NIGHTWOLF- Blood & Roses
16 Em Chamas
Paul entrou como um raio na sala do segundo andar, a respiração ofegante e os olhos arregalados.
— O prédio tá em chamas! — ele gritou, a voz carregada de urgência.
Renesmee e Claire congelaram por um segundo, mas logo o pânico tomou conta. L largaram tudo o que tinham nas mãos e correram atrás dele.
O cheiro de fumaça era sufocante, o ar quente queimava a garganta. Quando estavam quase alcançando a escada, um estalo alto ecoou acima deles e, de repente, uma barra de ferro caiu com um estrondo, bloqueando o caminho.
— Ai, meu Deus! — Nessie gritou, o coração disparado.
Paul olhou rapidamente ao redor e apontou para a direita. — Saída de emergência! Por aqui!
A fumaça ficava mais densa a cada segundo. Ele puxou Claire pela mão, correndo na frente, enquanto Nessie vinha logo atrás, tossindo. Paul chutou a porta com força, a ferragem se abriu e uma lufada de ar frio entrou.
Claire passou pela saída num salto, mas, antes que Renesmee conseguisse atravessar, um pedaço do teto desabou, caindo entre ela e Paul.
— Nessie! — Paul gritou, tentando se aproximar.
Outro estalo e mais madeira em chamas caiu, obrigando Renesmee a recuar, o rosto iluminado pelas chamas.
O fogo já rugia alto, engolindo tudo ao redor. Com o coração acelerado, ela olhou desesperada para os lados, tentando encontrar outro caminho antes que a fumaça a sufocasse.
Jacob, já totalmente vestido como o Lobo da Noite, ajustou a última presilha da armadura quando Henry entrou na sala de controle com o semblante grave.
— Incêndio no prédio do Verdade Urbana — disse rápido, quase sem respirar.
O coração de Jacob disparou como se alguém tivesse apertado um gatilho dentro dele. Ele puxou o celular do bolso e discou para Renesmee. Uma, duas, três chamadas… nada.
— Ela não atende… — murmurou, a voz mais baixa, mas carregada de tensão. — Henry, liga para a mansão Cullen. Pergunta por ela. Diz que é urgente… e em meu nome.
Enquanto Harry corria para o telefone, Jacob puxava a máscara do Lobo sobre o rosto e subia na moto. O motor rugiu alto, e ele saiu em disparada pelas ruas.
O comunicador no capacete estalou.
— Não está em casa, senhor — a voz de Henry veio firme, mas preocupada.
Jacob fechou o punho no acelerador.
— Então ela está lá…
O vento frio cortava seu corpo, mas o calor que queimava dentro dele era mais forte. Minutos depois, ele derrapou ao parar diante da rua bloqueada por bombeiros e curiosos. O prédio estava engolido por fumaça e labaredas.
Ele correu até um beco lateral, puxou de sua mochila um dos ganchos de escalada e, com um disparo, se lançou para o telhado de um prédio vizinho. Dali, tinha visão direta do caos.
Foi então que viu — uma janela no segundo andar, Renesmee gritando por ajuda, batendo no vidro.
Sem pensar, ele engatou outro disparo de cabo, atravessou o vão e arrombou a janela com o corpo. Os estilhaços voaram, e o calor o atingiu como um murro. O rugido do fogo era ensurdecedor.
Ele correu pelo corredor em chamas, a visão limitada pela fumaça espessa. No andar acima, um grito familiar cortou o barulho:
— Socorro!
Ele subiu dois degraus por vez, desviando de vigas caídas e faíscas. Então, entre as chamas, ela apareceu — ofegante, os cabelos desgrenhados, os olhos arregalados de pavor.
— Você… — ela mal conseguiu falar antes de se jogar nos braços dele.
Ele a abraçou firme, erguendo-a do chão.
— Precisamos sair daqui, agora! — disse com urgência.
O Lobo da Noite a segurou no colo e começou a abrir caminho contra o inferno de fogo que os cercava.
O calor era sufocante, as chamas rugiam como se quisessem engoli-los. O Lobo da Noite manteve Renesmee firmemente contra o peito, o corpo dele servindo de escudo contra a fumaça e o fogo.
— Segure-se em mim… e não solte por nada — ordenou com a voz rouca, abafada pela máscara.
Nessie engoliu em seco e assentiu, os braços se enroscando ao redor do pescoço dele. Ela podia sentir o coração do Lobo batendo acelerado, forte e determinado.
Um estalo alto ecoou acima deles e, antes que ela pudesse reagir, um pedaço de madeira em chamas despencou. Ele girou o corpo e ergueu o braço, recebendo o impacto diretamente para protegê-la. O cheiro de tecido queimando e o som abafado de dor fizeram Nessie arregalar os olhos.
— Você se machucou… — murmurou, a voz embargada pelo medo.
Ele nada respondeu. Apenas manteve o olhar fixo na janela à frente. Com um movimento brusco, quebrou o vidro com o cotovelo, e o ar frio da noite invadiu o ambiente sufocante.
Com a outra mão, disparou o cabo de resgate que se prendeu na fachada externa.
— Agora! — disse, saltando.
Eles voaram para fora do inferno de chamas, o mundo virando borrão de luz e fumaça até tocarem o chão com força ao lado do prédio. O Lobo ainda a carregava, mas seu corpo já oscilava.
— Você está bem? — ela perguntou, tentando se soltar para ver o ferimento dele.
Ele não respondeu. O passo dele se tornou lento, pesado… cambaleante.
— Ei! — Nessie gritou, sentindo o pânico tomar conta — Precisamos de ajuda aqui!
Dois socorristas correram na direção deles, mas antes que pudessem alcançá-lo, o Lobo da Noite caiu de joelhos, ainda segurando Renesmee, e então desabou no chão, inconsciente.
A máscara escura refletia as luzes piscantes das viaturas, enquanto o som das sirenes ecoava ao redor.
As luzes vermelhas e azuis das viaturas pintavam o cenário caótico. O ar cheirava a fumaça e metal queimado.
Um dos paramédicos correu até Renesmee, colocando a máscara de oxigênio sobre o rosto dela.
— Respire fundo, senhorita… — disse, enquanto verificava seus sinais.
O outro paramédico ajoelhou-se ao lado do Lobo da Noite, já iniciando compressões firmes em seu peito.
— Temos que tirar essa máscara — avisou, levando as mãos ao rosto encoberto do justiceiro.
— Não! — Nessie interveio, agarrando o braço dele. — Ele não pode ser exposto!
O paramédico hesitou, olhando para ela, mas antes que pudesse responder, uma voz autoritária ecoou:
— Lobo da Noite! Está preso! — Sam Uley avançava, algemas em mãos.
Mas, num instante, a população se adensou ao redor, formando um círculo humano em volta do justiceiro caído.
— Ele é um herói, não um bandido! — gritou um homem na multidão.
— Se quiser prender o Lobo, vai ter que prender todos nós! — completou outra voz.
A tensão se espalhou como eletricidade. Sam franziu o cenho, analisando as dezenas de rostos decididos, e recuou lentamente. Os outros policiais, percebendo o clima, seguiram o exemplo.
No centro daquele escudo humano, o Lobo começou a recobrar a consciência. A voz de Harry soava em seu comunicador, aflita:
— Senhor! Está me ouvindo?
Ele ergueu lentamente as mãos ao rosto, como para confirmar que a máscara ainda estava lá.
— Está tudo bem… — Nessie murmurou, ajoelhada ao lado dele. — Você me salvou.
Ele abriu os olhos e a encarou.
— Você está bem? — perguntou, com a voz rouca.
— Sim… mas você está ferido — respondeu ela, tentando tocar o braço dele.
O Lobo desviou o olhar para os paramédicos, assentindo como forma de agradecimento. Então, sem mais uma palavra, ergueu o lançador de cabos e, num movimento rápido, desapareceu pelas alturas, sumindo entre as sombras e os prédios de Seattle.
Nessie permaneceu ali, ofegante, com o eco das sirenes e o peso de um silêncio que dizia mais do que qualquer explicações.
O rugido da moto ecoou pelo túnel subterrâneo até sumir na penumbra da Toca do Lobo. O som desacelerou, irregular, como se cada metro percorrido fosse um esforço.
Harry já estava à porta quando o viu chegar — o justiceiro, mancando, a roupa chamuscada, o ombro esquerdo manchado de sangue.
— Senhor! — Harry correu, amparando-o antes que ele caísse. — Você está ferido, precisamos tratar disso agora!
Jacob tentou afastá-lo com um gesto cansado.
— Estou… bem… — a voz dele saiu arrastada, quase um sussurro.
— Bem? O senhor quase morreu lá! — retrucou Harry, já puxando-o para dentro, ignorando a resistência.
Jacob deu dois passos, cambaleou, e o mundo ao redor pareceu girar. As sombras da toca se fecharam sobre ele e, antes que pudesse dizer qualquer coisa, seus joelhos cederam.
— Jacob! — Harry o segurou antes que batesse a cabeça no chão.
O corpo do Lobo da Noite ficou pesado e imóvel nos braços do assistente, a respiração lenta e irregular. Harry o deitou sobre a maca improvisada e correu para pegar o kit médico, o coração acelerado.
— Aguente firme, chefe… você não vai me deixar falando sozinho agora.
A luz fraca do subsolo tremulou, projetando a silhueta imóvel do herói, enquanto o som distante da cidade parecia alheio ao que estava prestes a acontecer.
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