NEW STARK | the avengers [1] ✓
34 Verdade revelada
Não desejo nada além do melhor para você também
Não me esqueça, eu imploro, eu lembro do que você disse
Às vezes, acaba em amor
Mas às vezes, em vez disso, ele machuca
Adele — Someone Like You
Deixar alguém para trás é algo que me incomoda e muito. Sim, sim... eu não estou abandonando Steve e companhia, muito menos deixando-os na mão. O plano é bom e eu não digo isso porque o Capitão América, — vulgo, meu crush. — tava no comando da porra toda, não. O plano tem realmente muitas chances de vitória.
Óbvio, como qualquer coisa, havia, sim, a possibilidade de tudo dar errado, mas qual é! Quando foi que os vilões venceram? Han? Eu não estou preocupada.
Mentira, eu estou preocupada como o inferno.
Suspiro mais uma vez, incomodada com aquele sentimento estranho alojado em meu peito. Acho que tudo se uniu: os problemas com a SHIELD, Steve lutando contra a HIDRA, eu voltando para casa sem poder ajudar, e por fim, minha complicada relação com meu pai. Senti falta da calmaria que reinava antes de Tony descobrir meu envolvimento com o Capitão América.
Antes de nossa discussão, era possível sentir como nossa relação mantinha-se frágil, mas ainda estava tudo bem, desse modo, eu apenas ignorei o fato e permaneci calada.
E a bomba explodiu, fazendo com que meu pai explodisse junto.
Não nego, foi minha culpa... minha e dos múltiplos segredos que insisto tanto em guardar. Nunca vi Tony tão irritado como ele ficou comigo, não consigo esquecer seu olhar decepcionado. E este é mais um motivo para ter aceitado voltar para New York.
Ainda tenho mais uma tarefa em minha lista mental para cumprir.
Ter uma conversa civilizada com Tony.
Contemplei pelo interior do Quinjet, — obra do caolho — uma daquelas imagens privilegiadas que poucas pessoas tem a chance de assistir, e observando New York, passei a imaginar mil e uma maneiras de iniciar aquela conversa com o Stark, no entanto, nada me vem à mente, a não ser por uma realidade em que as coisas não terminam bem.
Oh, maravilha!
A enorme torre entrou no campo de visão do Quinjet, e eu observei todo nosso trajeto até a pista de pouso da torre Stark. Segundos após eu tocar meus pés sobre chão, e a melhor madrasta do mundo surgiu, sorrindo alegremente.
— Pepper! — abraço-a retribuindo seu sorriso, feliz por vê-la.
— Querida. — Pepper me olhou, desta vez, preocupada. — Como foi a viagem? — ela perguntou, inicialmente.
— Angustiante. — respondi e sorri, tendo noção que ela sabia o que havia por detrás de minha postura indiferente.
Caminhamos até o elevador, entramos e ela apertou o botão do nosso andar.
— Sua perna? — perguntou temerosa.
Quase me arrependi de contar a ela sobre minha tentativa de sair de Washington, Pepper pirou e queria contar tudo pro' Tony. Receosa, pedi que ela deixasse que eu dissesse e ela respeitou minha escolha, com a condição de que eu realmente contasse a Tony, sobretudo.
Bom... esse é o meu propósito, portanto, não foi tão difícil assim prometer aquilo a ela.
— Um pouco dolorido, mas estou bem.
— Levou pontos?
— Oito.
—Talvez a doutora...
— Pepper. — cortei sua fala e sorri de modo reconfortante, tentando deixá-la tranquila em relação a minha saúde física. — Está tudo bem, sério.
Minha madrasta me encarou atentamente, eu lhe devolvi um olhar de seriedade, buscando mostrar toda a sinceridade que meu ser possuía, — o que não lá muita coisa. — e ela por fim, assentiu hesitante, ao tempo em que o elevador parou e abriu as portas para nosso andar. Saímos do elevador andando pela sala, na direção do enorme sofá.
Cai dramaticamente no mesmo e suspirei:
— Passei horas sentada e estou cansada. — murmurei reclamando, e Pepper sorriu. — Cadê ele? — seu sorriso se fechou.
Pude notar o olhar avaliativo da ruiva e me senti, não sei, mas Pepper tem um jeito tão.... maternal. Ao menos comigo... eu sinto que posso contar tudo à ela. Pepper não é minha mãe e jamais tomaria o lugar dela, mas não tem como contestar que ela ganhou um espaço em meu coração, um muito difícil conquistar. Meu pai tem uma maldita sorte de ter a mulher em sua vida, e eu realmente espero que ele a valorize. Sempre.
Em falar nele, eu ainda aguardava uma resposta da ruiva, que veio irônica e um tanto mal humorada.
— Aonde você acha? — ela perguntou insatisfeita. — No novo quartinho dele.
Ergui minhas sobrancelhas e olhei a ruiva mais atentamente.
— Vocês brigaram?
Caramba! Eu pensando em como Tony tem sorte, e ele já fazendo burrada. O papel de fazer merda nessa família é meu! O que ele fez? Era para o Stark ser o responsável por aqui!
Do que eu tô falando? Revirei meus olhos. Tony Stark, responsável?
Pepper explicou a situação, enquanto minha mente viajou, mas pude pegar uns pedaços da história:
— ... ouvir, acho que ele pensa que o trai não contando. — deu de ombros, tentando fingir uma indiferença que não existia.
Pepper estava magoada.
Pisquei uma vez, em busca de juntar as peças do pouco que a ouvi falar, e arregalei meus olhos:
— Você brigaram por minha causa?!
Minha madrasta notou minha exaltação, em seguida, sorriu em uma tentativa de amenizar a situação.
— Estamos bem.
Franzi o cenho culpado-me pelo acontecido, levantei-me decidida a resolver toda a situação.
— Vou lá.
Que merda hein, Sofya.
Como se não bastasse complicar minha relação com meu pai, eu tive que atrapalhar a dele com Pepper também.
— Sofya....
— Pepper. — olhei nos olhos da mulher, antes de falar. — Eu preciso fazer isso. — afirmei.
Ficamos uns minutos em silêncio antes dela assentir. Balancei a cabeça e virei-me, entrando no elevador e apertado o andar do laboratório de Tony.
Todo o processo foi feito rapidamente, ainda que meu nervosismo tivesse dado a sensação de movimentos lentos, tudo isso acompanhado por meu coração retumbante em meu peito.
***
Minhas mãos tremiam o que me fez parar no meio do corredor para poder respirar fundo.
Tudo bem.
Respire, entre e converse calmamente.
Quando me senti calma, eu segui em frente, abrindo a porta e chamando atenção do meu pai para mim. Ele me encarou por breves instantes, seu olhar indiferente, vazio, deixando-me sem quaisquer pistas do que ele sentia por dentro. Encostei-me em uma parede próxima a entrada, sem saber o que fazer.
— Deixe eu adivinhar... — Tony proferiu com um sorriso sarcástico, largando o que fazia para fitar-me diretamente. Severo, como eu nunca o vi na vida. — Pepper te mandou.
Suspirei com seu tom agradável e dei um passo para perto dele, seus olhos estreitando-se ao observar-me mancar, no entanto, Tony nada disse.
— Conversamos, sim, mas Pepper não me mandou para conversar com você. — franzi o cenho e cruzei os braços. — Até porque, ela está muito magoada. — Tony desviou seu olhar do meu, mostrando-se afetado, e voltou a mexer em uma máquina.
Dei outro passo na direção do meu pai.
— Sério, não vai dizer nada? Nenhuma explicação? Essa briga de vocês não tem sentido.
Tony firmou seu olhar irritado no meu e retrucou :
— Ela... vocês esconderam as coisas de mim!
— Não! — eu lancei. — Eu escondi! O segredo não era dela para contar.
Percebi que consegui sua atenção, pois Tony levantou-se de seu lugar, caminhando em minha direção, seus passos firmes:
— Por que esconderam? — indagou, sem entender. — Sim, eu sempre soube que você escondia-me algo. Mas um relacionamento com um homem com mais de setenta anos. — Tony bradou, indignado.
— Ele estava congelado durante todo esse tempo. — eu argumentei. — Não viveu durante esses anos e é uma boa pessoa, ele gosta de mim e eu dele! Isso não é o que você deseja para mim? Alguém bom, honroso...
Stark revirou seus olhos, rindo com desdém.
— Honroso? Por favor...
— Está vendo! — gritei, sem paciência. — Por isso eu não contei, você não entenderia, você não entende. Se algo tão simples como meu relacionamento com Steve é complicado, imagina.... — balancei a cabeça, dando um passo para trás.
—O que?
— Nada.
Tony bufou dando-me as costas, para voltar bruscamente:
— Você ao menos me dá uma chance. — ele me censurou, e ergueu as mãos. — Como acha que eu me senti, quando descobri sozinho sobre.... — hesitou. — O Rogers.
— Você não me deu a chance de explicar. — murmurei encolhida, primeiro, por que ele mostrou-se certo naquele aspecto, segundo, por que seu olhar hostil me intimidou.
— Não?! Quantas vezes eu disse que estava aqui com você? Você nunca se abriu e nem tentou me contar! Quer que eu aplauda você por algo que eu nem imaginava. — ele bateu palma, e eu desviei o olhar. — Você sabe, eu não aprovo, mas nunca.... nunca te impediria de ter, de fazer ou ficar com alguém.
— Não? — eu duvidei, sorrindo sem humor, com a garganta ardendo pelo choro preso.
Tony sorriu, do mesmo modo, sem achar graça em nada.
— Prender um filho apenas o afasta de você. — ele proferiu. — Os erros de meu pai tinham que servir de algo, não é? Aparentemente, não. — ele murmurou, exaurido.
— Não foi o que me pareceu quando descobriu, você ficou bem irritado comigo... — eu murmurei, sentindo-me deslocada.
Tony deu outro passo para mais perto de mim.
— O que mais me irritou, Sofya, foi esse seu pensamento sem nexo de que esconder as coisas de mim vai fazer algum bem.
Balancei a cabeça, respirando fundo com o seguinte silêncio, triste, culpada, sentindo-me errada. Nunca quis magoá-lo, irritá-lo ou algo do tipo, eu apenas não consegui dizer. Eu amo meu pai e tenho medo do que ocorrerá quando ele descobrir a verdade. Então, afastá-lo foi mais fácil e quando eu não consegui, mentir foi mais fácil, fingir foi mais fácil.
Mentiras e mais mentiras inventadas de mim para mim, que contei para todos, pois, a verdade é que depois do acelerador, nunca mais algo bom ocorreu comigo.
Não até encontrar meu pai, que me trouxe Pepper, Happy... Steve...
Desta forma, quando o bom aconteceu, eu o protegi e guardei, em uma tentativa de retardar o inevitável, e isso apenas causou um grande alvoroso, que eu sei que poderia ter sido evitado.
Funguei e percebi meu rosto molhado pelas lágrimas, virei-me para que Tony não visse. Eu tentei tanto, mas tanto ser forte, e na maioria das vezes fui bem sucedida, no entanto, aqui de frente a meu pai, eu sou apenas uma garotinha. Uma garotinha que passou por muitas coisas, que perdeu muito, que tem medo de perder ainda mais.
— Eu sei. — eu admiti meu erro. — Só que eu nunca estou preparada para te contar. — funguei, novamente. — Não sei nem por onde começar.
Ouvi seu suspiro atrás de mim, e senti meu pai virando-me para olhar diretamente em meus olhos, sua expressão se suavizou quando viu minhas lágrimas:
— Por que não começa pelo início? — sugeriu.
O início? Eu tive tantos... contudo, o mais marcante e doloroso certamente é o que Tony procura.
A dor na qual esforço-me tanto em esconder, o que me trouxe até onde estou.
Meu peito apertou em agonia pelo medo. Tony ficou tão bravo por descobrir sobre Steve, imagino sua reação ao descobrir tudo. Ter meu pai comigo é muito importante e se ele decidir que não me quer mais em sua vida, simplesmente não sei o que farei.
Abri a boca, mas nada saiu. Pensei que vir e dizer seria menos doloroso, mas não é.
— Não consigo. — falei com minha voz carregada de culpa.
Tony afastou-se apreensivo, e suspirou.
— Filha. — ele murmurou. — Quero apenas ajudar.
As lágrimas voltaram a rolar, e eu falei com voz embargada:
— Você não vai querer me ajudar quando descobrir a verdade.
— Não diga besteiras... Você é minha filha, sem irei ajuda-la.
Me encolhi, abraçando meu próprio corpo. Não foi por isso que o procurei? Ainda sim, a dor não deixou de se apossar de meu corpo. A culpa ameaçou tirar todo meu ar e pus minhas mãos sobre meu rosto, tapando a vergonha que estampou em minha face ao declarar:
— Eu fui embora de Central City para fugir da verdade.
Fiquei em silêncio por um período longo demais, absorvendo a dor, adiando o irremediável. Tony notou minha hesitação, por isso, perguntou:
— Que verdade, Sofya?
Tomei um fôlego, sentindo meu coração pesar:
— De que... — minha voz falhou, mas continuei baixinho. — Eu matei minha mãe.
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