NIGHTWOLF- Blood & Roses
18 Kerry Park
Três dias depois...
Renesmee estava sentada à mesa improvisada que Quil havia montado no pequeno café da esquina, o mesmo onde o grupo vinha se encontrando desde o incêndio. Ao seu redor, Quil, Embry, Claire e Paul discutiam ideias sobre como ajudar o Verdade Urbana a se reerguer.
Jessica chegou alguns minutos depois, o semblante carregado.
— Eu… me sinto responsável por tudo isso — disse ela, a voz baixa.
Renesmee balançou a cabeça e tocou o braço da colega.
— Jess, você só fez o que era certo. Ninguém poderia prever o que aconteceria depois.
Quil, que sempre ia direto ao ponto, se inclinou sobre a mesa.
— E você, Nessie… acha que esse incêndio foi proposital?
Ela respirou fundo, observando os rostos atentos.
— Nós somos repórteres. E repórteres não ficam só nas suposições. Nós vamos descobrir a verdade.
O celular vibrou sobre a mesa, interrompendo o momento. Renesmee atendeu rapidamente, ouviu a voz do outro lado e apenas respondeu:
— Entendido, estarei lá.
Ao desligar, suspirou.
— Compromisso familiar, gente. Tenho que ir.
Do lado de fora, o cenário ainda a fez parar por alguns segundos. O prédio destruído estava cercado por tapumes e faixas de segurança, mas a imagem continuava marcada em sua mente. No meio daquela visão de cinzas e concreto queimado, um carro preto conhecido estacionou.
O motorista desceu e abriu a porta para ela.
— Senhorita Cullen, o prefeito a aguarda no evento beneficente no Kerry Park.
Renesmee assentiu, se despedindo rapidamente dos amigos antes de entrar no carro. Ao se acomodar no banco, olhou pela última vez para as ruínas do Verdade Urbana… e jurou a si mesma que não descansaria até descobrir quem tinha causado aquilo.
Jacob estava em frente ao espelho, ajeitando a gravata com um movimento firme, quando Leah encostou no batente da porta, os braços cruzados e uma expressão de reprovação no rosto.
— Não é uma boa ideia, Jacob — disse ela, séria. — Seus pontos ainda estão frescos. Esse braço precisa de repouso.
Ele soltou um suspiro, mas não parou de arrumar a roupa.
— Se eu sumir agora, só vai levantar mais suspeitas. O prefeito já deve estar se perguntando onde eu me enfiei nos últimos dias.
Quando Jacob pegou o casaco, Leah deu um passo à frente e segurou a manga da camisa dele. O toque dela foi rápido, mas firme.
— Mantenha o ferimento coberto apenas pelo casaco, pode infeccionar.
Ele assentiu, a voz mais suave dessa vez.
— Obrigado, Leah.
Jacob vestiu o casaco e começou a atravessar o corredor, sentindo o peso de cada passo. Ao chegar à escada, encontrou Harry, que o esperava com as mãos nos bolsos.
— Tem certeza de que está bem para ir? — Harry perguntou, olhando para ele de cima a baixo, como quem busca qualquer sinal de fraqueza.
Jacob forçou um sorriso.
— Estou bem, Harry. Confia em mim.
Mas, por dentro, ele sabia que não era só sobre política, compromissos ou aparências. No fundo, havia um único motivo para ir: precisava ver com os próprios olhos que Renesmee estava bem.
E nada o faria mudar de ideia.
Jacob desceu do carro oficial diante do Kerry Park e, em segundos, foi cercado por flashes e microfones. Os jornalistas e fotógrafos se apertavam, gritando perguntas sobre o evento, sobre projetos e até sobre boatos recentes.
Ele manteve o sorriso político e o aceno treinado, avançando com calma enquanto os seguranças abriam caminho. Ao entrar na área reservada, foi recebido por Edward, impecável no terno escuro.
— Já melhorou do resfriado? — Edward perguntou, a voz neutra, mas o olhar atento.
— Sim, completamente — Jacob respondeu, mantendo a compostura.
Ao olhar ao redor, seus olhos captaram uma cena que o fez franzir levemente a testa. Os Weber estavam presentes, conversando com outros convidados como se nada fosse.
— Weber? — Jacob murmurou, quase como uma constatação.
Edward seguiu o olhar dele e sorriu de forma sutil, quase irônica.
— Na política, Jacob, você mantém os inimigos por perto.
Jacob apenas assentiu, mas não tirou os olhos do grupo.
— E Renesmee? — perguntou, tentando manter o tom casual.
— Está a caminho — respondeu Edward, antes de ser chamado por um assessor para conversar com um homem mais velho.
Ficando sozinho, Jacob observou os convidados, até que uma cena à distância chamou sua atenção: Lauren Weber estava rindo e conversando de forma próxima com Mike Newton. A familiaridade no gesto, a troca de olhares… algo ali acendeu seu instinto de alerta.
Era uma situação que ele não pretendia ignorar.
Renesmee desceu do carro oficial no Kerry Park e foi imediatamente cercada por repórteres e fotógrafos. As perguntas se atropelavam — sobre o incêndio, sobre o evento, sobre sua família —, mas ela manteve a postura, respondendo apenas com um aceno educado antes de avançar com a segurança abrindo caminho.
Assim que entrou no espaço reservado, seus olhos percorreram a multidão. E então, encontrou-o.
Jacob.
Um calor estranho subiu-lhe pelo peito, como se uma tensão invisível fosse finalmente aliviada. Sem pensar, ela se aproximou, ignorando o burburinho ao redor.
— Por que você não respondeu minhas ligações? — perguntou de imediato, o olhar direto e preocupado.
— Eu estava doente — respondeu Jacob, sustentando o olhar.
Ela arqueou uma sobrancelha. — Doente? Estava sem voz também?
Um meio sorriso apareceu nos lábios dele. Ela o encarou, como se analisasse cada traço, cada linha daquele rosto.
— O que foi? — ele perguntou, intrigado.
— Esse seu sorriso… — ela hesitou por um instante — me lembrou alguém.
Jacob apenas inclinou a cabeça, mudando de assunto: — Você está bem? Ouvi sobre o que aconteceu no jornal.
— Estou — ela respondeu, mais suave agora.
Antes que pudesse dizer algo mais, Bella surgiu com passos firmes. — Desculpe Jacob, Querida precisa estar no palco ao lado de seu pai.
Renesmee suspirou e revirou os olhos. — De novo? — murmurou, mas seguiu a mãe até o palanque.
No centro, Edward ajustou o microfone e iniciou seu discurso, a voz projetada pelo parque. Ele falava sobre união, responsabilidade social e o compromisso da cidade em apoiar o orfanato de Seattle.
A diretora do orfanato, uma senhora de voz firme e sorriso acolhedor, aproximou-se do microfone após o discurso de Edward.
— Gostaria de chamar ao palco uma pessoa muito especial para nós, alguém que, sem alarde, fez a maior doação já recebida pelo orfanato — disse ela, olhando para a plateia. — Senhor Jacob Black, por favor.
O nome ecoou pelo Kerry Park, seguido por aplausos entusiasmados. Jacob respirou fundo e começou a caminhar em direção ao palanque, cumprimentando discretamente algumas pessoas pelo caminho.
Renesmee o seguiu com os olhos, uma mistura de orgulho e curiosidade crescendo dentro dela. Ele subiu os degraus e, ao chegar ao microfone, agradeceu à diretora com um leve aceno.
— É uma honra poder contribuir com um trabalho tão importante para a cidade — começou ele, a voz firme e controlada. — Toda criança merece um lar seguro e amoroso.
No gesto instintivo de segurar o microfone com a mão direita, a manga do casaco deslizou alguns centímetros, revelando parte da faixa de gaze branca no braço, marcada por leves manchas de queimadura na pele. Jacob não percebeu.
Mas Renesmee, sim.
Seus olhos se fixaram naquele ferimento. Uma lembrança vívida explodiu em sua mente — o braço forte do Lobo da Noite protegendo-a enquanto madeira em chamas caía, o cheiro de fumaça, o calor insuportável, a dor dele contida para mantê-la segura.
O coração dela disparou. O ar pareceu faltar. Ela sentiu-se presa, como se estivesse de volta naquele incêndio.
O mundo ao redor desapareceu.
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