Grissom cruzou as portas do laboratório com um sorriso enorme. Ele não apenas parecia descansado; ele parecia ter sido "rebotado" por uma fonte de energia que a ciência raramente explica em seus manuais.

Catherine, que já estava com sua caneca de café, parou no meio do corredor. Ela o acompanhou com o olhar desde a entrada até a mesa de evidências, arqueando uma sobrancelha com um sorriso que misturava astúcia e diversão.

— Bom dia, Gil — ela disse, aproximando-se com passos lentos. — Ou eu deveria dizer "excelente" dia? Porque, de onde eu estou, parece que você acabou de ganhar na loteria ou descobriu uma espécie nova de besouro que brilha no escuro.

Grissom tentou manter a expressão neutra, mas o brilho nos olhos o traía. Ele começou a organizar alguns slides para a reunião com Ecklie, mas suas mãos estavam leves demais.

— É apenas uma manhã com boa visibilidade e oxigenação adequada, Catherine — ele respondeu, sem conseguir esconder o leve repuxar no canto da boca.

— Sei... oxigenação — Catherine riu baixo, encostando-se na bancada. — Grissom, você está exalando uma "aura" que não víamos por aqui desde que a Sara foi para Washington. E, se eu não te conhecesse bem, diria que esse seu sorriso bobo tem nome, sobrenome e formação em física.

Grissom finalmente parou o que estava fazendo e olhou para a amiga. — Eu tive uma noite produtiva, Cath. Conversamos sobre o futuro... sobre as possibilidades que a verdade nos traz.

— "Conversaram", é? — Catherine deu um tapinha no ombro dele, a voz carregada de humor. — Pelo seu estado de animação, essa "conversa" deve ter tido pelo menos dez capítulos e um epílogo muito satisfatório. Você está tão alegrinho que acho que, se o Ecklie te der uma bronca agora, você corre o risco de dar um abraço nele.

Grissom fez uma careta de horror genuíno. — Não vamos exagerar. O Ecklie ainda é o Ecklie. Mas admito que o mundo parece um pouco menos chato hoje.

— Aproveite esse momento de ordem no caos, meu amigo — Catherine disse, voltando à seriedade, mas mantendo o brilho divertido. — Porque a julgar pela forma como você está "energizado", acho que o laboratório ficou pequeno demais para o seu humor hoje.

Grissom apenas assentiu, voltando aos papéis enquanto Catherine se afastava rindo.

O terror gelado da realidade cortou o devaneio doce de Sara como uma lâmina. O impacto seco da van bloqueando o caminho e o som dos pneus fritando no asfalto fizeram seu coração disparar, mas o choque maior foi ver os rostos conhecidos descendo do veículo.

Anthony exibia um sorriso distorcido, enquanto Ted mantinha as mãos trêmulas, mas firmes, segurando a porta aberta.

— Sem gracinhas, Sara! Vem comigo logo! — Anthony ordenou, a voz áspera, desprovida de qualquer vestígio da falsa cortesia de antes.

— Cuidado com ela, Anthony! — Ted interveio rapidamente, os olhos fixos na região do abdômen de Sara, uma preocupação que soava bizarra naquele contexto de violência.

Sara sentiu o estômago revirar. A traição de Ted doía quase tanto quanto a ameaça física. — O que você quer, Anthony? E você está junto com ele, Ted? — perguntou ela, tentando manter a voz estável enquanto sua mente de perita já começava a escanear os arredores em busca de uma saída.

— Só falo o que quero depois. E o Ted? Ele sempre esteve comigo, você é quem foi cega demais para ver — Anthony debochou.

— Me desculpe, Sara... — Ted murmurou, sem conseguir sustentar o olhar dela. — Mas trabalho já há algum tempo com o Anthony. Não faça loucura nenhuma e venha conosco numa boa. Não queremos que nada aconteça com você ou... com ele.

Sara olhou para a estrada deserta e depois para a expressão instável de Anthony. Ela pensou em lutar, em gritar, em usar as técnicas de autodefesa que aprendera no FBI, mas o toque suave de sua própria mão em sua barriga a fez parar. Um movimento errado, uma queda ou um golpe agressivo de Anthony poderia ser fatal para o bebê.

"Pelo Gil, por nossos filhos," ela pensou, forçando-se a respirar fundo.

— Tudo bem — ela disse, a voz gélida e carregada de uma autoridade que mesmo naquelas circunstâncias não desaparecia. — Eu vou, mas se um dedo seu encostar em mim, Anthony, eu garanto que o Grissom será o menor dos seus problemas.

Ela subiu na van sob o olhar vigilante da dupla. Enquanto o veículo começava a subir a estrada sinuosa em direção ao isolamento gélido do Mount Charleston, Sara começou a memorizar cada solavanco, cada cheiro de combustível e cada palavra dita. Ela era uma investigadora de cenas de crime; se eles a estavam levando para um cativeiro, ela transformaria cada centímetro daquele lugar em uma prova contra eles.

Enquanto a van desaparecia entre os pinheiros nevados, a reunião com Ecklie estava prestes a começar. Grissom olhou para o relógio de pulso.

— Estranho — comentou ele para Catherine, enquanto entravam na sala de conferências. — Sara não ligou me avisando que chegou na Prefeitura.

CW: Talvez seja o trânsito da Strip.

Um assessor do prefeito informa para Ecklei que o carro que estava levando Sara para Prefeitura, não apareceu. Estavam tentando contato com o motorista, mas não tinham retorno.

CE: Grissom, Catherine, temos um problema!!

CW: O que aconteceu?

CE: Onde Sara está morando?

GG: Em um flat duas quadras da minha casa, por que?

CE: Um assessor do Prefeito informou que Sara não apareceu até agora para o compromisso.

GG: Como assim Ecklei?? Eu mesmo a coloquei no carro que a levaria para a prefeitura.

CE: Pois é, Grissom. O motorista não atende, o carro não chegou… e ninguém sabe de nada.

CW: Isso não é atraso. Isso é problema.

GG: (já pegando o telefone) Eu vou ligar pra Sara. Isso não faz sentido.

CE: Já tentamos. O celular dela está desligado.

CW: Ecklie, quando foi a última vez que alguém falou com o motorista?

CE: Há mais de uma hora. Depois disso, silêncio total.

GG: (tenso) Eu vi ela entrar no carro. Estava tudo normal… ela estava tranquila.

CW: (franzindo a testa, a tensão no ar imediata) Grissom, você se lembra da placa do carro? Do nome do motorista?

GG: Era um sedã escuro... oficial da prefeitura, pelo menos era o que dizia no papel. O motorista apresentou credencial. Eu vi pessoalmente.

CE: (baixando a voz) Credencial falsa é a coisa mais fácil de falsificar nessa cidade, Grissom.

GG: (pausa. O peso daquelas palavras caindo devagar) ...Ligue para Brass.

CW: Jim? Catherine. Precisamos rastrear um veículo. Agora. É sobre Sara.

CE: (diante do mapa da cidade, marcando a rota entre o flat de Sara e a Prefeitura) Se saiu às 9h e o compromisso era às 9h30... o carro sumiu nesse intervalo aqui. (traça um círculo) Vinte minutos. Vinte minutos é tempo suficiente para muita coisa.

GG: (de pé, imóvel, olhando para o mapa como se a resposta estivesse escondida nele)

CW: (colocando a mão no ombro dele) Vamos encontrá-la, Gil.

GG: (sem tirar os olhos do mapa) Eu sei.

(Mas a forma como ele diz isso — firme demais, controlado demais — é exatamente o que Catherine mais teme.)

Brass chegou informando que encontraram o carro e o motorista estava desarcordado. Quando recobrou a consciência, falou que dois homens interceptaram o carro 20 minutos depois que saíram do flat e a levaram. Antes de ser atacado, ouviu Sara os chamar pelos nomes... Anthony e Ted!

— Ted... o "amigo" de Sara — rosnou Grissom, os olhos azuis faiscando de uma forma que raramente os colegas viam. — Sempre tive ranço dele, agora tenho mais! É um canalha, um oportunista que usou a amizade dela como arma.

Ele se virou para Warrick, que já estava com os dedos voando sobre o teclado.

— Warrick, preciso de você no rastreio — ordenou Grissom. — Calcule a rota da van partindo do ponto de interceptação. Cruze isso com todas as câmeras de trânsito e de estabelecimentos privados num raio de cinco quilômetros. Quero saber para onde aquela van dobrou.

— Já estou nisso, Gil — respondeu Warrick, concentrado. — Archie está filtrando as imagens agora mesmo. Se eles saíram da cidade, temos poucas rotas de fuga.

Nesse momento, Jim Brass entrou na sala com um envelope. — O Archie conseguiu imagens nítidas dos dois no momento da abordagem. O Anthony nem se deu ao trabalho de usar máscara, ele quer ser notado.

Catherine pegou as fotos e olhou para Grissom. — Gil, se temos fotos claras de Anthony e Ted, podemos aproveitar para levar ao menininho que presenciou o assassinato do Tito. Se ele confirmar que foram eles, temos mais do que um sequestro; temos a prova de que eles são os assassinos que estamos procurando.

Grissom assentiu prontamente, pegando o casaco. — Exatamente. Isso nos dá autoridade total para uma força-tarefa pesada. Vou chamar a Sofia para ir comigo falar com a testemunha. Catherine, fique no laboratório com o Warrick e o Archie. No minuto em que tiverem uma direção, me avisem.

GG: (encontrando Sofia) Curtis. Preciso de você agora. Vamos até a casa do garoto que viu o assassinato do Tito. Temos rostos para mostrar a ele.

SD: (já colocando o casaco) Ele vai conseguir lidar com isso? É uma criança.

GG: Vamos ser rápidos e cuidadosos. Mas precisa ser agora. Sara está com esses homens.

SD: (parando) ...Sara? O que aconteceu?

GG: (resumindo em duas frases enquanto caminha) Sequestrada esta manhã. Ted e Anthony estão envolvidos.

SD: (acompanhando o passo dele, expressão endurecendo) Ted? O amigo dela?

GG: Ex-amigo. Vamos!!

Os dois chegaram a casa do menino e falaram com a mãe que precisavam da ajuda dele no caso.

GG: Ei. Lembra de mim?

Menino: (acenando com a cabeça, desconfiante)

SD: (sorrindo gentilmente) Você foi muito corajoso antes. Só precisamos que olhe para umas fotos. Pode fazer isso?

GG: (estendendo as fotos, devagar) Você reconhece algum desses rostos?

Menino: (olhando... pausando em uma foto. Depois apontando com o dedo pequeno e firme) ...Esse. E esse. (Ted. E Anthony.)

GG: (controlando a respiração) Tem certeza?

Menino: Sim. Esse atirou ( Anthony) e esse chegou de carro ( Ted).

GG: (guardando as fotos com cuidado, olhando para o menino com respeito genuíno) Você foi incrível. Sabe disso?

Menino: (levantando o queixo levemente, tentando parecer mais velho do que é) Sim, eu sei.

Sofia: Talvez vamos precisar de um reconhecimento formal. Qualquer coisa avisaremos. Obrigada senhora!!!

— Do lado de fora da casa —

SD: (assim que a porta se fechou, baixinho) Anthony atirou. Ted chegou de carro. Divisão de tarefas clara. Isso foi planejado, Grissom.

GG: Planejado há tempo. (no telefone) Brass. Confirmação positiva. Os dois, Anthony atirou em Tito, Ted estava no carro. Vamos incluir mais crimes nas costas destes dois.

JB: Ok Grissom!!

A van balançava violentamente nas curvas fechadas que levavam ao Mount Charleston. Sara, sentada no banco de trás sob o olhar nervoso de Ted, percebeu que a temperatura no vidro da janela estava caindo drasticamente. Ela viu uma placa passar rapidamente: "Área de Recreação Nacional de Spring Mountains".

— Vocês estão me levando para a montanha — disse Sara, a voz carregada de uma calma que irritava Anthony.

— Cala a boca, Sara! — gritou Anthony, dando um soco no volante.

Ted olhou para Sara, uma expressão de pura culpa no rosto. — Sinto muito, Sara. Só precisamos que você fique quieta por uns dias. Depois que o Anthony conseguir o que quer com a Heather e o Grissom, nós te soltamos.

Sara olhou para Ted com um desprezo profundo. — Você é patético, Ted. Acha mesmo que o Anthony vai deixar testemunhas? Ele vai se livrar de você no momento em que não for mais útil.

Anthony soltou uma gargalhada sombria enquanto a van entrava em uma estrada de terra batida, escondida por pinheiros carregados de neve, rumo à cabana isolada.

No Laboratório...

Brass: Gente, se o Anthony estava escondido na casa de Heather, como o Sanches disse; Grissom encontrou a capsula e o menino confirmou que Tito foi morto por um tiro disparado por Anthony de dentro da casa e Ted enviou o vídeo da quase transa de Grissom com a Dominatrix para Sara.... então creio ser útil conversamos com a querida Heather Kessler.

GG: ...Heather?!!!

SD: (olhando de um para o outro) Espera. A Dominatrix? Aquela Heather?

JB: (cruzando os braços) A mesma. Se Anthony estava escondido na casa dela e ela não reportou... no mínimo ela sabia. No máximo...

GG: (a voz baixa, processando) ...ela é parte disso.

CW: Você acha Heather Kessler enviou o vídeo para Sara?

JB: Não diretamente. Ted enviou. Mas de onde ele tirou o vídeo se não da própria Heather?

GG: (a mandíbula travada) Ela me recebeu. Conversou comigo. Me olhou nos olhos... (pausa) E estava me usando como peão.

JB: Vamos traze-la para interrogatório.

SD: (com cuidado) Grissom. Por isso mesmo você não pode entrar nessa sala de interrogatório.

GG: (silêncio de três segundos)

CW: Sofia está certa. Você é parte da história dela. Ela vai usar isso contra você.

JB: (já pegando o telefone) Vou mandar buscá-la agora. Catherine, você e Sofia fazem o interrogatório?

CW: (colocando o casaco) Com prazer.

GG: (antes de todos saírem, firme) Quero saber cada palavra que ela disser. Cada pausa. Cada mentira.

JB: (já caminhando) Espelho. Você observa. Mas não entra.

GG: (olhando para o chão um instante, depois erguendo a cabeça)

Tudo bem. (Mas não está.)

Warrick sentiu um calafrio que não vinha do ar-condicionado do laboratório quando os pontos no mapa digital de Archie finalmente se alinharam.

— Grissom! — Warrick exclamou, batendo no ombro de Archie para que ele congelasse a última imagem de uma câmera de monitoramento rodoviário. — Eles não estão circulando pela cidade e nem foram para o deserto aberto. Olha a trajetória.

Ele apontou para a tela, onde o rastro da van escura aparecia em um ponto de verificação na periferia norte.

— O cálculo de tempo e as últimas coordenadas mostram que eles pegaram a rota que leva diretamente ao Mount Charleston — explicou Warrick, a voz tensa. — É o único lugar nessa direção onde eles poderiam se esconder sem serem notados imediatamente por patrulhas de rotina.

Archie ampliou a imagem, mostrando a van entrando na zona de transição onde o asfalto começa a subir a serra.

— O problema, Gil — continuou Warrick, virando-se para o supervisor —, é que quanto mais eles sobem, mais o sinal de qualquer dispositivo fica instável. Existem centenas de cabanas de veraneio e trilhas de serviço lá em cima que estão vazias nesta época do ano. É um labirinto de pinheiros e neve.

Grissom apertou os punhos, sentindo o peso daquela informação. O Mount Charleston era um lugar de isolamento extremo, especialmente com a frente fria que estava chegando.

— É o cativeiro perfeito para o Anthony — murmurou Grissom, a mente processando o risco para Sara. — Ar rarefeito, frio intenso e isolamento total.

Catherine aproximou-se — Vou avisar ao serviço de parques para patrulharem a área em busca de alguma pista, mas com cuidado.

A confirmação da rota para o Mount Charleston mudou o jogo. A equipe agora sabe a direção, então tem um ponto para trabalhar.

Sala de Interrogatório 🪞

CW: Senhora Kessler. Vamos falar sobre Anthony Hentz. Ele ficou quanto tempo escondido na sua casa?

HK: (recostando na cadeira, um sorriso lento) Direto ao ponto. Gosto. (olhando para o espelho por um segundo) Ele está aí, não está?

SD: Responda a pergunta.

HK: (voltando o olhar para Catherine, deliberadamente) Alguns dias. Ele precisava de um lugar. Eu ajudei.

CW: Você sabia que ele havia matado alguém?

HK: Suspeitava que ele havia feito algo... inconveniente.

SD: Inconveniente. Um homem está morto, senhora Kessler.

HK: (sem se abalar) Eu não atirei em ninguém. (inclinando levemente a cabeça) Ao contrário do Gil... eu sei exatamente onde minhas mãos estiveram e o que fizeram.

CW: O vídeo. Quem filmou?

HK: (sorriso que não chega aos olhos) Minha casa, minhas câmeras. (pausa) Ele parou, sabe? No momento em que a boca dele estava agarrada no meu seio e sua outra mão me dava prazer... ele simplesmente parou. (olhando direto para o espelho) Recuou. Me olhou como se eu fosse um erro que ele estava prestes a cometer.

Atrás do espelho, Brass olha de soslaio para o amigo. Grissom não move um músculo, mas a mão aperta levemente o próprio braço.

HK: (continuando, a voz quase suave) Foi humilhante. E revelador. Percebi que ele tem desejo por mim, mas sente respeito por Sara.

CW: Então você entregou o vídeo para Ted.

HK: (virando para Catherine) Eu disponibilizei o vídeo. O que Ted fez com ele... foi escolha dele.

SD: (se inclinando para frente) A senhora está ciente que isso a torna cúmplice no sequestro de uma perita?

(Pela primeira vez, algo muda no rosto de Heather. Apenas por um segundo.)

HK: ...Sequestro?

CW: Sara Sidle foi sequestrada esta manhã. Por Ted E Anthony.

(Silêncio.)

HK: (baixinho, e pela primeira vez sem o sorriso) Eu não sabia disso.

Heather Kessler. Imóvel. O sorriso calculado que ela usava como armadura desapareceu. Por dentro, uma tempestade.

Anthony Hentz. Idiota. Idiota completo. Ela havia lhe dado uma ferramenta, o vídeo, a dor, o ciúme para separar Grissom de Sara discretamente. Semear a dúvida. Criar distância. Não para isso. Nunca para isso.

Sequestrar Sara??? Pra quê? Ele havia tocado fogo na casa sem saber.

CW: (estudando cada milímetro do rosto de Heather, a voz quieta) Senhora Kessler.

(Nada.)

SD: (mais direto) Heather.

HK: (devagar, como alguém que está recontando mentalmente cada passo de um plano que saiu do controle) Eu lhe dei o vídeo para... (para. Reformula.) A intenção nunca foi...

CW: A intenção não importa mais. Importa onde Sara está agora.

HK: Eu não sei onde ela está. Se eu soubesse... (pausa longa) Anthony é um imbecil que pegou um bisturi e usou como marreta.

SD: (trocando olhar rápido com Catherine)

CW: Ele te procurou depois que entregou o vídeo?

HK: Ele disse que o tempo estava acabando.

Atrás do espelho...

GG: (quieto, observando)

JB: (baixinho) Ela está furiosa com ele.

GG: (sem tirar os olhos de Heather) Ela construiu algo que achava que controlava... e ele transformou em outra coisa completamente. (pausa) Isso ela não perdoa.

JB: Podemos usar isso.

GG: (virando lentamente para Brass) ...Sim.

Mount Charleston...

O ar dentro da cabana era gélido, cheirando a mofo e madeira úmida. O som metálico da corrente prendendo o tornozelo de Sara ao pé da cama de ferro ecoou pelo quarto pequeno, selando a gravidade da situação.

Anthony saiu batendo a porta, deixando um rastro de agressividade e ganância no ar. Ted permaneceu ali, parado aos pés da cama, incapaz de encarar os olhos de Sara, que o observavam com uma mistura de choque e decepção profunda.

— Sara, muita coisa aconteceu depois que você foi embora de São Francisco — Ted começou, a voz falha, tentando justificar o injustificável. — Eu me vi envolto em dívidas e o Anthony surgiu me fazendo uma proposta tentadora a qual resolveria meus problemas.

— A custo de quê, Ted? Da sua liberdade? — Sara rebateu, a voz firme apesar da situação. — Você sempre foi um homem inteligente, não acredito nesse caminho que seguiu. Você se tornou um criminoso por dinheiro?

Ted deu um passo à frente, a expressão de alguém que estava perdendo o chão. — Minhas chances com você acabaram, né?

Sara soltou um riso amargo, balançando levemente a corrente. — Ted, você nunca teve chances comigo! O que vivemos foi legal, mas o que tenho com o Grissom é uma coisa maior. É um sentimento grande, lindo. Eu o amo muito, muito!

O golpe da verdade pareceu atingir Ted com mais força do que qualquer agressão física. Ele se sentou em uma cadeira velha, escondendo o rosto nas mãos antes de fazer a confissão que mudaria tudo.

— Queria confessar uma coisa... O Grissom foi enganado pela Heather e pelo Anthony. Eles armaram para trocar o exame dele e eu ajudei a monitorar você, para saber quando faria o exame de gravidez.

Sara sentiu o coração disparar. — Eu sabia... eu sabia que o exame dele estava adulterado! — As lágrimas de raiva começaram a surgir. — Ted, você me viu sofrendo. Viu o Grissom desmoronando por achar que não podia ser pai... como você pôde ser tão cruel?

— Eu achava que você se separando dele poderia ficar comigo — ele sussurrou, a voz carregada de uma culpa tardia. — Perdão, Sara. Por favor...

— Ted, o que tivemos ficou no passado — ela sentenciou, olhando-o com uma piedade que doía mais que o ódio. — O único que me interessa é o Grissom. Se o destino não nos quer juntos, meu coração não tem espaço para outro. Entenda isso de uma vez: nem mil armadilhas do Anthony mudariam o que eu sinto por ele.

Ted levantou-se lentamente. Ele parecia menor, como se o peso dos seus erros o tivesse encolhido. Ele saiu do quarto sem dizer mais nada, abatido, mas com a alma lavada por ter, finalmente, tirado a máscara diante da única mulher que amara.