NOSTALGIA (VERSÃO 2026)

15 Flechada venenosa no peito


— Na verdade — havia dito, com aquela pausa de quem está entregando informação e sabe o peso dela — os dois estão na disputa. Sara Sidle está pedindo sozinha. E Gilbert Grissom está requerendo a guarda juntamente com sua noiva, Heather Kessler. O silêncio na sala de Ecklie havia durado quatro segundos completos.

— Que?? — A palavra havia saído antes que ele pudesse calibrar o volume. — Desde quando Grissom está noivo de Heather?

— O senhor desconhece esse relacionamento?

Conrad Ecklie havia ficado com essa pergunta por um momento.

Havia uma resposta honesta e havia uma resposta estratégica e pela primeira vez em muito tempo, havia escolhido a honesta.

— Para ser sincero... sim. — Ele havia admitido, com aquela contenção de quem está entregando mais do que havia planejado mas que não consegue fazer diferente quando a verdade é mais clara que a alternativa. — Mas Grissom sempre foi muito discreto quanto à vida pessoal. — Uma pausa. — O que posso dizer com certeza é que profissionalmente ele é...

E havia respondido às perguntas. O funcionário havia agradecido e já havia se retirado.

Conrad Ecklie ficou na própria sala depois que a porta fechou.

Olhando para a mesa.

Para o lugar onde o funcionário havia sentado com a pasta e as perguntas e aquela informação que havia chegado sem avisar no meio de uma segunda-feira comum.

Grissom e Heather Kessler. Noivos. Pedido de guarda conjunto.

Ele havia passado anos sendo o obstáculo administrativo padrão do turno noturno. Havia uma distância que havia cultivado deliberadamente, que havia julgado necessária para fazer o trabalho que fazia.

E então havia aparecido um menino de sete anos que havia chamado tio Conrad com a naturalidade de quem não sabe que deveria hesitar e havia dito que o diretor era inteligente porque era o chefe com uma lógica que tinha mais carinho do que adulação.

E Conrad Ecklie havia achado que sim.

Havia oferecido ajuda a Sara com uma espontaneidade que havia surpreendido a ele mesmo.

E agora estava sentado na própria cadeira processando que o homem que havia administrado por anos — com cuidado, com tensão, com aquele respeito mútuo que nunca havia ficado completamente confortável — havia entrado na disputa contra a mulher que havia colocado tudo o que tinha naquele processo.

Contra Sara.

— Coitada de Sara. — A frase saiu baixa, para a sala vazia, com o peso de conclusão chegada.

Residência de Heather

A mensagem havia chegado pelo canal discreto que ela havia estabelecido para exatamente esse tipo de situação e informações que não podiam chegar por meios rastreáveis, de pessoas que tinham acesso a lugares que ela não tinha.

Heather leu duas vezes.

Pousou o celular na mesa com um cuidado que era o oposto do que estava sentindo.

O juiz Phillips havia solicitado verificação de conduta profissional de todos os envolvidos na disputa pela guarda de Augusto.

Procedimento padrão — ela sabia disso. Deveria ter calculado isso. Havia calculado muitas coisas com uma precisão que havia levado tempo e atenção considerável, e havia deixado passar exatamente o movimento mais óbvio do processo.

Merda.

O funcionário já havia ido ao laboratório.

Havia falado com Ecklie.

Havia perguntado sobre Grissom.

E Conrad Ecklie — que havia sido diretor do laboratório por tempo suficiente para conhecer cada pessoa que trabalhava ali com uma profundidade que não aparecia nos relatórios oficiais — havia respondido às perguntas sobre um relacionamento que, do ponto de vista de Ecklie, não existia.

Porque não existia.

Heather ficou de pé, foi até a janela.

Las Vegas do lado de fora tinha aquela luz de segunda-feira que não era nada além de mais um dia na cidade que não distinguia dias da semana com muita convicção.

O problema não era o que Ecklie havia dito.

O problema é que Grissom não sabe de nada.

Se o funcionário havia falado com Ecklie sobre o noivado e havia falado, a mensagem deixava isso claro, havia uma chance considerável de que essa informação chegasse a Grissom por canais que ela não controlava.

Ecklie não era o tipo de homem que guardava informação quando achava que havia algo errado.

E havia, naquele caso específico, algo suficientemente errado para que Conrad Ecklie considerasse necessário agir.

Heather pegou o celular.

Precisava falar com Grissom antes que alguém mais falasse primeiro.

Precisava sondar o que ele sabia e o que não sabia ainda.

Sara havia chegado com Augusto com a mega energia do menino que percorria o laboratório com a familiaridade de quem estava ficando confortável num espaço.

Greg havia dado um aperto de mão que Augusto havia correspondido com seriedade de parceiro de trabalho.

Nick havia verificado se o caderno de anotações estava atualizado — está, tio Nick, com as observações do Borboletário e tudo — e havia assentido com aprovação.

Warrick havia simplesmente dito e aí, cientista e Augusto havia respondido com um relatório de três pontos sobre a sessão de cinema que ninguém havia pedido mas que todos haviam ouvido.

Catherine havia distribuído os casos e a equipe havia saído para campo.

O corredor havia ficado mais quieto.

Augusto ainda estava com Sara quando Conrad Ecklie apareceu.

Com uma xícara de café e aquela expressão de quem havia tomado uma decisão em algum momento da manhã e estava cumprindo.

— Bom dia, Guto.

Augusto ergueu os olhos do caderno com o sorriso que reservava para pessoas específicas.

— Bom dia, tio Conrad.

— Que tal ficar comigo hoje enquanto sua tia trabalha? — Ecklie havia dito, com aquela naturalidade que ainda o surpreendia um pouco. — Tenho papelada. Você tem caderno. Pode dar certo.

Estavam no corredor perto da sala de Ecklie quando ela apareceu.

Heather Kessler entrou pelas portas do laboratório com aquela desenvoltura de sempre, elegante, direta, com o olhar já varrendo o espaço em busca do que havia vindo encontrar.

Augusto a viu primeiro.

O rosto fechou não com raiva, não com drama, com seriedade e que Ecklie notou imediatamente com a atenção de quem havia passado décadas lendo salas e as pessoas dentro delas.

Interessante.

Heather chegou até eles com o sorriso no lugar.

— Bom dia. — Os olhos foram para o corredor, para as salas, para a movimentação do laboratório. — Grissom está?

— Como vai, Heather? — Ecklie respondeu, com aquela cordialidade que tinha algo afiado nas bordas se você conhecia o tom certo. — Se está procurando Grissom, ele não se encontra. Viajou.

Heather ficou parada por um segundo.

— Viajou?

— Los Angeles. — Ecklie tomou um gole do café com a calma de quem está completamente à vontade. — Caso urgente.

— Eu não sabia. — A voz saiu com uma leveza que custou.

Ecklie a olhou por um momento com aquela expressão de cinismo.

— Como que você — ele disse, com aquela pausa calculada de quem escolhe cada palavra — como noiva dele, não sabia que ele havia viajado?

O corredor ficou com um silêncio específico.

Heather encontrou o olhar de Ecklie.

Havia ali naquele olhar direto, naquele tom que era educado na superfície e absolutamente não era na intenção a confirmação do que havia suspeitado desde a mensagem do informante.

Ecklie havia respondido às perguntas do funcionário.

Ecklie sabia.

E Ecklie, ao contrário do que ela havia calculado sobre ele, havia decidido não fingir que não sabia.

Ela poderia entrar nessa. Poderia responder, poderia construir, poderia usar o espaço que estava sendo oferecido para estabelecer narrativa.

Escolheu não.

Conrad Ecklie era território que ela não controlava e território que não se controla não se enfrenta diretamente quando há opções melhores disponíveis.

— Ele não me falou. — A resposta saiu simples, sem elaboração. — Vou ligar para o celular dele. — Ela já estava se movendo em direção à saída, com aquela fluidez de quem encerra uma conversa antes que ela encerre você. — Até mais, Ecklie.

Parou.

Olhou para Augusto com um sorriso que o menino não correspondeu.

— Augusto. Foi bom te ver de novo.

O menino ficou com o caderno na mão, o rosto neutro, os olhos que disseram tudo que a boca não disse.

— Tchau. — A palavra saiu sozinha, pequena, sem o calor que havia em todos os outros tchau que ele distribuía.

Heather foi em direção à saída.

Ecklie ficou olhando até ela desaparecer pelas portas — e então baixou os olhos para Augusto, que havia voltado para o caderno com aquela concentração de quem está processando e escrevendo ao mesmo tempo.

— Você não gosta muito dela. — Ecklie disse, não como pergunta.

Augusto ficou em silêncio por um segundo.

— Ela disse uma coisa no parque. — A voz saiu baixa, com aquela seriedade dos momentos importantes. — Que não quero contar ainda.

Ecklie o olhou e os dois seguiram para a sala do diretor.

Ecklie havia se sentado na cadeira na frente da mesa e havia olhado para Augusto com aquela expressão direta que não fingia não saber o que sabia.

— Pronto. — A voz saiu com uma firmeza gentil que o menino havia aprendido a reconhecer como estou levando a sério. — Fale pro tio o que aquela mulher fez pra você. — Uma pausa. — E não me engana. Sei que fez alguma coisa.

Augusto ficou com o caderno no colo por um segundo.

Abriu a boca.

A porta se abriu.

Jim Brass entrou com uma pasta debaixo do braço e a expressão mudou ao ver o jeito da criança de sete anos na cadeira à frente da mesa de Ecklie.

— Conrad, precisava falar sobre o... Ele parou. Olhou para Augusto. Olhou para Ecklie. Leu a sala com a rapidez de décadas de experiência. — Estou interrompendo algo.

— Está, mas pode ficar. — Ecklie gesticulou para a cadeira ao lado. — Acho que vai querer ouvir isso também.

Brass sentou e voltou os olhos para Augusto.

— Fala pra gente, amiguinho. — A voz do capitão saiu mais suave do que o habitual dele. — Pode confiar. Vai ficar entre nós.

Augusto ficou olhando de um para o outro.

Ecklie. Brass.

Dois adultos que haviam dito pode confiar e havia algo nos dois rostos que era diferente do rosto de Heather quando havia dito é segredo.

Heather havia pedido segredo para proteger ela mesma.

Eles estavam pedindo confiança para proteger ele.

Augusto conhecia a diferença.

Havia aprendido cedo.

— Foi no parque. — Ele começou. — O tio Gil foi comprar sorvete e me deixou com ela.

Brass ficou completamente imóvel.

Ecklie pousou a xícara.

— Ela disse que ia me ajudar na adoção. — Augusto continuou, os olhos no caderno. — Que poderíamos morar juntos na casa dela. E que logo a netinha dela ia morar lá também.

— Netinha?? — Brass repetiu, baixo.

— E aí eu perguntei se ela estava namorando o tio Gil. — O menino ergueu os olhos. — Ela disse que sim. Mas que era segredo. Que não podia falar pra ninguém.

— E você não falou pra Sara?! — Ecklie disse, não como acusação como constatação.

— Ela estava tão feliz naquele dia. — A voz de Augusto ficou menor. — Da conversa com o juiz. — Ele olhou para a mesa. — Não queria estragar.

Brass fechou os olhos por um segundo.

— Você fez certo em contar agora. — Ecklie disse, firme e gentil ao mesmo tempo. — Tá bom?

Augusto assentiu.

— A gente resolve isso. — Brass completou. — Mas primeiro — ele se levantou, foi até a porta, abriu — vamos pedir pra secretária te levar pra tomar um lanche, pode ser?

— Tem suco de uva?

— Vamos descobrir. — Brass foi até o corredor, falou baixo com a secretária, voltou. — Tem.

Augusto foi com a mochila, com o caderno.

A porta fechou.

Brass ficou de pé, olhando para Ecklie.

O silêncio durou dois segundos.

— O Grissom jamais pediria a guarda junto com Kessler. — A voz saiu com a convicção de quem havia conhecido o homem há tempo suficiente para ter certeza.

Mas pediu. — Ecklie foi direto. — Veio um funcionário a pedido do juiz Phillips fazer o levantamento das fichas de Sidle e Grissom. — Ele olhou para Brass. — Me informou que cada um está com um processo separado. Estão disputando a guarda do mesmo menino.

Brass ficou parado com aquela informação por um momento.

— Sara sabe?

— Não creio.

— Catherine está aqui. — Brass já estava na porta. — Vou chamá-la.

Ecklie não contestou.

Dois minutos depois a loira entrou com aquela energia de quem foi chamada com urgência e chegou preparada para qualquer coisa.

— Onde é o incêndio? — A voz tinha aquele tom de quem quer a versão direta sem preâmbulo.

Conrad contou.

Catherine ouviu com toda atenção, o rosto ficando mais fechado a cada frase.

Quando Ecklie terminou, ela ficou parada por um segundo.

E então foi sentar no sofá.

— Não acredito. — A voz saiu baixa, com aquela contenção de quem tem muito mais a dizer e está escolhendo com cuidado o que deixa sair primeiro. — Eu esperava qualquer coisa do Grissom. — Uma pausa que pesou. — Menos essa canalhice.

— Cath— — Brass começou.

— Não. — Ela o interrompeu, com firmeza gentil. — Ele não podia fazer isso com ela, Jim. Viu todo o empenho dessa menina. Esteve lá em Reno, foi buscar o menino, fez panqueca na casa dela ...e entrou com pedido de guarda contra ela com a Kessler?

— Não acredito que ele saiba. — Ecklie disse, pela segunda vez.

Catherine o olhou.

— Conrad, tem um processo com o nome dele.

— Tem. — Ele não recuou. — Mas há coisas que não batem. E enquanto não baterem, prefiro verificar antes de concluir.

Catherine ficou com isso por um momento.

Um rapaz jovem, Henrique, da equipe de verificação administrativa que Ecklie havia herdado do departamento e que raramente aparecia em conversas relevantes entrou com o laptop na mão e aquela expressão de quem encontrou algo e não tem certeza se a notícia é boa ou ruim.

— Senhor Conrad. — Ele pousou o laptop na mesa com cuidado. — O senhor me pediu para verificar a veracidade do relacionamento do senhor Grissom e a senhora Kessler.

— Pedi.

— Encontrei. — Henrique virou o laptop. — Num site de entretenimento. Uma reportagem sobre o relacionamento dos dois. Com fotos.

Os três se aproximaram da tela.

As fotos chegaram em sequência tiradas com aquela qualidade específica de câmera de distância que não avisa antes de fotografar. Momentos que Heather havia providenciado com antecedência e que agora existiam numa página de internet com uma legenda que construía uma narrativa que qualquer pessoa que não conhecesse os fatos aceitaria sem questionar.

O beijo no corredor do laboratório.

O selinho do estacionamento.

A mão no rosto de Grissom em um carinho numa lanchonete.

E a foto do parque.

Brass se inclinou para ver melhor.

— Deve ter sido nesse dia. — A voz saiu baixa, com aquela objetividade de investigador chegando numa conclusão. — Quando Heather falou com Augusto. — Ele apontou para a foto. — Olha o semblante do menino.

Na foto, ao fundo, Augusto estava no banco do parque com Hank ao lado.

Com exatamente aquela expressão que havia entrado na sala de Ecklie meia hora antes.

Catherine ficou olhando para a tela por um momento.

Depois se virou para Ecklie.

— Você pediu para verificar porque achava que era mentira da Dominatrix.

— Achava, sim. — Ecklie confirmou, com aquela dignidade de quem admite um erro de avaliação sem drama excessivo. — Me enganei.

O silêncio durou dois segundos.

— Conrad Ecklie. — Catherine disse, devagar, com aquela entonação específica que tinha admiração involuntária nas bordas. — Você mandou investigar o relacionamento de Grissom com Heather Kessler??

— Mandei.

— Porque achou que era mentira.

— Achei.

— E agora está sentado aqui com fotos deles se beijando na tela do seu computador.

— Estou.

— Como está se sentindo?

Ecklie ficou olhando para a tela por um momento.

— Confuso. — Ele disse, por fim, com uma honestidade que claramente havia custado. — E um pouco constrangido com o próprio otimismo.

Brass olhou para o teto.

Catherine olhou para a janela.

Os dois ficaram assim por exatamente dois segundos antes que a seriedade da situação reclamasse o espaço de volta.

— Precisamos avisar Sara. — Brass foi o primeiro a se mover, pegando o celular. — Antes que ela saiba por outros meios.

O diretor havia deixado um recado com Juddy: assim que Sara chegasse, deveria ir imediatamente à sua sala. Eles decidiram não envolver Grissom naquele momento, afinal, as provas que tinham já eram mais do que suficientes para confirmar o romance.

Quando Sara chegou e recebeu o aviso, sua primeira reação foi imaginar que Augusto tivesse se metido em alguma confusão. No entanto, Conrad tratou de tranquilizá-la, garantindo que não era nada relacionado a isso.

Após finalizar o caso em que estava trabalhando, Sara seguiu até a sala do diretor. Ao entrar, encontrou Catherine e Brass já presentes. Observou os três por um instante e, com um leve tom de desconfiança, comentou:

— Vocês três juntos para falar comigo? Isso definitivamente não parece ser coisa boa…

Os três já haviam contado tudo. Cada detalhe. Cada golpe escondido por trás da verdade.

Sara permanecia em silêncio por alguns segundos, como se tentasse absorver o impacto… mas era impossível. O ar parecia pesado demais. Ela começou a andar de um lado para o outro, os braços cruzados contra o próprio corpo, como se tentasse se manter de pé emocionalmente. As lágrimas vieram, discretas no início, quase silenciosas… mas impossíveis de conter.

De repente, ela parou.

— Deixa-me ver se entendi… — a voz saiu falha, carregada de dor contida — O Grissom me fez de palhaça… me enganou, me usou… mentiu esse tempo todo… e, nas minhas costas, entrou com um pedido de guarda junto com aquela mulher? — os olhos marejados se voltaram para eles — É isso?

Catherine respirou fundo antes de responder, firme, mas com o coração apertado:

— Sim, Sara… é isso.

Um silêncio pesado tomou conta da sala.

Conrad então se aproximou um pouco, com expressão séria:

— Pelo que consegui sondar com o Juiz Phillips, a decisão já foi tomada. Ele não me disse qual foi… mas, sinceramente… eu não estou com um bom pressentimento.

As palavras caíram como um golpe final.

Sara levou a mão à boca, tentando conter o choro que agora ameaçava escapar de vez.

— Eu… — a voz dela falhou — Eu vou ter que entregar meu filho para aquela mulher?

Brass deu um passo à frente, mais firme, como quem se recusa a deixar aquilo acontecer sem luta:

— Ei… olha pra mim, Sara. Se a decisão não for favorável a você, a gente recorre. Eu vou me empenhar pessoalmente. Vou revirar a vida dessa mulher de cabeça pra baixo se for preciso. Qualquer coisa que desqualifique ela nessa disputa, eu vou encontrar. Você não está sozinha nisso.

Conrad assentiu imediatamente:

— Nem pensar. Eu também vou te ajudar, Sara. Aquele menino… — ele suavizou o tom — eu adoro o Augusto. A gente não vai deixar isso acontecer sem lutar.

Catherine se aproximou, tocando o braço dela com carinho:

— Você sabe que estamos com você, né?

Sara fechou os olhos por um instante, deixando algumas lágrimas escorrerem livremente. Quando os abriu novamente, havia dor… muita dor… mas também uma tentativa de força.

— Eu sei… — sussurrou — E obrigada… de verdade.

Ela respirou fundo, tentando se recompor.

— Agora… eu preciso ir. — enxugou o rosto rapidamente — Vou buscar o Augusto… e… — a voz embargou de novo — vou aproveitar cada segundo com ele. Como se fosse o mais importante… porque… talvez seja.

Sem dizer mais nada, ela saiu da sala, levando consigo um coração em pedaços… mas também a determinação silenciosa de uma mãe que não estava disposta a perder o filho sem lutar.

Em outro ponto dos Estados Unidos…

Grissom aproveitou a viagem a Los Angeles e, como Santa Monica ficava ali perto, decidiu fazer uma visita à mãe. Já fazia tempo desde a última vez que a via… tempo demais.

Ao abrir a porta e dar de cara com o filho, Beth Grissom levou a mão ao peito, surpresa e logo abriu um sorriso emocionado. Seus olhos brilharam imediatamente. Ela começou a se comunicar em ASL, com movimentos rápidos e carregados de afeto.

BG : Meu filho… que surpresa maravilhosa!

Grissom sorriu, visivelmente tocado, aproximando-se para abraçá-la com força.

— Oi, mãe… — disse baixo, como se aquele abraço fosse um porto seguro — Vim a trabalho para Los Angeles… mas não podia ir embora sem te ver. E… eu precisava te contar algumas coisas.

Beth se afastou o suficiente para observá-lo melhor. Seus olhos atentos percorreram o rosto do filho, como se lessem muito além do que ele dizia.

BG: Você está diferente… seus olhos estão brilhando. O que aconteceu?

Grissom soltou um leve riso, meio nervoso, meio feliz. Passou a mão pelo rosto antes de começar:

— Eu me acertei com a Sara… — fez uma pausa, deixando o nome carregar todo o significado — Sara Sidle… e… mãe… eu tenho um filho.

Beth arregalou os olhos, surpresa. Levou as mãos à boca por um segundo, emocionada, antes de sinalizar novamente.

BG: Um filho?

Grissom assentiu, com um sorriso que misturava orgulho e amor.

— O nome dele é Augusto… Sara esta no processo de adoção. — os olhos dele se suavizaram — E a Sara… nós estamos juntos e eu… pretendo me casar com ela.

Beth ficou alguns segundos em silêncio, absorvendo tudo. Então, seus movimentos se tornaram mais lentos, carregados de memória.

BG : Sara Sidle… não é a jovem que você conheceu em San Francisco? Já faz tanto tempo…

Grissom baixou o olhar por um instante, como se encarasse o próprio passado.

— É ela… — confessou — E eu fui um idiota. Eu a rejeitei… achei que não daria certo, que… eu não era feito para aquilo. — respirou fundo — Mas eu estava errado. Muito errado.

Ele voltou a encarar a mãe, agora com os olhos marejados.

— Eu amo a Sara… e ver ela com o Augusto… — a voz falhou levemente... me fez perceber o quanto eu quero isso. Eu quero uma família, mãe. Eu quero eles.

Beth não esperou mais nada. Aproximou-se e segurou o rosto do filho com delicadeza, fazendo com que ele a olhasse diretamente.

BG : Eu estou tão feliz…

Feliz por você.

Feliz por saber que tenho um neto…

E, pelo jeito… terei mais.

Grissom sorriu de verdade dessa vez, com uma leve risada escapando.

— Se depender de mim… vai sim.

Houve um breve silêncio confortável entre os dois. Então o semblante de Grissom mudou, ficando mais sério.

— Mãe… deixa eu te contar uma coisa que aconteceu…

Ele relatou o encontro com o homem misterioso, cada detalhe da conversa, cada palavra que ainda ecoava na sua mente. Quando terminou, Beth ficou pensativa por alguns segundos.

Seus movimentos ao sinalizar agora eram mais firmes, carregados de significado.

BG: Às vezes… a vida manda avisos.

E você sempre foi um homem de ciência… mas nem tudo pode ser explicado.

Se esse encontro te marcou… então preste atenção.

Pode ser um alerta.

Uma decisão errada… e você pode perder essa felicidade que está construindo.

As palavras atingiram Grissom mais fundo do que ele esperava. Ele engoliu seco, assimilando cada gesto, cada expressão da mãe.

— Eu não quero perder isso… — murmurou — Eu não posso.

Beth sorriu de leve, suavizando o clima. Tocou o braço dele com carinho e mudou o rumo da conversa.

BG : Então me leve para conhecer sua família.

Quero ver essa mulher… e meu neto.

Grissom sorriu, agora mais leve.

— Combinado. Você vai para Las Vegas comigo em breve… — fez uma pausa, sincero — Eles vão te amar, mãe.

Beth respondeu com um olhar cheio de ternura.

E naquele momento, entre memórias, arrependimentos e recomeços… mãe e filho sabiam que algo novo e precioso estava apenas começando.

Em Las Vegas…

Enquanto a morena dirigia de volta para casa, forçando um semblante tranquilo para não preocupar o pequeno, o coração dela estava em pedaços. Cada olhar pelo retrovisor era uma tentativa de esconder a dor que insistia em transbordar.

Em outro ponto da cidade, na casa da dominatrix, o clima era completamente diferente.

O telefone tocou, quebrando o silêncio elegante do ambiente. Ao atender, Heather ouviu atentamente, e, aos poucos, um sorriso lento, frio e satisfeito, surgiu em seus lábios.

A decisão havia saído.

Guarda provisória concedida.

Ela desligou com calma, como se saboreasse cada segundo daquela vitória. Caminhou pelo cômodo com elegância, passando os dedos por um móvel qualquer, completamente no controle da situação.

— Então… finalmente — murmurou, quase para si mesma.

Virou-se, pegando o celular novamente para repassar a informação. A voz saiu suave, mas carregada de veneno e superioridade:

— Marcaram para hoje à noite… vamos buscá-lo na casa da Sara.

Fez uma breve pausa, deixando o silêncio pesar antes de completar, com um sorriso arrogante e um brilho perigoso nos olhos:

— Vai ser um prazer… — inclinou levemente a cabeça — buscar meu filho na casa dela.