NOSTALGIA (VERSÃO 2026)
35 Veneno e Imprudência 🐍
Casa de Heather Kessler — simultaneamente ao interrogatório
Vidros estilhaçando. Madeira rasgada por balas. A equipe de Vartan respondeu no instante em que os primeiros disparos cortaram o ar.
Dois minutos de caos puro. Quando a fumaça baixou, havia dois corpos no chão. Três homens algemados, um deles sangrando pelo ombro.
Vartan: (agachado ao lado do ferido) Quem mandou vocês atacar aqui?
Ferido: (respirando com dificuldade, olhando para os lados)
Vartan: Você está ferido. Minha equipe pode demorar para chamar a ambulância ou pode ser agora. Sua escolha.
Ferido: (cerrando os dentes) ...Sanches. Procuramos por Anthony. Soubemos que ele está escondido aqui, que mudou até a aparência.
Vartan: Ele não está aqui. Por que Sanches quer Anthony agora?
Ferido: (quase rindo, sem força) Porque ele matou Tito. Ele deu um prejuízo no patrão. (tossindo) Tem prêmio alto pela cabeça dele. Muita gente na rua procurando. O patrão vai encontrar antes de vocês...
Vartan: Remove ele para o hospital. Agora.
Virando para a equipe: Anthony matou o primo de Sanches, aumentando a raiva dele após o prejuízo que ele deu. Sanches não quer ele preso. Quer ele morto.
O detetive liga então para o capitão informando o ocorrido no local.
JB: Vartan. O que aconteceu?
Vartan: Ataque à casa da senhora Kessler. Dois mortos, três detidos. Jim... Tem uma caçada particular acontecendo paralela à nossa. Homens armados nas ruas procurando por Anthony.
Brass fecha os olhos por um segundo.
Vartan: Se Sanches chegar lá primeiro...
JB: Eu sei. Obrigado, Vartan.
Brass retorna a sala de observação.
JB: Grissom. Temos um problema novo.
GG: O quê?
JB: A casa da Heather foi atacada a mando do bando de Sanches. Tem homens armados na rua com o mesmo intuito que nós, porém com ideias diferentes. Quem chegar primeiro...
GG: Sara está no meio de uma guerra.
O ambiente exala dinheiro sujo com verniz de respeitabilidade. Móveis caros. Um homem que nunca parece com pressa porque sempre foi ele quem ditou o ritmo das coisas.
Funcionário: O ataque à casa da mulher falhou, patrão. Perdemos dois homens. Três foram detidos, um está no hospital. A dominatrix foi levada para a delegacia para dar esclarecimentos.
Sanches não reage. Apenas olha pela janela.)
Funcionário: E... confirmamos que Anthony não estava lá. Ao que tudo indica... ele sequestrou uma perita criminal. Sara Sidle. A policia esta procurando ele também devido a mais esse crime.
Sanches: Anthony matou meu primo. Fugiu. E agora sequestrou uma perita criminal... (pausa longa) ...tornando ele o homem mais procurado desta cidade por dois lados simultaneamente.
Funcionário: ...Sim, patrão.
Sanches: Ele acha que vai ganhar alguma coisa com isso? Acha ela pode ser a proteção dele?
Funcionário: Aparentemente...
Sanches: Não é. (pausa) É um peso. Um peso que vai afundá-lo mais rápido. A polícia vai chegar até ele com tudo que tem porque tem uma deles lá dentro. Isso significa que minha janela é pequena.
Funcionário: Vamos continuar procurando...
Sanches: Eu só quero que me tragam o que eu pedi. Como vão fazer, não me interessa.
O funcionário engole em seco e acena com a cabeça.
A tensão no laboratório era quase palpável, até que as portas automáticas se abriram para dar passagem a uma figura que parecia ter saído diretamente de um comercial de recrutamento de Quântico.
Daniel, o "Grilo de Harvard" e orientador de Sara no curso do FBI, entrou no departamento com a postura impecável de quem domina tanto a lei quanto a genética. Ele carregava um laptop e uma expressão de determinação que gritava eficiência federal.
Catherine, que estava debruçada sobre uma bancada, endireitou a coluna instantaneamente. Seus olhos percorreram o agente de cima a baixo, da estrutura atlética ao corte de cabelo milimetricamente simétrico.
— Ora, ora... — murmurou Catherine, soltando um suspiro audível que fez a cabeça de Grissom virar na direção dela com a velocidade de um chicote. — Eu sabia que o FBI tinha bons recursos, mas não sabia que eles vinham com esse... acabamento de luxo.
Grissom, que já estava com os nervos à flor da pele, estreitou os olhos. Ele observou Daniel cumprimentar a equipe com uma confiança que, para o supervisor, soou quase ofensiva.
— Drº Grissom. — Daniel estendeu a mão, o tom de voz equilibrado. — Sara é uma grande amiga. Eu não ia ficar em Washington enquanto ela estivesse em perigo. Queria dizer que tenho como ajudar nas buscas.
Grissom apertou a mão do agente com uma firmeza desnecessária, os lábios comprimidos em uma linha fina. O ciúme, um sentimento que ele costumava classificar como "ruído biológico irracional", estava rugindo em seus ouvidos.
— Agradecemos a colaboração, Agente. Embora o CSI de Vegas tenha protocolos de busca muito bem estabelecidos — respondeu Grissom, a voz um tom mais grave e territorial.
Catherine não perdeu a oportunidade. Ela se aproximou de Grissom, sussurrando bem perto do ouvido dele com um sorriso malicioso:
— Cuidado, Gil. Se o ciúme fosse um inseto, você estaria precisando de um inseticida bem forte agora. E convenhamos... se a ciência falhar, pelo menos a vista da nossa sala de comando melhorou uns 100%.
— Catherine, o foco é a Sara — rebateu Grissom, sentindo o rosto esquentar sob a barba.
— Justamente! — ela continuou, implacável no humor. — Se a Sara passou 30 dias ao lado de um exemplar desses e ainda prefere ter seu corpo ao lado dela na cama, você realmente deve ter um mel especial, meu amigo. Mas corre, porque o "Grilo de Harvard" ali parece que sabe usar o satélite mais rápido do que você usa o microscópio.
A presença de Daniel era um golpe no seu ego, mas ele engoliu o orgulho. Pela Sara, ele aceitaria ajuda até do próprio FBI em pessoa, mesmo que isso significasse aguentar Catherine comparando o porte físico dos dois pelo resto do mês.
Grissom informa a Daniel que a suspeita do cativeiro seja localizado no Mount Charleston, porém é um local imenso.
— Grissom, eu entendo que o Mount Charleston é um labirinto de pinheiros — disse Daniel, mantendo a calma. — Mas quando a Sara terminou o treinamento em Washington, eu dei a ela um colar. É uma peça discreta, mas a pedra central esconde um micro-transmissor GPS de baixa frequência, projetado para situações de risco. Se ela estiver usando, eu consigo reduzir nossa área de busca.
Grissom, que até então olhava para Daniel, sentiu o coração dar um salto.
— Um colar... com uma pedra azul clara? — perguntou Grissom, as palavras saindo antes que ele pudesse filtrá-las. — Ela está usando. Eu... eu a vi com ele quando acordamos ontem de manhã.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo sorriso vitorioso e malicioso de Catherine. Ela se virou para Grissom, apoiando o queixo na mão, com aquele olhar de quem acaba de encontrar a prova irrefutável de um crime passional.
— Ah, então você viu o colar de manhã, foi, Gil? — Catherine provocou, a voz carregada de um humor delicioso. — Viu como você realmente chegou "levinho" e todo energizado ontem? Passou a noite com a Sara, matando as saudades, e ainda teve tempo de fazer um inventário das joias dela...
Grissom sentiu o rosto esquentar instantaneamente, atingindo um tom de vermelho que competiria com qualquer sirene de viatura. Ele tentou ajustar os óculos, pigarreando para recuperar a dignidade.
Daniel deu uma leve risada, um som curto e contido, mas que mostrava que ele tinha entendido perfeitamente o cenário. Ele não parecia incomodado; pelo contrário, parecia satisfeito por saber que Sara estava segura com quem amava antes do pesadelo começar.
— Bom, a "evidência" vai nos salvar — disse Daniel, voltando-se para o teclado e digitando comandos em uma velocidade impressionante. — Se ela não tirou o colar, o sinal deve estar pulsando. Como estamos em uma área de sombra, o GPS pode demorar a triangular, mas trabalhar nisso.
O frio da montanha parecia penetrar as paredes do quarto, mas para Sara, a maior gélida vinha de sua própria mente. Sentada na borda da cama, ela fechou os olhos por um momento.
Sua mente viajou de volta para as horas que passou nos braços de Grissom. Ela lembrava da intensidade do toque dele, do cheiro másculo, e da forma como ele a olhou, como se ela fosse a única coisa sólida em um mundo que desmoronava. Ele foi romântico, detalhista, quase desesperado em sua necessidade de reconexão.
Mas, agora que o silêncio do cativeiro a obrigava a analisar cada detalhe, uma dúvida começou a corroer sua paz.
— Ele não falou quase nada sobre o bebê... — sussurrou para si mesma, a voz falhando.
Ela lembrou que, embora Grissom tivesse colocado a mão sobre seu ventre com uma reverência quase sagrada, ele não mencionou planos, nomes ou o futuro da criança com a clareza que usou para falar sobre eles dois.
— Será que ele ainda tem dúvidas de que esse filho é dele? — a pergunta flutuou no ar pesado do quarto.
Sara sentiu uma pontada de angústia. Ela sabia que Ted tinha acabado de confessar a manipulação dos exames, mas Grissom ainda não sabia disso. Na cabeça dele, o exame de fertilidade negativo que Anthony e Heather forjaram ainda era uma "verdade científica".
— Ele está tentando me amar apesar do que ele acha que é a verdade — concluiu ela, sentindo o coração apertar. — Ele está sendo nobre, tentando aceitar um filho que ele acredita, racionalmente, não ser dele, só para não me perder de novo.
Ela tocou a barriga com firmeza. — Você é dele, pequeno. E ele precisa saber disso. Não por uma questão de honra, mas porque ele merece saber que a biologia não falhou com ele... e que o milagre é real.
— Casa de Heather Kessler — fim da tarde —
Heather para no meio da entrada. Respira fundo.
Vidros quebrados. Marcas de bala nas paredes. Móveis virados. O cheiro de pólvora ainda impregnado no ar.
Tudo que ela havia construído com cuidado, com estética, com controle absoluto violado.
E Grissom não atendeu. De novo. Três chamadas. Silêncio.
Algo dentro dela que ainda guardava uma versão romantizada daquele homem quieto que a olhava como um enigma a resolver se fechou como uma porta batendo.
O celular na mão. O número discado antes que a razão pudesse vetar.
Sanches: Alô!!!
HK: (andando sobre os cacos de vidro, a voz absolutamente controlada) Você quer Anthony.
Sanches: Heather ...Fale.
HK: Ele tem uma cabana alugada no Mount Charleston. Foi pra lá. (pausa de um segundo, curto demais para ser arrependimento) Pode jogar aquele casebre todo pro ar com todos dentro. Não farão falta nenhuma.
Sanches: Espero que não esteja mentindo pra mim, Heather. Você já fez uma vez.
HK: Não estou. Anthony me falou que iria pra lá. Eu não tenho motivo para protegê-lo.
Sanches: ...Terei isso em mente.
(A linha cai.)
A sala de comando ficou em silêncio absoluto enquanto Grissom colocava o celular no viva-voz, sob o olhar atento de Daniel e Catherine. O som da voz de Anthony era carregado de uma pressa perigosa. Ele quer como resgate o valor do seguro de vida que beneficiou Augusto. Sara e ele haviam colocado o valor numa poupança no nome da criança.
— Dê o seu jeito de sacar, homem inseto! — a voz de Anthony ecoou, distorcida pelo sinal instável da montanha. — Preciso deste dinheiro com urgência máxima. O seguro do Gugu é meu por direito, e você vai transferir cada centavo.
— Quero falar com a Sara! — exigiu Grissom, firme.
— Estou bonzinho, vou deixar! — Anthony riu do outro lado. — Toma, o homem inseto quer falar com você, mas é rápido!
Houve um ruído de movimento e, de repente, a voz que Grissom mais precisava ouvir preencheu a sala.
— Grissom?! — A voz de Sara soava cansada.
— Amor, como você está? — Grissom disparou, os dedos apertando a borda da mesa. — Fizeram alguma coisa com você? O nosso filho está bem?
Houve uma pausa do outro lado da linha. O silêncio de Sara foi quase doloroso.
— Grissom... é muita informação junta... — a voz dela falhou levemente. — Você... você falou nosso filho?
Grissom fechou os olhos por um segundo, sentindo o peso da dúvida que ela carregava e a alegria da verdade que ele agora abraçava.
— Sara, eu vou te trazer de volta e explico melhor aqui — ele disse, com uma doçura que fez Catherine desviar o olhar, emocionada. — Mas, de antemão, saiba que eu te amo muito e estou mega feliz pelo filho que vamos ter. É nosso, Sara. Sempre foi.
— Eu também te amo e... realmente não estou entendendo nada! — Sara respondeu, com um sopro de riso nervoso em meio à tensão. — Eu estou bem, apesar da companhia!
— Bla,blábláblá!! Acabou o tempo! — Anthony gritou ao fundo, mas Ted chegou o chamando urgentemente. Ele saiu, mas deixou o telefone caído com a ligação ainda ativa.
— Grissom! — ela sussurrou alto, projetando a voz em direção ao aparelho. — Grissom, eu estou presa, não consigo chegar no telefone! Rastreia a ligação antes de ele voltar... Eles estão nervosos, algo aconteceu lá fora!
— Continua falando, Sara! — a voz de Grissom veio firme, embora carregada de uma ansiedade que ele mal conseguia conter. — O Archie e o Daniel estão fazendo isso, falta pouco.
SS: Daniel esta aí??
Daniel: Estou sim Sara!! Vamos te resgatar !!!
— Estou em uma cabana de madeira... o vento está muito forte e o cheiro é de pinheiro e querosene — Sara relatou rapidamente, mantendo os olhos fixos na porta por onde Anthony saíra. — O Ted parece estar perdendo o controle, Grissom. Ele me confessou tudo... a armação dos exames, a Heather... eles sabotaram você!
— Sara, nós temos a localização! — Grissom disse, a voz vibrando de determinação. — Quanto ao que você falou... eu já sei. Eu estou indo te buscar meu amor!!
SS: Te espero!! Te amo!!
Nesse momento, o som de passos pesados ecoou no corredor. Anthony vinha bufando, e Sara teve apenas o tempo de se recolher na cama antes que a porta fosse escancarada.
— Cadê essa droga de celular? — Anthony rosnou, varrendo o chão com os olhos. — Deixei o telefone e você nem viu?! Bom, quero que você pressione Grissom a buscar o dinheiro. Preciso ir embora urgente!
SS: Não tem como pegarmos sem autorização .
AH: Eu mato você se não conseguirem meu dinheiro!!
Na sala momentos antes...
Ted: (andando de um lado para o outro, inquieto) O ataque na casa de Heather foi idiota. Sanches está furioso desde que você matou o Tito. Você nos colocou no meio de uma guerra.
AH: Tito me reconheceu. Era ele ou eu.
Ted: E agora temos a polícia, Sanches e provavelmente a Heather furiosa atrás de nós. Ótima semana, Anthony.
AH: Difícil eles nos acharem aqui. É isolado... quase ninguém conhece esse lugar.
Ted: Heather sabe que estamos aqui.
(Silêncio.)
AH: Heather não vai...
Ted: Não confio nela. Nunca confiei. Ela te ajudou por interesse próprio e agora o interesse dela mudou. Se Sanches fizer contato com ela...
AH: ...ela entregaria a gente?
Ted: O que você acha??
Com a localização, Brass começou a organizar a equipe de resgate com Daniel presente nela. Estavam indo para o estacionamento quando o telefone de Vartan toca e o interlocutor o avisa que Sanches já sabe a localização de Anthony. Grissom vai chegando no grupo e Brass conta para ele a noticia. A surpresa vem de outra pessoa chegando
- Ele sabe porque eu dei a localização.
O ar no estacionamento do laboratório ficou subitamente mais pesado, como se a temperatura tivesse caído dez graus com a presença de Lady Heather. Grissom parou a poucos metros dela, o rosto endurecido em uma máscara de desprezo que raramente exibia.
— Você não fez isso... — Grissom murmurou, a voz baixa, mas carregada de uma fúria contida.
— Fiz sim! — Heather rebateu, dando um passo à frente, os olhos fixos nos dele com uma intensidade perturbadora. — Você é meu e de mais ninguém, Gil. Se eu não puder ter você, ninguém mais terá o privilégio de viver o futuro que você planejou.
Grissom sentiu o desespero subir pela garganta. Ele se aproximou da Dominatrix, ficando a centímetros do rosto dela. A aura de mistério que antes o atraía agora parecia apenas uma patologia cruel.
— Espero sinceramente que você fique sozinha para entender que você não tem poder nenhum sobre a vida das pessoas — disse Grissom, cada palavra soando como um veredito.
— Tenho sobre a sua! — ela insistiu, com um sorriso amargo. — Você briga comigo, mas sempre volta. Você é fascinado pelo que eu represento.
— Vamos ver — respondeu Grissom, virando as costas para ela com um desprezo absoluto.
Brass dirigia com uma precisão, cortando o trânsito pesado. O silêncio dentro do SUV era denso, interrompido apenas pela respiração pesada de Grissom estava atento ao que escrevia no celular.
— Está tudo bem, Grissom? — perguntou Brass, lançando um olhar de soslaio. — Você está calmo... não está agitadíssimo como eu esperava, dado o que aquela mulher acabou de cuspir na nossa cara.
Grissom terminou de digitar uma última sequência, bloqueou a tela e respirou fundo, fechando os olhos por um breve momento.
— Estou me controlando, Jim — respondeu ele, a voz saindo mais rouca do que o normal. — Mas estou, sim, nervoso pra caramba. Por dentro, sinto como se cada terminação nervosa minha estivesse em curto-circuito.
O carro da polícia começou a inclinação da subida. A cada quilômetro, o ar ficava mais frio, e a realidade de que a vida da sua mulher e do seu filho dependia de segundos tornava a calma de Grissom a sua armadura mais pesada.
A casa dos Grissom estava uma quietude ansiosa. Beth segurava as mãos pequenas de Augusto, focando toda a sua atenção nos movimentos ágeis e expressivos do neto.
Augusto olhava para a janela, onde o céu sobre as montanhas parecia mais escuro e ameaçador. Suas mãos subiram rapidamente, articulando os sinais com uma urgência que partia o coração de Beth.
— Vovó, será que o papai vai salvar a mamãe? Estou com medo! — os sinais eram precisos, mas os olhos do menino brilhavam com lágrimas contidas.
Beth respirou fundo, forçando um sorriso encorajador e respondendo com a mesma fluidez de sinais que unia gerações naquela família.
— Vai sim, meu amor! — ela sinalizou com firmeza, acariciando o rosto dele. — Seu pai é o homem mais inteligente e corajoso que eu conheço. Ele não vai descansar até encontrar a Sara. Logo, logo ela vai estar aqui com a gente, eu prometo.
Augusto assentiu devagar, parecendo buscar conforto na certeza da avó. Ele fechou os olhos por um instante e, com uma reverência que demonstrava toda a sua doçura, sinalizou novamente:
— Vou pedir para o Papai do Céu proteger ela e meu irmão!
Beth sentiu um nó na garganta e puxou o neto para um abraço apertado.
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