Na Mira do Vampiro
11 Depois da tempestade...
Eram exatamente treze horas e vinte e dois minutos quando os garotos chegaram em casa.
Da. Amanda, mãe de Duda, uma mulher morena de seus 30 anos, já os esperava há algum tempo.
— Muito bonito, não é, seu Duda! Esqueceu da aula de novo! — disse ela de cara amarrada.
— É, nós tivemos alguns contratempos... — respondeu Duda cinicamente.
— E você, Toninho, qual é a sua desculpa?
— Nós estamos atrasados, né? — retrucou ele, sem graça.
— Atrasados?! Vocês perderam a aula pela segunda vez esta semana! — volveu Da. Amanda, irritada. — Acho que eu vou acabar com esses jogos de futebol durante as manhãs. Vão almoçar que a comida ainda deve estar quente.
Os dois, famintos, correram para a copa sem maiores explicações.
Kid Pulga começou a latir do lado de fora em tom de súplica.
Da. Amanda foi até a copa e falou para Neusa:
— Neusa, você pode dar comida ao Kid pra mim, por favor?
— Já tô providenciando, Da. Amanda — disse Neusa, uma negra forte, uns vinte anos mais velha que a mãe de Duda.
Da. Amanda retirou-se para seu quarto.
— Que que vocês andaram aprontando? — perguntou Neusa, fitando os dois com uma expressão séria.
— Nada não, Neusa. Só estávamos jogando bola e esquecemos a hora da aula.
— Outra vez, Duda! Se você esquecer a hora mais uma vez tua mãe vai te colocar de castigo.
Neusa acabou de servir os dois pequenos e saiu da cozinha levando o pote de comida de Kid repleto.
Logo depois voltava Da. Amanda, vestida para sair. Então ordenou:
— Depois do almoço, eu quero que vocês estudem o resto da tarde já que não foram à aula hoje. Quando eu voltar, não quero queixas, ouviu, Duda?
Duda limitou-se a balançar a cabeça, concordando.
Da. Amanda saiu e os dois continuaram a comer.
— Toninho, nem um pio sobre o vampiro. Se elas descobrirem com quem a gente andou se metendo, isso vai dar a maior confusão...
— É, e a gente não pode dar mais furo, senão vamos ficar de castigo. Aí, adeus às peladas de manhã.
— É por isso que eu vou sozinho procurar o Ferretti lá na delegacia — disse Duda, já planejando algo.
— E como você vai enganar a minha mãe?
— Simples! Você vai ficar lá no meu quarto trancado, fingindo que está estudando, enquanto eu vou voltar naquele prédio com o Ferretti pra tentar solucionar alguns daqueles mistérios que ficaram no ar... — explicou Duda, na sua pose de detetive particular.
— Vê lá o que você vai arrumar, heim!
— Deixa comigo! Já acabou de comer?
Toninho fez um gesto para Duda esperar. Ele estava de boca cheia e preparava-se para dar outra garfada.
— Vamos logo, Toninho! O tempo voa.
— Peraí, mané. Eu tô com fome!
— Como você consegue pensar em comida quando nós temos um vampiro perambulando por aí noite e dia? Acaba logo!
Toninho dava a última garfada. Sem esperar pelo final da mastigação, Duda arrancou o amigo bruscamente da mesa, fazendo-o engasgar, e foram para o quarto...
Antes de entrar, porém, Duda deu um recado para Neusa:
— Neusa, nós vamos estudar, tá? Não deixa ninguém atrapalhar a gente!
Ela, metida em algum canto da casa, ocupada com seus afazeres, não respondeu.
No quarto, Duda foi até o material escolar, arrancou uma folha de caderno e escreveu o número da placa do carro funerário. Depois, exibiu-o a Toninho...
— Olha, é o número da placa da caminhonete.
— Você vai dar para o Ferretti investigar?
— É lógico. Mas antes a gente tem que ir lá naquele prédio fazer uma visitinha ao porteiro enfezado que expulsou a gente. É por lá que começam as investigações.
— Vai com calma, Duda.
— Deixa comigo. Tranca a porta do quarto assim que eu sair. Olha, tem que parecer que nós estamos estudando de verdade. Eu vou assobiar quando chegar na rua, falou?
Toninho confirmou com a cabeça.
Duda saiu do quarto, foi até a sala e, não vendo Neusa por perto, abriu a porta da rua com todo cuidado para não ser ouvido e saiu.
Chegando na rua, assobiou, conforme o combinado.
De agora em diante a farsa do estudo estava valendo.
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