NEW STARK | the avengers [1] ✓
3 Interrogada
HORAS DEPOIS
BASE DA SHIELD DE NOVA YORK
— Senhor, a garota já acordou e esta sendo levada para a sala de interrogatório — avisou agente Hill, olhando nos olhos do diretor da SHIELD.
O homem de sobretudo preto e tapa olho acenou uma vez em concordância a informação recebida. Seu polegar batia na beirada da mesa lentamente, sua mente corria enquanto pensava.
— Pode falar, agente — Nick Fury inclinou-se para trás e indicou a cadeira frente sua mesa, reconhecendo a expressão hesitante e duvidosa dela. Apensar do que pensavam, a agente era a pessoa em quem ele contaria dentro da organização, depois de Phil Coulson, e o homem sabia dar valor a opinião dela quando a situação exigia uma mente mais aberta e abrangente.
A mulher trocou o peso da perna e enrijeceu o corpo, ainda em pé:
— Não é nada, senhor.
Nunca era nada quando tratava-se de Maria Hill. Os últimos anos trabalhando juntos ensinaram isso a ele.
— Diga.
Era uma ordem.
— Ela não parece o tipo que cede facilmente, não acho que vá colaborar e pelo que o senhor informou, foi treinada.
— Não, treinada não. Eu disse que ela obtinha dos conhecimentos. Sofya Denova sabe das coisas — o tom enigmático do diretor em nada ajudou a agente entender, e ele não negou sua primeira afirmação e a confirmação veio com a frase seguite: — E, de fato, ela não irá ceder.
— Então, porque?
Havia muito dentro desse simples por quê. Não era como se o diretor estivesse trabalhando sobre os interesses do possível pai da garota, o que ainda era apenas uma pequena suposição mesmo que o diretor estivessem demasiadamente confiante. Por que levar Sofya Denova até ali? Porque interrogá-la pessoalmente quando ele nunca fizera isso antes? Porque de todo aquele estardalhaço?
— O Stark é um recurso imprevisível e agora estou tornando-o previsível para mim — o dedo do diretor ainda batia enquanto seus pensamentos tornava-se palavras faladas — E algo me diz que a garota é algo a se ter do lado. Os exames já estão prontos?
Hill piscou para a mudança brusca de assunto, mas essa foi toda a reação que ela teria.
— Sim, doutor Williams está apenas aguardando a ordem.
— Ótimo. Leve-me até Sofya Denova.
***
As imagens iam e vinham em um borrão na mente de Sofya. A garota havia acordado trancada dentro de um quarto desprovido de cor, completamente confusa. Aos poucos suas últimas lembranças foram voltando, assim como a dor de cabeça pela pancada levada. Não muito depois de despertar no quarto que ela amorosamente apelidou como cela, Sofya é levada até uma cômodo relativamente grande, contendo uma mesa e duas cadeiras. As paredes escuras davam ao ambiente um sentimento de seriedade. Claro, se a garota se importasse com qualquer coisa que viesse acontecer. Agora, sentada em uma da cadeiras disposta ali para ela, a morena mal pode esperar pela pessoa que lhe interrogaria.
Na parede do lado esquerdo à jovem, uma janela de vidro escuro se destaca. Enquanto ela espera do lado de dentro, no exterior; Nick Fury, Tony Stark, Agente Romanoff e Maria Hill observam a reação tranquila de Sofya Denova. Desconfiados, sequer imaginando a confusão que reinava dentro da garota.
Para olhos alheios, a jovem parecia estranhamente à vontade, sentada na cadeira de aço dura e desconfortável, batucando os dedos sobre a mesa, encarando a parede sem preocupação alguma em seus olhar. Nenhuma palavra é dita, ela não reclama, faz piada ou grita, como era esperado por Fury. A reação é inesperada trás uma sensação ao diretor de que não seria a primeira que teria esse tipo de sentimento no que quer a garota estivesse envolvida. A verdade era que Sofya ainda repassava seus últimos momentos antes de apagar, se auto recriminando. Criando reações mais eficazes e que não resultasse nela sentada ali, aguardando.
Não havia como fugir.
Os dois agentes mal encarados do lado de dentro da porta diziam isso, com os semblantes fechados e imparciais. Subitamente, os dois agentes robôs dão um passo para o lado e a porta abre.
Ele entra.
Fury avalia cada reação da garota no instante que pisa os pés sobre a sala. Contudo, não absorve coisa alguma.
Seu olhar calculista não abala um fio de cabelo de Sofya, a jovem apenas devolve a ele a expressão fria, enquanto seus lábios permanecia em uma linha fina, demonstrando seu puro descontentamento. Ela se esparrama na cadeira e cruza os braços, agora menos confusa e extremamente irritada. Sofya ergue os lábios, um sorriso cínico ameaçando aparecer.
Nada intimida a garota. Pensou o diretor da SHIELD.
Ela quase ri com aquele pensamento. Estava tremendo por dentro, mas era bom saber que passava uma imagem mais forte do que realmente era.
Fury senta-se na cadeira de frente com Sofya. Colocando as mãos sobre a mesa apoiando-as, e permitindo-se observar a jovem em sua frente para então confirmar suas suspeitas.
Não havia dúvidas, ela era idêntica à ele.
Por fim, ele suspira querendo por um fim em toda aquela situação.
— Olá, Sofya.
— Para você é Denova, por favor, senhor — seu tom foi puro deboche. Sofya pouco se importava com formalidades, mas não estava disposta a dar o braço a torcer. Fury confirmou com a cabeça, paciente.
Preciso de informações e às terei. ele pensou.
Tente a sorte, amigo. Sofya sorri, aguardando o próximo passo.
Nick Fury havia lhe sequestrado, e ainda lhe dado um golpe na cabeça. A dor na nuca não deixaria a garota ter qualquer simpatia pelo diretor naquele instante. Ele não merecia.
— Como quiser, senhorita Denova. Espero que saiba que sua situação não é boa — informou.
— De fato, minha cabeça ainda dói, sabe.
— Quero respostas — continuou, ignorando-a — Para seu próprio bem, aconselho você a da-lás.
— Está me ameaçando?
Mais uma vez, ele a ignora:
— Seria mais fácil para ambos os lados se você colaborasse — ele explica — Como qualquer outro prisioneiro, você tem o direito de permanecer calada... — e ele lhe dá uma palestra enquanto ela o encara em silêncio. Aquilo é todo o sinal que o mais velho precisa. — Podemos começar? Otimo. Para que você queria projetos de armas do Stark?
Ela continua calada batucando os dedos na mesa.
— Para que você queria projetos de armas Stark? — ele repete.
Sofya nada diz.
— Responda minha pergunta — ele ordena.
— Sim.
— Sim? — Fury pergunta.
— Sim, eu tenho o direito de permanecer calada — afirmou a informação anterior.
O diretor da SHIELD tomou fôlego e decidiu mudar para a próxima pergunta, sua paciência com a garota esvaindo-se aos poucos:
— Você derrubou um dos meus melhores agentes, aonde recebeu treinamento? Afeganistão? Russia?
Sofya quase gargalhou, e nunca em toda a sua vida teve tanto controle sobre sua expressão facial como estava tendo. Sério? Afeganistão?
— Sim.
— Sim, na Russia? — ele torna à perguntar.
— Sim, eu tenho o direito de permanecer calada — repetiu lentamente, se deliciando com a frustração e irritação de Nick Fury. Sem evitar, um pequeno sorriso satisfeito aparece entre seus lábios.
— Sabe exatamente por que está aqui, Denova?
— Porque você não tem nada melhor o que fazer — ela responde, as costas escoradas na cadeira e um ar de indiferença no olhar.
Fury finge não ouvir o comentário:
— Há alguns meses atrás nosso sistema foi invadido. Quando meu pessoal tentou rastrear o responsável, mas ele havia simplesmente desaparecido como se nunca estivesse existido — ele conta.
Que coincidência! Há alguns meses atrás eu invadi um sistema do governo e desapareci sem deixar quaisquer rastros para trás. Ela pensa, sarcasticamente.
— Puxa, que triste — a garota finge lamentar — Imagino como deve ser difícil pra você admitir um fracasso.
—Ah não, entenda, eu não fracassei, Denova. E a prova disso está bem à minha frente. Tenho de admitir... você é boa demais para o próprio bem, desaparecer da rede sem deixar nenhum vestígio para trás. Meus sinceros parabéns.
— Por Deus, você me persegue, me sequestra, me prende e agora me elogia em meio a uma calúnia — ela dramatiza.
Eu deveria investir na vida de atriz. Sofya divaga. O diretor observa a reação da garota à sua frente, que insiste em negar seus atos.
O diretor admite mentalmente. Sofya é idêntica ao pai.
— Admito também que tivemos uma ajuda em especial.
— Sério? — apesar de perguntar, era obvio a falta de interesse em saber quem foi o gênio que havia lhe encontrado.
Mal sabia a surpresa que teria.
— Um sobrenome Denova, Stark — o direto fala, conseguindo finalmente arrancar uma reação da garota. E, pela primeira vez dentro daquela sala, Nick Fury deixa um pequeno sorriso escapar, logo tratando de esconde-lo.
Ele suspeitava, mas olhando a senhorita Denova, Nick Fury teve a certeza de que ela já sabia. Algumas indagações o incomodavam, como: o por que dela jamais procurar pelo pai? Mas isso não era assunto seu, e seu verdadeiro interesse era outro. Sofya, por sua vez, após passar por tantas coisas, aprendeu a jamais demonstrar fraqueza, sentimentos eram para os fracos e ela não queria ser uma garota fraca, não demostrar o que sentia já fazia parte do seu cotidiano. Entretanto, era quase impossível não reagir ao nome de seu progenitor.
A garota por um momento paralisa e por puro instinto vira o rosto para o lado, concentrando-se. Logo em seguida, a imagem através do vidro escuro — que impossibilitaria qualquer outra pessoa de ver o outro lado — recebe-lhe.
Do lado de fora, atrás do vidro e observando a interação dentro da sala, Sofya encontra duas agentes, entre elas a Romanoff. Todavia, toda a sua atenção é voltada para um par de olhos castanhos idênticos aos dela, olhos que fez seu coração falhar uma batida.
Os três encaravam a morena com olhares confusos. Parecia que a garota os viam sem qualquer restrição que o vidro dava, mas essa sensação desaparece quando Sofya Denova volta seu olhar para Fury, que aquela altura demonstrava um semblante curioso.
Sofya engole em seco, obrigando o corpo e a mente a acalmar-se para o que estava de vir.
Você sabia que isso um dia aconteceria, Sofya. Ela dizia para si mesma.
CE
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