NH | Uma novata em Hogwarts
3 Olá, Barão Maximiliano
Notas iniciais
Seus olhos num azul claríssimo refletiam os meus, que eram âmbares, numa nitidez inexplicável; O garoto era um pouco mais alto que eu, e tinha uma pele tão branca que eu poderia facilmente chama-lo de “Branco de neve”, mas isso seria anti-ético.
E ele é loirinho, bem loirinho. E dá vontade de passar a mão no cabelo dele!
Parecia ter saído de uma novela mexicana com tamanha classe em que perguntou se eu estava bem.
Emily: Ahn, obrigada. Estou bem sim. –logo reparei que ele ainda estava me observando, e me senti meio incomodada –Ahn...
Draco: Qual é seu nome? O meu é Draco. Draco Malfoy.
Emily: Emily Cross, muito prazer.
Estendi a mão roboticamente o que fez ele fazer uma careta e apertar de volta.
Draco: Não me lembro de te ver por aqui. Sou do quinto ano, e você?
Emily: Talvez porque não tenha visto mesmo. Sou do primeiro. –soltei uma risada nervosa- estou entrando atrasada.
Antes que ele pudesse dizer alguma coisa os alto-falantes encobriam a voz de todos, já era a hora de entrarmos no expresso Hogwarts; Enquanto eu olhava para cima, tentando achar os alto-falantes, senti a mesma mão que me levantou me “acordar” dado umas estaladas na frente da minha cara.
Então ele me acompanhou para dentro do trem e fazendo perguntas. Eu tive de explicar que não sabia como era possível não terem me encontrado, e ele fez uma cara de confusão. Confesso que até eu estava confusa com tudo aquilo!
Eu segui com ele em silêncio, passando pelos diversos vagões. Muitos alunos me olhavam estranho; assim como olhavam qualquer aluno novo que passava. Que pra ser sincera, tinha muitos!
Chegamos num vagão onde dois meninos gordinhos, que logo foram apresentados como Crabby e Goyle, e uma menina com cara de buldogue –Chamada de Pansy –estavam sentados. Logo que fui apresentada como aluna nova, fui recebida por eles com um “oi” mais pra um “Você nem tinha que estar aqui”. Sentei um pouco afastada de Draco porque aquela menina parecia me fuzilar só com o olhar. E isso me deixou bem desconfortável.
Depois de um tempo sentada feito uma múmia, eu olhei para Draco com o canto dos olhos, esperando que ele notasse meu olhar para poder falar com ele. Mas ele estava entretido com a visão da paisagem. Eu também estaria, se essa menina, que ainda não me apresentaram, não ficasse encarando o fundo da minha alma.
Emily: Draco... –Cheguei mais perto dele e sussurrei –Por que ela está me encarando?
Pansy: Pergunta na cara, garota! –Provocou a buldogue.
Emily: A-ahn... Por que está me encarando?
Pansy: Então, queridinha. Pra começo..!
Antes que ela pudesse responder a pergunta que não quer calar, ouvi um miado alto e logo um gatinho cinza, que não era tão novo, mas também não era tão velho, cheirando o meu pé e tentando alcançar Dominik, meu bichano.
Ignorei a Pansy, que fez cara de desprezo, e comecei a acariciar o bichinho. Quase tendo um ataque de fofura!
Quando já estava olhando para o Draco para perguntar se ele sabia de quem era o gatinho, ele estava de pé, olhando fixamente para alguém que estava na porta. E quando eu olhei era um boy alto, com cara de mau. E ele pronunciou em alto e bom som:
???: Ba-rão Ma-xi-mi-li-a-no. Não fuja mais assim! –Então ele pegou o gatinho do chão e começou a acaricia-lo.
Que nome estranho. O do gato, por que o dele eu não sei. Mas ainda bem que o gato não chama Barão Marximiliano.
Draco: Aaron.
Ta, agora eu sei o nome dele. E, wow, ele parecia mesmo um pouco bravo, mas não só nesse momento, ele só parecia ser mais fechado e isso o tornava meio “bravo” de natureza. Mas ele era bonito, tinha cabelo castanho claro na altura do ombro, e pele clara, um pouco mais que a minha, mas não tanto quanto a do Draco. Ele era... Interessante. O tipo de pessoa que você percebe só de olhar a personalidade forte que tem. E ele usava um manto igual ao de Draco. Preto, com detalhes em verde e prata, e um símbolo bordado com uma serpente –Embaixo dessa serpente estava escrito “Sonserina”.
Aaron: Ah, Draco. E aí? –Ele disse calmo, porém não sorrindo.
Draco: Nada de mais. E você? Andou ouvindo que do Ministério e sua mão de pena?
Aaron: Ah sim, me falaram a respeito. O Potter foi inocentado não é?
Draco: Eles são um bando de idiotas! Por mim, aquele sujeitinho já tinha que estar preso há anos...
Aaron: É, tenho certeza. Por mim, ele que se dane... Mas admito que não vou com a cara daquele povo da Grifinória também. Escuta... E aquele Sirus Black?
Eita, climinha tenso. Parece até que são patrocinados pelo TV Fama pra falar da vida dos outros.
Draco: Ah! Aquele homem imundo não passa de um bandido libertando os prisioneiros de Azkaban! Mas eu te digo uma coisa, Aaron, o meu pai ainda vai acabar com a raça daquele sujeitinho!
Aaron: Ah sim. Lucius com certeza é um dos poucos que pode lidar com aquele homem. Espero que vocês tenham grande sucesso. Bom, vou voltar pra minha cabine. Muita sorte para você e sua família, Malfoy. Adeus, Crabby, Goyle... Pansy... E você seria?
Demorei um pouco a entender que ele se direcionava a mim, mas eu tentei manter a compostura e não gaguejar.
Emily: Sou Emily. Emily Cross. –Abaixei um pouco a cabeça cumprimentando e já me despedindo.
Ele saiu com o gatinho no colo e então Crabby e Goyle começaram a reclamar, ou sei lá o que. Mas começaram a falar com Draco sobre eles não se falarem mais. Eu acho que foi isso que eu entendi. E a Pansy sempre falando mal das pessoas ao redor –Inclusive de mim. Mina escrota.
Pus-me em pernas de índio com Dominik no meu colo, e enquanto eu o acariciava, comecei a pensar em tudo o que ocorreu tão rapidamente. Eu quase não tive oportunidade de refletir, pra falar a verdade.
Eu provavelmente iria enlouquecer assim que a ficha caísse que eu não teria mais meu quarto chique, algumas meninas conversando comigo como se eu fosse esperta e pudesse ajuda-las com tudo, ou até mesmo pessoas me chamando atenção por eu passar tempo demais jogando. Parando pra pensar, será que eu vou ter tempo pra jogar de novo?
Olhei para meu gameboy, que estava jogado no banco, e eu praticamente tinha esquecido dele. Ainda admiro não ter o perdido sem querer nessas reviravoltas. Será que eu vou mesmo ter tempo pra isso? –Pra não esperar pra ver, peguei e liguei meu Zeldinha novamente.
Sem que eu percebesse, enquanto passava as fazes daquele jogo maravilhoso... Me peguei cantando bem baixinho.
Emily: “Se alguém já lhe deu a mão e não pediu mais nada em troca, pense bem. Pois é um dia especial... Mas te vejo e sinto o brilho desse olhar, uhh... Que me acalma e me traz força pra encarar tudo.”
Logo senti Pansy revirando os olhos enquanto me encarava. Como se qualquer movimento que eu fizesse fosse incômodo para ela. O que ela tem?
Muita vontade de levantar, colocar o dedinho no nariz dela, e mandar ela parar de ser metida que de gente metida eu já estava cheia. E que se ela continuasse a revirar os olhinhos, eu iria tira-los com uma colher e comer com farofa.
Mas é claro que eu não disse isso, eu sou trouxa. Não... Não trouxa de trouxa. Mas trouxa...
Quando olhei novamente pela janela, vi que o trem estava com velocidade reduzida, e logo vi que estávamos chegando a plataforma.
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