A brisa fria do farol abandonado fazia o casaco de Renesmee balançar levemente, mas a presença dele parecia aquecer o ar ao redor.

Ela acionou o gravador e, com a voz firme, perguntou:

— Quais são… as suas razões para ser o Lobo da Noite?

Ele manteve o olhar oculto pelo capuz, mas a resposta veio rápida:

— Faço o que precisa ser feito. Nada mais.

— E… você é casado? — ela arriscou, tentando puxar algo mais pessoal.

Um canto de sua boca se ergueu num meio sorriso.

— Não. Nenhuma mulher conseguiu um encontro comigo… você é a primeira.

O coração de Nessie deu um salto, e ela corou, desviando o olhar por um instante.

Ele notou e deu um passo mais próximo, a distância entre eles encurtando.

— Qualquer mulher que se aproxime… me torna vulnerável — disse ele, com a voz grave e baixa.

Renesmee respirou fundo, sentindo a tensão crescente.

— Então… por que eu? — perguntou quase num sussurro, como se temesse a resposta.

O Lobo ergueu a mão enluvada, tocando suavemente o queixo dela, obrigando-a a encará-lo.

— Porque… você consegue quebrar minhas barreiras.


Renesmee deu um passo à frente, sentindo o coração acelerar.

Ergueu o queixo, olhando-o diretamente nos olhos, ou pelo menos tentando enxergar através da sombra do capuz.

— Isso é bom ou ruim? — perguntou, a voz carregando mais coragem do que ela realmente sentia.

O Lobo hesitou por um instante antes de responder:

— Se você for esperta… vai se afastar.

Ela não recuou.

— E se eu não quiser?

Um som discreto quebrou o silêncio — o bip de uma notificação.

Ele retirou um pequeno comunicador preso ao cinto, leu rapidamente e seus ombros se tensionaram.

— Assalto numa joalheria… com refém — murmurou para si, mas suficiente para ela ouvir.

Ele guardou o dispositivo e olhou para Renesmee.

— Preciso ir.

— Amanhã… nesse mesmo lugar. Eu te espero — disse ela, sem piscar.

O Lobo inclinou levemente a cabeça, um suspiro carregado de algo entre frustração e admiração escapando por baixo da máscara.

— Teimosa… — disse, antes de girar o corpo e desaparecer na escuridão, tão rápido e silencioso que parecia ter se dissolvido no ar.

A brisa gelada voltou a dominar o farol, deixando Renesmee sozinha, segurando o gravador ainda ligado, com o som do mar batendo contra as rochas.



Renesmee entrou em casa com passos silenciosos, ainda sentindo no corpo o frio do farol e o peso daquele encontro.

Ao passar pela sala, a risada de Bella chamou sua atenção.

Harry estava no meio da sala, fazendo poses exageradas, tentando imitar os movimentos do Lobo da Noite que apareciam na TV.

— Olha só, mãe, igualzinho! — disse ele, pulando no sofá como se fosse um prédio.

Bella segurava o riso, balançando a cabeça. — Só se for o "Lobo do Sofá", Harry.

A voz do jornalista na TV chamou a atenção de Nessie:

"Um assalto à joalheria foi encerrado de forma impressionante esta noite. Testemunhas afirmam que o vigilante conhecido como Lobo da Noite neutralizou os criminosos antes da chegada da polícia. Todos os reféns passam bem, e os assaltantes foram presos no local."

A imagem mudou para uma filmagem tremida: o Lobo, no alto de um prédio, silhueta recortada contra as luzes da cidade, erguendo-se antes de desaparecer na noite.

Aplausos e gritos de comemoração ecoavam ao fundo.

Nessie sentiu um calor no rosto e um sorriso escapou sem que ela pudesse evitar.

Ela subiu para o quarto e, ao entrar, o celular vibrou na bolsa.

Pegou o aparelho, e na tela havia uma nova mensagem.

Abriu… e seu coração acelerou.

Várias fotos — o Lobo em ação, de ângulos diferentes, alguns claramente feitos de perto.

Abaixo, apenas uma frase:

"Seu furo de reportagem, Ness…"

O número era desconhecido.

Franziu o cenho e tocou na tela para tentar rastrear, mas nada apareceu.

Instintivamente, levantou os olhos e olhou pela janela.

A noite estava silenciosa. O vento balançava levemente as cortinas.

Mas seu coração batia tão rápido que parecia gritar que ele poderia estar por perto.



Na manhã seguinte, Jacob estava sentado à mesa, o cheiro de café fresco preenchendo a cozinha.

Leah entrou, o cabelo ainda um pouco bagunçado, e se sentou diante dele.

— Bom dia. — disse, pegando uma fatia de pão.

Seth apareceu logo depois, esfregando os olhos e bocejando. — Bom dia. —

Harry, sempre pontual, colocou a cafeteira sobre a mesa, servindo as xícaras antes de distribuir o jornal dobrado.

Leah abriu o caderno de notícias e arqueou a sobrancelha. — Então… esse cara existe mesmo.

Seth, curioso, puxou o jornal das mãos da irmã e leu em voz alta:

— "Após novo ato heroico, vigilante mascarado recebe apelido oficial: Nightwolf." — Ele soltou um assobio baixo. — Parece nome de super-herói.

Jacob apenas ergueu os olhos do café, fingindo total desinteresse. — Super-herói nada… ele é um criminoso. — disse, levantando-se e caminhando para fora da cozinha.

Harry observou o filho adotivo sair, um leve sorriso se formando. Colocou a xícara na pia e o seguiu até o quintal.

— Resolveu sair das sombras, senhor? — perguntou em tom baixo, com uma pitada de ironia.

Jacob parou por um instante, olhando para o horizonte. Um leve sorriso tímido apareceu em seu rosto.

— Só estou ajudando uma amiga. — respondeu, antes de se afastar.


Renesmee entrou no prédio do Verdade Urbana com passos firmes, mas o brilho nos olhos a denunciava.

Quil, que estava perto da recepção revisando alguns papéis, ergueu o rosto e abriu um sorriso largo.

— Olha só… chegou a nossa nova repórter oficial! — disse, levantando-se e caminhando até ela.

Ele estendeu um exemplar recém-impresso do jornal.

— Toma. Acho que vai gostar de ver isso.

Nessie pegou o jornal e seu sorriso cresceu ao ver a foto do Nightwolf em plena ação estampando a capa, acompanhada da manchete: “Vigilante misterioso impede assalto e salva reféns”.

— Notícia verídica, com provas… — murmurou satisfeita.

— Já vendemos todos os exemplares da tiragem da manhã. — acrescentou Quil, com um tom orgulhoso. — A gráfica está rodando mais.

Claire passou apressada por eles, mas não deixou de parabenizar.

— Mandou bem, Nessie. Isso vai colocar o Verdade Urbana no mapa.

Jessica, que observava da sua mesa, cruzou os braços com um ar curioso.

— Tá, mas como você conseguiu isso? A entrevista, as fotos… o cara é praticamente um fantasma.

Renesmee fechou o jornal, erguendo o queixo com um leve sorriso misterioso.

— Um bom repórter nunca revela suas fontes.

Jessica revirou os olhos, mas não conseguiu esconder um traço de curiosidade genuína.