Eu morreria por você, isso é fácil de dizer

Temos uma lista de pessoas que tomariam

Uma bala por eles, uma bala por você

Uma bala por todos nesta sala

Twenty One Pilots — Ride

A primeira coisa que ouvi, ao descer as escadas que dava no primeiro andar, foi a piadinha sem graça do Tony:

— Tirando um cochilo enquanto o resto de nós trabalhamos? — toda a atenção foi para mim e eu senti meu rosto esquentar.

Idiota.

— Você, trabalhando? — tentei contornar a situação, enquanto me aproximava. Então notei a presença de um velho chato que usava um tapa olho, na qual, eu carinhosamente apelidei como Caolho. — Nick. — apesar do único olho, Fury sabia usá-lo muito bem, inclusive, para analisar você.

— Sem formalidades, desta vez. — supõe, e mesmo que ele não esteja sorrindo, é como se o fizesse. Outro idiota.

— Estou de bom humor. — só que não.

— Sorte sua. — Tony falou ao tempo que jogava um dardo em um alvo. Ah, a casa de um arqueiro. — Nosso amigo pirata tem novidades. — meu pai também gosta de apelidos.

Então Fury nos atualiza da situação dos Vingadores perante o mundo, antes de falar de Ultron. Durante toda a conversa, aproveitei para comer algo que, gentilmente, Laura ofereceu.

— Obrigado. — agradeci meio sem graça, sem deixar de reparar nos pratos vazios e a bagunça que o jantar deixou na cozinha. Eu cheguei atrasada. O inferno que estavam me esperando. Olhei feio para Steve e ele inclinou-se e sussurrou no meu ouvido:

Eu estava te esperando. — deu um sorriso fraco e não consegui permanecer irritada.

É sempre assim. Acontece algo que me irrita, então Steve faz algo adorável e acabo por me sentir até mesmo um tanto mal por me estressar. Argh, como pode? Mais um idiota.

Suspirei mentalmente e ofereci um pouco do que eu comia a ele. Steve aceitou, mas não nos demoramos naquilo. Voltamos a focar no assunto quando o nome Ultron foi falado pela primeira vez, desde que cheguei.

— Ultron tirou vocês de cena para ganhar tempo. — Fury comentou e eu respirei fundo.

— Por favor, me diga algo que eu não sei. — não foi a intenção o meu tom sair debochado, juro, apenas escapou. No entanto, fui completamente ignorada pelo diretor. Desaforado.

— Meus contatos disseram que ele está construindo alguma coisa. A quantidade de Vibranium que ele roubou… acho que não é pra uma coisa só. — Nick falava, enquanto andava pela cozinha como se estivesse em sua própria casa, pegando alguma coisa ali e outra ali.

— E quanto ao próprio Ultron? — Steve perguntou.

— Ah, ele é fácil de encontrar. Está em todo o canto. O cara se multiplica mais rápido que um coelho. Mesmo assim, não conseguimos ter uma ideia de quais são os planos dele.

— Quer os códigos nucleares? — Tony jogou outro dardo e errou. Aproximei-me sorrindo de sua falha e ele me desafiou, com o olhar, a tentar.

— Ele quer sim, mas não está fazendo nenhum progresso.

— Ué? Ele tem tudo que precisa. Acesso, inteligência e informação. — comentei, sem entender. Atirei o primeiro dardo e acertei a ponta do primeiro círculo. Ouvi Tony bufar em uma risada atrás de mim. Agora era questão de honra.

— Pois é. — Stark concordou comigo e falou, em seguida: — Invadi o firewall do Pentágono no colégio, sabiam?

— NSA. — eu disse e meu pai piscou pra mim, cheio de orgulho. — Não fui muito a fundo. — justifiquei, depois, quando vi alguns olhares em cima de mim.

— É. — Fury olhava de Tony pra mim. — Fizemos contato com os nossos amigos no NEXAS a respeito do seu caso. — apontou para o Stark. — Você, por outro lado. — virou-se e eu fiz cara inocente. — Até hoje é uma ameaça desconhecida para a agência, e seria para mim também, se não tivesse dito.

— E o discípulo supera o mestre. — citei com satisfação, vendo meu pai sorrir.

— Ouvi você falar NEXAS? — Steve retomou o assunto e eu decidi me focar no problema. Juro que não vou mais me distrair. Pensei, olhando os músculos do meu namorado.

— É a central mundial da Internet em Oslo. — Banner quem o respondeu. — Cada byte passa por lá. É o acesso mais rápido do mundo.

— O que dizem? — ouvi Barton perguntar.

Joguei mais um dardo e quase acertei o centro. Ergui minhas sobrancelhas, notando que tinha ultrapassado o placar do Stark. Clint se aproximou e pegou um dardo comigo. Lá vem…

— Que ele está concentrado nos mísseis, mas os códigos estão sendo mudados, constantemente.

— Por quem? — Clint acertou o centro e, de quebra, assustou o Tony. Meu pai virou e mandou um olharzinho para o gavião, que apenas deu de ombros e saiu, lançando um olhar divertido pra mim.

— Um grupo desconhecido.

— Temos um aliado? — a pergunta de Natasha soou como uma afirmação.

— Ultron tem um inimigo, isso não é a mesma coisa. Eu pago todo o dinheiro do mundo para saber quem é.

— Não parece ser de todo ruim se está atrapalhando Ultron. — falei, cruzando os braços, esquecendo os dardos e o alvo.

— Ainda não sabemos. — o diretor continuou irredutível.

— Talvez eu precise visitar Oslo, encontrar nosso desconhecido.

— Sempre quis conhecer a Noruega. — falei, encarando Tony.

— Olha… — Natasha começou e eu virei para olhá-la. — Tá sendo um encontro ótimo, chefe, mas eu esperava que você tivesse mais do que isso.

— Finalmente alguém que concorda comigo. — resmunguei.

— Eu tenho. Tenho vocês. Eu costumava ter olhos em todos os lugares, ouvidos em todos os lugares. Vocês tinham toda a tecnologia que pudessem imaginar. Aqui estamos nós, de volta à terra, só com a nossa inteligência e vontade de salvar o mundo. — Nick falou enquanto caminhava em direção ao centro da sala. — Ultron disse que os Vingadores são a única coisa entre ele e essa missão, e mesmo que ele não admita, a missão dele é a destruição global. — há uma tensão no ar, e tenho certeza que todos estamos tendo o mesmo pensamento. O diretor não estava enganado. O pouco que vi, do pensamento problemático de Ultron, deu uma pequena amostra do que será se não tentarmos impedi-lo. — Seria o fim de tudo isso aqui. — apontou para todos. — Então, levantem-se e acabe com o safado de platina.

— O Steve não gosta desse linguajar. — Nat debochou e eu bufei uma risada.

— Sério mesmo, Romanoff? — o homem ergueu as sobrancelhas. Natasha apenas deu de ombros com um sutil sorriso no rosto.

— O que ele quer, afinal? — Fury indagou e sentou-se na cadeira.

Uma pausa curta de silêncio, antes de Steve responder:

— Se tornar melhor. — levantou o olhar para encarar a todos. — Melhor do que nós, ele fica construindo corpos.

— Não podemos chamar aquelas coisas de corpos. — falei, franzindo as sobrancelhas.

— São corpos humanoides. — meu pai se pronunciou. — A forma humana não é eficiente. Biologicamente falando, estamos ultrapassados, mas ele insiste nela.

— Quando vocês o programaram para proteger a raça humana. — Cabelo de fogo olhou o Stark. — Falharam feio.

— Apenas não faz sentido. — comentei. — Ele está tentando replicar algo que acha fraco. Que precisa de proteção.

— A raça humana não precisa de proteção. — Bruce discordou. — Ela precisa evoluir. — ele me encarava, enquanto um alarme soava na minha mente. Não foi difícil reconhecer aquela expressão no rosto do doutor, ele sempre o fazia quando descobria algo importante. Começo a seguir sua linha de raciocínio. — O Ultron está evoluindo.

— O Vibranium. — anúncio, quase sem fôlego. Banner assentiu.

— Ele está fazendo.

— Como? — a face de Fury continuou séria, mas a voz entregou sua confusão.

— Alguém aqui fez contato com a Helen Cho?

***

— Você vai visitar a gente de novo? — Cooper aproximou-se com a sua irmã a tiracolo, enquanto ela pulava ao meu redor.

— Me faz voar só mais uma última vezinha? — suplicou e dei um sorriso e abaixei-me para abraçá-la. Tão fofa, a gente da uma mão e já quer o braço inteiro.

— Na próxima, beleza? — olhei o garoto e ele andou até mim, meio sem jeito, e também me abraçou. — Tchau, crianças. — então virei para Laura Barton — Foi um prazer conhecê-la. — ela sorriu. Lhe dei um leve abraço e sussurrei: — Pode mandar a conta, por que eu acho que usei toda a sua água quente.

Ela riu e dei de ombros, tentando esconder que não estava constrangida por ter abusado da hospitalidade dos Barton.

— Bem que Natasha falou que acabaram com a água. — ela comentou com diversão.

Meus lábios subiram e não tive dúvidas de que meu rosto estava enfeitado por um sorriso amarelo, agora muito sem graça. Sem mais delongas, eu me afastei, ao tempo que Clint ia em direção a sua família. Andei até a saída da casa e encontrei meu pai e Steve, imersos em um assunto, mas ambos me olharam quando cheguei.

— Nossa carona está esperando. — Tony avisou e eu assenti, falando que logo iria. Meu pai saiu, deixando-nos a sós.

— Tome cuidado. — pedi a Steve, já que ele ficaria com o trabalho pesado. Recuperar o possível corpo que Ultron certamente construía, neste instante.

— Você também, não sabemos com quem estamos lidando, mesmo que esteja contra Ultron.

— Tenho a impressão que será uma surpresa. — abracei Steve e ele me apertou. Levantei meu rosto e olhei em seus olhos.

— Os gêmeos estarão lá. — disse, franzindo as sobrancelhas.

— Estou surpreso por não estar indo conosco. — Steve admitiu, esfregando meus braços.

— Ah, mas eu daria qualquer coisa para poder dar uns sopapos naquela bruxinha. — revirei os olhos e, em seguida, lancei um olhar no caminho que Tony tomou. — Mas eu tenho a impressão de que preciso ficar de olho no meu pai.

— Não penso que o Tony vá fazer algo… do tipo, novamente.

Sorri, sem verdadeiramente achar graça:

— Steve, meu pai é a pessoa mais teimosa dessa terra. — falei. — E ele fará qualquer coisa para proteger as pessoas. Para consertar as coisas. — suspirei pesadamente. — Estou preocupada com ele. — admiti.

— Hey! — ouvi Tony gritar, ao longe. — Tem como namorarem longe de mim, de preferência, quando o mundo não tiver uma ameaça iminente. — revirei os olhos.

— Estou indo! — gritei. — De lá, iremos direto para a torre. — avisei Steve enquanto me afastava.

— Nos encontraremos lá. — prometeu e eu beijei sua bochecha.

— Ele tá espiando. — expliquei, próxima ao seu rosto.

Dei um passo para trás e lancei um sorriso fraco. No entanto, antes de me virar, Steve segurou meu rosto firme, mas carinhosamente, e pressionou a sua boca contra a minha, arrancando todo o meu fôlego. Depois, beijou a minha testa e murmurou:

— Aposto que não está mais.

De olhos arregalados, eu ri completamente embasbacada:

— Quem é você e o que fez com o meu Steve?

O homem à minha frente apenas sorriu. Dou alguns passos para trás, balançando a cabeça e tentando desfazer aquele sorriso gigante em meus lábios, em seguida, eu viro, seguindo em direção ao jato, ainda um pouco avoada.

Foco, Sofya, foco… mas… minha nossa!

A viagem até a NEXUS foi incrivelmente rápida. Mas tive tempo de sentir um pouco do tempo frio que assolava aquele lugar e, de receber uma proposta de emprego. Ao que parece, a NEXUS tem interesse em meu cérebro. Acho que ficaram decepcionados, e nem um pouco impressionados, quando eu disse que estava seguindo o negócio da família.

Aposto que eles acham que me referi às Indústrias Stark. Pobres tolos.

Enfim, era quase o fim de tarde quando voltávamos para a Torre. Cansados, mas felizes. Eu estava mais que feliz. O nosso aliado que estava embarreirando Ultron? Jarvis. Aparentemente, enquanto pensávamos que o nosso querido Jarvis jazia no céu das inteligências artificiais, ele, na verdade, encontrava-se ativo na operação vou-ferrar-com-a-vida-do-idiota-que-tentou-me-matar. Ao menos, era assim que eu chamava o protocolo de segurança em que ele havia acionado, antes de ser atacado pelo Skynet 2.0. Protocolo esse, que meu pai pensou que havia sido destruído. Portanto, sim, Jarvis está vivo.

Aí aí. Eu senti que precisava de uma drink para comemorar esse momento, é claro, até o momento em que cheguei a torre e descobri que Natasha Romanoff havia sido pega pelo maldito Ultron.

— Hey. — encostei-me em uma parede e observei Clint focado em um rádio. Ele me lançou um olhar. — O que está fazendo?

— Natasha é esperta, sei que ela vai deixar pistas em algum lugar. Tony comentou que ela poderia entrar em contato com a gente, então eu lembrei que costumávamos nos comunicar por código morse…

— Ainda não existia o celular?

— Muito engraçada. — Clint deu um sorriso preocupado.

— Foi mal, estava tentando descontrair.

— Tudo bem. Estou tenso e quando estou assim, não consigo pensar com clareza. Valeu a tentativa.

— De nada. — o observei por mais um tempo, então voltei atrás em suas palavras. — Você disse que o Stark te mandou pra cá. — falei.

Clint ergueu as sobrancelhas:

— Não mandou, falou… — eu o interrompi.

— E ele ficou sozinho com o Bruce… — as coisas encaixaram-se na minha mente. — Merda! — sai apressadamente dali e subi os degraus até o próximo andar, onde o laboratório do doutor encontrava-se.

Entrei no laboratório e parei quando os vi atentos as telas holográficas que representavam o berço com o corpo de Ultron. Não foi difícil descobrir o que eles estavam fazendo.

— Tony! — ralhei.

Olá, senhorita Stark.

Jarvis cumprimentou e eu quase me deixei acalmar pela voz da inteligência, mas, retomei o meu ódio pelas duas pessoas, assim que encontrei o olhar descarado do meu pai.

— Ah, droga. — Bruce se remexeu.

— Ah, droga mesmo! O que vocês pensam que estão fazendo?

— Consertando os erros do passado para poder focar no futuro. — Stark deu um sorriso.

— Não use o que eu disse contra mim. — rosnei, frustrada. — Que merda id...

Tony me cortou:

— Agora é diferente.

— Diferente? — ai que raiva.

Tony sinaliza para Bruce que suspira, antes de falar:

— O corpo pode ter sido construído por Ultron, mas ainda está inativo. Até receber Jarvis. — o doutor resumiu e eu hesitei.

— Vocês querem colocar Jarvis aí dentro? — apontei para o berço. — Como sabe que a matriz operacional dele vencerá a de Ultron? Tony…

Talvez meu pai tenha visto algo em meus olhos que o incentivou a insistir um pouco mais. Mas juro que não sei o que tenha sido.

— Ultron atacou Jarvis porque estava com medo. E eu aposto que ele sabia que a nossa belezinha aqui… — acenou para o holograma do Jarvis. — Poderá vencê-lo. Ele já está fazendo.

— Você é bom. — Bruce comentou, mas foi ignorado. Stark ainda tinha toda a minha atenção.

— Isso não é uma aposta, Tony. — insisti. — É da vida de bilhões de pessoas que estamos falando. Não pode brincar de ser Deus apenas porque acha que está certo.

— Eu não acho, tenho certeza.

— Um tanto arrogante. — Banner continuou e eu lancei um olhar matador a ele, furiosa o suficiente para fazer Bruce se calar.

— Disse que confia em mim… — meu pai continuou.

— Não tava falando sério.

— … confie agora.

Há uma pausa. Eu me sinto cansada e, sinceramente, inclinada a concordar com aquilo. Principalmente, quando eu sentia os olhares daqueles dois loucos me perfurando, insistentemente. E, se houver mesmo a possibilidade de fazer a arma de Ultron voltar-se contra ele? A raiva se evapora do meu ser, restando apenas a ansiedade. Sinto meu estômago embrulhar.

— Isso é loucura. — tenho a necessidade de dizer.

— A mais completa e absurda loucura. — concordou Banner.

— É, somos loucos. — meu pai anunciou.

Eu não acredito que vou concordar com isso. Eu não acredito que vou concordar com isso. Penso tanto que minha cabeça dói. Respiro fundo, enquanto me arrependo de minhas palavras antes mesmo de dizê-las:

— O que posso fazer para ajudar?

Notas finais
O capítulo ia demorar mais pra sair, mas descidi cortar ele em dois e postar uma parte. A continuação ainda está sendo escrita, então vai haver um tempo sem postagem. Sorry. De toda forma, estou me esforçando ao máximo para trazer os capítulos o mais rápido possível, pois estamos no final. Ahhhhhh! Nem acredito, mas, sim. Reta final de The Avengers! Mais alguns capítulos, hein! Aguardem. Até a próxima. Beijos seus lindos. SaahAlyne