A madrugada ainda engolia Seattle quando a primeira luz vermelha e azul começou a refletir nos vidros altos da prefeitura. A névoa típica da cidade tornava a cena quase irreal — como se fosse uma pintura em tons frios, manchada apenas pelas sirenes.

No centro da fachada principal, pendurado pelo pescoço em um cabo industrial, balançava lentamente o corpo do senador Richard Callahan. O vento espalhava, em movimentos lentos e quase coreografados, dezenas de penas negras presas ao paletó. No peito, preso com um alfinete, um pedaço de papel áspero:

"As asas da corrupção não voam para sempre."

Sam Uley estava parado na calçada, mãos nos bolsos do sobretudo, olhando o corpo com um misto de profissionalismo e raiva contida. Ao lado dele, agentes periciavam a cena, tirando fotos e recolhendo cada pena.

— Cena limpa demais… — murmurou Sam, analisando. — Quem fez isso sabia que não ia deixar rastros.

Foi então que Charlie Swan se aproximou, ajeitando o chapéu e lançando um olhar rápido para cima, antes de focar no amigo.

— Sam… — a voz dele era baixa, quase conspiratória. — Talvez a gente precise de uma ajuda extra.

Sam franziu o cenho. — Que ajuda?

Charlie respirou fundo antes de responder:

— Nightwolf.

Sam riu, mas não de humor. — Você só pode estar brincando. Ele é um criminoso, Charlie.

— Não existe um registro oficial de crime contra ele — rebateu Charlie, firme. — E se esse tal de Corvo é quem eu acho, alguém que age nas sombras pode entender melhor a mente dele do que qualquer policial de terno e gravata.

Sam olhou novamente para o corpo, para o bilhete, para as penas. A névoa parecia mais densa agora.

— Eu não gosto disso… — disse ele, desviando o olhar. — Mas se Nightwolf entrar, não vai ter volta.

Charlie apenas respondeu:

— Talvez seja exatamente disso que precisamos.

O corpo sem vida balançava com as penas se desprendendo e voando para o ar frio de Seattle, enquanto um corvo real pousava num parapeito próximo, observando a cena.


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Na sala principal da mansão Cullen, as cortinas abertas deixavam entrar o frio cinza de Seattle, mas o ambiente estava carregado com um calor tenso de preocupação. Na TV, a notícia rodava em todos os canais:

"Senador Richard Callahan encontrado morto em crime brutal na Prefeitura. Polícia investiga mensagem deixada pelo assassino conhecido apenas como Corvo."

Edward desligou a TV com um clique seco no controle e se virou para os presentes — aliados políticos e figuras de confiança da família.

— Precisamos de uma reunião de emergência. Hoje. — Sua voz estava firme, mas havia uma sombra nos olhos dele. — Se o Corvo começou por Callahan, ele vai continuar. E ninguém aqui está fora da lista.

Renesmee estava sentada no sofá, mas a simples menção do sobrenome Callahan fez o mundo dela estremecer. Imagens, memórias, uma voz que não ouvia há cinco anos… O primeiro homem que ela amou. Ela não disse nada. Apenas se levantou discretamente, deixando a sala antes que alguém notasse a mudança na expressão dela.

Lá fora, o ar frio cortou sua pele. Ela tirou o celular do bolso e discou para Jacob.

Chamou… chamou… sem resposta.

Com o coração acelerado, ela ligou para Harry.

— Oi Harry, aqui é a Nessie, estou tentando falar com Jacob mas ele nao atende— tentou soar casual, mas falhou.

— O senhor Black está uma reunião, senhorita Cullen. Não pode ser interrompido.

Ela encerrou a chamada, mas a decisão já estava tomada. Em poucos minutos, Renesmee estava no banco traseiro do carro da família, pedindo ao motorista:

— Para a Black Industries. Agora.

A cidade passava pela janela, borrada pela garoa, enquanto o nome Callahan ainda ecoava na mente dela, trazendo um peso que Jacob não sabia… ainda.




A sala de reuniões da Black Industries estava carregada.

Jacob Black, de terno escuro e expressão impenetrável, mantinha o olhar fixo nos papéis à sua frente.

— Esses valores foram transferidos sem minha autorização. — A voz dele era baixa, mas com a força de uma sentença. — Quero uma auditoria completa. E quero nomes.

Um dos sócios, mais velho, cruzou os braços.

— Talvez se o senhor estivesse mais presente nos negócios e menos… ocupado com outros assuntos, nada disso teria acontecido.

O ar ficou mais pesado. Jacob se inclinou para frente.

— Cuidado com a forma como fala comigo. — Cada palavra era carregada de ameaça contida. — Eu resolvo tudo. Sempre resolvi.

Os sócios trocaram olhares, murmurando, antes de se retirarem, deixando um rastro de tensão no ar.

A porta mal havia se fechado quando a secretária entrou.

— Senhor Black… a senhorita Cullen está aguardando.

Jacob respirou fundo, soltando a pressão dos ombros.

— Mande minha noiva entrar.

Ele saiu de trás da mesa, abriu o móvel bar e serviu-se de uma dose de uísque. O líquido dourado girava lentamente no copo enquanto ele observava o reflexo distorcido da própria expressão.

Então, ouviu a voz suave atrás de si:

— Espero não estar interrompendo algo importante…

Jacob sorriu de lado, sem se virar imediatamente, reconhecendo aquele tom inconfundível.


Perfeito, aqui está a continuação da cena com a tensão e o clima que você pediu:

Cena 4 — “Sombras e promessas”

Nessie entrou na sala com passos firmes, segurando o jornal dobrado.

— Você já sabe o que aconteceu? — perguntou, a voz grave, sem rodeios.

Jacob ergueu o olhar, ainda com a tensão recente da reunião estampada no rosto.

— Depende… — disse, quase no automático.

Ela colocou o jornal sobre a mesa, virando-o para que ele visse. Na primeira página, uma foto impactante: o corpo do senador Callahan pendurado na fachada da prefeitura, cercado de penas negras, com a frase “A cidade será purificada” escrita em tinta vermelha.

Jacob fechou o rosto, pegando o jornal com mais força do que pretendia.

— O lobo não pode estar presente em todos os locais de crime. — O tom dele era controlado, mas havia algo escondido ali… frustração, talvez.

Nessie, percebendo, deu um passo à frente.

— É isso que me assusta. — Seus olhos buscaram os dele. — Tenho medo do dia em que Nightwolf e o Corvo se encontrarem. Esse assassino não parece um criminoso comum.

Jacob suspirou, deixando o copo sobre a mesa.

— Você deveria ter mais fé em mim, futura senhora Black.

O canto da boca de Renesmee se curvou levemente.

— Você está tenso… — disse, passando as mãos suavemente pelos ombros largos dele, sentindo a rigidez dos músculos.

Jacob soltou um riso baixo, mas sem humor.

— Até o homem mais poderoso de Seattle tem seus problemas, Ness.

Ela prendeu o olhar no dele.

— Eu posso resolver isso.

Ele arqueou uma sobrancelha, puxando-a para mais perto, até sentir o calor da respiração dela.

— Pode? Como? — sussurrou, com a voz rouca.

Nessie não respondeu com palavras. Apenas o beijou, profunda e lentamente, como se quisesse silenciar as sombras que rondavam a mente dele.

O beijo se aprofundou, carregado de urgência e algo mais — a tensão acumulada dos últimos dias. Jacob a puxou para si com força, e num movimento quase instintivo, a ergueu e a sentou sobre a borda larga da mesa de madeira.

As mãos dele seguravam firme sua cintura, enquanto os dedos dela se enredavam no cabelo dele. O mundo lá fora parecia distante, e por um momento, só havia os dois.

Mas então, um resquício de lucidez voltou. Eles sabiam exatamente onde estavam — e que aquela sala não era lugar para perder o controle.

Renesmee respirou fundo, mantendo as mãos sobre o peito dele.

— Jake… tome cuidado.

Ele a olhou de forma intensa, como se quisesse gravar aquele pedido na memória.

— Eu prometo que vou me cuidar, Ness.

Com suavidade, ele a ajudou a descer da mesa. Ela ajeitou o vestido, tentando retomar a postura elegante, embora ainda houvesse um brilho diferente nos olhos.

— Eu preciso ir. — Sua voz soou firme, mas havia um toque de relutância.

Jacob se aproximou mais uma vez, encostando a testa na dela.

— Eu te espero à noite.

Ela sorriu, aquele sorriso que sempre mexia com ele, e saiu da sala deixando atrás de si um rastro de perfume doce e a sensação de que a noite demoraria demais para chegar.



Aqui está a continuação:

Cena 6 — “Preparativos para a Caçada”

A porta se abriu com um leve estalo, e Harry entrou, a expressão séria.

— Preciso que você prepare o uniforme novo. Hoje à noite vou precisar dele.

Harry ergueu uma sobrancelha, mas não questionou.

— Entendido. Vou deixar tudo pronto. — Ele deu alguns passos em direção à porta, mas antes de sair, parou e olhou por cima do ombro. — Senhor… tome cuidado. Esse criminoso não é como os outros. É muito mais perigoso.

Jacob segurou o olhar do amigo por um instante, o peso daquelas palavras se refletindo em seus próprios pensamentos.

— Eu sei, Harry. Tenho consciência do que estou prestes a enfrentar.

Harry assentiu e saiu, deixando Jacob sozinho, encarando o reflexo escurecido na vidraça. Ele sabia que o Corvo não era apenas um criminoso… era alguém com um propósito sombrio, que conhecia as fraquezas de Seattle e de quem a protegia.