No 27º andar da torre espelhada da Black Indústrias, Jacob estava à cabeceira de uma longa mesa de vidro, cercado por executivos e acionistas. O ar na sala estava carregado, e os telões exibiam gráficos e relatórios.

— Sobre o incidente de ontem à noite — começou Jacob, com um tom firme —, quero uma investigação completa. Nosso sistema de segurança não pode ser violado… a menos que alguém, por dentro, tenha ajudado.

Um murmúrio percorreu a sala. Alguns executivos desviaram o olhar, outros pareciam ainda mais tensos.

Entre eles, Nahuel Gomez, o diretor financeiro, levantou discretamente a mão.

— Senhor Black, preciso falar com o senhor… a sós. É urgente.

Jacob encarou o homem por alguns segundos, avaliando a gravidade no tom de voz, e então dispensou o restante da equipe com um aceno. Assim que a porta se fechou, Nahuel se aproximou, apoiando uma pasta sobre a mesa.

— Encontrei um rombo nos cofres da Fundação Black. O dinheiro destinado às obras de caridade… está sendo desviado.

Jacob ficou em silêncio por alguns segundos, olhando os números no relatório. Sua expressão endureceu.

— Vou cuidar disso pessoalmente.

Nahuel assentiu, recolheu a pasta e saiu da sala, deixando Jacob sozinho por alguns instantes, encarando a cidade através da parede de vidro.

No fim do dia, Jacob voltou para casa, o peso da reunião ainda em seus ombros. Ao abrir a porta, não esperava encontrar o que viu: Seth e Leah Clearwater sentados no sofá, conversando com Harry e rindo como se o tempo não tivesse passado.

— O que…? — Jacob arqueou as sobrancelhas.

Harry, com um sorriso cúmplice, explicou:

— Eles chegaram hoje e quiseram fazer uma surpresa.

Seth se levantou e abraçou Jacob com a energia de sempre, enquanto Leah, mais contida, lhe deu um sorriso caloroso.


A sala estava aquecida pelo aroma que vinha da cozinha, onde Harry já mexia nas panelas. Seth estava empolgado, falando sem parar.

— Termino meu curso aqui Seattle daqui a dois anos, Jake. Mas vou ser sincero… preciso de um estágio. — Ele riu, meio sem graça. — E estou contando com você.

Jacob sorriu de lado, apoiando-se no encosto da poltrona.

— Se é assim, considere o estágio nas Indústrias Black garantido. Mas aviso… vou pegar no seu pé.

— Já estou esperando — Seth respondeu, rindo.

Harry apareceu no batente da porta, enxugando as mãos num pano.

— Vou servir o jantar, mas antes vou dar um jeito na salada. Vocês conversem.

Enquanto ele se afastava, Leah se ajeitou no sofá, observando Jacob com atenção.

— Você está diferente, Jake… mais maduro.

O comentário ficou no ar por um instante. Jacob desviou o olhar, mas não pôde evitar um leve sorriso. Seth percebeu a mudança de clima e levantou-se, pegando o controle da TV.

— Acho que vou para a sala de vídeo. Assim vocês colocam a conversa em dia.

Quando ficaram a sós, Leah apoiou o cotovelo no braço do sofá, inclinando-se um pouco.

— Por que nunca respondeu minhas ligações?

Jacob respirou fundo, passando a mão pela nuca.

— Leah… você sempre foi como uma irmã para mim. Isso nunca mudou.

Ela sustentou o olhar, como se buscasse algo além das palavras dele, mas antes que pudesse responder, Harry chamou para a sala de jantar.


A mesa estava posta com esmero, o cheiro de carne assada e legumes temperados preenchendo o ambiente. Harry servia os pratos, enquanto Seth e Leah retomavam histórias antigas como se o tempo não tivesse passado.

— Consegui uma vaga no hospital de Seattle — Leah contou, com um sorriso contido, enquanto ajeitava o guardanapo no colo. — Foi por isso que voltei. Vou começar no próximo mês.

— E a vida em Nova York? — Jacob perguntou, servindo-se de purê.

Seth riu. — Agitada. Cara, lá tudo acontece rápido demais. Mas aprendi muito… e Leah também. Ela vivia plantada no hospital.

— Verdade — Leah concordou, erguendo a taça de suco. — Foram anos intensos. Mas e você, Jake? O que tem feito… além de trabalho e festas de gala?

Jacob arqueou a sobrancelha, com um meio sorriso.

— Mais trabalho do que festas de gala.

— Ah, fala sério — Seth provocou. — Aposto que você já aprendeu até a usar gravata sem errar o nó.

Harry riu baixo, mas Jacob apenas balançou a cabeça.

— Depois do jantar, o que acha de uma disputa de xadrez? — Seth sugeriu, já com aquele olhar competitivo.

— Infelizmente vai ter que ficar para outro dia — Jacob respondeu, terminando seu prato. — Tenho um compromisso.

Leah ergueu uma sobrancelha, curiosa. — Compromisso importante?

Jacob apenas deu um leve sorriso e desviou o assunto para uma história engraçada de Harry, deixando a resposta no ar.


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Renesmee respirou fundo diante do espelho, tentando controlar a ansiedade que apertava seu peito. O vestido simples, mas elegante, caía levemente sobre o corpo, e o cabelo solto balançava a cada movimento nervoso que ela fazia. Pegou a bolsa, conferiu o celular e a pequena agenda onde havia anotado o horário e o local, e então girou a maçaneta do quarto.

No corredor, Bella surgia carregando algumas roupas limpas.

— Vai sair? — a mãe perguntou, estreitando os olhos. — Sabe que seu pai não vai gostar.

Renesmee suspirou e manteve o tom calmo.

— Mãe, eu já sou adulta. Sei me cuidar.

Bella ainda parecia hesitar, mas antes que pudesse insistir, Nessie se aproximou e beijou o rosto dela.

— O táxi está me esperando.

Sem dar espaço para mais questionamentos, desceu as escadas e cruzou a porta da frente. Do lado de fora, o táxi aguardava com o motor ligado. Assim que entrou no veículo, falou ao motorista:

— Discovery Park, por favor.

O carro arrancou lentamente, e enquanto as luzes da rua passavam pela janela, Renesmee sentia o coração bater mais rápido. A cada quilômetro, estava mais perto do Lobo da Noite.



O vento que vinha do mar carregava o cheiro salgado e o som distante das ondas quebrando nas pedras. Renesmee atravessou o caminho estreito, ladeado por arbustos retorcidos, até o farol abandonado. A estrutura erguia-se imponente contra o céu noturno, com janelas quebradas e paredes marcadas pelo tempo.

Ela olhou o celular: 21h05. Mordeu o lábio inferior.

— Será que ele vem…? — murmurou para si mesma.

Abriu a bolsa e retirou o pequeno gravador de voz, conferindo se estava ligado. No nervosismo, o aparelho escapou de sua mão e caiu no chão de pedregulhos, produzindo um som metálico seco.

— Droga… — disse, abaixando-se para pegá-lo.

Um ruído de passos veio da escuridão, ecoando entre as paredes do farol. Ela se ergueu rapidamente, os olhos tentando atravessar a penumbra.

— Quem está aí?

Das sombras, uma figura emergiu lentamente: roupas inteiramente pretas, capuz cobrindo parte do rosto, botas firmes no chão. A voz grave cortou o silêncio:

— Senhorita Cullen… espero não estar atrasado.

O farol parecia mais frio naquele instante, e o coração dela acelerou — não de medo, mas pela certeza de que estava diante do Lobo da Noite.

A respiração de Renesmee estava um pouco acelerada, mas ela manteve o olhar fixo nele.

— Obrigada por ter vindo… — disse, tentando soar mais calma do que realmente estava.

O Lobo da Noite inclinou levemente a cabeça, a sombra do capuz escondendo seus olhos.

— Nem sempre tenho encontros com quem eu salvo — respondeu, a voz carregada de um tom quase irônico.

Ela soltou uma pequena risada nervosa.

— Então me sinto privilegiada.

Enquanto falava, não conseguiu evitar analisá-lo: alto, ombros largos, postura firme… a silhueta de um homem acostumado a ação.

— Por que você faz isso? — perguntou, com a curiosidade escapando na voz. — Se arrisca para salvar pessoas que nem conhece?

Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos, como se estivesse avaliando cada palavra.

— Isso é uma pergunta formal para uma entrevista… ou informal?

Nessie abriu um meio sorriso, tentando quebrar a tensão.

— O emprego… bem, ele depende disso.

O Lobo soltou um som baixo, que poderia ser um riso abafado.

— Então eu me sinto usado.

Ela arregalou um pouco os olhos.

— Desculpa… não era minha intenção.

Ele respirou fundo e deu um passo à frente.

— Está bem… você terá sua entrevista.