NOSTALGIA (VERSÃO 2026)
40 Fogo 🔥
As viaturas abriam caminho entre si quando o carro de Grissom parou além do cordão. Ele desceu primeiro, deu a volta e abriu a porta para Sara, gesto automático, cotidiano e os dois atravessaram o asfalto iluminado de holofotes de mãos dadas.
Brass os viu chegando e algo no rosto do capitão, uma mistura de alívio e culpa disse tudo antes de ele abrir a boca.
— Desculpa interromper o namoro de vocês — ele disse, com aquele tom seco que era a versão dele de eu sei exatamente o que interrompi e me arrependo. — Mas a situação está crítica.
— Quem está lá dentro? — Grissom já estava de olho na fachada do Meridian, lendo a geometria da situação — ângulos, entradas, posição dos atiradores nos telhados.
Brass abriu a pasta fina que carregava sob o braço.
— Puxamos a ficha. Marcus Moss. — Fez uma pausa curta. — Saiu da cadeia há pouco tempo. Preso por perseguição à ex-mulher, que por uma certa coincidência...
— ...era funcionária de Lady Heather — Grissom completou.
Brass apontou para ele.
— Exato.
Sara havia soltado a mão de Grissom instintivamente ao entrar no modo trabalho, mas permanecia ao lado dele, os olhos percorrendo o perímetro.
— Ele falou o que quer?
— Até o momento — Brass disse, olhando para Grissom — só falou que queria você dentro do estabelecimento.
O silêncio que se seguiu durou exatamente o tempo que Grissom precisou para tomar uma decisão que todos ali já sabiam qual seria.
— Fale para ele que estou aqui.
Brass pegou o rádio.
Foi nesse momento que os saltos de Catherine Willows bateram no asfalto atrás deles ela havia chegado a tempo de ouvir a última frase, e a tempo de ouvir, pelo canal aberto com o interior do restaurante, a voz de Marcus Moss subir um registro acima do que havia sido até então.
— Eu quero Grissom DENTRO, Capitão!! Não do lado de fora!! DENTRO!!
O eco da voz atravessou o vidro e chegou até o perímetro com clareza suficiente para fazer um dos atiradores no telhado reajustar a posição.
O eco da voz atravessou o vidro e chegou até o perímetro com clareza suficiente para fazer um dos atiradores no telhado reajustar a posição.
Catherine parou ao lado de Sara. As duas se olharam.
— Alguém me explica o que eu perdi? — Catherine disse, baixinho.
Sara não tirou os olhos de Grissom.
— Tudo — ela respondeu. A palavra tinha um peso que Catherine entendeu imediatamente.
Brass cobriu o microfone com a mão e virou para o supervisor.
— Gil. — A voz do capitão havia perdido o verniz profissional por exatamente um segundo. — Você sabe que eu não posso deixar você entrar lá.
Grissom finalmente desviou os olhos da fachada e olhou para o amigo.
— Eu sei.
— Mas você vai querer entrar assim mesmo.
Não era pergunta.
Grissom não respondeu.
Não precisava.
Catherine havia encontrado o colete em uma das viaturas e ajudado a ajustá-lo. Sara havia pego o coldre e a arma, e os dedos dela demoraram um segundo a mais do que o necessário ao prender o equipamento na cintura do marido.
Nenhuma das duas falou muito. Não havia muito a dizer que as mãos já não estivessem dizendo.
Quando ele estava pronto, Sara ficou na frente dele.
Os olhos dela eram escuros e diretos, sem lágrimas, sem súplica. Só verdade.
— Você não ouse me deixar sozinha com duas crianças. — A voz era baixa, firme, e carregava tudo que ela havia escolhido não desmoronar na frente de todo o departamento. — Volte logo, pois temos uma noite para continuar nossa comemoração. Eu te amo.
Grissom colocou uma mão no rosto dela por um momento, polegar na maçã do rosto, toque breve e absoluto.
— Eu também te amo muito. — Os olhos dele encontraram os dela sem desvio. — E saiba que vou voltar sim. Eu sempre vou estar ao seu lado. Não esqueça disso nunca.
Ela cobriu a mão dele com a sua por um segundo.
Depois ele se afastou.
Se despediu de Catherine com um olhar, o tipo de comunicação que vinte anos de amizade constroem sem precisar de palavras e ela respondeu com um único aceno de cabeça que dizia vai e volte ao mesmo tempo.
A fachada do Meridian parecia maior vista de perto.
Grissom caminhou pelo asfalto com o passo deliberado de quem escolheu estar ali, e viu pelo vidro da porta o momento exato em que Marcus Moss o localizou.
O sorriso que abriu no rosto do homem era a coisa mais desconcertante da noite inteira.
A porta se abriu.
— Senhor Grissom! — A voz de Marcus tinha o calor artificial de um anfitrião aguardando um convidado esperado. — Que bom que chegou em nossa festa. Me deu um trabalho a sua falta hoje... — ele balançou a cabeça com algo que quase parecia humor — mas já consertamos isso.
Grissom entrou. Registrou o ambiente em frações de segundo: mesas deslocadas, reféns agrupados no centro do salão, o cheiro que o atingiu imediatamente e que identificou antes mesmo de processar conscientemente.
Combustível.
— Ei, vocês!! — Marcus virou para os reféns com um gesto largo. — Fora daqui! Quero só o doutor Grissom neste local.
O movimento começou tenso e silencioso: cadeiras afastadas, pessoas de pé com os braços ligeiramente erguidos, o shuffle coletivo de quem tenta sair sem chamar atenção. Um a um foram passando pela porta lateral que Marcus havia indicado.
O Xerife Atwater passou por Grissom por último.
Foi uma fração de segundo. Sem parar, sem desviar os olhos, o Xerife deixou as palavras caírem baixo o suficiente para só um par de ouvidos alcançar:
— Explosivos são falsos, mas o local está cheio de combustível.
E continuou andando.
E continuou andando.
A porta fechou.
Grissom ficou sozinho com Marcus Moss no salão vazio do Meridian o cheiro de combustível pesado no ar, as velas de decoração ainda acesas em alguns cantos, e um homem com um detonador na mão e um sorriso que não chegava aos olhos.
— Bem. — Marcus abriu os braços como se estivesse recebendo um velho amigo. — Agora podemos conversar de verdade, senhor Grissom.
O supervisor olhou para as velas. Olhou para o homem. Olhou para o detonador.
Combustível. Chama aberta. Um único erro.
Calculou.
— Pode me chamar de Grissom — ele disse, com a voz mais calma do mundo. — Me conta o que você realmente quer, Marcus?
Enquanto Grissom estava dentro do restaurante com um lunático, o diálogo na casa de Lady Heather revelava a origem do caos.
Heather observava Evelyn com um olhar tenso. O ar na sala estava pesado, carregado com o pressentimento de que Marcus Moss não era apenas um homem apaixonado, mas uma força da natureza descontrolada.
— Ele não está apenas obcecado, Evelyn — corrigiu Heather, a voz baixa e firme. — Ele está em um estado de dissociação. Quando ele invadiu este lugar, não vi o Marcus que eu conhecia, aliás nem o reconheci. Só depois, com calma, é que me toquei que era ele. Vi alguém que decidiu que, se não puder ter o controle sobre a própria vida ou sobre mim, ele vai controlar o destino de todos ao redor.
Evelyn estremeceu, olhando para a porta como se esperasse que o ex-marido surgisse a qualquer momento.
— O que será que esse homem vai fazer? — perguntou ela, a voz trêmula. — Marcus sempre foi meticuloso... ele não faz ameaças vazias.
Heather caminhou até a janela, observando as luzes da cidade. — Ele disse que eu teria notícias dele "em grande estilo". Marcus sabe que eu admiro o intelecto e o impacto. Ele não vai atacar um indivíduo; ele vai atacar o sistema. Ele quer provar que pode ser mais poderoso que a lei, mais imprevisível.
Dentro do Meridian 🔥
Vinte e cinco minutos.
Sara havia contado cada um deles no relógio do celular, na posição dos ponteiros de um viatura próxima, no ritmo da própria respiração. Catherine ficara ao lado dela durante todo esse tempo não falando muito, só presente, do jeito que Catherine sabia ser quando o assunto era sério demais para palavras.
A equipe processava os reféns um a um. Declarações, verificação de ferimentos, encaminhamentos. O Xerife havia sido um dos últimos a sair e estava a poucos metros delas quando Catherine começou a fazer a contagem mental.
Algo não fechava.
Ela varreu o grupo com os olhos uma vez. Duas.
— Cadê o Conrad? — A voz dela cortou o ruído ambiente com aquela precisão de quem acabou de notar um erro que não deveria existir. — Ele estava neste jantar, não estava?
O Xerife Atwater virou para ela.
— Sim. Ele estava.
O silêncio durou menos de dois segundos.
Foi o tempo que o Meridian precisou para explodir em luz.
Não foi uma detonação — foi uma ignição. O combustível que havia encharcado o interior do restaurante encontrou uma fonte de calor e o resultado foi imediato e devastador. O vidro da fachada saiu primeiro, uma exalação de fogo laranja e branco que empurrou o ar para fora como um soco. As chamas subiram pela estrutura com a velocidade específica de fogo alimentado, ganancioso, sem obstáculos.
A onda de calor chegou ao perímetro em frações de segundo.
Alguém gritou uma ordem. Viaturas recuaram. Os bombeiros que estavam em standby entraram em movimento.
Sara havia dado um passo involuntário em direção ao fogo antes mesmo de processar o que estava fazendo.
— GRISSOM!!
O nome saiu de algum lugar abaixo da garganta, abaixo do treinamento, abaixo de tudo que ela havia construído nos últimos vinte e cinco minutos para se manter inteira. Catherine a pegou pelos ombros com as duas mãos — firme, sem brutalidade.
— Sara. Sara. Olha pra mim.
— Ele está lá dentro, Catherine, ele está...
— Eu sei. — Os olhos da loira eram escuros e diretos e não continham nenhuma das mentiras reconfortantes que seriam mais fáceis de dizer. — Eu sei. E Grissom sabe o que está fazendo.
Antes do Fogo 🔥
O salão vazio tinha uma qualidade estranha. O cheiro de combustível era pesado, quase enjoativo, e Grissom havia catalogado mentalmente cada vela ainda acesa desde que entrou.
Marcus o empurrou para o centro do salão com uma mão no ombro, gesto de domínio, não de violência imediata. O tipo de coisa que um homem faz quando quer que o outro entenda quem controla o espaço.
— Eu organizei tudo para te pegar aqui, de boa — Marcus disse, e havia uma irritação genuína na voz, como quem reclama de logística mal executada. — E você me resolve não vir?
— Quem é você — Grissom disse, mantendo o tom de quem faz uma pergunta técnica — e o que você quer?
Marcus parou. Olhou para ele como se a pergunta fosse quase ofensiva.
— Minha esposa trabalhava para Heather Kessler. — A voz mudou de registro, menos raiva, mais algo que em outro contexto poderia ser chamado de devoção. — E ela a protegeu de mim como uma onça protege sua cria. Sou extremamente grato por ela ter feito isso, porque desencanei de Evelyn e me apaixonei por Heather.
Ele começou a caminhar em volta de Grissom num arco lento.
— Fui preso por causa da vadia da Evelyn. E ao sair da cadeia, vi que Heather está sofrendo por sua causa. — Os olhos encontraram os de Grissom com uma clareza perturbadora. — Resolvi ajudá-la.
— Posso saber como?
— Vou eliminar você e sua esposa da face da terra. — Simples. Factual. Como quem anuncia um plano de viagem. — Te chamei primeiro para que tenha consciência do que vou fazer a seguir. Vou chamá-la para a festa e matá-la na sua frente.
Algo mudou na postura de Grissom.
Não foi visível para a maioria das pessoas. Mas era real.
— Você não ouse encostar um dedo em Sara. — A voz saiu baixa, sem o distanciamento analítico de antes. — Ela está grávida. Deixe ela em paz.
— Você não manda em mim!! — A voz de Marcus subiu um registro, a compostura rachando na superfície. — Vocês vão pagar por ter feito Heather sofrer...
Foi aí que Grissom viu.
No momento de irritação, a mão de Marcus havia se afastado do isqueiro. Um descuido de segundos, o tipo de abertura que não se repete.
Ele foi para cima.
O impacto foi imediato e desordenado. Dois homens, móveis derrubados, o som surdo de corpo contra corpo no salão vazio. Marcus era mais novo e mais desesperado, o que o tornava perigoso de um jeito diferente.
Conrad Ecklei surgiu de algum ponto do fundo do salão. Grissom registrou a presença sem ter tempo de processar como ou quando e entrou na luta para ajudar a contê-lo.
Marcus os empurrou a ambos com uma força que desequilibrou os dois, criou espaço, e no segundo seguinte havia sacado a arma da própria cintura.
Dois disparos.
Silenciados, pequenos estalidos secos que não chegaram à rua. O colete absorveu o impacto, mas Grissom foi ao chão com a força da colisão, o ar saindo dos pulmões de uma vez.
Conrad, em movimento, pegou uma garrafa da mesa mais próxima e lançou em direção a Marcus.
Marcus desviou.
A garrafa não encontrou o homem. Encontrou a vela.
O combustível que havia encharcado cada superfície do Meridian não precisou de mais convite.
O fogo começou pequeno por exatamente um segundo e depois não era mais pequeno.
Marcus recuou instintivamente enquanto as chamas se alastravam entre ele e os outros dois, criando uma cortina laranja que separou o salão em dois mundos. Através do fogo, Conrad o viu recuar ainda mais e então puxar uma escada que estava encostada na parede dos fundos, acesso ao sótão, e começar a subir.
Conrad notou a arma no coldre de Grissom.
Sacou sem hesitar.
Os disparos foram precisos para alguém atirando através de calor e fumaça crescente — dois tiros na direção da escada. Um encontrou a coxa de Marcus. O segundo, a linha da cintura.
O rapaz grunhiu, segurou na escada por um momento, e continuou subindo.
Desapareceu pelo acesso do sótão antes que o fogo fechasse completamente o caminho.
Conrad Ecklei havia carregado homens feridos antes, anos atrás, numa vida anterior ao ar condicionado do escritório e às reuniões de orçamento. Mas havia esquecido, convenientemente, o quanto um ser humano adulto pesava quando estava completamente inerte.
— Que homem pesado, meu Deus — ele resmungou entre dentes, arrastando Grissom pelo corredor dos fundos com os dois braços sob as axilas do supervisor, recuando passo a passo enquanto o calor avançava atrás deles. — Ainda bem que veio armado e com colete.
A saída dos fundos apareceu no fim do corredor: uma porta de serviço, barra horizontal, o tipo de coisa que existe exatamente para momentos como esse. Conrad a acertou com o ombro e o ar da noite de Las Vegas entrou como um choque.
Ele depositou Grissom no asfalto do beco com muito menos elegância do que teria preferido e ficou de joelhos por um momento, recuperando o fôlego.
Grissom não se mexia.
— Gil. — Conrad bateu levemente no rosto dele. Nada. Bateu de novo, um pouco menos levemente. — Gil.
Um segundo. Dois.
Os olhos de Grissom abriram de repente com a energia de alguém que acabou de ser arrancado de algum lugar escuro, a mão indo instintivamente ao peito, os pulmões buscando ar.
— Ei, ei, ei, homem!! — Conrad colocou uma mão no ombro dele antes que ele tentasse se levantar sozinho e se arrepender. — Calma que está tudo bem!!
Grissom piscou. Olhou para Conrad. Olhou para o céu acima do beco. Processou.
— Meu peito está doendo pra cacete — ele disse, com a voz rouca de fumaça. Fez uma pausa. — Mas estou vivo.
Ficou em silêncio por um segundo, e então algo que raramente aparecia no rosto de Gilbert Grissom surgiu gratidão genuína, levemente atordoada.
— Santa Catherine pelo colete. — Outra pausa. — Santa Sara pela arma.
Conrad soltou um som que era meio risada, meio alívio que ainda não havia encontrado a forma certa de sair.
— Vê se consegue levantar pra sairmos de perto do fogo!!
Atrás deles, o Meridian continuava ardendo. O calor chegava até o beco em ondas, e as chamas já haviam encontrado o teto.
Grissom rolou para o lado, apoiou um joelho no chão, e Conrad pegou o braço dele sem esperar ser convidado — puxou para cima com o esforço de quem já havia usado a cota de elegância da noite inteira.
Os dois ficaram de pé no beco, levemente encurvados, levemente cobertos de fumaça, e começaram a se mover em direção à rua.
— Conrad. — Grissom falou sem parar de andar.
— O quê?
Uma pausa curta.
— Obrigado.
Ecklei não respondeu imediatamente. Quando falou, o tom era o de alguém que estava claramente desconfortável com o território emocional, mas havia decidido atravessá-lo assim mesmo.
— Não fala isso pra ninguém ou minha reputação vai pro espaço.
Grissom fez um som que, nas circunstâncias, era o equivalente a uma gargalhada.
Apoiado no diretor, eles foram dar a volta no local quando, no meio do caminho, Sara, Catherine e Warrick vinham chegando e correram até eles.
— Meu amor, você está bem? — Sara perguntou, o alívio e o desespero misturados na voz enquanto examinava Grissom com os olhos.
— Tomei dois tiros no peito que o colete pegou! — ele respondeu com um esgar de dor, tentando soar mais tranquilo do que estava.
— E atirei no safado com a arma que você colocou na cintura dele — completou Conrad, sem esconder uma ponta de satisfação na voz.
— Pegaram o safado? — Grissom perguntou, olhando para Warrick.
— Brass está efetuando a prisão agora — confirmou Warrick, antes de se aproximar e colocar o braço para apoiá-lo. — Vem, Griss, que eu te ajudo!
Catherine, que observava a cena com atenção, virou o olhar para o diretor.
— Você ficou para trás para ajudar o Grissom, Conrad?
— Ouvi o que o Marcus queria — ele respondeu, simplesmente, sem desviar o olhar — e não me perdoaria se não pudesse ajudar a salvar a vida do pai do meu afilhado.
Catherine ficou em silêncio por um instante, algo no rosto dela suavizando de um jeito que raramente acontecia.
— Quem te viu, quem te vê!! — ela disse por fim, com um sorriso de canto de boca. — Vamos lá pra ver esse machucado herói do dia!
Conrad olhou para o braço dela no seu. Olhou para ela.
— Herói é exagero.
— É a minha versão e vou manter.
Os dois foram rindo enquanto se juntavam ao grupo, e logo os paramédicos os atenderam no local. Apenas o supervisor precisou ser encaminhado ao hospital para realizar exames.
Os paramédicos os receberam. Conrad recusou a maca com um gesto e sentou na beira da ambulância enquanto checavam pressão e saturação, fumaça inalada, escoriações, nada que precisasse de mais do que observação.
Grissom não teve a mesma sorte na negociação.
— Dois projéteis absorvidos pelo colete, senhor, possível contusão costal, precisamos de raio-x — o paramédico foi categórico com a autoridade específica de quem já lidou com pacientes teimosos o suficiente para não aceitar argumentos.
Sara estava do lado antes que Grissom abrisse a boca para protestar.
— Não começa — ela disse simplesmente.
Ele fechou a boca.
Catherine, da beira da segunda ambulância, apontou para ele com um dedo.
— Ouça sua esposa, Gil.
— As duas concordaram muito rápido essa noite — Grissom murmurou enquanto os paramédicos o encaminhavam para a maca.
— Herói do dia não reclama!! — Conrad gritou do outro lado do perímetro.
Warrick cobriu o sorriso com a mão.
Sara subiu na ambulância atrás do marido sem que ninguém precisasse convidá-la, sentou ao lado dele, e quando o veículo começou a se mover pegou a mão dele com os dois dedos dela entrelaçados nos dele, firme, presente, sem drama.
Grissom olhou para ela por um longo momento.
— Eu disse que voltava.
— Disse. — Os olhos dela brilharam levemente no interior iluminado da ambulância. — E quando a gente voltar do hospital, temos uma noite para terminar.
Apesar das costelas, apesar da fumaça, apesar de tudo — ele riu.
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