NH | Uma novata em Hogwarts
21 A sombrinha de Draco Malfoy
Notas iniciais
Coloquei minha mala sobre a cama, esperando ser recebida aos gritos por Jessye. Mas ela ainda não havia chegado. Desta vez eu fui rápida de mais. Joguei-me sobre as cobertas, olhando para o teto, e imaginando-me na mansão de novo. Aquela cama era definitivamente mais confortável que esta.
De algum modo, Dolores intimidava até demais os alunos, e Hogwarts parecia mais calma –quase como vazia- do que antes das festas. Cada vez mais regras eram impostas, e voltar à um ambiente tirano não era lá essas coisas. Mas eu gostava dali.
E não, não tinha vazado.
Deixando as preocupações menores de lado um pouco, é a primeira vez que eu consigo parar para pensar melhor sobre o que aconteceu na mansão dos Malfoy... Aquela voz, a mão de fumaça me perseguindo...
Eu ouvi falar muito sobre o Lorde das Trevas, claro, todos no mundo bruxo e até mesmo algumas pessoas no mundo dos trouxas já ouviram falar dele pelo menos uma vez, e, pelo o que eu sei, ele não costuma aparecer por qualquer coisa. Por que diabos ele apareceria atrás de alguém como eu? Por que eu teria importância para ele? E Draco mexendo naqueles livros... Algo aqui não está cheirando bem, e dessa vez eu tenho certeza que não sou eu.
Antes que eu pudesse me sentar na cama senti um impacto na minhas costas e uma risada extremamente escandalosa que eu não escutava fazia já um tempo. Virei e vi Jessye esparramada sobre mim, sorrindo abertamente, com o batom todo borrado e o cabelo, uma bagunça.
Emily: Eu sei muito bem o que você fez. -Encarei-a e puxei para o lado, abraçando sua cintura –Eu sei, eu sei. Esse batom borrado não me engana, e esse cabelo então... Nem se fala.
Jessye nem ligou para o comentário, encostou sua testa sobre a minha e sorriu. Eu senti falta do sorriso dela, agora sim me sinto de volta ao planeta terra. Jessye sempre parecia me puxar para o chão, e eu, como um balão de gás hélio, estava sempre a voar para longe.
Jessye: Senti sua falta.
Emily: Eu sei, eu também senti a sua... -Eu sei que soei distante, talvez, apesar de realmente sentir falta dela, meus pensamentos ainda se direcionavam para todo aquele mistério.
Ela se afastou um pouco e fez cara de emburrada com os braços cruzados.
Jessye: Fiquei esperando uma carta sua.
Tá, foram menos de duas semanas, isso é muito drama. Mas vamos fingir que isso é "ok".
Emily: Você não teve cartas suficientes do seu -fiz um arco com os braços- BOY MAGIA?
Sabe o lado engraçado de falar esse termo aqui, em Hogwarts? É que todo menino aqui é boy magia. Entendeu?
Jessye: Eu recebi dele, sim. Recebi um gritador. -Sua expressão partiu de desdém para vergonha- Não era bem isso que eu esperava, e mamãe acabou descobrindo que tinha algo rolando. Mas está tudo tranquilo.
Nem quero imaginar o conteúdo do gritador. Com certeza era algo semelhante ao gemidão do zap.
Não consegui deixar de lembrar da mãe de Jessye. Uma pessoa um tanto... Diferente. Claro, isso só a tornava mais especial. Talvez algum dia, num natal qualquer, eu passe junto à elas. Talvez para evitar acontecimentos posteriores ao que eu passei no quarto de Draco.
Desde que a conheci, apesar de não pensar muito nela, a minha vontade é de ficar perto. Acho que esse é um dos encantos de uma mãe, não é? Ser esse imã, fazer as pessoas se sentirem seguras... Pensar nisso enquanto olhava para Jessye (que me contava animada sobre seu reencontro com Fred) me dava a estranha sensação de que tudo estava bem ao mesmo tempo que algo se revirava em meu estômago como se dissesse "apenas por enquanto". Isso me fazia querer aproveitar aqueles momentos ainda mais, mas me fazia também ter vontade de fugir com medo
Jessye: Está tudo bem, gatinha? Você está pálida. -Abracei-a a afirmei com a cabeça.
...
Pude ver vários sorrisos ao ir em direção ao salão comunal. A sensação de estar de volta, e mesmo em circunstâncias não favoráveis ver que muitas pessoas preferem sorrir me deixa mais segura.
Eu e Jessye sentamos à mesa. Ouvindo claramente o que Umbridge tinha a dizer.
Umbridge: Apesar de todas as normas impostas por mim, vindas diretamente do MINISTÉRIO, ainda há alunos imprudentes que se recusam á me contar coisas estranhas que veem pelos corredores desta escola. Eu estou dizendo que se todos vocês cooperarem comigo, toda esta desordem terá um fim, mas suas pequenas mentes parecem não compreender isto!
Era até engraçado a maneira como Umbridge era ignorada pela maioria dos alunos –Isso me incluía, pois eu preferia comer frango assado do que escuta-la — e mesmo assim continuava o seu magnífico discurso. Eu queria bancar a revolucionária, levantar, dizer que tudo o que ela acredita e diz está errado, perguntar onde está o deus dela e sair andando. Mas, of course not. Sou uma lady educada.
Depois de aproximadamente vinte minutos de zum zum zum da vaca rosa, ela finalmente calou a boca.
Umbridge: Espero que estejamos acertados. -Levantou-se imponente e a passos firmes, tanto que se ela tivesse chakra teria quebrado o chão.
Aos poucos os alunos foram esvaindo, Jessye seguiu na frente para que conseguisse então dar seus beijinhos diários no Sr. Fred. Soltei um risinho para ela enquanto dava uma garfada na sobremesa, eu não iria sair do salão comunal até que terminasse de comer aquele pudim coberto de um delicioso caramelo que escorria cremoso. Ela me mandou um beijo com a mão e saiu saltitando.
Não ficava muitos alunos no salão comunal, é a primeira vez que reparo nisso, a maioria segue logo aos dormitórios, acredito que levam algum doce escondido.
Eu estava pomposa, sorrindo à toa com aquele pudim, dando garfadas majestosas, tão grandes quanto a saudade que eu tinha de minha cama na casa dos Malfoy, aquela da qual eu conseguia sentir a seda dos lençóis.
E então ouvi o som de passos fortes próximos de mim, e o conhecido, e irritante, barulhinho de um grupo de garotas fofoqueiras falando sobre algum acontecimento idiota de suas vidas -ou da vida dos outros, whathever- enquanto as outras davam risadinhas nada discretas. Mesmo assim eu continuei com meu amado pudim, enfiando meu garfo lentamente e pegando o último e grandioso pedaço que restava no prato. Quando o levava até a minha boca, feliz apenas por imaginar saborear aquela delícia, senti um esbarrão em meu ombro que fez minha mão vacilar e então... PLOC, o pudim espatifou-se no chão espalhando sua calda nos meus sapatos.
Meus olhos começaram a se encher de lágrimas, lágrimas de ódio. Me virei fula da vida pronta para gritar umas poucas e boas pra babaca (N/cA: Palavrões hardcore, e é isto) que tinha me feito derrubar um dos amores da minha vida, apenas para dar de cara com uma menina, muito linda de bonita, me encarando com desdém. Ela cutucou a menina que estava mais próxima dela e falou com deboche, cruzando os braços:
??? : Veja só se não é a senhorita sombrinha.
Emily: O que disse? -Por incrível que pareça, eu não disse em tom de provocação, eu apenas não havia entendido mesmo. Como assim "sombrinha"?
???: Ah, mas você não ficou sabendo? Todo mundo já sabe que você é a cadelinha de Draco Malfoy. -Ela soltou uma risadinha curta, apenas para que suas colegas rissem junto, como belas marionetes -Você vive correndo atrás dele, com o rabinho entre as patas. E se vendendo por um pouquinho de atenção...
Emily: Mas do que está falando? -Eu ri para fora, um tento nervosa- Se você não sabe, eu meio que moro com ele, então nada mais junto que...
???: Ah! -Interrompeu-me com cara de dó- Que peninha... Você está a serviço do loirinho? E pelo visto ele sabe como cobrar o pagamento.
A morena puxou meu rosto com a mão inteira, deixando a mostra as marcas em meu pescoço. Eu me senti um tanto suja e desconcertada.
Emily: Você não sabe de nada! -Dei-lhe um tapa na mão e prossegui ríspida- Você é só mais uma patricinha mimada que quer me encher o saco! Eu não to nem aí para ele!
???: Ai queridinha por favor, não me diga que não é dooooida pelo Malfoy! Vive seguindo ele como uma cadelinha atrás de migalhas! Mas aqui ó, uma dica suuuuper positiva pra você: Procura outro dono que esse tá bem murcho... Nem bonito ele é.
Eu revirei os olhos, cansei de responder. Mas para minha surpresa, ela também cansou de provocar. Saiu saltitando alegremente até a saída, e gritava "Amoooor, me esperaaaaa" com uma voz mega-fina, que suponho que poderia quebrar o vidro de uma taça se estivesse próxima o suficiente.
Eu reconheci a silhueta da qual ela correu atrás, aquela mesma que correu atrás de um gato no trem, e aquela mesma que tinha segredos a esconder. Isso mesmo, Aaron Von Goddrick.
Pera... Até o Aaron tem namorada e eu não?!
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