NIGHTWOLF- Blood & Roses
10 Encontro
No 27º andar da torre espelhada da Black Indústrias, Jacob estava à cabeceira de uma longa mesa de vidro, cercado por executivos e acionistas. O ar na sala estava carregado, e os telões exibiam gráficos e relatórios.
— Sobre o incidente de ontem à noite — começou Jacob, com um tom firme —, quero uma investigação completa. Nosso sistema de segurança não pode ser violado… a menos que alguém, por dentro, tenha ajudado.
Um murmúrio percorreu a sala. Alguns executivos desviaram o olhar, outros pareciam ainda mais tensos.
Entre eles, Nahuel Gomez, o diretor financeiro, levantou discretamente a mão.
— Senhor Black, preciso falar com o senhor… a sós. É urgente.
Jacob encarou o homem por alguns segundos, avaliando a gravidade no tom de voz, e então dispensou o restante da equipe com um aceno. Assim que a porta se fechou, Nahuel se aproximou, apoiando uma pasta sobre a mesa.
— Encontrei um rombo nos cofres da Fundação Black. O dinheiro destinado às obras de caridade… está sendo desviado.
Jacob ficou em silêncio por alguns segundos, olhando os números no relatório. Sua expressão endureceu.
— Vou cuidar disso pessoalmente.
Nahuel assentiu, recolheu a pasta e saiu da sala, deixando Jacob sozinho por alguns instantes, encarando a cidade através da parede de vidro.
No fim do dia, Jacob voltou para casa, o peso da reunião ainda em seus ombros. Ao abrir a porta, não esperava encontrar o que viu: Seth e Leah Clearwater sentados no sofá, conversando com Harry e rindo como se o tempo não tivesse passado.
— O que…? — Jacob arqueou as sobrancelhas.
Harry, com um sorriso cúmplice, explicou:
— Eles chegaram hoje e quiseram fazer uma surpresa.
Seth se levantou e abraçou Jacob com a energia de sempre, enquanto Leah, mais contida, lhe deu um sorriso caloroso.
A sala estava aquecida pelo aroma que vinha da cozinha, onde Harry já mexia nas panelas. Seth estava empolgado, falando sem parar.
— Termino meu curso aqui Seattle daqui a dois anos, Jake. Mas vou ser sincero… preciso de um estágio. — Ele riu, meio sem graça. — E estou contando com você.
Jacob sorriu de lado, apoiando-se no encosto da poltrona.
— Se é assim, considere o estágio nas Indústrias Black garantido. Mas aviso… vou pegar no seu pé.
— Já estou esperando — Seth respondeu, rindo.
Harry apareceu no batente da porta, enxugando as mãos num pano.
— Vou servir o jantar, mas antes vou dar um jeito na salada. Vocês conversem.
Enquanto ele se afastava, Leah se ajeitou no sofá, observando Jacob com atenção.
— Você está diferente, Jake… mais maduro.
O comentário ficou no ar por um instante. Jacob desviou o olhar, mas não pôde evitar um leve sorriso. Seth percebeu a mudança de clima e levantou-se, pegando o controle da TV.
— Acho que vou para a sala de vídeo. Assim vocês colocam a conversa em dia.
Quando ficaram a sós, Leah apoiou o cotovelo no braço do sofá, inclinando-se um pouco.
— Por que nunca respondeu minhas ligações?
Jacob respirou fundo, passando a mão pela nuca.
— Leah… você sempre foi como uma irmã para mim. Isso nunca mudou.
Ela sustentou o olhar, como se buscasse algo além das palavras dele, mas antes que pudesse responder, Harry chamou para a sala de jantar.
A mesa estava posta com esmero, o cheiro de carne assada e legumes temperados preenchendo o ambiente. Harry servia os pratos, enquanto Seth e Leah retomavam histórias antigas como se o tempo não tivesse passado.
— Consegui uma vaga no hospital de Seattle — Leah contou, com um sorriso contido, enquanto ajeitava o guardanapo no colo. — Foi por isso que voltei. Vou começar no próximo mês.
— E a vida em Nova York? — Jacob perguntou, servindo-se de purê.
Seth riu. — Agitada. Cara, lá tudo acontece rápido demais. Mas aprendi muito… e Leah também. Ela vivia plantada no hospital.
— Verdade — Leah concordou, erguendo a taça de suco. — Foram anos intensos. Mas e você, Jake? O que tem feito… além de trabalho e festas de gala?
Jacob arqueou a sobrancelha, com um meio sorriso.
— Mais trabalho do que festas de gala.
— Ah, fala sério — Seth provocou. — Aposto que você já aprendeu até a usar gravata sem errar o nó.
Harry riu baixo, mas Jacob apenas balançou a cabeça.
— Depois do jantar, o que acha de uma disputa de xadrez? — Seth sugeriu, já com aquele olhar competitivo.
— Infelizmente vai ter que ficar para outro dia — Jacob respondeu, terminando seu prato. — Tenho um compromisso.
Leah ergueu uma sobrancelha, curiosa. — Compromisso importante?
Jacob apenas deu um leve sorriso e desviou o assunto para uma história engraçada de Harry, deixando a resposta no ar.
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Renesmee respirou fundo diante do espelho, tentando controlar a ansiedade que apertava seu peito. O vestido simples, mas elegante, caía levemente sobre o corpo, e o cabelo solto balançava a cada movimento nervoso que ela fazia. Pegou a bolsa, conferiu o celular e a pequena agenda onde havia anotado o horário e o local, e então girou a maçaneta do quarto.
No corredor, Bella surgia carregando algumas roupas limpas.
— Vai sair? — a mãe perguntou, estreitando os olhos. — Sabe que seu pai não vai gostar.
Renesmee suspirou e manteve o tom calmo.
— Mãe, eu já sou adulta. Sei me cuidar.
Bella ainda parecia hesitar, mas antes que pudesse insistir, Nessie se aproximou e beijou o rosto dela.
— O táxi está me esperando.
Sem dar espaço para mais questionamentos, desceu as escadas e cruzou a porta da frente. Do lado de fora, o táxi aguardava com o motor ligado. Assim que entrou no veículo, falou ao motorista:
— Discovery Park, por favor.
O carro arrancou lentamente, e enquanto as luzes da rua passavam pela janela, Renesmee sentia o coração bater mais rápido. A cada quilômetro, estava mais perto do Lobo da Noite.
O vento que vinha do mar carregava o cheiro salgado e o som distante das ondas quebrando nas pedras. Renesmee atravessou o caminho estreito, ladeado por arbustos retorcidos, até o farol abandonado. A estrutura erguia-se imponente contra o céu noturno, com janelas quebradas e paredes marcadas pelo tempo.
Ela olhou o celular: 21h05. Mordeu o lábio inferior.
— Será que ele vem…? — murmurou para si mesma.
Abriu a bolsa e retirou o pequeno gravador de voz, conferindo se estava ligado. No nervosismo, o aparelho escapou de sua mão e caiu no chão de pedregulhos, produzindo um som metálico seco.
— Droga… — disse, abaixando-se para pegá-lo.
Um ruído de passos veio da escuridão, ecoando entre as paredes do farol. Ela se ergueu rapidamente, os olhos tentando atravessar a penumbra.
— Quem está aí?
Das sombras, uma figura emergiu lentamente: roupas inteiramente pretas, capuz cobrindo parte do rosto, botas firmes no chão. A voz grave cortou o silêncio:
— Senhorita Cullen… espero não estar atrasado.
O farol parecia mais frio naquele instante, e o coração dela acelerou — não de medo, mas pela certeza de que estava diante do Lobo da Noite.
A respiração de Renesmee estava um pouco acelerada, mas ela manteve o olhar fixo nele.
— Obrigada por ter vindo… — disse, tentando soar mais calma do que realmente estava.
O Lobo da Noite inclinou levemente a cabeça, a sombra do capuz escondendo seus olhos.
— Nem sempre tenho encontros com quem eu salvo — respondeu, a voz carregada de um tom quase irônico.
Ela soltou uma pequena risada nervosa.
— Então me sinto privilegiada.
Enquanto falava, não conseguiu evitar analisá-lo: alto, ombros largos, postura firme… a silhueta de um homem acostumado a ação.
— Por que você faz isso? — perguntou, com a curiosidade escapando na voz. — Se arrisca para salvar pessoas que nem conhece?
Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos, como se estivesse avaliando cada palavra.
— Isso é uma pergunta formal para uma entrevista… ou informal?
Nessie abriu um meio sorriso, tentando quebrar a tensão.
— O emprego… bem, ele depende disso.
O Lobo soltou um som baixo, que poderia ser um riso abafado.
— Então eu me sinto usado.
Ela arregalou um pouco os olhos.
— Desculpa… não era minha intenção.
Ele respirou fundo e deu um passo à frente.
— Está bem… você terá sua entrevista.
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