Notas iniciais
Então, obrigada aos novos leitores por estarem acompanhando. E um beijo especial pro Tsubasa ♥ Que ta me ajudando demais com essa reedição, e ele que sugeriu o título deste capítulo, que é uma metáfora.

Agachei numa almofada próxima do pequeno altar ali montado, e puxei meu tercinho que estava dentro do vestido para enrola-lo na mão e aproxima-lo do coração enquanto eu tremia de nervoso.

Emily: Deus, meu Deus... Se você está aí, por que eu ainda estou com essas pessoas horríveis? Me ajuda... -Senti aquelas lágrimas presas caírem em minha mão.

E então escutei a porta abrir de repente, e virando-me para ver quem entrou, deparei-me com um homem carrancudo com uma barbicha rala no seu queixo quadrado. O rosto cheio de pregas e marcas ganhadas na velhice carregava uma expressão séria, seus olhos negros me encaravam penetrantes, eu sentia como se ele visse minha alma, como se seus olhos pudessem ver até o mais íntimo no meu interior. Eu o nunca tinha visto pelo internato, mas ele começou a fazer um sinal com a mão para ir até ele.

Emily: O que? Eu não vou com você... Nunca te vi antes! Qual é seu nome? Pode me falar?

“Shh!” Exclamaram as meninas que estavam rezando quando eu cheguei, e eu perdi perdão à Deus mentalmente por aquele tremendo desrespeito; fiz para sua imagem uma geno-flexão, e saí da sala, olhando desconfiada para o homem.

Emily: Quem é você? O que quer comigo?!

???: Emily Cross, eu sou Barnabás Silvermoon, um funcionário do Ministério da Magia, e eu estou aqui para lhe conduzir para até o Banco Gringotes.

Emily: Ahn, não sei como você sabe meu nome. Mas seguinte, eu sou ca-tó-li-ca. E eu não curto essas paradas de magia não. Nem sei o que é Gringotes. É melhor você ir embora para não me causar mais problemas!

Prendi meu laço no cabelo novamente e joguei alguns cachos para trás enquanto eu tentava sair de uma maneira triunfal à direção de meu quarto.

Mas o homem segurou meu braço com força e me puxou para trás.

Barnabás: Você vai me ouvir, é muito importante. -E sussurrou ao meu ouvido- Você é uma bruxa.

Emily: Ai -Dei um tranco no meu braço fazendo ele soltar -Que isso, senhor! O sangue de Jesus tem poder! Tem água benta ali se quiser beber. Só cuidado pra não sai muito vapor de você.

Quando eu já estava indo em bora, ele se pôs na minha frente e disse sério, quase que suplicante:

Barnabás: Emily Cross, acredite no que digo, você é uma bruxa. Algo estranho aconteceu, e você nunca pôde ser rastreada pelo ministério até agora. Provavelmente neste momento, você está correndo perigo, e eu vim aqui para levar você em segurança para o mundo bruxo. Aqui não tem mais nada para você, Emily. Esse não é seu lugar.

Emily: Olha, senhor, não sei nem como você sabe meu nome. Mas seguinte... Se você não parar de me perseguir, vou chamar a polícia. –Aproximei-me do telefone fixo ali presente já tirando-o do gancho.

Barnabás: Não dê uma de difícil garota –Ele empurrou o fone de volta para o gancho de forma brutal. –O que tenho de fazer para que você entenda?! Nós precisamos sair daqui agora! Ou você prefere ficar aqui... –Ele olhou de canto de olho para o game na minha mão –Sendo feliz com seus “amigos”?

Meus olhos se arregalaram. Eu queria acreditar nele e sair dali pra nunca mais voltar. Mas eu nem sei quem é esse cara! E a primeira coisa que a gente aprende é a não dar ouvidos à estranhos.

Emily: Ok, senhor. Eu não vou contraria-lo, mas pra isso você precisa me dizer algo sobre mim. Pra eu ter certeza que você não estava apenas observando o que acabou de acontecer.

Barbanás: -Ele bufou e resmungou antes de dizer brevemente- Quando tinha nove anos, você destruiu dois abajures, cinco degraus da escada, e cortou o ombro na cerâmica dos cacos do jarro que você quebrou também. A cicatriz está aí, veja.

“O que? Isso nunca aconteceu...” abri dois botões do meu vestido e puxei-o para o lado; e era verdade... Meu ombro tinha uma cicatriz.

Emily: A-ah... Tá. –Meus lábios batiam de nervoso –Então pelo menos você poderia me esperar lá fora para eu fingir estar fugindo? –Empurrei-o para fora, tinha alguém vindo.

Charlotte: Emily! Emily Cross! Há de estar ficando louca? Está falando sozinha?!

Emily: Estava me despedindo do altar. E agora de você. Tchau, sua... –devo dizer? Ah se devo! –Sua vaca!

Desvencilhei-me com tal agilidade que eu mesma estranhei, e corri em direção ao saguão, porém a meio caminho, Charlotte conseguiu me alcançar e me segurou com força pelos braços com aqueles dedos finos.

Charlotte: Você está muito encrencada mocinha!

Emily: Me larga, sua velha chata!

Vi que Ana, uma das poucas pessoas ali que eu gostava, estava atrás da porta do jardim de inverno, e ela parecia ter escutado tudo e estava disposta a ajudar. Era minha única chance. Pisquei discretamente para ela.

Ela piscou de volta e parecia sentir extrema satisfação quando se aproximou e empurrou Charlotte com tudo no chão.

Ana: Corre, Emily! –Disse ela tentando conter aquela gorda que se retorcia sob ela no chão, praguejando alto o suficiente para atrair a atenção de todas as pessoas dali.

Agradeci em bom som e saí correndo até o portão da frente e sumi de vista com o Barnabás antes que Charlotte pudesse ver. Mas é óbvio que tudo aquilo era um teatrinho pra fingir que se importa. Daqui dois dias todos vão aceitar a perda como um mero desejo carnal meu.

Quando estávamos já bem longe Barnabás parou de repente e estendeu o braço para mim.

Barnabás: Segure meu braço com força.

Tá, isso vai parecer um sequestro dado em conta a minha cara de medo. Mas tudo bem, as coisas já estão bem estranhas mesmo, um pouco mais não muda nada. Segurei firme e antes que eu pudesse perguntar o porquê, senti uma reviravolta no estômago e tudo passando tão rápido como a velocidade do som!

Logo a sensação de ser esmagada por dentro de um cano passou, e Barnabás explicou:

Barnabás: Acabamos de aparatar, seja bem vinda ao beco diagonal.

Emily:Leegal, maaas e aíh, não podiaah ser becoo retoh? –Estou com voz de bêbado, nada bom!

Visto meu estado, ele esperou alguns segundos segurando meu ombro para que a tontura passasse.

Assim que tudo parou de girar, ele me acompanhou até o tal de “Gringotes”. Eu ainda não queria confiar nesse cara, era muito imaturo de minha parte ter acompanhado ele. Mas fazer o quê? Sou criança, eu cometo erros e sou imatura, ninguém vai me julgar por eu aceitar “doce de estranho”. Não, não façam isso só por serem crianças.

Quando entramos dentro daquele banco majestoso, percebi algumas criaturas estranhas, eram duendes! Eles me assustavam mais do que o Barnabás. Escondi-me na manga da blusa dele, que pareceu se surpreender com minha reação e escondeu um sorriso. Continuamos andando até que um duende entregou uma chave na minha mão, então fomos até o “meu” cofre. Que pra falar a verdade, eu não fazia ideia de como era possível eu ter um cofre.

Emily: Ahn, Sr. Barnabás... Você sabe onde estão meus pais? Eles morreram ou algo do tipo? Não consigo nem lembrar do rosto deles.

Barnabás: Hm, bem, pequena Emily –Ele engoliu em seco e esfregou meu cabelo –Há perguntas na vida que tem seu tempo certo para serem respondidas.

Eu acho que ele só não sabe responder e fica aí dando uma de filósofo.

De qualquer modo eu entrei naquele cofre gigante que tinha várias moedas estranhas e diferentes da Libra. Barnabás me disse que aquelas eram as moedas utilizadas no mundo bruxo, e chamavam-se “Galeões, Nuques e Sicles”. Dentre todas aquelas moedas, tinha uma carta pequena, coberta de sangue passado, que logo peguei.

“Querida Emily,

Eu sou o papai, e estou deixando essa pequena herança para você.

Você não vai me ver mais. Estou escrevendo nos meus últimos suspiros. Mas logo que você crescer, você encontrará a mamãe.

Seja boa,

Te amo,

Papai”

Eu senti meu sorriso desfazer. Quer dizer que eu nunca mais vou ver o papai?! E ninguém sabe o que aconteceu com ele?

A carta começou a queimar em minha mão até sumir. Eu não entendi direito, mas aquilo fez eu acreditar um pouco mais nesse mundo que ainda insistia em parecer surreal.

Barnabás disse que tinha coisas a fazer e eu já era madura o suficiente para fazer compras sozinha. Entregou-me um papel com uma lista do que eu deveria comprar e suas respectivas lojas. Sim, era errado ele me deixar sozinha, já que eu sou imatura. Ou será que me denominar imatura significa que sou madura o suficiente para reconhecer isso?

Emily: Vejamos... Primeira coisa... –Cerrei os olhos tentando decifrar aquela letra ruim –Oli... Olivaras. Parece que vou comprar uma varinha.

Não demorou muito até que eu encontrasse a tal da loja, que era estranha, porém não deixava de ser deveras elegante. Entrei tímida pela porta pois eu não conseguia enxergar através do pó nas janelas.

Emily: Com sua licença... –Fechei a porta e segui até o balcão onde um senhor anotava coisas num papel. –Senhor Olivaras?

Olivaras: Eu mesmo, querida. –Seus olhos cruzaram os meus e ele logo prosseguiu – Não me lembro de vossa senhoria.

Emily: Ah, não, não. Sou novata, senhor. Hogwarts.

Olivaras: Mas, hein? Você não é um pouco velha pra estar ingressando em Hogwarts?

Emily: Ahn... Não sei senhor, acho que não.

Ele fez uma expressão confusa, mas mesmo assim trouxe algumas varinhas para testar. Muitas delas não acontecia nada ou simplesmente explodiam coisas –Super normal explodir coisas.

Até que ele me ofereceu uma “Pelo de Unicórnio, 25 cm, Peroba, farfalhante” que era uma varinha preta, com detalhes prateados. Ela meio que reluziu quando eu a empunhei, e eu senti vontade de chacoalhar ela por aí, mas não podia fazer isso ou iam achar que eu sou louca.

...

Depois de eu comprar tudo o que deveria, não resisti a tentação de comprar umas bolinhas de gel que crescem na água. Aquele negócio era maravilhoso! E doces... Nossa, gastei um galeão e dez sicles em doces que mal conseguia carregar com todos aqueles livros, varinha e gato meio a meio.

É, eu sei que “gato meio a meio” não é uma explicação. O gato que eu comprei, já que pelo visto os alunos podem levar ou gatos, ou sapos, ou corujas, é branco com manchas pretas, ou preto com manchas brancas. Seja como for. E os olhos dele são verde e cobre! Ele era o gatinho mais estranho –Ele era desnorteado, bem bobinho –e fofo. Vou chama-lo de Dominik.

Logo me vi andando sem rumo pois eu não sabia como chegar a Hogwarts. Então do nada, “puff”, o senhor Barnabás apareceu do meu lado. Já arrancando algumas coisas da minha mão para que eu não derrubasse tudo.

Barnabás: Doces estavam na lista?

Emily: Não...

Já na plataforma, ele explicou que eu deveria correr entre as plataformas nove e dez. Como a cabeça dura que sou, eu duvidei. Mas mesmo assim era a única forma de eu acreditar totalmente naquela bizarrice.

Ele se despediu com um aceno. Eu com minhas compras, doces e gatinho, corri com cuidado para que ninguém achasse que eu era louca. Passei pela plataforma e antes que eu pudesse abrir os olhos, despenquei com todas as coisas. O barulho alto de tudo caindo ecoaram, e minha cara foi amassada contra o chão.

???: Wow. Tudo bem aí? –Uma voz esnobe porém bonita me chamou e logo estendeu a mão para mim.

Eu queria notar quem era, mas minha visão ainda não focava bem. Aceitei a ajuda para levantar e só aí pude ver o rosto da pessoa.

Notas finais
Aquele beijo ♥