NIGHTWOLF- Blood & Roses
17 Sem notícias
No quarto silencioso, o monitor cardíaco emitia um bip suave, misturado ao cheiro de desinfetante. Renesmee estava recostada na cama, ainda pálida, mas com o olhar firme.
Bella estava sentada ao lado dela, segurando sua mão com força.
— Você me deu um susto daqueles — disse a mãe, tentando sorrir, mas a preocupação ainda estampada no rosto.
A porta se abriu e Edward entrou apressado. Seus olhos, sempre atentos, varreram a filha dos pés à cabeça antes mesmo de se aproximar.
— Graças a Deus… — Ele a envolveu num abraço apertado. — Eu vim o mais rápido que pude.
— Pai… eu tô bem. — Nessie sorriu, tentando acalmá-lo. — Alguém… alguém se feriu?
Bella trocou um rápido olhar com Edward e respondeu:
— Não. Todos conseguiram sair, felizmente.
Nessie respirou fundo, como se um peso saísse de seu peito.
— Ainda bem…
O médico entrou, consultando a prancheta.
— Senhorita Cullen? — sorriu educadamente. — Você inalou uma quantidade considerável de fumaça, mas nada grave. Está estável e já pode ir para casa. Só recomendo repouso e bastante água.
Um alívio genuíno tomou conta da garota.
— Obrigada, doutor.
Edward apertou a mão do médico.
— Agradecemos muito.
Bella ajudou a filha a se levantar, apoiando-a pelo braço.
— Vamos, querida. — disse, com um sorriso caloroso. — É hora de ir pra casa.
Renesmee deu um último olhar para a janela do hospital, mas sua mente ainda estava no momento em que o Lobo da Noite a tirou das chamas. Seu coração nao estava tranquilo, ele havia se ferido e ela precisava descobrir se ele estava bem.
A luz filtrava pela janela do quarto trazendo um tom dourado e calmo à manhã — em contraste total com o caos da noite anterior.
Jacob despertou devagar, sentindo o peso do corpo e a ardência no braço enfaixado. O cheiro de antisséptico denunciava que alguém tinha cuidado bem dele. A sonda de oxigênio ainda estava presa ao nariz. Ao lado da cama, Harry e Leah o observavam.
— Você me assustou de verdade ontem — disse Harry, o tom misto de alívio e bronca.
Leah cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha.
— Eu jamais imaginei que o passatempo do meu irmão de criação fosse bancar o herói mascarado por aí.
Jacob franziu o cenho, encarando Harry.
— Você contou pra ela?
Harry suspirou, levantando as mãos num gesto de rendição.
— Ela é a única médica da família. Eu não tinha escolha, Jake.
Jacob se recostou na cama, soltando um suspiro cansado.
Leah se aproximou e, com um leve sorriso, disse:
— Relaxa. O seu segredinho está seguro comigo.
— Onde está Nessie? — perguntou ele, quase sem pensar.
Leah revirou os olhos, como se já esperasse essa pergunta.
— Essa mulher vai matar você — resmungou, saindo do quarto com um balançar de cabeça.
Harry, então, retomou o assunto.
— Você tinha um compromisso com o prefeito hoje. Como está sem condições, inventei que pegou um resfriado forte. E, antes que pergunte de novo, a senhorita Cullen está em casa. Segura.
Jacob voltou a se deitar lentamente, o corpo ainda pesado. Seu olhar se perdeu no teto.
— Ontem… — disse, a voz mais baixa — eu senti o mesmo medo que senti quando perdi minha família.
Harry se aproximou, pousando uma mão firme no ombro dele.
— E foi justamente esse medo que fez você salvá-la.
O silêncio tomou conta do quarto, mas na mente de Jacob o rosto de Renesmee ainda queimava tão vivo quanto as chamas da noite anterior.
A manhã na mansão Cullen estava silenciosa, mas carregada de tensão.
Do corredor, Renesmee ouviu a voz grave do pai conversando com o avô Charlie na sala.
— A perícia ainda está levantando o motivo do incêndio — dizia Charlie, o tom sério, quase exasperado. — Pode ter sido um acidente… ou não.
Renesmee entrou devagar, os olhos inevitavelmente caindo sobre o jornal aberto sobre a mesa de centro.
Na primeira página do Seattle Daily, uma foto do prédio do Verdade Urbana ainda envolto em fumaça, com a chamada em letras fortes:
"Incêndio no prédio do Verdade Urbana: acidente ou retaliação?"
Ela sentiu o peito apertar. O som da própria respiração pareceu mais alto por um instante. Sentou-se no sofá, apoiando os cotovelos nos joelhos. Não era só pelo jornal — era por ele. Pela ausência de notícias do Lobo da Noite desde a noite anterior.
O celular vibrou nas mãos dela, tirando-a dos pensamentos. Uma mensagem de Quil piscava na tela:
"Você tá bem?"
Ela respondeu rápido:
"Sim… mas lamento muito pelo jornal."
Quil demorou poucos segundos para responder:
"O importante é que todos estão bem. O resto a gente corre atrás."
Um pequeno sorriso escapou dela. Ainda assim, o aperto no coração não passava. Levantou-se, sentindo a necessidade de ficar sozinha, e subiu para o quarto, deixando para trás o burburinho da conversa entre o pai e o avô.
No silêncio do andar de cima, fechou a porta, encostou as costas nela e respirou fundo. A imagem do Lobo surgindo entre as chamas voltou à mente, intensa e viva.
Renesmee largou o celular sobre a mesa de cabeceira e se jogou na cama, o corpo cansado, mas a mente inquieta.
As lembranças da noite anterior vinham em ondas: o cheiro de fumaça, o calor sufocante, o som da madeira desabando… e então, como um vulto entre as chamas, ele. O Lobo da Noite.
Ela fechou os olhos e se viu de novo nos braços dele, sentindo a força com que a protegia, o calor do corpo dele como escudo, a respiração pesada de quem estava suportando a dor sem reclamar. Lembrou-se do instante em que tocou o chão e de como ele cambaleou antes de desmaiar.
Era isso que a corroía.
Não saber.
Não saber se ele estava ferido gravemente, se alguém o ajudara, onde ele estava.
A noite caiu e a mansão mergulhou num silêncio confortável para todos… menos para ela. Cada hora que passava sem notícias apertava mais seu peito. Não conseguia ficar parada.
Perto das 21 horas vestiu o casaco e saiu sem fazer barulho. As ruas estavam quase desertas, e o vento frio cortava o rosto enquanto ela caminhava rápido até o beco onde, tantas vezes, ele aparecera.
O mesmo canto mal iluminado, o mesmo silêncio carregado de expectativa.
Ela esperou.
E esperou.
Cada farfalhar de folhas, cada sombra movendo-se a fazia prender a respiração… mas não era ele. Minutos viraram quase uma hora, e o vazio daquele lugar começou a pesar mais do que o frio.
— Onde você está?… — sussurrou para o escuro, a voz embargada.
Quando percebeu que ele não viria, um nó subiu à garganta. Voltou para casa com passos lentos, e naquela noite o sono não veio — apenas a inquietude crescente e a sensação de que algo estava muito errado.
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