Cada olhar, cada toque
Me faz querer te dar meu coração
Eu estou apaixonada por você, querido
Ariana Grande — Moonlight

UM MÊS DEPOIS

Eu nunca namorei sério. Tive minha cota de namoricos no primeiro ano da faculdade, mas nunca passei de beijos, amassos e mãos bobas. Isso foi um dos motivos que fez Daniel Sherman, meu lance da época, terminar comigo: eu simplesmente não quis transar com ele. Imbecil. Nunca um término me fez tão feliz em toda a minha vida. Lembro dele mandar uma mensagem querendo conversar comigo e eu tinha entrado em choque, achando que o idiota planejava algo como me apresentar para a sua família ou alguma merda assim, mas, para meu alívio e saúde mental, ele apenas queria terminar. Acreditam se eu disser que ele ficou indignado quando eu apenas ri e soltei um graças a Deus, sem querer?

Ego ferido é foda.

Enfim, eu tinha problemas demais na ocasião, nossa relação não me fazia bem. Ele somente queria saber de festas e bebidas e eu estava tentando me livrar do rio de merda que me enfiei, após a suposta morte de Lígia, mais conhecida como minha mãe, a mulher que fingiu a própria morte e deixou a filha sofrer sozinha... mas, esse é assunto pra outro momento. Depois que terminamos, nunca mais andei com a turma dele e foi assim que os problemas financeiros de Lígia vieram a tona. Eu voltei a fazer trabalhos ilegais pela internet e nunca mais me relacionei com nenhum outro homem, claro, até Steve. O homem que ganhou meu coração desde o primeiro minuto sem eu ao menos notar. E, pela primeira vez... mentira, pela milionésima vez desde que começamos a namorar, eu penso que finalmente quero fazer sexo.

Não se enganem, não sou o tipo de garota que fica esperando o príncipe encantado num cavalo branco, não. Já tive desejo sim de ir em frente, mas nunca me senti a vontade o suficiente, nunca confiei em nenhum homem para ter comigo um momento tão intimo e vulnerável. Não julgo quem transa com vários caras, mas, pra mim, sexo é confiança, e não é todo mundo tem isso de mim.

Steve tem. Meu subconsciente murmura, malicioso, e não pude deixar de balançar a cabeça, concordando. É, ele tem. Acordei para a vida ao notar a expressão nervosa de Pepper Potts, minha madrasta.

— Tem certeza que vai ficar bem? Podemos adiar e...

— Tony tem me azucrinado bastante, sabia? — cruzei os braços — Aceitei os seguranças, vou ligar todas as noites, tô indo morar com um bando de gente cheio dos poderes — não que eu esteja reclamando do último tópico. Penso, evitando um sorriso — E, principalmente, não vou ficar sobre o mesmo teto que vocês. Aproveitem, vocês acabaram de noivar, merecem um tempo a sós. Eu vou ficar bem — aliviei minha expressão, querendo tranquiliza-la.

— Tá bom, respira Pepper — ela disse a si mesma, e eu tive que comprimir os lábios para não rir — Tá, me manda uma mensagem assim que chegar ao complexo.

— Happy vai me levar e prometo mandar.

— Está levando camisinha? — engasguei com minha própria saliva, dando uma risada fraca e revirando os olhos, mas sabendo que meu rosto se encontrava todo vermelho, neste instante. Do nada, porra...

— Por favor...

— Por favor o que? Sei que você e já Steve devem ter...

— Não — neguei, constrangida.

— Não?

— Não, ué.

— Certo — Pepper me fitou com atenção e eu lutei bravamente para não desviar o olhar — Mas vai — não foi uma pergunta.

— Eu... hmm... Argh, sim, eu quero, acho que ele também. A gente quase transou na última vez que nos vimos — admiti, ainda irritada pela situação que passei a dois dias atrás.

Depois de resolver com Tony de que morar no complexo Avengers — durante o tempo que ele não estiver — ser mais seguro, eu fui me encontrar com Steve em seu apartamento, ex apartamento, agora que morava no complexo. O que ocorreu foi que num momento estávamos conversando e no outro eu já me encontrava em cima do balcão da cozinha, com Steve entre minha pernas. Cacete, eu mal consegui dormir depois desse dia. Não era a primeira vez que íamos tão longe, mas a primeira que eu soube que não pararíamos, claro, se não nos tivessem atrapalhado. Eu estava nua na parte de cima do corpo, tinha ajudado Steve a arrancar a sua quando Natasha Romanoff pegou a gente. Filha da... Não ouvimos ela entrar e... porra! Foi tenso demais, e eu odiei Romanoff como nunca.

Ainda consigo sentir as mãos de Steve apertando minhas coxas, seus lábios correndo pelo meu pescoço, lentamente. Sua pele quente colada a minha, sua respiração ofegante. O incomodo no meio de minhas pernas.

Respira, inspira.

— Não terminou bem — Pepper adivinhou, analisando meu rosto que talvez transmitisse o tamanho da minha frustração. Pois é, né, culpa de quem? Quis dizer, mas respirei fundo segurando o ímpeto furioso.

— Natasha tava ajudando ele na mudança, entrou bem na hora e pegou a gente, foi horrível — revirei os olhos, tentando não lembrar o tamanho da minha vergonha.

Ao invés de me apoiar e sentir pena da minha pessoa, tudo que Pepper fez foi rir. Madrasta melhor, não tem!

— Pepper!

— Desculpe, desculpe — pediu, pressionando a mão sobre a boca — Eu só... sua expressão, desculpe querida...

— Não é engraçado.

Certo... Mas vocês tinham que transar na cozinha justo no dia da mudança?

— Uma coisa levou a outra e eu não sabia que ela tinha marcado de aparecer lá — me defendi — E Steve... bom, acho que esqueceu.

Pepper tossiu e eu bufei. Ótimo, tinha virado motivo de piada.

— Então... — seu tom mudou e imaginei que fosse mudar de assunto, no que eu agradeceria e muito. Não foi o caso — Você...? — levei alguns segundos para entender o que ela queria saber e balancei a cabeça.

— Sim — confirmei, quase indiferente. Virgindade pra mim nunca foi um problema. Não tenho medo da tal dor e acho que isso faz parte de estar pronta.

— Como se sente com isso?

— Eu quero, Pepper — dou de ombros, desviando o olhar — Há muito tempo, mas não é só o meu tempo que estou respeitando.

— Steve.

— É, acho... não, sei que ele quer o mesmo que eu, mas quero que ele tome a iniciativa, sabe?

— E acha que ele não vai tomar? — foi uma pergunta, uma suposição, não sei dizer.

— Acho que Steve é de um tempo diferente do meu, mais conservador, que tem ideais e pensamentos diferentes dos meus, e, mesmo assim ele é sempre muito compreensivo comigo, sabe. Quero ser assim para ele também. Não vou morrer se esperar um pouco mais, estou indo muito bem até agora — abri um sorriso.

Pepper assentiu, compreensiva. Acho que ela tinha realmente me entendido e me aliviei.

— Ele claramente te ama e vocês morando sobre o mesmo teto... — minha madrasta sorri balançando as sobrancelhas, zombeteira — Tudo pode acontecer.

— Profetiza — brinquei, rindo alto e sendo acompanhada por Pepper.

— Mas não esqueça da camisinha! — ela lembrou.

— Estou levando na mala — por que se não for para ir dormir sobre o mesmo teto que o meu namorado preparada, eu nem ia.

Inclinei a cabeça e minha madrasta me abraçou. Devolvi o gesto carinhoso, apertando-a, feliz por ter tido aquela conversa com ela, porém, o fechei quando a ouvi fungar e me afastei.

— Pepper?

— Ah, estou bem, estou bem... só é muita emoção, sabe — diz, olhando o anel de diamante no dedo — Fico lembrando de quando nos conhecemos e, toda essa história de casamento, me deixa emotiva, não liga pra mim.

— Estou muito feliz por vocês — eu disse, também encarando o anel — Amo vocês.

— Ah, querida! — ela me abraçou mais uma vez e rimos, após notar que chorávamos, como duas bobonas.

— Eu nem acredito que Tony finalmente vai sossegar.

— Aí dele se não o fizer.

Conversamos um pouco, comemos e demos risadas por mais um punhado de tempo, até sexta-feira avisar que Tony nos chamava no hall de entrada.

Depois de Sokovia, meu pai conversou comigo sobre pedir Pepper em casamento e eu, obviamente, surtei de alegria. Ajudei ele a escolher o anel e chorei com a minha madrasta quando ela voltou do jantar deles toda emocionada, então, os dois decidiram tirar um tempo em Malibu, em nossa mansão recém construída, para curtir o recente status no relacionamento dos dois.

Infelizmente, para o meu pai, eu me neguei a sair de Nova York.

Primeiro com a desculpa da faculdade, mas Tony se ligou rápido nos meus esquemas e encheu o saco para que eu acompanhasse ele e Pepper, pois, não queria me deixar sozinha levando em consideração a treta de um povo de outra realidade atrás de mim. Entretanto, fui irredutível em minha decisão. Sei da preocupação dele, mas, em minha defesa, não quero ir para ficar sozinha e trancada em um quarto com medo atrapalha-los. Na realidade, eu também estou disposta a ser mais uma integrante dos Vingadores e não posso fazer isso da Califórnia. Também tem a faculdade, meus amigos, e, é claro, Steve. Portanto, se meus argumentos não o convenceu, minha cara de gato de botas o fez. Tony não resistiu. No fim, foi ponto pra mim.

— Eu plantado esperando e as bonitas aqui, relaxando e cerrando a boia — ele não me pareceu em nada indignado. Dei risada do pulo assustado que minha madrasta deu quando Tony chegou de supetão, abrindo a porta do meu quarto sem qualquer cerimônia.

— E a privacidade que foda, né? — reclamei, mas Tony desdenhou e eu bufei — A gente já tava descendo — um olhar desacreditado — É sério.

— Vou fingir que acredito. Nossas coisas estão todas no carro, falta só a gente — Pepper fez muxoxo encarando-me e Tony suspirou.

— Vou sentir muita saudade de vocês — falei, com a garganta fechando.

Meu Deus, estou virando uma chorona. Eu não era assim, o que está acontecendo comigo? Coração de Elsa, volta aqui! Pepper me abraçou outra vez, então deu espaço para me despedir do meu pai. O abracei forte, como se nunca fosse vê-lo, novamente. Soltei um sorriso amarelo, por que era a primeira vez que eles iam ficar tanto tempo longe e eu não estava acostumada a isso.

— Te amo, pai.

— É só um mês — Tony brincou, mas fechou o sorriso e beijou minha cabeça, apertando-me — Eu te amo, garota.

— Tô muito feliz que você a pediu em casamento, sabe disso, né?

— Eu sei.

— Não vejo a hora de te envergonhar na hora do discurso — soltei um riso nasalado. Tony revirou os olhos.

— Tente pra ver se não tem revanche.

Dou mais uma risada, divertindo-me com seu olhar desafiador e Tony me acompanhou. Desci com eles até o térreo, me despedindo deles em frente a torre, mas tive que subir, mais uma vez, até o meu quarto para pegar minha mala. Estava no elevador quando vi algumas mensagens da Lúcia querendo falar comigo e respondi, dizendo que podíamos nos encontrar no dia seguinte. Ela não respondeu e eu segui caminho até o carro que parou em frente a torre. Happy abriu a porta e saiu todo sério.

— Happy! — o abracei com um sorrindo no rosto e o meu ex segurança tirou-me do chão, me esmagando. Happy pegou minha mala, guardou no porta mala e eu entrei no carro — Quanto tempo, nunca mais apareceu por aqui — comentei, após ele tomar o assento do motorista.

— É, né, depois que você me descartou como seu segurança.

— Quanto exagero, não foi exatamente assim — divertir-me com o seu drama.

— Exagero, garota? Acha que eu esqueci do perdido que você deu em Washington?

Sério que ele ainda se ressente desse assunto?

— Eu te procurei — menti na maior cara dura.

— Procurou coisa nenhuma!

Tive que ter muito alto controle em toda a viagem, pois, Happy sempre me fazia querer rir com seu drama. Uma hora depois e o carro passava pela entrada do novo lar dos Vingadores, me fazendo ficar nervosa, instantaneamente. O carro parou, Happy desceu e abriu a porta pra mim. Respirei fundo, saindo e batendo a porta depois.

— Pode deixar que eu levo — eu disse, quando ele ameaçou carregar minha mala depois de pegá-la no porta malas — Tira seu dia folga — bajulei, usando meu melhor olhar inocente e o motorista estreitou o olhar, sem retrucar. Quem reclamaria de um dia folga, né?

Me despedi do segurança com outro abraço e andei até a porta, numa caminhada vagarosa. Estava a poucos passos de distância quando ela se abriu e Steve saiu, olhando-me nos olhos, cumprimentando Happy que acenou da janela do carro, novamente.

— Hey! — sorri, fingindo que não estava tremendo como um chihuahua por dentro.

— Oi — fixou os olhos em mim por mais alguns instantes — Tony e Pepper já foram viajar? — perguntou, pegando minha mala e abrindo a porta para eu passar.

— Sim, provável que já estão no ar — respondi, pegando logo o celular para mandar uma mensagem para minha madrasta e, após enviá-la, o guardei voltando-me para a visão que tinha ao meu redor.

— Quer alguma coisa ou que eu te leve para conhecer seu quarto? — tinha algo em seu tom de voz que me fez desviar os olhos até ele. Steve me encarava com o cenho franzido, penso eu, estranhando toda a timidez da minha parte. Ah, droga, mas não é fácil pra mim. Respira, Sofya.

— Água, estou morrendo de sede.

Ele concordou e eu o segui até a cozinha. Cacete! Cozinha, não. Reclamo, mas repreendendo-me, depois. Chega Sofya, para de fogo no rabo, ele tá normal, acho, ou talvez...

— Esse lugar tá demais — ignorei meu debate interno, dando uma olhada geral com um sorriso leve no rosto. Virei para encarar Steve — Tony arrasa. Como estão as coisas por aqui?

— Olha... tranquilas — ele riu, parecendo surpreso, e oferecendo-me um copo com agua gelada — Estão todos bem focados em treinar, mas o Visão está sempre a atravessar as paredes. Venho tentando ensina-lo a bater na porta — nós rimos e aproveitei o breve silencio para beber minha água, abandonando o copo na mesa, em seguida — E com você, Tony não tentou te sequestrar?

— Tive que entregar três seminários essa semana e não... — parei e pensei — Não que eu saiba — me aproximei de Steve, abraçando-o pela cintura e sentindo seus braços me rodearem — Mas eu senti saudades — admitir aquilo me deixou com o rosto queimando, mas valeu a pena apenas por assistir o misto de felicidade, amor e alivio que se espalhou por todo o rosto do meu herói.

Ele segurou meu rosto, me puxando para mais perto e minha boca secou.

— Eu também — me beijou — Admito que estava nervoso, você ficou estranha depois de terça.

— Desculpa, eu estava lidando com a vergonha e frustração e fiquei com medo que você tivesse se arrependido — sou direta.

— Eu não fiquei.

— Não? — duvidei com um sorriso.

— Fiquei igualmente envergonhado e acho que você notou, mas arrependido, não.

Aquilo me surpreendeu. Steve nunca foi muito chegado a exposição e, graças a Deus, por que eu também não. No entanto, o loiro é muito mais fechado comparado a mim. Eu logo criei um monte de paranoias onde ele estivesse arrependido devido a vergonha alheia que passamos com Natasha e isso fez eu me afastar, um pouco. Juro que tento ser comunicativa, mas quando a insegurança bate, mesmo a minha autoconfiança se encolhe temerosa.

— Hmmm... — fiz um biquinho o puxando pra perto e ele riu, deixando-se levar — Cadê o resto do pessoal?

— Amanhã é a folga de todo mundo — explicou, alisando meus cabelos e pondo uma mexa atrás da minha orelha — Natasha está pegado pesado com eles hoje.

Abri um sorrisinho irônico enquanto erguia as sobrancelhas:

— Então, sem violação de mente, né? Bom.

— Você tem que perdoa-la, Sofya — Steve disse num tom repreensivo e eu lhe mandei um olhar desdenhoso.

— Quem disse que eu não perdoei, sou o perdão em pessoa. Já até esqueci que a bruxa manipulou minha mente e fez todo mundo ver o seus piores medos. Viu? Nem lembro mais.

— Estavam sendo manipulados.

— Eu sei, Steve, é sério, tô de boa.

Ele me encarou por mais alguns instantes:

— Mesmo?

— Mesmo. Agora, sabe quem não consegue superar? Natasha. Ela tava me chamando esses dias pra treinar — arregalei meus olhos num falso terror. Ah, tá bom que eu tenho medo da viúva negra. Eu não tenho, nem um tiquinho, superei essa fase. De verdade.

— Ela tem motivos para querer te bater? — Steve perguntou com diversão.

— Me bater? Por que não o contrário? — não lhe dou tempo para responder — E é lógico que não! — me indignei, mas meu namorado não pareceu convencido — Mas, sabe, Natasha nunca superou eu ter nocauteado ela quando nos conhecemos... e, bom, ela me pegou esses dias contando essa história pro ligeirinho... — fiz cara de quem fez nada demais.

Steve balançou a cabeça, rindo.

— E?

E, talvez, mas só talvez eu tenha aumentado um pouquinho a história e provocado ela, sem querer, acho que isso a irritou.

Prendendo uma risada, por que eu sabia que Steve queria muito rir, ele fez o seu melhor para parecer sério e repreensivo, mas só tentou mesmo, por que conseguir é outra história.

— Achei que a rivalidade entre vocês tivesse acabado.

— Mas eu não fiz nada — choraminguei, piscando os olhos.

— Sofya.

— Steve.

Rimos mais uma vez e eu o apertei, afastando-me apenas para de encara-lo. Esquadrinhei seu rosto, memorizando cada detalhe, amando seu olhar amoroso voltado a mim.

— Você é lindo — o elogiei, beijando sua bochecha suavemente. Steve sorriu um pouco envergonhado, e, sabe, se tem uma coisa que eu gosto é de deixá-lo com vergonha. — E muito gostoso, minha nossa.

— Tá bom — deu aquela viradinha de olhos que eu adoro. Soltei uma risada.

— Ué, não posso elogiar meu namorado gostoso? Po...

Não consegui emitir um ruído, embora tenha me assustado, e muito, com seu ataque repentino. Não tô dizendo que reclamei, nunca, principalmente quando sua língua invadiu minha boca com muita ousadia. Tirou todo o ar dos meus pulmões.

— Você aprendeu rápido como me calar — consegui dizer assim que nos separamos e ele sorriu, convencido.

— Alguém tem que fazer — brincou, no que eu soltei um "que" muito indignado e fui calada, novamente.

Ele pode me calar sempre que quiser, se for pra ser desse jeito.

E, como antes, eu mal notei quando o clima esquentou entre nós. Somente aconteceu. Começou com um beijo suave como a brisa e transformou-se em fogo, incendiando cada partícula do meu corpo. Virou minha mente de ponta cabeça e arrancou-me o ar. Steve subiu uma mão da minha cintura até a nuca, prendendo-me no lugar e eu arquejei com o contato da sua língua na minha, seu gosto, seu cheiro. Minha pele pinicava aonde nossos corpos se tocavam eu puxei o ar, fortemente, quando sua boca afastou-se da minha. Tentei pensar com clareza, lembrar que estávamos em uma cozinha, de novo, mas, aquele desejo invadiu minha mente como vírus e deu pane e eu não tinha nenhum protocolo para lidar com aquilo. Então, fiz o que meu corpo desejava, eu agarrei Steve pelo pescoço com toda a minha força e anseio, puxando-o pra perto de mim num beijo tão desesperado como eu estava.

Nossos dentes bateram, mas não me importei, muito menos quando impulsionei meu corpo para cima e Steve envolveu-me pela cintura, me pondo sentada na bancada. Esqueci tudo, os problemas, que estávamos nos pegando em uma cozinha com risco de sermos pegos, pela segunda vez. Me foquei ao agora. Minhas mãos passearam por toda a extensão do seu ombro e braços. Ele desceu com a boca pelo meu queixo, alcançando meu pescoço, deixando pequenos beijos molhadinhos por todo o caminho. Resmunguei alguma coisa na qual não lembro, querendo mais, precisando de mais.

— Sofya — ouvi seu murmúrio, enquanto eu tentava puxar sua camisa pra cima — Amor? — suas mãos tocaram meu rosto e eu encarei o meu namorado, frustrada.

Merda, merda, merda, qual o problema?! Certo, respira, Sofya. Você tem que ter calma, respira. Você está se esfregando no seu namorado décadas mais velho sem saber muito dos costumes dele, você precisa ser compreensiva, é normal que antes os... pera. Não. Ah, cacete! E se Steve for desses caras que só transam depois de casar? Aí, não senhor.

Puta merda!

— Eu... — meu cérebro era um aglomerado de error 404 ao pensar em inúmeras possibilidades — Errr... foi mal, eu... — foi mal o caralho! Meu eu diabinho, riu.

— Não peça desculpas, por favor — Steve me cortou, engolindo seco — Eu só não... eu não... droga! — arregalei os olhos ao ouvir aquilo. Primeiro que Steve não xinga, nada, nadinha de nada, nem uma palavrinha tão de boa como droga, mas também por que imaginei ele dizendo, em seguida, algo como: só transo depois do casamento. Aí seria foda! — Sofya, você precisa saber que eu nunca fiquei com nenhuma mulher.

O olhei ainda sem entender. Ele nunca ficou... ah, ahhh.

— Era isso? — perguntei num misto de alívio e surpresa — Nunca fez sexo?

— Não — admitiu, constrangido.

— Eu também não, Steve — ele entreabriu aqueles lábios, surpreso, e eu inclinei-me para beijá-lo, mais uma vez, por que sua boca parecia sempre chamar a minha. Ai ai.

— Pensei que... não sei o que pensei — ele balançou a cabeça — Mas nunca desejei tanto alguém como desejo você — assumiu um tom rouco que me deixou maluca. Meu ventre se contraiu enquanto todo o fogo que eu sentia aumentava, me queimava, se alastrava e descia diretamente para .

— Quero transar com você Steve — falei logo, pois, estava cansada de me conter uma vez que ele também parecia me querer — Quero que você seja o meu primeiro assim como quero ser a sua primeira, o meu corpo todo te quer. Sente como eu fico quando você me toca — a esse ponto eu me encontrava alucinada, doida por ele.

Peguei suas mãos fortes e Steve deixou-se levar, tão entregue aquele momento como eu. Encaminhei uma delas ao meu seio e outra pela minha perna até o meio das minhas pernas. Abri a boca em busca de ar e Steve ofegou, apertando meu seio, pressionando e acariciando-me. Ele tornou a beijar meu pescoço e minha respiração oscilante pareceu ficar muito mais agitada conforme ele iniciava uma fricção lenta na minha intimidade. Meu Deus, que delícia. Gemi baixinho.

— Assim? — Steve murmurou no meu ouvido, o sopro de sua expiração batendo no meu pescoço conforme ele tornava descer seus beijos pelo meu ombro.

— É... — eu arfava a cada tentativa de falar e nem consegui protestar quando ele parou de me tocar.

— Vamos sair daqui — explicou, como se sentisse minha exasperação e eu balancei a cabeça. Claro, ainda estamos na cozinha.

Fui pular da bancada, mas Steve agarrou minhas pernas antes deu tocar no chão e me segurou em seus braços, estilo noiva.

— Eu te levo — me apertou, sorrindo pelo olhar e não segurei o riso.

— Eu sei andar, sabia? — o apertei com os braços ao redor do seu pescoço.

— Eu sei que sabe, mas quero cuidar de você e... — me ajeitou em seu colo e roçou a pele do meu antebraço com lábios — Posso cuidar a começar levando-a para jantar em um restaurante caro, embora não tenha dado muito certo da última vez — brincou com alegria, fazendo-me recordar do mico que paguei ano passado. Gosto nem de lembrar, vergonha! — Ou ficar com você quando não conseguir dormir, te ouvir quando quiser reclamar da vida, secar suas lágrimas quando algo a chatear e tentar fazê-la parar de xingar, mesmo que efeito esteja sendo o contrário — eu ri disso e o homem acompanhou — E... te levar em meu colo para que não se canse, mesmo que o caminho seja curto.

E, dito isso, Steve retornou a caminhada pelos corredores do complexo, enquanto eu abria um sorriso, tentando mostrar pelo meu olhar o quanto eu o amava, emocionada como nunca. Minha nossa! Não consigo lidar quando Steve fala essas coisas para mim. Não sou boa com discursos e sempre me sinto uma robô por não saber dizer essas coisas bonitas que ele me fala, então, eu tento, mesmo que para mim o meu tentar, às vezes, não sejam o suficiente.

— Acho que estou apaixonada por você, Steve Rogers.

— E eu estou completamente apaixonado por você, meu amor — o apertei um pouco mais. Beijei sua bochecha e sussurrei em seu ouvido que o amava, mordendo o lóbulo e percorrendo sua pele com a minha língua, amando sentir sua respiração vacilante em meu ouvido.

— Minha bolsa — falei, erguendo a cabeça subitamente ao lembrar. O homem parou no caminho, olhando-me um tanto confuso.

— O que? — indagou. Neguei com a cabeça e girei a mão, tentando me concentrar para traze-la até nós, mas só tentando mesmo. Então, expliquei a Steve o que tinha nela e ele acenou, muito sério — Vou te levar para o quarto e depois volto pra buscar.

E assim ele o fez. Entramos em um quarto que eu imaginei ser o meu. As paredes eram brancas com uma destacada em azul e uma cama de casal enorme tomando grande parte do cômodo. Apenas isso que eu notei e depois virei-me para observar Steve, uma vez que ele me pôs sob a cama.

— Vou lá buscar, quer alguma coisa pra comer? — acariciou meu rosto e inclinei o pescoço em direção a sua mão, negando. Steve se abaixou para beijar minha boca e emendou: — Já volto.

— Tá bom — sorri e ele pressionou os lábios nos meus uma última vez antes de deixar o quarto.

Me joguei na cama assim que ele saiu, pressionando bem as pernas uma na outra e sorrindo como uma idiota. Não acredito que vai realmente acontecer. Suspirei e virei o rosto, no que notei um porta retrato na mesa de cabeceira junto de um broche. Levitei ambos os objetos até mim e reconheci imediatamente o presente que dei a Steve, assim como a foto de todos na festa de Natal que teve ano passado. Ele não me levou até o meu quarto, me levou ao dele. Constatei, observando a foto por mais alguns instantes antes de fazê-la flutuar de volta para o lugar. Com essa descoberta, eu olhei o meu redor com mais curiosidade. Tudo organizado, como Steve é. Sem roupas espalhadas ou sapatos jogados pelos cantos. Tenho sorte de ter alguém para arrumar as minhas bagunças, por que antes de morar com Tony, o meu quarto era uma perdição. Eu sou o tipo de pessoa que chega em casa arrancando as roupas e jogando tudo pelos ares e... Minhas divagações desapareceram quando Steve retornou trazendo minha bolsa consigo.

— Pedi comida para a gente, pizza — e sorriu, deixando a bolsa na beirada da cama e vindo até mim.

— Perfeito — proferi, puxando-o pela camisa e beijando aquela boca deliciosa.

— Como estamos longe, vai demorar mais tempo que o comum — comentou, ofegante e eu abri um sorriso.

— Que sorte a nossa — eu falei, arrancando minha camisa e ficando somente de sutiã.

Deitei na cama, novamente, com um sorriso malicioso na boca. Vermelho. Descobri que Steve gosta quando uso vermelho e nada melhor do que uma lingerie para o provocar, não é mesmo? Notei que sua boca se abriu e seus olhos percorreram meu corpo, lento, quase em uma carícia. Somente o ato dele me olhar me deixou excitada.

Suas mãos estavam geladas quando tocaram meu ventre e eu suspirei ao me arrepiar.

— Você é tão linda — Steve sussurrou, passando o rosto pela minha barriga e subindo por minhas costelas até meus seios. Abri minhas pernas e ele se acomodou melhor, ficando todo em cima mim — Me deixa louco — confessou, parando para encarar meus olhos.

Suas íris estavam escurecidas pelo desejo. Lembrou-me do mar agitado durante uma tempestade e eu me inundei daquele sentimento, deixei-me levar por ele e me afoguei sem qualquer resistência.

— Deixo é? — cruzei as pernas ao seu redor, puxando-o para mais perto de mim

Agarrei seu rosto com uma mão e com a outra, acariciei seu pescoço e ombros, descendo as mãos por sua costa e incentivando-o a arrancar aquela maldita roupa que não me deixava sentir sua pele.

— Deixa — ele respirou forte quando beijei seu ombro.

— Quero sentir, Steve, sentir o quanto eu te deixo louco — pedi, me empurrando para cima a fim de amenizar o incomodo entre minhas pernas. Meu corpo em brasa notou, imediatamente, quando ele me agarrou pelas pernas e se pressionou contra mim, tirando o resto da sanidade mental que me restava. Gemi mais alto e me esfreguei sem nenhum pudor — Steve — eu ofeguei.

Me remexi contra seu membro querendo mais da sensação dele duro entre minhas pernas. Steve estremeceu, e, consequentemente, apertou minhas coxas com mais força, franzindo as sobrancelhas com os olhos desfocados. Ele beijou meu busto e desceu ao meio dos meus seios. Mal pensei quando ergui o corpo e seus dedos passearam pelas minhas costas, atrapalhando-se na hora de soltar o sutiã, até ele enfim perder a paciência e estourar o fecho. Estávamos afobados. E eu não me senti envergonhada quando Steve me viu. Na verdade, fiquei ainda mais ousada e agarrei seu pescoço. Ele desceu a boca e colocou meu seio na boca, obedecendo o pedido silencioso no meu olhar.

Meu Deus, que delícia... a boca dele, meu Deus!

Steve... eu...

— Você gosta assim, amor? — seu hálito quente bateu contra o mamilo e Steve sugou, lento, forte, molhado e eu quase chorei.

— Sim, sim! — balancei a cabeça, desnorteada. Ele intercalava a mão e a boca entre um seio e outro, observando cada uma das minhas reações. Mordiscando o bico quando notou que eu gostava. Aprendendo cada um dos meus gostos.

Ficamos numa fricção gostosa entre nossos corpos, ele pressionando-se cada vez mais contra mim. Me deixava louquinha.

— Steve — implorei, mas o que?

Para ele parar, para continuar? Para me preencher dele e me fazer sua, assim como eu quero que ele seja meu? Puta merda! Eram tantas as coisas que vinham em minha mente, porém, não consegui por nenhuma para fora. Contudo, ele pareceu entender alguma coisa em meu tom de voz e esticou o corpo até alcançar a bolsa. Minha mente clareou e eu a tomei de suas mãos. Abri o bolso pequeno e tirei os pacotinhos prateados de dentro. Eles caíram na cama e eu encarei meu namorado. Corri a mão até o fecho da minha calça, mas fui parada em meio ao movimento e ele tomou o lugar das minhas mãos.

Steve tirou meu tênis com atenção e cuidado, então, puxou minha calça e arrancou de mim, levantando uma de minhas perna por vez. Fiquei naquela espera, querendo que ele voltasse a me tocar, mas amando o seu cuidado para comigo. Fiquei somente de calcinha e ele parou, me observando, inclinando o tronco e beijando minha barriga. Ele enganchou os dedos nas beiradas do único tecido em meu corpo e retirou-o, lentamente.

— Deixa eu cuidar de você também — pedi, tocando seu braço e Steve sorriu.

Fiquei de joelhos na cama e toquei o fecho do seu jeans, abri o botão e arquejei, ansiosa, descendo sua calça e cueca, não tendo toda a paciência que meu namorado parecia ter e ele sorriu, mais uma vez, levantando da cama e me auxiliando no processo. Beijei seu peito e lambi sua pele. Ele agarrou forte meus cabelos fazendo minha cabeça inclinar, mas, imediatamente, me soltou quando o olhei:

— Desculpa — pediu, respirando forte.

Neguei com a cabeça:

— Eu gosto quando me segura assim.

E ele voltou a segurar, puxando-me para um beijo e gemendo quando toquei seu membro duro. Apertei, desci e subi a mão num vai e vem e Steve aparentou gostar, então, retornei a minha língua contra o seu corpo, mamilo, barriga. Quando o alcancei, Steve não pareceu se dar conta do que eu ia fazer, não até eu lamber toda a sua extensão e colocá-lo na boca.

— Meu Deus! — ele estremeceu, os olhos arregalados, a boca entreaberta. Seu corpo quase desmoronou e me senti satisfeita ao chupa-lo. Steve estava totalmente entregue e eu teria continuado se ele não tivesse me puxado para cima. Ele me beijou duro e eu gemi em resposta quando sua mão apertou forte meu seio. Tateei a cama em busca da camisinha, ansiosa pela espera. Quando a encontrei, cortei o pacote, atrapalhada e ansiosa, querendo-o dentro de mim. Steve tomou a proteção das minhas mãos tremulas e deslizou a camisinha por toda a sua extensão.

As coisas se tornaram uma bagunça, depois. Nos embaralhamos na cama e ele baixou o rosto para me beijar, nossas respirações frenéticas se misturavam e circulavam conforme nossas línguas brincava, uma com a outra. Circulei sua cintura com minhas pernas e Steve segurou minha perna e a içou para cima, apertou-me e me preencheu. Lento e calmo. E, então, ele estava todo dentro de mim. Senti uma dor, a principio, como algo me rasgando e franzi a testa, respirando forte.

Steve parou, beijando meu rosto e dando diversos selinhos na minha boca.

— Estou te machucando? — sua voz era apenas um murmúrio quase inaudível. Suas sobrancelhas estavam franzidas em concentração e os músculos tensos a me envolver, dizia por si, o esforço que Steve fazia ao não se mexer.

Balancei a cabeça, puxando-o para um beijo:

— Continua — pedi, aos sussurros.

Steve se impulsionou para trás e voltou, entrando em mim bem devagarinho e, dessa vez, me fazendo sentir bem mais do que apenas dor. Ofeguei, puxando seus cabelos curtos e ele tornou a beijar meu pescoço, inalado forte o ar. Ele saiu e estocou mais rápido, me arrancando o ar. Ambos gememos.

— Mais forte! — implorei.

E estabelecemos um ritmo continuo. Eu mexia meu corpo em sincronia ao seu e Steve aumentava a velocidade e força tão alucinado quanto eu. Seus gemidos no meu ouvido me fazia aperta-lo e isso o enlouquecia. Chegamos a um ponto em que não reprimíamos mais nada e nos jogávamos um contra o outro, angustiados. Um sentimento de tormento que quase me fazia chorar quando ele saia de dentro de mim, e me regozijar quando estocava todo o seu comprimento.

Senti um nó se formava em meu ventre e eu gemi cada vez mais alto, pedindo mais e mais dele que também parecia imerso em seu próprio prazer. Gritei quando alcancei meu clímax aos espasmos e, sem demora, Steve também teve sua libertação. Ficamos imersos naquela nevoa deleitosa, ofegantes, e, por tudo que é mais sagrado, eu queria mais.

O silencio se abateu no cômodo, enquanto recuperávamos o folego, comigo acariciando suas costa.

— Isso foi loucura — Steve disse, minutos depois, retirando uma mecha de cabelo do meu rosto soado, beijando-me com carinho, ainda em cima de mim, me aquecendo com o calor do seu corpo. Eu sorri, desorientada. Porra, bota loucura!

— Eu amei ficar louca com você — abri um sorrisinho e Steve riu — E vou amar ficar louca outra vez — falei, subindo as mãos por seus braços e senti Steve, ainda dentro de mim, se enrijecer.

Eu mal conseguia respirar, mas o meu eu safado pouco parecia se importar e, que se foda, me deixei levar. Steve não pensou duas vezes antes de me beijar, e, ficamos loucos a noite inteira.