NH | Uma novata em Hogwarts
20 Mar Vermelho
Notas iniciais
Emily: Hm... –Eu me contorcia debaixo dos lençóis e minhas mãos faziam formato de garra –S...
Por mais que eu tentasse, o som não saía. Eu senti como se mãos segurassem meu corpo contra o colchão e tampassem minha boca e olhos. Acordar parecia impossível
"Se acalme", disse a mesma voz que tempos atrás fizera eu quase proferir uma maldição imperdoável na aula da Madame Hooch.
"Contenha-se", repetia.
Um ardor de repente percorreu meu corpo –Mais especificamente minhas costas –Como se elas tivessem sido arranhadas por um animal.
Está doendo... Alguém me ajuda... A abrir os olhos...
Então um barulho de algo se quebrando ecoou por meu quarto, conseguindo me acordar daquele pesadelo horrível. Levantei de sobressalto com o corpo trêmulo e mãos suadas, percorri os olhos alertas pelo quarto, procurando a origem do barulho. Para minha tranquilidade –Que não durou muito –Era apenas Dominik subindo na penteadeira.
Percebi que a porta da varanda estava aberta, e levantei para fecha-la. Fazia frio.
Com um vento forte e gélido, uma mão recoberta por uma fumaça negra surgiu, levantando as cortinas e batendo a porta com força. –Espero muito que alguém tenha escutado. –A mão tentou dar o bote, mas joguei-me para trás antes que pudesse. O suor que já escorria por minha espinha se tornou mais intenso então...
"Emily" ,a voz repetia várias e várias vezes, incessante. Arrastei-me até a porta e levantei para sair dali correndo o mais rápido possível. Desnorteada para onde correr, tentei gritar, e não consegui. Todas as luzes estavam apagadas, corri em direção ao quarto de Draco, a porta estava aberta e ele não estava lá. O desespero tomava conta, estava escuro demais para eu saber se a fumaça me seguia ou não. Segui até a escada e desci ainda correndo –E quase caindo.
No andar de baixo estava ainda mais escuro, exceto por uma luz fraca vinda do fundo do corredor, próximo à cozinha. Fui em disparada até lá.
Leslie limpava alguns vidros dali. Sem pensar duas vezes, joguei-me de joelhos perto dela, e doeu bastante. –Sem muito o que imaginar ou fazer, eu não sabia como ele poderia me ajudar.
Leslie: Senhorita Emily! –Seu tom era calmo, mas logo a mão chegou até a sala, vasculhando o local.
Coloquei as mãos sobre o rosto, espiando apenas com um olho. Sumiu em seguida, se desfazendo entre a fumaça.
Emily: Ela não me viu?
Leslie: Eu posso criar barreiras, senhorita. Fiz com que você tivesse "sumido". –Reverenciou-me.
Emily: Obrigada, Leslie.
Ouvi a passos se aproximando, mantive-me atrás de Leslie por precaução. Não pude deixar de parecer assustada, mas quem entrou não era, nada mais, nada menos, que o nosso Dracola. –Hahaaaa, piadista.
Draco: Emily, o que faz acordada a essa hora da madrugada? –Seu tom era severo.
Emily: V... –Travei.
Leslie: Lord das Trevas está perseguindo a garota, deverá tomar cuidado, jovem mestre. –Soou calma.
Draco: Calada, elfo. Volte a fazer seu trabalho. –Draco me puxou pelo braço para me levantar – Precisa cuidar disso, venha.
Ele me levou até o lavabo mais próximo para que eu lavasse os joelhos. Optei por não por um curativo, o machucado não estava tão sério assim. Ele nem sequer quis me ajudar, deve ter nojo de sangue –Ou de mim mesmo, nunca se sabe.
Encostou a porta e olhou para mim.
Draco: ... –Pareceu hesitar por um instante –...O que exatamente aconteceu?
Draco ouviu atentamente e em silêncio enquanto eu contava tudo o que aconteceu, quando terminei, levantou-se e saiu sem dizer um "ai". Fiquei ali, parada por alguns minutos, pensando se tinha dito algo vergonhoso ou estranho para ele agir daquela forma.
Quando me levantei para sair, meus joelhos tremeram, mas logo me reestabeleci e voltei á caminhar rumo ao quarto, eu só precisava da minha cama e de uma boa noite de sono depois de tudo aquilo.
Passei pela biblioteca antes de ir para o quarto, curiosa para ver o que Draco estivera fazendo ali de madrugada, e encontrei um monte de livros empilhados sobre a mesa de leitura; alguns abertos, outros de ponta cabeça... Uma completa bagunça! Li os títulos de alguns deles e senti um arrepio estranho na coluna: Profecias Antigas, Runas Relacionadas à Magia Negra, A Geração de Nobres Bruxos, Sangue das Trevas Durante os Anos...
...
As janelas do trem parecem mais frias, claro, era inverno. Mas algo me dizia que os livros que ele leu não eram boa coisa. Draco estava sentado do meu lado, um pouco afastado.
E alguns minutos depois Crabby, Goyle e Pansy chegaram à nossos assentos. -Bruxa do Pica-pau falando: E lá vamos nós. Eu já sabia que Pansy não era santa, e muito menos ia me deixar em paz....
O silêncio tomava conta, vez ou outra eu olhava para Draco para ver o que ele estava fazendo –E sempre era vários nada. Até que eu me espreguicei. E eu não deveria ter feito isso.
Pansy: O que é essa marca no seu pescoço? –Se aproximou indiscreta e segurou meu rosto, o virando para que pudesse olhar direito. Delicada como um coice de mula.
Emily: Ei, tira a pata! -Tentei afastar sua mão de meu rosto mas a baranga era umas cinco vezes mais forte que eu e nem se mexeu. Com o canto do olho vi o seu rosto se contorcer numa expressão incrédula;
Pansy forçou meu rosto soltando a mão. E me puxou pela gola.
Pansy: O que você tem que eu não tenho?! -Ela ia começar a me bater por sua expressão, quando Draco levantou e respondeu:
Draco: Dignidade. (N/cA: WOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO)
Ela me soltou com ódio no banco, fazendo-me cair sentada, e o rosto dela parecia se encher de uma fusão estranha de fúria e tristeza. Ela saiu aos prantos e a passos fortes do vagão, com os olhos marejados e punhos cerrados. Não consegui esconder meu sorriso.
Emily: Pisa menos, Draco –Soltei um ar aliviado e dei um tapinha nas costas dele.
Draco: Continua com essas gírias homossexuais pra você ver o que acontece. Filha da puta.
Nossa.
Falando em homossexual, a bicha rosa ainda está sentada no troninho do poder dela, esperando para infernizar a vida dos inocentes e dessa nenezinha aqui. Cuidado que eu moido.
Eu realmente não consigo entender essa obsceção dela em mostrar para os alunos que Voldemort "escafedeu" ou morreu, sei lá. Ela é louca. Mais louco ainda é que eu não entendo por que todo mundo quer se livrar dela da maneira mais difícil, isto é, com feitiços. De onde eu vim, as pessoa tudo metia pipoco, tiu, aqui é do morro da quebrada, respeita minha história. Tem que mete bala mermo, chumbo grosso na cara da vagaranha, compadi.
Mas não, tem que ser mimizento e querer contar com o ministério, mas ninguém entende que o ministério ta do lado dela.
Escutei um "pshhhh" de um gato chiando. Acordei do transe de raiva e percebi que estava bufando na cara do...
Emily: Barão Marximiliano? -Peguei ele no colo, recebendo alguns arranhões nada agradáveis, ele também parecia mais gordo. É, acho que ele não é comunista mesmo. Saí do vagão.
Aaron: Barão... Emily?
Emily: Eu acho que isto é seu. -Entreguei quase caindo com o peso do gato- O que deu para ele comer?
Aaron deu um sorriso de lado e sussurrou um "você não vai querer saber". Ah, mas eu quero. Porém sou bem-educada e vou fingir que não escutei.
Aaron: Todavia, obrigado por pegar meu gato. Acho que ele sentiu cheiro do seu sangue.–Ele parou de me encarar por um instante – Sabe... ele gosta de sangue.
Aaron saiu andando e eu fiquei parada com cara de tacho até me dar conta de que o mar vermelho estava jorrando. Virei o pescoço para trás que nem a menina do exorcista no desespero de checar minha popa, dando pulinhos exasperada. "SERÁ QUE VAZOU?!"
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