NH | Uma novata em Hogwarts
22 Voldemort é uma criança do fundamental
Notas iniciais
Não permaneci muito tempo mais no salão principal, apenas o suficiente para terminar de comer, afinal eu não tinha conseguido com aquela vagaranha vindo me importunar.
Deitei-me no banco da mesa, sem pressa de subir, estava sozinha e mastigava devagar as últimas jujubas que eu tinha, olhando para as velas no teto. Sei que era um feitiço, mas, será que ele tinha fim? Digo, será que alguma hora ele iria se apagar junto da pessoa que o conjurou? Ou seria eternamente iluminado caso ninguém fosse lá apagar?
Viajei sobre pensamentos mais uma vez, minha visão turva e olhar sem brilho demonstrava o quão longe dali eu estava. Minhas bochechas eram encolerizadas quando os pensamentos pairavam pelo quarto de Draco noites atrás, e os olhos marejados ao lembrar dos fogos de artifício. Cada dia que se passava eu me perdia mais em coisas que tinham me acontecido, pois insistiam em parecer surreais perto dos anos que passei trancada no internato. Eu nem sequer imaginava como era a vida aqui fora, e bom, agora eu estou aqui, deitada num banco majestoso, flutuando sobre pensamentos um tanto impuros que faziam meu coração disparar, e ao mesmo tempo enfurecida por não saber o que estava acontecendo com minha própria vida, por que justo os Malfoy são meus tutores? Por que Draco está lendo umas coisas estranhas? Por que Lord das Trevas insiste em interagir comigo? Por quê? Por quê? Por quê?
Barão Sangrento: Vamos, levante criança! Todos já se foram! Vai ficar aí sonhando?! -O fantasma de Sonserina passou pelo meu corpo causando um calafrio que me assustou.
Levantei correndo e por isso bati a testa na mesa, voltando a cair sobre o banco, mas dessa vez, acordada.
Emily: O que... -Quanto tempo eu fiquei ali sonhando?- Levantei devagar para não bater a testa de novo, e com a mão na mesma segui até a porta.
Os corredores já estavam a meia luz, e eu não ouvia mais ninguém. Ah, não, não, não! Dessa maneira eu vou perder a “aula” na sala precisa!
Acelerei o passo, rápido, mas nem tanto, para que não chamasse atenção de nenhum monitor ou professor. Eu não ia gostar de explicar que eu praticamente “dormi” no salão principal. E também nem teria como explicar o motivo de eu estar indo para o caminho contrário do dormitório. Não, definitivamente não seria legal ser pega.
A meio caminho, um vento frio passou por mim, e parei de andar no momento. Virei bruscamente, tive a impressão de ter alguém me seguindo. Ninguém. Porém antes de eu me virar para tomar o caminho de volta, aquela mesma voz, aquele maldito ASMR da vida real, soou meu nome, ao pé do meu ouvido esquerdo, encolhi-me, falar aos pés do ouvido é muita maldade.
Mas claro, novamente não tinha ninguém, porque Voldemort simplesmente AMA brincar de pique-esconde.
Mas em vez de sumir, essa voz parecia entrar a parede e voltar uns passos de onde vim. Dedilhei as pedras da parede, sentindo a textura delas e logo percorri o caminho que fiz, tentando sentir de onde a voz vinha. E logo me vi virando um corredor pequeno, daqueles que levam à armários e salas mais restritas.
Eu não deveria estar aqui, pensei comigo. Mas o pensamento foi entrecortado quando eu parei de ouvir a voz de Lorde das Trevas, para ouvir um ganido masculino de dor, arfos altos e sons de alguém se debatendo. A pronto, agora piorou minha situação, já não era pra estar aqui, já estava atrasada, com a testa doendo de ter batido na mesa, e agora tem alguém por aqui.
Mas aquela voz não era estranha, era uma voz familiar. Aproximei-me da porta, e os sons eram mais altos. Entreabri-a devagar e espiei dentro da sala. Mal acreditei no que vi.
Aaron estava vestido apenas com a calça do uniforme, deixando todo seu peito e costas à mostra. Eu poderia ter uma hemorragia nasal em qualquer outra ocasião, mas não agora. Ele trincava os dentes para conter ganidos de dor, e seu corpo se remexia como se estivasse recebendo descargas elétricas, uma de suas mãos se apoiava no chão com dificuldade, enquanto o peso do seu corpo era mantido em cima de seu outro braço que se apoiava pelo cotovelo. Parecia perder as forças a cada respirar.
Fechei a porta atrás de mim e corri até ele, sem me importar se eu fosse tomar “choque” também. Mas não me afetou, parecia que era dentro dele, e exclusivo dele.
Aaron: Saia... Agora... -A voz de Aaron era trêmula e dolorida, com uma das mãos ele tentou me empurrar, mas não teve força.
Agachei-me de frente a ele e logo ele perdeu a força do braço e seu rosto se contorceu ainda mais, aquilo parecia ser desconfortável, e eu estava começando a entrar em desespero. Me dei conta de que eu não sabia absolutamente nenhum feitiço para ao menos tentar ajudar.
Emily: Aaron, eu... -Eu tocava seus braços, e gaguejava enquanto tentava pensar em algo pra fazer –Eu não sei fazer nada! Eu... Não sei o que... Fazer!
Minhas palavras saíam rápidas e desesperadas, eu estava me sentindo inútil, e eu realmente era. Já teve a sensação de que se você fosse melhor, de que se você tivesse se esforçado mais, poderia ser diferente? Me senti incapaz... E isso estava me matando.
Quando de repente Aaron abraçou seu próprio corpo, e se encolheu enquanto começava a chorar. Logo vi que em suas costas havia uma tatuagem, não era fácil de descrever o que ela se parecia, era como um vórtex de espinhos, mas ao mesmo tempo parecia ser feito de fogo, e estava roxa e parecia estar queimada.
Aaron: Vá embora... Por... Favor... -Eu mal conseguia entender o que ele dizia em meio à soluços.
Ele parecia não querer que eu visse aquilo, talvez sentisse vergonha de si mesmo. E eu sabia como era a sensação de não querer estar no próprio corpo.
O corpo dele soava, e os cabelos pareciam aquecer ainda mais. Puxei-os para trás, e para minha surpresa, seu pescoço estava marcado com dentes, tal como seu ombro e nuca. Ele se contraiu tentando fazer eu parar de ver. Meus olhos marejaram, pois percebi que aquele homem imponente, que metia medo, que parecia ser um bad boy, não tinha forças nem para se desvencilhar de uma mão que arrumava seu cabelo. Eu mal podia imaginar tamanha dor que o penetrava, e menos ainda podia ajudar.
Abracei-o por cima e fechei os olhos com força.
Emily: Eu não vou te olhar. Se assim você prefere. Eu não vou dizer uma palavra. -Eu respirei fundo tentando conter a emoção forte que me vinha, por não conseguir ser suficiente, eu nunca era- Mas eu vou continuar aqui. Com você.
O tempo passava e aquela agonia não acabava nunca, vez ou outra eu apertava mais os braços para fazer ele notar que eu ainda estava ali, e iria continuar, enquanto por outras vezes ele não aguentava e soltava gemidos de dor enquanto puxava minha camisa.
Não sei quanto tempo se passou...
...
Dizem que o mundo conspira a nosso favor às vezes, para evitar que nos metamos em encrenca. E desta vez não foi diferente. À alguns metros dali, na sala precisa, onde os meus colegas se reuniam para treinar feitiços contra o tão famigerado lorde das trevas, mestre da escuridão, a sombra das trevas, o sombrio rei da morte, o exu Caveirinha invocado em alguém que é gótico, tá ligado? de tanto que o negócio é insano, ele mata até cachorro, é negro em pessoa, anda negro, fala negro, usa roupas negras, olha negro, depressão é o seu sobrenome, o sol perto dele vira lua, é das trevas trevosas e o Batman perto dele fica colorido, se ele pudesse matava mil porque é cabra macho.
E desta vez, não foi tudo bem como o planejado. Não foram escondidos, treinaram e logo voltaram aos dormitórios, não. Enquanto treinavam, algo um tanto ruim aconteceu.
Luna conjurava seu patrono, que logo se desfez ao perder o foco nele pois um estrondo começava, batidas fortes na parede que faziam até o chão tremer.
Todos olharam assustados, e antes que questionassem, os vidros das paredes se tronavam estilhaços e caíam no chão, se rompendo ainda mais.
Os estrondos não paravam e as luzes falhavam a cada um.
O jovem Colin aproximou-se num ato de coragem e colocou os olhos num buraco da parede, onde era possível ver que quem estava por trás de tudo era a tal da vaca rosa. Ele se afastou e todos os outros também, logo que por um segundo teria sido tarde.
Umbridge: Bombarda Maxima.
Acompanhada de alguns alunos da sonserina, e isso incluia o Sr. Draco Malfoy, que mantinham Cho Chang de refém.
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