NOSTALGIA (VERSÃO 2026)
33 Noite movimentada
O salão de festas estava impecável, mas para Grissom, o lustre de cristal mais brilhante não chegava aos pés do brilho nos olhos de Sara. O Xerife subiu ao púlpito, sua voz ecoando em elogios sobre a "excelência técnica" e a "liderança visionária" que a perita havia demonstrado durante o curso no FBI.
Enquanto as autoridades aplaudiam cada frase, Grissom mantinha uma postura impecável, mas sua mão esquerda, oculta pela toalha de linho da mesa, iniciou sua própria investigação silenciosa.
Ele deslizou os dedos pela lateral da perna de Sara, começando pelo joelho e subindo lentamente pela seda do vestido até repousar na coxa dela. O toque era firme, possessivo, mas carregado de uma ternura que ele vinha ensaiando em cada ligação para Washington.
Sara sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela olhou de soslaio, encontrando Grissom com o olhar fixo no Xerife, parecendo o homem mais compenetrado do mundo. Se não fosse pelo movimento rítmico do polegar dele em sua pele, ela juraria que ele nem estava tocando nela.
— ...e por isso, Las Vegas se orgulha de ter a Perita Sidle em suas fileiras — proclamou o Xerife sob novos aplausos.
Sara inclinou-se levemente na direção de Grissom, aproximando os lábios do ouvido dele enquanto batia palmas mecanicamente.
— Se o Xerife soubesse o que o supervisor do CSI está fazendo por baixo da mesa agora, Gil, ele mudaria o discurso sobre "comportamento exemplar" — ela sussurrou, a voz carregada de uma diversão perigosa.
Grissom não desviou o olhar do palco, mas um sorriso de canto, quase imperceptível, surgiu em seu rosto. Ele apertou a coxa dela levemente antes de deslizar a mão um pouco mais para cima.
— Eu estou apenas realizando uma verificação de pulsação, Sara — ele respondeu no mesmo tom baixo. — Como cientista, notei que sua frequência cardíaca aumentou desde que o discurso começou. Estou tentando determinar se é o reconhecimento público ou se é a minha... proximidade.
— Você é um manipulador de evidências nato — ela rebateu, sentindo o rosto esquentar, mas sem fazer qualquer menção de afastar a mão dele. — Mas cuidado, o Prefeito está sentado logo à frente.
— Deixe que o Prefeito cuide da cidade — Grissom murmurou, finalmente virando o rosto para encará-la, os olhos azuis faiscando sob a luz das velas. — Eu estou ocupado demais cuidando do meu mundo. E, no momento, o meu mundo está sentado exatamente aqui, de vestido longo e mãos dadas comigo.
Sara sorriu, entregando-se ao jogo. Ela sabia que as feridas do passado ainda precisavam de cicatrização, mas o esforço de Grissom em reconquistá-la não com lógica, mas com desejo, estava derrubando suas últimas defesas.
O Xerife levantou a taça: — Um brinde à Sara Sidle!
Grissom levantou sua taça com a mão livre, mantendo a outra firmemente onde estava. Ele tocou o cristal de Sara e sussurrou: — Ao futuro, Sara. Aquele que vamos reconstruir, um batimento cardíaco por vez.
Do outro lado da mesa, Catherine trocou um olhar cúmplice com Warrick. O "homem de gelo" não estava apenas derretendo; ele estava incendiando o próprio protocolo.
As primeiras notas de uma balada suave e sofisticada preencheram o salão, e o Xerife, como manda o protocolo, foi o primeiro a abrir a pista. Greg, Warrick e Catherine não perderam tempo e logo estavam lá, rindo e celebrando a leveza do momento. Mas o burburinho das conversas das autoridades morreu lentamente quando Grissom, o homem conhecido por evitar qualquer exposição social desnecessária, levantou-se com uma elegância clássica.
Ele estendeu a mão para Sara, os olhos fixos nela como se o restante do salão tivesse simplesmente desaparecido.
— Perita Sidle — ele disse, o tom de voz baixo e vibrante. — Você me concederia o privilégio de me conceder uma dança?
Sara arqueou uma sobrancelha, um sorriso desafiador brincando em seus lábios enquanto colocava a mão na dele. — Achei que você não gostasse de ser o centro das atenções, Gil?
— Para tudo existe uma exceção — ele respondeu, puxando-a gentilmente para o centro da pista. — E hoje, a exceção é você.
No momento em que Grissom envolveu a cintura de Sara com a mão direita e ela pousou o braço em seu ombro, a tensão sexual que vinha sendo cozida em fogo brando durante todo o jantar finalmente entrou em ebulição. Eles não dançavam como ex-marido e mulher em crise; dançavam como dois predadores que conheciam cada ponto fraco um do outro.
Grissom a puxou para mais perto, fazendo com que o corpo dela colasse no seu. Sara sentiu a respiração dele em seu pescoço, um contraste quente com a pele que ele vinha provocando por baixo da mesa.
Eles não olhavam para os lados. O olhar de Grissom era pesado, faminto, devorando cada detalhe do rosto de Sara, enquanto ela mantinha o queixo erguido, sustentando o desafio com uma intensidade que fazia o ar parecer rarefeito.
Ao redor deles, o resto da equipe começou a desacelerar os passos, apenas para observar. Catherine sussurrou para Warrick: "Acho que o laboratório vai precisar de um novo sistema de ar condicionado depois disso".
Grissom inclinou a cabeça, sussurrando contra o ouvido de Sara: — Você tem ideia do quanto foi difícil para mim ficar sentado naquela mesa enquanto o Xerife falava, sem poder levar você embora dali?
Sara sentiu os dedos dele pressionarem a base de sua coluna, um gesto possessivo que a fez arfar levemente. — E o que te impediu, Gil? — ela devolveu, a voz rouca. — O discurso dele ou o seu medo de perder o controle?
— Neste exato momento — Grissom respondeu, girando-a lentamente e trazendo-a de volta para um abraço ainda mais apertado — eu não me importo nem um pouco com o controle. Eu só me importo com o fato de que este vestido é a única coisa que está me impedindo de provar o quanto eu senti sua falta.
Sara colou o rosto no dele, fechando os olhos por um segundo enquanto se deixava levar pelo ritmo. A tensão era tão visível que o Prefeito, a poucos metros, trocou um olhar divertido com a esposa. Não era apenas uma dança de reconciliação; era uma declaração de guerra contra a distância que os separava.
O trajeto de volta no carro foi um exercício de tortura silenciosa. O perfume de Sara preenchia o espaço confinado, e o brilho das luzes de Las Vegas refletia nos olhos de Grissom, que mantinha as mãos firmes no volante para esconder que seus dedos ainda formigavam pelo contato na pista de dança.
Ao pararem diante da porta do flat, o silêncio do corredor do prédio parecia amplificar os batimentos cardíacos de ambos. Sara procurou a chave na bolsa com uma agitação que não era comum nela, enquanto Grissom a observava, a sombra da porta ocultando parte de seu rosto, mas não a intensidade do seu olhar.
No momento em que a porta se abriu, Sara nem sequer teve tempo de acender a luz. Ela se virou para se despedir, mas a frase morreu em sua garganta.
A tensão acumulada na pista de dança, os meses de separação, as ligações de madrugada e o choque de vê-lo chorando sobre o ultrassom explodiram ali, naquele um metro quadrado de entrada.
Grissom deu um passo à frente, fechando a porta com um chute surdo atrás de si, e prensou Sara contra a madeira. Não houve hesitação. Ele a beijou com uma fome que misturava desespero e posse, as mãos espalmadas na parede ao lado do rosto dela antes de descerem para a sua cintura, puxando-a para que ela sentisse o quanto ele a desejava.
— Gil… — Sara arquejou entre os beijos, as mãos subindo pelo paletó dele, agarrando o tecido com força. — A gente… a gente precisava conversar…
— As palavras não são suficientes, Sara — Grissom murmurou contra os lábios dela, a voz rouca e vibrante de uma forma que ela nunca tinha ouvido. — Eu passei semanas tentando encontrar a lógica para o que eu sentia, e a única lógica é que eu estou incompleto sem você.
Ele desceu os beijos para o pescoço dela, sentindo a pulsação acelerada de Sara sob sua boca. A mão de Grissom desceu lentamente, espalmando-se sobre a barriga de Sara, que agora exibia a leve curvatura dos três meses, comentada com tanto carinho pela primeira-dama no jantar. O toque foi carregado de uma reverência quase sagrada.
— Eu fui um idiota — ele sussurrou contra a pele dela. — Eu quase perdi isso. Eu quase perdi vocês.
Sara inclinou a cabeça para trás, sentindo as lágrimas arderem nos olhos, mas desta vez não eram de mágoa. Ela entrelaçou os dedos nos cabelos grisalhos dele, puxando-o de volta para um beijo mais profundo, mais lento, que selava a trégua que as palavras ainda não tinham conseguido formalizar.
— Não me deixe ir de novo, Gil — ela pediu, a voz falhando. — Nem por causa de Heather, nem por causa de exame, nem por causa do seu medo.
— Nunca mais — prometeu ele, pegando-a no colo com uma agilidade que a surpreendeu e caminhando em direção ao quarto, guiado apenas pela luz da lua que entrava pela janela da sala.
Naquela noite, as evidências criminais, a cápsula de bala na casa de Heather e as tramas de Anthony ficaram do lado de fora da porta. Dentro do flat, o único caso a ser resolvido era o de dois corações que, finalmente, haviam encontrado o caminho de volta para casa.
Enquanto o quarto de Sara era palco de uma reconciliação intensa e apaixonada, um plano era arquitetado.
O ar rarefeito e o frio cortante do Mount Charleston serviam de moldura para o novo esconderijo. Longe das luzes neon de Las Vegas e do calor sufocante do deserto, a cabana de madeira rústica, isolada por pinheiros densos, era o cenário sombrio que Anthony escolhera para o ato final.
Enquanto a luz azulada da madrugada filtrava-se pelas frestas das janelas de madeira, o contraste entre a paz de um lado e a crueldade do outro não poderia ser maior.
Anthony desenrolava um mapa das vias de acesso ao gabinete do Prefeito sobre uma mesa de metal. Seus olhos tinham um brilho maníaco, o tipo de olhar de quem já cruzou a linha da sanidade e não pretende voltar.
— Amanhã é o dia, Ted — disse Anthony, batendo com o dedo sobre o marcador de tempo. — O trajeto entre o flat dela e a prefeitura. Vamos aproveitar o encontro dela com o Prefeito e armamos a emboscada. É o momento perfeito, ela vai estar com a guarda baixa, achando que é a rainha de Vegas após aquele jantarzinho medíocre. Depois, trazemos ela para cá. Ninguém sobe aqui sem ser visto. Grissom vai ter que me dar o dinheiro do seguro se quiser ver a esposa dele de volta.
Ted caminhava de um lado para o outro, o piso de madeira rangendo sob suas botas. O isolamento da cabana parecia sufocá-lo em vez de protegê-lo.
— Anthony, temos que fazer com cuidado... ela está grávida! — Ted insistiu, a voz ecoando nas paredes de tora. — Se ela tiver um choque de temperatura ou um trauma físico nessa altitude...
— Tá, tá, tá!! Deixa de ser chato! — Anthony cortou, a paciência esgotada. — Toda hora essa história dela estar grávida?? Já sei disso! A gravidez é o que garante que o Grissom virá rastejando até aqui. Ele não vai arriscar a vida da "linhagem" dele.
Ele se aproximou de Ted, invadindo seu espaço pessoal com uma agressividade latente.
— Escuta aqui, "limpador". A gravidez dela é só um detalhe biológico que torna a queda do Grissom ainda mais prazerosa. Se ela se machucar no processo, é um dano colateral. O plano é tirar a Sara do tabuleiro para que a Heather possa dar o xeque-mate final no Grissom. Se você amarelar agora, eu garanto que o próximo corpo que a equipe do CSI vai encontrar vai ser o seu, e eu não vou deixar nenhuma evidência para eles acharem.
Ted engoliu em seco, sentindo o frio na espinha. Ele olhou para o mapa e depois para o cano da arma que Anthony limpava com descaso. Ele sabia que o monstro que ajudara a criar agora estava fora de controle.
Anthony aproximou-se da lareira apagada, pegando uma corda de nylon pesada. — Prepare o quarto dos fundos. Tire as trincas por dentro. O Mount Charleston vai ser o túmulo da felicidade deles.
A luz dourada do deserto começava a desenhar silhuetas nos móveis do flat, mas o centro do universo, naquele momento, era o emaranhado de lençóis de seda onde Sara e Grissom haviam finalmente deposto as armas. O silêncio da manhã foi interrompido pelo toque insistente do despertador, um lembrete implacável de que a "Doutora Sidle" tinha um encontro com a política de Las Vegas em poucas horas.
Sara abriu os olhos devagar, sentindo o peso reconfortante do braço de Grissom sobre sua cintura. Ela se virou com cuidado e encontrou o "homem de gelo" em um estado raríssimo: o rosto relaxado, a boca levemente entreaberta e os cabelos grisalhos completamente bagunçados contra o travesseiro. Ele parecia um menino que acabara de descobrir que as férias de verão não tinham fim.
Com um risinho maroto, Sara decidiu que um despertador digital era um insulto para uma noite como aquela. Ela se inclinou, deixando a ponta do nariz roçar na orelha dele, dando leves beijos.
— Doutor Grissom... — ela sussurrou, a voz ainda rouca de sono. — Eu detesto interromper sua análise profunda no mundo dos sonhos, mas recebi uma evidência de que há um carro da prefeitura prestes a estacionar lá embaixo.
Grissom apenas resmungou algo ininteligível e tentou puxar o lençol mais para cima, cobrindo a cabeça. Sara riu e começou a traçar caminhos com os dedos pelas costas dele.
— Sabe, Gil... o Prefeito é um homem muito pontual. E eu não acho que o currículo do FBI inclua "atraso por excesso de carinho matinal" como uma justificativa aceitável.
Grissom finalmente emergiu debaixo do lençol, um olho apenas aberto, focando no sorriso radiante de Sara.
— A biologia do sono é uma ciência sagrada, Sara — ele murmurou, a voz vibrando de forma sedutora enquanto sua mão buscava a nuca dela para puxá-la para mais perto. — E a minha hipótese atual é que este colchão possui uma força gravitacional irresistível quando você está sobre ele.
— Sua hipótese é tentadora, mas o meu cronograma é factual — ela rebateu, selando os lábios nos dele em um beijo lento que quase a fez desistir de levantar. — Vamos, levanta. Você tem que ir para a reunião no laboratório e eu tenho que mostrar ao Prefeito tudo que aprendi no meu curso. Tenho que ser a perita séria, e não alguém que passou a noite sendo... "inspecionada minuciosamente" pelo supervisor/marido.
Grissom soltou um suspiro, sentando-se na cama e deixando o lençol cair até a cintura, revelando que a noite tinha sido, de fato, produtiva.
— O Prefeito não sabe a sorte que tem — Grissom disse, observando Sara se levantar e envolver-se no roupão. — Mas eu aviso: se ele te segurar por mais de uma hora, eu vou emitir um mandado de busca e apreensão por "privação de companhia".
Sara parou na porta do banheiro e mandou um beijo no ar. — Guarde essa autoridade para mais tarde, Gil. Agora, café. Se você for um bom menino e fizer um café caprichado enquanto eu me arrumo, talvez eu te conte o que pretendo fazer com esse vestido quando voltar do jantar de hoje.
Grissom deu um sorriso vitorioso, saltando da cama com uma disposição renovada. — Considero isso acordo extremamente aceitável.
O aroma do café fresco preenchia a cozinha, mas o silêncio que se seguiu à fala de Sara era denso, carregado de uma gravidade que nem mesmo o brilho da noite anterior conseguia dissipar. Sara segurava a caneca com as duas mãos, olhando para o vapor que subia, enquanto Grissom, do outro lado da mesa, mantinha o olhar fixo nela, despido de qualquer barreira defensiva.
— Gil, o que vivemos hoje... foi necessário. Eu precisava sentir você de novo — ela começou, a voz firme, mas com uma nota de vulnerabilidade. — Mas não podemos fingir que o caminho até aqui não foi cheio de espinhos. As palavras que você disse, a forma como duvidou da minha integridade... elas agiram como um punhal. E saber que você quase cruzou a linha com a Heather, que houve aquele envolvimento físico... isso ainda dói. Precisamos conversar sério sobre como vamos reconstruir essa confiança, ou se ela ainda é possível.
Grissom ouvia cada palavra com extrema vergonha. A lógica, sua fiel escudeira, não servia para consertar o coração de Sara. Ele deixou sua própria caneca de lado e inclinou-se para frente, buscando o olhar dela.
— Eu não tenho justificativas, Sara. Só tenho a verdade — ele disse, com a voz embargada. — Eu me perdi no meu próprio medo, e a Heather usou cada uma das minhas inseguranças como arma. O que aconteceu na sala dela... o beijo... foi o momento em que percebi que eu estava tentando me punir através de você. Eu não soube lidar com a possibilidade de ser fértil, de ter uma família real, e quase joguei tudo fora por um fantasma do passado.
Ele estendeu a mão sobre a mesa, parando a milímetros da dela, esperando por um sinal de permissão.
— Eu sei que o "sinto muito" é uma unidade de medida pequena demais para o tamanho do estrago que eu fiz — continuou Grissom, os olhos azuis úmidos de uma sinceridade cortante. — Mas eu vou te pedir perdão pelo resto da minha vida, se for necessário. Vou trabalhar todos os dias para provar que a única prova que importa é a minha lealdade a você e aos nossos filhos.
Sara suspirou, sentindo a honestidade dele, mas o peso da mágoa ainda era uma âncora. Antes que pudesse responder, o som de uma buzina lá embaixo anunciou a chegada do carro.
— É o meu transporte — ela disse, levantando-se e deixando a conversa em suspenso. — Temos um longo caminho pela frente, Gil. Não se reconstrói uma casa em uma noite, por mais maravilhosa que ela tenha sido.
Grissom levantou-se também, acompanhando-a até a porta. Ele queria segurá-la, impedir que ela saísse antes que tudo estivesse resolvido, mas sabia que o tempo de Sara era soberano agora.
— Janta lá em casa quando você voltar. Prometo preparar uma refeição especial. — ele prometeu, dando um beijo casto na testa dela.
Ela lhe deu um beijo intenso e lhe fez um carinho no rosto antes de sair.
Ao ver Sara entrar no carro preto que a esperava, Grissom sentiu uma pontada súbita de inquietude. Ele não sabia que aquele carro, enviado sob o pretexto da prefeitura, já estava sendo monitorado por Anthony e Ted de um ponto estratégico.
Enquanto o carro se afastava do meio-fio, Sara recostou-se no banco traseiro, soltando um suspiro que carregava uma mistura inebriante de alívio e desejo. A conversa séria na cozinha era necessária, um alicerce para o futuro, mas o calor que ainda sentia na pele falava mais alto naquele momento. Ela estava encantada.
Apesar das cicatrizes deixadas pelas palavras duras, Grissom havia passado a noite provando que o "homem de gelo" tinha um núcleo incandescente. Ele não fora apenas o marido que ela conhecia; fora um amante renovado, intenso e, acima de tudo, detalhista. Cada carícia parecia carregar um pedido de desculpas mudo, e cada declaração sussurrada entre beijos era uma tentativa de apagar o rastro de Heather da memória dela. Ele se entregara sem as reservas, focando em cada reação de Sara com uma devoção que a deixara sem fôlego.
Ela tocou levemente o ventre, sentindo-se, pela primeira vez em semanas, verdadeiramente em paz. Estava mais apaixonada do que nunca, redescobrindo que o amor de Grissom, quando expresso daquela forma visceral, era a única coisa capaz de desarmar sua cautela.
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