NEW STARK | the avengers [1] ✓
2 Uma fuga mal sucedida
O taxista mal parou em frente ao meu prédio e eu já lhe lançava uma nota amassada sem ao menos agradece-lo, descendo do carro e correndo desenfreadamente em direção ao meu apartamento, ainda sem deixar de ouvir o seu resmungo sobre a falta de educação dos adolescentes de hoje em dia. Então, cara, é difícil ser educada quando se está sendo perseguida. Pensei, passando pela portaria como um furacão. Sem duvida fui mais rápida que um Tufão. Ah rimou.
— Senhor John! — exclamei, encarando o bom e velhinho porteiro, que abriu um sorriso educado ao me encarar e murmurou um "Tudo bem, menina?" — Tudo ótimo. — meu sarcasmo lhe passou despercebido e emendei: — Por favor, não deixe ninguém, ninguém mesmo subir ao meu apartamento — pedi, me apressando para longe dali.
Não tive duvidas de que meu afobamento tenha deixado o pobre velho confuso, e, mesmo eu sabendo que nada impediria agentes treinados de passar pela portaria, não me custava nada tentar, né? E, apesar de gente boa, o velho John é duro na queda, o que significava um pequeno empecilho para Nick Fury chegar até mim.
Apertei o botão do elevador varias e várias vezes, mas aquela lata velha se encontrava presa no nono andar e só Deus sabia quando tempo levaria para aquela geringonça descer até o térreo. Que ódio.
— Droga — bufei em irritação.
Dei meia volta e entrei no corredor que levava até as escadas e as subi na maior velocidade que pude. Mentalmente, eu me repreendia por ter parado com os exercícios físicos que eu fazia nos tempos em que estudava. Subi de dois em dois degraus e consegui chegar ao meu andar. Ofegante e descabelada? Sem dúvida alguma, mas cheguei. Paranoica, eu olhei desconfiada de um lado ao outro antes de bater a porta do apartamento alugado em eu estava ficando e tranquei-o assim que passei para dentro do cômodo. Corri diretamente para o meu futuro-ex-quarto e também o tranquei.
— Max — ainda ofegante, eu chamei minha inteligência artificial.
Sofya.
A sua voz robótica me saudou:
— Quero que todos os meus projetos, tudo de importante seja enviado para o imóvel em Washington o mais rápido possível. Depois, apague qualquer tipo de registro relacionado a mim.
Enquanto ordenava eu guardava meus eletrônicos em uma mochila, sem coragem de deixa-los para trás. Aquelas coisas custaram uma grana preta, tá bom que eu as descartaria tão facilmente.
Download completo em 5 minutos.
Peguei outra mochila e guardei todo o dinheiro que eu tinha, o que não lá muita coisa, mas eu daria o meu jeito de conseguir mais. Primeiro, eu tinha que sair da cola dos agentes altamente treinados e depois eu pensava em uma forma de ganhar uma grana para sobreviver. Apressadamente, caminhei até meu guarda-roupa e retirei duas mudas de roupa e joguei na mochila, por cima do dinheiro.
Download completo.
Max me avisou no instante que um barulho alto chegou aos meus ouvidos, fazendo-me ter a mais absoluta certeza de que, possivelmente, haviam arrombado a porta do apartamento. Merda... mil vezes merda.
Apagando registros.
Apertei um botão. Minha última defesa. Então, assisti enquanto a porta do quarto foi selada por fechaduras bem resistentes, feitas especialmente para mim e por mim. Sem modéstia, ter conhecimento é outro nível. Fechei o zíper de minha mochila e amarrei alguns lenções ao pé da cama, abrindo a janela que dava para um beco escuro e duvidoso. A segunda coisa que notei, após o beco certamente perigosos, foi a altura que eu me encontrava. Meu estomago se contraiu e eu engoli em seco, desviando o olhar e voltando as minhas atividades, dentro do quarto.
Ouço vozes, uma destacando-se das demais, chamando minha atenção e fazendo com que eu pare com os movimentos apressados:
— Sofya Denova — a voz desconhecida fala próxima a porta do quarto. Engulo a seco — Aconselho que saia e nos acompanhe pacificamente — fico em silêncio, e, de forma lenta para não levantar suspeitas, termino de dar o último nó, levantando e caminhando para perto da janela — Você tem quinze segundos para sair do quarto, caso contrário, não seremos amigáveis — sorrio irônica, ainda que ele não veja.
— Então eu tenho quinze segundos para dar o fora daqui — murmuro.
Apenas espero que dê certo como nos filmes...
Todos os registros apagados, nenhum arquivo existente.
Respiro fundo ouvindo movimentos nos outros cômodos do apartamento. Agarro a primeira bolsa com meus aparelhos, coloco-a sobre minha costa com a segunda bolsa presa a primeira, resultando em um peso maior ao descer em minha corda improvisada.
— Ótimo. Max, seus serviços não são mais solicitados. Desligar.
É sempre um prazer ajudá-la Sofya, desligando.
Isto é ultima coisa que ouço antes de pular, agarrando-me de forma insistente aos lenções, fazendo a decida o mais calma possível em um processo de escorregar pouco a pouco.
Só uma louca como eu pularia do 5 andar.
Meus ouvidos capitam um barulho. Sem que eu espere o pano escorrega, e eu desço bruscamente, alguns centímetros antes de parar. Imóvel, eu sinto meu coração pulsar em meus ouvidos e nervosamente, olho para cima com medo de terem entrado no quarto. Tenho que me apressar, assistir turbo tem que ter servido para algo. Mais calma, torno a descer, contudo, a poucos metros do chão eu finalmente percebo que o pano na qual estou pendurada... ESTÁ RASGANDO!
— Pano vagabundo — resmungo, irritada.
Ainda cautelosa, eu tento descer o mais rápido possível, entretanto, o tecido rasga de supetão e eu despenco de não sei qual altura, sem qualquer aviso prévio. Obrigado a todos que me acompanharam até aqui. Fim... e morri. Meu grito agudo, fino e quase inaudível soa enquanto vôo noite adentro e sinto o chão duro me receber. Estranhamente, cai em pé, mas o impacto faz cada pequena parte do meu corpo tremer e eu não estou mais no controle quando minhas pernas dobram e eu rolo pelo chão. Sinto o asfalto arranhar minha pele enquanto a mochila pesada parece querer fundir-se ao meu corpo.
Hashtag chorando.
Levanto me sentindo a própria Raven, quando após um tombo daqueles, digno da tão conhecida vergonha alheia, se ergue dizendo seu tão conhecido: "Eu estou bem". Passo a costa da minha mão na testa secando as gotículas de suor que molham meu rosto e ajeito a mochila nos ombros que não caia. Uma respiração aliviada é todo o barulho que vem de mim, mas pessoalmente, eu posso ouvir meu coração trovejando nos meus ouvidos, agoniado e ainda acelerado pela adrenalina. Abro a boca numa inalação e o ar entra rasgando em minha garganta. Levanto a cabeça e não vejo ninguém pela janela. Espio por entre os ombros e nada. Olho atentamente para os lados, tentando ignorar a dor do cacete no corpo e, ainda dolorida, me ponho a caminhar apressada.. Estou contando que, com a noite, eles não me vejam. Mas eu não sou assim tão sortuda, por isso, desconfio. Mal percebo quando aumento o passo e começo a correr para longe do prédio que foi minha casa nos últimos meses com meu próximo destino já traçado na mente. A rua deserta me faz respirar um pouco aliviada, mas tento não dar bobeira. Ando reto e viro a minha direita em uma esquina, encontrando uma outra rua bem mais movimentada, sento em um banco do ponto de táxi, bem mais tranquila.
Primeiro eu pegarei um táxi, então tenho que arrumar um jeito de pegar um ônibus e sair de Nova York sem ser percebida. Hackear algumas não será um problema. Hm, Los Angeles me parece um lugar atraente para viver e se misturar.
É com esses pensamentos que eu faço tudo de acordo com meu plano mental. Os segundos correm devagas com a espera e me parece que faz horas que eu cheguei ao ponto de táxi, quando noto uma movimentação estranha na esquina em que eu havia passado antes. Viro a cabeça e jogo parte do cabelo no rosto, sutilmente, erguendo-me do banco e caminhando pela calçada em uma tentativa de atravessar até o outro lado da rua. Contudo, travo quando vejo dois agentes vindo em minha direção. Ambos me encarava enquanto dizia algo baixo e incompreensível pra mim, atrávez de um comunicador.
Beeem discretos! Sutileza mandou lembranças. Okay, eu estou encurralada, maravilha.
Viro-me para a esquerda retornando para a calçada e evitando os dois homens da lei, infelizmente, deparo-me com outros dois agentes. Um homem e uma mulher. Me senti como um animal enjaulado sem ter para onde ir. Engulo seco e desisto da discrição. Foda-se, eu preciso sair daqui. E é o que faço quando, bruscamente, eu paro de andar, giro e corro. Empurro alguns pedestres no caminho murmurando um foi mal ofegante e entro em um estacionamento aberto e escuro, em direção à saída do outro lado. Ouço passos atrás de mim enquanto atravesso todo o lugar as cegas:
— PARADA!
Um tiro alto que parece estourar meus tímpanos ecoa por todo o ambiente. Meu coração, literalmente, para por um instante, para logo em seguida voltar a bater tão forte e faz parece que ele irá atravessar meu peito a qualquer instante.
Puta que pariu, eles estão atirando, eles estão atirando!
Deus, se o senhor me ajudar eu prometo nunca mais... éééé... prometo nunca mais... saco. Okay, eu não sei! Mas me ajuda, sim?!
Duas sombras tornam-se visíveis no momento em que termino de atravessar o local, alcançando a saída do estacionamento. Legal, ele estava me esperando, que educado.
Olho de um lado ao outro, sabendo que não tenho nenhuma chance de fuga, mas ainda nenhum pouco disposta a desistir sem uma luta. Paro de correr e o barulho do meu ténis freando é ouvido. Solto a mochila que levava na mão, ficando apenas com a outra nas costas.
— Tenho que admitir, você é boa.
— Tudo isso para uma garota de dezessete anos, hm...? — eu provoco, tremendo por dentro e plena por fora.
— Estamos observando seus passos a um tempo, Denova. E sabemos que você está bem longe dos padrões de uma garota de dezessete anos, normal — ele deixa claro e não nego. Ele tinha razão, oras. Não me encaixo nos padrões de uma adolecente normal, realmente. Droga, eu deveria saber que uma garota de dezesseis anos, supostamente emancipada, entrando em uma faculdade chamaria a atenção.
— Você tentou me sequestrar, arrombou meu apartamento e me perseguiu apenas porque eu não me encontro de acordo com os seus padrões de uma adolecente normal — comento com se de riso, fazendo uma expressão desentendida. Minha risada seca ecoa pelo estacionamento vazio — A SHIELD não deveria estar atrás de alguma ameaça em massa contra o planeta, ou algo do tipo? — tarde demais, noto que falei demais. Droga, droga, droga. Agora eu mostrei que sabia das coisas. Burra.
O caolho lança-me um olhar entendedor, satisfeito com minha admissão involuntária.
— Estamos trabalhando nisto, Denova — ele dá um passo em minha direção.
Por um milésimo de segundo, seu olhar se encaminha para meus ombros. Para o diretor, está sua ação pode ter sido impercetível, mas bom, não para mim. Não demora muito para que eu o ouça, à minha retaguarda, uma respiração baixa, controlada e quase inaudível. Minha mente começa a trabalhar, calculando a distância do indivíduo conforme o som de sua respiração. Me preparo e continuo enrolar o caolho que pensava estar me enrolando:
— Indo atrás de uma garota de dezessete anos fora dos seus padrões? — repito, fingindo que nada sei.
— Quando ela representa uma ameaça, sim — ele confirma, sucinto.
Abro um sorriso cheio de sarcasmo. A respiração à minha costa fica mais forte, e eu parto para a ação. Viro-me e impeço quem quer que seja de me atingir, reconhecendo a siringa idêntica que Nick tentou usar para me abater anteriormente. Chuto seu estômago e com força precisa bato sua cabeça no chão, o agente permanece caido no chão, inerte. Estou pronta para me virar, mas a pancada que recebo me derruba.
Sempre distraída.
Para o meu azar, a mochila com meus eletrónicos ainda está presas em minhas costas, o que torna minha queda mais dolorosa. O golpe forte me deixa zonza e uma bagunça de informações nubla tudo em minha mente. Antes de apagar, Nick Fury aparece em meu campo de visão dizendo algo que não consigo entender. Insistentemente, tento me levantar, mas uma mão impede meu esforço e eu rendo-me ao peso contra meu corpo. Ainda parcialmente acordada, sinto quando alguém me levanta, segurando-me como um bebê. Vejo imagens borradas antes de tudo escurecer.
E mergulhar em um mar de lembranças.
CE
Fale com o autor