NIGHTWOLF- Blood & Roses
32 Encontro as escuras
O cheiro de tinta fresca e madeira recém-cortada se misturava ao ar quando Renesmee entrou no prédio do Verdade Urbana. O som de marteladas e conversas baixas preenchia o espaço.
Quil, Claire, Embry, Paul, Jared e Brad estavam reunidos em torno de uma mesa improvisada com pilhas de pastas, anotações e câmeras fotográficas. Mais ao fundo, trabalhadores ajustavam andaimes e trocavam as janelas danificadas.
— Nossa!— Nessie sorriu, olhando em volta. — Isso aqui está ganhando vida de novo.
Quil ergueu o rosto e retribuiu o sorriso. — Consegui o empréstimo . Agora, o Verdade Urbana vai voltar com tudo.
Claire, que até então revisava alguns papéis, ergueu o olhar e comentou, com um tom um pouco mais seco do que o habitual:
— É, e você tem que agradecer à Nessie por todo o apoio que ela sempre deu.
Em seguida, Claire se levantou e disse:
— Vou pegar um café. — E saiu, sem encarar muito os dois.
Renesmee franziu o cenho. — O que foi isso? Ela está bem?
Quil desviou o olhar para um monte de anotações. — Briga de casal. Não se preocupa.
Nessie percebeu que ele não queria entrar no assunto, então deixou passar.
— Então… enquanto isso, o que faremos? — ela perguntou, cruzando os braços.
Quil endireitou-se e bateu levemente na mesa. — O Corvo. Essa vai ser a primeira grande matéria do retorno do jornal. Quero todos atrás de qualquer pista: movimentações políticas suspeitas, ameaças, mensagens, qualquer coisa que nos leve até ele.
Paul sorriu de lado. — Isso vai dar audiência.
Brad já estava rabiscando algo no caderno. — Ou vai colocar todo mundo na mira dele.
Renesmee respirou fundo, sentindo que essa história estava apenas começando… e que, no fundo, o envolvimento do Verdade Urbana significaria que ela própria estaria mais próxima do perigo.
A Toca do Lobo estava em penumbra, iluminada apenas pelo brilho azulado dos múltiplos monitores e pelo fraco foco de luz sobre a mesa de análises.
Na parede principal, um mural repleto de recortes de jornais e fotografias estava organizado por linhas vermelhas que ligavam datas, locais e vítimas. Ali estavam:
• Fotos do ataque à sede da polícia de Seattle.
• Imagens aéreas dos incêndios em dois prédios públicos.
• A capa de jornal com o corpo de Callahan pendurado na fachada da prefeitura.
Jacob, ainda com as mangas da camisa arregaçadas, observava tudo em silêncio, tentando encontrar um padrão.
Mas cada linha que traçava acabava em nada. O Corvo não seguia uma lógica simples — e isso o irritava.
— Não faz sentido… — murmurou, apoiando as mãos na mesa. — É como se ele estivesse em todos os lugares e em lugar nenhum ao mesmo tempo.
Harry, sentado diante dos monitores, mexia nos controles de áudio. Subitamente, aumentou o volume de uma das telas.
— Senhor… veja isso.
Jacob se aproximou, fixando os olhos no vídeo que começava.
[Notícia ao vivo — Rede Local de Seattle]
“O comandante da polícia de Seattle, Sam Uley, falou há pouco sobre o caso do assassino conhecido como O Corvo. Segundo Uley, ainda não há nenhum suspeito identificado, mas a polícia segue investigando todas as pistas e analisando imagens de câmeras de segurança. O comandante afirmou que, apesar do clima de medo, as autoridades estão trabalhando dia e noite para proteger a cidade. Ao final da entrevista, ele declarou:
‘Às vezes, para caçar um predador, é preciso outro predador…’”
Harry pausou o vídeo. — O que acha que ele quis dizer com isso?
Jacob permaneceu imóvel por alguns segundos, olhando para a tela como se a frase ecoasse em sua mente. Então, com um leve sorriso de canto, respondeu:
— Não foi para a imprensa que ele falou isso… foi para Nightwolf.
Seattle estava mergulhada no frio úmido da noite, um vento cortante varrendo as ruas encharcadas pela garoa fina. Na Toca do Lobo, Jacob se movia com precisão, vestindo peça por peça do novo traje: o couro negro reforçado, as proteções flexíveis nos braços e pernas, o novo elmo com visor estreito e reflexo metálico.
Harry o observava em silêncio, até que não resistiu:
— E se for uma armadilha, chefe?
Jacob parou, puxando o zíper do colete até o fim.
— Então terei que correr esse risco.
Harry cruzou os braços, visivelmente preocupado.
— E a Renesmee?
Jacob colocou as luvas, a voz mais baixa agora:
— Não comenta nada com ela. Se souber, vai tentar me impedir… e essa é uma conversa que eu não quero ter antes da hora.
O som grave da moto ecoou na Toca quando ele a ligou. Jacob montou, ajustou o comunicador na lateral do capacete e encarou Harry mais uma vez.
— Está tudo pronto?
Harry digitou rápido em um painel.
— Sim. No momento certo, as luzes do prédio vão se apagar por dez minutos.
Jacob girou o acelerador, o ronco da moto crescendo.
— Dez minutos é tempo suficiente.
Ele partiu como um raio, o motor rugindo contra o silêncio da noite.
As ruas de Seattle passavam em borrões de luz, os semáforos refletindo no asfalto molhado.
Quando se aproximou do centro policial, a voz de Harry soou no comunicador:
— Lobo, estamos no cronômetro. Trinta segundos para o apagão.
Jacob reduziu a velocidade, posicionando-se na rua lateral, a moto escondida na sombra.
— Certo, me avise quando aa luzes caírem, tenho um encontro.
O relógio marcava 21h14 quando o centro policial mergulhou em completa escuridão.
O leve estalo das lâmpadas se apagando ecoou na sala de Sam Uley.
— Mas que droga… — resmungou, levantando-se da cadeira.
Com o barulho distante de geradores tentando religar o sistema, ele caminhou até a porta. Mas parou.
Uma brisa fria atravessou a sala.
Lenta e silenciosa.
O tipo de vento que não deveria existir num prédio com janelas fechadas.
Sam girou levemente a cabeça, percebendo o movimento discreto das cortinas.
— Então… você veio. — disse, a voz firme, sem se virar.
Uma voz grave respondeu da escuridão atrás dele:
— O que quer de mim, comandante?
Sam se virou, e lá estava ele — o Lobo da Noite, imóvel, parcialmente oculto pela sombra junto à janela aberta. O reflexo metálico do visor piscou com um raio distante.
— Preciso de ajuda. — Sam falou sem rodeios. — Se você realmente quer proteger Seattle… vai ter que trabalhar comigo.
Jacob permaneceu calado por alguns segundos.
— E se eu aceitar? Posso confiar que não vai haver nenhuma surpresa… comandante?
Sam deu um passo à frente, encarando-o.
— Você tem a minha palavra.
O silêncio entre eles pareceu se estender por minutos. Nenhum som, além da chuva fina batendo no vidro.
De repente, as luzes voltaram a acender, inundando a sala com luz artificial.
Sam piscou para ajustar a visão…
O Lobo já não estava mais lá.
A janela aberta era o único sinal de que ele havia realmente estado ali.
A mansão Black estava silenciosa, exceto pelo som distante da chuva escorrendo pelo telhado.
Renesmee entrou, fechando a porta atrás de si.
Leah estava sentada no sofá da sala de estar, folheando uma revista qualquer. Levantou o olhar apenas o suficiente para notar a presença da visitante.
— Jake não chegou ainda. — disse num tom seco, largando a revista sobre a mesa.
— Eu sei. — Renesmee respondeu com calma, tirando o casaco molhado. — Mas posso esperar.
Leah cruzou os braços, inclinando-se levemente contra o encosto do sofá.
— Sabe Cullen, não vou mentir… não gosto de você.
Nessie manteve o olhar fixo, sem se ofender, mas antes que pudesse responder Leah continuou — Mas… — Leah suspirou, como se fosse difícil admitir — tenho que reconhecer que o Jake está feliz. Eu o conheço desde criança, ele nunca deixou ninguem entrar, mas você conseguiu isso. E isso… importa pra mim.
Um leve silêncio pairou no ar. Renesmee apenas assentiu, com um meio sorriso.
— Obrigada por dizer isso.
Leah pegou a bolsa sobre a poltrona.
— Não agradeça, se você magoar ele eu terei o prazer de deixar minha marca nesse seu rostinho de porcelana...
— Está...bem— Nessie respondeu, observando-a atravessar a sala e desaparecer pela porta.
O som da porta se fechando ecoou pela mansão.
Renesmee respirou fundo e começou a subir as escadas. O corredor estava na penumbra, apenas iluminado pela luz suave do quarto de Jacob, no final.
Ela entrou devagar, deixando-se envolver pelo cheiro dele, pela sensação de estar no espaço que era só dele.
Sozinha, ela se sentou na beira da cama, acariciando o tecido do cobertor enquanto esperava…
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