Na Mira do Vampiro

10 "Eu incinero vocês!"


Todavia, quando já iam passando pela porta, toparam com Tião vindo da garagem. Ele olhou para os meninos furioso.

— Você de novo? O que você estavam fazendo lá em cima? — perguntou indignado. — E quem é esse aí? — falou, apontando para Toninho.

Os garotos não responderam.

— Eu vou ensinar vocês a não fazerem molecagem com os mais velhos...

Duda e Toninho saíram correndo em disparada, com o porteiro atrás.

— Voltem aqui, seus moleques! Eu pego vocês! — esbravejava ele, enquanto os meninos desapareciam pela rua. — Da próxima vez que eu pegar vocês por aqui, eu vou jogar todo mundo na lixeira! Eu incinero vocês!

Duda e Toninho já estavam longe e não escutaram a ameaça.

Pouco tempo depois, encontraram-se com Kid Pulga. Duda o prendera no quintal de uma casa vazia, numa rua próxima, para que ele não atrapalhasse a missão de resgate.

Serenados os ânimos, Toninho voltava a perguntar:

— Ô Duda, pra que você ia tocar a campainha?

— Ora, eu ia perguntar...

— Se alguém tinha visto um crioulinho escondido dentro de um caixão? — completou Toninho em tom de gozação.

— Não, espertalhão, eu ia inventar uma desculpa qualquer — retrucou Duda, meio irritado.

— Qual?

— Por exemplo, perguntar se era ali que tinham pedido umas flores... — disse Duda, seguro de si. — Você nem imagina o que eu fiz pra entrar naquele prédio. Todos os truques que eu tentava, esbarravam sempre naquele porteiro; só que teve uma hora que ele bobeou, aí eu entrei sem ser visto. Puxa! Cheguei a pensar que nunca mais veria você...

— Não vai me dizer que você ficou imaginando que eu, o mais esperto da rua, tinha sido apanhado? — indagou Toninho, convencido.

— Pior! Fiquei imaginando que você tinha servido de comida para o vampiro ressuscitado — retrucou Duda seriamente.

— Você viu em que direção foi a caminhonete?

— Seguiu pela rua e virou à esquerda; mas pra onde ela foi, eu não sei — respondeu Duda meio desanimado. — Mas eu guardei a placa do carro de memória e isso não vai ficar barato! — concluiu, reanimando-se.

Os dois continuaram a pé o caminho de casa; afinal, não era muito longe e eles conheciam bem a redondeza.

Talvez fosse tarde para o almoço, mas o mistério envolvendo o vampiro estava apenas no começo...