NIGHTWOLF- Blood & Roses
29 Mansão Weber ( Parte 2)
A galeria particular dos Weber era silenciosa, iluminada por spots que destacavam cada obra com perfeição calculada. O ar tinha o leve perfume de madeira encerada e flores caras, e as paredes exibiam uma sequência de quadros que iam do clássico ao contemporâneo.
Lauren caminhava um passo à frente de Jacob, a voz suave ressoando no corredor.
— Este é um original de Turner… meu pai conseguiu em um leilão privado em Londres. — Ela se virou levemente, o vestido deslizando sobre o piso — É uma das peças de que mais me orgulho.
Jacob olhou atentamente, mas sem demonstrar encantamento exagerado.
— Impressionante — comentou, a entonação controlada.
Seguiram para o próximo.
— Aqui temos um retraro francês do século XIX, feito por um discípulo de Ingres… veja como a luz é tratada com suavidade.
Nesse momento, um garçom apareceu discretamente à porta.
— Senhorita Weber, deseja algo?
Lauren lançou um sorriso rápido para Jacob.
— Um instante.
Ela se aproximou do garçom e, com um gesto quase imperceptível, retirou algo do busto— parecia pequeno, talvez um envelope ou um bilhete dobrado — e o entregou ao homem.
— Traga para mim e para o senhor Black uma bebida especial — pediu em voz baixa, mas não o suficiente para escapar completamente da audição de Jacob.
O lobo manteve-se imóvel diante de um quadro de natureza-morta, fingindo examinar a textura das pinceladas.
Quando Lauren voltou, seus passos soaram leves no piso encerado.
— Este — disse, posicionando-se ao lado dele — é do início do expressionismo americano. Sempre achei… intenso.
Jacob inclinou o queixo e a estudou de relance antes de voltar os olhos para a tela.
— Concordo. Tem força e… certa verdade.
Pouco depois, o garçom retornou com uma bandeja, duas taças delicadas sobre o metal polido. A luz refletia no líquido dourado, mas Jacob percebeu que o espumante da taça que Lauren lhe entregava tinha um tom ligeiramente diferente do outro.
Ele não comentou nada, apenas aceitou a taça, observando o reflexo borbulhante antes de levar o cristal à altura do rosto.
Lauren ergueu a própria taça num brinde sutil.
— Aos encontros… inesperados.
Jacob inclinou a cabeça, tocando a borda da taça na dela com um som cristalino.
— Aos encontros — repetiu, sem tirar os olhos dela.
Jacob girou levemente a taça, observando as bolhas subirem de forma irregular. Não levou aos lábios — apenas apoiou-a sobre a pequena mesa de canto, sem pressa.
O olhar dele, firme e inabalável, encontrou o de Lauren.
— Qual é o plano, senhorita Weber?
Ela piscou, encenando surpresa.
— Não sei do que está falando.
Jacob esboçou um sorriso seco.
— Eu tenho trinta e dois anos. E se existe um truque no qual nunca caí em toda a minha vida… foi no da bebida batizada.
Lauren endireitou os ombros, a expressão se tornando mais fria.
— Isso é um absurdo.
Jacob pegou novamente a taça e a aproximou do nariz, inalando discretamente. Um brilho de reconhecimento passou por seus olhos.
— Cloridrato de zolpidem, na dose certa para apagar alguém por algumas horas… — disse com a voz baixa, quase um sussurro cortante — Misturado a espumante, perde o amargor. Truque antigo.
O silêncio pesou no corredor, quebrado apenas pelo zumbido distante de conversas vindas da festa. Ele inclinou a cabeça para ela.
— A segunda parte do plano era… Renesmee me encontrar em uma situação desfavorável?
Lauren recuou um passo, mas Jacob foi mais rápido. Segurou-a pelo braço, firme o suficiente para impedir a fuga, sem perder o controle.
— Eu sei que os Weber não jogam limpo — disse ele, a voz baixa, carregada de ameaça contida — Mas não vou admitir que joguem assim comigo.
Lauren tentou sustentar o olhar, mas a pressão da mão dele e o tom firme fizeram sua máscara vacilar por um instante.
O salto de Renesmee ecoava suave no mármore enquanto ela percorria o corredor da mansão. Seus olhos varriam cada salão lotado de convidados, mas não encontravam Jacob em lugar algum.
— Procurando o senhor Black? — a voz de Mark Weber surgiu às suas costas, carregada de falsa cordialidade.
Renesmee se voltou, educada mas atenta.
— Sim… o senhor o viu?
Mark sorriu, um sorriso perfeitamente ensaiado.
— Ele está na galeria de arte com minha filha Lauren. Inclusive… gostaria que viesse também. Quero que conheça meus quadros favoritos.
Nessie hesitou por um instante, mas assentiu.
— Claro porque não?
Eles seguiram pelo longo corredor iluminado por arandelas de cristal, até uma porta dupla que se abriu com um rangido quase teatral. Mas, assim que deu o primeiro passo dentro da galeria, Renesmee parou.
Sua expressão mudou ao ver Jacob segurando com firmeza o braço de Lauren.
— O que está acontecendo aqui? — a voz dela soou entre surpresa e indignação.
Jacob soltou o braço de Lauren imediatamente, recuando um passo.
Lauren, com um ar calculado de vítima, correu para junto do pai.
— Papai… ele me assediou!
Renesmee arregalou os olhos, virando-se para Jacob.
— Isso não é verdade! — disse com convicção, mas sem entender a cena por completo.
Jacob sorriu, mas o sorriso era gelado. Deu dois passos até Mark, mantendo os olhos fixos nele.
— O joguinho sujo seu e da sua filha não funcionou.
Nessie piscou, confusa.
— Jacob, do que você está falando?
Ele desviou o olhar para Lauren, sem suavizar o tom.
— A senhorita Weber pode continuar com essa mentira. Tenho certeza que os jornais vão adorar saber que Lauren Weber tentou drogar Jacob Black em plena festa dos fundadores.
O ar pareceu ficar mais pesado, e por um instante o silêncio da sala foi maior do que o burburinho da festa do lado de fora.
Jacob ainda segurava firme a mão de Renesmee enquanto deixavam o corredor da galeria para trás.
— Vamos voltar para o salão. — disse ele, o tom sério.
Nessie assentiu, mas não deixou de lançar um último olhar desconfiado para Lauren, que permanecia ao lado do pai.
Ao atravessarem o corredor iluminado por luzes douradas, a música do baile começou a ficar mais nítida. Conversas, risos e o tilintar de taças preenchiam o ar. Assim que reapareceram no salão principal, alguns olhares se viraram para eles — curiosos, atentos, como se percebessem que algo havia acontecido.
Jacob manteve a postura impecável, levando Renesmee até o centro. Ele colocou a mão em sua cintura e inclinou-se próximo ao ouvido dela.
— Não fique assim, sei que está confusa, mas vou explicar o que estava acontecendo lá atrás… mas vamos fazer isso dançando.
Renesmee arqueou uma sobrancelha, mas aceitou. As primeiras notas de uma música lenta ecoaram, e os dois começaram a deslizar pelo piso de mármore, como se nada mais importasse.
A música envolvia o salão com notas suaves enquanto Jacob conduzia Renesmee com firmeza. Eles giravam entre os outros casais, mas para ela, parecia que só existiam os dois.
— Então… vai me contar agora? — Nessie perguntou, os olhos fixos nele.
Jacob inclinou-se, falando baixo junto ao ouvido dela.
— Lauren tentou me drogar. O plano era te fazer me encontrar em uma situação que me desmoralizasse… e, de quebra, manchar o nome do seu pai. Mark Weber queria usar essa festa pra ter vantagem política.
Os olhos de Renesmee se estreitaram.Swu desejo foi de retornar até o salão de artes e esbofetear Lauren.
— Como ela pode fazer isso?— disse com um tom de indignação.
Jacob sorriu de canto, mantendo o compasso.
— Só que eu nunca cairia num truque tão antiquado.
A música seguiu mais alguns compassos e, de repente, cessou. O salão mergulhou num silêncio elegante, interrompido apenas por alguns risos e conversas ao fundo. Jacob então parou no centro, as mãos ainda segurando as de Renesmee.
— Está na hora do Mark ver o jogo dele virar contra ele — disse ele, com um brilho desafiador nos olhos.
— O que você vai fazer? — ela perguntou, confusa.
Jacob deu um passo para trás, o olhar fixo nela.
— O que vou fazer não é por política, Nessie… é por amor.
O coração de Renesmee acelerou quando ele lentamente se ajoelhou diante dela. Murmúrios começaram a se espalhar pelo salão, e os flashes dos fotógrafos dispararam como relâmpagos.
Do bolso interno do smoking, Jacob retirou uma pequena caixinha de veludo vinho, abriu-a revelando um anel que brilhava sob as luzes do lustre.
— Renesmee Carlie Cullen… — a voz dele ecoou pelo salão, firme, carregada de emoção — aceita se casar comigo?
O ar pareceu se suspender. Ela olhou ao redor, vendo os rostos surpresos da elite, o olhar atônito de Edward e Bella, e os flashes incessantes que transformavam aquele momento em manchete.
Renesmee respirou fundo, o choque misturado à onda de sentimentos que a invadiam. Então, com um sorriso que não conseguiu conter, respondeu:
— Sim… eu aceito casar com você, senhor Black.
O salão explodiu em aplausos, enquanto Jacob se erguia e a puxava para um beijo que selava não apenas uma promessa, mas também uma vitória pessoal sobre os Weber.
Fale com o autor