NEW STARK | the avengers [1] ✓
19 Washington D.C
SOLTO O CINTO de segurança quando sinto que pousamos. Não deixo de respirar aliviada, embora a viagem tenha sido razoavelmente rápida, o frio na barriga estava sempre ali. Dou uma olhadela na janelinha, observando o exterior antes de levantar e acompanhar Tony e Happy para fora do jatinho. Lá, uma limusine nos esperava.
— Sério? — questiono com as sobrancelhas franzidas, lançando um olhar ao playboy.
— Eles têm um frigobar — explica e passa pela porta aberta pelo motorista que esperava a gente entrar
Não estou reclamando, só não tô acostumada com o jeito extravagante do Tony mostrar todo o luxo que tem. Ainda lembro de quase perder meu queixo para o chão em minha primeira vez na casa, barra, mansão de Malibu, enquanto ele e Pepper pareciam achar tudo tão... normal.
Dentro do carro eu coloco o cinto, enquanto o motorista liga o motor e acelera.
A partir daí tudo fica silencioso, exceto pelo barulho do joguinho de Happy em seu celular. Começo a viajar pela minha mente, olhando cada edifício e reconhecendo seus detalhes. Lembrando de uma época boa em minha vida, da chegada à cidade, de caminhar por aquelas ruas com minha mãe, de ir fazer compras em Fstreet ou da nossa visita divertida ao Obelisco. Estávamos tão animadas com nossa mudança, eu ainda era nova e não me importava tanto com as mudanças de escola, então todos aqueles pontos turísticos da capital do meu País me deixavam energética. Eu queria ver tudo, queria conhecer cada detalhe de Washington. Quase posso fechar os olhos e nos imaginar andando, eu e minha mãe, ambas em uma conversa animada apontando para cada lasquinha diferente em algum prédio, tudo nos chamava a atenção. Ah, e não poderia esquecer da nossa visita desastrosa ao National Zoo.
Dou risada lembrando-me daquele dia.
Incrível como a memória é poderosa e capaz de despertar sentimentos tão antigos.
— Não será necessário — ouço Tony falar.
Volto ao mundo real.
Sem pretensão pego o olhar do motorista através do espelho retrovisor, enquanto ele dirigia em direção ao hotel que passaríamos a noite.
Stark's, sempre com esses seus olhares arrogantes.
Ergui minha sobrancelha encarando o motorista. Era um senhor de idade que ainda insistia em trabalhar para a SHIELD, perdeu a esposa a alguns anos e não tinha mais ninguém da família na cidade. Tentei me aprofundar em conhecê-lo, mas não consegui nada. Além de fatos básicos como o que ele comeu no almoço, sua mente era um vazio total. Normalmente, nós estamos sempre nos lembrando do passado, até nas coisas mais bobas. Como um presente que recebeu quando era criança, ou uma pessoa que não vemos a muito tempo e até algo que aconteceu a um tempo que achamos engraçado, triste. Coisas aleatórias, é normal pensarmos nisto. O caso é, nossa mente está sempre trabalhando, estamos sempre lembrando do passado, pensando do presente e imaginando o futuro, nunca paramos, muitas das vezes nem mesmo quando dormimos. Mas a mente daquele senhor... era muito limpa, como se me bloqueasse.
Estranho.
De qualquer forma, eu não preciso ler sua mente para saber que ele não gosta do meu pai, e com certeza, também não gosta de mim.
Que triste, magoou meu coração.
Agora mais... desperta, pude observar o caminho que seguimos e foi impossível não saber o momento em que chego. O lugar é chiquérrimo e não é preciso eu entrar lá para saber que a cama dos quartos são enormes, forradas com lençóis de seda e todas essas coisas, bem chique mesmo.
E eu não errei em minha suposição. Penso quando adentro o quarto de hotel que mais parece um apartamento, com uma ala espaçosa e uma decoração moderna e minimalista.
Os móveis são claramente de ótima qualidade e eu não poderia ver uma lasca de poeira ou arranhado em nenhum lugar. Tudo padronizado. Provavelmente com uma decoração feita por um designer ou estilista de renome. O hotel é luxo puro.
— Medo de cair no chão e sujar ele — falo sozinha e dou risada da ideia.
Depois de cada um se acomodar em seu respectivo quarto, meu pai e eu decidimos almoçar juntos, mesmo que eu tivéssemos comido o lanche durante o voo.
Não me arrependo dessa decisão.
A comida do hotel é maravilhosa e enquanto eu escolho a sobremesa, Tony pede a Jarvis para chamar o motorista pois logo sairia para resolver seu negócio confidencial na SHIELD, na qual ele não quis me contar — e eu nem fiz muita questão mesmo — enquanto eu faria um passeio pela cidade.
É claro, com Happy como minha sombra.
— Você é tão espalhafatoso — comento aleatoriamente, pegando uma pequena quantidade do meu doce como se come-lo devagar fosse fazer ele render mais.
Anthony me encara com um olhar ofendido. Não me engana, eu posso ver a diversão por trás daquele olhar.
— Ainda me acusando.
Dou uma risada baixa.
Me sinto um pouco deslocada com todo aquele... Tudo aquilo, sabe.
Tony, é claro, se divertia com minha reação. Entretanto, não vou mentir, certas coisas ali tinham seu ponto positivo. Tem horas, como no meu banho de mais de uma hora, que me sinto como no paraíso. Eu fiquei mergulhada na banheira — que mais parecia uma piscina — naquele banheiro que era do tamanho do meu antigo quarto, fazendo pose de rica e tentando tirar algumas fotos caras. Tanto que posso sentir minha pele exalar aquele cheiro maravilhoso dos sais de banho. Ai nossa, tenho nem palavras né. É quase certeza de que o travesseiro do quarto é feito de pena de ganso, tão macio que é. Deu vontade de levar junto comigo. Talvez eu leve.
— E dramático.
— Já sou julgado o suficiente pela mídia, achei que minha filha poderia ser um pouco mais benevolente.
— Desculpa por cometer ato tão cruel, oh, pobre vítima — rimos e meu pai dá de ombros.
— Enquanto eu puder, darei o melhor para você, Sofya — falou tranquilamente.
Sorrio sem mostrar os dentes, tentando fingir que aquilo não me atingiu.
Eu sou uma maldita orgulhosa.
Mas vamos me dar o crédito de eu ter chorado e quase dormido no colo dele, anteriormente.
— Bem... — começo, mas imaginando que não conseguirei o que eu quero neste instante. Pelo menos vou tentar, né? — Não acho que ter um segurança seja o melhor para mim, sabe?
Stark me encarou sorrindo. Ele sabia que eu voltaria a falar sobre aquela ideia idiota.
— Eu acho.
Reviro os olhos. Tudo bem, vamos tentar por outro caminho.
— Isso não é bom para minha vida social.
Que vida social?
— Que vida social? — seu deboche poderia me ofender, mas eu sabia que era verdade. Então suspirei e tentei de novo.
— As pessoas vão me achar estranha e mesquinha.
Nunca me importei tanto para o que pensam de mim. Infelizmente, Tony sabe disto. Dito isso...
— Achei que não se importasse com a opinião dos outros — ele tem um olhar afiado, estávamos claramente competindo.
Quem é que lia mente nessa merda, afinal?
— Ninguém vai querer ser meu amigo ou andar comigo se eu tiver um guarda-costas na cola, Anthony.
Que argumento mais idiota. Porém, foi o único que me veio à mente no momento.
— Se me recordo bem, você estava com uns colegas da faculdade comendo né, antes de te ligar.
Happy! Seu boca aberta! Aposto que ficou que nem uma velha fofoqueira no ouvido deste ser ao meu lado.
Tudo bem, última tentativa.
— Vai acabar com minha vida!
Pronto. Que tal terminar com a típica frase digna de uma garota mimada.
— Terminou o teatro? — ele tinha aquele olhar irritante. Reprimo um gritinho de raiva. É, acho que o show de menininha já havia dado o bastante.
Stark me encara desafiando-me a dar mais algum argumento idiota e infundado. Droga. Por que é que eu não fui ser filha de uma cara mais burrinho hein... nunca que eu enganaria o Stark.
Bufo pela derrota.
— Eu ainda não desisti — aviso irritada.
O idiota teve a audácia de rir da minha cara.
— Estou esperando pelo próximo round.
***
Meu coração bate forte no peito pela corrida. Entro no carro ofegante, a respiração entrando em fortes arfadas e machucando minha garganta. Engulo a seco.
— Pode ir, Happy — aviso com a voz rouca. O motorista, barra, segurança confirma com um balançar de cabeça. Ele espera até que eu ponha o cinto para religar o motor.
Havia esquecido minha bolsa e tive que voltar para o quarto. Como eu estava estressada por que odeio esquecer as coisas e ter de voltar, não tive a mínima paciência para esperar o elevador chegar e subi os três andares até meu quarto de hotel correndo.
Isso me fez perceber quão fora de forma eu estou, afinal, um tempo atrás eu estava derrubando certa viúva — pura trapaça, já que me aproveitei da minha habilidade mental — e dando fugas em certos agentes.
É, estou me tornado uma sedentária....
Por isso, a primeira coisa que eu farei ao voltar para New York será usufruir daquela linda academia que até hoje não me dei ao trabalho de visitar.
Agora.... voltando a parte em que visito Washington.
Como eu já tinha dito ao Stark, eu visitaria alguns pontos da cidade. Claro, isto para distrair meu querido segurança já que não desejo que ninguém saiba o próximo paradeiro: meu tão abandonado QG.
Não foi difícil.
Birthday praticamente esqueceu de mim quando entramos no famoso museu, particularmente na sessão que falava da história de um certo patriota. Tudo planejado, já que eu sem querer fiquei sabendo que o mesmo era fã do capitão.
Apenas juntei o útil ao agradável, tô errada?
— James Buchanan Barnes, que nome hein cara — murmuro fingindo estar distraída, mesmo que um pouco curiosa, olhando o melhor amigo falecido do Capitão América. Gatinho... Muito gato.
Comando Selvagem.
O apelido de uma unidade especial de elite americana chamada First Attack Squad, que atuou na Segunda Guerra Mundial.
Embora eu quisesse saber mais sobre aquele grupo de combate onde somente um deles ainda permanece vivo, vejo Happy abaixado tentando ler a descrição da estatua do América, dando assim abertura para que eu saísse do museu sem que ele notasse minha ausência.
O taxi me deixou em em frente a casa pequena do bairro calmo. Somente olhar fez eu sentir uma pontada de saudades. Aquela era a definição de lar que eu tive mesmo quando já não morava mais ali.
— Obrigado — agradeço ao motorista depois de pagar pela corrida.
O barulho irritante barulho irritante de ferro enferrujado me causa agonia e faço careta na hora de abrir e na hora de fechar. Olho ao redor, para as casas vizinhas. Silêncio total.
Suspiro e toco a maçaneta da porta da frente, levanto minha outra mão em direção ao painel na parte interior do batente onde eu sabia que encontraria o pequeno painel eletrônico. Dígito e em segundos ouço um clique indicando que a porta estava aberta.
— Lar, doce lar.
A segurança é precária, obsoleta. Infelizmente nunca tive grana para investir em alta tecnologia. E é por isso que eu estou aqui.
Na torre eu tenho de tudo e tem algo neste casa que eu quero atualizar.
Meu primeiro projeto do Max, levando em conta que eu perdi quase tudo desde que a Mansão de Malibu caiu.
Olho para o cômodo a minha frente e respiro fundo. A fedor de fechado me causa irritação e solto uma tosse seca.
— Nossa... — coço o nariz irritado.
Faz muito tempo que eu não venho aqui e isso resultou em móveis nadando na poeira. Fecho a porta atrás de mim dando alguns passos silenciosos por cada cômodo, revistando o local antes de tudo.
Nada quebrado, tudo em seu lugar.
Vou a até a cozinha depois de descer do segundo andar, abrindo a torneira e confirmando que não havia uma gota de água. Tentando não respirar fundo eu vou abrindo janela por janela para que entrasse um pouco de ventilação por que, porra, pelo amor.
Meus olhos estavam lacrimejando de tão irritados.
Feito isso eu abro a porta do porão. Ligo a luz para que iluminasse minha descida pelas escadas, ouvindo a madeira ranger sobre meus pés e o pó se levantar a cada pisada minha.
— Isso precisa de uma faxina, que horror...
Lá em baixo eu toco outro interruptor. Agora, para ligar os computadores.
Ativando em 5....
Sorri com alegria. A voz de Max fazendo a contagem regressiva faz um calorzinho se espalhar pelo meu coração.
Sim, eu amo uma inteligência artificial, me julgue.
Ativado.
— Max! — exclamo com animação.
Olá Sofya, bom ver que está bem.
— Awn, que fofo — ri de mim mesma. Sou uma idiota. — Como vão as coisas, amigão?
Vão bem, obrigada.
Passo por uma mesa e com a ponta do dedo indicador, vou arrastando por toda a extensão da madeira, levantando o dedo e vendo-o sujo. Faço uma careta.
— Agora é a hora que você devolve a pergunta, carinha.
Certo. Como vão as coisas, amigão?
Eu ri.
— Ótimas — respondo.
Certo, eu tenho alguns problemas de confiança e tenho um carinho real por uma tecnologia inteligente que não sabe nada de sentimento, mas em minha defesa, é difícil não gostar do Max. Assim como eu me apeguei a Jarvis. Bagulho muito doido de se explicar, não tente me entender.
A minha casa precisava claramente de uma faxina completa. Infelizmente, eu não tenho tempo para isso. Penso e logo em seguida olho o horário pela tela do celular.
Havia se passado cerca de uma hora desde que eu deixei Happy para trás. As dez chamadas perdidas de Anthony dizia que ele já tinha ciência de minha fuga. A tela acendeu e o nome "latinha" brilhou no visor.
Atendo.
Não atendo.
Atendo.
Dou risada.
— Deixa de ser ruim Sofya — falo comigo mesma.
Aceito a ligação.
— Alôôôu? — brinquei.
— Ah! Decidiu dar a honra de atender minha ligação, querida?
Sua voz soa em meus ouvidos variando entre irritação e preocupação.
— Pois é, né. Sabe como é, agenda lotada e tudo mais... Você não entenderia — disse tentando manter o tom sério.
—Sofya— ouço o suspiro de quem está se segurando para não esganar alguém, no caso, eu — Onde você está?
Fui abrindo caixa por caixa e procurando meu robozinho. O protótipo, já que o outro nem existe mais.
— Achei que a essa altura do campeonato você já soubesse minha localização, Anthony. O que houve? Tá perdendo a manha?
Seguro a risada e penso em como isso era culpa dele e de sua ideia de girino de por um segurança pra me seguir pra cima e pra baixo. Meu ataque rebelde não me passa despercebido e eu quase fiquei com pena de meu pai por ter que passar por isso, mas então eu pensei: Tony perdeu tantos momentos da minha vida que eu não posso privá-lo de participar desta fase tão especial.
— Para de brincadeira, Sofya.
Agora ele parece irritado.
Mordo o lábio inferior me deixando levar pela indecisão e começo a ficar com pena do Stark.
— Tá, tá. Já estou indo, fica em paz — dou uma risadinha baixa.
Abro outra caixa e encontro o que procurava. Sorrio, me esquecendo por um momento do Stark ao telefone. Seu tom de voz grave me despertou.
—Fica em paz — repete e parece indignado
— Não me faça perguntar mais uma vez, Sofya.
Fala logo onde você está?
Talvez eu tenha deixado passar a parte em que meu celular não é rastreável, né.
Então.... ele é. Enquanto eu olho o resto dos conteúdos que haviam ali, ouço uma movimentação no andar de cima.
Prendo a respiração.
O barulho de passos no andar de cima deixa-me tensa.
Lembro de ter trancado a porta ao entrar.
Ou será que eu deixei aberta?
Odeio esquecer certas coisas.
Antes de subir em direção ao térreo, passo a mão por debaixo da mesa, retirando uma pistola carregada. Exatamente como eu havia deixado da última vez.
— Tony, te vejo em uma hora no hotel.
E enquanto Stark me chamava do outro lado da linha, eu já desligava a chamada. Ele deve estar puto da vida, caramba! Deixo esse fato por alguns instantes e foco em minha atual situação.
Presa com um desconhecido, talvez inimigo.
Subindo degrau por degrau eu evito o máximo de barulho possível, abrindo a porta vagarosamente. O porão, onde me encontro, dá diretamente na cozinha que no momento está vazia. O som dos passos agora vinham da sala de estar.
Ando devagar e ao entrar no cômodo me deparo com um desconhecido agachado, mexendo em uma das caixas espalhadas pelo ambiente. Ergo as mãos segurando a pistola, apontando ela para o homem.
Sim, pela estatura, discernir ser um homem invadindo minha casa.
Sua atenção está voltada para um objeto específico que não posso identificar, o que me dá a vantagem por ele estar distraído manuseando o tal objetivo. O barulho da minha arma engatilhando o faz parar.
— Se eu fosse você, ficaria paradinho onde está — aviso. O desconhecido permanece imóvel, aceito aquilo como um sinal de que ele me obedecerá — Ótimo, agora levante as mãos, lentamente... — ele assim o faz — Você vai virar devagar e começar a me expli... — paro no meio da frase, pega pela surpresa e choque.
Cacete.
Eu estou vendo mesmo ele?
— Eu me rendo — disse com as mãos levantadas, o olhar risonho dele mostrou o quão tranquilo ele está com a arma apontada diretamente para o seu coração, não porque ele poderia desviar de uma bala sem nem fazer esforço, mas porque sabia que eu nunca atiraria contra ele.
Que diabos?
— Barry?
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