisas aqui, mas juro que vai ser rápido.

— Milo, podemos pegar um táxi, não quero atrapalhar você. — Camus sugeriu.

— Nem pense em fazer uma desfeita dessas comigo, não vou demorar, prometo. — Milo entrou no mercado deixando os irmãos no carro.

— Camus, o Milo é muito legal, você vai namorar com ele? — Hyoga perguntou direto.

Camus foi pego completamente despreparado para aquela pergunta feita assim tão à queima-roupa. — Mas de onde você tirou uma coisa dessas? Hyoga, o Milo é só um amigo, eu não tenho nada com ele.

Camus estava vermelho em descobrir que seu irmão sabia sobre sua orientação sexual, eles nunca chegaram a conversar sobre isso abertamente, mas obviamente eles já deveriam ter ouvido algo nas vezes que Saga estava no apartamento. O ruivo preferiu não questionar o menino sobre esse assunto, ali não era hora nem local para esse tipo de conversa.

— Mas, eu queria que você namorasse com o Milo, ele é bem melhor que o Saga. — Hyoga pronunciou o nome do cafetão fazendo careta que Camus teve vontade de rir.

— Hyoga... o Milo é um amigo que está ajudando no tratamento do Isaak, só isso. Por favor, não me faça passar vergonha com esses assuntos na frente dele ou o senhor vai ficar de castigo.

— Tá bom, mas ele gosta de você. — O pequeno comentou.

— De onde você tirou isso? Milo gostando de mim? — Camus perguntou incrédulo.

— Do jeito que ele te olha, oras!

Antes que Camus tivesse a oportunidade de perguntar que jeito era esse que o loiro o olhava, Milo voltou ao carro deixando algumas sacolas no banco de trás próximo ao menino.

— Pronto, não disse que seria rápido? — Milo perguntou ao entrar no carro, Camus olhou sério para o irmão no banco de trás, o alertando que não toleraria nenhuma gracinha.

Hyoga olhou emburrado para a janela.

Ao chegarem ao prédio onde Camus morava, o ruivo começou a se despedir. — Milo muito obrigado por tudo que você tem feito, não sei como agradecer.

— Pois eu sei! Eu vou subir com vocês. — Milo falou e tratou logo de explicar quando percebeu o olhar assustado de Camus. — Calma! Eu só quero fazer o jantar, sei que se deixar por você só o Hyoga vai se alimentar e você já está tempo demais sem se alimentar direito.

Camus ficou olhando confuso, mas Milo não deu tempo de réplica, desceu do carro e segurando a mão de Hyoga seguiu com o menino para o apartamento deles. Camus não teve alternativa que não seguir os dois.

— Milo, realmente não é necessário, por favor. — Começou Camus.

— Vá tomar banho, que é o tempo que eu ajeito as coisas aqui e sem reclamação, ok? — Milo respondeu cortando o ruivo. — O Hyoga vai me ajudar aqui, não é garotão?

O menino confirmou com a cabeça, Hyoga realmente estava muito feliz com a presença de Milo.

O ruivo ficou olhando para Milo toda à vontade em sua cozinha na companhia de seu irmão, se alguém lhe dissesse isso há alguns dias atrás ele mandaria internar essa pessoa.

Vencido, Camus seguiu para o seu quarto a fim de separar a roupa que iria vestir, não poderia amarrar uma toalha na cintura e passar pela sala, por mais ilógico que isso pudesse parecer, afinal já havia transado com Milo algumas vezes, Camus não queria cativar o desejo do loiro, Camus tinha pavor de relacionamentos amorosos.

Sexo era fácil, sexo era só o sexo, sem maiores preocupações.

Claro havia Saga em sua vida, mas o relacionamento com seu "agente" nunca foi algo amoroso, pra Saga tudo era apenas negócio. Camus já havia se acostumado com isso e queria que continuasse dessa forma, não era mais o adolescente que chegou a ter fantasias de amor com seu chefe.

E com Milo... Milo estava sendo uma incógnita, Camus não saberia dizer o que pensar, nem como agir.

Essa aproximação de Milo com sua família, essas visitas em sua casa, o apoio no hospital, por quê? Qual o motivo de tudo isso?

Camus saiu do quarto envolto com seus pensamentos, ao passar pela sala sentiu o delicioso aroma da comida de Milo, sua barriga roncou avisando que estava realmente com fome.

Notou que Hyoga estava sentado no banquinho da cozinha americana estava rindo de alguma história contada pelo grego.

Se dirigiu ao banheiro sem ser notado pelos dois.

Colocou as roupas que trouxera em cima do vaso sanitário, retirou sua roupa, verificou sua imagem abatida no espelho. Estes dias de hospital eram bem cansativos.

Camus se dirigiu até o box ligando o chuveiro logo sentiu o jato de água fria cair sobre seu corpo, praguejou por não ter saído da frente do primeiro jato gelado, mas poucos segundos depois a água já caía quente. Camus virou o rosto para que a água caísse diretamente sobre ele.

Naquele momento Camus deixou algumas lágrimas deslizarem dos seus olhos, já era quase uma rotina ao se banhar. Ali onde ele estava só podia deixar a fraqueza de sua alma externar.

Todos os dias praticamente na hora do seu banho era a hora em que Camus se permitia chorar, ali sozinho com somente o chuveiro de testemunha.

*-*-*-*-*

Saga estava em seu escritório havia fechado alguns negócios satisfatórios naquele dia, mas alguma coisa o incomodava, a ausência de Camus durante esses dias, em geral quando o ruivo levava o irmão para o hospital, logo entrava em contato com ele pedindo um adiantamento e marcando vários programas, mas dessa vez foi diferente, Camus não o procurou.

Ok, o ruivo com certeza ainda tinha o dinheiro que ganhou do trabalho no aniversário de Radamanthys, mas ainda assim, Camus não era do tipo que fica sem reservas.

Nos últimos dias Saga estava grudado ao celular, esperando alguma notícia, algum telefonema ou uma mensagem de WhatsApp, mas nada. O ruivo estava em silêncio total.

Cansado de esperar Saga pegou seu celular e ligou para a velha babá.

— O que você quer? — A babá resmungou irritada do outro lado da linha.

— Quero saber como estão as coisas, e quero notícias do Camus, por que ele ainda não me procurou? — Saga foi direto.

— Isaak está internado ainda, está no CTI, o pobre Camus não está tendo tempo pra nada, passa o tempo todo no hospital com o irmão.

— Só isso? Estou estranhando o fato dele não estar precisando de dinheiro, o menino corre riscos de morrer ainda?

Insatisfeita por ter que dar informações sobre o Camus para Saga Zaíra apenas respondeu. — Não sei o que está acontecendo, o menino estava sendo cobaia em um medicamento, o hospital está custeando as despesas, por causa das pesquisas.

— Merda! — Resmungou Saga. — Preste atenção em tudo, se eu descobri que você está me enganando, coloco seu filho pra fazer programa, e não vou ser bonzinho com ele como que sou com o Camus.

— Não se atreva! Seu maldito!

— Como é? Não entendi. — Saga perguntou arrogante.

Zaíra segurou a revolta e falou. — Senhor Saga, por favor, não faça mal ao meu filho, por favor. — Implorou.

— Me mantenha informado, sem gracinhas. — Saga falou antes de desligar o celular.

O aliciador acendeu um cigarro, encheu seu copo de whisky e bebeu o conteúdo em um único gole sentindo a garganta queimar quando o líquido alcoólico passou por ela, o moreno estava pensando qual o próximo passo daria agora?

Saga não gostava de não ter o controle sobre Camus, não gostava da sensação de não ter o ruivo precisando dele.

*-*-*-*-*

Ao sair do banho Camus se dirigiu para a sala e encontrou a mesa posta, Hyoga havia ajudado Milo arrumar tudo.

Camus não sabia dizer se gostava dessa aproximação entre os dois, Milo era uma incógnita em sua vida, muito provavelmente ele iria sumir de um dia para o outro e seu irmão sofreria com isso, com certeza.

— Mano, o Milo fez um macarrão com molho verde, é estranho. — O menino foi correndo informar o irmão sobre o molho estranho.

— Olha, Hyoga... o molho pode até ter uma cor pouco usual, mas que o cheiro está bom, isso está, não é? — Camus argumentou para incentivar a vontade de comer do irmão.

— É, o cheiro está bom. — Hyoga concordou.

— Então, não vamos fazer desfeita para o Milo que teve um trabalhão danado?

— Ele nem teve tanto trabalho. — Argumentou Hyoga.

— Ei! O fato de eu ser rápido na cozinha não se deve ao fato de meu trabalho ser pouco ou muito, faço rápido porque gosto de cozinhar. — Explicou Milo terminando de colocar a mesa e se sentando.


Milo olhou para Camus reparando no ruivo pela primeira vez desde que este saiu do banho, cabelos úmidos, roupa despojada, do tipo confortável que se veste em casa, Camus usava uma camiseta com uma calça de moletom.

— O que foi? — Camus perguntou ao perceber os olhos de Milo fixo nele.

— Nada, só que...

— Só que o quê? — Insistiu Camus.

— O Camus é lindo. — Milo falou ao se aproximar do ouvido do ruivo que corou sem graça. — Meu Deus... eu consegui deixar o grande Aqua... O grande Camus envergonhado. — Milo quase falava demais, mas se corrigiu há tempo.

Camus por sua vez enrijeceu o corpo ao notar o ato falho de Milo.

Hyoga, no entanto estava entretido com seu jantar que não prestou atenção nas palavras trocadas pelos adultos. — Hum, é gostoso.

O momento constrangedor passou, pois os dois ficaram observando o menino comer o macarrão ao pesto que Milo preparou.

Camus finalmente experimentou a massa e balançou a cabeça concordando com Hyoga. — Sim, realmente está muito bom, Milo, onde você aprendeu a cozinhar assim?

Milo sorriu nostálgico antes de responder. — Quando eu estive na faculdade, dividia o apartamento com mais três amigos, um deles é italiano e faz umas massas divinas, eu aprendi algumas coisas com ele. — Milo se referia a Carlo, tanto o italiano quanto o espanhol foram colegas de apartamento na época da faculdade assim como Aioria.

Camus não queria dar o braço a torcer, mas o fato é que gostava da companhia de Milo, e estava gostando de saber um pouco mais sobre o loiro.

Jovens amigos de faculdade sem nenhuma preocupação que não fosse estudar, Camus não conseguia nem imaginar como era um vida assim.

— Você realmente aprendeu a fazer, pois está uma delícia. — Disse Camus.

— Fico feliz que tenha gostado, assim pode tentar se alimentar melhor, eu notei que você perdeu peso. — Milo comentou sua observação sobre o estado do ruivo.

— Eu não consigo sentir fome quando estou nervoso ou preocupado, e com tudo isso, enfim... — Justificou o ruivo.

— Mas precisa se cuidar. — Milo falou sério.

Os dois ficaram conversando amenidades até Camus perceber que Hyoga estava praticamente dormindo na mesa.

— Coitado, ele está acostumado a dormir cedo. — Comentou Camus pegando Hyoga no colo e o levando para o quarto, quando voltou à sala Milo estava tirando a mesa.

— Camus, você está cansado também, eu vou embora pra deixar você descansar. — Disse Milo ao acomodar os pratos na pia.

— Não... — Camus falou rápido. — Fica mais um pouco, estou muito cansado e por isso não vou conseguir dormir se deitar agora.

— Oi? Como alguém cansado não consegue descansar? — Questionou o loiro confuso.

— Quando estou muito cansado o meu corpo fica acelerado, eu tenho que tomar alguma coisa para poder relaxar. — Explicou Camus.

— Um remédio? — Perguntou Milo preocupado.

— Ou um vinho. — respondeu Camus abrindo um armário e retirando uma garrafa de lá. — Não tenho vinhos caros como você deve estar acostumado, mas esse é gostoso.

Milo sorriu e aceitou a taça que o ruivo ofereceu.

Os dois sentaram no pequeno, mas aconchegante sofá de Camus, com as taças nas mãos para beberem o vinho.

Apesar de ter sugerido o vinho Camus estava completamente introvertido, não queria dar brechas a Milo, não queria se envolver romanticamente com o jovem Kapino, não confiava em ninguém, muito menos em Milo que estava o deixando confuso.

Milo sentou de lado observando o ruivo que estava se comportando como um adolescente virgem sozinho em casa com seu primeiro namorado. — Você é surpreendente, sabia?

— Eu? Por quê? — Questionou Camus incrédulo.

— O jeito que você cuida dos seus irmãos, sabe? Tudo bem, um dia quem sabe eu não tenha a oportunidade de vir aqui quando a família estiver reunida, mas o pouco que eu vi, me surpreendeu. — Declarou Milo sincero, naqueles dias pareciam que séculos haviam passado desde que ele se aproximou de Camus com seu plano de vingança.

A cabeça de Milo estava muito confusa.

— Eles são a minha vida, eu vivo por eles. Sem meus irmãos comigo, eu... — Camus se emocionou e não conseguiu terminar de falar.

Milo olhou para o homem que tanto jurou ódio e vingança ali na sua frente, o verdadeiro Camus não passava de um jovem assustado com mais responsabilidades que Milo jamais sonhou ter na vida.

A vida de Camus ainda era uma incógnita para Milo, um quebra cabeças que ele faria questão de montar.

Milo se aproximou de Camus colocando as mãos em seu ombro. — Eu sei, digo, eu imagino...

Camus percebeu que Milo estava assustadoramente próximo. — O que você quer de mim, Milo? — Sussurrou olhando nos olhos azuis do loiro.

Os olhos se Milo miravam os de Camus, e desviavam para a boca do ruivo.

Camus estava tão perto, tão próximo...

— Eu não sei, Camus, mas eu quero alguma coisa. — Disse Milo por fim vencendo a curta distância entre eles e alcançando os tão desejados lábios de Camus.

O coração de Camus disparou em seu peito, a sensação de estar Milo ali o beijando era como andar numa montanha russa, pois da mesma forma que era excitante, dava medo. E o medo faz Camus lembrar que o amor não era pra ele, pessoas como ele não tinham direito ao amor.

Mesmo sem vontade, Camus se afastou levantando do sofá, deixando um Milo confuso ali.

— Já está tarde, preciso tentar dormir. — Justificou Camus sem olhar para Milo.

— Tudo bem. — Milo disse pegando as chaves do seu carro, mas quando passou pela porta, Camus o chamou.

— Milo. — Quando o loiro olhou em seus olhos, Camus pediu: — Me perdoe, mas eu não consigo.

Milo nada falou, apenas concordou assentiu antes de sair, o jovem Kapino estava mais confuso do que nunca, o gosto do beijo de Camus iria ficar na boca de Milo para sempre.

Camus por sua vez sentia o coração bater mais forte, suas pernas tremeram. — Não Camus, não! Isso não é pra você, não!

O ruivo falou encostando a testa na porta, pensando com o coração ainda acelerado. — Por que não? Por que não posso apenas viver o momento? Por que não posso apenas me deixar levar?

Quando a campainha tocou o coração de Camus quase saiu pela boca, decerto Milo havia voltado, “vou me entregar ao momento, preciso viver isso" pensou Camus, mas quando abriu a porta deu um passo para trás. — Você, aqui?



Notas finais
OMG quanta coisa, não? Quem será que está visitando o Camus? O Milo está mais confuso que eu tentando entender pobre de direita, vamos esperar ele colocar a cabeça dele em ordem pra ele realmente se dar conta do que está sentindo. E o Mask investigando a Sanctuary, só não contava em ver um certo sueco lindo cantando como um anjo... Acho que o Shura não vai gostar disso, não é? O que será que ele vai descobri lá? E o Saga, vai ficar quietinho esperando o Camus??? Não percam os próximos capítulos... Comentários são sempre bem vindos!!! Não se acanhem!!! Grupo das fics >>>> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/