Notas iniciais
RETA FINAL: +2 capítulos e 2 bônus. Preparados?

Não preciso de razão, não preciso de ritmo
Não tem nada que eu prefira fazer
Partindo, é hora da festa
Meus amigos também vão estar lá
Highway to Hell — AC/DC

— Transferência de consciência em cinquenta por cento — eu falei, girando e impulsionando a cadeira a me levar até outra mesa. Fixei meus olhos no monitor e quando vi que estava tudo okay, virei para encarar Bruce, enquanto o mesmo finalizava os últimos ajustes do berço, onde o corpo de Ultron jazia.

Agora o corpo de Jarvis.

Que estranho. Nunca pensei que, um dia, Jarvis teria uma aparência. E, em instantes, ele já não será apenas uma voz fantasma.

Isso é muito, muito estranho.

E louco.

Ainda não acredito que cai na lábia do Tony.

— Essa estrutura não é compatível — meu pai avisou e eu voltei a me focar na tela.

— A torre de codificação genética está a noventa e sete por cento — Bruce falou.

— Tem que fazer upload da programação em três minutos — avisei Tony, lançando-lhe um olhar.

Foi então que ouvi a voz de Steve, profundamente irritada:

— Só vou dizer uma vez.

Droga. Virei para olhar nos olhos dele, piscando diversas vezes e da forma mais inocente possível.

— Que tal nenhuma? — Tony retrucou. Aí aí, meu pai sabe como provocar.

— Desligue, agora!

— Não, não vai rolar.

— Pessoal, que tal dialogarmos? Não há necessidade para brigar. — tentei apartar a situação, mas acabei por receber aquele olhar de Steve.

Ele tá muito puto.

— Pensei que estivesse aqui para impedi-los de cometer mais alguma tolice, não que se uniria a isso — acenou para meu pai e o doutor.

Tony bufou:

— Obrigado pela parte que me toca.

— Steve, talvez... — travei, quando tirei meus olhos dele para reparar na presença daqueles dois. — O que estão fazendo aqui? — praticamente sibilei, levantando do meu lugar em uma atitude defensiva. E se olhar matasse, a bruxa estaria caída e estirada após os olhares mortais de Bruce. Senti todo o sangue do meu corpo subir de uma vez. Minha cabeça ferveu.

A tensão na sala aumentou e todos podíamos sentir.

— Me ajudaram — Steve explicou, não muito à vontade.

— Talvez o tempo esteja finalmente te afetando, Steve, querido, mas não é assim que me lembro das coisas. — eu não estava entendendo bulhufas alguma, e encarar aquela bruxa safada estava me deixando ainda mais irritada.

— Sofya, Bruce... — Steve virou-se para Banner e apontou o berço. Senti minha cabeça doer ainda mais. — ...vocês não sabem o que estão fazendo.

— Tem certeza? — a raiva na voz do Banner foi palpável, mas quem poderia condená-lo? Eu também estava. — Ela não está na sua cabeça?

— Sei que estão com raiva... — a bendita cuja deu passo para perto de nós. O que não era o mais inteligente a se fazer, levando em conta que somente Steve parecia não querer sua cabeça em uma bandeja.

— Ah! Já passei desse ponto. — Bruce sorriu friamente e eu até mesmo me surpreendi, nunca tinha visto o homem daquela maneira. — Eu poderia estrangulá-la e nem precisaria mudar de cor.

— Depois de tudo... — Steve tentou.

— Nada é comparado ao que virá! — Tony exclamou e eu franzi o cenho. Não negaria que tinha minhas dúvidas em relação ao que eu estava ajudando fazer, mas eu me lembro da história de como tudo começou para meu pai. Sequestrado, com poucos recursos e quase nada de privacidade, ele criou uma armadura que o salvou e que o fez do que é hoje. Não foi apenas o seu discurso que me convenceu de que podíamos por Jarvis no corpo que seria de Ultron, foi o próprio Tony. Eu confiava mais nele do que deixava que soubesse.

— Não sabem o que há lá dentro. — Wanda falou.

— Ah. E você sabe, não é? — debochei. — Até momentos atrás estava discursando seu ódio pelo Stark e bagunçando nossa mente.

— Eu estava errada.

— E está agora, o corpo que Ultron fez não vai desaparecer como fumaça, mas talvez tenhamos uma vantagem sobre isso. Usar a própria arma contra ele. — apontei o berço, olhando diretamente para Steve.

— Isso não é um jogo. — a garota revidou e eu voltei a encara-la, minha raiva em força total.

E, enquanto discutíamos, totalmente imersos naquela onda de raiva e rancor, Pietro Maximoff usou nossa distração e a sua velocidade para desligar cada uma das máquinas ligadas ao berço. Fio por fio.

O ambiente foi tomado pelo silêncio e o loiro sorriu desdenhoso para o meu pai:

— Não, não. Continue. O que estava dizendo? — acenou ao tempo que um tiro soou, levando o Maximoff a desabar cômodo abaixo.

— Pietro! — Wanda exclamou e se precipitou até onde o irmão estava. Essa foi a minha deixa para agir. Entrei em sua frente e fiz que não com o dedo indicador, enquanto estalava a língua.

— Não dessa vez, bruxa.

— Estou direcionando upload. — ouvi Tony dizer.

Uma luta se iniciou e eu me deixei levar pelo momento, socando o rosto da Maximoff. Venho tentando ganhar o costume de cumprir minhas promessas, e eu tinha dito que a socaria se tivesse a oportunidade, então...

Wanda cambaleou para trás e Bruce circulou o braço em volta do pescoço da ruiva, até que ela atirou seus raios vermelhos fazendo o doutor voar longe.

Nesse meio tempo, Thor voltou de Nárnia, e eu só descobri isso por que ele pulou em cima do berço, com o seu jeito dramático de ser. Ele adora chegar causando. E todos paramos no meio da nossa briguinha pra ver o deus direcionar o Mjolnir para o alto. Meu coração palpitou loucamente, enquanto assisti raios circularem o local. Os computadores apitaram e, então, cacos de vidro explodiram por todos os cantos. Abaixei-me para não ser atingida e quando tudo se acalmou, ergui o olhar.

O corpo, antes inerte dentro do berço, se levantou.

Paralisei, encarando aquela forma de vida. Sim, sei que contribui para que aquilo acontecesse, mas as coisas são diferentes quando o esperado realmente acontece.

Como se sentisse a hostilidade que o rodeava, o ser jogou-se contra Thor e o deus o lançou para longe, atingindo uma parte de vidro que se estilhaçou. Pobre infeliz quem for limpar essa bagunça. Corri atrás do ser e soube que todo o resto do pessoal fazia o mesmo. Silenciosos e tensos. No andar debaixo, encontramos Thor e Steve já presentes, junto daquele ser na qual eu não sabia do que chamar. Ele não era Ultron, disso eu tinha certeza, como eu nunca tive em toda a minha vida, então, eu deveria chamá-lo de Jarvis? Minhas dúvidas foram deixadas de lado quando ele, enfim, levitou até alcançar o chão próximo a Thor e murmurou:

— Eu sinto muito, isso foi... estranho, mas obrigado. — agradeceu, olhando o deus nórdico com atenção e curiosidade. Instantes depois, e uma armadura e capa se materializaram em volta de seu corpo em uma réplica não idêntica ao que Thor trajava.

Ergui as sobrancelhas, bastante impressionada:

— Isso foi bem exibicionista — comentei.

— Thor — Steve chamou — Ajudou a criar isso?

— Eu tive uma visão. Um redemoinho que suga toda a esperança de vida... e o centro é aquilo — apontou para a gema sobre a testa do ser.

— A gema? — Bruce deu um passo a frente.

— É a joia da mente — Thor explicou. — Uma das seis joias do infinito. O maior poder do universo com maior capacidade destrutiva, incomparável.

— E porque trouxe...? — Steve foi interrompido.

— Por que Stark está certo.

— Sem dívidas, é o fim dos tempos — Bruce comentou.

— Os Vingadores não podem derrotar Ultron. Não sozinhos — o ser caminhou até o centro.

— Por que a sua Visão soa como Jarvis? — Steve perguntou.

— Reconfiguramos a matriz do Jarvis... para criar algo novo. — Tony aproximou-se dele.

— Já atingi a minha cota de coisas novas.

— Vocês acham que sou filho de Ultron — afirmou a Visão. Gostei do nome. Soa melhor do chamá-lo de Jarvis. Ele não parecia com Jarvis. Seu tom de voz não soava mecânico. Era... quase... humano.

— E não é? — Rogers retrucou.

— Eu não sou Ultron. Eu não sou Jarvis. Eu sou. Eu sou — meus olhos continuavam firmes nele. Sim, sem dúvidas ele não é qualquer coisa que esperávamos que fosse.

Talvez isso fosse bom.

— Olhei a sua mente... — a bruxa se direcionou a ele. — ... e vi aniquilação.

— Olhe de novo.

Eu bufei e Clint riu:

— O selo de aprovação dela não significa nada pra mim.

— Os poderes deles, os horrores na nossa cabeça, o próprio Ultron... tudo veio da jóia da mente. E não é nada comparado ao que ela pode fazer. Mas com ela do nosso lado...

— Ela está? E você? — Steve olhou o ser. — Está do nosso lado?

— Acho que não é tão simples — o Jarvis que não é Jarvis, respondeu.

— É melhor se tornar simples bem rápido. — Clint avisou.

— Eu estou do lado da vida. Ultron não está, ele vai acabar com tudo — suas palavras me causaram um frio que me arrepiou todinha. E não de um jeito bom. Caramba. Nós realmente lutaremos contra um robô lunático.

— O que ele está esperando? — perguntei.

Visão me encarou, então voltou-se para todos os outros Vingadores.

— Vocês.

— Onde? — Banner indaga.

Clint responde:

— Sokovia. Está com a Nat lá também.

— E se estivermos errados sobre você? — Banner circula Visão — E se você é um monstro que Ultron construiu?

Às perguntas de Banner me deixam nervosa. Se eu tiver ajudado a criar a nossa destruição... não. Interrompi aquela linha de raciocínio. Havia algo que me induziu ajudar Tony. Um pressentimento. E não acho que tenha sido ruim.

— O que fará? — a tensão aumenta, gradativamente. Ninguém dos Vingadores sabia exatamente o que faria. Mas, sem dívida, sei que lutariam, como sempre foi — Eu não quero matar Ultron. Ele é único. E está sofrendo muito... — pobre sofredor. Pensei com desdém. — ...mas esse sofrimento vai tragar toda a terra, por isso, ele deve ser destruído. Cada forma que ele construiu, cada traço da sua presença está na internet, temos que agir agora. E nenhum de nós fará isso sem os outros. Talvez eu seja um monstro, acho que eu não saberia se fosse. Não sou o que vocês são, nem o que planejaram. Então, talvez não haja como fazê-los confiar em mim. — e, então, ele segurou e levantou o Mjolnir. — Mas precisamos ir — e o entregou a Thor.

Assim como todos, Thor ficou longos segundos apenas encarando o martelo, pasmo demais para falar ou reagir.

— Eu não sei os outros — sou a primeira a dizer algo — Mas, cara, eu confio.

— Tudo bem. — Thor assentiu freneticamente. — Vamos lá.

E saímos, sob o aviso de Steve:

— Três minutos, se preparem.

***

Estava com dificuldade em conseguir subir o zíper da parte interna da minha roupa, quando a sombra dele tapou a iluminação. Ergui a cabeça e subi meu olhar até encontrar seus olhos, então acenei para que saísse da frente da luz. Steve foi para o lado.

— Quer ajuda?

— Não, eu consigo — tentei mais uma vez, mas parecia emperrado. Cacete. Ótimo, legal. Quebrei o uniforme novinho que o Tony tinha acabado de me dar.

— Posso tentar? — pediu, novamente, com ar de riso. Bufei um pouquinho por que eu queria ter feito aquilo sozinha, mas virei e Steve não precisou de muito esforço para subir o zíper que eu estava me matando pra fechar.

— Essa merda... — praguejei para a roupa e voltei-me para ele. — Obrigada, Steve — pus uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. Notei quando seus olhos seguiram o movimento e ele sorriu fracamente — O que foi?

— O que?

— Está com uma cara estranha — dei de ombros — Não tá puto por que te provoquei naquela hora, né? Estávamos todos exaltados.

— Ah, quando me chamou velho? — ele cruzou os braços e ergueu as sobrancelhas.

— Não foram essas as palavras, mas... Pera, você tá mesmo chateado? Por que eu não...

Droga, sabia que tinha falado merda. Mas eu sempre tive a sensação que esse assunto fosse algo resolvido entre nós. Nunca me incomodei com a idade real de Steve e ele também nunca me pareceu incomodado, fora que, vamos ser sinceros, Steve consegue dar de dez a zero em muitos jovens que eu conheço. Então, sim, eu estava sem jeito e com medo de ter magoado meu namorado.

— Não estou chateado — ele garantiu, rindo.

O encarei por mais um tempo, apenas para ter absoluta certeza, e, quando a obtive, bufei.

— Sabia que você é bom demais? — como ele consegue ser tão de boa? Saco.

A expressão de Steve tornou-se confusa:

— Você está chateada porque eu não fiquei chateado? Sofya... — ele maneou a cabeça, desacreditado — Eu tento, mas acho que jamais irei entendê-la — eu dei de ombros, por que se nem eu me entendia, como ele o faria? — Olha, você fez o que pensou estar certo...

— Eu estava — o lembrei.

Ele riu.

— É, mas tinha certeza? — não, mas Tony faria aquilo com ou sem a minha ajuda. Pensei, dando de ombros — Depois de Tony criar Ultron, me surpreendeu você ter o ajudado.

— Eu sei, sou hipócrita pra caralho por que julguei Tony e depois o ajudei, mas... eu tive uma sensação de que aquilo tinha que acontecer, sabe? O Visão, digo.

— Não posso dizer que a entendo, mas te respeito mesmo não concordando. Gosto de sua determinação, foi um dos motivos na qual me apaixonei. — Steve sorriu e meu coração deu uma palpitada mais forte. Ai ai. Me sentei em seu colo para abraçá-lo — Jamais te impediria de seguir seus instintos. Sei que faria o mesmo por mim.

— Eu não te mereço, sabia?

Passei a mão por seu rosto, mergulhando no azul das suas íris. Eu amava demais esse homem, por Deus!

— Não diga bobagens — me repreendeu, colando seu corpo no meu que me desconcertou. Engoli em seco e ele também me pareceu afetado. Tive que refrear a vontade de beijar aquela boca. Aquieta o fogo, mulher. Pensei. O olhar dele estava preso no meu, e assisti enquanto Steve esquadrinhou meu rosto antes de tocar seus lábios nos meus, levemente. Somente um selinho. Respirei fundo para não abrir minha boca e deixar que sua língua se misturasse com a minha, acidentalmente — Te amo — ele sussurrou, ao se afastar.

— Amo você — eu disse com o rosto no seu. Suspirei, mais uma vez — Vai dar tudo certo. — disse, sabendo de suas preocupações. Eu podia ver o quão tenso Steve tava desde o momento em que voltou e, então, o circo pegou fogo, o que parece tê-lo deixado ainda mais tenso. — Vamos vencer.

Ele assentiu com o cenho franzido e levantamos indo nos juntar aos outros, no entanto, parei ao ouvir Steve me chamar:

— Sofya?

— Hm?

— Quando chegarmos em Sokovia, só... tome cuidado. — pediu e concordei — E, se algo der errado... eu, apenas vá embora.

Meus olhos arregalaram e pressionei meus lábios em uma linha fina, enquanto desviava meu olhar. Que? Eu jamais poderia fazer isso e ele sabia. Como eu poderia fugir quando já o fiz por tanto tempo? E aqui e agora, tudo o que eu mais desejava era ficar e lutar ao lado dos que eu amava. Fugir não era uma opção.

— Steve... — maneei a cabeça

— Sei que não posso te pedir isso, eu apenas não... não estou com um bom pressentimento — admitiu, incomodado.

— Estamos indo lutar contra um robô maluco, me diz quem teria um bom pressentimento sobre isso — abri um sorriso, mas pareceu não funcionar. E eu vi, por trás de toda a preocupação de Steve, vi medo em seus olhos. Meu coração se contorceu dolorosamente, porém, ainda sim, não pude jurar algo que não cumpriria. Estava deixando esse tempo de falsas promessas para trás. — Não posso fazer isso, Steve.

Ele suspirou e balançou a cabeça, passando a mãos por seus cabelos:

— Imaginei que diria algo assim — um esboço de um sorriso, foi tudo que tive do meu herói e eu quis abraçá-lo — Não me custava tentar — admitiu e segurou meu rosto. Deixei-me levar e fechei os olhos, amando o carinho. Ele tocou minha testa com os lábios e, então, inclinou-se para o lado para beijar minha têmpora, bochecha e, por fim, meus lábios. Apenas um toque, mas que me fez suspirar rendida. — Vamos? Acho que já estão todos prontos. — Seu estado de espírito sendo mudado tão bruscamente me atordoou.

— Certo — confirmei, mas permaneci em meu lugar, encarando-o. — Ultron pensa que somos monstros — tive sua total atenção. — Vamos mostrar a ele que está errado — senti que ele precisava daquelas palavras.

Steve apertou-me uma vez, antes de. seguir para encontrar o restante da equipe.

***

A viagem até Sokovia foi tensa, primeiro por que usamos todo o tempo restante para confirmar as posições de cada um. Clint ficaria no alto como nossos olhos. Bruce e Thor iriam atrás de Natasha. Meu pai, junto do visão, seriam responsáveis por encontrar Ultron, enquanto Steve, os Maximoff e eu nos encarregaremos de evacuar toda cidade.

Minutos antes de pousar, foi que Steve então olhou nos olhos de cada um de nós, se prendendo em mim por um período mais longo, me deixando com a respiração acelerada. Vamos vencer. Sussurrei em sua mente em uma carícia suave. Ele balançou a cabeça, antes de falar.

— Ultron sabe que estamos indo. É provável que recebamos chumbo grosso. Foi pra isso que viemos, mas as pessoas de Sokovia, não. Então, nossa prioridade... é tirar todos de lá. — sua voz era firme, sem nada do medo anterior. — Eles querem viver em paz e isso não vai acontecer hoje, mas podemos nos esforçar para protegê-los. E, podemos cumprir a missão. Vamos descobrir o que Ultron está pretendendo, achar Romanoff e tirar os reféns do local. Mantenham a luta entre nós. Ultron pensa que somos monstros — e, nesse momento, ele olhou nos meus olhos. Quase cobrei os direitos autorais, mas, dessa vez, decidi ficar calada — Que somos o problema do mundo, desta vez, não tem a ver apenas com derrotá-lo, tem a ver com ele estar certo ou não. Vamos mostrar isso a ele.

Desci do Quinjet e segui por um quarteirão, passando em lojas, casas e apartamentos, instruindo a todos que seguissem pela ponte pra fora da cidade. As escolas estavam tendo aulas e eu me estressei com o diretor, que negou por um bom tempo evacuar a escola, mas, no fim, um ônibus escolar já se enchiam de adolescentes assustados.

— Vão pela rua principal até a ponte — avisei o motorista que assentiu, olhando-me estranho.

Só fui descobrir a razão disto após ouvir o sobrenome Stark sair da boca de uma das crianças. Ah, ahhh. Meia hora depois e as ruas já se enchiam de pedestres, indo em direção a saída da cidade. Algumas pessoas discutiam, mas fora isso, estava tudo muito tranquilo, tanto que eu estava estranhando. Encarei Rogers do outro lado da ponte, e ele pareceu compartilhar desse mesmo pensamento.

Pelo comunicador fomos avisados de que Natasha tinha sido encontrada, justo no momento que o chão pareceu se abrir e os malditos robôs surgiram, sobrevoando a cidade e aterrorizando a todos. Irônico. Pensei. Eles parecem mesmo uns diabinhos.

— Vão! — Steve incitou as pessoas a correr, iniciando uma luta contra três deles enquanto eu ajudava e apressava os civis para longe dali.

Vi um casal rodeado tentando proteger seu filho e corri até alcançá-los. Esmaguei e lancei longe os robôs, gritando para que a família corresse. Eles não precisaram de outro incentivo. Passei os próximos momentos assim; ajudando as pessoas a saírem da cidade e lutando contra as máquinas, impedindo-as de machucar alguém. Eu corria quando dois deles vieram até mim, preparei-me, mas não foi necessário. Um zumbido passou pelo meu ouvido e derrubou os legionários. Um terceiro desgarrado brotou de nárnia e retirei minha arma do coldre, indo em sua direção, porém, cambaleando no processo quando o ligeirinho passou bem minha frente, soltando um riso da minha cara de idiota.

— Tão engraçado — revirei os olhos, tornando a luta e tive a sensação de estavam nos engabelando, quando parte da cidade decidiu bater as asinhas. — Puta merda! — exclamei, erguendo as mãos a tempo de impedir que muitos civis fossem levados e soterrados. Liguei o comunicador — Gente... me digam que estou tendo um pesadelo, por favor.

Meu pai respondeu num tom cansado:

Infelizmente, você está bem acordada.

Ouvi alguns gritos apavorados daqueles que se viam flutuar, confusos, antes de me ver, e eu sobrevoei com um grupo grande de pessoas até o outro lado da ponte que ainda estava no chão. Alcei voo assim que eles estavam em segurança.

Lá de cima, a visão que eu tinha era o cenário da mais completa destruição. Por todos os deuses existentes! Voei quase batendo em um prédio desabando, em parte pela minha falta de prática, mas também pelo desespero. Com a vista privilegiada que eu tinha do alto, não foi difícil achar Steve combatendo dois legionários, enquanto eu ajudava o restante do pessoal que fugia de cair da altura que a cidade se encontrava, como também de ser esmagados pelos prédios e casas que ruíram a nossa volta.

Então a voz de Ultron ecoou por cada canto daquela cidade, usados os malditos robôs como porta-voz:

— Estão vendo a beleza disso? O inevitável. Vocês se erguem para cair depois. Vocês, Vingadores, são meu meteoro, minha espada certeira e terrível... e a terra irá rachar com o peso da sua derrota. Expurguem-me de seus computadores... usem meu próprio sangue contra mim. Não significa nada. Quando a poeira baixar, a única coisa viva neste mundo será de metal.

Estar no alto me fez um alvo fácil das máquinas quando a mensagem chegou ao fim, bom, isso é, até eles se aproximarem. Sem controlar ou reprimir, eu baixei meus escudos mentais a emanar uma energia que estraçalhou todo o grupo que aproximava-se. Sobrevoei pela cidade, lutando, e encontrei a tempo de assistir ele ser lançado violentamente para cima de um carro.

Pessoal, inimigos chegando na ponte.

Ouvi meu pai avisar enquanto eu pisava no chão, bruscamente, curvando um pouco os joelhos.

Já chegou— Rogers respondeu, enquanto vou atrás da máquina responsável pelo ataque, comtemplando a filha da mãe numa tentativa de fugir. A compresso até torna-la numa sucata. Ninguém mexe com o meu homem!

Tudo bem? — perguntei e ele assentiu no que concordei. Vidros de um prédio acima de nós se quebram e praguejo, desviando os cacos da gente.

Steve levanta de cima do carro, ofegante:

— Stark, cuide de levar a cidade de volta em segurança — afastei-me, tranquila por ele estar bem — Nós temos uma tarefa... — agora eu só o ouvia pelo comunicador — Despedaçar essas coisas. Se vocês se ferirem, revidem. Se morrerem, ignorem e sigam.

— Mas, de preferência, não morram — falei, antes de desligar o meu lado da comunicação — Quanta positivida... — ia resmungando, mas fui atingida por um dos legionários, que lançaram-me rumo a nárnia. Lembrei que eu tinha duas facas de arremesso presa na cintura e não tardei em pegá-las, enfiando no pescoço do robô psicótico.

Trinquei o maxilar enquanto forçava minha mão nos fios do pescoço da máquina e arranque-lhe a cabeça com a supervisão dos meus poderes. Foi assim que lembrei que era a máquina quem estava nos mantendo no ar e não eu.

— Merda! — graças a Deus não estávamos muito no alto, mais a caída foi dolorosa e o peso do metal em cima de mim fez todo o ar fugir do meu pulmão. Tossi, virando o rosto a tempo de enxergar uma mulher de cabelos castanhos abraçada a três crianças. Todos me encaravam com os olhos arregalados repletos de terror e medo. Isso me tirou do sério. Maldito Ultron!

Joguei a sucata pro lado e fui até eles, erguendo as mãos:

— Oi, tudo bem — tentei tranquiliza-los — Venham comigo, vou tirar vocês daqui.

Não dava para levá-los para o outro lado da cidade, o lado seguro, tendo as máquinas ainda no ar, então, procurei por algum abrigo que não estivesse desabando. Deixei a mulher e as crianças em segurança e segui para ajudar os outros. Acabo por parar ao lado de Wanda, Pietro e Clint, ajudo-os contra um grupo de sete legionários que atacavam um bando de policiais armados.

— Essas coisas não acabam nunca? — resmunguei, arrancando os fios do peito de um e partindo outro ao meio. Dou mortal quando um tiro quase me atinge e elimino o responsável junto de mais outras duas máquinas.

A próxima onda vai nos atingir a qualquer minuto. Pensou em algo, Stark?

Nada de bom. Talvez uma forma de explodir a cidade. Impedirá o choque com o solo, se conseguirem sair.

Pedi uma solução, não um plano de fuga.

Travei no no lugar por um breve instante, mas não por muito tempo. Explodir? Temos crianças aqui. É o que penso em dizer, mas não pronuncio uma palavra. Do que adiantaria? Ainda não teria nada que pudéssemos fazer. Talvez eu pudesse voar com alguns civis, mas não todos. Droga, droga, droga.

O raio do impacto aumenta a cada segundo. Temos que fazer uma escolha.

— Essas pessoas não vão a lugar nenhum — reconheci a voz de Natasha — Se Stark achar um jeito de explodir a rocha.

— Não até que todos estejam a salvo.

— Todos aqui em cima contra todos lá em baixo? A conta é fácil.

— Não sairei daqui enquanto houver civis.

— Eu não disse que devíamos sair. Há formas piores de morrer... onde mais eu teria uma vista dessa?

Franzo as sobrancelhas ao notar a desistência na voz de Natasha. Eu, pronta pra brigar que não deveríamos desistir quando Nick Fury surpreende em falar conosco através do nosso meio de comunicação.

— Que bom que gostou da vista, Romanoff.

— Vai ficar melhor agora.

Abri um sorriso, olhando Clint que me devolveu o mesmo olhar. Um enorme aeroporta-aviões tomou conta do céu e eu assisti Pietro Maximoff arregalar os olhos, aproximando-se da beirada da cidade no ar.

Mandou bem, Nick! — ri alto, aliviada pra cacete. Achei que eu ia passar a vergonha de dar uma de Sid de a era do gelo, gritando: Nós vamos morrer!

Pietro correu em direção aos aeroporta-aviões e Clint e eu o seguimos, não veloz quanto, obviamente.

— Legal, né? Peguei no deposito com a ajuda de velhos amigos. Empoeirado, mas dá pro gasto.

— Fury, seu desgraçado.

Steve? Arregalei os olhos, meio rindo meio bufando pela corrida desenfreada.

— Uhum, você beija a sua mãe com essa boca, Capitão?

Não, mas beija a minha — disse, sorrindo. Nós vamos viver! Sabia que ia dar tudo certo, nunca duvidei, e quem disser o contrario estará mentindo.

Os Porta-Aviões pousaram e todos nos apressamos em levar as pessoas para dentro, tirando-as da cidade no ar, no entanto, tivemos que deixar que os agentes tomassem conta da situação, seguindo na direção onde Tony avisou estar o núcleo que a criação psicopata dele ameaçava usar para destruir a terra. Tony tinha um plano. Proteger o núcleo, impedir que o Sky... opa, Ultron chegue até o mesmo. Hulk foi o ultimo a se juntar a nós, e quando vi, estávamos todos os Vingadores, e eu, frente a frente com Ultron, mais uma vez.

Pela ultima vez. Eu esperava.

— É o melhor que pode fazer? — Thor gritou. O que eu não achei muito inteligente e minha tese foi comprovada quando todas, todas as maquinas controladas pelo maluco nos cercaram. Esses merdas são como baratas. Pensei, engolindo em seco. Parecem nunca acabar.

Ultron ergueu os braços estilo Rose e Jack em Titanic. O jeito espalhafatoso de Tony, sem duvidas, ele puxou.

— Você tinha que perguntar — Steve repreendeu o deus nórdico com o olhar.

Isso é o melhor que posso fazer. É exatamente o que eu queria, todos vocês contra mim. Como ainda acham que podem me deter?

— Você, com certeza, não puxou a inteligência Stark, né maninho — o deboche foi mais forte do que eu.

— Como o velhinho disse... — Tony encarou Ultron — Juntos.

A sucessão dos fatos seguintes foram meio bagunçados: todos nos entreolhamos, Hulk berrou e as maquinas nos atacaram com violência. Subindo pelas paredes, parecendo uns cosplay da velha demoníaca de Legião, faltava somente o Paul Bettany para dar uma de fodão da porra toda. Lutei, lutei com todo o meu folego. Atacando, defendendo, caindo, levantando, estraçalhando cada maldita maquina. Ainda lutava quando algumas delas levantaram voo para longe, para fugir. O filho da mãe sabia que estava perdendo. Alcancei dois desgarrados e os separei ao meio. Todos os outros fizeram o mesmo para não deixar nenhuma maquina escapar, mas um grupo conseguiu êxito.

— Vão tentar sair da cidade — Thor falou o obvio.

— Não podemos deixar, nem mesmo um — e eu estava preparada para ir atrás dos desgraçados quando ouvi o nome de Rhodes sair da boca do meu pai. Okay — Rhodey — Visão também de ir atrás dos desgarrados e o som de explosões foram mais que o bastante para mim.

Steve virou-se para nos encarar, pairando a atenção em mim:

— Temos que ir, o ar está ficando rarefeito. Entrem nas naves.

— Você não vem? — estranhei.

— Vou procurar os perdidos, vou em seguida.

— E o núcleo? — Clint indagou.

— Eu protejo — Wanda disse, determinada, virando-se para Clint ao dizer: — É o meu trabalho.

O arqueiro assentiu e chamou Nat, eu me virei para olhar meu namorado que me aguardava:

— Não demore.

Steve assentiu, beijando meus lábios. Me afastei, logo depois, e segui os ex's agentes, tentando não me preocupar em deixar o meu herói para trás.

— Steve sabe se cuidar — Clint bate no meu ombro e eu dou um sorriso amarelo.

— Não duvido disso.

Encontramos um carro guerreiro sobrevivente das inúmeras demolições e Barton fez ligação direta. Nossa ida até os Aeroporta-Aviõe foi rápida, seguida de uma conversa sobre uma reforma na casa de Clint, mas me mantive em silencio. Saímos do carro e corri para auxiliar os agentes a levar o restante do pessoal em segurança, sendo seguida pelo arqueiro, enquanto Romanoff ia atrás do Banner.

Ajudei uma senhora a entrar, ouvindo o choro de uma mulher, sentada no chão, que chorava, copiosamente:

— O que?

Costel, estávamos no mercado — ela tremia — Costel! — e eu levantei o olhar para encarar Clint.

— Estou vendo ele — avisou — Deixe que eu vou, me cobre.

Concordei e ergui o corpo, o seguindo ao longe, olhando para os lados com receio. Clint estava a poucos metros de mim quando a nave surgiu atirando desenfreadamente, seguindo caminho em direção ao arqueiro e o garoto. Eu não pensei, apenas corri, arregalando os olhos enquanto assistia Clint virar o corpo, usando-se de escudo para proteger a criança. Meu coração disparava loucamente enquanto eu erguia as mãos e criava um escudo, suando ao sentir o impacto das balas e lançando uma rajada de poder contra a nave. Ela perdeu o controle, caiu e explodiu. Eu virei para contemplar o olhar surpreso do Barton, assim como o de Pietro.

Pietro. O encarei com estranheza, mas não tive tempo de pensar em nada, apenas respirei fundo e ofegante, assustando-me ao sentir as mãos de Steve em meu rosto. Ele me examinava, muito assustado e só então percebi que me chamava.

— Amor? — seu tom era quase desesperado — Respira, foi atingida, Sofya?

— Eu tô legal, Steve, tô bem — afirmei, fitando-o — Estou bem.

Ele me puxou e abraçou, então levou-me de volta, enquanto Clint entregava o garoto deixando-o no colo de uma mãe chorosa e agradecida. As ultimas pessoas foram entrando e com o corpo completamente doido, eu me joguei em uma cadeira, o ligeirinho de um lado e Barton do outro. Nossa situação precária poderia ser descrita como a cara da derrota se não tivéssemos vencido. Minuto depois, eu não vi, mas senti o tremor de quando a cidade, enfim, desabou em direção a terra. Levantei a cabeça, preocupada, mas suspirei aliviada quando achei Steve na beirada a olhar para baixo.

Uma explosão fez todo o Porta-Aviões estremecer e, nós três, em uníssono, soltamos o ar.

— Quando chegar em casa vou pedir um bela pizza de mussarela e frango crocante — pensei alto.

— Hot dog — Clint sorriu, cansado.

— Bifana no pão — o ligeirinho disse sorrindo, com aquele sotaque cheiro dos erres.

Dou uma risada fraca, antes de indagar:

— O que é isso?

— Carne de porco no pão francês.

— Porco... — neguei, fazendo uma careta — Não.

— Fico com o meu hot dog — Barton me apoiou.

Rimos, podendo enfim respirar aliviados.