NIGHTWOLF- Blood & Roses
12 Próximos
O clima em Seattle estava eletrizado. As últimas semanas tinham sido marcadas por debates acalorados, manchetes escandalosas e uma dança perigosa de alianças políticas.
A queda dos Volturi foi um terremoto no cenário local. Acusados de manipulação e corrupção, eles já não estavam mais na disputa. O processo contra Alec Volturi havia sido decisivo, obrigando toda a família a se retirar da campanha.
No vácuo deixado por eles, surgiu Mark Weber, um empresário respeitado, conhecido por seus investimentos milionários e pela imagem pública impecável. O anúncio de sua candidatura veio acompanhado de um evento de gala: a inauguração de um novo prédio municipal no centro da cidade.
Edward Cullen, sempre elegante e diplomático, estava lá, trocando cumprimentos com Weber diante de câmeras e jornalistas. Ao avistar Jacob Black, Weber abriu um sorriso afável e se aproximou.
— Jacob Black, finalmente! — disse, apertando a mão dele com firmeza. — Uma pena que já esteja do lado dos Cullen. Eu tinha uma proposta… além do mais, minha filha Lauren ficou bastante… fascinada por você.
Jacob ergueu uma sobrancelha, curioso. Antes que pudesse responder, uma voz feminina se aproximou:
— Pai, o que você anda falando sobre mim por aí? — Lauren Weber, deslumbrante em um vestido elegante, surgiu com um sorriso perspicaz.
Jacob inclinou levemente a cabeça.
— Pelo contrário, ele estava falando muito bem.
Enquanto Lauren sorria, tentando manter a atenção dele, Jacob desviou o olhar e viu Renesmee do outro lado do salão, gravador na mão, entrevistando alguns políticos.
— Com licença, Lauren. — disse com um tom educado, mas firme.
Ele atravessou o salão, ignorando o burburinho das conversas e o clique das câmeras, até parar diante de Nessie. Ela estava tão concentrada que demorou um instante para notar sua presença.
— E se você quisesse uma exclusiva com o dono das Indústrias Black? — perguntou, com aquele meio sorriso que misturava desafio e provocação.
Renesmee sentiu aquele arrepio estranho e familiar no instante em que Jacob se aproximou. Não era apenas pela imponência dele no ambiente — era algo mais profundo, como se a presença dele ocupasse todos os espaços ao redor.
— Pensei que você não fosse muito fã da mídia — disse ela, tentando manter o tom profissional, embora a respiração estivesse um pouco mais acelerada.
Jacob inclinou-se levemente, a voz baixa, quase conspiratória:
— Não sou. Mas… acho que posso abrir uma exceção. Exclusiva. Hoje à noite. Jantar, na minha casa.
Nessie piscou, surpresa.
— Curioso… eu lembro que estou te devendo um jantar.
— Ótimo. — Ele sorriu, satisfeito. — Mas, só se eu prometer dizer tudo.
— Tudo — reforçou ela, cruzando os braços, tentando disfarçar o quanto aquilo a intrigava.
— Nesse caso… — Jacob se aproximou só o suficiente para que ela sentisse o calor dele — você vai ser conhecida como a repórter das exclusivas. Primeiro Nightwolf, agora Jacob Black.
Renesmee mordeu o canto dos lábios, controlando o sorriso.
— Tenho que admitir… estou gostando disso. — fez uma pausa, o olhar fixo nele — E, a propósito… amei as rosas que recebi.
Por um instante, Jacob apenas a encarou, e algo passou pelo olhar dele — um reconhecimento silencioso. Mas antes que ela pudesse dizer mais, um dos políticos o chamou do outro lado do salão.
— A gente se vê mais tarde, Ness. — disse ele, se afastando com a segurança de quem sabia que ela iria.
Renesmee ficou ali, imóvel por alguns segundos, tentando entender aquele turbilhão de sensações que misturava dever jornalístico e algo perigosamente pessoal.
Foi então que uma voz cortou seus pensamentos:
— Flertando com o Black, Cullen? — Lauren Weber surgiu ao lado dela, o tom carregado de provocação e o sorriso quase desafiador.
Lauren se aproximou mais, o salto ecoando no piso de mármore, e lançou aquele sorriso que mais parecia um desafio.
— Parece que a jornalista do jornal de fundo de quintal tem conseguido chamar a atenção de homens poderosos… — disse com doçura venenosa. — Primeiro o justiceiro da noite, e agora Jacob Black.
Renesmee ergueu o queixo, mantendo o tom calmo.
— Não tenho culpa se tenho credibilidade.
Lauren riu de leve, inclinando-se como quem revela um segredo.
— Credibilidade? Você tem um sobrenome, Cullen. Isso abre portas.
O olhar de Nessie seguiu discretamente para Jacob, que conversava a poucos metros dali. Ela notou como Lauren também o observava, com interesse.
— Está interessada no Jacob? — perguntou, num tom que soava mais como constatação do que curiosidade.
Lauren arqueou uma sobrancelha.
— Jacob? Já é íntima dele, é?
Renesmee sorriu, afiada.
— Lauren, sinto muito se você não superou o ensino médio e ainda está nessa de disputar garotos comigo… — fez uma breve pausa e ajeitou a bolsa no ombro — mas eu preciso ir. Tenho que me preparar para jantar com o Jake.
Ela se afastou, deixando Lauren imóvel por um instante, o sorriso dela se desmanchando, substituído por um olhar estreito e calculista.
Renesmee ficou diante do espelho, sentindo o frio na barriga aumentar a cada detalhe ajustado.
Escolhera um vestido curto em cetim azul profundo, de caimento perfeito, com saia ampla e delicadas camadas que se moviam como ondas quando ela andava. O corpete ajustado tinha aplicações sutis de renda e pequenos cristais que cintilavam sob a luz suave do quarto, e as mangas curtas caíam levemente sobre os ombros, revelando a pele clara. O cabelo, preso em um coque baixo, tinha algumas mechas soltas que emolduravam seu rosto; no pescoço, um colar de pérolas herdado de Bella, e nos pés, sapatos prateados de salto fino.
Ao descer para a sala, encontrou Edward à sua espera, sentado com o jornal sobre o colo.
Ele se levantou ao vê-la, e um raro sorriso orgulhoso surgiu.
— Você está deslumbrante, Nessie — disse, beijando-a na testa. — Sua mãe vai chorar quando te vir assim.
Renesmee tentou esconder o incômodo. Sabia que, para ele, cada encontro, cada evento, tinha peso estratégico.
— Pai… não transforma isso em um movimento político, por favor.
Ele suspirou, um brilho de ironia nos olhos.
— Estou apenas dizendo que, se um dia houver noivado… e casamento… — deixou a frase suspensa, como quem planta uma semente.
Nessie balançou a cabeça, rindo sem humor.
— Não quero me casar tão cedo, e você sabe disso. Boa noite.
Ela se afastou antes que ele continuasse. Ao abrir a porta, sentiu o coração acelerar: estacionado à frente, estava um sedã preto impecável, com o brasão discreto das Indústrias Black no capô.
Harry, de terno escuro e postura impecável, sorriu ao vê-la.
— Boa noite, senhorita Cullen.
Ele abriu a porta para ela com um gesto respeitoso.
— O senhor Black está ansioso à sua espera.
Renesmee respirou fundo, entrou no carro e sentiu o mundo lá fora começar a desaparecer conforme a porta se fechava.
O carro deslizou suavemente até parar diante de um portão de ferro trabalhado. A mansão se erguia imponente, iluminada por luzes douradas que faziam brilhar cada detalhe da fachada de pedra clara.
Harry abriu a porta para Renesmee e, assim que ela pisou no hall principal, Jacob estava lá, esperando. O terno preto perfeitamente alinhado realçava ainda mais sua presença imponente. Ele se aproximou e, com um gesto suave, ajudou-a a retirar o casaco, o toque de seus dedos percorrendo-lhe os ombros com uma naturalidade desconcertante.
— Está… linda — disse ele, baixinho, antes de entregar o casaco a Harry.
— Vou verificar como está o jantar, senhor Black — informou Harry, afastando-se discretamente.
Jacob ofereceu o braço e Renesmee, ainda um pouco atordoada, aceitou. Eles começaram a caminhar pelo interior da mansão.
O piso de mármore refletia o brilho de lustres de cristal, e ao longo do corredor principal, obras de arte cuidadosamente posicionadas contavam histórias silenciosas. Jacob parava diante de cada uma, explicando brevemente sua origem.
— Este — apontou para uma pintura a óleo de um lobo em meio à neve — foi feito por um artista de Vancouver. Comprei porque… bom, me lembra quem eu sou quando ninguém está olhando.
Renesmee o observou falar, percebendo que havia uma sinceridade rara em seu tom. Ele continuou a guiá-la, mas ao parar diante de uma escultura em bronze de uma mulher com o rosto erguido ao vento, houve um instante em que as palavras simplesmente cessaram.
Os dois se olharam, e por alguns segundos o mundo pareceu desacelerar. Jacob, acostumado a erguer muros ao redor de si, sentiu como se cada barreira se desfizesse diante do olhar dela. Um calor estranho, quase perigoso, subiu-lhe ao peito.
— Você tem algo… — ele hesitou, como se medisse cada palavra — que atravessa todas as minhas defesas, Renesmee.
Ela prendeu a respiração, sentindo o peso da confissão.
— Isso é bom… ou ruim? — arriscou, num sussurro.
Ele sorriu de lado.
— No momento… não sei. Mas é real.
Antes que qualquer coisa pudesse seguir, o som de passos ecoou pelo corredor. Leah Clearwater surgiu, impecável em um vestido preto justo, segurando uma taça de vinho.
— Interrompendo alguma coisa? — perguntou, arqueando uma sobrancelha com um meio sorriso que carregava um certo desafio.
O clima carregado que pairava entre Jacob e Renesmee se dissipou como névoa cortada pelo vento.
Jacob, mantendo a postura de anfitrião, quebrou o silêncio constrangedor com um tom neutro:
— Renesmee, esta é Leah Clearwater… filha de Harry e… minha meia-irmã. — Ele acrescentou, com um olhar rápido para Leah: — Harry me criou como a um filho.
O rosto de Leah, já sério, se crispou levemente, como se engolisse algo amargo. Renesmee, mantendo a elegância, estendeu a mão.
— Muito prazer.
Leah apertou, firme.
— Não queria interromper. — A frase saiu com um sorriso que parecia mais protocolo do que sinceridade.
Antes que o clima pudesse se prolongar, passos apressados ecoaram novamente.
— Olha só quem temos aqui! — disse um rapaz alto e sorridente, entrando no hall. — Sou Seth Clearwater. — Ele estendeu a mão para Renesmee.
Jacob completou:
— Meu irmão.
Seth apertou a mão dela com entusiasmo.
— Finalmente, Jake… parece que você vai desencalhar. — O tom brincalhão fez Renesmee rir, enquanto Jacob apenas passava a mão pela nuca, levemente desconfortável.
— Seth… — murmurou Jacob em advertência, mas Seth apenas sorriu mais.
Leah olhou para o relógio de pulso e soltou um suspiro.
— Tenho plantão, preciso ir. — Ela se despediu rapidamente e caminhou até a porta.
Quando saiu, Seth fez um gesto com a mão, como quem afasta qualquer preocupação.
— Não ligue… Leah deve estar de TPM. —
Renesmee soltou uma risada curta.
— Entendi.
Seth inclinou-se para ela, como se fosse confidenciar algo:
— Bom, não vou mais atrapalhar vocês… cunhada. —
Renesmee arqueou as sobrancelhas, surpresa, e riu. Jacob, por sua vez, pigarreou e desviou o olhar, visivelmente constrangido.
O jantar foi servido com um cuidado quase cerimonial. A mesa impecavelmente posta, velas baixas e o aroma que fez Renesmee sorrir assim que viu o prato diante dela.
— É a minha comida favorita… — disse, surpresa, olhando para Jacob. — Como você descobriu?
Ele apoiou o cotovelo na mesa, com um meio sorriso.
— Tenho minhas fontes. — O tom carregava um ar de mistério que a fez arquear a sobrancelha.
A conversa fluiu entre garfadas, com momentos de risadas e silêncios confortáveis. A sobremesa — um doce suave que ela adorava desde criança — foi o toque final.
Após o jantar, Jacob a conduziu até a sala de estar. O ambiente era acolhedor, iluminado por uma lareira branda. Renesmee abriu a bolsa, tirou seu gravador e o colocou sobre a mesinha diante deles.
— Pronta para minha exclusiva? — ela disse, em tom profissional, embora os olhos brilhassem com expectativa.
Ele recostou-se, com ar descontraído.
— Pode começar.
As perguntas vieram sobre as Indústrias Black, planos de expansão, a influência que Harry exercia nos negócios. Depois, a voz dela assumiu um tom mais curioso:
— E sobre a vida pessoal? Existe alguém… especial?
Jacob sustentou o olhar dela por alguns segundos antes de responder, lento:
— Sim.
Ela piscou, surpresa.
— Sério? — A caneta quase parou de se mover no bloco de anotações.
— Uma repórter curiosa… que tem estado nos meus pensamentos. —
Renesmee sentiu o coração acelerar. O gravador ainda estava ligado, mas naquele instante, parecia distante. Os dois se inclinaram levemente, os rostos tão próximos que ela pôde sentir a respiração dele…
— Senhor Black… — A voz de Harry irrompeu, grave, do corredor. — Temos uma emergência em uma das Indústrias.
Jacob fechou os olhos por um instante, contendo um suspiro frustrado.
— Desculpe, Renesmee… — disse, levantando-se.
— Eu entendo. — Ela fechou o gravador com calma, tentando disfarçar a decepção. — Só… tome cuidado.
Ele assentiu e, por um momento, seus olhos pareciam querer dizer mais do que as palavras.
— Harry, leve a senhorita Cullen para casa.
Harry se aproximou, com um discreto “boa noite, senhorita”. Jacob ficou parado por alguns segundos, observando-a se afastar, até a porta se fechar.
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