NEW STARK | the avengers [1] ✓
4 Pois é, papai...
Medo.
Sempre procurei esconder esse tipo de sentimento de todos que me rodeam. Nunca desejei que vissem minha bagunça, porque, a verdade é que eu sou uma completa fracassada. Exemplo disto é minha suposta fase de luto que não durou muito tempo. Fingir não me importar foi mais fácil, mas ver que acreditaram na mentira que eu inventei de mim mesma doeu mais do que eu imaginava. Apenas uma pessoa viu a verdade. O que, na época, ninguém sabia é que fiquei de luto por muito mais tempo após todos aqueles acontecimentos, a ficha da morte da minha mãe nunca caiu, e então eu fugi quando não suportei a pressão. Disse a mim mesma que tudo ficaria melhor depois que fosse embora daquela cidade.
Não melhorou, e no fim eu me afastei de todos. Naquele tempo, isto era tudo que mais quis, e eu fui.
Posteriormente, descubro quem meu pai é. Não procura-lo foi outra forma de fugir do medo que sentia, mas o medo nunca me deixou. Ele, na verdade, me acompanhou constantemente, aliado a fé de um dia ter uma nova vida. E eu me obriguei a enterrar todas essas esperanças, protegendo meu coração de uma possível rejeição.
Newton nunca esteve tão certo.
Eu deveria ter pensado direito antes de acessar os dados dele com tanta arrogância, agora eu me encontro em uma encruzilhada. Não, presa, uma encruzilhada remete a opções e não acredito que eu tenha alguma agora. Estou sem direção. Sem dicas do caminho incerto que está a se seguir.
Tudo isto causado por ele. Sem ao menos estar presente, Tony Stark consegue desestabilizar toda a minha vida. Como uma pessoas pode me deixa tão incerta sobre meu futuro? O frio no meu estômago é como uma geada paralisante e eu tenho que segurar o ímpeto de jogar tudo em meu estômago para fora.
Eu não sei o que fazer. Como proceder?
Lembrei do que o doutor Harrison me ensinou certa vez.
Okay, primeiro inspira, expira.
Inspira, expira.
Inspira, expira.
Repito o processo várias e várias vezes em minha mente. Claramente, mascaro meus conflituosos sentimentos, e visto minha famosa cara de paisagem que uso para demonstrar indiferença, internamente, pedindo que tudo dê certo no sentido, não ser presa e cair o fora dali sem precisar esbarrar com ele, porém, meu pai do outro lado do vidro não ajuda muito.
Fury insiste em fazer mais algumas perguntas e eu me limito a ficar em silencio. Distraída e nervosa demais para lhe dar uma resposta espertinha. No momento, meu silêncio é a melhor arma que tenho e eu a uso sem rancor. Eu sei, isso é uma falta de respeito com os mais velhos e blá blá blá. Em minha defesa: ser interrogada é um saco. E o tédio não está contribuindo em nada, apenas me deixa mais nervosa.
E eu estou sinceramente cansada de todo esse procedimento nada convencional, afinal, se eu sou filha de um cara famoso, por que estava recebendo este tipo de tratamento? A não ser que...
— Se usa este tapa olho pensando que pode intimidar alguém, sinto em lhe informar: não esta dando certo — corto o caolho em meio a uma pergunta, não me importando com os bons modos. — Capitão Barbossa consegue meter mais medo, diretor — sorrio com os lábios pressionados, muito irritada com a linha de pensamento anterior que em nada me agradou.
Aparentemente cansado da minha ilustre presença, Nick Fury me lança um olhar irritado, suspirando pesadamente e levantando-se do seu lugar.
— Você sabe que seria presa neste exato momento se não houvesse alguns fatores a serem pesados em toda a sua situação, Denova — o caolho me encara com sua tão conhecida expressão séria. — Tenho uma proposta: estou lhe recrutando para ser uma de nossos agentes, teria um futuro na agência — ergo minhas sombracelhas e tenho certeza que eu estou com um olhar de "Whats?"
— Não, obrigado — nego automaticamente.
Ouço um clik e a porta é aberta, eu ainda pesava as palavras do diretor quando noto que foi ele quem entrou.
— Credo. Nunca mais venho para um interrogatório, coisa chata — ouço-o dizer.
E meu probre coração bate desgovernado em meu peito que parece a ponto de pular para fora. Tenho certeza de que qualquer um poderia ouvi-lo neste instante.
— Stark, eu não permiti sua entrada.
— Certamente, mas o meu sistema altamente protegido foi hackeado — o tom de arrogância em seu tom de voz me fez revirar os olhos. Se fosse realmente altamente protegido, eu não teria invadido. — Precisava ver a gêniazinha audaciosa que quase conseguiu sair sem ser detectada por Jarvis — diz ele, sentando-se no lugar que antes Fury estava.
Minha boca seca.
Permaneço em silencio. Caramba! Existe algum manual sobre como reagir a um primeiro encontro com seu pai, que ainda não sabe sobre você? Por que eu não o li, e não faço a mínima idéia do que fazer.
— Então, não vai se apresentar? O gato comeu a sua língua, little mouse — fuzilo o homem com o olhar.
Não respondo, e volto-me desesperadamente para Fury. Esperando que ele faça algo em relação a isso, mas o diretor apenas me observa por de trás do Stark. Então, para a minha profunda agonia, ele balança a cabeça na direção do homem sentado a minha frente. Conhecimento brilhando em seus olhos. Alguém parece falar algo a ele através do comunicador, por fim, ele dirige-se a nós.
— O resultado do exame está a caminho — Fury me encara. É, e o que eu tenho a ver com tal isso?! Quis dizer, gritar, mas desta vez não tive forças para o interromper. — Creio que você queira explicar a situação ao senhor Stark antes de... saber o resultado — resultado do qu- puta merda.
Nick Fury continua a me fitar demoradamente. Me dizendo algo e esperando que eu entendesse. E eu entendi. Exame. Ah porra, quando foi que eles pegaram uma amostra do meu DNA? Quando estava desacordada, idiota! Quando foi que pegaram o dele? Exame. Exame que finalmente confirmará o que minha mãe deixou escrito em uma carta. A verdade.
Arregalo os olhos e encaro o diretor totalmente alarmada. Stark ainda está sem entender:
— Como? — sua pergunta paira no ar, eu continuo calada.
— Apesar da falta de informações recentes no banco de dados. Consegui algumas sobre sua mãe. Uma mulher que em uma noite de bebedeira, imagino eu, encontrou-se com um jovem herdeiro de uma empresa bilionária. Desse encontro, ouve um resultado nove meses após aquela noite — engulo em seco, não querendo ouvir, não querendo ver enquanto Tony Stark assemelha aquela história a ele. Enquanto ele junta as peças do quebra cabeça. — Uma menina, uma garota prodígio vivendo as sombras, desviando dinheiro de contas bancárias e nunca sendo rastreada. Após a morte da mãe em um acidente misterioso onde as causas do mesmo não foi identificado, a garota desapareceu sem deixar quaisquer vestígios para trás.
Cala a boca, cretino. Grito em minha mente.
— A garota tinha 15 anos quando sumiu, ninguém nunca mais a encontrou. Até então, isso não era problema nosso. Não até sermos invadidos há cerca de um ano. Não conseguimos rastrear o culpado. A situação foi encoberta, mas ficou essa sensação de pulga atrás da minha orelha, entende?
Tomo uma respiração profunda, tentando manter a calma.
— Creio que assim como eu, a senhorita saiba o final desta história, estou certo, Denova? — Mais silêncio. Mais agonia. Mais pressão sobre a minha cabeça enquanto o peso do olhar do Stark parece me derrubar, como a onda furiosa de um tsunami. — Por muito pouco não a encontramos. Você desaparece tão rápido quanto aparece.
— Nem o melhor hacker tem uma capacidade de desaparecer da rede em tão pouco tempo — Stark murmura, sério, me olhando como se me visse pela primeira vez. Escaneando meu rosto em um misto de dúvida, curiosidade, e, por fim, reconhecimento.
— O que você quer? — pergunto a Nick Fury vendo que não sairia dali, não sem dar-lhes algumas respostas. Não havia volta, depois de tanto tempo eu estava cara a cara com meu pai, tendo que enfrentar essa situação.
O diretor parece satisfeito quando acena na direção do Stark:
— Primeiro: converse com seu pai, resolveremos o resto mais adiante — Fury avisa e sai da sala.
Filho da.... de uma boa mãe.
— Parece que ele jogou a bomba para mim — sussurro, odiando o caolho furiosamente.
— Pai — Tony repete, o cenho franzido, seu olhar cuidadoso refletindo o meu. Sem ataque histérico ou negação, apenas curiosidade e... algo que prefiro não nomear.
Eu me preparo mentalmente para o que virá a seguir. Ai Deus. Eu, que fiz de tudo pra evitar esse dia, decidi ouvir aquele lado idiota e irracional e olha onde ele me trouxe!
Respiro fundo voltando-me para ele.
— Pois é, papai, tá na hora de batermos um papo — murmuro irônica.
CE
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